Artigo, Dagoberto Lima Godoy - A nação esfacelada

As entidades do sistema financeiro que emitiram nota em apoio à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foram derrotadas, mas o seu despudorado gesto público é mais do que um episódio político. É um símbolo. Não se discute aqui a biografia do indicado, nem se pretende negar a qualquer setor da sociedade o direito de manifestar opinião sobre tema institucional relevante. O ponto é outro: quando corporações econômicas se mobilizam ostensivamente para influir na composição da Corte Suprema, fica exposta uma doença mais profunda da vida nacional — a substituição do interesse público por cálculos de conveniência setorial.

O Supremo não é uma agência reguladora do mercado, nem um departamento jurídico do governo, nem um balcão de garantias para grupos organizados. É, ou deveria ser, a última trincheira da Constituição. Por isso, a escolha de seus ministros deveria ser cercada de sobriedade, escrutínio moral, independência e distância prudente de interesses corporativos. Quando setores poderosos se apressam em declarar apoio a este ou àquele nome, a pergunta inevitável é: apoiam por convicção republicana ou por expectativa de segurança, acesso e previsibilidade favorável?

O episódio é emblemático porque revela algo que vai além do sistema financeiro. O Brasil vive uma progressiva desagregação do espírito coletivo. Cada grupo parece defender apenas o seu pedaço: corporações, partidos, bancadas, sindicatos, empresas, tribunais, carreiras de Estado, movimentos organizados. A nação, como ideia superior capaz de limitar apetites particulares, vai desaparecendo do horizonte. O interesse nacional se dissolve na soma de interesses privados em conflito ou em acomodação.

O Congresso Nacional, salvo exceções honrosas, reflete essa decomposição. A política deixou de ser predominantemente debate sobre o destino do país para tornar-se negociação permanente de vantagens, cargos, verbas, blindagens e sobrevivências eleitorais. A representação popular, que deveria elevar os interesses dispersos da sociedade a uma visão de conjunto, frequentemente os rebaixa a mercado de trocas. O parlamentar não se sente mandatário da República, mas operador de sua base, de seu grupo, de seu fundo eleitoral, de seu espaço de poder.

No Judiciário, a situação é igualmente preocupante. A simples multiplicação de controvérsias envolvendo ministros, familiares, relações econômicas, decisões monocráticas de enorme impacto e proximidades impróprias com agentes políticos e empresariais corrói a confiança pública. Uma Corte Suprema precisa não apenas ser honesta; precisa parecer institucionalmente distante, contida e impessoal. Quando passa a ocupar o centro da política, a falar demais, decidir demais e justificar-se de menos, perde a majestade moral que sustenta sua autoridade.

O que se vê, portanto, não é apenas crise de governo. É crise de caráter público. O Brasil sofre de um esfacelamento moral que não se resolve com um salvador, uma eleição, uma decisão judicial ou uma reforma isolada. O problema está no enfraquecimento da ideia de limite: limite ao poder econômico, ao voluntarismo judicial, ao fisiologismo parlamentar, ao uso partidário das instituições e também ao cinismo social de quem condena a corrupção alheia, mas aceita pequenos privilégios quando lhe convêm.

Como sair disso?

A decadência começa quando cada um pergunta apenas: “o que ganho com isso?”. A reconstrução começará quando voltarmos a perguntar: “que país estamos deixando depois de nós?”. Sem espírito público, não há Constituição que resista, Supremo que se respeite, Congresso que represente ou economia que sirva à nação. Há apenas interesses organizados disputando os restos de uma nação que esqueceu de ser comunidade.

Dívida bruta supera 80% do PIB e volta ao nível da pandemia

Com base nos dados divulgados pelo Banco Central do Brasil em 30 de abril de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em março de 2026, consolidando uma trajetória de alta que a aproxima dos patamares observados durante o pico da pandemia de COVID-19. 

1. Panorama da Dívida (Março 2026)

Patamar de 80%: A dívida subiu de 79,2% em fevereiro para 80,1% em março, superando as expectativas do mercado, que projetavam um número menor.

Valores Nominais: O endividamento bruto ultrapassou a marca de R$ 10,3 trilhões.

Comparação com a Pandemia: O nível atual é o mais alto desde 2020-2021, quando o país adotou medidas fiscais excepcionais, com a dívida atingindo seu pico de 87,6% em dezembro de 2020.

Déficit Primário: A piora foi impulsionada por um déficit primário de R$ 80,68 bilhões em março, o pior resultado para o mês na série histórica do Banco Central. 

2. Principais Causadores da Alta

Juros Elevados (Selic): A manutenção da taxa Selic em níveis restritivos aumenta o custo de carregamento da dívida, elevando os juros nominais e dificultando a estabilização.

Despesas vs. Receitas: As despesas do governo estão crescendo acima da receita, resultando em déficits primários recorrentes.

Impacto de 2025/2026: A dívida aumentou consistentemente ao longo do ano de 2025, fechando aquele ano próximo a 79% do PIB, mantendo a tendência de alta em 2026. 

3. Análise e Riscos Fiscais (IA)

Alerta de Sustentabilidade: O aumento reacende preocupações sobre a sustentabilidade fiscal brasileira no médio prazo, pressionando a credibilidade econômica do país.

Percepção de Risco: O mercado financeiro tende a reagir com maior cautela, cobrando prêmios mais altos, o que gera um círculo vicioso de aumento de dívida.

Projeções Futuras: A trajetória indica que, sem um ajuste fiscal estrutural significativo (corte de gastos), a dívida pode continuar crescendo, com algumas estimativas apontando para níveis acima de 83% até o fim de 2026. 

Conclusão: O retorno da dívida bruta ao patamar de 80% do PIB sinaliza que o hiato entre gastos e receitas, combinado com juros altos, superou as tentativas de consolidação fiscal, colocando a gestão das contas públicas no centro do debate econômico em 2026.


O que muda

 O PL da Dosimetria (PL 2162/2023), aprovado pelo Congresso no final de 2025 e em discussão após vetos presidenciais em 2026, propõe alterações significativas no Código Penal e na Lei de Execução Penal, focadas principalmente nos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. 

As principais mudanças decorrentes deste projeto incluem:

Redução Drástica de Penas: O texto recalcula a dosimetria (cálculo da pena), visando reduzir o tempo de prisão de condenados por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Fim da Soma de Penas (Concurso de Crimes): O projeto altera a forma como as penas são somadas, evitando que condenações por crimes similares cometidos no mesmo contexto sejam acumuladas de maneira severa.

Facilitação da Progressão de Regime: A proposta altera a Lei de Execução Penal (lei nº 7.210), permitindo que a progressão para regimes mais brandos (como do fechado para o semiaberto) ocorra após o cumprimento de 16% da pena (1/6), em vez de frações mais rigorosas estabelecidas pelo Pacote Anticrime (25% a 50%).

Remissão de Pena por Monitoramento: O projeto prevê remissão (redução) de pena para quem ficou em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, considerando um dia de pena reduzido a cada três dias de trabalho ou seis de estudo.

Limitação aos Atos de 8 de Janeiro: Após alterações no Senado, o foco do projeto ficou restrito aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023, excluindo financiadores ou líderes do ato, buscando não beneficiar criminosos comuns, sexuais ou de corrupção.

Impacto no Ex-Presidente Bolsonaro: Estimativas indicam que, com a aprovação e derrubada de vetos, a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ser significativamente reduzida, afetando também os prazos de inelegibilidade. 


 A Polícia Federal investiga um episódio envolvendo a entrada de bagagens no Brasil sem inspeção em um voo privado que trouxe parlamentares após viagem ao Caribe, informa a Folha de São Paulo. O caso, que inclui o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) devido à possível ocorrência de crimes como facilitação de contrabando ou descaminho.



Cinco malas teriam sido liberadas sem passar por raio-X no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), em abril de 2024. A investigação aponta que um auditor fiscal autorizou a liberação das bagagens sem inspeção, o que motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal.



Viagem e passageiros do voo

O voo partiu da ilha caribenha de São Martinho, destino conhecido por benefícios fiscais e atrações como cassinos. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.


Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, estavam na lista de passageiros os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes partidários na Câmara. A PF obteve a relação de passageiros durante as investigações.



Investigação e envio ao STF

O caso foi inicialmente analisado pela Justiça Federal em São Paulo, mas acabou remetido ao STF por envolver autoridades com foro privilegiado. A relatoria ficou com o ministro Alexandre de Moraes, que determinou prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).


Em decisão anterior, a Justiça destacou que caberia ao Supremo avaliar a competência para julgar o caso. O processo segue sob sigilo.


Suspeitas e atuação de auditor

De acordo com a apuração, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior transportasse as bagagens sem passar pelo equipamento de inspeção. O episódio ocorreu por volta das 21h do dia 20 de abril de 2024.


A Receita Federal informou que eventuais investigações internas são conduzidas sob sigilo e que, ao identificar possíveis irregularidades, instaura procedimentos administrativos para apuração, garantindo o direito à ampla defesa.


Posicionamento dos envolvidos

Hugo Motta confirmou presença no voo e afirmou que, ao desembarcar, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”. Sua assessoria declarou que o parlamentar aguardará a manifestação da Procuradoria.


