O Banrisul está prorrogando e repactuando contratos do agro

Somando-se a inúmeras iniciativas de apoio aos produtores rurais, com objetivo de manter a sua atividade produtiva e habilitado ao próximo Plano Safra, o Banrisul passou a oferecer a prorrogação e repactuação de contratos de crédito rural elegíveis em até 4 anos, com possibilidade de manutenção de juros. A ação busca evitar que clientes fiquem de fora das regras em discussão previstas no Projeto de Lei 5.122/2023, aprovado pelo Senado Federal, e ainda sujeito a nova análise da Câmara dos Deputados.

A orientação do banco é evitar que as operações permaneçam inadimplentes durante a tramitação do projeto, já que isso pode dificultar o acesso às condições futuras. Pelas regras atuais, parte das dívidas deverá atender a critérios específicos, inclusive de regularidade nos pagamentos. Também pesa o fato de a safra 2025/2026 não estar contemplada no escopo do projeto que está em análise no Congresso.

 Segundo o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, quem adia a regularização corre o risco de enfrentar mais dificuldade justamente quando buscar uma solução para reorganizar suas dívidas. “Há operações que podem ficar fora das regras futuras se o cliente não procurar o banco agora. Nossa orientação é resolver o que for necessário, para evitar que a demora crie um problema a mais quando o produtor precisar de crédito. Caso aprovado o Projeto de Lei, as repactuações atuais poderão ser adequadas para melhores condições”, aponta.

 A mobilização envolve gerentes Agro e equipes técnicas das agências, que analisam cada caso com base no histórico do cliente, no perfil da operação e na capacidade produtiva de cada propriedade. O objetivo é oferecer ao produtor uma saída viável para atravessar os próximos meses sem comprometer o acesso ao crédito do ciclo seguinte, sobretudo diante da proximidade do ano safra 2026/2027 e da necessidade de capital para custeio, manutenção da atividade e recomposição de caixa.

 O superintendente de Agronegócios do Banrisul, Robson Oliveira Santos, afirma que o cenário exige atenção imediata e ação rápida. “Muitos produtores estão aguardando o texto final do projeto, mas há casos em que isso pode prejudicá-los mais adiante. Quem organiza sua situação agora chega em condição melhor para o desfecho da tramitação”, adverte o executivo. O alerta vem no momento em que o PL 5.122/2023 voltou à Câmara após alterações no Senado, mas ainda depende de um longo caminho até a sanção presidencial, além de seguir cercado por discussões sobre alcance, fonte de recursos e impacto fiscal.

 Com a renegociação ainda dependendo das próximas etapas legislativas, o Banrisul orienta que o produtor concentre a sua atenção no que já pode ser encaminhado. Procurar a agência, revisar os contratos e formalizar a repactuação dentro do prazo pode ser decisivo para preservar as chances de enquadramento nas condições previstas no projeto. O movimento feito agora pode ajudar o produtor a atravessar os próximos meses com mais segurança, mantendo a sua atividade e garantindo acesso a recursos.


Asma infantil: como reconhecer os sinais de uma crise e quando procurar atendimento médico

Com a chegada da estação mais fria do ano, pneumologista explica sintomas, fatores de risco e orientaquando buscar um pronto-socorro pediátrico

 Com a chegada do inverno, sintomas respiratórios tendem a se intensificar, principalmente entre crianças com histórico de alergias ou doenças respiratórias. Tosse persistente, chiado no peito e falta de ar podem ser sinais de uma crise de asma, uma das doenças crônicas mais comuns da infância.

Para reforçar a conscientização sobre a condição, o Ministério da Saúde instituiu o Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho, data que marca o encerramento do outono e a chegada da estação mais fria do ano.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 23% da população brasileira convive com a doença, com prevalência variando entre 19,8% e 24,9% nas diferentes regiões do país. Dados do Registro Brasileiro de Asma Grave (Rebrag), divulgados em 2021, apontaram que aproximadamente 60% dos pacientes com formas graves da doença estavam com a condição fora de controle. Na época, a asma era responsável por cerca de sete mortes diárias no Brasil.

Embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, a asma frequentemente se inicia na infância. De acordo com a Dra. Talia Andrea Soria Muñoz, pneumologista pediátrica do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, a asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que pode se manifestar desde os primeiros anos de vida.

