Artigo do editor, especial - Entenda quem são os personagens denunciados pelo relator da CPMI do INSS

O editor ouviu, viu, leu, releu e anotou cuidadosamente todo o histórico, contundente e talez o mais devastador discurso feito este ano por qualquer deputado ou senador da República.

Foi ontem, na CPMI do INSS, que investiga os ladrões que roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS, entre eles figuras do mais alto escalão da República.

O relator, no caso o deputado Alredo Gaspar, abriu o discurso lembrando seus 24 anos atuando como advogado, promotor e secretário da Segurança Pública de Alagoas -

- Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. 

Mas lembgrou - 

- A mentira jamais vencerá o sol da verdade.

O deputado contou que sente ânsias de vômito diante do que acontece no atual regime autoritário comandado pelo consórcio STF+Governo do PT- 

- O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.

Vorcaro tem metade da república no Bolso

O deputado estava particularmente revoltado porque o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deveria ter sido ouvido, ontem, mas não foi porque não tinha jatinho para viajar.

- Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?

O escândalo dos consignados nasceu na Bahia, com o petista Rui Costa, na época governadaor e hoje chefe da Casa Civil de Lula

O deputado explicou que o escândalo dos velhinhos do INSS não é coisa recente 

- Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?

Este são os nomes blindados pela base governista na CPMI

- Alexandre de Moraes - Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.

- Dias Toffoli -  E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. 

- Lulinha - Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. 

- Bancos - O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.

- Deputado Paulo Pimenta e caterva da base aliada - Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério (o caso foi com o deputado Paulo Pimenta, flagrado na garagem do prédio da Câmara em conversas com Valério).

Blindagem precisa ser quebrada

Ninguém deve ser blindado, mas a base do governo, o PT, tenta blindar todos os bandidos, segundo o deputado, que denunciou - 

- Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer. 

E avisou -

- Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.



Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar

 Discurso – Relator da CPMI - Alfredo Gaspar


Quero saudar todos os parlamentares presentes. Passei 24 anos da minha vida perseguindo bandido. E, quando imaginei que viria para a política para deixar esse passado para trás, nunca estive tão próximo da bandidagem como estou hoje. A bandidagem que ataca, que mente, que fabrica narrativas. Mas é justamente essa bandidagem que eu sempre quis enfrentar: a bandidagem do topo da pirâmide. Porque a mentira jamais vencerá o sol da verdade.


É por isso que estamos aqui. Senhor presidente, considero um absurdo não termos hoje sentado nesta cadeira o senhor Daniel Vorcaro. Antes, porém, quero cumprimentar todos em nome de Vossa Excelência, os advogados, os depoentes e, sobretudo, o povo brasileiro.


O Brasil vive uma época que dá vontade de vomitar de manhã, de tarde e de noite. Estamos vivendo o verdadeiro bacanal da corrupção. Um momento extremamente difícil para o país. Não podemos mais ter feriado, não podemos ter intervalos, porque a cada dia que passa o cenário nacional se torna pior do que o anterior.


Eu nunca tinha ouvido falar desse cidadão chamado Vorcaro. Não sabia que ele tinha metade da República no bolso — talvez porque eu não tivesse dinheiro para aplicar ou não frequentasse as altas rodas de Brasília. Mas o que não dá para aceitar é a justificativa apresentada para não comparecer a esta CPMI: só viria depor se fosse em jatinho. Se essa moda pega, ninguém mais será ouvido neste país. Isso é uma esculhambação, e eu não aceito.


Mais grave ainda é que esse cidadão conseguiu algo que nenhum parlamentar conseguiu até hoje: reunir-se quatro vezes com o presidente da República no Palácio do Planalto fora da agenda oficial. Quatro vezes. Vá qualquer parlamentar tentar ser recebido sem agenda. Há ministros que foram recebidos menos vezes do que Vorcaro. Que prestígio é esse?


E deixo claro: não afirmo que Vorcaro tenha relação apenas com o governo atual. Não posso ser leviano. Esta CPMI precisa abrir o leque e investigar todos. Mas o fato é que o presidente da República, que não abre o Planalto para o cidadão comum, abriu suas portas quatro vezes, no escurinho do cinema institucional, para esse personagem.


Quando analisamos os consignados, precisamos entender onde nasceu essa desordem. Ela nasceu na Bahia. E ali estavam os elementos políticos que permitiram que tudo isso acontecesse, inclusive figuras conhecidas do Partido dos Trabalhadores e integrantes centrais do atual governo.


Enquanto isso, vemos manchetes constrangedoras: o dono do Banco Master pagando de humilde, mas exigindo vir prestar depoimento apenas em jatinho, enquanto tinha meio Brasil no bolso. Que país é esse? Que zona institucional é essa em que transformaram o Brasil?


E não para por aí. Surge o nome da senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, talvez o ministro mais poderoso da história do Supremo Tribunal Federal. Porque, segundo alguns, salvou a democracia e, por isso, poderia tudo. Mas ninguém tem coragem de discutir um contrato de 129 milhões de reais firmado sem processo formal. Isso é imoral. Isso tem aparência de pagamento de proteção — e ninguém tem coragem de enfrentar o tema.


Como a verdade incomoda. Basta falar que imediatamente tentam interromper. Mas repito: 129 milhões de reais. E quem garante que esse dinheiro também não tenha origem nos recursos do INSS?


E vemos ainda situações envolvendo o ministro Dias Toffoli. Perdemos mais de um mês de investigação porque dados essenciais foram negados a esta CPMI, uma instância legítima e constitucional. Até hoje não temos acesso pleno às informações, e o Brasil permanece em silêncio.


Fui um dos que votaram a favor da convocação do filho do presidente da República. Mas estou cansado de menino de recado. A Polícia Federal quebrou sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. Medidas cautelares foram adotadas, e parte desta CPMI tentou blindá-lo. Enquanto isso, a Polícia Federal avança nas investigações. O que peço é simples: que haja compartilhamento dos dados, pois é um direito legítimo desta comissão.


Repudio, com respeito institucional, a decisão do ministro André Mendonça que permitiu a ausência do senhor Vorcaro. Contudo, reconheço que o mesmo ministro corrigiu erro gravíssimo ao liberar o acesso aos dados que estavam escondidos. Deu uma no cravo e outra na ferradura.


Agora, é preciso dizer a verdade completa: aqueles que hoje criticam decisões judiciais foram os mesmos que blindaram instituições financeiras nesta CPMI. Blindaram C6, PicPay, Santander, Crefisa e diversos envolvidos. Ninguém blindou mais do que a base do governo. Não deveria existir bandido de estimação, mas é exatamente isso que estamos vendo.


O sistema financeiro está blindado, e nós temos apenas mais um mês de trabalho. Ainda há muitas pessoas a serem ouvidas. Por isso, reapresentei requerimentos para convocação dessas instituições financeiras. Vamos colocar digitais novamente e descobrir quem defende o interesse público e quem atua como empregado do sistema financeiro.


Também não posso deixar de registrar minha discordância quanto à atuação de parlamentares orientando testemunhas ligadas diretamente aos problemas investigados no caso do Banco Master. A história já mostrou o erro desse tipo de conduta, quando parlamentares tiveram que deixar CPIs após relações impróprias com investigados, como ocorreu no episódio envolvendo Marco Valério.


Se houver senador envolvido, que seja preso. Se houver deputado, que seja preso. Se houver presidente da República, banqueiro ou qualquer autoridade, que responda. A lei deve valer para todos. Reuniões e articulações por intermédio de estruturas diretamente ligadas aos investigados não são apenas ilegais — são passíveis de investigação.


Estou cansado da mentira, da hipocrisia e da blindagem institucional. Esta CPMI existe para revelar a verdade ao povo brasileiro. E é isso que nós vamos fazer.

Boi na colheita do arroz: Arena Pecuária amplia espaço no evento arrozeiro

 Boi na colheita do arroz: Arena Pecuária amplia espaço no evento arrozeiro


Pecuária retorna à programação da Abertura da Colheita do Arroz para discutir mercado, integração e pecuária intensiva. Lançamento do Fundocarne é destaque


Com programação diária e a proposta de encontro e debates entre produtores, pecuaristas e indústrias, a Arena Pecuária terá o dobro de espaço em relação à primeira participação na Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. O evento ocorre entre 24 e 26 de fevereiro de 2026, na estação da Embrapa em Capão do Leão (RS), e tem o espaço dedicado à bovinocultura sob a organização do Instituto Desenvolve Pecuária e do Universo Pecuária.


O objetivo é trazer à discussão a estabilidade que a integração entre as atividades permite. Para a coordenadora executiva do Universo Pecuária, Marcela Santana, a agricultura depende muito mais da questão de clima e de preço. “Já com a pecuária, o produtor consegue ter um sistema em que se ele não conseguiu ganhar tanto no momento da lavoura, pode investir mais na pecuária para ter esse lastro, essa segurança de estabilidade financeira. Se estivesse com todas as fichas na lavoura em um ano ruim, é perda total.”  Para isso, são necessárias estratégias e não apenas colocar o gado no campo, alerta. “Por isso, a presença de produtores, frigoríficos e pecuaristas no mesmo evento permitirá a troca para entender as necessidades e possibilidades de cada um”, explica


Para a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli, a presença da Arena no evento consolida a pecuária não como uma atividade secundária, mas como um pilar estratégico de sustentabilidade econômica. “A integração é o exemplo máximo de eficiência. Não estamos mais falando de escolher entre o grão ou o boi, mas de como a pecuária profissionalizada potencializa o resultado da lavoura e vice-versa.” Ainda conforme Antonia, a intenção da Arena é mostrar que a intensificação do manejo e a gestão focada em dados transformam o campo em uma lavoura de carne, “capaz de entregar proteína de alta qualidade com rentabilidade o ano todo”.