Até a publicação da reportagem original, os demais citados —Ciro Nogueira, Dr. Luizinho, Isnaldo Bulhões e o empresário Fernandin OIG— não haviam se pronunciado.


Contexto e desdobramentos

A investigação também considera a possibilidade de envolvimento de passageiros com prerrogativa de foro em eventuais irregularidades. Por isso, o Ministério Público Federal solicitou o envio do caso ao STF.


O episódio ocorre em meio a debates sobre a atuação de empresas de apostas online no Brasil. Fernandin OIG, dono da aeronave, já esteve no centro de discussões no Congresso relacionadas ao setor, incluindo investigações parlamentares sobre possíveis irregularidades.


 Foi ao perceber que nem todo aluno aprende com o formato padrão de ensino nas escolas que um adolescente de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, teve uma ideia: usar a inteligência artificial (IA) para criar um assistente virtual que ajudasse estudantes neurodivergentes a estudar. O projeto de Kelvin Moraes, 17 anos, surgiu da observação de colegas que enfrentavam desafios para acompanhar conteúdos escolares e de experiências pessoais.

Muitos estudante possuem  TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e que o sistema de ensino não consegue comportar (essas dificuldades) direito. 

. A ideia do assistente, que recebeu o nome de “Flexia” é um recurso que apoia pessoas neurodivergentes.

O Flexia começa a sua operação a partir de um questionário inicial, que adapta as respostas conforme o perfil do estudante

Para pessoas com TDAH, por exemplo, há a opção de escolher que o assistente dê respostas curtas e objetivas. Já para quem tem dislexia – dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas, bem como na transformação de signos escritos em signos verbais – as letras podem ser configuradas para aparecerem maiores e mais separadas.

A conexão com o Google Sala de Aula, ferramenta voltada para escolas e alunos, permite que o Flexia identifique os conteúdos estudados em sala de aula por aquele usuário e as atividades que ainda estão em aberto

Outra funcionalidade permite a formação de sistemas complexos em imagens, como cadeias carbônicas. O chat do Flexia também comporta emojis, fórmulas matemáticas, imagens visuais e gráficos.


A IA também organiza conteúdos e identifica dificuldades recorrentes dos estudantes.

— Eles (os usuários) conseguem ver todos os conteúdos postados pelos professores. Se alguns alunos ficaram com dúvida sobre algum conteúdo, o Flexia sincroniza dados da turma inteira e manda uma sinalização para o professor — descreve o adolescente.


Análise - Eis os principais números da notável recuperação econômica argentina sob Milei

 A economia argentina, sob a gestão de Javier Milei (iniciada em dezembro de 2023), passou por uma fase de "choque" e ajustes severos que geraram resultados macroeconômicos notáveis entre 2024 e o início de 2026, marcando uma virada em relação a décadas de déficits e alta inflação. 

Os principais pontos da melhora econômica incluem:

Superávit Fiscal Consistente (Déficit Zero): A espinha dorsal da política de Milei foi o corte drástico de gastos públicos ("motosserra"). O país alcançou superávit fiscal (primeiro em mais de uma década) em 2024 e consolidou o segundo ano consecutivo de saldo positivo em 2025 (superávit primário de 1,4% do PIB).

Queda Drástica da Inflação: A inflação acumulada em 12 meses desabou de picos próximos a 300% em abril de 2024 para cerca de 31,5% ao final de 2025, o nível mais baixo desde 2018. A inflação mensal também caiu, registrando valores mais baixos (2,7% em dezembro de 2024).

Recuperação Econômica (PIB) em 2025: Após uma recessão em 2024 (-1,3% a -1,8%), a economia argentina voltou a crescer em 2025, com o PIB registrando uma alta de 4,4%, o maior crescimento desde 2022, impulsionado por setores como agronegócio, mineração e energia.

Equilíbrio nas Contas Externas e Valorização do Peso: O país registrou um superávit comercial recorde, impulsionado pela redução de barreiras comerciais e aumento da confiança dos investidores, o que permitiu uma estabilização da moeda em relação ao dólar no mercado oficial.

Melhora nos Indicadores de Pobreza (Dados de 2025): Após um pico inicial decorrente dos ajustes, a taxa de pobreza caiu de 52,9% no início de 2024 para 31,6% no primeiro semestre de 2025, indicando uma recuperação parcial do poder de compra.

Aumento do Investimento e Emprego: 2025 fechou com aumento superior a 16% em investimentos de capital (obras, máquinas) e recorde de emprego nos principais centros urbanos. 

Pontos de Atenção e Desafios (2026):

Embora os dados macroeconômicos sejam positivos, a recuperação tem sido desigual, com queda na atividade industrial e de varejo em alguns períodos, além de resistência dos sindicatos e cortes de subsídios que impactaram o custo de vida. Em abril de 2026, dados indicaram uma nova contração econômica, mostrando que a estabilização ainda enfrenta desafios estruturais. 

Artigo, Jerônimo Goergen - O risco de tratar metade do problema no agro

O autor é ex-deputado federal e atual presidente da ACEBRA

A proposta de renegociação das dívidas rurais apresentada pelo governo parte de um diagnóstico incompleto — e, por isso mesmo, perigoso.


Fala-se em cerca de R$ 81,7 bilhões, envolvendo pouco mais de 100 mil operações. À primeira vista, parece um volume relevante. Mas basta olhar com mais atenção para perceber que esse número está muito distante da realidade total do endividamento no campo.


Levantamentos com base em dados do Banco Central, citados pela imprensa, indicam que a carteira de crédito rural no Brasil pode chegar a aproximadamente R$ 881 bilhões. Desse total, algo próximo de R$ 171 bilhões já estaria em situação de estresse — contratos em atraso, renegociados ou com dificuldade de pagamento. No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais grave: mais de 30% da carteira nessa condição, o maior percentual do país.


Diante disso, a proposta do governo parece tratar apenas uma parte do problema. E talvez nem a mais crítica.


Existe um ponto que segue completamente fora da discussão: a dívida fora do sistema bancário.


O produtor rural não se financia apenas nos bancos. Ele depende de cooperativas, revendas, fornecedores de insumos, tradings e, especialmente, das empresas cerealistas. São essas empresas que garantem o funcionamento da cadeia — compram, armazenam, financiam, recebem e dão liquidez à produção.


Quando o produtor entra em dificuldade, esse impacto não fica restrito ao banco. Ele se espalha por toda a cadeia.


Se a solução considerar apenas o sistema financeiro, o risco é claro: resolve-se parcialmente a pressão sobre os bancos, mas transfere-se a crise para dentro das empresas. E isso tem um efeito em cascata. A dificuldade do produtor vira dificuldade da cerealista, que vira problema na armazenagem, no crédito privado, na comercialização e, no limite, na própria capacidade de escoamento da safra.


No Rio Grande do Sul, depois de uma sequência de secas e enchentes, esse cenário é ainda mais sensível. Não estamos diante de um problema pontual. É uma crise acumulada, estrutural, que exige uma resposta proporcional ao seu tamanho.


Se não houver uma solução abrangente, que alcance também as dívidas fora dos bancos, o problema não será resolvido. Ele apenas mudará de lugar — e, possivelmente, se ampliará.


O Brasil precisa decidir se quer enfrentar a realidade do endividamento rural ou apenas administrar seus sintomas.


Porque, neste momento, tratar parte da dívida é o mesmo que ignorar o problema.


E isso, no campo, costuma cobrar um preço alto.

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância

O hábito da leitura contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos pequenos.

 A leitura é importante na vida de todos, ela abre caminhos para lugares desconhecidos, histórias e diversos saberes. Dessa forma, sua importância para as crianças, que ainda estão descobrindo o mundo e desejam ver todas as suas perguntas respondidas, torna-se fundamental. Além disso, ela também é um momento de encontro com o conhecimento e com valores cristãos. 

 No Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, o incentivo à leitura começa na primeira infância com o projeto Literatura Viva, que aproxima escola e família em torno da leitura. A iniciativa promove momentos de comunhão e fortalece valores cristãos desde o maternal. Esse vínculo entre Palavra, imaginação e convivência torna a experiência única. No projeto, a segunda-feira é reservada para um momento especial de partilha, em que os alunos relatam como foi a experiência de leitura em família. Esse resgate fortalece o elo entre escola, lar e fé, pilares fundamentais e que orientam a proposta pedagógica do Mackenzie Agnes.

 Sara Macêdo, coordenadora da Educação Infantil, destaca a importância da leitura compartilhada em rodas de história, que promovem comunhão e escuta ativa, valores centrais na fé cristã. “Quando a professora lê para todos, cria-se um ambiente de partilha, no qual cada criança percebe que o livro é fonte de alegria coletiva. Isso desperta curiosidade e o desejo de explorar mais histórias, fortalecendo o interesse pelos livros”, afirma.

 A coordenadora traz ainda algumas dicas de como incentivar diariamente a leitura nas salas de aula: criar cantinhos de leitura nas salas, com acesso livre aos livros; iniciar o dia com uma breve leitura bíblica ou com histórias que transmitam valores como amor, respeito e solidariedade; e incentivar que cada criança escolha um livro para “cuidar” durante a semana, reforçando a responsabilidade e o vínculo com a leitura.