“Na asma, as vias aéreas ficam inflamadas e mais sensíveis, fazendo com que possam se estreitar diante de diferentes estímulos, como infecções virais, alérgenos, exercício físico, mudanças climáticas ou exposição à fumaça”, explica a especialista.

Quais são os principais tipos de asma?

Embora seja conhecida popularmente apenas como asma, a doença pode apresentar diferentes formas, dependendo dos fatores que desencadeiam os sintomas.

O mais comum na infância é a asma alérgica¸ e ocorre após a exposição a substâncias como ácaros, poeira, mofo, pólen e pelos de animais por exemplo.

Também existem formas não alérgicas e situações em que os sintomas podem ser desencadeados por exercício físico, infecções virais ou exposição a irritantes ambientais.

Mudanças de temperatura, exposição a substâncias irritantes e alguns medicamentos, como aspirina e determinados anti-inflamatórios, podem servir de gatilhos ou agravar os sintomas da crise.

“Nas crianças, a asma costuma estar associada a alergias, mas também pode ser desencadeada por infecções virais. A gravidade varia de acordo com a causa e o perfil de cada paciente”, destaca a médica da Pediatria Star.

Como identificar uma primeira crise de asma?

Uma das principais dúvidas dos pais é saber diferenciar uma crise de asma de outros quadros respiratórios comuns da infância. Os principais sinais de alerta incluem:

• Tosse recorrente, principalmente durante a noite ou ao acordar;

• Chiado no peito;

• Falta de ar;

• Sensação de aperto no peito;

• Cansaço excessivo ou dificuldade para acompanhar atividades físicas.

Segundo a pneumologista, o diagnóstico é baseado na avaliação clínica, no histórico do paciente e na recorrência dos sintomas.

“Em crianças acima de cinco anos, exames como a espirometria podem auxiliar na confirmação do diagnóstico. Já nos menores, a avaliação da frequência dos episódios, dos fatores de risco e da resposta ao tratamento ajuda a diferenciar a asma de outros quadros respiratórios comuns da infância”, afirma.

Quando levar uma criança com crise de asma ao pronto-socorro?

Alguns sintomas indicam que a crise de asma pode estar em um estágio mais grave e exigem avaliação médica imediata. Os principais sinais de alerta são:

• Respiração rápida ou com esforço;

• Afundamento das costelas ou da região abaixo do pescoço ao respirar;

• Dificuldade para falar, mamar ou se alimentar devido à falta de ar;

• Lábios ou extremidades arroxeadas;

• Sonolência excessiva ou prostração;

• Ausência de melhora após o uso da medicação de resgate orientada pelo médico.

“Nessas situações, a avaliação médica deve ser feita rapidamente para iniciar o tratamento adequado e evitar a progressão da crise. Por isso, o pronto-socorro é indicado quando há sinais de dificuldade respiratória ou ausência de melhora com a medicação”, reforça Talia Muñoz.

Onde buscar atendimento de pronto-socorro pediátrico em São Paulo?

Em casos de falta de ar intensa ou sinais de gravidade, a criança deve ser avaliada em um pronto-socorro pediátrico. Em São Paulo, o Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, conta com a Pediatria Star, serviço pediátrico integrado com pronto-socorro, suporte diagnóstico, internação e terapia intensiva, preparado para atender crianças em diferentes níveis de complexidade.

A estrutura reúne atendimento pediátrico especializado e suporte de diferentes áreas médicas para casos que exigem acompanhamento de maior complexidade.

Tratamento e controle da doença

Embora a asma não tenha cura, a doença pode ser controlada por meio de acompanhamento médico adequado e tratamento contínuo. O objetivo é reduzir a inflamação das vias aéreas, prevenir crises e permitir que a criança mantenha suas atividades normalmente.

As medicações são divididas em duas categorias principais:

Medicamentos de controle: utilizados regularmente para reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir crises. O principal exemplo é o corticoide inalatório.

Medicamentos de alívio: utilizados durante episódios de piora para promover broncodilatação e melhorar rapidamente a respiração.

Além do tratamento medicamentoso, reduzir a exposição aos fatores que desencadeiam os sintomas também é fundamental para evitar novas crises.

“O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com o pneumologista permitem um controle mais eficaz da doença e ajudam a prevenir futuras crises. É importante lembrar que não existem tratamentos caseiros capazes de controlar uma crise de asma. Em casos de primeira ocorrência ou agravamento dos sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico”, finaliza a especialista.