Debates Técnicos


A programação da Arena Pecuária concentra-se em rodas de debates, realizadas diariamente das 10h às 12h. A agenda técnica propõe uma visão 360 graus da cadeia produtiva. No dia 24 de fevereiro o painel "Mercado da Carne" abre os trabalhos, focando na comercialização e desafios junto a mercados internacionais. Já no dia 25, o tema "Integração Lavoura-Pecuária" ocupa o centro das discussões e o manejo do sistema misto, ponto central para produtores que visam transformar a propriedade em uma fazenda com atividades nos doze meses do ano. No dia 26, o encerramento ocorre com o painel sobre "Pecuária Intensiva", discutindo tecnologias e métodos para aumentar a produtividade por hectare.


Todos os dias, após o conteúdo técnico, a programação prevê a "Hora da Carne", momento destinado à degustação de cortes especiais, fomentando o relacionamento entre pecuaristas, agricultores e técnicos presentes. Esta atividade é realizada com a parceria de frigoríficos. 


Fundocarne


No dia 24 será lançado o Fundocarne, Fundo de Promoção da Carne Gaúcha. O fundo contará com a contribuição de produtores, liderados e incentivados pelo Instituto Desenvolve Pecuária e também de pelo menos dez frigoríficos capitaneados pelo Sicadergs, Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul. Para o presidente executivo do Sicardergs, Ronei Lauxen, a atuação do fundo será uma oportunidade de aliar pecuaristas e indústrias para conjuntamente superar obstáculos “e não apenas divulgar a qualidade da carne gaúcha, mas fomentar o aumento da produtividade e da qualidade no campo e na indústria”.

OPINIÃO - Governo Lula recua nas hidrovias e confirma: não há projeto para o Brasil; por Felipe Vieira*

O governo Lula revogou o decreto que incluía as hidrovias do Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização.


A justificativa oficial é o “diálogo com os povos indígenas”. Mas o que faltou foi diálogo antes. Se havia impacto sobre comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, essa conversa precisava ter ocorrido previamente. Consulta prévia não é detalhe formal. É condição básica para qualquer projeto de infraestrutura na Amazônia.


Nenhum governo sério anuncia concessão de estrutura estratégica sem estudos ambientais consolidados, negociação antecipada e sustentação política mínima, conversando com todos, inclusive e principalmente com os povos indígenas. O governo Lula fala em protagonismo climático, em liderança ambiental internacional, em compromisso com a agenda sustentável. Mas, na prática, demonstra falta de coordenação e ausência de planejamento quando precisa transformar discurso em ação concreta.


Publica o decreto. Não constrói base política. Não antecipa conflito. Sente o desgaste. E recua. Isso é amadorismo convertido em método.


E o mais grave: os próprios números do governo mostram o tamanho do erro. Segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pelo Plano Nacional de Logística, o chamado Arco Norte, que depende diretamente dessas hidrovias, já responde por mais de 35% das exportações brasileiras de soja e milho. A meta oficial é elevar esse percentual para acima de 40% nos próximos anos.


A hidrovia do Madeira movimenta cerca de 25 milhões de toneladas por ano. A do Tapajós, entre 15 e 20 milhões de toneladas anuais, sendo rota estratégica para o escoamento da produção do Mato Grosso. O próprio governo afirma que a ampliação da navegação pode reduzir em até 20% o custo logístico em relação às rotas tradicionais do Sudeste.


Além disso, o transporte hidroviário emite até 60% menos CO₂ por tonelada transportada quando comparado ao transporte rodoviário, argumento frequentemente usado pelo próprio governo Lula ao defender uma matriz logística mais sustentável. O Plano Nacional de Logística prevê ampliar a participação das hidrovias de cerca de 13% da matriz de transportes para algo entre 20% e 25% até 2035, reduzindo a dependência do modal rodoviário, que hoje supera 60%.


São números oficiais. São metas anunciadas pelo próprio governo. Diante desses dados, o recuo se torna ainda mais absurdo.


Se as hidrovias são estratégicas para reduzir custo Brasil, fortalecer a balança comercial, integrar o Norte ao restante do país e diminuir emissões, como pode o próprio governo abandonar o projeto no primeiro impasse político? Se as hidrovias são estratégicas para integrar o Norte ao restante do país e fortalecer a logística nacional, o governo deveria ter estruturado o projeto com técnica, segurança jurídica e diálogo consistente. Se não havia segurança política para avançar, não deveria ter iniciado o processo.


O recuo transmite instabilidade decisória. Investidores observam. O setor produtivo recalcula risco. Comunidades percebem que a pressão substitui o planejamento prévio. Não se trata de desconsiderar direitos indígenas ou a preservação ambiental. Trata-se de exigir seriedade na condução de projetos estruturais.


Revela que o governo Lula reage aos fatos em vez de conduzi-los.

O episódio expõe um governo mais preocupado em administrar desgaste imediato do que em sustentar decisões estratégicas de longo prazo. Quando o cálculo eleitoral passa a orientar a infraestrutura do país, o resultado é paralisia, insegurança e improviso. O Brasil precisa de planejamento, não de movimentos táticos para agradar circunstâncias momentâneas.


Esse caso é mais um exemplo da ausência de um projeto consistente de desenvolvimento nacional sustentável do governo Lula.


Redes sociais: @felipevieirajornalista*

Exortação ao SINDIFISCO NACIONAL

 Exortação ao SINDIFISCO NACIONAL

Marcus Vinicius Gravina

OAB-RS 4.949


Nunca imaginei que algum dia eu me colocaria ao lado dos agentes públicos fiscais da arrecadação do nosso dinheiro.  


Pois, encontrei um bom motivo para isto. Os Auditores Fiscais estão sendo escorraçados por um inimigo comum do povo brasileiro, abrigado, covardemente, em uma fortaleza: o STF. 


Ministro do STF não goza de imunidade fiscal. É um dos raros casos em que se exige a apresentação prévia da declaração de bens e rendas para o exercício de função no Poder Judiciário, ou seja, no STF.  Além disso, deve se comprometer com a declaração de ajuste anual do Imposto de Renda (IRPF). 


O ajuste anual é para que o TCU acompanhe a evolução patrimonial dos ministros. 


Não é somente de notável saber jurídico e de conduta ilibada que o sabatinado pelo Senado - indicado pelo presidente da República -  precisa demonstrar e comprovar.


Prestem atenção ao artigo 1º, inc. V, da Lei Federal 8.730/1993: “ É obrigatória a apresentação de declaração de bens, com a indicação de fontes de renda NO MOMENTO DA POSSE...” 


Continua a lei dizendo que a relação dos bens deve conter,  pormenorizadamente, os bens imóveis, móveis, semoventes, títulos e valores imobiliários, direitos sobre veículos automóveis, embarcações ou aeronaves e dinheiro ou aplicações que no país ou no exterior constituam separadamente o patrimônio do declarante e de seus dependentes. 


Ainda, os bens serão declarados, discriminadamente, pelos valores da transferência da propriedade, concomitantemente de seus valores venais. 


O valor da aquisição dos bens existentes no exterior será declarado na moeda do país a que estiverem localizados. 


Atenção redobrada no que vem a seguir: “ A não apresentação da declaração por ocasião da posse, implicará a não realização do ato de posse ou em sua nulidade, se celebrado sem o requisito essencial da apresentação da declaração de bens.“  Há mais a hipótese de implicação de crime de responsabilidade. 


A obrigação imposta a quem quiser ser ministro do STF não configura violação de intimidade, sigilo fiscal, bancário ou exposição de informações pessoais. 


PARTE II – Obrigação do TCU e suas Instruções Normativas.


O TCU, para a mesma lei, não será apenas o depositário das Declarações dos ministros indicados ao STF pelo presidente da República.  O legislador ordenou-lhe a missão de acompanhar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). 


Anualmente, até o prazo de 30 dias após a data limite fixada pela Receita Federal para a entrega da DIRPF, o TCU deverá ter acesso às declarações dos ministros. 


O ministro obriga-se, no ato da posse, a autorizar o TCU - com validade para todo o mandato - a requisitar da Receita Federal a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física de cada ministro do STF.   

Sua missão é reportar-se, quando solicitado ou por iniciativa própria  ao  Congresso Nacional, especialmente ao Senado. Trata-se de um órgão público que age como auxiliar do Congresso em situações atípicas de oscilação para maior do patrimônio dos ministros. Sem esta ação conjunta a um poder maior,  como é o Congresso Nacional, sua competência “dá xabu”.  


PARTE III  -  Prepotência espantosa


Sem o mínimo respeito ao Devido Processo Legal, quatro agentes estão sendo investigados cumprindo restrições de mobilidade e forçados a usarem tornozeleiras. Nada foi provado contra eles. 


Agiu corretamente o presidente do Sindicato dos Agentes Fiscais ao se pronunciar contrário ao abuso de poder de um ministro do STF. 


Os Agentes do TCU têm tudo a aprender com a atitude altiva do presidente do SINDIFISCO NACIONAL. 


Os Sindicatos dos Agentes Fiscais da Receita Federal, sobre a declaração de bens e rendas dos ministros do STF, podem dar a resposta a perseguição aos quatro agentes da Receita Federal, dirigindo-se ao Senado Federal para saber se o TCU está cumprindo o seu dever diante da Lei 8.730/1993 e suas Instruções Normativas, a começar pela de n.87/2020.


Os cidadãos brasileiros têm o direito de conhecer a declaração de bens dos ministros do STF.  A Lei Especial veio para este fim. 


Em Instruções Normativas recentes do TCU inovou-se o processo de recebimento de cópia da declaração de bens na forma impressa ou digitalizada. Agora pode ser por envio do Sistema e-DBR desenvolvido pelo TCU. 


É muito grave o que foi exposto, em síntese, neste artigo. Os ministros que, por qualquer razão, deixaram de cumprir com a obrigação da citada lei, podem estar funcionando ilegalmente no STF, sujeitando seus votos a declaração de nulidade e eles próprios a crime de responsabilidade.


Este artigo segue a lógica de um adágio popular, face a insistência do autor: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. 