 A participação ativa das crianças durante a leitura é essencial para fortalecer o vínculo com os livros e ampliar o aprendizado. Fazer pausas estratégicas ao longo da história e convidar os alunos a refletirem sobre o que pode acontecer a seguir estimula a curiosidade e o pensamento crítico. Outra prática incentivada é permitir que as próprias crianças recontem as histórias com suas palavras ou as representem em pequenas dramatizações, valorizando a imaginação e a expressão individual. Sara Macêdo também destaca que cada comentário ou pergunta das crianças deve ser acolhido e valorizado, reforçando a ideia de que todos têm voz dentro da comunidade escolar. 

 Com uma proposta pedagógica fundamentada na cosmovisão cristã, o colégio busca oferecer uma formação integral aos estudantes, na qual a excelência acadêmica caminha junto à formação de valores. Nesse contexto, iniciativas como o projeto Literatura Viva reforçam o compromisso do Mackenzie Agnes em formar leitores, cidadãos e cristãos conscientes de seu papel no mundo.

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância. (Divulgação: Mackenzie Agnes)

Projeto Literatura Viva aproxima escola e família em torno da leitura. (Divulgação: Mackenzie Agnes)

Sobre os Colégios Presbiterianos Mackenzie

 Os Colégios Presbiterianos Mackenzie são reconhecidos, hoje, pela qualidade no ensino e educação que oferecem aos seus alunos, enraizada na antiga Escola Americana, fundada em 1870, pelo casal George e Mary Chamberlain, em São Paulo. A instituição dispõe de unidades em São Paulo, Tamboré (em Barueri-SP), Brasília (DF), Palmas (TO) e Recife (PE). Com todos os segmentos da Educação Básica - Educação Infantil (Maternal, Jardim I e II), Ensino Fundamental e Ensino Médio, procura o desenvolvimento das habilidades integrais do aluno e a formação de valores e da consciência crítica, despertando o compromisso com a sociedade e formando um indivíduo capaz de servir ao próximo e à comunidade. No percurso da história, o Mackenzie se tornou reconhecido pela tradição, pioneirismo e inovação na educação, o que permitiu alcançar o posto de uma das renomadas instituições de ensino que mais contribuem para o desenvolvimento científico e acadêmico do País.



 

Artigo, J.M. Cardoso e Silva - Os cristãos e os desafios da política

Um irmão que se diz evangélico falou que marcou uma cirurgia por causa de um tumor no rim. Perguntei-lhe: "escolheu um cirurgião evangélico?". Ele me olhou com espanto. A pergunta não fazia sentido. Mas eu tinha um propósito: usar um absurdo explícito para desvendar absurdos sutis. Ao entregar a vida nas mãos de um cirurgião, espera-se que ele tenha pleno domínio técnico e seja uma pessoa digna. Mas competência e dignidade não têm a ver com ser ou não ateu, cristão ou o que seja. Seria uma tolice, realmente, escolher um cirurgião por sua convicção religiosa.


O que fiz foi uma provocação. Em 2022, o meu bom amigo disse que tinha escolhido um candidato evangélico para dar seu voto. Mas a vida mostra que nem todos que se dizem cristãos compreenderam o que ensinou Nosso Senhor. Sem falar dos insinceros, que se apresentam como cristãos para levar vantagem. No Congresso Nacional, há um grupo de políticos que se identifica como bancada evangélica. Qual é a atuação desse grupo? Terá uma maioria bastante esclarecida quanto às investidas para destruir os valores do cristianismo em nosso país? Espero que sim.


O presidente da República, alguns ministros de tribunais superiores e afins já declararam simpatia e admiração pelo regime da China (não pela cultura, mas pelo regime). E não há dúvidas de que esses atores atuam no sentido de implantar semelhante regime em nosso país.


Será que os cristãos sabem que, entre todos os países do mundo, a China é o que mais viola a liberdade religiosa? É o que informa o Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo 2025, divulgado pela Fundação Pontifícia ACN, conhecida no Brasil como "Ajuda à Igreja que Sofre".


Vejam isto. O presidente da República quer nomear Jorge Messias para o STF, o que significa mais um declarado comunista naquele tribunal. Mais um admirador do regime chinês. Porém, como ele se diz evangélico, muitos irmãos apoiam-no! Talvez por falta de informação.


Em 21/04/26, editorial de O Estado de S. Paulo foi muito claro e muito incisivo, mostrando que Jorge Messias, como chefe da Advocacia Geral da União, usa a máquina do Estado para, alegando combate à desinformação, calar vozes discordantes. Hoje o alvo são críticos de algumas políticas e humoristas que incomodam o governo. E amanhã? Será que os cristãos do Brasil vão despertar para o que está acontecendo apenas no dia em que a liberdade religiosa for reprimida, como o é na China?

O "corporativismo religioso", como o praticado por meu amigo em 2022, isto é, o automatismo de apoiar alguém só porque se diz evangélico, vem da falta de reflexão. Está escrito: ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32). Quem lê o livro sagrado, mas não reflete, permanece alheio ao que se dá no país e acha que agradando a Deus com louvores já faz a sua parte, age como quem apenas olha para uma lente em vez de olhar através dela para enxergar melhor. Não conhecerá a verdade, porque não adianta decorar versículos sem meditar neles.


Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7: 15,16). Mas serão "falsos profetas" só os que fingem falar em nome de Deus, ou também os que prometem o paraíso na terra para seduzir as consciências? O que estão fazendo a pretexto de fomentar a cultura no país? No ambiente universitário (em especial nas instituições públicas) haverá respeito à "orientação cristã" dos nossos jovens?


Priscilla Shirer, atriz no filme Quarto de Guerra (War Room), diz que Antigamente, mesmo que as pessoas não fossem cristãs, elas respeitavam os princípios básicos do cristianismo. Esse não é mais o caso. Tanto mais grave à medida que o Estado organize o desrespeito.


É flagrante e parece orquestrada a degradação de nossa juventude. E não se reverte esse quadro sem pôr freio à sanha estatal (ou governista) de manipular mentalidades para executar sua agenda revolucionária, freio que é tarefa sobretudo de quem tem mandato no Congresso Nacional.


Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mateus 15:8).


Se não é para transformar o jeito de fazer política, melhor será que o cristão nela não se meta. Todavia, queira Deus que não faltem cristãos autênticos e preparados para deter diretrizes políticas concebidas para forjar um "homem novo sem espiritualidade", contrário à vocação fraterna do nosso amado Brasi


Deputado Sanderson vai na PGR em defesa de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Sanderson (PL/RS) protocolou, nesta segunda-feira (27), representação junto à Procuradoria-Geral da República solicitando a apuração de possível disseminação de conteúdo desinformativo de natureza político-eleitoral.


O documento foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e tem como objeto material audiovisual divulgado durante evento partidário em Brasília que associa o senador Flávio Bolsonaro a supostos ilícitos no chamado “caso Banco Master”.


Na representação, Sanderson sustenta que o conteúdo apresenta afirmações categóricas sem respaldo em investigações formais conhecidas, o que, em tese, pode configurar desinformação com potencial de influenciar o eleitorado. O parlamentar também destaca o uso de tecnologias de inteligência artificial na produção do material, fator que ampliaria o alcance e a capacidade de convencimento da mensagem.


Segundo Sanderson, a divulgação ocorreu em contexto político sensível, considerando a possibilidade de disputa eleitoral envolvendo o senador e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que reforçaria a necessidade de apuração célere.


O deputado requer a instauração de procedimento investigatório, a identificação dos responsáveis pela produção e divulgação do material, bem como a adoção de medidas urgentes para eventual interrupção de sua circulação, caso sejam constatadas irregularidades.


Sanderson ressalta que a iniciativa visa preservar a integridade do processo eleitoral e garantir que o debate público ocorra com base em informações verificávei

Íntegra do manifesto de Cole Tomas Allen:

Olá a todos!

Então, pode ser que eu tenha surpreendido muita gente hoje.


Deixem-me começar pedindo desculpas a todos cuja confiança eu traí.


Peço desculpas aos meus pais por dizer que tinha uma entrevista sem especificar que era para o “Mais Procurado”.


Peço desculpas aos meus colegas e alunos por dizer que tinha uma emergência pessoal (no momento em que alguém ler isto, eu provavelmente vou precisar mesmo ir para o pronto-socorro, mas dificilmente posso dizer que não é uma situação autoinfligida).


Peço desculpas a todas as pessoas que viajei ao lado, a todos os trabalhadores que manusearam minha bagagem e a todas as outras pessoas não-alvo no hotel que eu coloquei em perigo simplesmente por estar perto delas.


Peço desculpas a todos que foram abusados e/ou assassinados antes disto, a todos que sofreram antes que eu pudesse tentar isto, a todos que ainda podem sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso.


Não espero perdão, mas se eu tivesse visto qualquer outra forma de chegar tão perto, eu teria escolhido. 


Novamente, minhas sinceras desculpas.


Agora, sobre o motivo de eu ter feito tudo isto:

Eu sou um cidadão dos Estados Unidos da América.


O que os meus representantes fazem se reflete em mim.


E eu não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes.


(Bem, para ser completamente honesto, eu não estava mais disposto há muito tempo, mas esta é a primeira oportunidade real que tive de fazer algo a respeito.)