 Sobre a Rede D’Or

Maior empresa de saúde da América Latina, com presença em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, a Rede D’Or tem foco em atendimento humanizado, qualificação da equipe, adoção de novas tecnologias, sendo referência em gestão hospitalar e na prestação de serviços médicos. Fundada em 1977, no Rio de Janeiro, a Rede D’Or conta com 79 hospitais, 55 clínicas oncológicas, serviços complementares, e investe em inovação e pesquisa clínica, por meio do IDOR – Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.



Artigo - Brasil vence o Haiti por 3 a 0, mas atuação liga sinal de alerta para a sequência da Copa

Artigo de Políbio Figueiredo Braga, o autor é jornalista, Porto Alegre.

O 3 a 0 não ilude: a Escócia exigirá uma Seleção muito mais intensa do que a vista contra o Haiti.

A vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, na noite de ontem, na Filadélfia, pela segunda rodada da Copa do Mundo FIFA 2026, deveria trazer tranquilidade para a torcida brasileira. Afinal, o placar foi confortável, Mateus Cunha marcou duas vezes, Vini Jr. deixou o seu e o Brasil somou mais três pontos. Mas quem assistiu ao jogo com atenção sabe que o resultado esconde problemas preocupantes.

Confesso que saí mais preocupado do que após aquele primeiro tempo tenebroso diante do Marrocos. E isso porque o Haiti está muito longe de representar um adversário de alto nível. Trata-se de uma seleção praticamente amadora para os padrões de uma Copa do Mundo. Seu principal jogador é o meia-atacante Jean-Ricner Bellegarde, do Wolverhampton Wanderers, clube que fez uma campanha desastrosa na Inglaterra e acabou rebaixado para a segunda divisão.

No primeiro tempo, o Brasil até conseguiu criar. A estratégia foi simples: lançamentos diretos para o trio ofensivo. Funcionou em parte. As oportunidades apareceram aos montes, mas também foram desperdiçadas em quantidade semelhante. Raphinha, mais uma vez, teve atuação decepcionante, acumulando erros técnicos e decisões equivocadas.

Por outro lado, Vinicius Júnior assumiu definitivamente o papel de protagonista da Seleção. Hoje, não há dúvida de que ele é a principal estrela do time. Já Mateus Cunha mostrou novamente que precisa ser titular. A comparação com Igor Thiago é quase injusta. A diferença entre ambos lembra a distância entre uma Ferrari e um Lada Niva. Movimentação, velocidade, inteligência e capacidade de definição colocam Cunha em outro patamar.

O problema apareceu no segundo tempo. Com a vantagem construída, o Brasil simplesmente sentou sobre o resultado. O Haiti passou a gostar do jogo, criou oportunidades e obrigou Alisson a trabalhar intensamente. Aliás, o goleiro foi um dos melhores em campo, talvez em sua melhor atuação pela Seleção nos últimos anos. Isso, por si só, já deveria servir de alerta. Quando o goleiro precisa ser destaque contra o Haiti, algo está errado.

A partida também reforçou uma impressão que esta Copa vem deixando cada vez mais clara: Marquinhos, Casemiro e Raphinha não deveriam mais ser titulares absolutos. O futebol moderno exige intensidade, imposição física e velocidade. Esses atributos têm sido decisivos neste Mundial. O trio, por diferentes razões, parece estar um passo atrás do ritmo exigido pela competição.

Por isso, as entradas de Danilo Santos, Ryan e Endrick tornam-se fundamentais. São jogadores capazes de oferecer energia, aceleração e agressividade ofensiva. Se o Brasil pretende sonhar com algo além da fase de grupos, será necessário renovar a espinha dorsal da equipe e apostar em quem pode entregar mais dinamismo.

Que ninguém se deixe enganar pelo placar. Não foi o 3 a 0 que resolveu os problemas da Seleção. Muito pelo contrário. O resultado mascara deficiências que podem custar caro nas fases decisivas.

O próximo desafio diante da Escócia promete ser bem diferente. Os escoceses defendem-se com extrema organização, montam linhas compactas e transformam cada jogo em um verdadeiro ferrolho. Para superar essa retranca, o Brasil precisará exatamente daquilo que faltou em vários momentos contra o Haiti: intensidade, força física, movimentação constante e velocidade.

