Artigo, Fernanda Barth - Foi um debate de ofensas gratuitas

Os debates da campanha para a prefeitura de Porto Alegre, neste segundo turno, tem sido pontuados mais por agressões e ataques do que por propostas claras e objetivas. O debate na Rádio Guaíba, nesta segunda de tarde, foi uma continuação do ringue que já tínhamos visto no debate da Band, na noite de sexta, entre o candidato da situação, o atual vice-prefeito Sebastião Melo e o candidato de oposição, Nelson Marchezan Junior.
O primeiro bloco começou bem, com os dois candidatos respondendo a pergunta feita pelo Sescon-RS, mas logo no segundo bloco a artilharia veio forte. Cada candidato tentando colar no outro rótulos negativos. Marchezan mostrando que Melo é o continuísmo do que temos hoje na cidade - e que portanto, podia ter feito as mudanças que propõe mas não as fez - e Melo querendo dizer que Marchezan esteve onze anos na coligação e está com dois partidos que sempre foram a base da atual administração.
Em um momento Melo acusou gratuitamente Marchezan de não gostar de pobres, de vila e nem do Lami. O comparou a Collor e disse que ele não era o novo e nem a mudança, mas um representante da velha política. Disse ainda que Marchezan era virulento, faltava com a verdade, não conhecia a cidade e era contra os partidos. Mas logo a seguir Melo atacou o PP e o PTB que até pouco tempo queria na coligação com ele. Cada frase era um ataque. No meio disto tudo, infelizmente, as propostas assumiram lugar secundário no debate.

Este segundo turno é uma comparação de personalidades, projetos  e capacidades de executá-los. Mas também é de caracteres. Grande parte do eleitorado acaba escolhendo a pessoas com quem mais simpatiza e ataques constantes não constroem uma vitória. Os ataques pessoais, bastante adjetivados, são totalmente desnecessários e doem aos ouvidos do eleitor, que já desencantado com a política se esforça para conseguir acompanhar o debate e escolher em quem votar. Ninguém se constitui tentando desconstituir o outro. Ofensas gratuitas só tiram votos de quem as profere e as pesquisas estão aí para provar

OAB defende sigilo profissional dos jornalistas

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, enviou ao editor a nota a seguir, que faz defesa forte do sigilo profissional dos jornalistas. Confira:

"É inaceitável a violação do sigilo de um jornalista com a finalidade de descobrir quais são suas fontes. Isso representa um grave ataque à liberdade de imprensa e à Constituição, que é clara ao proteger o direito do jornalista de manter sigilo a respeito de suas fontes. Não se combate o crime cometendo outro crime.

Ao proteger o sigilo da fonte, a Constituição visa a assegurar a existência de uma imprensa livre para que a sociedade seja bem informada. Ou seja: violar a proteção constitucional dada ao trabalho da imprensa significa atacar o direito que a sociedade tem de ser bem informada.

O direito constitucional do sigilo da fonte está para o jornalista, como está o sigilo da comunicação entre o advogado e seu cliente.

Infelizmente, violações a prerrogativas profissionais são frequentes em nosso país e, em última instância, prejudicam as cidadãs e os cidadãos usuários dos serviços. A advocacia, por exemplo, é vítima frequente desse tipo de ilegalidade. O sigilo das comunicações entre advogados e clientes tem como objetivo assegurar aos cidadãos a ampla defesa e um julgamento justo. Não pode haver grampo nessas comunicações.

Vou repetir à exaustão: não se combate o crime cometendo outro crime. Isso só resulta em prejuízos para o país.

É preciso dar efetividade aos princípios constitucionais para a democracia avançar no Brasil.

A OAB coloca-se contra todos os retrocessos e afrontas ao Estado Democrático de Direito perpetradas por agentes púbicos que deveriam respeitar a lei, não infringi-la."


Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB

Artigo, Marcelo Aiquel - Por que Lula ainda não foi preso ?