Caxias do Sul, 23.02.2026



  


 



Editorial, RBS - Um desfecho para um inquérito sem fim no STF

OAB está correta ao condenar a “elasticidade excessiva” do escopo da investigação, além de sua “natureza perpétua”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou nesta segunda-feira (23) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma manifestação sóbria em que pede uma conclusão e o encerramento do chamado inquérito das fake news. A investigação está prestes a completar sete anos aberta, sem perspectiva de desfecho. O documento é assinado pelo presidente em exercício do Conselho Federal da entidade, Felipe Sarmento Cordeiro, e pelos membros do Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais. 

Investigações parecem agora ter como fim apenas a sua existência, um escudo a proteger ministros do Supremo dos críticos

A carta, ao mesmo tempo que é respeitosa e contém um inequívoco propósito colaborativo, é consistente em apontar as excepcionalidades do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo e o tom diplomático, em meio à profusão de críticas à Corte ou parte de seus membros, fazem com que o posicionamento da OAB mereça gerar reflexão na Corte, especialmente de Moraes, relator do caso, que tramita sob sigilo.

Está correta a entidade ao condenar a “elasticidade excessiva” do escopo do inquérito, além de sua “natureza perpétua”. A amplitude e a maleabilidade demasiadas, ao bel-prazer do relator, são ilustradas pelo caso recente do presidente da Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, que passou a ser investigado em um desdobramento da apuração após tecer críticas ao STF. Como a opacidade é mais uma das anomalias, não há informação concreta sobre a razão de Cabral tornar-se alvo. É lógico inferir que seria devido ao juízo que fez da atuação de Moraes no caso que apura o acesso indevido a dados fiscais de ministros e seus familiares por servidores públicos. Confirmada essa hipótese, seria uma afronta à liberdade de expressão e clara tentativa de amedrontamento de detratores.

O inquérito das fake news foi criado em 2019, pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, devido a ataques e ameaças que o Supremo e ministros recebiam de bolsonaristas. Foi aberto de ofício, sem a provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes foi designado relator sem sorteio. Foram excentricidades também atribuídas, à época, à passividade da PGR enquanto emergiam sinais de escalada autoritária. 

A própria OAB avalia que o inquérito surgiu em um ambiente de tensão institucional e de ameaça à segurança de ministros e ressalta o papel do STF na proteção da democracia brasileira. As circunstâncias extraordinárias de então, porém, ficaram para trás. Chega o momento de retornar ao leito da normalidade constitucional. “A persistência desse quadro alimenta um tom intimidatório incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988”, diz a OAB. 

As exceções do inquérito das fake news e seus desdobramentos passaram a ser métodos recorrentes. É o caso da apuração sobre o vazamento de dados fiscais, instaurada de ofício por Moraes e em que ele mesmo determina diligências, é possível vítima e depois julgaria o caso. São investigações que parecem agora ter como fim apenas a sua existência, como uma espécie de escudo a proteger ministros de seus críticos. Como se conectam com o caso Master, em que ministros como Moraes e Dias Toffoli devem explicações, corroem ainda mais a reputação da Corte. 


Doenças raras

 O Palácio Piratini está iluminado com as cores lilás, rosa, azul e verde desde a noite desta segunda-feira , como forma de conscientização para o Dia Mundial das Doenças Raras (foto de Luís André, Secom).

Criado em 2008 pela Organização Europeia para Doenças Raras (Eurordis), o Dia Mundial das Doenças Raras tem como data de mobilização o último dia de fevereiro — 28 nos anos comuns e 29 anos bissextos —, escolhida de forma simbólica por representar uma condição rara também no calendário. Essas doenças acometem cerca de 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Somente no Brasil, estimativa divulgada em 2018 aponta para 13 milhões de indivíduos nessa condição. As causas são majoritariamente genéticas, representando 80% dos casos, enquanto o restante é resultado de fatores ambientais. Das aproximadamente 6 mil a 8 mil doenças raras estimadas, 95% ainda não possuem tratamento específico. 

No RS, o governo estadual mantém desde 2023 um convênio com a Casa dos Raros, em Porto Alegre. A parceria permite o atendimento de mais de mil pacientes, entre crianças e adultos, encaminhados pela atenção primária à saúde dos municípios. O convênio inclui dez especialidades.

Dica do editor - Afinal, o autismo é evitável ou só pode ser minimizado drasticamente ?

Não existe uma cura ou forma de prevenir o autismo no sentido estrito, pois ele é uma condição neurobiológica com forte base genética. No entanto, estudos recentes indicam que intervenções precoces e cuidados na gestação podem alterar a trajetória do desenvolvimento em certos casos, reduzindo sintomas ou impedindo que traços de risco evoluam para um diagnóstico clínico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Aqui estão os pontos principais sobre as alegações científicas recentes:

1. Intervenção Precoce (Antes dos 3 Anos) 

Pesquisadores focam na "plasticidade cerebral" dos primeiros anos de vida. 

Redução da Severidade: Intervenções terapêuticas intensivas (fonaudiologia, terapia ocupacional, comportamental) antes dos 3 anos podem melhorar significativamente as habilidades sociais e de comunicação.

Mudança de Trajetória: Estudos mostraram que, com intervenção precoce em bebês de alto risco, alguns podem apresentar uma redução de sintomas tão significativa que não preenchem mais todos os critérios para o diagnóstico de TEA na idade escolar. 

2. Cuidados Pré-concepção e Gestação

Estudos sugerem que reduzir a exposição a fatores ambientais pode diminuir o risco, embora o fator genético seja predominante. 

Nutrição: Ingestão adequada de ácido fólico antes e durante a gravidez é associada à redução do risco.

Saúde Materna: Evitar infecções, controlar doenças crônicas (como diabetes) e minimizar a exposição a poluição/toxinas na gravidez podem influenciar positivamente o neurodesenvolvimento.

Idade dos Pais: A idade avançada dos pais aumenta o risco de mutações genéticas espontâneas (de novo), que não são herdadas diretamente, mas ocorrem no desenvolvimento do óvulo ou espermatozoide. 

3. O "Modelo de Três Golpes" (Pesquisa de 2026)

Um estudo recente propôs uma teoria onde o autismo pode ser evitado em até 50% dos casos se fatores de risco forem manejados: 

A "Combinação": Suscetibilidade genética + exposição a fatores ambientais (como toxinas) + estresse fisiológico prolongado.

Abordagem: O foco é identificar o risco cedo através de marcadores biológicos (exames de sangue, autoanticorpos) e agir terapeuticamente antes que o TEA se consolide. 

O que é importante saber:

Não é "reversão": A maioria dos especialistas fala em "melhorar o prognóstico" e dar qualidade de vida, e não em "curar" ou "apagar" o autismo.

O fator genético prevalece: Para a maioria dos autistas, o componente genético está presente e não é "evitável".

 Prevenção: As intervenções precoces focam em dar suporte, e não em "eliminar" o autismo da criança. 

Em resumo: A ciência atual busca formas de reduzir o risco e minimizar a intensidade dos sintomas através de cuidados pré-natais e intervenção precoce, mudando a trajetória do desenvolvimento de certas crianças, mas não "evitando" a condição como se evita uma doença infecciosa.

Artigo, Hamilton Mourão - A presença de brasileiros na Guerra da Ucrânia

Hamilton Mourão é senador e general. Este artigo está publicado no Estadão de hoje.

O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa.

Depois da 2ª Guerra Mundial, a atual guerra em curso no Leste Europeu é um dos episódios mais graves do cenário geopolítico desde o final da Guerra Fria. A criminosa invasão da Ucrânia pela Federação Russa recolocou no centro do debate temas como a capacidade dos organismos internacionais, a relativização da soberania nacional, a autodeterminação dos povos e os limites do uso da força nas relações internacionais. Mas além desse espectro, pouco a pouco nos chama a atenção o incremento numérico da presença de brasileiros que, de forma voluntária, e por vezes até iludidos, aceitam o recrutamento e decidem viajar para atuar no conflito. O que busco aqui não é polemizar, mas sim lançar luzes sobre o fenômeno dos voluntários brasileiros, seus reflexos e possíveis consequências. Destarte, é preciso separar a emoção para não contaminar a lente de uma análise fenomenológica em nível mais estratégico. Por força constitucional e pelo histórico consuetudinário do “modus operandi” de nossa diplomacia, vemos que o Brasil é um país comprometido com a solução pacífica de controvérsias. Não somos, por natureza, uma nação beligerante e nem tínhamos a tradição de exportar combatentes para conflitos externos. Agora, com a hiper conectividade que marca nosso mundo, vivemos uma realidade onde indivíduos, movidos por motivações distintas (convicções ideológicas, necessidade financeira, valores pessoais ou até expectativas equivocadas) tomam decisões de alto risco sem qualquer mediação ou orientação do Estado brasileiro. continua após a publicidade É certo que, na guerra da Ucrânia, os brasileiros que se alistam como voluntários não representam a posição oficial do nosso País, agindo por conta própria e assumindo, individualmente, as consequências incertas de suas escolhas. Não é exagero dizer que muitos o fazem movidos por uma percepção genuína de solidariedade a um povo que resiste à invasão injusta de seu território. Outros, infelizmente, podem ser atraídos por narrativas romantizadas da guerra, sem plena consciência de sua brutalidade, de seus custos humanos e de suas implicações jurídicas. Há, ainda, um aspecto humano que não pode ser ignorado. A guerra não se assemelha aos discursos inflamados das redes sociais; pois produz mortos, mutilados, traumas psicológicos profundos e famílias destruídas. Muitos desses voluntários, quando e se retornarem, voltarão marcados para o resto da vida. Assim, é dever do Estado buscar informações, prevenir-se e, dentro dos limites legais, orientar seus cidadãos para que não se lancem, de forma inconsequente, em uma aventura macabra. Como senador da República, cumpre-me analisar e avaliar qual seria a postura cabível e responsável do Estado brasileiro face a essa realidade. É certo, também, que esse movimento deva ser monitorado pela inteligência de Estado, que precisa saber quem são essas pessoas e o que farão quando retornarem ao Brasil. Não se trata de criminalizar automaticamente esses cidadãos, mas sim de perceber que esses voluntários, ao retornar, poderão sofrer de stress pós traumático, poderão ser cooptados por organizações criminosas e poderão, inclusive, ter vínculos internacionais de caráter suspeito. continua após a publicidade Plumasul R$ 180,82 Travesseiro de Fibra Siliconizada Toque de Pluma Branco 50X70cm Saber mais Além das necessidades da inteligência, o Brasil precisa pensar e avançar no que tange aos sérios riscos legais, diplomáticos e pessoais desse fenômeno. Não se trata de dizer que o Brasil pode ser arrastado, ainda que indiretamente, para uma guerra que não é sua, mas sim de não permitir que ações individuais comprometam a segurança interna e nossa tradicional posição de equilíbrio e diálogo. Por derradeiro, é fundamental e urgente pensarmos no fenômeno dos brasileiros que estão lutando na Ucrânia e nos reflexos futuros dessa realidade. O idealismo e a coragem física, embora respeitáveis, não podem substituir a responsabilidade institucional do Estado e, nessa direção, a guerra da Ucrânia é um alerta duro sobre os rumos do sistema internacional e sobre a necessidade de se pensar e se investir nas capacidades de defesa. Tudo Sobre Ucrânia [Europa] 

Vem aí um Super El Niño ?

