Artigo, Carlos Alberto Di Franco, Estadão - STF – silêncio e crise de imagem

Recente pesquisa AtlasIntel sobre o STF não pode ser tratada como algo trivial. Quando 60% dos brasileiros afirmam não confiar no Supremo Tribunal Federal, não se está diante de uma oscilação de humor coletivo, mas de uma crise profunda de legitimidade institucional.


O Brasil atravessa um momento gravíssimo. O escândalo do Banco Master, protagonizado por Daniel Vorcaro, não revela apenas desvios pontuais. Expõe, de forma contundente, indícios de práticas que ultrapassam a fronteira dos deslizes éticos e avançam perigosamente para o terreno do crime.


As informações já conhecidas indicam relações impróprias entre o banqueiro e autoridades que deveriam estar comprometidas com a estrita observância da lei. Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem associados a encontros, interlocuções e proximidades incompatíveis com a exigência de imparcialidade. Não se trata apenas de má aparência institucional. Trata-se de condutas que, se confirmadas, configurariam conflitos de interesse de extrema gravidade.


Por que não informar com quem estava o celular funcional do STF no dia da prisão de Vorcaro? Por que interferir no Congresso e não prorrogar a CPMI? Corporativismo? Prevaricação? Isso, por óbvio, não contribui para a imagem da corte. O silêncio do STF não se justifica. E só agrava o quadro. Sobretudo quando os fatos se multiplicam.


O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembolsaram, nos últimos cinco anos, R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme registros em cartório obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo. O patrimônio imobiliário da família soma hoje R$ 31,5 milhões. Em 2017, quando Moraes foi indicado ao Supremo Tribunal Federal, o valor dos imóveis do casal era de R$ 8,6 milhões. 

Houve, portanto, um crescimento patrimonial superior a três vezes em menos de uma década.


Os rendimentos conhecidos do ministro não explicam, de forma imediata, essa evolução. Em 2017, antes de assumir o STF, Moraes recebia cerca de R$ 33 mil mensais. Atualmente, seu salário gira em torno de R$ 46 mil – um aumento de quase 40%. Ao longo da carreira, ocupou cargos relevantes – ministro de Estado, secretário estadual e membro do Ministério Público –, todos com remuneração próxima ao teto do funcionalismo.


Viviane Barci de Moraes, por sua vez, é sócia do escritório Barci de Moraes Advogados. Desde a nomeação do marido ao STF, houve um salto expressivo em sua atuação nos tribunais superiores: o número de processos sob sua responsabilidade passou de 27 para 152 no STF e no Superior Tribunal de Justiça.


Diante desses dados, o jornalismo cumpre sua missão essencial. A reportagem do Estadão não acusa, não julga, não sentencia. Limita-se a apresentar fatos objetivos e a levantar questionamentos de inequívoco interesse público.


O que se espera, nesses casos, é transparência. Simples, direta, inequívoca. Desde o dia 27 de março, segundo o próprio jornal, o ministro e sua esposa foram procurados para prestar esclarecimentos. Não responderam.


O silêncio, nesse contexto, não é neutro. Ele pesa. E pesa mal. Homens públicos – especialmente aqueles que ocupam o mais alto tribunal do país – devem explicações à sociedade. Não por favor, mas por dever.


Causa também grande perplexidade o episódio ocorrido em um sofisticado clube de Londres, com a presença de Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal. A convivência social, em ambiente de luxo, com personagens vinculados a investigações sensíveis fragiliza a credibilidade das instituições e levanta dúvidas legítimas sobre a independência das apurações.


O caso Banco Master não é um episódio isolado. É um teste decisivo para as instituições. A complacência diante de possíveis crimes compromete o Estado de Direito. O Brasil precisa reagir com firmeza, dentro da lei, para restaurar a confiança e reafirmar que ninguém está acima das normas que sustentam a República.


Mas há um elemento adicional que agrava, e muito, a crise institucional. Ao longo dos últimos anos, o tribunal – amparado no chamado “inquérito das fake news”, conduzido sob o comando do ministro Alexandre de Moraes – ampliou de forma preocupante o seu raio de ação. Sob a justificativa de defender a democracia, passou a ocupar espaços que, em uma ordem constitucional equilibrada, pertencem ao Legislativo e ao Executivo.