       Deixando de lado esta falácia ridícula (uma redundância óbvia, pois não há falácia sem uma boa dose de ridículo) de “gopi” e “perseguição orquestrada pelas elites”, discursos clichês de quem não encontra argumentos – no mínimo plausíveis – para combater a verdade e os fatos, ronda uma dúvida na cabeça das pessoas: POR QUE LULA, O FANFARRÃO EMBUSTEIRO, AINDA NÃO FOI PRESO?
         Na minha modesta avaliação, a resposta é mais do que evidente: o único motivo ainda reside na confecção da armadilha perfeita (uma bem feita teia de aranha) para pegar o vagabundo. Ou seja, ainda faltam alguns detalhes para que, depois de pego, a defesa do ser vivo mais honesto da nação não encontre uma brecha sequer para tentar livrá-lo de morar em Curitiba, como hóspede especialíssimo da PF e da Justiça Federal.
         O combativo Juiz Sérgio Moro tem procurado montar um cabedal de provas inquestionáveis e inatacáveis contra o iletrado bufão. E este trabalho tem sido tão cuidadosamente elaborado que o tempo passou a ser um aliado importante, devido aos depoimentos incriminatórios que surgem com a mesma rapidez com que o desespero tem minado a confiança dos antigos cúmplices do meliante, agora ávidos do benefício legal da delação.
         O nobre representante do judiciário federal sabe que só dispõe de uma única bala de prata, o raro artefato que – segundo reza a lenda – derrota os quase invencíveis vampiros. E não pode errar o alvo, pois criaria um levante dos adoradores e dependentes do vampiro contra si.
         Muito perspicaz, estudioso, inteligente e competente, o ilustre magistrado curitibano está montando um cerco inexpugnável para comprometer definitivamente a figura pública do dissimulado líder popular. E, ao jogar a rede n’água vai capturar um sujeito já divorciado das mentiras que o sustentaram, juntamente com outros caraminguás que sempre estão se alimentando em torno do chefe. Pequenos e insignificantes personagens totalmente incapazes de mover-se sem o cajado do seu pastor.
         Será a jogada de mestre; o “cheque mate” do campeão sobre um pseudo enxadrista, que apesar de não dominar as pedras do tabuleiro, posa com a arrogância de um exímio conhecedor das táticas vencedoras. Noções que aprendeu com os pífios professores bolivarianos.
          As jogadas que ensaiou durante a vida toda somente iludiram aos pobres militantes fanáticos, pois todos aqueles que detêm um nível razoável de inteligência jamais se deixariam enganar com as mentiras e atitudes populistas que o canalha nos brindou ao exagero, sem qualquer vergonha ou pudor.
         É claro que houve vários “intelectuais” que idolatraram o ignorante. Porém, sem qualquer interesse pessoal, duvido que um só o aplauda com sinceridade. E, se eventualmente o fizer, ouso dizer que é tão canalha quanto seu ídolo de barro.
         E agora que a ratoeira (ou seria uma “cachaceira”?) está quase terminada, falta somente um punhado de queijo (ou uma dose de cachaça) para o bote definitivo, rumo ao gran finale.
         Que, podem acreditar, será festejado com a mesma alegria com que os eleitores declararam aprovação ao tal de “GOPI” que levou o Temer à Presidência. Apesar de algumas escaramuças organizadas por movimentos de esquerda (os eternos anarquistas e baderneiros), cada vez mais escassos em razão da falta de “incentivo oficial” (= R$ de propinas).

         Para aqueles que estão ansiosos, só um conselho: tenham paciência, pois não se erradica nenhuma praga com apenas uma dose de veneno. 

Carlos Brickmann - África para os brasileiros

Por longos e tristes anos, empresários brasileiros mantiveram lucrativos negócios na África, que só cessaram com o fim da escravidão. Passam-se os tempos e os bons negócios voltam - para alguns brasileiros, para alguns africanos. Até um bom dinheirinho na conta de Eduardo Cunha, lembra-se? foi atribuído à venda de carne moída brasileira, enlatada, para a África.