Análises recentes dos principais institutos de meteorologia indicam o retorno do fenômeno El Niño em 2026, com início rápido e potencial para ser de intensidade moderada a forte.Espera-se um rápido aquecimento das águas do Pacífico entre maio e julho de 2026, com efeitos significativos no clima a partir de meados do ano. Projeções mostram que o El Niño pode se intensificar entre agosto e outubro, gerando chuvas torrenciais no Sul do Brasil e Argentina.

Comparações com anos anteriores geram preocupação sobre um aquecimento global acentuado, com potenciais eventos extremos de chuva no segundo semestre de 2026 e início de 2027. 

Enquanto o excesso de chuva pode beneficiar algumas culturas, o excesso de umidade no Sul pode causar quebras de safra.

O padrão de chuvas pode impactar o nível dos reservatórios e, consequentemente, o preço da energia. 

Fetransul apresenta pesquisa com usuários sobre concessões rodoviárias

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresenta, na próxima semana, os resultados de uma pesquisa realizada com motoristas de caminhão e de automóveis que utilizam os trechos rodoviários incluídos nos Blocos 1 e 2 das concessões estaduais. O estudo reúne a percepção direta dos usuários sobre temas estratégicos para a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul.

O levantamento aborda a qualidade da infraestrutura existente, o modelo de cobrança proposto, os impactos logísticos para o transporte de cargas, a segurança viária e os efeitos na competitividade econômica. Os dados oferecem uma leitura técnica sobre como os projetos de concessão são avaliados por quem utiliza diariamente essas rodovias.

Durante o encontro, a Fetransul também apresentará seu posicionamento institucional em relação aos projetos de concessão, com destaque para os principais pontos de atenção identificados pelo setor produtivo. A análise busca contribuir de forma objetiva para o debate público sobre investimentos, eficiência logística e desenvolvimento regional.

A apresentação ocorre no dia 23 de fevereiro, às 10h, na sede da entidade, localizada na Avenida Carlos Gomes, 651, bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. A atividade é direcionada à imprensa e a representantes interessados no tema da infraestrutura rodoviária no Estado.


CONTEXTO — A pesquisa integra o esforço da Fetransul de contribuir tecnicamente para a qualificação do debate público sobre logística, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul. A participação da imprensa é considerada essencial para ampliar a transparência das informações e fortalecer a discussão sobre o futuro das rodovias gaúchas.

Artigo, Santiago Dussan - Anseio por um Bukele na Colômbia

Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.


Este artigo foi originalmente publicado no Instituto Juan de Mariana.

Santiago Dussan 21 de fevereiro de 2026


Nota da edição:


O texto a seguir, apesar de pertinente para discussões sobre a violência na América Latina, traz uma visão estatista sobre a segurança pública, como se esta pudesse apenas ser fornecida pelo estado. Para uma argumentação mais condizente com a visão austro-libertária sobre o assunto recomendamos o texto “A produção privada de serviços de segurança” disponível em nosso site.


A Colômbia está mergulhada em uma crise evidente. Nada de novo sob o sol. Do ponto de vista econômico, o último dado de crescimento é de 0,6%, embora isso não deva surpreender ninguém. A única coisa que o governo de Petro fez até agora foi deixar clara sua intenção de asfixiar boa parte do esforço privado para superar a pobreza, o que, somado ao efeito regressivo de medidas regulatórias adotadas durante o governo anterior, torna ainda mais palpável a sensação de desesperança.


Por outro lado, a imensa maioria dos habitantes do país se sente à mercê dos criminosos comuns, verdadeiras empresas criminosas que desafiam o monopólio de expropriação do próprio estado e que crescem cada vez mais em número e em ousadia. Isso pode ser compreendido, por um lado, pela incapacidade dos indivíduos de se defenderem de forma privada, dado que não existem serviços privados de segurança eficazes e o porte de armas é severamente restringido, e, por outro lado, porque está se tornando cada vez mais atraente, para um número crescente de indivíduos, obter riqueza mais por meio da apropriação violenta do que da criação produtiva. Diante desse estado de coisas, os colombianos começam a olhar para outros países da América Latina onde se experimentam novas estratégias para combater um ou ambos os problemas.


Colômbia e a segurança que não existe

Não creio que isso seja apenas uma impressão, mas sim uma realidade: apenas uma minoria se pergunta quem será o Milei colombiano. Quem é capaz, com uma elevada compreensão do que é o mercado, de como ele funciona, de como ele é destruído e quais são os efeitos dessa destruição, e de como reverter tais medidas para, então, começar a prestar atenção quando decidir falar? Sinceramente, e com pesar, acredito que não há um Milei colombiano, ao menos não por agora.


Para os colombianos, ao que me parece, um personagem como Milei não é tão urgente, uma vez que a Colômbia não é a Argentina, ainda. Não creio que Javier Milei tivesse alcançado tamanho avanço e tamanha atenção dos indivíduos sem uma inflação como a que a Argentina enfrentou, praticamente beirando a hiperinflação; nem tampouco sem um estancamento econômico tão generalizado quanto o que esse país vem sofrendo há décadas. Na Colômbia, arrisco dizer, a maior preocupação na mente das pessoas é a segurança, ou, melhor dizendo, a falta dela nas ruas, dentro das casas, nas cidades, nas áreas rurais, em todos os lugares.


Restaurar a segurança

É bastante comum, diante do aumento da criminalidade nas cidades, que o porte de qualquer tipo de bem, celulares, relógios etc., esteja associado a uma probabilidade relativamente alta de expropriação. O avanço de diferentes grupos subversivos também promete, em um futuro próximo, uma maior quantidade de deslocamentos forçados. Creio que, diante disso, a pergunta que os indivíduos se fazem não é quem será o Milei colombiano, mas sim quem será capaz de utilizar o estado da maneira mais eficaz possível para limitar e reduzir a violência privada na Colômbia.


O que as pessoas se perguntam nas ruas é quem será o deus ex machina que, no último momento e com um triunfo retumbante, chegará para restaurar a tranquilidade de poder voltar a percorrer as estradas sem medo de ser sequestrado; ou de sair para caminhar sem ser assaltado. Diante disso, as pessoas se perguntam: quem será o Bukele colombiano?


O El Salvador de Bukele

Nayib Bukele é presidente de El Salvador desde 2019. Ele é conhecido por seu estilo carismático, sua abordagem jovem nas redes sociais e sua imagem de líder jovem e moderno. Antes de sua presidência, foi prefeito da cidade de San Salvador, onde implementou programas de segurança e de desenvolvimento urbano. Bukele, claramente um populista, gerou controvérsia por suas ações, incluindo confrontos com o Poder Judiciário e o uso da força militar para enfrentar a criminalidade.


Após um ano de estado de emergência, período durante o qual o estado tem a faculdade de restringir os direitos de associação, intervir nas comunicações telefônicas e deter suspeitos por longos períodos sem apresentar acusações, a taxa de homicídios por cem mil habitantes experimentou uma queda drástica, passando de 35,8 em 2019 para 7,8 em 2022. E, sem que isso nos surpreenda muito, durante esse mesmo período o número de pessoas encarceradas aumentou significativamente, passando de 39.646 em 2018 para 97.525 em 2022.


Redução dos homicídios em 78%

Essa redução dos homicídios em uma taxa nada desprezível de aproximadamente 78% foi o resultado de um plano ambicioso por parte de Bukele, colocado em prática quase imediatamente após sua chegada ao poder. A chave desse processo foi a mobilização de recursos. Nas etapas iniciais, o plano de segurança de Bukele conseguiu obter apoio suficiente para mobilizar os recursos necessários por meio de práticas cada vez mais autoritárias.


Por exemplo, desde as eleições legislativas de 2021, Bukele assegurou o controle de pelo menos 64 dos 84 assentos da Assembleia Legislativa, o que lhe permitiu aumentar consideravelmente os gastos com segurança sem encontrar grande resistência. Além disso, Bukele exerce influência sobre a Corte Suprema de Justiça, o que lhe permitiu, ao menos temporariamente, evitar possíveis acusações relacionadas à implementação de seu plano de segurança.


Especificamente, a administração de Bukele elevou os gastos com segurança pública e defesa nacional de uma média anual de US$ 573.136.399 durante o governo de Salvador Sánchez Cerén para US$ 838.450.000, o que representa um aumento de 46,39%. Esse incremento é ainda maior se levado em conta o recente emprego das forças armadas em tarefas de segurança pública.


O que se espera de um estado: produção de segurança

Que um estado, como El Salvador, transfira, diante dos males existentes, o consumo privado para o consumo de fatores de produção destinados à produção da defesa sob seu controle e que, com isso, reduza aquilo que se conhece como crime comum não deveria causar surpresa.