Enquanto falo sobre isso, vou também explicar minhas regras de engajamento esperadas (provavelmente em um formato terrível, mas eu não sou militar, então azar).


Funcionários da administração (exceto o Sr. Patel): eles são alvos, priorizados do mais alto cargo para o mais baixo.


Serviço Secreto: eles são alvos apenas se necessário, e devem ser incapacitados de forma não letal se possível (ou seja, espero que estejam usando colete à prova de balas porque tiro no centro de massa com espingarda estraga pessoas que não estão).


Segurança do hotel: não são alvos, se possível (ou seja, a menos que atirem em mim).


Polícia do Capitólio: o mesmo que a segurança do hotel.


Guarda Nacional: o mesmo que a segurança do hotel.


Funcionários do hotel: não são alvos de forma alguma.


Convidados: não são alvos de forma alguma.


Para minimizar baixas, também usarei chumbo grosso em vez de projéteis únicos (menos penetração através das paredes).


Eu ainda passaria por quase todo mundo aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário (com base no fato de que a maioria das pessoas escolheu comparecer a um discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, e portanto são cúmplices), mas realmente espero que não chegue a isso.


Respostas às objeções:

Objeção 1: Como cristão, você deveria oferecer a outra face.

Resposta: Oferecer a outra face é para quando você mesmo é oprimido. Eu não sou a pessoa estuprada em um campo de detenção. 


Eu não sou o pescador executado sem julgamento. Eu não sou uma criança em idade escolar explodida ou uma criança faminta ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração.


Oferecer a outra face quando outra pessoa é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor.


Objeção 2: Este não é um momento conveniente para você fazer isso.

Resposta: Peço que quem pensa assim pare um minuto e perceba que o mundo não gira em torno deles. Vocês acham que, quando vejo alguém sendo estuprado, assassinado ou abusado, eu devo passar direto porque seria “inconveniente” para pessoas que não são as vítimas?


Este foi o melhor momento e a melhor chance de sucesso que consegui encontrar.


Objeção 3: Você não pegou todos eles.

Resposta: Tem que começar de algum lugar.


Objeção 4: Como uma pessoa meio negra, meio branca, você não deveria ser o único fazendo isso.

Resposta: Não vejo mais ninguém assumindo a responsabilidade.


Objeção 5: Dai a César o que é de César.

Resposta: Os Estados Unidos da América são governados pela lei, não por uma ou várias pessoas. Na medida em que representantes e juízes não seguem a lei, ninguém é obrigado a ceder nada que seja ordenado de forma ilegal.


Gostaria também de estender minha gratidão a muitas pessoas, já que provavelmente não poderei mais falar com elas (a menos que o Serviço Secreto seja assombrosamente incompetente).


Obrigado à minha família, tanto pessoal quanto da igreja, pelo amor ao longo desses 31 anos.


Obrigado aos meus amigos, pela companhia ao longo de muitos anos.


Obrigado aos meus colegas em muitos empregos, pela positividade e profissionalismo.


Obrigado aos meus alunos pelo entusiasmo e pelo amor ao aprendizado.


Obrigado a muitos conhecidos que encontrei, pessoalmente e online, por interações curtas e relacionamentos de longo prazo, pelas perspectivas e pela inspiração.


Obrigado a todos por tudo.


Sinceramente.

Nova linha de financiamento para modernização de máquinas e implementos agrícolas

 O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou neste domingo a criação de uma nova linha de R$ 10 bilhões em crédito para a modernização de máquinas e implementos agrícolas.

O anúncio foi feito durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Os recursos integram uma nova modalidade do programa MOVE Brasil, voltada ao setor agropecuário.

“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, toda a parte de máquinas agrícolas. Pela própria Finep, diretamente, ou pelos parceiros: cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil”, disse Alckmin.

Ele destacou que os recursos serão disponibilizados no prazo de três semanas, “com juros bem mais baixos para poder financiar a modernização e a troca de máquinas e equipamentos”.

Crédito e inovação

A nova modalidade do MOVE Brasil utilizará recursos do superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, sob gestão da Finep, com foco em conteúdo nacional, inovação e pesquisa e desenvolvimento.

A previsão é que os financiamentos estejam disponíveis em 20 a 30 dias.

Pela primeira vez, cooperativas agrícolas poderão acessar diretamente crédito da Finep para financiar máquinas, equipamentos e soluções de agricultura digital.

Avaliação de ministros

Durante o evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, afirmou que a iniciativa contribui para a mecanização e a tecnificação da agricultura familiar, com apoio da indústria nacional.

Já o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que o setor deve ser impulsionado pela entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, prevista para 1º de maio, com redução tarifária para produtos agropecuários.

A idade de Lula

 Luiz Inácio Lula da Silva completou 79 anos em 27 de outubro de 2024, tornando-se o presidente brasileiro mais velho a exercer o cargo. 

A percepção sobre a idade e a saúde do presidente varia:

Críticas e Preocupações: Alguns políticos da oposição, como o senador Rogério Marinho, utilizaram termos fortes como "velho, decrépito e senil" para descrever o presidente em março de 2025, sugerindo falta de projeto para o país. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também mencionou em abril de 2026, sem citar Lula nominalmente, a existência de "lideranças envelhecidas" que não percebem a hora de sair.

Debate sobre 2026: Uma pesquisa PoderData de julho de 2025 indicou que 50% dos entrevistados consideram a idade de Lula um problema para uma possível reeleição. A revista Washington Post também questionou, em junho de 2025, se ele estaria "velho demais" para 2026, apontando desgaste e irritabilidade.

Contexto de Saúde: Em 2024, Lula sofreu uma queda no Palácio da Alvorada, o que destacou os riscos de saúde comuns em idosos, como explicado por especialistas na época.

Visão do Próprio Lula: Em 2022, o presidente declarou que as pessoas só envelhecem quando não têm uma causa e pediu que não se preocupassem com sua idade. 

Portanto, a idade de Lula é um tema central no debate político, com opositores focando em supostos desgastes, enquanto apoiadores tendem a focar em 

Volta dos presos em viaturas exige resposta do governo do Estado

Enquanto PMs cuidam dos presos nos veículos, deixam de fazer policiamento nas ruas

Aguarda-se da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) do Estado clareza sobre providências para combater a volta do problema de presos custodiados em viaturas da Brigada Militar (BM) e em delegacias. Há várias semanas a situação se repete, principalmente na Região Metropolitana. É visível na frente do Palácio da Polícia, na Capital, onde são recorrentes as cenas de veículos da BM parados com suspeitos algemados por horas a fio, vigiados por brigadianos. Celas de delegacias que funcionam no prédio também estariam abarrotadas, conforme reportagem publicada na sexta-feira em Zero Hora. Em alguns casos, homens estariam ali detidos há mais de cinco dias, muito acima do prazo máximo. 

Uma política de segurança pública exitosa, como vem sendo a do RS, não prescinde de um sistema penitenciário bem dimensionado

Enquanto PMs cuidam dos presos, deixam de fazer policiamento nas ruas. As viaturas deveriam voltar rapidamente às tarefas de patrulhamento, oferecendo maior segurança aos cidadãos. Só essa consequência já seria suficiente para que se exigisse uma solução ou ao menos que as autoridades fossem transparentes sobre as dificuldades. O caso se agrava se, de fato, operações policiais estão sendo suspensas pela superlotação do sistema carcerário. 

Cumpre recordar que, ao ser anunciado, em 2019, e concluído, em 2022, o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp) da Capital foi prometido como a solução definitiva para a disfunção dos presos mantidos em viaturas ou delegacias. O Nugesp funciona como centro de triagem. É de onde os detidos são direcionados para as demais unidades prisionais. Tem capacidade para 708 pessoas. Devido à superlotação e à permanência de suspeitos por tempo muito acima do permitido, no último dia 17 a Justiça suspendeu o ingresso de novos presos no local, a não ser de detidos em flagrante.

Diante das informações insuficientes ora prestadas pela SSPS, recorre-se ao que disse o então secretário Jorge Pozzobom, no início de março. O quadro refletiria um aumento inesperado de prisões a partir do ano passado. Cresciam em média de 2% a 4%, mas em 2025 aumentaram 14%, em especial na Região Metropolitana, agravando a superlotação local dos presídios. É essencial que as polícias prendam sempre que necessário, contribuindo para a continuidade da queda histórica da criminalidade no RS. 

O Estado teria sido surpreendido pelo aumento abrupto de 6,4 mil detenções, elevando o número de presos no RS para o recorde de 54 mil. A nota divulgada na quinta-feira pela SSPS fala de investimentos de R$ 1,4 bilhão de 2019 a 2026 e cita obras em andamento para ampliar a capacidade em alguns municípios, sem indicar o que estaria sendo endereçado para a Região Metropolitana, epicentro do déficit. Em 9 de março, em entrevista à Radio Gaúcha, Pozzobom referiu “estudos” sobre expansão de vagas em Canoas, Sapucaia do Sul e Osório. Depreende-se que a ampliação real de capacidade está distante. É dever do poder público informar a sociedade gaúcha com transparência e objetividade sobre a conjuntura atual e perspectivas de solução.

