Artigo, especial - A etiqueta que mudou o risco

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

Durante anos, a Faria Lima nos explicou que o maior risco do Brasil era fiscal. Déficit, dívida, arcabouço, meta de inflação e juros dominaram o debate eco nômico. Quem acompanhasse rela tórios, entrevistas e análises de mercado poderia concluir que os principais problemas do país estavam todos dentro de uma planilha. Então Washington classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Bastou isso para surgirem alertas sobre sistema financeiro, fintechs, meios de pagamento, ambiente de negócios e exposição de empresas brasileiras a even tuais sanções e restrições internacionais. Curioso. O crime organizado movimenta bilhões há décadas. Controla territórios, influen cia cadeias logísticas, atua no tráfico, no contrabando, no roubo de cargas e em mercados ilegais que vão de combustíveis e cigarros a ouro e apostas. Nada disso começou agora. Também não é novidade que recursos ilícitos procuram caminhos para circular na economia formal. O Brasil convive há anos com investigações, operações po liciais e denúncias envolvendo lavagem de dinheiro, empresas de fachada, ope radores financeiros e estruturas cada vez mais sofisticadas para ocultar patrimô nio e movimentar recursos. Ainda assim, o tema raramente ocupou espaço central nas discussões econômi cas. A atenção permanecia concentrada nos indicadores tradicionais, enquanto a expansão do crime organizado sobre setores inteiros da economia seguia tra tada como um assunto paralelo. A decisão americana não criou o problema. O PCC já existia antes da classificação. O Comando Vermelho também. As redes de lavagem de dinheiro não surgiram na semana passada. A infiltração de re cursos ilícitos na economia formal tampouco nasceu com um ato assinado em Washington. O que mudou foi a forma como parte do mercado passou a olhar para a questão. De repente, um tema que costumava ficar restrito às páginas policiais passou a aparecer em relatórios econômicos. Um problema tratado durante anos como assunto de segurança pública começou a ser discutido sob a ótica de risco finan ceiro, reputacional e comercial. Isso diz menos sobre a decisão dos Estados Unidos e mais sobre a maneira como escolhemos enxergar determinados riscos. Afinal, o impacto econômico do crime organizado não depende de uma classi ficação estrangeira para existir. Empresas fecham as portas por causa dele. Ca deias produtivas são afetadas por ele. Investimentos deixam de acontecer por causa dele. Regiões inteiras convivem com custos invisíveis que raramente apa recem nos modelos econômicos mais sofisticados. Talvez a questão mais interessante não seja entender por que Washington to mou essa decisão. Talvez a pergunta correta seja outra: por que tanta gente só passou a tratar o pro blema como um risco econômico depois que os Estados Unidos colocaram uma etiqueta nova em algo que já estava diante de todos há muito tempo

Flávio Bolsonro avisa que depois de eleito resolverá o nó comercial com os EUA

 O senador Flávio Bolsonaro culpou o governo brasileiro de Lula da Silva, PT, por não ter conseguido evitar a imposição de novas sobre tarifas sobre as exportações brasileiras para os EUA. "O Lula pediu prazo para negociações, o prazo terminou dia 31 e eles foram incompetentes nas discussões", disse o senador. Ele disse que também pediu a Trump a mesma coisa.

Flávio Bolsonaro avisou que depois de eleito terá mais competência do que o governo Lula e retbelecerá relações comerciais saudáveis com os EUA.

A solicitação de Flávio também foi feita ao vice-presidente dos EUA, JD Vance, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com quem também se reuniu ao visitar a Casa Branca na semana passada:

- Eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz expresso a eles, porque, eu digo o seguinte, a partir de 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo. Não é justo taxar as nossas empresas. A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, a gente tem que valorizar o nosso Pix, a gente tem que valorizar o nosso etanol, que é uma energia limpa e que já tá sendo usada aqui pro nosso lago para substituir o diesel, por exemplo, a gente tem que incentivar esse nosso capital que é a tecnologia de etanol, seja da cana, seja do milho. Então a gente tem tudo para sentar de igual para igual. Por favor, não taxe as empresas brasileiras

Paraguai

  Manifestantes derrubaram e depredaram painéis de LED em Ciudad del Este, Paraguai, em 29 de maio de 2026, após a exibição de uma montagem que mostrava o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro agredindo o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, do Palmeiras. As imagens circularam por cerca de uma hora na Ruta PY02, a poucos metros da Ponte da Amizade. Elas traziam provocações políticas e futebolísticas ao Paraguai, incluindo frases como “Brasil mandou e desmandou no campo e na política” e “o hexa é nosso”

A exibição provocou revolta imediata. Populares se reuniram ao redor de uma das estruturas, balançaram o painel até derrubá-lo e continuaram a pisoteá-lo. Houve tumulto e registro de discussões na região de fronteira.Ataque Hacker: 

As empresas responsáveis pelos espaços publicitários, Fast Print e Publimix, negaram participação na veiculação do material. Em comunicado, as companhias declararam que seus sistemas foram alvos de invasão hacker e formalizaram denúncia à Promotoria de Crimes Cibernéticos.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, usou suas redes sociais para repudiar os cartazes, os quais classificou como ofensivos, e ordenou ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações a retirada imediata de todas as estruturas do tipo na cidade.

EUA decidem aplicar sobretaxa de 25% sobre exportações do Brasil

Nesta madrugada, o governo dos Estados Unidos avisou que aplicará uma sobretaxa tarifária de 25% sobre os produtos brasileiros, com exceções. A investigação foi respaldada pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974

O editor adiantou, ontem, que aconteceria a qualquer momento a decisão do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) considerando "determinados atos, políticas e práticas" do Brasil como "irracionais" e que "sobrecarregam e restringem" o comércio americano, tudo como resultado da investigação aberta em julho de 2025 contra o País.

Uma audiência será realizada pelo USTR no dia 6, e uma decisão final será tomada pelo governo americano no dia 15. 

A lista de produtos livres da taxação adicional tem 73 páginas e traz itens que já foram isentados do tarifaço americano no ano passado, como aviões, suco de laranja e café.

Censura sobre redes sociais

Em relação ao universo digital, "tribunais brasileiros emitiram ordens secretas" para que plataformas americanas de mídia social removessem "certos conteúdos políticos" e suspendessem "perfis de residentes nos Estados Unidos", sob pena de multa. O documento cita ainda o "fechamento por completo" de um site.

Pix
"O Brasil também tem prejudicado injustamente empresas dos EUA envolvidas em serviços de pagamento eletrônico concorrentes, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional", diz o USTR, em referência à concorrência que o Pix oferece às empresas americanas do setor.

Corrupção
Em relação ao combate à corrupção, o USTR afirma que o País "não toma medidas suficientes".O USTR também considera que o Brasil "não aplica suficientemente suas leis criminais e regulamentos aduaneiros para combater produtos falsificados; não aborda o tempo excessivo que suas autoridades levam para examinar pedidos de patentes, particularmente patentes biofarmacêuticas; e não realiza medidas antipirataria consistentes e contínuas".

Etanol
Sobre o acesso ao mercado de etanol, a decisão diz que o País "interrompeu abruptamente" em 2017 o "tratamento equilibrado" para as exportações americanas do produto.

Desmatamento
O documento também afirma que o "desmatamento ilegal persiste" e que o Brasil não conseguiu "aplicar efetivamente" o marco legal de proteção ao meio ambiente.