Artigo, J.M. Cardoso e Silva - Os cristãos e os desafios da política

Um irmão que se diz evangélico falou que marcou uma cirurgia por causa de um tumor no rim. Perguntei-lhe: "escolheu um cirurgião evangélico?". Ele me olhou com espanto. A pergunta não fazia sentido. Mas eu tinha um propósito: usar um absurdo explícito para desvendar absurdos sutis. Ao entregar a vida nas mãos de um cirurgião, espera-se que ele tenha pleno domínio técnico e seja uma pessoa digna. Mas competência e dignidade não têm a ver com ser ou não ateu, cristão ou o que seja. Seria uma tolice, realmente, escolher um cirurgião por sua convicção religiosa.


O que fiz foi uma provocação. Em 2022, o meu bom amigo disse que tinha escolhido um candidato evangélico para dar seu voto. Mas a vida mostra que nem todos que se dizem cristãos compreenderam o que ensinou Nosso Senhor. Sem falar dos insinceros, que se apresentam como cristãos para levar vantagem. No Congresso Nacional, há um grupo de políticos que se identifica como bancada evangélica. Qual é a atuação desse grupo? Terá uma maioria bastante esclarecida quanto às investidas para destruir os valores do cristianismo em nosso país? Espero que sim.


O presidente da República, alguns ministros de tribunais superiores e afins já declararam simpatia e admiração pelo regime da China (não pela cultura, mas pelo regime). E não há dúvidas de que esses atores atuam no sentido de implantar semelhante regime em nosso país.


Será que os cristãos sabem que, entre todos os países do mundo, a China é o que mais viola a liberdade religiosa? É o que informa o Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo 2025, divulgado pela Fundação Pontifícia ACN, conhecida no Brasil como "Ajuda à Igreja que Sofre".


Vejam isto. O presidente da República quer nomear Jorge Messias para o STF, o que significa mais um declarado comunista naquele tribunal. Mais um admirador do regime chinês. Porém, como ele se diz evangélico, muitos irmãos apoiam-no! Talvez por falta de informação.


Em 21/04/26, editorial de O Estado de S. Paulo foi muito claro e muito incisivo, mostrando que Jorge Messias, como chefe da Advocacia Geral da União, usa a máquina do Estado para, alegando combate à desinformação, calar vozes discordantes. Hoje o alvo são críticos de algumas políticas e humoristas que incomodam o governo. E amanhã? Será que os cristãos do Brasil vão despertar para o que está acontecendo apenas no dia em que a liberdade religiosa for reprimida, como o é na China?

O "corporativismo religioso", como o praticado por meu amigo em 2022, isto é, o automatismo de apoiar alguém só porque se diz evangélico, vem da falta de reflexão. Está escrito: ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32). Quem lê o livro sagrado, mas não reflete, permanece alheio ao que se dá no país e acha que agradando a Deus com louvores já faz a sua parte, age como quem apenas olha para uma lente em vez de olhar através dela para enxergar melhor. Não conhecerá a verdade, porque não adianta decorar versículos sem meditar neles.


Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7: 15,16). Mas serão "falsos profetas" só os que fingem falar em nome de Deus, ou também os que prometem o paraíso na terra para seduzir as consciências? O que estão fazendo a pretexto de fomentar a cultura no país? No ambiente universitário (em especial nas instituições públicas) haverá respeito à "orientação cristã" dos nossos jovens?


Priscilla Shirer, atriz no filme Quarto de Guerra (War Room), diz que Antigamente, mesmo que as pessoas não fossem cristãs, elas respeitavam os princípios básicos do cristianismo. Esse não é mais o caso. Tanto mais grave à medida que o Estado organize o desrespeito.


É flagrante e parece orquestrada a degradação de nossa juventude. E não se reverte esse quadro sem pôr freio à sanha estatal (ou governista) de manipular mentalidades para executar sua agenda revolucionária, freio que é tarefa sobretudo de quem tem mandato no Congresso Nacional.


Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mateus 15:8).


Se não é para transformar o jeito de fazer política, melhor será que o cristão nela não se meta. Todavia, queira Deus que não faltem cristãos autênticos e preparados para deter diretrizes políticas concebidas para forjar um "homem novo sem espiritualidade", contrário à vocação fraterna do nosso amado Brasi


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