Uma política de segurança pública exitosa, como vem sendo a do RS, não prescinde de um sistema penitenciário bem dimensionado, que absorva o aumento da população carcerária com dignidade, manutenção da disciplina e possibilidades de ressocialização. 


Venda de sentenças

 O Brasil nunca tive, simultaneamente, tantos desembargadores, em Tribunais Regionais, afastados por venda de sentença, como em 2024 e 2025. A constatação é do deputado federal Osmar Terra (PL-RS)que acrescenta:

- Foi um fenômeno inédito na história do país. Nos últimos cinco anos, entre 2021e 2026, Investigações atingiram pelo menos 14 tribunais estaduais e federais. Os números mais citados são de 2024 e 2025, com grande concentração no segundo semestre de 2024.

Osmar enumera os casos.

1- Cerca de 16 a 23 desembargadores afastados. 

2- Cerca de 7 a 10 juízes de primeira instância afastados ou investigados. 

3- Vários indiciados ou com Processos Administrativos Disciplinares abertos no CNJ (ex.: 8 magistrados no Maranhão e Mato Grosso do Sul em 2025). Casos mais expressivos: 

4- Mato Grosso do Sul — 5 a 7 desembargadores afastados (Operação Última Ratio). 

5- • Tocantins — 5 desembargadores e 3 juízes. 

6- • Maranhão — 4 desembargadores e 2 juízes (Operação 18 Minutos/Inauditus, 2025–2026).

7- • São Paulo — 1 desembargador denunciado (Operação Churrascada). 

8- • Bahia — 6 desembargadores réus na Operação Faroeste (caso mais antigo, mas com desdobramentos recentes). 

9- • Rio de Janeiro (TRT) — 3 desembargadores condenados a 10–20 anos de prisão (2025, por esquema de corrupção).

Osmar Terra conclui:

- É preciso pensar seriamente no que e porquê isto está acontecendo, para o bem do País.

Dica do editor - Saiba o que fazer se você for mordido por um carrapato

 1. Remova o carrapato imediatamente (com segurança) - Use uma pinça: Com uma pinça de ponta fina, segure o carrapato o mais próximo possível da sua pele (pela cabeça/partes da boca). Puxe em linha reta: Aplique uma pressão firme, constante e puxe para cima, sem girar ou esmagar o corpo do carrapato. Se a cabeça ficar presa: Se a boca do carrapato se romper e ficar na pele, tente removê-la com a pinça. Se não conseguir, não se preocupe: deixe a pele curar e ela sairá naturalmente com o tempo. 

2. Higienize a área e o carrapato 

3. Observe os sintomas (Próximos 14 dias) - Atenção aos sinais de febre maculosa ou infecções nos dias seguintes. Se aparecerem, procure um médico imediatamente e informe sobre a picada: Febre alta e calafrios/ Dor de cabeça intensa./ Manchas vermelhas na pele (especialmente palmas das mãos e solas dos pés)./ Dores musculares e articulares. 

NUNCA espremer o corpo do carrapato, pois isso injeta saliva contaminada na ferida.

NÃO usar fósforo, agulhas quentes ou substâncias como óleo ou querosene para tentar sufocar o bicho. 

Nota: Se a picada ocorreu em uma área com histórico de febre maculosa, procure atendimento médico mesmo sem sintomas, para avaliação

Artigo, especial, Jerônim Goergen - Diesel mais barato começa no campo brasileiro

- O autor é presidente da APROBIO e ex-deputado federal pelo RS.

A recente aposta do governo no aumento da mistura de etanol à gasolina, com o objetivo de reduzir preços ao consumidor, é um reconhecimento importante de uma verdade simples: o Brasil tem, dentro de casa, alternativas reais para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e aliviar o bolso da população. Mas essa lógica não pode ser seletiva. Se o etanol ajuda — e ajuda muito —, o biodiesel pode cumprir exatamente o mesmo papel no diesel, que hoje pesa ainda mais na inflação e na logística do país.

Hoje, cada litro de diesel consumido no Brasil já contém 15% de biodiesel. Ou seja, uma parte relevante da solução já está dentro do tanque. O caminho está aberto — o que falta é avançar.

Ao ampliar essa mistura, o Brasil reduz imediatamente a necessidade de importar diesel, diminui a exposição às oscilações internacionais — agravadas por guerras e instabilidades geopolíticas — e fortalece uma cadeia produtiva que gera emprego, renda e valor agregado dentro do país. Diferentemente do combustível fóssil, cujo preço é definido lá fora, o biodiesel é produzido aqui, a partir da nossa agricultura, movimentando uma economia que vai do campo à indústria.

Hoje, o país concede benefícios ao diesel fóssil importado, inclusive com redução de tributos e subsídios, enquanto o biodiesel, que já compõe o mesmo litro vendido ao consumidor, não recebe tratamento equivalente. Essa assimetria prejudica o desenvolvimento do setor e enfraquece uma solução que está pronta.

O Brasil já mostrou, com o etanol, que é possível liderar uma transição energética inteligente, baseada em vantagens competitivas reais. O biodiesel é o passo seguinte dessa trajetória. Temos capacidade instalada, temos matéria-prima, temos tecnologia e temos um setor preparado para crescer.

O que falta é decisão. Tratar o biodiesel com a mesma prioridade estratégica que o etanol significa reduzir custos, gerar empregos, fortalecer o agro e aumentar a segurança energética do país.

Não se trata de escolher entre etanol ou biodiesel. Trata-se de usar os dois, com inteligência, para fazer do Brasil uma potência energética baseada em produção própria e sustentável.


Mudanças nos consignados

 A medida ocorre em um cenário de aumento do endividamento no país. Dados do Banco Central de abril de 2026 indicam cenário crítico: 49,7% da renda das famílias está comprometida com dívidas, próximo ao recorde histórico. O comprometimento mensal de renda chegou a 29,3%, com mais de 80% das famílias endividadas.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou nesta sexta-feira (24) resolução do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado, que cria uma metodologia para monitorar os juros e os encargos. A medida já está em vigor.A principal mudança é a criação de um limite indireto para o custo total do empréstimo. Pela nova regra, o chamado Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros e demais encargos, não poderá ultrapassar em mais de 1 ponto percentual a taxa de juros mensal contratada. Na prática, isso significa que, se um empréstimo tiver juros de 1,5% ao mês, o custo total máximo permitido será de 2,5% ao mês. Dados recentes mostram que as taxas do consignado CLT variam de 1,63% a 6,87% ao mês. O custo total médio chega a 4,48% mensais, acima da taxa média de juros de 3,66%.

Com a nova norma, os bancos passam a ter restrições claras sobre o que podem cobrar. Serão permitidos apenas quatro tipos de encargos: Juros remuneratórios (valor principal cobrado pelo empréstimo); multa e juros por atraso (mora); tributos obrigatórios; seguro prestamista (somente se o cliente autorizar expressamente). Outras cobranças, como taxas de abertura de crédito ou tarifas de cadastro, passam a ser consideradas irregulares.

Desde sua criação, o programa movimentou cerca de R$ 131 bilhões em empréstimos para mais de 9 milhões de trabalhadores. Desse montante, R$ 91 bilhões correspondem a novos contratos.

O que mudará nas apostas virtuais

A partir do início de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passam a ser proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A medida, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), busca fechar uma brecha regulatória e definir regras mais claras para esse tipo de atividade. Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities, que são os bens primários com cotação internacional.

As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298, aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira (23).

Acompanhe o que conta esta reportagem especial da Agência Brasil (o texto é da agência):

O que é o mercado preditivo?
O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”

Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.

A diferença em relação às apostas tradicionais é que:

1) Nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios;

2)   Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si.

 Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.

O que passa a ser proibido?

Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos ligados a:

Resultados de jogos esportivos

Eleições e temas políticos

Reality shows e entretenimento

Eventos sociais ou culturais

Na prática, boa parte do que fazia sucesso nessas plataformas deixa de ser permitido. A proibição vale inclusive para plataformas estrangeiras que ofereçam esses produtos a brasileiros.

O que continua liberado?

Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis econômicas, como:

Taxa de juros;

 Inflação;

 Câmbio;

  Preço de petróleo ou outras commodities.

Esses casos continuam sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado financeiro.

Por que o governo tomou essa decisão?

O principal motivo é que o governo passou a entender que apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, não como investimentos.

Dessa forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser feitas por meio de bets, que exigem:

Licença do Ministério da Fazenda;

Pagamento de taxas;

Regras de proteção ao jogador.

Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram vistas como concorrência irregular às bets.

O que muda para o setor?

A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.


Por outro lado, o governo tenta:

Evitar riscos para investidores;

 Reduzir especulação excessiva;

 Organizar um setor que crescia sem regras claras.

A regulamentação complementar será feita pela CVM, que também ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das novas normas.

Quando passa a valer?

As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país.

