Colesterol alto: quando ele se torna perigoso e o que fazer para reduzir

Doenças cardiovasculares associadas a níveis elevados de colesterol estão entre principais causas de morte no mundo


O colesterol costuma aparecer nas conversas sobre saúde quase sempre como um vilão, mas a história não é tão simples assim. Essa substância gordurosa é essencial para o funcionamento do organismo, pois participa da formação das células, da produção de hormônios e vitaminas e também da digestão dos alimentos1,2.

 

O problema começa quando há excesso de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, que pode se acumular nas artérias e aumentar o risco de doenças cardiovasculares2. As doenças cardiovasculares associadas a níveis elevados de colesterol estão entre as principais causas de morte no mundo e provocam cerca de 100 mil óbitos por ano no Brasil2,3.

 

Além disso, aproximadamente 4 em cada 10 adultos apresentam níveis alterados de colesterol, o que reforça a importância de entender os sinais do colesterol alto e o que fazer para reduzi-lo2,3.

 

Como o colesterol não se dissolve no sangue, ele precisa ser transportado por partículas chamadas lipoproteínas. Essas partículas podem ser classificadas conforme sua densidade, o que determina seus efeitos na saúde1,2. Além do LDL, também há o HDL, conhecido como bom colesterol2.

 

O LDL é considerado perigoso porque, quando está em excesso, leva ao acúmulo de colesterol na parede das artérias, podendo formar placas de gordura que dificultam a circulação sanguínea. Esse processo aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), ainda mais se associado a fatores como diabetes, hipertensão, tabagismo e obesidade1-3. Por outro lado, o HDL atua como uma espécie de fator de “limpeza” das artérias, ajudando a remover o excesso de colesterol da circulação3.

 

Segundo o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs, o colesterol alto é considerado um perigo silencioso porque não costuma causar sintomas até que a doença cardiovascular esteja instalada. “Por isso, o acompanhamento médico e os exames periódicos são a principal forma de prevenção.”

 

As diretrizes de 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estabeleceram metas mais rigorosas para os níveis de colesterol, de acordo com o risco de cada pessoa4. Com a nova diretriz, o nível do colesterol LDL deve ficar abaixo de 115 mg/dL para pessoas com baixo risco cardiovascular. Anteriormente, o valor era abaixo de 130 mg/dL. 

 

Em níveis superiores a 130 mg/dL, pode ser necessário iniciar tratamento medicamentoso, sempre com orientação médica4. Em pacientes com risco muito elevado, como aqueles que já tiveram infarto ou derrame, a meta pode ser ainda mais baixa, chegando a menos de 50 mg/dL ou até 40 mg/dL em situações extremas4.

 

O que aumenta o colesterol ruim (LDL)?

 

Diversos fatores podem contribuir para o aumento do colesterol considerado ruim. Entre eles estão hábitos de vida, características genéticas e doenças associadas1. Os principais fatores relacionados ao colesterol elevado incluem alimentação rica em gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, sedentarismo, histórico familiar de colesterol alto, tabagismo, obesidade, diabetes e hipertensão1.

 

Apesar da obesidade ser um dos fatores de risco, indivíduos com peso adequado também podem apresentar níveis elevados, principalmente na presença de predisposição genética ou hábitos pouco saudáveis1. Outro ponto relevante é que apenas cerca de 15% do colesterol presente no sangue vem da alimentação. A maior parte é produzida pelo próprio fígado2.

 

O cardiologista Jairo Lins Borges explica que isso demonstra como mudanças na dieta podem ser combinadas ao uso de medicamentos: “Por isso que, apesar de mudanças de hábitos de vida sempre ser uma recomendação para uma vida mais saudável, a abordagem mais indicada para o controle do colesterol varia de caso a caso e apenas a avaliação médica poderá determinar o melhor caminho.”

 

Como baixar o colesterol e reduzir o risco cardiovascular

 

O tratamento do colesterol alto envolve principalmente a adoção de hábitos saudáveis e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos por profissionais de saúde1,2. Entre as medidas recomendadas, estão manter uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, acompanhamento médico periódico, parar de fumar e manter o peso adequado.

 

Além disso, a prática de exercícios físicos ajuda a reduzir o LDL e aumentar o HDL, contribuindo para a proteção cardiovascular. Recomenda-se pelo menos 150 minutos de atividade física por semana para melhorar os níveis de colesterol bom.  


 


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