O Quadrilhão, por enquanto o principal processo da Lava Jato, que envolve Lula, o sobrinho de sua primeira esposa, e a Odebrecht, tem tudo a ver com a África - exceto o dinheiro, que passa por lá e volta para os bolsos já preparados para recebê-lo (e distribuí-lo). A Exergia, empresa energética do sobrinho, foi criada, segundo a Polícia Federal, apenas para receber e destinar corretamente os pixulecos da Odebrecht. O sobrinho tinha metade de uma empresa de fechamento de varandas. Criou a Exergia, que firmou 16 contratos com a Odebrecht, financiados pelo BNDES. E sua vida mudou: viagens, jatinhos, gastos exuberantes, contatos com estadistas.

Um desses estadistas é o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Seu país é rico, tem petróleo e diamantes; seu povo é pobre, vivendo com cerca de R$ 7 por dia; sua filha é a mulher mais rica da África. E deste relacionamento, diz a investigação, R$ 31 milhões sobram para o sobrinho do homem. Acompanhe o julgamento do Quadrilhão, que pode levar à prisão um ex-presidente e líder popular. Mas tem muito mais.


O caminho das pedras


Os diamantes, pedras pequenas e valiosas, fáceis de esconder, sempre foram as favoritas de quem quer contrabandear dinheiro. E consta que Angola, ainda bem relacionada com Portugal, seu ex-colonizador, e com países como Cuba, faz parte do ciclo de movimentação de valores. Se depósitos bancários são monitorados e arrestados, dinheiro embutido em financiamentos internacionais circula com muito mais segurança e garantia.

O Banco Espírito Santo baseou suas operações no triângulo África, Brasil, Espanha; mas cometeu uma série de irregularidades graves. Na mesma época, uma senhora que costumava viajar no avião presidencial brasileiro sem constar na lista de passageiros foi várias vezes à África, e daí a Portugal. Rumores, até hoje não comprovados, citavam a entrega de pacotes e caixotes, talvez lembranças, a funcionários do banco.

E dizia-se que qualquer problema no Espírito Santo se refletiria no pai e no filho.


Registrado



Todas as histórias estão narradas no relatório da CPI do BNDES. Veja tudinho em "Como Lula operou na África", de Cláudio Júlio Tognolli, http://tognolli.tumblr.com/ É grande, mas fascinante. Compensa ler.

Mary Zaidan - A arte de enganar os pobres

Sem ter conseguido seduzir com o discurso do “golpe”, o PT – maior derrotado nas urnas municipais -- tateia em busca de motes para reaglutinar a sua turma. Atira para todos os cantos e, com insistência e determinação, atinge o próprio pé, gangrenando o pouco que restava da biografia do partido e de seus líderes.

Pisam e repisam na tese delirante de conluio entre a elite e a mídia monopolizada. Uma conspiração fantástica capaz de unir na mesma seara a Lava-Jato e os endinheirados que agonizam atrás das grades para manter o poder perpétuo do PT e dos seus. Agora, se fixam na demonização da emenda constitucional que limita gastos públicos, aprovada na comissão especial por ampla maioria – 23 x 7 –, com chances de ser decidida nesta semana pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Apelidada pelo PT e o “campo de esquerda” como PEC da Morte, a emenda ganhou versões tão fantasiosas na boca dessa trupe que chegam a ser perigosas. Nas redes sociais, entre críticas engraçadas e mentiras deslavadas, dizem até que o governo Michel Temer acabou com o 13º salário e que na reforma previdenciária os “velhinhos” com menos de 70 anos terão seus benefícios suspensos.

A má-fé oficial não é menor do que a irresponsabilidade anônima ou de perfis falsos e contratados para as redes sociais. Sobre a PEC do Teto, por exemplo, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que ela vai aumentar o desemprego e a desigualdade social. “Vai piorar a saúde, a educação, a assistência social e a segurança pública”. Patrus Ananias (PT-MG) foi ainda mais enfático: “Os ricos ficarão mais ricos e os pobres mais pobres”.

Além de brigar com a lógica de que não se pode gastar mais do que se arrecada, a direção do PT, suas lideranças e admiradores fazem chacota dos pobres que dizem defender. Empenham-se em raciocínios mirabolantes, falseiam números, mentem.

Dados divulgados na quinta-feira informam que, ao contrário do que propala Ananias, os pobres já estão cada vez mais pobres e os ricos mais ricos.