O "Mister" precisa reavaliar alguns conceitos antes que seja tarde. Copa do Mundo não perdoa teimosia. E a impressão deixada na Filadélfia é que, apesar da vitória, a Seleção ainda está longe de convencer.

Argentina alerta para sumiço de cápsula radioativa

 As autoridades da Argentina emitiram um alerta de emergência radiológica nacional após o desaparecimento de uma cápsula contendo o material radioativo Césio-137 de um instituto médico em Rosário, na província de Santa Fé. O sumiço do dispositivo foi detectado na terça-feira, 16 de junho de 2026, mobilizando as forças de segurança e a Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) do país.O sumiço foi percebido por técnicos que tentavam acessar o equipamento para realizar procedimentos de manutenção em um dos aparelhos da unidade hospitalar. O compartimento onde a cápsula deveria estar guardada foi encontrado totalmente vazio.Principais Riscos e OrientaçõesPerigo na manipulação: O principal risco ocorre caso a cápsula blindada de chumbo seja aberta ou danificada por pessoas que desconheçam o material.Baixo risco atual: Enquanto o dispositivo permanecer completamente intacto dentro de sua estrutura original de proteção, o risco imediato para a população geral é considerado muito baixo.Efeitos da exposição: A radiação beta e gama liberada em caso de violação pode acarretar queimaduras severas, danos graves a órgãos internos, problemas na medula óssea e o desenvolvimento de câncer a longo prazo.Recomendação oficial: Caso alguém localize o item, as autoridades orientam expressamente a não tocar, não transportar e não tentar abrir o objeto, devendo acionar a polícia imediatamente.Contexto da InvestigaçãoDe acordo com o acompanhamento da imprensa local, a apuração foca em falha de controle interno ou retirada não autorizada por pessoas com credenciais de acesso. Apenas quatro funcionários específicos tinham permissão formal para acessar a área restrita onde o material radioativo era armazenado. Agentes de segurança revisam as imagens das câmeras de monitoramento e os registros internos do laboratório médico para tentar identificar os responsáveis.O episódio reacendeu alertas e lembranças na América do Sul sobre o histórico e trágico acidente radiológico de Goiânia ocorrido no Brasil em 1987, que também envolveu a violação inadequada de uma fonte de Césio-137 descartada incorretamente.

OAB do RS vai à Corte Interameriana pedir o fim do inquérito do fim do mundo

 OAB/RS propõe petição à Corte Interamericana pelo encerramento imediato do Inquérito nº 4.781 por violação a garantias fundamentais

Em ato realizado na sede da OAB/RS pelo Dia Nacional de Mobilização pela Reforma do Judiciário, o presidente Lamachia também anunciou: mandatos para STF, mudanças na Lei da ADPF e paridade no CNJ entre sociedade civil e magistratura.

 O presidente Leonardo Lamachia, anunciou na sexta-feira (19) que a OAB/RS propôs petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos para requerer uma inspeção e recomendar o encerramento imediato do Inquérito nº 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News. Fundamentada no Pacto de São José da Costa Rica, a iniciativa sustenta que o procedimento, mantido há mais de sete anos sem objeto definido e sem a devida transparência, afronta o devido processo legal e as garantias fundamentais asseguradas pelos tratados internacionais de direitos humanos, demandando uma resposta no âmbito internacional diante da ausência de providências internas.

A apresentação da iniciativa ocorreu durante ato promovido pela OAB/RS no âmbito do Dia Nacional de Mobilização pela Reforma do Judiciário, ação coordenada pelo Conselho Federal da OAB (CFOAB). Diante de dezenas de representantes da advocacia e da sociedade civil, a seccional gaúcha também anunciou outra proposta inédita e detalhou encaminhamentos concretos relacionados a pautas já defendidas pela entidade em manifestações anteriores. As iniciativas têm como objetivo contribuir para o fortalecimento da credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), o aperfeiçoamento das instituições e o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro.

 Durante o ato, Lamachia ressaltou o caráter estritamente técnico, jurídico e apartidário da atuação institucional e os motivos pelos quais a seccional considera prioritário o encerramento do referido inquérito. “A OAB do Rio Grande do Sul está propondo a medida à Corte Interamericana pelo fim imediato do Inquérito nº 4.781, que viola o devido processo legal e, consequentemente, Direitos Humanos. Não há como avançarmos no aperfeiçoamento e reforma do Poder Judiciário sem que esse inquérito seja imediatamente finalizado”, afirmou.