O resultado é um desequilíbrio institucional evidente. O Supremo deixou de ser apenas o guardião da Constituição para assumir, na prática, uma função de legislador universal e, em alguns momentos, de gestor da própria vida política do país. Esse movimento gera insegurança jurídica, alimenta tensões entre os poderes e, paradoxalmente, fragiliza a própria democracia que se pretende proteger.


A democracia exige equilíbrio, limites e responsabilidade. Nenhuma autoridade está acima da lei – e isso vale, de forma ainda mais rigorosa, para aqueles que têm a missão de interpretá-la.


Transparência não é concessão. É obrigação.

RS descumpre metas de alfabetização

Enquanto o RS enfrentou desafios, o Brasil superou a meta nacional, atingindo 66% de crianças alfabetizadas na idade adequada.

O Rio Grande do Sul não atingiu a meta de alfabetização infantil de 2025, registrando apenas 52% de crianças alfabetizadas na idade certa, contra os 69% esperados. Esse resultado coloca o estado entre os piores do país no Indicador Criança Alfabetizada. O RS ficou 17 pontos percentuais abaixo da meta prevista (69%), sendo um dos seis estados que não cumpriram o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

Embora represente uma melhoria frente aos 44,7% registrados no auge dos eventos climáticos em 2024, o índice ainda é inferior aos patamares de 2023.

Especialistas da UFRGS e Seduc associam o baixo desempenho às interrupções escolares causadas pelas enchentes de 2024.

O governo estadja defende-se com base na informação de que  busca a recuperação através do programa Alfabetiza Tchê, com foco em superar lacunas da pandemia e recentes desastres, visando alcançar 74% de alunos alfabetizados até o final de 2027. 


A fila negligenciada do INSS

Neste editorial da RBS, faltou apenas uma leitura política sobre o descalabro do governo do PT no caso da má gestão do INSS, que não se resume à imensidão das filas, mas também ao escândalo da roubalheira dos aposentados e pensionistas. O fato é que a dmeissão, ontem, do Waller, o breve presidente do INSS, é mais a entrega de um anel da má e corrupta gestão de Lula e do PT, tudo para salvar os dedos, as mãos e os corpos inteiros putregados do líder e da organização criminosa. Leia o editorial da RBS, de qualquer forma, porque vale a pena.

O certo é que, por incapacidade, estratégia para segurar gastos ou incompreensão dos reais motivos, o governo passou distante de cumprir o compromisso de campanha

A principal versão saída do Palácio do Planalto sobre a demissão de Gilberto Waller da presidência do INSS, nesta segunda-feira (13), indica que o governo está inquieto com o tamanho da fila de requerimentos represados de diversos tipos de benefícios. O relacionamento ruim com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, também teria pesado. Se a demora nas análises e o acúmulo de processos foi de fato o principal motivo, pode-se concluir que o Executivo federal foi até aqui negligente com um problema que há muito chamava atenção. Diante da popularidade cambaleante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a poucos meses da eleição, o governo foi forçado a tomar uma providência mais drástica.

Espera-se que a busca por celeridade não se misture à urgência eleitoral e se transforme em condescendências demasiadas 

Durante a campanha, em 2022, Lula prometeu zerar a fila do INSS. No discurso de posse, classificou como vergonhoso o número de brasileiros que aguardavam resposta sobre pedidos de aposentadoria, pensão, benefícios por incapacidade permanente ou temporária e outros auxílios previdenciários. À época, em janeiro de 2023, a tal fila escandalosa era de 1,2 milhão de pedidos. Ao longo do governo, em meio a períodos pontuais de queda, seguiu uma forte tendência de alta. Ao final do ano passado, ultrapassou 3 milhões. Chegou a 3,1 milhões em fevereiro e recuou para 2,7 milhões em março, nesta segunda-feira ontem o INSS.

O certo é que, por incapacidade, estratégia para segurar gastos ou incompreensão dos reais motivos da existência da fila, o governo passou distante de cumprir o compromisso de campanha. A conferir, agora, se a escolhida para comandar o instituto, Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do INSS, conseguirá uma redução consistente dos números. Ana Cristina era secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência. 

Waller esteve 11 meses no cargo. Assumiu logo após a Polícia Federal deflagrar a operação que apura descontos fraudulentos em aposentadorias por entidades associativas. Ainda que os desvios tenham atravessado outros governos, é mais um caso que envolve o INSS e pesa na popularidade do Executivo atual.