Análises do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), feitas a partir das declarações de IR de 2014, apontam que a renda do topo da pirâmide cresceu 9% contra 2% dos que recebem até 5 salários mínimos. Pior: ainda no primeiro mandato da presidente deposta Dilma Rousseff, os que receberam até meio salário mínimo comprometeram 1,17% de seus ganhos quase inexistentes com impostos, número escandalosamente maior do que o dos que têm renda superior a 120 salários, que só pingaram 0,03% na boca do Leão.

Os pobres, que na festa do consumo patrocinada pelo ex Lula e por sua pupila parcelaram suas vidas em até 60 prestações, foram os que mais sentiram na pele o tamanho do engodo. Batizados de nova classe média, muitos deles estão sem emprego, na penúria. Respondem por inadimplência crescente, hoje superior a 52%.

Na saúde, setor que segundo o deputado Fontana será arrasado com o equilíbrio das contas, o país amarga crise sem precedentes. De 2010 a 2015, a oferta de leitos no SUS caiu 7,5%, de 50,1 mil para 48,4 mil – 1,6 mil leitos a menos, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.

Sem emprego, salário e dinheiro no bolso, o brasileiro superlotou o sistema público de saúde. O SUS, que já não conseguia dar conta da demanda, herdou 1,6 milhão de pacientes que abandonaram os planos de saúde complementar.

Cenário catastrófico se verificou também na educação. Com o acirramento da crise econômica que a presidente deposta fermentou, ela mesma se viu forçada a cortar R$ 10,5 bilhões – 10% da verba do MEC -, enterrando o lema marqueteiro “Pátria educadora”.  Na segurança pública, a redução de investimentos foi constante, totalizando mais de R$ 20 bilhões em 13 anos.

Um legado diabólico, dificílimo de ser exorcizado.


Despidos moral e politicamente, flagrados com a mão na botija e enricados com o dinheiro dos pobres que diziam defender, líderes da sigla tentam, com palavrório, driblar a história. Mas quanto mais se mexem mais se enterram. Os resultados do primeiro turno das eleições municipais não deixam dúvidas.

Artigo, José Roberto de Toledo, Estadão - Caçando o voto inútil

Artigo, José Roberto de Toledo, Estadão - Caçando o voto inútil

Para 16 milhões de brasileiros, o voto se tornou inútil. Domingo passado, eles votaram em branco ou anularam, propositalmente ou não. É a maior ocorrência de votos inválidos em ao menos 20 anos: 13,7%. Mas, para ser compreendido, o fenômeno precisa ser escrutinado, sopesado, dividido. O diabo eleitoral é detalhista, nada tem de genérico. Não adianta procurar, o eleitor médio não existe. Se existisse, teria um seio e um testículo.
Antes de mais nada é preciso separar abstenção de brancos e nulos. Abstenção é um problema eminentemente cadastral. A Justiça eleitoral não atualiza a listagem de eleitores como deveria. Ela está repleta de fantasmas e dados desatualizados sobre quem deveria votar – do endereço dos pais à escolaridade que o eleitor tinha aos 16 anos quando tirou seu título.
Tanto é assim que nos municípios onde houve recadastramento recente, como em Manaus, a abstenção foi menos da metade da média brasileira e quase um terço da verificada em cidades onde os cadastros não são atualizados há 30 anos, como São Paulo.
Só 8% dos eleitores manauaras não deram as caras, contra 22% dos paulistanos. É porque o cadastro eleitoral não tira a urna funerária da urna eletrônica em São Paulo. Mais idosos têm a zona eleitoral, como as do centro, mais abstenção. Quando os mortos se abstêm não há problema. Problema é quando eles votam.
À medida que mais localidades implantarem o sistema biométrico, mais viva e atualizada ficará a listagem de eleitores, porque o recadastramento é obrigatório. O problema é a falta de manutenção, porém. Cidades que recadastraram eleitores há mais tempo registraram taxas crescentes de abstenção no domingo.
Incompetência burocrática à parte, o problema para a democracia são os votos brancos e nulos. Porque eles indicam indiferença, revelam que para milhões e milhões tanto faz quem for eleito – porque, pensam eles, vai continuar tudo na mesma, sem solução.
Mas mesmo entre os votos nulos há que se separar os de protesto daqueles provocados pela Justiça eleitoral ao anular a votação de candidatos cujos nomes estavam na urna eletrônica. Os nulos por impugnação somam 3,3 milhões de votos. Ocorreram em cidades como Matão (SP), onde por causa do indeferimento da candidatura de Cidinho PT, seus 4.720 votos foram anulados, e o vencedor, Edinardo Esquetine (PSB), ficou com 100% dos votos válidos.
O voto para prefeito desses 3,3 milhões acabou sendo inútil, mas não por vontade deles. Foi obra da Justiça eleitoral.
Brancos e nulos de protesto (fazendo de conta que ninguém digitou número errado) somaram quase 13 milhões, ou 11% dos 119 milhões de eleitores que compareceram à sua seção de votação. É indiferença à beça, mais do que a população de Portugal, da Grécia ou da Bolívia. Mas os indiferentes não estão distribuídos uniformemente – nem pelo país, nem dentro das cidades.
Já descontados os anulados pela Justiça, os brancos e nulos foram muito mais importantes em Belo Horizonte (21,5%) do que em Rio Branco (6,3%), gritaram mais alto no Rio de Janeiro (18,3%) do que em São Luís (7,4%), foram mais decisivos em São Paulo (16,6%) do que em Belém (8%). Decisivos? Voto nulo decisivo?
Decisivo, sim. Quem anula ou vota em branco pode achar que está apenas protestando, mas, sem saber, pode ajudar o mais votado. Aconteceu em São Paulo.