 O presidente também destacou que a mobilização ocorre em favor do Poder Judiciário, pois faz parte do juramento da advocacia defender o Estado Democrático de Direito e zelar pelo aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Na sequência, detalhou as duas propostas inéditas. “Como o Supremo não tem dado nenhuma resposta à sociedade e à OAB no que tange ao fim do inquérito, nós não enxergamos outra alternativa que não buscar a Corte Interamericana de Direitos Humanos para atuar por meio de uma audiência de conciliação ou recomendar o seu imediato encerramento. Como segunda medida inédita, estamos sugerindo uma mudança na composição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), buscando a paridade em seu plenário para que metade dos membros seja indicada pela sociedade civil e a outra metade seja composta pela magistratura, corrigindo a distorção atual em que a sociedade civil possui apenas quatro integrantes em um colegiado de 15”, afirmou.

 Além das ações inéditas, a Ordem gaúcha aprofundou e defendeu outras medidas consideradas essenciais em seus estudos de aperfeiçoamento constitucional. Entre elas, destaca-se a necessidade de alteração na Lei da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), instituindo a obrigatoriedade de juízo de admissibilidade pelo plenário e vedando expressamente a concessão de liminares monocráticas, com o objetivo de fortalecer a colegialidade e conferir maior segurança jurídica às decisões.

 A entidade também defendeu alterações na Lei da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a fixação de mandatos com prazo determinado para ministros do STF, a criação de um Código de Conduta para a Suprema Corte e a limitação de decisões monocráticas.

 Como forma de dar continuidade a essa agenda institucional, Lamachia anunciou a criação de um grupo de trabalho que terá a missão de estudar e apresentar novas medidas voltadas ao aprimoramento do sistema de Justiça.

 A vice-presidente da OAB/RS, Claridê Chitolina Taffarel, ressaltou o protagonismo da entidade na defesa das garantias constitucionais e no debate sobre os limites institucionais dos Poderes. “Nossa seccional tem sido protagonista no debate e no apontamento dos excessos havidos pelo STF. O presidente da Ordem gaúcha tem sido uma voz firme e destemida, levando a voz da advocacia gaúcha para todo o Brasil com relação a esse tema. O ato de hoje é mais uma iniciativa que realizamos de forma pioneira, trazendo esse tema à tona para que possamos reafirmar nossas posições de maneira firme, isenta e imparcial contra esse inquérito e outras ações que afrontam a nossa ordem constitucional, o devido processo legal e as garantias constitucionais”, pontuou.

 Mobilização nacional e equilíbrio institucional

O movimento realizado simultaneamente pelas 27 seccionais da OAB foi referendado durante o Colégio de Presidentes do Sistema OAB, realizado em Salvador (BA), e é coordenado por uma comissão de mobilização instituída pela Ordem nacional.

 A iniciativa foi motivada pela necessidade de promover o debate sobre o equilíbrio entre os Poderes, o respeito às competências constitucionais e o enfrentamento de questões que impactam a estabilidade jurídica e institucional do país. O CFOAB destacou que a unificação das demandas apresentadas pelas seccionais busca transformar as contribuições da advocacia em medidas legislativas e judiciais efetivas, reforçando o papel da classe como elo essencial entre o cidadão e o acesso à Justiça.

 O protagonismo demonstrado pelo Rio Grande do Sul durante o movimento nacional consolida uma trajetória de atuação institucional da OAB/RS em defesa do aperfeiçoamento das instituições democráticas e da segurança jurídica. A entidade tem se destacado por conduzir esse debate sob uma perspectiva estritamente jurídica, sustentando que o fortalecimento do Estado Democrático de Direito exige limites claros estabelecidos pela Constituição e pela legislação vigente.

 Como marco dessa atuação, a OAB/RS e diversas entidades da sociedade civil assinaram, em 4 de fevereiro deste ano, a Carta Aberta à Sociedade Gaúcha intitulada “O STF precisa mudar”, documento que apresentou oito medidas estruturais consideradas urgentes para o resgate da credibilidade e da segurança jurídica da Suprema Corte.

