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O jogral protagonizado pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, na tarde de quarta-feira, escancarou a oposição ao código de conduta proposto pelo ministro Edson Fachin. Quem não acompanha a novela do Banco Master poderia confundir aquele diálogo com um ensaio de teatro de dois atores amadores.
Talvez Shakespeare, de Hamlet, talvez o brasileiríssimo Dias Gomes, autor de O Bem Amado. Mas era um diálogo real de dois ministros de Suprema Corte, inconformados com o clamor popular por ética, respeito e balizas na atuação dentro e fora do tribunal.
Ninguém está querendo proibir os ministros de participarem de aulas magnas em faculdades de Direito, nem impedir que deixem a herança para os filhos.
Em meio às discussões sobre código de ética do STF, Moraes diz que juiz pode receber por palestra e ter ações de empresas
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Essas distorções foram usadas para desviar do que interessa, a necessidade de estabelecer regras de conduta para a aceitação de patrocínios, participação em congressos e atuação de advogados da família em causas que serão por eles julgadas.
Pelo que se ouviu dos dois ministros, eles não veem nada de estranho em ter negócios com empresas de reputação duvidosa, como o Banco Master. Na prática, estão dizendo que não há nada de errado em Toffoli ter parentes ou laranjas associados a Daniel Vorcaro, nem no contrato milionário de Viviane Barci de Moraes com o Master.
O diálogo de Toffoli e Xandão passa a impressão de que os ministros, coitados, fazem um sacrifício pela Pátria quando aceitam a indicação. Ora, se é tão ruim assim, basta não aceitar ou pedir para sair se quiser ficar milionário na advocacia privada.
As críticas ao comportamento de Moraes e de Toffoli não significam defesa do enfraquecimento da instituição Supremo Tribunal Federal, guardiã da Constituição. O Supremo precisa ser respeitado e valorizado.
Só o será se os ministros entenderem que não estão acima da Constituição e que um código de ética só está em discussão porque cruzaram a linha vermelha que separa o interesse público do privado.
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