Os votos nulos e brancos apareceram proporcionalmente três vezes mais na periferia pobre do que no centro rico paulistano. Se dependesse das áreas pobres, a eleição teria dois turnos. Mas como até 20% de seus eleitores invalidaram seus votos, o peso da periferia diminuiu no total da cidade. E a vontade esmagadora do centro decidiu a eleição no primeiro turno. O voto inútil para uns foi útil para outros. Sorte de João Doria (PSDB).

Próxima safra nacional de grãos deve chegar a nível recorde, favorecendo a queda dos preços dos produtos agrícolas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem a primeira estimativa de plantio da safra 2016/17 de grãos, que está sendo plantada no País. Considerando a média entre o limite inferior e superior, a área plantada está estimada em 59,1 milhões de hectares, o que representa uma ampliação de 1,3% ante a safra anterior. As principais culturas com expansão prevista de área são o feijão (3,8%), o arroz (2,0%), a soja (1,6%) e o milho (0,5%), incentivados pela boa rentabilidade. Com a expectativa de clima mais regular durante o desenvolvimento da safra, é esperado o retorno aos bons níveis de produtividade alcançada antes da quebra de 2016. Assim, a produção esperada deve alcançar 212,5 milhões de toneladas, crescendo 14,1% em relação à safra passada, considerando o intervalo entre os limites inferior e superior. As estimativas são de expressiva ampliação de produção para todos os grãos. Para a soja é esperada produção recorde, devendo alcançar 102,9 milhões de toneladas, com alta de 7,9%. A produção de milho deverá somar 83,1 milhões de toneladas, subindo 24,6% ante a safra passada. A produção de feijão e de arroz deverá crescer 19,9% e 11,3% nessa ordem. O bom desempenho no campo também será disseminado entre todas as regiões do País, com maior destaque para o Nordeste (+59,4%) e para o Centro-Oeste (+20,9%), regiões que sofreram quebra acentuada de produtividade como resultado da seca deste ano, mas devem voltar ao nível normal de produtividade. Já o Sudeste e o Sul devem registrar elevações mais modestas, embora também relevantes, pois a queda da produção foi menor, comparativamente às demais regiões. Esse aumento de produção, por sua vez, deverá levar à acomodação dos preços domésticos do arroz e feijão na entrada das safras. Além disso, concretizado esse cenário positivo de produção, podemos esperar alívio para os custos nos segmentos de carnes e de leites e derivados, com potencial recuo dos preços desses itens.