Prefeitura dará bolsas para formação continuada de professores municipais

 O prefeito Sebastião Melo mandou, ontem, para a Câmara Municipal, projeto de lei que institui o Programa Municipal de Bolsas de Formação Continuada da Educação (Proforce). O objetivo do programa é incentivar a qualificação profissional em áreas estratégicas, contribuindo para a melhoria da qualidade do ensino, além de fortalecer a valorização, retenção e motivação dos profissionais da Rede Municipal.O Proforce prevê diferentes modalidades de apoio, incluindo bolsas de graduação, especialização, pós-graduação, pós-doutorado, complementação pedagógica ou segunda licenciatura, além de aperfeiçoamento em temas estratégicos, como alfabetização, educação inclusiva, gestão escolar e inovação pedagógica.

A concessão das bolsas será realizada por meio de processo seletivo público, regulamentado por edital. Entre os critérios previstos estão a adequação do curso às prioridades da política educacional do município e a inexistência de sanções disciplinares impeditivas.

Tamanho da rede

A Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (dados de 2025/2026) conta com cerca de 100 a 102 escolas próprias, atendendo mais de 67 mil alunos. A rede inclui escolas de educação infantil, ensino fundamental, especial e EJA, além de uma ampla rede de escolas conveniadas. 

Escolas Próprias (Diretas): A rede própria conta com 102 escolas próprias (a partir de 2026), após a incorporação de unidades estaduais.

Escolas Conveniadas: Aproximadamente 221 escolas conveniadas/parceiras, especialmente na educação infantil.

Alunos: Mais de 67 mil alunos no ensino municipal direto.

Professores: O quadro funcional é composto por milhares de educadores, com o último levantamento indicando mais de 8 mil professores na rede municipal direta. 

A educação municipal em Porto Alegre abrange desde a educação infantil até o ensino fundamental e, em menor escala, o ensino médio e a educação de jovens e adultos (EJA). 


Artigo, especial, Dagoberto Lima Godoy - Jogo no Brasil: chega de hipocrisia eleitoral

Dagoberto Lima Godoy

 Levantamento da Confederação Nacional do Comércio estimou que já em 2024 o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 em razão do deslocamento de recursos das famílias para as apostas online. Trata-se de dinheiro que antes circularia no comércio, nos serviços, na alimentação, no vestuário, no lazer familiar e nas pequenas despesas do cotidiano, mas que passou a migrar para plataformas digitais de aposta. 

Esse movimento coincide com um quadro grave de endividamento das famílias. Em março de 2026, pesquisas da mesma CNC indicavam que cerca de quatro em cada cinco famílias brasileiras estavam endividadas, com índice de 80,4%, patamar apontado como recorde. Não se pode atribuir toda essa crise às apostas, evidentemente; juros altos, perda de renda, crédito caro e inflação acumulada também pesam. Mas seria ingenuidade ignorar que as bets passaram a disputar, de modo agressivo, a renda disponível de famílias já financeiramente fragilizadas.

A medicina já reconhece o transtorno do jogo como uma adição comportamental, associada a ansiedade, depressão, endividamento familiar e sofrimento psíquico grave. Diante disso, tratar as apostas digitais apenas como “entretenimento” é mascarar o problema. Quando o produto depende do prejuízo repetido de muitos — estimulado por design viciante, publicidade agressiva e acesso permanente, 24 horas por dia — a regulação pró-mercado torna-se cosmética: melhora a vitrine, mas preserva o motor do dano.

A incoerência se torna ainda mais evidente quando o Estado, depois de licenciar, tributar e organizar o mercado, passa a insinuar sua proibição ou forte restrição às vésperas de uma eleição presidencial. O governo federal estruturou a Secretaria de Prêmios e Apostas para autorizar, regulamentar, supervisionar e sancionar o setor; ao mesmo tempo, em abril de 2026, integrantes do governo e da base governista passaram a defender medidas mais duras, inclusive projeto para proibir a exploração, oferta e promoção de apostas de quota fixa no país. 

Se a prioridade era proteger as famílias, por que se permitiu a expansão explosiva do setor? Se a prioridade era arrecadar, que se diga claramente: o Estado aceitou tributar uma atividade cuja dinâmica econômica se alimenta da perda recorrente de milhões de apostadores. Agora, quando o dano social se torna visível e politicamente incômodo, surge a conversão moral tardia. Pode ser correção de rumo; mas também tem aparência de cálculo eleitoral.

O ponto central é simples: não se pode transformar vício em fonte de receita pública e, depois, posar de defensor das vítimas. Licenciar, tributar, arrecadar, tolerar publicidade massiva, permitir patrocínios no esporte e, só depois do estrago, cogitar proibição ou endurecimento radical, revela uma gestão errática, quando não hipócrita.

Política séria não transforma dependência em estratégia de arrecadação, nem corrige por conveniência eleitoral aquilo que ajudou a expandir por conveniência fiscal. 


Editorial, RBS - Escalada retórica de Lula contra Trump traz risco de revés comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem elevado o tom e sido recorrente nas críticas a Donald Trump e ao governo norte-americano nas últimas semanas. As intervenções militares da Casa Branca em outros países são o principal tema das manifestações de Lula, mas outros pontos de atrito, como o recente caso da expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) dos EUA e a pressão da Casa Branca contra o Pix, são ingredientes que colaboram para azedar ainda mais a relação entre Brasília e Washington. 

Parece que o presidente até veria como uma oportunidade alguma nova sanção contra o Brasil

É nítido que há cálculo eleitoral na postura de maior contundência contra Trump. Foi após a Casa Branca atingir o Brasil com um tarifaço despropositado e tentar se imiscuir em assuntos internos do país, por interferência da família Bolsonaro, que o presidente brasileiro recuperou pontos de popularidade no ano passado. O discurso da soberania nacional contra a tentativa de coação e ingerência externa deu resultado, mas em seguida a melhora na avaliação pessoal de Lula e do governo esmaeceu.

A estratégia de Lula traz riscos ao país. Bater em Donald Trump hoje parece fácil. O presidente dos EUA é cada vez mais contestado pela própria população norte-americana, semeia antipatias inclusive entre líderes de países considerados aliados históricos e hoje está ocupado em tentar uma saída para o atoleiro da guerra no Irã. O esperado encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, após surgir uma "química" entre os dois, talvez nem ocorra mais. Mas boa parte de sua administração ainda tem olhos para a América Latina e o Brasil.  

Seguem em curso, por exemplo, as investigações contra o país abertas no ano passado, relacionadas à Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O Brasil é acusado de práticas anticompetitivas que alegadamente prejudicariam a economia norte-americana e empresas dos EUA. São relacionadas ao Pix, ao etanol, ao comércio de produtos falsificados e ao desmatamento ilegal, entre outras questões. Em março, os EUA abriram nova apuração contra o país e outras nações pela Seção 301 para averiguar se o uso de trabalho forçado também não se configuraria em  competição desleal. O governo brasileiro já apresentou suas defesas, as negociações prosseguem, mas é ingenuidade contar que apenas argumentos racionais serão suficientes para impedir retaliações norte-americanas. Elas podem vir na forma de novas tarifas, restrições à importação de produtos brasileiros e paralisação de benefícios comerciais. 

A retórica do presidente brasileiro, com ou sem fundo de razão, pode contribuir para a má vontade dos colaboradores da Casa Branca que, por motivação ideológica, gostariam de fustigar o governo petista. Mas parece que Lula até veria como uma oportunidade alguma nova sanção dos EUA contra o Brasil. Seria a chance de voltar a empunhar a bandeira da soberania nacional e, por tabela, tentar reforçar a imagem da família Bolsonaro de subserviente à Casa Branca. Usando uma metáfora do futebol, bem ao gosto de Lula, é como se ele estivesse cavando uma falta para tirar proveito no jogo. Um revide poderia até ser um trunfo eleitoral, mas o custo recairia de alguma forma sobre a economia brasileira ou ao menos sobre alguns setores. 

A IA vai acabar com a corrupção nos Poderes

Elon Musk acabou de descrever a operação de roubo mais sofisticada da história americana. Não é um assalto, mas um sistema. Os impostos saem de Washington, eles entram em uma organização não governamental indicada pelo governo, com papel timbrado diferente. 

Musk: "Obviamente, se é uma organização não governamental financiada pelo governo, é só o governo. Eles cruzam uma fronteira. A lei americana para de segui-los. Eles passam por mais três entidades em mais três países. Eles voltam para casa. Bolsos diferentes. Mãos limpas. Crime perfeito".

Musk: "O governo pode enviar dinheiro para uma ONG que então não é mais governada pelas leis dos Estados Unidos." 

Agora faça as contas. Salário do Congresso. US$200.000. Patrimônio líquido médio de um membro antigo do Congresso. Mais de US$20 milhões. 

Musk: "Há muitos membros estranhamente ricos no Congresso. Só não consigo ligar como conseguiram 20 milhões de dólares ganhando 200 mil dólares por ano. Ninguém consegue explicar isso." 

Ninguém deveria explicar. Essa máquina funcionou intocada por décadas por um motivo limitação humana. Uma equipe forense não consegue rastrear dez mil transferências eletrônicas em cinquenta jurisdições globais ao mesmo tempo. A corrupção não se esconde na escuridão. Ela se esconde no volume. Eles construíram um labirinto tão deliberadamente complexo que o peso dele desaba toda investigação antes de começar. Papel enterra papel. A burocracia absorve investigação. Toda a arquitetura foi projetada para te esgotar. 

Então a inteligência artificial chegou. 

