segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Artigo, Fernanda Barth - Foi um debate de ofensas gratuitas

Os debates da campanha para a prefeitura de Porto Alegre, neste segundo turno, tem sido pontuados mais por agressões e ataques do que por propostas claras e objetivas. O debate na Rádio Guaíba, nesta segunda de tarde, foi uma continuação do ringue que já tínhamos visto no debate da Band, na noite de sexta, entre o candidato da situação, o atual vice-prefeito Sebastião Melo e o candidato de oposição, Nelson Marchezan Junior.
O primeiro bloco começou bem, com os dois candidatos respondendo a pergunta feita pelo Sescon-RS, mas logo no segundo bloco a artilharia veio forte. Cada candidato tentando colar no outro rótulos negativos. Marchezan mostrando que Melo é o continuísmo do que temos hoje na cidade - e que portanto, podia ter feito as mudanças que propõe mas não as fez - e Melo querendo dizer que Marchezan esteve onze anos na coligação e está com dois partidos que sempre foram a base da atual administração.
Em um momento Melo acusou gratuitamente Marchezan de não gostar de pobres, de vila e nem do Lami. O comparou a Collor e disse que ele não era o novo e nem a mudança, mas um representante da velha política. Disse ainda que Marchezan era virulento, faltava com a verdade, não conhecia a cidade e era contra os partidos. Mas logo a seguir Melo atacou o PP e o PTB que até pouco tempo queria na coligação com ele. Cada frase era um ataque. No meio disto tudo, infelizmente, as propostas assumiram lugar secundário no debate.

Este segundo turno é uma comparação de personalidades, projetos  e capacidades de executá-los. Mas também é de caracteres. Grande parte do eleitorado acaba escolhendo a pessoas com quem mais simpatiza e ataques constantes não constroem uma vitória. Os ataques pessoais, bastante adjetivados, são totalmente desnecessários e doem aos ouvidos do eleitor, que já desencantado com a política se esforça para conseguir acompanhar o debate e escolher em quem votar. Ninguém se constitui tentando desconstituir o outro. Ofensas gratuitas só tiram votos de quem as profere e as pesquisas estão aí para provar

2 comentários:

  1. Muito bom, Fernanda. A impressão que se tem é que bateu o desespero no Melo e que ele tenta de todas as maneiras fazer com que o Marchezan perca a compustura, porém, quem está perdendo é ele. Perdendo eleitores e a linha. Lamentável, esperava mais deste cidadão.

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  2. Muito bom, Fernanda. A impressão que se tem é que bateu o desespero no Melo e que ele tenta de todas as maneiras fazer com que o Marchezan perca a compustura, porém, quem está perdendo é ele. Perdendo eleitores e a linha. Lamentável, esperava mais deste cidadão.

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