A segurança é um dos monopólios mais caros do estado — e não é gratuita. Mais ainda, o estado pode ser concebido como o monopólio da violência, uma definição amplamente aceita no âmbito do libertarianismo. O estado não é nada além disso: um grupo minoritário de indivíduos que, por meio do monopólio da força que conquistou, extrai riqueza da maioria dos indivíduos que compõem a sociedade, contando, no mínimo, com a aceitação passiva e resignada dessa maioria.


Com a única exceção, talvez, da criação dos Estados Unidos, nenhum estado foi criado para produzir bens públicos, controlar externalidades ou subsidiar bailes populares que deveriam acabar. Apesar de todas as teorias que justificam a existência do estado como condição para a produção de certos benefícios aos cidadãos, nenhum estado foi criado para produzir tais benefícios. Pelo contrário, o estado foi criado como um meio de governar os indivíduos, possibilitando a extração forçada de recursos de seus bolsos.


Uma realidade hobbesiana?

Na desordem descrita por Hobbes, na qual o direito natural dos homens é controlar tudo aquilo que desejarem, a vida se transforma em uma guerra de todos contra todos, desagradável, brutal e breve. Os fortes dominam os fracos, arrebatando-lhes tudo o que possuem, mas os próprios fortes não prosperam na anarquia hobbesiana, pois há pouco a ser tomado. Ninguém produz quando o produto certamente lhe será tomado. Mesmo sob condições mais ordenadas do que a cena hobbesiana, a depredação apresenta um benefício limitado, porque as pessoas que acumularam ativos resistem pela força àqueles que tentam saqueá-las, e as batalhas resultantes consomem recursos tanto dos predadores quanto das vítimas.


A bandidagem desorganizada gera uma situação em que ninguém prospera, porque ninguém tem incentivo para ser produtivo. Se os predadores conseguem se organizar, podem evoluir para pequenas máfias capazes de oferecer certo grau de proteção a seus clientes. Essa evolução criará uma sociedade mais produtiva, com maior renda tanto para os predadores quanto para suas presas, mas as máfias terão de limitar sua apropriação para que esse resultado se concretize. Se a máfia consegue assegurar a seus clientes que, em troca de um pagamento, eles estarão protegidos de outros predadores e poderão conservar uma parte substancial do que produzem, a produção aumentará e a renda de todos poderá crescer. No entanto, as perdas decorrentes das rivalidades entre máfias continuarão a ser suportadas, já que máfias concorrentes têm incentivos para saquear indivíduos que não contratam com elas.


Da máfia ao estado

Se as máfias se organizarem ainda melhor, podem se estabelecer como um estado. Os predadores têm todos os incentivos para deixar de operar como bandidos e passar a operar como estados, porque os bandidos não conseguem garantir para si mesmos um fluxo de receitas de longo prazo proveniente da depredação e porque, quando a bandidagem é desenfreada, as pessoas têm pouco incentivo para produzir riqueza. Os estados tentam convencer os indivíduos de que limitarão sua apropriação e que protegerão seus cidadãos, a fim de fornecer a esses cidadãos um incentivo para produzir. Os estados obtêm mais receitas do que os bandidos porque podem permanecer em um território e receber um fluxo constante de rendas, em vez de saquear uma vez e depois ir embora. Em tal situação, os indivíduos também ganham, de certa forma.


Em resumo, o monopólio que o estado detém sobre a produção de segurança é apenas o resultado de um processo por meio do qual o grupo criminoso do estado adquiriu meios suficientes para proteger seus súditos da concorrência, na expropriação, de outros grupos criminosos, reduzindo a probabilidade de que as receitas obtidas por esse meio diminuam no futuro. O monopólio estatal sobre a produção de segurança é desenhado para reduzir as unidades marginais de crime, de modo que reste apenas um único crime sistemático, com um único ofertante.


El Salvador: a certeza de uma menor liberdade

Assim, sendo a vocação do estado, e de quem o comanda, a de ampliar a segurança estatal para eliminar a concorrência no espólio da riqueza criada pela maioria, Nayib Bukele fez jus a esse papel, recriando-o com carisma estelar. Não sendo alheio ao apelo de aumentar impostos, com a exceção de reduzi-los para inovações tecnológicas, o que seguramente tem relação com aplicativos de iPhone e similares, a arrecadação tributária corrente sob Bukele passou de 18,1% do PIB para 19,4% em 2021 (sendo que, na Colômbia, em 2021, de 14,4%).


O papel crescente da intervenção do estado em El Salvador, sobretudo impulsionado pelo aumento do gasto público destinado à produção de segurança, o que, logicamente, leva os indivíduos a pagarem seus impostos com maior diligência, reflete-se na redução de sua liberdade econômica. Assim, no mais recente índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, Bukele, o “salvador”, conseguiu reduzir a pontuação do país de 61,8 para 56 (sendo a da Suíça, considerada mais livre, 83,8; e a da Colômbia, 63,1).


Quem será o Bukele colombiano nas próximas eleições?

Antes de tudo, resta-nos, então, contemplar a pergunta que hoje se faz nas ruas das cidades colombianas, bem como de forma esporádica em certos meios de comunicação: quem, se é que alguém, será o Bukele colombiano?


Vejamos…


Em um país como a Colômbia, onde todos os partidos políticos têm o estado como a única fonte possível de ordem e de prosperidade econômica; onde a noção da superioridade ética e moral da economia de mercado é descartada como uma piada de mau gosto; onde toda a estratégia política se reduz a abastecer com combustível, de preferência verde, a furiosa locomotiva estatal; e onde aquilo que se apresenta como oposição propõe medidas que os socialistas da Alemanha têm como padrão em suas plataformas programáticas. Na Colômbia, o partido no poder não poupa esforços para demonstrar seu mais latente ódio à liberdade individual.


Quem será o próximo apaixonado pelo poder, que buscará apenas aumentá-lo cada vez mais, contribuindo para a tendência natural do estado de concentrar-se cada vez mais em uma única pessoa, sufocando ainda mais a iniciativa privada do processo de mercado? Qualquer um. Qualquer um quer ser Bukele. Todos sonham com esse papel. Atire-se uma pedra e, com toda certeza, veremos alguém levantar a mão com um fio de sangue na testa.


A pergunta, então, não se reduz àquela, mas a quem será capaz de pintar o cabelo de preto azeviche e de organizar um concurso internacional de beleza. E é aí que encontramos os de sempre, amigos da mesma hipocrisia, que vão de Álvaro Uribe a Gustavo Petro: amigos na oposição essencial à liberdade e no amor adolescente pelo poder estatal.



Acima da Direita e da Esquerda, o STF precisa voltar à caixinha da Constituição

Muito além da disputa ideológica que tenta reduzir qualquer crítica ao Supremo Tribunal Federal a um embate entre Direita e Esquerda, os fatos recentes exigem uma reflexão mais profunda. As revelações sobre a proximidade de ministros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio às controvérsias envolvendo o Banco Master, lançam sombras que não podem ser ignoradas. Não se trata de prejulgamento, mas de reconhecer que a aparência de independência é tão relevante quanto a independência em si. Quando a mais alta Corte do país se vê associada a episódios cercados de questionamentos, o dano institucional ultrapassa qualquer narrativa partidária.


A reação institucional veio com a proposta do presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin, de instituir um código de conduta específico para os membros da Corte. A iniciativa é necessária, ainda que tardia. Tribunais de justiça estaduais e cortes superiores já adotam normas dessa natureza, aplicáveis inclusive a magistrados de primeiro grau. Não há inovação alguma na ideia, apenas o reconhecimento de que regras claras são instrumento de proteção da própria instituição. Transparência não fragiliza o Judiciário, ao contrário, o fortalece.


O problema maior não está apenas em encontros ou relações sociais, mas na crescente percepção de que o Supremo tem extrapolado os limites que lhe foram traçados pela Constituição. Decisões monocráticas com efeitos amplos, intervenções em temas de nítido caráter legislativo e posicionamentos que parecem responder ao clima político do momento alimentam a sensação de protagonismo excessivo. O Supremo é guardião da Constituição, não substituto do Congresso Nacional nem ator político de ocasião.


A credibilidade de uma Corte constitucional não se sustenta apenas pela autoridade formal de seus julgados, mas pela confiança pública de que seus integrantes atuam com sobriedade, distanciamento e autocontenção. Quando essa confiança é abalada, instala-se um risco institucional silencioso. A erosão da legitimidade não ocorre de forma abrupta; ela avança gradualmente, a cada episódio mal explicado, a cada gesto que sugere proximidade indevida com interesses privados ou alinhamentos circunstanciais.


O debate que se impõe, portanto, não é ideológico. É institucional. O Supremo precisa se recolocar no espaço que lhe foi reservado pelo constituinte: o de intérprete último da Constituição, não o de protagonista permanente do cenário político. Um código de conduta é um passo, mas não suficiente. É preciso reafirmar limites, restaurar a confiança e lembrar que, acima de qualquer corrente partidária, está a Constituição. Sem essa centralidade, o equilíbrio entre os Poderes deixa de ser cláusula viva e passa a ser apenas promessa escrita.


 () *Fernando Silveira de Oliveira , advogado sócio do Jobim Advogados Associados, consultor de empresas, pós-graduado em Direito Administrativo e Gestão Pública pela Fundação do Ministério Público – RS e vereador reeleito de Santiago

Dica do editor - Conheça o novo método de caminhar, o "Jeffing"

 'Jeffing' é um método de treinamento de corrida que consiste em intercalar intervalos estruturados de corrida e caminhada. Popularizado pelo olímpico Jeff Galloway, o método foi desenhado para reduzir a fadiga, prevenir lesões e permitir que corredores de todos os níveis — desde iniciantes até veteranos — percorram distâncias maiores com mais prazer e menos esforço físico. 

Ao invés de correr até a exaustão, o "Jeffing" utiliza pausas para caminhada planejadas desde o início do treino. 

5 Maneiras de usar o 'Jeffing' para melhorar a saúde do coração

A alternância entre corrida e caminhada funciona como um tipo de "intervalo de intensidade leve" (interval training-lite), que treina o coração para ser mais eficiente. 

