Artigo, Jerônimo Goergen - O risco de tratar metade do problema no agro

O autor é ex-deputado federal e atual presidente da ACEBRA

A proposta de renegociação das dívidas rurais apresentada pelo governo parte de um diagnóstico incompleto — e, por isso mesmo, perigoso.


Fala-se em cerca de R$ 81,7 bilhões, envolvendo pouco mais de 100 mil operações. À primeira vista, parece um volume relevante. Mas basta olhar com mais atenção para perceber que esse número está muito distante da realidade total do endividamento no campo.


Levantamentos com base em dados do Banco Central, citados pela imprensa, indicam que a carteira de crédito rural no Brasil pode chegar a aproximadamente R$ 881 bilhões. Desse total, algo próximo de R$ 171 bilhões já estaria em situação de estresse — contratos em atraso, renegociados ou com dificuldade de pagamento. No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais grave: mais de 30% da carteira nessa condição, o maior percentual do país.


Diante disso, a proposta do governo parece tratar apenas uma parte do problema. E talvez nem a mais crítica.


Existe um ponto que segue completamente fora da discussão: a dívida fora do sistema bancário.


O produtor rural não se financia apenas nos bancos. Ele depende de cooperativas, revendas, fornecedores de insumos, tradings e, especialmente, das empresas cerealistas. São essas empresas que garantem o funcionamento da cadeia — compram, armazenam, financiam, recebem e dão liquidez à produção.


Quando o produtor entra em dificuldade, esse impacto não fica restrito ao banco. Ele se espalha por toda a cadeia.


Se a solução considerar apenas o sistema financeiro, o risco é claro: resolve-se parcialmente a pressão sobre os bancos, mas transfere-se a crise para dentro das empresas. E isso tem um efeito em cascata. A dificuldade do produtor vira dificuldade da cerealista, que vira problema na armazenagem, no crédito privado, na comercialização e, no limite, na própria capacidade de escoamento da safra.


No Rio Grande do Sul, depois de uma sequência de secas e enchentes, esse cenário é ainda mais sensível. Não estamos diante de um problema pontual. É uma crise acumulada, estrutural, que exige uma resposta proporcional ao seu tamanho.


Se não houver uma solução abrangente, que alcance também as dívidas fora dos bancos, o problema não será resolvido. Ele apenas mudará de lugar — e, possivelmente, se ampliará.


O Brasil precisa decidir se quer enfrentar a realidade do endividamento rural ou apenas administrar seus sintomas.


Porque, neste momento, tratar parte da dívida é o mesmo que ignorar o problema.


E isso, no campo, costuma cobrar um preço alto.

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância

O hábito da leitura contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos pequenos.

 A leitura é importante na vida de todos, ela abre caminhos para lugares desconhecidos, histórias e diversos saberes. Dessa forma, sua importância para as crianças, que ainda estão descobrindo o mundo e desejam ver todas as suas perguntas respondidas, torna-se fundamental. Além disso, ela também é um momento de encontro com o conhecimento e com valores cristãos. 

 No Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, o incentivo à leitura começa na primeira infância com o projeto Literatura Viva, que aproxima escola e família em torno da leitura. A iniciativa promove momentos de comunhão e fortalece valores cristãos desde o maternal. Esse vínculo entre Palavra, imaginação e convivência torna a experiência única. No projeto, a segunda-feira é reservada para um momento especial de partilha, em que os alunos relatam como foi a experiência de leitura em família. Esse resgate fortalece o elo entre escola, lar e fé, pilares fundamentais e que orientam a proposta pedagógica do Mackenzie Agnes.

 Sara Macêdo, coordenadora da Educação Infantil, destaca a importância da leitura compartilhada em rodas de história, que promovem comunhão e escuta ativa, valores centrais na fé cristã. “Quando a professora lê para todos, cria-se um ambiente de partilha, no qual cada criança percebe que o livro é fonte de alegria coletiva. Isso desperta curiosidade e o desejo de explorar mais histórias, fortalecendo o interesse pelos livros”, afirma.