 Na sequência desse trabalho institucional em defesa das prerrogativas da advocacia e das garantias fundamentais, a Ordem gaúcha promoveu, em 21 de maio, outro ato público de grande repercussão em defesa do encerramento do Inquérito nº 4.781, consolidando o debate que culminou, agora, na formalização da petição perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

 Confira o resumo das medidas inéditas e demais ações apresentadas pela OAB/RS:

Medidas inéditas:

* Petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos para requerer inspeção e recomendar o encerramento imediato do Inquérito nº 4.781 (Inquérito das Fake News), sob o argumento de violação ao devido processo legal e às garantias fundamentais previstas no Pacto de São José da Costa Rica.

 * Proposta de reformulação da composição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estabelecendo paridade entre magistratura e sociedade civil, com metade das vagas destinadas a representantes da sociedade e metade à magistratura.

 Medidas de aperfeiçoamento institucional defendidas pela OAB/RS:

* Alteração da Lei da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) para:

- Instituir juízo de admissibilidade obrigatório pelo plenário;

- Proibir expressamente a concessão de liminares monocráticas; e

- Fortalecer a colegialidade das decisões.

 * Fixação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com prazo determinado para o exercício da função (15 anos).

 * Criação de um Código de Conduta para os ministros do STF, com regras claras de atuação e observância institucional.

 Criação de GT:

* Criação de um grupo de trabalho com a missão de estudar e apresentar novas iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento do sistema de Justiça e ao fortalecimento das instituições democráticas.

 Presenças

Também acompanharam o ato público a secretária-geral adjunta da OAB/RS, Ana Piccoli; a secretária-geral adjunta da OAB/RS, Regina Soares; o diretor-geral da ESA/RS, Gerson Fischmann; a conselheira federal da OAB/RS Rosangela Maria Herzer dos Santos; o conselheiro federal da OAB/RS Pedro Alfonsin; os ex-presidentes da OAB/RS Fernando Krieger da Fonseca, Luiz Carlos Levenzon, e, de forma remota, Renato da Costa Figueira e a detentora da medalha Rui Barbosa, Clea Carpi da Rocha; o presidente da Comissão para Temas Estratégicos para o Estado, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; a corregedora-adjunta da OAB/RS, Maria Ercília Hostyn Gralha, representando a corregedoria da instituição; a presidente da APERGS, Patricia Bernardi Dall'Acqua; e o representante da ADVOCEF, Davi Duarte. O evento contou ainda com a participação de demais membros do Conselho Pleno da OAB/RS, presidentes e dirigentes de subseções, além de presidentes e membros de comissões da Ordem gaúcha.




Dica do editor - Vale a pena acompanhar, hoje, o último dia do Simpósio de Semicondutores da América Latina e Caribe, Tecnopuc, Porto Alegre

Termina hoje o Simpósio de Semicondutores da América Latina e do Caribe (SemiCon-LAC 2026), no Tecnopuc, em Porto Alegre. O evento internacional é coorganizado pelo governo do Estado e o encontro promove discussões sobre inovação, desenvolvimento tecnológico, cooperação internacional, oportunidades de negócios e o fortalecimento da participação da região na cadeia global de semicondutores. O governo do RS desenvolve o Programa Semicondutores RS, política pública do governo do Estado voltada para o fortalecimento da cadeia produtiva local, fomento à inovação e formação de talentos.

CLIQUE AQUI para examinar material dos jornalistas do governo sobre o que vem acontecendo no evento, aberto ao público.








Opinião do editor

 O impacto da nova investida policial n Banco Regional de Brasília, BRB, será fatal no registro dos investimentos e na nota de crédito do banco, que já estava agonizante e que, agora, dificilmente escapará da liquidação por parte do Banco Central.

O BRB está definitivamente bichado.

O risco é sistêmico, ou seja, a liquidação do BRB poderá afetar o sistema financeiro como um todo.

A eventual liquidação do BRB (Banco de Brasília) geraria um rombo de R$ 17 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e um prejuízo de R$ 215 bilhões à economia do Distrito Federal em uma década. 

Antes desta operação de hoje, pra evitar o colapso sistêmico, uma solução envolvendo aporte de recursos e garantias foi fechada no STF. 