Treinamento Intervalado para Controle da Frequência Cardíaca: Utilize proporções de tempo (ex: 3 min correndo / 1 min andando) para manter o coração em uma zona aeróbica saudável, evitando picos de esforço extremo que sobrecarregam o sistema cardiovascular.

Aumento da Capacidade Aeróbica (VO2 Máximo): As pausas para caminhada permitem que você corra por um tempo total maior, o que melhora a eficiência do corpo no uso de oxigênio e aumenta a resistência cardíaca a longo prazo.

Redução do Estresse no Músculo Cardíaco: Ao evitar a fadiga extrema, você diminui a carga de trabalho intensa sobre o coração, permitindo que ele se recupere parcialmente durante as pausas, mantendo o treino sustentável e seguro.

Melhoria na Circulação e Vascularização: A prática regular de Jeffing fortalece o músculo cardíaco e melhora a circulação sanguínea, auxiliando na redução da pressão arterial e no controle do colesterol.

Sustentabilidade e Consistência (Prevenção de Burnout): Como o método é menos exaustivo mental e fisicamente, ele facilita a adesão a longo prazo, garantindo que o exercício se torne um hábito consistente, fundamental para a saúde cardíaca contínua. 

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Como começar?

O método é flexível. Um iniciante pode começar com 15-30 segundos de corrida seguidos por 1-2 minutos de caminhada, repetindo isso por 20-30 minutos. 


Ofertas de emprego do Sine

 A partir de segunda-feira, 23, as Agências FGTAS/Sine do RS disponibilizá 7.041 vagas de emprego. O número de ofertas de emprego tem caído drasticamente no Estado. O setor da indústria conta com 37% das vagas, seguido por serviços com 28% e comércio com 22%. A maior parte das vagas, 85%, não exige experiência profissional e 39% não exigem escolaridade. Em relação à formação, 20% das oportunidades exigem Ensino Médio completo e 18% das oportunidades exigem Ensino Fundamental completo. Quanto à remuneração, 61% das vagas oferecem salários entre 1 e 1,5 salários mínimos.

Há total discrepância entre os números apresentados pelo Sine do RS e pelo Sine de Porto Alegre. No caso do estadual, a região metropolitana e não apenas Porto Alegre, oferecem 1,5 mil vagas, mas o Sine da Capital diz que somente na cidade são oferecidas  1,1 mil vagas.

Mais informes e endereços no Estado: CLIQUE AQUI.

Porto Alegre

O Sine Municipal de Porto alegre abrirá a semana com a oferta de 1.177 vagas de trabalho. As oportunidades contemplam candidatos com variados níveis de escolaridade e experiências profissionais, com postos destinados tanto ao público em geral, quanto a pessoas com deficiência (PCDs).Os interessados podem buscar atendimento presencial na sede do Sine Municipal – Espaço de Oportunidades, na rua Uruguai, 83, no Centro Histórico, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. 

Informações adicionais podem ser obtidas pelos telefones (51) 3289-2886, (51) 3289-3739 e (51) 3289-6681, ou pelo e-mail sine@portoalegre.rs.gov.br.

MPF examina denúncias de nepotismo cruzado, cabidão de empregos, propinas e chantagem nos Correios

O jornalista Henrique Lessa, do nd+,Florianópolis, assina extensa reportagem sobre os malfeitos dos Correios na atual gestão do governo lulopetista. São denúncias de nepotismo cruzado, licitações fraudelentas, cabides de empregos para apadrinhados políticos, chantagem contra terceirizados e propinas.

A atual gestão lulopetista volvou a quebrar os Correios por má gestão e corrupção.

O caso envolve figurões do governo, congressitas e altas cúpulas do judiciário (STF e TCU).

Nos Correios, segundo denúncia apresentada ao MPF (Ministério Público Federal), a gestão do advogado Fabiano Silva dos Santos, ligado ao grupo Prerrogativas, que reúne advogados apoiadores do presidente nomeado Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria consolidado um cabide de empregos por meio de pressão e chantagem contra terceirizados.

O caso principal envolve uma disputa com a empresa GO2B, que terceirizava cerca de 7 mil trabalhadores e cobra uma dívida superior a R$ 380 milhões da estatal.

CLIQUE AQUI para ler a extensa reportagem do jornal.


Este instituto, o B55, criado por megaempresários, vai ajudar pequenas e médias empresas que querem crescer

Em duas páginas inteiras de capa e contracapa do jornal Zero Hora, RBS, da família Sirotsky, um grupo e empresários brasileiros anunciaram, hoje, a criação do instituto B55 (B de Brasil e 55 de código de área do Brasil) para ajudar pequenos e médios negócios no Brasil.

O instituto não tem fins lucrativos.

Os empreendedores principais são criadores do Nubank, XP, respectivamente André Street, David Vélez e Guilherme Benchimol. Christian Faé, 43 anos, será o CEO. Nomes como Jorge Lemann, Nelson Sirotsky, Jorge Gerdau

A nova instituição vai funcionar com base em quatro pilares:

Educação e desenvolvimento: cursos, programas e trilhas "criados por quem já construiu negócios", conforme material de divulgação do B55; Comunidade e networking: com foco no fator humano, será um espaço para empreendedores, investidores e especialistas se conectarem.; Jornada e aceleração: startups e empresas que já provaram potencial serão apoiadas com capital, mentorias e programas de aceleração.; Hub de empreendedorismo e inovação: será um campus físico em local ainda a ser confirmado — sob inspiração de iniciativas como a do Instituto Caldeira, na Capital.


🎬 Miss Sloane — quando o poder não aparece nas urnas, mas nos corredores; por Felipe Vieira

Há filmes que estouram no cinema e desaparecem. Outros passam quase despercebidos nas bilheterias — e ganham força anos depois, quando encontram o público certo. Foi exatamente assim que aconteceu comigo ao assistir Miss Sloane — lançado no Brasil como Armas na Mesa — hoje disponível no streaming do Prime Video.


Não vi na época do lançamento. Não fez grande sucesso comercial. Mas visto agora, com o distanciamento do tempo e a maturidade do debate político contemporâneo, o impacto é outro. É um filme que cresce — e muito.


Jessica Chastain constrói uma personagem que não pede simpatia. Ela impõe respeito. Elizabeth Sloane é uma lobista que vive no limite da estratégia, da ética e da exaustão. Seu mantra é simples: para vencer, é preciso estar sempre um passo à frente. Não um discurso à frente. Um passo.


E é aí que o filme deixa de ser apenas entretenimento e se torna reflexão.

Miss Sloane não é baseado em fatos reais. Mas é profundamente verossímil. Quem acompanha política sabe que as grandes decisões raramente nascem no plenário. Elas são moldadas antes — em escritórios discretos, reuniões estratégicas, jantares privados, memorandos cuidadosamente redigidos.


O filme revela esse subsolo institucional onde interesses econômicos e ideológicos disputam influência. Não há caricaturas. Não há vilões de desenho animado.


Há profissionais competentes defendendo causas opostas, cada um convencido da própria legitimidade. E isso é o que torna tudo mais inquietante.


O tema não é exclusivo deste longa. O cinema já explorou o universo do lobby sob diferentes ângulos. Em Thank You for Smoking, a sátira afiada mostra como a retórica molda a opinião pública no lobby do cigarro.


Em The Insider, vemos os bastidores da indústria do tabaco e o peso das pressões corporativas. 


Dark Waters aborda a influência empresarial no setor químico e seus impactos na saúde pública. E Dallas Buyers Club, ainda que não trate de lobby tradicional, expõe as tensões entre indústria farmacêutica, regulação e acesso a medicamentos.


Cada um revela uma face distinta da mesma engrenagem: a disputa organizada por influência.


Mas Miss Sloane se diferencia porque mergulha na técnica. No cálculo. Na engenharia política. Não é sobre escândalo. É sobre método. É sobre compreender que, em Washington, quem reage já perdeu.


O suspense nasce da inteligência e do realismo. Da capacidade de antecipar movimentos. Elizabeth Sloane trabalha como um enxadrista em ritmo calculado. E o filme nos obriga a perguntar: até onde vale tudo para vencer? Existe vitória quando o custo é pessoal, emocional e moral?


Assistido hoje, o longa parece ainda mais atual.


Vivemos uma era de polarização, de debates intensos sobre regulação, armas, saúde, tecnologia. O lobby continua sendo parte estrutural da democracia americana — e, de formas distintas, de qualquer sistema político moderno.


O filme não condena nem absolve. Ele expõe. E ao expor, incomoda.

Talvez por isso não tenha sido um sucesso imediato de bilheteria. É denso. Exige atenção. Não entrega conforto.


Porém, visto no tempo certo, é um daqueles filmes que ficam na cabeça. E nos lembram que, no jogo do poder, não basta estar certo. É preciso estar um passo à frente.



Felipe Vieira

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felipevieira.com.br

Violações contra idosos

 No Rio Grande do Sul, onde, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vivem aproximadamente 2.193.416 pessoas com 60 anos ou mais, representando cerca de 20,15% da população total, e em 2025 foram registrados 69.606 casos de violações contra idosos. Esses números são do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), e como consta no Painel de Dados do órgão, do total no RS, apenas 7.161 protocolos de denúncias foram registrados (Quantidade de registros que demonstra a quantidade de vezes em que os usuários buscaram a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH) para registrarem uma denúncia. Um protocolo de denúncia pode conter uma ou mais denúncias).

 Já neste ano de 2026, o RS já atingiu a marca de 9.502 casos de violações contra a pessoa idosa, com apenas 1.068 protocolos de denúncias. A capital Porto Alegre teve 9,883 casos em 2025, e neste ano, já tem 1.327 casos, segundo o MDHC.

 Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Profa. Maria Luiza Bernardi, essa é uma realidade em que a vítima tem receio de denunciar em função de o agressor ser, na grande maioria das vezes, um ente próximo.  “É necessário conscientizar a população acerca dos cuidados que devemos ter com os idosos e assim, ampliarmos a qualidade de vida da terceira idade. Essas vítimas, em linhas gerais. convivem com familiares por necessidade de receber rede de apoio, o qual nem sempre é prestado de forma adequada. Por isso a atenção deve ser constante”, indica. Maria Luiza alerta ainda que, quando não é um familiar, o idoso acaba sendo negligenciado por um cuidador e que a atenção permanente contribui para a redução dessas violências. “Quando se notar qualquer anormalidade no tratamento com o idoso, investigue e denuncie se houver algo de errado. Os idosos não têm, em geral, força ou métodos para se defender sozinhos. Há uma legislação responsável pelo direito do idoso e qualquer pessoa pode fazer a denúncia”, destaca. 

 A docente da Anhanguera indica que as denúncias podem ser feitas por diversos meios, seja através das Polícias Militar (190) ou Civil (197), o Disque 100 (que funciona diariamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana) e canais eletrônicos. Ademais, órgãos como o Ministério Público, mais específico a Promotoria de Justiça com atribuição em matéria do Idoso, podem ser procurados para defesa dos direitos difusos e coletivos dessa classe uma vez que forem violados.

 Por fim, a especialista afirma que é essencial evitar a perpetuação da vulnerabilidade do idoso, sendo fundamental que a família exercite o amor e a paciência para lidar com os desafios da terceira idade. “Estabeleça diálogos, fortaleça laços e proporcione um ambiente adequado e seguro para eles. Ouvir o idoso sobre o que ele está passando ajuda a dirimir esse problema”, afirma Maria Luiza.

Canais de Denúncia no RS:

Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Funciona 24h, inclusive fins de semana, garantindo sigilo e anonimato.

Delegacia Online RS: Link - Delegacia Online oficial do estado para registros.

Denúncia Digital 181: Canal seguro da segurança pública.

Ouvidoria Geral do Estado (OGE/RS): Link - O formulário eletrônico no site da Ouvidoria.

Polícia Militar (190): Para situações de risco iminente.

Delegacias Especializadas: Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) ou especializadas na proteção ao idoso.

Ministério Público do RS: Procuradorias especializadas.

 

Sobre a Anhanguera – Fundada em 1994, a Anhanguera oferece para jovens e adultos uma infraestrutura moderna, ensino de excelência e um portfólio diversificado com mais de 47 cursos de graduação presenciais, 43 semipresenciais e 96 na modalidade a distância, além de pós-graduações, cursos livres, profissionalizantes, técnicos, EJA e preparatórios, com destaque para o Intensivo da OAB. Pertencente à Cogna Educação, o mais diversificado e maior grupo educacional do país, a marca está presente em mais de 106 unidades e 1.698 polos em todos os estados brasileiros, atendendo a milhares de alunos por meio de professores especialistas, mestres e doutores. Com o conceito lifelong centric, centrado na aprendizagem em todas as fases do aluno, 91% das instituições possuem notas 4 ou 5 no MEC. Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site e o blog.

 




Audiência pública de Lajeado mostra forte repúcio a novas concessões rodoviárias no RS

A primeira audiência pública da CPI dos Pedágios foi realizada na noite de ontem, às 19h, na Câmara de Vereadores de Lajeado, reunindo prefeitos, vereadores, lideranças empresariais, representantes do setor produtivo e moradores da região do Vale do Taquari. Ao abrir os trabalhos, o presidente da CPI, deputado Paparico Bacchi, afirmou que o objetivo é “dar voz a quem vai pagar essa conta pelos próximos 30 anos” e criticou a condução do leilão do Bloco 2. “Estamos falando de um contrato que compromete a economia do Estado por três décadas. Isso é praticamente metade da vida de uma pessoa. Não é algo que possa ser tratado com pressa ou sem o devido esclarecimento”, declarou. Bacchi também questionou o avanço do processo sem a conclusão do relatório do Tribunal de Contas e apontou problemas já verificados em concessões anteriores. “O governo não aguardou o relatório final do TCE e ignorou questionamentos importantes. Nós já temos exemplos de obras atrasadas e reajustes elevados em contratos vigentes. Como aceitar ampliar esse modelo sem corrigir as falhas?”, afirmou. Segundo ele, a CPI pretende consolidar as informações colhidas nas oitivas técnicas e nas audiências públicas para elaborar um relatório que possa fundamentar medidas em relação ao leilão.

Houve forte participação populaar.

Outros encontros regionais serão agendados.

CPI dos Pedágios

 O pedido do governador Eduardo Leite de comparecer à CPI dos Pedágios e que será votado na segunda-feira, é apenas mais uma jogada política para que sirva de palanque ao declarado candidato ao Planalto ou ao Senado e cuja decisão dependerá da sua vontade, mas que exigirá que ele saia do governo dentro de 60 dias.

A maioria dos deputados d CPI não podem cair na armadilha, aguardando par convocar Leite quando mais elementos estiverem coletados.

A CPI mal foi instalada e apenas ontem realizou sua primeira audiência pública no interior, no caso em Lajeado, onde as manifestações de oposição a novas concessões rodoviárias foram brutais.

Apesar da oposição generalizada e de 50 apontamentos de restrições feitas pelo TCE,  Eduardo Leite insiste no leilão do bloco 2, agendado para o dia 13 de março de 2026, às 14h, na sede da B3, em São Paulo, um mês antes do governador renunciar. O edital contempla 409 km de rodovias no Vale do Taquari e Norte do Estado, com previsão de 30 anos de concessão. Já o bloco 1, passou pela fase de consultas públicas e está sendo aprimorado. O lançamento do edital está previsto para o primeiro trimestre deste ano

No contexto de jogadas de efeito, na última quinta-feira, Leite anunciou, durante evento na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, o início das obras de duplicação do contorno norte de Caxias, na ERS-122, que integra o bloco 3, já implementado, para as próximas semanas.

Desemprego no RS é o menor da história

  O Rio Grande do Sul apresentou uma taxa de desocupação anual de 4%, a menor registrada no Estado em toda a série histórica (iniciada em 2012) do levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a 2024, o RS recuou mais de 1,2 ponto percentual (p.p.) no índice, reduzindo a desocupação. 

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira.

O Rio Grande do Sul ficou abaixo da taxa média de desemprego do Brasil (que foi de 5,6%), figurando entre os dez primeiros Estados com as menores taxas. 

Redução da informalidade 

A taxa anual de informalidade do Estado ficou em 31,4% – 0,6 p.p. menor que o ano anterior. Entre as unidades da federação, o Rio Grande do Sul marca posição entre os primeiros dez colocados, em quarto lugar – atrás apenas de São Paulo (29%), Distrito Federal (27,3%) e Santa Catarina (26,3%). O número registrado no RS é 6,7 p.p. menor que a média do Brasil (38,1%).  

morrem de coqueluche na Terra Yanomami.  Ministério da Saúde 


Criada na década de 1930 e aperfeiçoada por volta de 2005, a vacina contra a coqueluche tem se mostrado eficaz na prevenção da doença. Mas  no Brasil, especialmente entre as comunidades indígenas, a verdade é outra, especialmente na Terra Yanomami.

O Ministério da Saúde registrou ao menos oito casos da doença na região do polo base de Surucucu.

O deputado federal e médico Osmar Terra (PL-RS), cumpre seu sétimo mandato, critica:

- A vacina para coqueluche é daquelas testadas longamente e é eficaz….não fizeram? Por quê? Com o agravamento dos casos, o Ministério da Saúde enviou uma equipe, de forma emergencial, ao território com  um médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista que devem atuar na unidade de Surucucu. Os casos e as mortes poderiam se evitadas se o ministro fosse mais competente na vacinação preventiva

Pontos centrais do que muda com a decisão da Corte Suprema

A  decisão da Suprema Corte dos EUA, que limitou por 6 a 3 o uso da lei de emergência (IEEPA) para a imposição de tarifas, altera o tabuleiro do comércio internacional. A medida retira o "superpoder" do Executivo de taxar por decreto, devolvendo o protagonismo ao Congresso e prometendo um ambiente de maior previsibilidade.

 Isto é o que mandou dizer ao editor o economista e professor de Administração Rodrigo Barreto, da FEI.

 Eis o que o professor coloca como pontos centrais resultantes da decisão da Corte Suprema

O fim da "era dos decretos" - por que a devolução do poder ao Congresso reduz o risco de tarifas inesperadas e como isso beneficia cadeias globais de produção?

Impacto no Brasil - o canal de transmissão não é apenas comercial, mas financeiro. Como a discussão sobre o reembolso de tarifas nos EUA pode pressionar o debate fiscal americano, afetando os juros longos e, consequentemente, o apetite ao risco e o valor do dólar frente ao real?

Guerra Tarifária 2.0 - por que é prematuro celebrar o fim das tensões? A tendência agora é a migração de tarifas generalizadas para medidas setoriais e pontuais, mantendo o ambiente sob vigilância;

Eficiência Econômica - a visão da literatura econômica de que tarifas amplas funcionam como impostos indiretos que punem, ironicamente, o consumidor e as empresas do próprio país que as impõe.

Sobre a FEI:

Com mais de oito décadas de tradição, a FEI se destaca entre as instituições de Ensino Superior no Brasil nas áreas de Administração, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Inteligência Artificial e Engenharia. Referência em gestão, inovação e tecnologia, a FEI já formou mais de 60 mil profissionais e tem como propósito proporcionar conhecimento aos seus alunos por todos os meios necessários, visando à construção de uma sociedade desenvolvida, humana, sustentável e justa, por meio do ensino, pesquisa e extensão.  A FEI faz parte da Companhia de Jesus e oferece cursos de Administração, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Inteligência Artificial e Engenharias – habilitações em Engenharia Civil; Engenharia de Automação e Controle; Engenharia de Produção; Engenharia Elétrica; Engenharia Mecânica e Engenharia Mecânica com ênfase Automobilística; Engenharia Química e a primeira graduação em Engenharia de Robôs do País, sendo o maior polo educacional de robótica inteligente da América Latina. 

 A FEI participou da formulação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Engenharia e Administração, propondo ao Ministério da Educação conceitos de interdisciplinaridade e empreendedorismo, que fazem com que os alunos tenham uma formação mais ampla e alinhada com as transformações tecnológicas. 


