Artigo, Elvis Amsterdã - Mário Ferreira dos Santos e o País da esperança

Elvis Amsterdã, 44 anos, doutorando da Universidade de Brasília, é autor de "Vida e Obra de Mário Ferreira dos Santos: Uma Introdução", da Editora Danúbio.

Tempos atrás o professor Olavo de Carvalho sugeriu ao presidente Itamar Franco a realização de um Congresso Internacional de Culturas Nacionais para fazer frente ao globalismo que achata e dilui as individualidades dos povos. Pretendo, tão logo me seja possível, copiar a idéia na consecução dum Congresso Internacional de Filosofias Nacionais – em que estejam presentes, no manejo de suas línguas próprias, representantes da filosofia romena, da norte americana, da espanhola, da legitimamente francesa, da italiana e, obviamente, do tronco lusitano. Nesse congresso apresentarei, sem rodeios e hipérboles, o maior dos brasileiros, o filósofo paulista semi-gaúcho Mário Ferreira dos Santos.

Nascido no Tietê-SP, ainda pequeno foi para Pelotas com a família e estudou no Ginásio Gonzaga. Seu pai, Francisco Santos – criador do Theatro Guarani e de uma empresa cinematográfica responsável pelo primeiro longa-metragem da filmografia da América Latina –, confiou aos padres a educação do filho porque, ao percebê-lo dotado de vocação filosófica, reconheceu nos jesuítas capacidade maior de a ele dar a formação devida a essa vocação. Francisco Santos, grau 33 da maçonaria, não foi compreendido pelos irmãos maçons e mostrou-se nessa atitude santamente anárquico: anarquismo que seria posteriormente assumido pelo próprio filósofo.

Com a educação devida e dotes sobrenaturais, Mário Ferreira dos Santos tornou-se num erudito capaz de traduzir do grego, do latim, do francês, do alemão: pôs no português Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, São Boaventura, Nietzsche, Porfírio, Hiérocles, Pascal, Amiel, Balzac, Walt Whitman, Duns Scott e, possivelmente, João de Santo Tomás. Sim, possivelmente João de Santo Tomás: talvez o Mário já tenha traduzido, lá pela década de 50 ou 60, o tão estudado filósofo português responsável pelos desenvolvimentos da semiótica americana pelas mãos do filósofo John Deely. Ele anunciou sua versão do Tratado dos Signos, mas essa possível tradução ficou inédita.

Mário viveu vida com recheio: escritor de muitos livros, preso durante o Governo Vargas acusado de liderar uma greve, jornalista, editor, orador responsável por três livros de Oratória e Retórica, criador da venda de livros a crédito, administrador de rede de cinemas, debatedor, best seller com 2 milhões de livros vendidos, pugilista, na ocasião em que reagiu a uma tentativa de homicídio em Porto Alegre, xingador − quando se recusou a apertar a mão de um crápula alegando que não queria se sujar de merda −, caracterólogo etc., para finalmente (como efeito tardio da erva mate) se tornar em Filósofo de Verdade e Maior dos Brasileiros. Ele tinha perfeito domínio da língua portuguesa, coisa que não acontece facilmente em brasileiros adultos, falantes de português. Não havia praticamente diferença entre sua linguagem oral e a escrita, ou melhor: falava como quem escreve, tanto assim que muitos de seus livros são transcrições de aulas e ditados quase sem correções. Num belo dia, parou no meio de uma aula e – excelente orador mudo – ficou nesse estado por um tempo, para incômodo geral. Pediu licença e disse que precisava dispensar as aulas e os alunos porque teve uma ideia: colocou no papel as 258 teses de Filosofia Concreta e depois é que acrescentou corolários e exposições intermediárias.

Nos últimos 16 anos de vida, tornou-se em sua fórmula definitiva: autor de mais de 100 livros e responsável pela Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Culturais, uma filosofia totalmente original sob bases tradicionais greco-latino-hispânicas, a que ele batizou de Filosofia Concreta e, posteriormente, de Mathesis Megiste, ou Instrução Suprema, um termo pitagórico. Não é uma filosofia eclética, como possa parecer à primeira vista, mas sim DIALÉTICA. Cria vários métodos dialéticos para estudar assuntos os mais variados: uma verdadeira academia lógica, para ganharmos musculatura para o confronto dos assuntos mais modernos.

Esse é o filósofo gaúcho, nascido em São Paulo. Sou Elvis Amsterdã, nascido no Maranhão, e continuarei a escrever sobre Mário Ferreira dos Santos enquanto Deus mo permitir, como dever do 4º Mandamento, Honrar Pai e Mãe, aqui um pai da Pátria em novo nascimento. Na Honra dos Pais, uma esperança: para que sejam longos nossos dias sobre a terra. Para que permaneça o Brasil sobre a terra... O professor Olavo promete que, no dia em que o Mário for absorvido pela cultura brasileira, haverá uma explosão de possibilidades, eu diria que é como um papagaio engolindo um tigre-de-dente-de-sabre. Sabe-se lá o que pode acontecer. Resta-nos esperar. Dessa combinação há esperança – não apenas como virtude teologal, mas sim como espera de possibilidades reais, certas virtualidades.




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