A IA não se cansa. Ela não pode ser comprada. Ela não perde a linha em transferência bancária de 4.000. Você dá a ela o livro-razão global inteiro. Ela mapeia cada nó, cada transferência, cada entidade fantasma, cada ONG offshore em todas as jurisdições. Não em semanas. Em horas. Ela encontra o sinal dentro do ruído. Ela sinaliza o padrão. Ela traça um dólar desde uma dotação de D.C. até uma concha das Ilhas Cayman e até uma pasta do Congresso no tempo que um auditor humano leva para encontrar sua vaga de estacionamento. 

O labirinto foi construído para derrotar os olhos humanos. Ele é indefeso contra uma máquina que lê todo o labirinto de uma vez. É por isso que o establishment não está apenas irritado com o Dept de Eficiência Governamental. Eles estão apavorados. 

Musk: "Vamos tentar descobrir e parar". 

Elon Musk não chegou a Washington para cortar orçamentos. Ele chegou com supercomputação, sistemas de auditoria de IA e um mandato para mapear toda a arquitetura financeira do governo federal. Pela primeira vez na história, a complexidade que protegeu a corrupção é justamente o que a vai expor. Cada entidade-casca é uma assinatura. Cada padrão de roteamento é uma impressão digital. Todo congressista que entrou ganhando US$ 200.000 e saiu no valor de US$20 milhões agora é uma variável em uma equação que será resolvida. O pântano nunca foi impenetrável. Era simplesmente grande demais para mãos humanas. Nunca foi construído para isso.

Casos de adultos brasileiros diagnosticados com hipertensão cresceram 31%

Casos de adultos brasileiros diagnosticados com hipertensão cresceram 31% 

A condição está diretamente relacionada às principais causas de morte no país. Diretrizes apresentadas pelo Ministério da Saúde em 2025 indicam a pressão arterial de 12 por 8 como sinal de alerta para pré-hipertensão

 A hipertensão arterial continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Silenciosa e muitas vezes assintomática, a condição pode evoluir por anos sem apresentar sinais claros. Esse é um dos principais fatores que dificultam o diagnóstico precoce e fazem com que muitos pacientes só descubram a doença após uma complicação grave, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou o infarto do miocárdio.

 Dados divulgados pelo Vigitel 2025 (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), pesquisa anual conduzida pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos brasileiros com hipertensão entre 2006 e 2024 cresceu 31%, número que acende um alerta para o estilo de vida de milhões de pessoas dentro do país.

 “A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Quando esses níveis se mantêm elevados de forma persistente, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode causar danos aos vasos sanguíneos e a órgãos como coração, cérebro e rins”, explica o Dr. Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista do hospital Hcor, especialista em hipertensão arterial.

 A hipertensão está diretamente relacionada às principais causas de morte no país. A cada ano, mais de 300 mil mortes ocorrem em decorrência de AVC e de infarto do miocárdio, o que representa, em média, uma morte a cada dois minutos. Estima-se que cerca de 80% dos casos de AVC estejam associados à hipertensão não controlada.

 Mesmo sendo uma condição crônica, a hipertensão pode ser prevenida e controlada com mudanças no estilo de vida. “Reduzir o consumo de sal e de alimentos ultraprocessados, praticar cerca de 150 minutos de atividades físicas por semana, evitar o tabagismo, regular o consumo de álcool e monitorar constantemente a pressão, especialmente após os 40 anos de idade, são algumas etapas fundamentais para se prevenir contra a doença”, explica o especialista.

 Novas diretrizes sobre pressão arterial: devo me preocupar?

De acordo com as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial, apresentadas no último ano, a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) passou a ser considerada um quadro de pré-hipertensão. Essa nova classificação não significa ter a doença em si, mas serve como uma orientação preventiva.

 Conforme explica o Dr. Amodeo, o direcionamento tem gerado preocupação e muitos questionamentos por parte dos pacientes, que de repente passaram a enxergar o tradicional 12 por 8 com preocupação. No entanto, esse não é um quadro grave e não exige ida imediata ao médico ou busca emergencial por atendimento. “Trata-se de um ponto de atenção, uma oportunidade de agir antes que a hipertensão se desenvolva. Essa orientação é fundamental para estimular hábitos mais saudáveis sem sobrecarregar o sistema de saúde”, comenta.

 A hipertensão é uma condição altamente prevalente, mas também altamente prevenível. “A nova diretriz é um convite à mudança de comportamento antes que o problema se torne grave”, conclui o Dr. Celso Amodeo. 

Sobre o Hcor

O Hcor atua em mais de 50 especialidades médicas, entre elas Cardiologia, Oncologia, Neurologia e Ortopedia, além de oferecer um centro próprio de Medicina Diagnóstica. Possui Acreditação pela Joint Commission International (JCI) e diversas certificações nacionais e internacionais. Em 2025, foi reconhecido como um dos melhores hospitais do mundo pelo ranking da Revista Newsweek, ficando em 5º lugar no Brasil.

 Desde 2008, é parceiro do Ministério da Saúde no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o que proporciona que seu impacto em saúde esteja presente em todas as regiões do país.

 Instituição filantrópica, o Hcor iniciou suas atividades em 1976, tendo como mantenedora a centenária Associação Beneficente Síria, que também conduz projetos gratuitos de saúde para população em situação de vulnerabilidade. Além do escopo médico-assistencial, o hospital conta com um Instituto de Pesquisa, reconhecido internacionalmente, que coordena estudos clínicos multicêntricos com publicações nos mais conceituados periódicos científicos. Conjuntamente, capacita milhares de profissionais anualmente por meio do Hcor Academy com seus cursos de pós-graduação, cursos de atualização e programas de residência e aprimoramento médico. Hcor Consultoria e Gestão oferece soluções personalizadas, com diagnóstico e metodologia focada em alta performance, para negócios em saúde. 




Artigo, Eduardo Oinegue, Folha - Será que o Brasil foi atingido por um gás paralisante?

Jornalista, âncora do Jornal da Band e da Bandnews FM, colunista do Bandnews TV e professor da ESPM

Para saber se estamos bem, vale olhar para a grama do vizinho. Olhar para um país aqui ao lado, com menos de 4 milhões de habitantes. E para um país que em 1960 tinha renda per capita semelhante à do Brasil ou menor. Em 2010, a renda per capita do Uruguai era 22% maior que a brasileira. Hoje é o dobro. A da Coreia do Sul era o dobro. Hoje é quatro vezes maior. Numa amostra de 123 países com dados do FMI e do Banco Mundial, 111 cresceram mais que o Brasil entre 2010 e 2024.

Se contam que alguém correu 100 metros em 8 segundos, recomenda-se aplicar o teste do xixi, porque tem doping. É difícil imaginar doping no PIB per capita do Uruguai ou no da Coreia, até porque a renda em 90% dos países acelerou mais do que a brasileira quando medida em dólar. Se não estão todos dopados, será que o Brasil não foi sedado, atingido por algum gás paralisante?

Quem cresceu mais que o Brasil, em geral, seguiu uma de duas rotas. Ou virou fábrica do mundo, produzindo peças, tecidos e eletrônicos que outros países usam para fechar o produto final. Foi o caminho escolhido por países como Vietnã, Bangladesh, Polônia e República Tcheca, por exemplo. Outra rota foi apostar em estabilidade institucional e reformas para atrair capital estrangeiro produtivo, aquele que some quando a Selic cai. Irlanda, Estônia, Chile e Singapura são exemplos conhecidos. O Brasil não fez nem uma coisa nem outra.

Imaginemos, por um instante, que o Brasil se una num projeto ambicioso: alcançar a renda per capita uruguaia em dez anos. Como o PIB per capita do Uruguai tem crescido 2,5% ao ano, sabe quanto a renda no Brasil precisaria crescer? 9,3% ao ano por uma década seguida. Mais rápido que no milagre econômico, entre 1971 e 1980, quando cresceu 8,6%. Para alcançar a renda per capita coreana até 2036, muito mais: 17% ao ano. Nenhum país fez isso na história. Nem a China, recordista absoluta, que cresceu 10% ao ano entre 2001 e 2010. No ritmo atual, menos de 2% ao ano, o Brasil só chegaria na renda uruguaia de hoje em 2060. E na coreana em 2097.

O paradoxo é que essa decadência relativa aparece no momento em que o mundo olha o Brasil com interesse renovado, porque os grandes destinos de capital se desorganizaram. Os Estados Unidos vivem a maior inconsistência econômica de sua história recente. O dólar perde força e o Federal Reserve está preso a uma cilada: se cortar juros, a inflação de 3,3% escapa; se mantiver, a economia freia. A guerra comercial de Donald Trump assusta o capital de longo prazo. A Europa atravessa um período de quase estagnação, com a zona do euro projetando crescimento de 1,1% em 2026. A China desacelera para 4,4%. O Japão cresce 0,7%. E o investidor precisa alocar dinheiro em algum lugar.

Nesse cenário, o Brasil chama atenção. É exportador líquido de energia, tem reservas internacionais sólidas, opera com câmbio flexível e baixa dependência de dívida em moeda estrangeira. O FMI revisou o crescimento brasileiro para 1,9% em 2026 e projeta o país de volta às dez maiores economias, com PIB acima do Canadá. Até a semana passada, entraram mais de R$ 65 bilhões na B3, o melhor início de ano desde 2022.