Artigo, especial, Roberto Rech - As eleições 2026 e o “Círculo de Ouro”

- Roberto Rech é graduado em Administração Legislativa, possui MBA em Marketing e Publicidade com Washington Olivetto e é pós-graduado em Marketing e Gestão de Pessoas

Todos aqueles que pretendem concorrer a cargos eletivos em 2026 devem estar atentos às informações disponíveis e que precisam ser consideradas para a obtenção de votos e apoio eleitoral. Infelizmente, muitas dessas orientações são oferecidas a peso de ouro pelos chamados consultores eleitorais.


Como alguém que acompanha inúmeras eleições — tendo, inclusive, publicado livros no campo do marketing político-eleitoral — quero disponibilizar aos pré-candidatos e assessores uma dica preciosa, baseada na teoria conhecida como “Círculo de Ouro”, desenvolvida pelo conferencista e escritor americano Simon Sinek, apresentada no livro Start With Why (Comece Pelo Porquê).


As pessoas não compram o que você faz, mas sim o porquê você faz. Segundo Sinek, isso é comprovado pela biologia. Líderes políticos inspiram a partir do propósito. Esse “porquê” não é o voto — o voto é apenas o resultado. O verdadeiro “porquê” refere-se ao motivo pelo qual o político existe, ao seu propósito, ao que ele acredita e à razão da sua atuação pública.


Sinek percebeu que todos os líderes e organizações inspiradores do mundo pensam, agem e se comunicam da mesma forma. A partir dessa constatação, desenvolveu o chamado Círculo de Ouro, que funciona em três níveis simples:


O que você faz


Como você faz


Por que você faz


Para ele, as pessoas acreditam no que você acredita, e não apenas no que você vende. Nessa linha, destaca-se a ideia de que o objetivo não é apenas contratar pessoas que precisam de um emprego, mas sim pessoas que acreditam no mesmo propósito. Quando isso acontece, elas não trabalham apenas por remuneração, mas por convicção.


Da mesma forma, eleitores não votam apenas na figura do político: votam em suas causas, nos valores que ele representa e naquilo em que ele acredita.


Pense nisso. E, desde já, boa campanha.



Excesso de tempo online prejudica a saúde mental

 O excesso de tempo online prejudica a saúde mental ao aumentar riscos de ansiedade, depressão e baixa autoestima, impulsionados pela comparação social e FOMO (medo de perder algo). Pode causar redução da matéria cinzenta, déficit de atenção, fadiga cognitiva, isolamento social e distúrbios do sono devido à luz azul. 

Aqui estão os principais efeitos detalhados:

Impacto Cognitivo e Estrutural: Estudos indicam que o uso exagerado de telas pode diminuir o volume da matéria cinzenta, afetando a memória, a regulação emocional e acelerando o envelhecimento cognitivo. Também reduz a capacidade de concentração e aprendizado.

Saúde Mental e Emocional: A exposição constante a "vidas perfeitas" nas redes sociais gera sentimentos de inadequação, ansiedade e depressão. O vício em jogos (gaming disorder) é reconhecido como transtorno pela OMS.

Distúrbios do Sono: A luz azul emitida por telas inibe a melatonina, o hormônio do sono, resultando em insônia e má qualidade de repouso.

Isolamento e Relações Sociais: O tempo online substitui interações reais, provocando paradoxalmente solidão e enfraquecimento das habilidades sociais.

FOMO (Fear of Missing Out): O medo de perder novidades gera a necessidade de verificar notificações constantemente, aumentando a ansiedade. 

Blog Sabin

Blog Sabin

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Para proteger a saúde mental, recomenda-se estabelecer horários de desconexão, limitar o tempo nas redes sociais e priorizar atividades offline.

Artigo, Felipe Vieira - Poder, crítica e coerção: o precedente que inquieta o meio jurídico brasileiro

- O jornalista gaúcho Felipe Vieira é âncora do principal jornal da Band TV.

 

“É surreal o que está acontecendo.” A frase circula em grupos de WhatsApp formados por juristas e professores de Direito, refletindo a perplexidade que o episódio envolvendo a intimação do presidente da Unafisco, Kléber Cabral, passou a provocar em setores relevantes do meio jurídico. Não se trata apenas de divergência política ou retórica pública. Trata-se de um debate sobre limites de poder, liberdade de crítica e garantias fundamentais.


Eu avisei. No artigo “Paulo Gonet, o silente”, o alerta já estava posto: quando instituições de controle hesitam diante de episódios sensíveis que envolvem o topo do poder, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser estrutural. O silêncio seletivo gera um efeito corrosivo — desloca o fiscal da lei para a posição de espectador do poder.


O ponto factual é objetivo: Cabral, criticou a operação que investiga supostos acessos indevidos a dados fiscais de ministros do Supremo e familiares. Não nominou ministros. Não imputou crime. Não fez acusação formal. Utilizou uma crítica genérica e comparativa, ainda que dura, ao ambiente de fiscalização envolvendo autoridades.


Fez uma crítica institucional, ainda que irônica e politicamente forte. Disse que, no ambiente atual, seria “menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que certas altas autoridades”. A frase é retórica, discutível, exagerada para alguns — mas permanece no campo da opinião. E opinião crítica, por si só, não configura crime.


É justamente esse ponto que tem alimentado o debate entre especialistas. Em discussões reservadas, juristas levantam uma questão básica: Cabral não falou que era alguém do Supremo. Disse “certas altas autoridades”. Não houve individualização, não houve imputação objetiva, não houve acusação formal. Interpretar automaticamente a fala como referência direta a um ministro específico exige uma inferência subjetiva que, do ponto de vista jurídico, não é trivial.


Nesse contexto, outro elemento passou a ser debatido: a própria natureza da intimação. Cabral não é investigado por crime conhecido, não foi formalmente acusado de delito e não imputou fato específico a qualquer autoridade ou instituição. Ainda assim, foi intimado a depor por determinação de um ministro que, paradoxalmente, aparece no centro do ambiente investigativo e do debate público. Para diversos juristas, a situação levanta questionamentos sérios sobre proporcionalidade e conflito de interesse aparente.


Entre especialistas, inclusive, surge uma provocação jurídica recorrente: se não há imputação de fato, nem investigação formal contra o dirigente da entidade, qual seria a base para constrangê-lo a comparecer? Alguns defendem, no plano teórico, que a própria jurisprudência do Supremo garante o direito de questionar atos considerados írritos ou desproporcionais, inclusive por meio de habeas corpus preventivo, especialmente quando há risco de constrangimento sem justa causa.


A resposta amplamente majoritária tende a ser negativa quanto à criminalização de uma crítica genérica. O direito à liberdade de expressão, sobretudo em matéria de interesse público e funcionamento do Estado, possui proteção constitucional robusta. O espaço para crítica a atos de poder — inclusive dura, irônica ou incômoda — é parte essencial de qualquer democracia que se pretenda madura.


Paralelamente, permanece no ar uma pergunta que especialistas têm feito com frequência crescente: por que a ênfase recai com tanta intensidade sobre quem critica ou sobre a origem do vazamento, enquanto questões substantivas relacionadas a contratos, relações e valores associados ao entorno de autoridades — citados no debate público — seguem sem esclarecimentos públicos proporcionais? A seletividade do foco investigativo, ainda que juridicamente justificável, gera desgaste na percepção pública.


O problema central é ainda mais grave: o país passou a naturalizar decisões potencialmente abusivas e arbitrárias sob o rótulo confortável de “heterodoxas” — e, pior, a cumpri-las sem o devido questionamento crítico. Servidores foram surpreendidos com a Polícia Federal à porta, submetidos a medidas cautelares severas, como tornozeleiras eletrônicas, antes mesmo de compreenderem claramente as acusações que pesariam contra eles. Um cenário que remete a um “devido processo legal” digno de Kafka, em que a sanção precede a compreensão formal do suposto ilícito. Tudo isso enquanto permanece sem resposta pública proporcional uma questão que intriga o debate nacional: a existência de um contrato de cerca de R$ 129 milhões envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master citado em investigações sobre fraudes, tema que segue exigindo esclarecimentos transparentes compatíveis com sua gravidade e repercussão pública.


O incômodo, aliás, não se limita ao meio acadêmico. A própria ordem teria gerado desconforto dentro do ambiente do Supremo, justamente por envolver, ainda que indiretamente, dados de outros ministros e familiares. Quando a investigação tangencia múltiplas autoridades da mesma Corte, a exigência de cautela, transparência e distanciamento decisório torna-se ainda mais sensível.


Há ainda uma dimensão simbólica incontornável: quando a autoridade que determina atos investigativos também figura, ainda que indiretamente, como potencial interessada no contexto mais amplo do caso, a percepção pública de imparcialidade é inevitavelmente tensionada. Mesmo que juridicamente defensável em termos formais, a forma da atuação importa tanto quanto o conteúdo.


Isso não significa relativizar o eventual vazamento de dados sigilosos. Se houve acesso ilegal a informações protegidas, a responsabilização deve ser exemplar. O sigilo fiscal é cláusula essencial de proteção do cidadão e do próprio Estado. Investigar acessos indevidos a dados sigilosos é dever das autoridades. Mas outra coisa, completamente distinta, é transformar uma crítica genérica — sem imputação, sem individualização e sem acusação objetiva — em objeto de intervenção estatal com potencial efeito intimidatório.


O caso Moraes x Cabral, portanto, ultrapassa o episódio concreto. Ele se insere em um debate maior sobre liberdade de crítica, limites do poder investigativo e o papel das instituições de controle diante de autoridades de alta hierarquia. Quando a crítica passa a gerar temor de reação estatal desproporcional, o efeito colateral não é apenas jurídico — é democrático.


Porque, no fim, a pergunta que ecoa não é sobre uma frase isolada.


É sobre o precedente que se constrói quando o poder reage à crítica com instrumentos de coerção.


@felipevieirajornalista

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Imagem: IA