 A coordenadora traz ainda algumas dicas de como incentivar diariamente a leitura nas salas de aula: criar cantinhos de leitura nas salas, com acesso livre aos livros; iniciar o dia com uma breve leitura bíblica ou com histórias que transmitam valores como amor, respeito e solidariedade; e incentivar que cada criança escolha um livro para “cuidar” durante a semana, reforçando a responsabilidade e o vínculo com a leitura.

 A participação ativa das crianças durante a leitura é essencial para fortalecer o vínculo com os livros e ampliar o aprendizado. Fazer pausas estratégicas ao longo da história e convidar os alunos a refletirem sobre o que pode acontecer a seguir estimula a curiosidade e o pensamento crítico. Outra prática incentivada é permitir que as próprias crianças recontem as histórias com suas palavras ou as representem em pequenas dramatizações, valorizando a imaginação e a expressão individual. Sara Macêdo também destaca que cada comentário ou pergunta das crianças deve ser acolhido e valorizado, reforçando a ideia de que todos têm voz dentro da comunidade escolar. 

 Com uma proposta pedagógica fundamentada na cosmovisão cristã, o colégio busca oferecer uma formação integral aos estudantes, na qual a excelência acadêmica caminha junto à formação de valores. Nesse contexto, iniciativas como o projeto Literatura Viva reforçam o compromisso do Mackenzie Agnes em formar leitores, cidadãos e cristãos conscientes de seu papel no mundo.

No Mackenzie Agnes, a leitura é incentivada desde a primeira infância. (Divulgação: Mackenzie Agnes)

Projeto Literatura Viva aproxima escola e família em torno da leitura. (Divulgação: Mackenzie Agnes)

Sobre os Colégios Presbiterianos Mackenzie

 Os Colégios Presbiterianos Mackenzie são reconhecidos, hoje, pela qualidade no ensino e educação que oferecem aos seus alunos, enraizada na antiga Escola Americana, fundada em 1870, pelo casal George e Mary Chamberlain, em São Paulo. A instituição dispõe de unidades em São Paulo, Tamboré (em Barueri-SP), Brasília (DF), Palmas (TO) e Recife (PE). Com todos os segmentos da Educação Básica - Educação Infantil (Maternal, Jardim I e II), Ensino Fundamental e Ensino Médio, procura o desenvolvimento das habilidades integrais do aluno e a formação de valores e da consciência crítica, despertando o compromisso com a sociedade e formando um indivíduo capaz de servir ao próximo e à comunidade. No percurso da história, o Mackenzie se tornou reconhecido pela tradição, pioneirismo e inovação na educação, o que permitiu alcançar o posto de uma das renomadas instituições de ensino que mais contribuem para o desenvolvimento científico e acadêmico do País.



 

Artigo, J.M. Cardoso e Silva - Os cristãos e os desafios da política

Um irmão que se diz evangélico falou que marcou uma cirurgia por causa de um tumor no rim. Perguntei-lhe: "escolheu um cirurgião evangélico?". Ele me olhou com espanto. A pergunta não fazia sentido. Mas eu tinha um propósito: usar um absurdo explícito para desvendar absurdos sutis. Ao entregar a vida nas mãos de um cirurgião, espera-se que ele tenha pleno domínio técnico e seja uma pessoa digna. Mas competência e dignidade não têm a ver com ser ou não ateu, cristão ou o que seja. Seria uma tolice, realmente, escolher um cirurgião por sua convicção religiosa.


O que fiz foi uma provocação. Em 2022, o meu bom amigo disse que tinha escolhido um candidato evangélico para dar seu voto. Mas a vida mostra que nem todos que se dizem cristãos compreenderam o que ensinou Nosso Senhor. Sem falar dos insinceros, que se apresentam como cristãos para levar vantagem. No Congresso Nacional, há um grupo de políticos que se identifica como bancada evangélica. Qual é a atuação desse grupo? Terá uma maioria bastante esclarecida quanto às investidas para destruir os valores do cristianismo em nosso país? Espero que sim.


O presidente da República, alguns ministros de tribunais superiores e afins já declararam simpatia e admiração pelo regime da China (não pela cultura, mas pelo regime). E não há dúvidas de que esses atores atuam no sentido de implantar semelhante regime em nosso país.


