A RBS está cada vez mais animada na sua virada de lado pela crítica ao autoritarismo do regime que sempre defendeu. Em seu editorial publicado hoje no jornal Zero Hora, a RBS atreve-se até mesmo a investir contra o presidente que ajudou a colocar no cargo.
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Não é de hoje que familiares de presidentes se veem envoltos em desconfianças
O avanço da investigação das fraudes no INSS sobre o filho do presidente Lula, Fábio Luis Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha, representa um novo teste para a solidez das instituições democráticas do país e para a maturidade política de expoentes do governo e da oposição. É evidente que, em ano eleitoral, a possível implicação do filho do presidente e candidato à reeleição em um escândalo bilionário tem o poder de influenciar a disputa pelo Planalto. Por isso, é crucial que o trabalho da Polícia Federal e do sistema de Justiça seja pautado por absoluta liberdade de ação e critérios técnicos que não deixem dúvida sobre a lisura das apurações e a eventual culpa ou inocência de quem integra o círculo mais íntimo do atual chefe do Executivo.
O tumulto entre parlamentares em uma sessão da CPI do INSS ilustrou o quanto as suspeitas envolvendo o filho de Lula atiçam os ânimos
Na quinta-feira, o tumulto entre parlamentares em uma sessão da CPI do INSS ilustrou o quanto as suspeitas envolvendo Lulinha atiçam os ânimos de defensores e adversários do governo. Questionamentos à contagem de votos que acabou por autorizar a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente escalaram para um confronto físico que desonra o Congresso. Ninguém ignora que comissões parlamentares de inquérito são palco de embates partidários e interesses nem sempre republicanos, mas devem manter o mínimo de legalidade e civilidade.
O episódio teria implodido um "pacto de não agressão" entre lulistas e bolsonaristas, costurado nos bastidores, destinado a evitar convocações e quebras de sigilos sensíveis para o governo federal ou para a família Bolsonaro. Enquanto a própria existência desse tipo de acerto obscuro já é um indício de subversão do funcionamento de uma importante ferramenta da democracia, seu rompimento não deve levar ao extremo oposto: tentativas desesperadas de incriminação de parte a parte, que podem atrapalhar em vez de garantir o justo esclarecimento dos fatos.
Não é de hoje que familiares de presidentes se veem envoltos em desconfianças. No final do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reabriu investigação para averiguar se Jair Bolsonaro, durante o mandato, atuou para interferir na Polícia Federal e barrar apurações envolvendo filhos e aliados.
Entre os governistas, já há quem questione a "lealdade" do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Palácio do Planalto por ter solicitado ainda em janeiro a quebra do sigilo de Lulinha – concedida em segredo pelo ministro do STF André Mendonça antes da confusão na CPI. Outra ala palaciana respalda Rodrigues sob justificativa de que o próprio presidente defende as averiguações.
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