Os impactos e riscos diretos que a liquidação da instituição causaria englobam:

Rombo no FGC: 
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou um impacto bilionário sobre o FGC, afetando indiretamente os bancos associados que compõem o fundo.
Impacto Econômico e Social no DF:
O presidente do banco apontou que o fechamento significaria o retrocesso de dez anos no desenvolvimento do Distrito Federal, com reflexos severos nos cofres públicos locais e nas áreas sociais prioritárias.
Preocupação Sistêmica:
O caso movimenta o Banco Central e coloca holofotes sobre a governança de bancos regionais e instituições parceiras, como o Banco Master.
Transparência de Contratos:
A crise expôs a fragilidade dos controles da instituição
Investidores e Clientes: Correntistas do BRB sofreriam com a incerteza imediata de saques e aplicações, ainda que a solução envolvendo o STF e a cobertura parcial do FGC garantissem os depósitos dentro dos limites legais.

Dica do editor - Saiba o que é a anemia falciforme, quais os sintomas e como tratar

Os principais sintomas da anemia falciforme incluem crises intensas de dor nos ossos e articulações, fadiga, palidez, icterícia (pele e olhos amarelados) e risco elevado de infecções. Complicações graves como a síndrome torácica aguda e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) também podem ocorrer.Os sintomas costumam surgir a partir dos 6 meses de vida e variam de intensidade dependendo de cada pessoa. Os principais sinais incluem:Crises de dor: Causadas pelo bloqueio do fluxo sanguíneo pelos glóbulos vermelhos deformados. Podem atingir os braços, pernas, tórax e abdômen.Anemia crônica: Resulta na destruição precoce das hemácias, gerando cansaço, fraqueza e palidez.Icterícia: Coloração amarelada na pele e na parte branca dos olhos, provocada pela quebra das células sanguíneas.Síndrome mão-pé: Inchaço doloroso nas mãos e nos pés, sendo um dos primeiros sintomas em bebês.Baixa imunidade: Maior vulnerabilidade a infecções graves, especialmente nos pulmões e ossos.Crises de sequestro esplênico: Acúmulo repentino de sangue no baço, causando aumento do órgão, queda abrupta da hemoglobina e dor.Síndrome Torácica Aguda: Caracterizada por dor no peito, febre e falta de ar; é uma emergência médica.O diagnóstico geralmente é feito logo no nascimento por meio do Teste do Pezinho. Para orientações detalhadas e acompanhamento, consulte o portal do Ministério da Saúde ou busque auxílio de um médico hematologista.

Departamento de Estado

 https://www.brasil247.com/#google_vignette

O que é o Porto Meridional de Arroio do Sal

 O Porto Meridional de Arroio do Sal é um mega projeto de terminal portuário privado em mar aberto, que será construído no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. 

Com um investimento de R$ 6 bilhões, ele será o segundo porto marítimo do estado e o mais próximo dos centros industriais e produtivos.

Localização e Estrutura:
Fica em Arroio do Sal. Terá 17 metros de profundidade e capacidade para receber grandes navios, com movimentação estimada em até 53 milhões de toneladas de cargas por ano (como granéis e contêineres).
Impacto Econômico:
Nasce para desafogar a dependência logística do Porto de Rio Grande, diminuindo custos de frete e encurtando distâncias para o escoamento da produção da Serra e do Norte gaúcho.

 O projeto deve criar milhares de vagas de trabalho diretas e indiretas, além de impulsionar a economia local, hoteleira e de turismo (com previsão de receber transatlânticos).

O principal empreendedor e empresa responsável pelo desenvolvimento, projetos e viabilização do Porto Meridional em Arroio do Sal é a DTA Engenharia Portuária & Ambiental, liderada pelo seu presidente, João Acácio.O projeto é tocado em conjunto com a empresa Porto Meridional Participações, onde o executivo André Busnello atua como diretor jurídico.O empreendimento é um Terminal de Uso Privado (TUP) e conta também com forte articulação política do Senador Luis Carlos Heinze 

Malfeitos de Ciro Nogueira, chefão do PP

 Uma rede de empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, utilizou familiares, servidores públicos, beneficiários de programas sociais e dinheiro vivo para esconder recursos ilícitos, parte dos quais a Polícia Federal acredita que tenha origem no ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e na mesada paga por ele ao parlamentar.

A informação é da Folha.

Leia tudo o despacho da Folhapress.

A teia é descrita por investigadores em uma análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RFIs) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre a movimentação do grupo ligado ao clã do senador e que atua no Piauí e no Maranhão.