Será que os cristãos sabem que, entre todos os países do mundo, a China é o que mais viola a liberdade religiosa? É o que informa o Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo 2025, divulgado pela Fundação Pontifícia ACN, conhecida no Brasil como "Ajuda à Igreja que Sofre".


Vejam isto. O presidente da República quer nomear Jorge Messias para o STF, o que significa mais um declarado comunista naquele tribunal. Mais um admirador do regime chinês. Porém, como ele se diz evangélico, muitos irmãos apoiam-no! Talvez por falta de informação.


Em 21/04/26, editorial de O Estado de S. Paulo foi muito claro e muito incisivo, mostrando que Jorge Messias, como chefe da Advocacia Geral da União, usa a máquina do Estado para, alegando combate à desinformação, calar vozes discordantes. Hoje o alvo são críticos de algumas políticas e humoristas que incomodam o governo. E amanhã? Será que os cristãos do Brasil vão despertar para o que está acontecendo apenas no dia em que a liberdade religiosa for reprimida, como o é na China?

O "corporativismo religioso", como o praticado por meu amigo em 2022, isto é, o automatismo de apoiar alguém só porque se diz evangélico, vem da falta de reflexão. Está escrito: ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32). Quem lê o livro sagrado, mas não reflete, permanece alheio ao que se dá no país e acha que agradando a Deus com louvores já faz a sua parte, age como quem apenas olha para uma lente em vez de olhar através dela para enxergar melhor. Não conhecerá a verdade, porque não adianta decorar versículos sem meditar neles.


Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis (Mateus 7: 15,16). Mas serão "falsos profetas" só os que fingem falar em nome de Deus, ou também os que prometem o paraíso na terra para seduzir as consciências? O que estão fazendo a pretexto de fomentar a cultura no país? No ambiente universitário (em especial nas instituições públicas) haverá respeito à "orientação cristã" dos nossos jovens?


Priscilla Shirer, atriz no filme Quarto de Guerra (War Room), diz que Antigamente, mesmo que as pessoas não fossem cristãs, elas respeitavam os princípios básicos do cristianismo. Esse não é mais o caso. Tanto mais grave à medida que o Estado organize o desrespeito.


É flagrante e parece orquestrada a degradação de nossa juventude. E não se reverte esse quadro sem pôr freio à sanha estatal (ou governista) de manipular mentalidades para executar sua agenda revolucionária, freio que é tarefa sobretudo de quem tem mandato no Congresso Nacional.


Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mateus 15:8).


Se não é para transformar o jeito de fazer política, melhor será que o cristão nela não se meta. Todavia, queira Deus que não faltem cristãos autênticos e preparados para deter diretrizes políticas concebidas para forjar um "homem novo sem espiritualidade", contrário à vocação fraterna do nosso amado Brasi


Deputado Sanderson vai na PGR em defesa de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Sanderson (PL/RS) protocolou, nesta segunda-feira (27), representação junto à Procuradoria-Geral da República solicitando a apuração de possível disseminação de conteúdo desinformativo de natureza político-eleitoral.


O documento foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e tem como objeto material audiovisual divulgado durante evento partidário em Brasília que associa o senador Flávio Bolsonaro a supostos ilícitos no chamado “caso Banco Master”.


Na representação, Sanderson sustenta que o conteúdo apresenta afirmações categóricas sem respaldo em investigações formais conhecidas, o que, em tese, pode configurar desinformação com potencial de influenciar o eleitorado. O parlamentar também destaca o uso de tecnologias de inteligência artificial na produção do material, fator que ampliaria o alcance e a capacidade de convencimento da mensagem.


Segundo Sanderson, a divulgação ocorreu em contexto político sensível, considerando a possibilidade de disputa eleitoral envolvendo o senador e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que reforçaria a necessidade de apuração célere.


O deputado requer a instauração de procedimento investigatório, a identificação dos responsáveis pela produção e divulgação do material, bem como a adoção de medidas urgentes para eventual interrupção de sua circulação, caso sejam constatadas irregularidades.


Sanderson ressalta que a iniciativa visa preservar a integridade do processo eleitoral e garantir que o debate público ocorra com base em informações verificávei