Esse entusiasmo, porém, convive com um desconforto estrutural, porque o capital encontra no Brasil um Estado disfuncional. Com dívida pública aproximando-se de 100% do PIB no final do ano que vem, a Previdência com um megarrombo, 80% das famílias endividadas, o salário real menor hoje do que era em 2020. Sem falar na carga tributária que beira os 35% do PIB, no engessamento do Orçamento público, na casa de 92% travados em gastos obrigatórios, e na conhecida insegurança jurídica. O capital não enxerga no Brasil um novo eldorado, mas aceita vir porque as alternativas estão piores.

A eleição está chegando. Nenhum pré-candidato bate forte nos temas centrais, como reforma administrativa, da Previdência ou fim das vinculações. O que dá voto é a marquetagem rasa, como a promessa de escala 5 por 2 ou 4 por 3. Se Uruguai, Coreia e 111 países do mundo não estão dopados, e o Brasil parece sedado, o mínimo que o eleitor tem que exigir dos postulantes à Presidência da República é um programa que acorde a nação. Não precisa ter nome bonito. Basta conter ideias que funcionem.

 O Instituto Veritá[1] é um instituto de pesquisas mercadológicas, governamentais e eleitorais fundado em 1995.[1] Tem sede em Uberlândia e já atuou com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e no Distrito Federal.[2] O instituto atende clientes em todos os segmentos de mercado, além de participar em licitações públicas.[3]

Além de pesquisas para o mercado o Instituto Veritá realiza o Prêmio Gestão Pública,[4] uma iniciativa própria iniciada em 2017 e que oferece a gestores municipais a avaliação do público em diversos segmentos de serviços públicos. O instrumento é uma ferramenta de gestão e governança que permite a adequação de políticas públicas e reconhece a qualidade do serviço público prestado. O Prêmio já aconteceu nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Em 2022 o Veritá se destacou por realizar o maior número de pesquisas registradas no TSE. Foram 152 feitas avaliando os cenários para governador, senador e presidente. Também foi o que registrou o maior número de entrevistas em suas pesquisas: 182 mil, aproximadamente.

O instituto registrou pesquisas para diversas eleições presidenciais e regionais no Brasil.[5][6][7]

Os primeiros anos

A história do Veritá tem início em 1995. Atuando com processamento de dados. Vendo o potencial da tecnologia para dar celeridade e exatidão ao trabalho de pesquisa, a evolução para o instituto focado nesse segmento foi natural. Com isso o Veritá se destacou pelo pioneirismo no uso de novas tecnologias que surgiam para dar exatidão e agilidade a seus levantamentos. Foi assim que o uso de, primeiro palm tops e depois tablets passaram muito cedo, ainda em 2006, a serem usados pelos entrevistadores do Veritá em campo. Com isso o instituto passou a oferecer a geolocalização de seus entrevistados, inclusive com a possibilidade de gravar as entrevistas.

"Desde nosso surgimento a tecnologia sempre foi uma aliada para oferecermos a assertividade e agilidade em nossas entregas. Mas graças à experiência de quase três décadas de atuação em todo país agregamos também dados e aprendizado que nos deram um conhecimento único da realidade brasileira”.[8]

Tipos de pesquisa

As pesquisas se classificam basicamente em dois tipos: as quantitativas e as qualitativas. As primeiras se destacam pela procura de dados que quantifiquem o que se quer conhecer. Pesquisas eleitorais e de opinião são duas pesquisas desse tipo. Observando parâmetros demográficos uma amostra da população é pesquisada através da aplicação de questionários.

Desse grupo se extrai a informação que será de interesse do cliente ou às vezes até de interesse público. Assim é possível saber por exemplo qual a opinião dos moradores de uma cidade sobre a gestão pública, o quanto uma mudança econômica gerou de alteração no perfil do consumidor ou qual candidato tem mais intenção de votos.

As pesquisas qualitativas buscam não só mensurar um tema, mas descrevê-lo, tirando dos entrevistados opiniões que podem gerar decisões pelo cliente. Fazem parte desse universo de pesquisa levantamentos sobre clima organizacional de uma empresa, percepções sobre uma marca e até percepções do público sobre um agente público ou candidato.

Amostragem

Para que uma pesquisa realmente demonstre a realidade que se quer conhecer a qualidade da amostra (que é o público entrevistado) tem de manter um padrão elevado. É nessa área com o planejamento e a qualidade amostral que o Instituto Veritá atua com maior expertise. Usando tecnologia e ferramentas para que a apuração chegue na melhor amostragem, o Instituto atua para que realmente o público entrevistado represente todo o universo que se quer conhecer com proporcionalidade.

Polêmicas

O instituto foi envolvido em uma polêmica por liberação de dados pela campanha de Aécio Neves.[9] O dono do instuto na época, Adriano Silvoni, confirmou o mau uso.[10] As pesquisas do instituto indicavam vitória de Aécio no segundo turno por 54,8% a 45,2% (9 de outubro)[11] e por 53,2% contra 46,8% (21 de outubro).[12] Dilma Roussef foi eleita em 26 de outubro de 2022 com 51,64% dos votos válidos contra 48,36% de Aécio. Em outra ocasião, nas eleições municipais de 2020, o Jornal de Uberaba criticou a metodologia do instituto em pesquisas[13]

Entre discurso e resultados: uma análise institucional do governo Eduardo Leite

Recentemente foi divulgada pesquisa da Veritta que avaliou o desempenho dos governadores brasileiros a partir da percepção da população de cada estado. Segundo o levantamento, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, aparece na 24ª posição no ranking nacional. O dado merece reflexão, pois avaliações de opinião pública costumam capturar a percepção acumulada da sociedade ao longo do tempo, especialmente quando confrontadas com os resultados concretos da gestão.


Ao longo de seu mandato, Eduardo Leite construiu uma imagem de gestor moderno e eficiente, associada a um discurso de renovação política. No entanto, uma análise mais detalhada de algumas decisões administrativas e indicadores de desempenho revela questionamentos relevantes quanto à coerência entre discurso e prática.


Na área tributária, o governo buscou promover alterações que incluíam aumento de impostos, inclusive sobre itens da cesta básica, o que naturalmente gera preocupação quanto ao impacto sobre o custo de vida da população, especialmente das famílias de menor renda. Paralelamente, verificou-se ampliação da estrutura administrativa do Poder Executivo, com aumento no número de secretarias de Estado, alcançando o maior patamar da história recente do Rio Grande do Sul, superando inclusive gestões anteriores reconhecidas por estruturas governamentais robustas.


No campo da educação, área que foi apontada como prioridade estratégica do governo, os resultados também suscitam debate. Dados indicam que aproximadamente 52% das crianças estão alfabetizadas na idade considerada adequada, percentual que posiciona o estado entre os desempenhos mais baixos do país. Soma-se a isso a adoção de mecanismos que permitem a progressão escolar de alunos reprovados em até quatro disciplinas, medida que tem sido interpretada por especialistas como tentativa de melhorar indicadores formais, mas que pode não refletir necessariamente uma efetiva evolução da aprendizagem.


Outro ponto de questionamento refere-se à política de comunicação institucional do governo, que envolve investimentos expressivos em publicidade oficial. Embora seja legítimo que governos divulguem suas ações, a análise crítica exige verificar se os resultados apresentados correspondem de fato a melhorias estruturais percebidas pela população.


No âmbito da infraestrutura, o programa de concessões rodoviárias prevê a criação de 58 novas praças de pedágio, com aporte aproximado de 3 bilhões de reais em recursos públicos, além da possibilidade de elevação significativa das tarifas cobradas dos usuários. O tema tem gerado debate público acerca do equilíbrio entre investimento, qualidade do serviço e custo para a sociedade.


A situação fiscal do Estado também merece análise. O Rio Grande do Sul iniciou o governo na 25ª posição no ranking nacional de solidez fiscal e, mesmo após privatizações, reformas administrativas e receitas extraordinárias, encerrou o ano de 2025 na 27ª posição, último lugar entre os estados brasileiros. O dado indica que os desafios estruturais das contas públicas permanecem relevantes e exigem políticas consistentes de longo prazo.


Por fim, algumas iniciativas pontuais geraram repercussão negativa, como a tentativa de aquisição de aeronave com recursos vinculados à reconstrução do Estado, a proposta de destinação de recursos públicos para escola de samba no Rio de Janeiro e a construção de quadra de beach tênis na residência oficial do governo em Canela. Independentemente do mérito específico de cada decisão, tais episódios contribuíram para ampliar o debate sobre prioridades administrativas e alocação de recursos públicos.


A avaliação de um governo deve sempre considerar tanto o discurso quanto os resultados efetivamente alcançados. A comunicação institucional é parte legítima da gestão pública, mas a credibilidade de qualquer administração depende, sobretudo, da consistência entre as promessas apresentadas e os indicadores concretos de desempenho.


A opinião pública, ao longo do tempo, tende a ajustar sua percepção à luz dos fatos observados. Por isso, o debate público qualificado, baseado em dados e resultados, é essencial para o aperfeiçoamento das políticas públicas e para o fortalecimento da confiança da sociedade nas instituições.