O fato é que ações anunciadas para diminuir a fila, como o pagamento de bônus a servidores, a contratação de mais peritos médicos e os mutirões aos finais de semana não surtiram efeito. Mas, além de medidas de curto prazo, o ideal seria compreender as razões que levam à aceleração da chegada de novos pedidos, como os de Benefício de Prestação Continuada (BPC), em um contexto de envelhecimento da população, formalização do trabalho e judicialização, enquanto o número de servidores cai. A digitalização do atendimento, tendência também nos serviços públicos e necessária para combater fraudes, não significou agilidade. É natural que o público mais idoso tenha dificuldades com a tecnologia.

Os brasileiros com direitos merecem ser atendidos no tempo regulamentar. Na virada do ano, dos cerca de 3 milhões de requerimentos à espera de análise, mais de 60% aguardavam resposta havia mais de 45 dias, além do prazo legal. Espera-se que a busca por celeridade não se misture à urgência eleitoral e se transforme em condescendências demasiadas, favorecendo quem não se enquadra nos benefícios buscados. Uma redução substancial da fila, afinal, também tem impacto fiscal considerável.






Estudantes honestos temem os detectores de IA

 Estudantes honestos temem os detectores de IA principalmente devido à falta de confiabilidade dessas ferramentas, que podem gerar falsos positivos — acusando erroneamente textos humanos originais de terem sido gerados por inteligência artificial. 

As principais razões para esse medo incluem:

Falsos Positivos e Acusações Injustas: Detectores frequentemente falham em distinguir escrita humana, especialmente quando o texto é estruturado, formal ou técnico. Isso pode levar a acusações de desonestidade acadêmica, resultando em notas baixas, reprovações ou manchas no histórico escolar do aluno.

Viés contra Não Nativos: Pesquisas indicam que detectores de IA têm vieses contra estudantes que não têm o inglês como língua nativa. Estruturas frasais mais simples ou convencionais usadas por esses alunos são frequentemente confundidas com a escrita previsível de uma IA.

Necessidade de "Provar" a Própria Escrita: O ônus da prova inverte-se, forçando o aluno honesto a demonstrar que o trabalho é de sua autoria, um processo estressante e muitas vezes difícil de validar.

Ansiedade e Mudança na Escrita: O medo de ser mal interpretado gera "ansiedade desnecessária", levando alunos a alterarem seus estilos de escrita naturais — forçando uma sintaxe menos "perfeita" — para evitar detecção.

Limitações Técnicas: Os detectores não garantem 100% de precisão e baseiam-se em probabilidades estatísticas (padrões de previsibilidade) em vez de uma compreensão real da autoria. 

Consequentemente, muitos estudantes veem essas ferramentas como um "dilema" ou uma "piada" injusta que penaliza o esforço genuíno. 

China ameaça furar o bloqueio nval americano sobre Ormuz, mas não se atreve. EUA e Irã vão retomar negociações

Apesar da ameaça de desrespeitar o bloqueio naval e aéreo imposto pelos EUA sobre o Estreito de Ormuz, o fato é que a China não fez isto até gora, 7h30min desta terça-feira. A China é o maior importador de petróleo do Irã e depende visceralmente dele para ativar sua economia. Um petroleiro chinês sancionado pelos EUA, o Rich Starry, passou pelo Estreito de Ormuz, ontem, na terça-feira e se aproximava do bloqueio realizado pelo Exército norte-americano, segundo sites de monitoramento marítimo como o LSEG, MarineTraffic e Kpler. Segundo as fontes, o navio-tanque navega sob a bandeira da China e transporta cerca de 250 mil barris de metanol

O governo da China chamou nesta terça-feira o bloqueio dos Estados Unidos a portos do Irã de "perigoso e irresponsável", além de "minar o já frágil cessar-fogo" na guerra no Oriente Médio, mas não ameaçou furá-lo.

O cessar fogo prossegue por duas semanas, apesar do fracasso da primeira rodada. Ontem, Trump disse que os iranianos querem voltar à mesa. Os impasses principais são o enriquecimento de urânio (Trump quer moratória de 20 anos para o desenvolvimento do enriquecimento de urânio e o Irã topa 5) e a questão de Ormuz.