A PF aponta a existência de um "circuito integrado" de movimentação financeira entre empresas das famílias Nogueira e Vorcaro, em especial a CNLF, do senador, e a BRGD, controlada por Vorcaro e seus parentes.

Foi por meio deste fluxo que o ex-banqueiro pagou uma mesada ao senador que soma ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, período que coincide com o agravamento dos problemas do Master e as tentativas de salvar o negócio de Vorcaro.

A PF aponta então para uma estratégia de lavagem de dinheiro por meio de "estruturas recorrentes e interligadas, utilizadas, em tese, para a ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível com a capacidade econômico-financeira formal dos envolvidos, tendo como possível beneficiário final o senador Ciro Nogueira".

A Folha de S.Paulo procurou Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria de imprensa, no final da tarde desta terça-feira, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Também tentou contato com a defesa de Vorcaro, por email e WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

As investigações já identificaram diversos indícios da relação próxima entre Ciro e Vorcaro. Por exemplo, o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens juntos e repasses feitos em dinheiro vivo. Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como "grande amigo de vida".

Segundo a PF, a estrutura funcionaria da seguinte forma: os recursos eram repassados ao clã Nogueira por meio da BRGD, administrada por Felipe Vorcaro (primo de Daniel), por meio de uma fintech chamada PJBank.

Os investigadores apontam que, no período analisado, entre 2020 e 2025, a fintech enviou R$ 3 milhões ao grupo do senador, mesmo sem ter autorização do Banco Central para esse tipo de transação.


Polícia Federal vai para cima do líder do governo Lula, o senador Jacques Wagner, envolvido no escândalo do Banco Master

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, a nona fase da Operação Compliance Zero e tem como alvo principal de busca e apreensão o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master, o PT da Bahia e o senador.

Além da casa do líder do governo Lula, a Polícia Federal  cumpre buscas em empresas e residências de Augusto Lima na Bahia, São Paulo e Brasília. Lima é ex-sócio de Vorcaro e foi o responsável por implementar no governo da Bahia, quando Wagner era governador, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

Operação mira braço do Master no PT da Bahia

Essa é a primeira fase da operação que mira políticos aliados do presidente Lula. O empresário Augusto Lima chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).



Opinião do editor - Meta-se nas eleições do Brasil, sim, presidente Trump

O que se pode perceber pela desastrosa passagem de Lula da Silva pela reunião do G7 foi uma sucessão de desfeitas produzidas pelo presidente Donald Trump ao brasileiro, que antes de viajar tentou de tudo para uma nova reunião de trabalho entre ambos.

Trump ignorou-o na sessão de fotos oficiais e ontem a noite disparou críticas ferozes contra o atual regime autoritário brasileiro, cujos líderes são exatamente Lula e seu colega Alexandre de Moraes, um consórcio inédito mantido há 4 anos entre o Governo do PT+STF. 

O que disse Trump numa coletiva de imprensa, ao defender o deputado Eduardo Bolsonaro, condenado no mais recente Processo de Moscou por parte da aparelhada 1a. Turma do STF:

- O Brasil é um país um pouco perigoso politicamente, como é a mais recentecondenação de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Prenderam ele ou querem prendê-lo. Estão tramando algo para a sua prisão. Eles jogam bem pesado. Mas ninguém joga mais pesado que os Estados Unidos.

Lula reagiu ao golpe e provocou Trump:

- Não se meta nas eleições do Brasil.

Ou seja, Lula e o PT, que se mete em tudo que é eleição realizada fora do Brasil, não quer que Trump repita o que fez o presidente Joe Biden em seu favor nas eleições de 2022.

O que se espera é que o governo dos EUA meta-se, sim, nas eleições do Brasil, para que elas sejam limpas e justas, portanto sem os atropelos movidos pelo STF, PGR e seus aliados da mídia tradicional contra a Oposição.

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - Constrangimentos para a magistratura

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: releituras21@gmail.com

Há fatos que não deveriam ser ignorados. Há fatos que não poderiam cair no esquecimento, ao menos não antes de uma solução razoável. E como o assunto, já descartado nas redações, há de retornar à pauta, é oportuno retomá-lo aqui. É o caso da juíza que concedeu perdão judicial à mãe de Henry Borel, menino de quatro anos, torturado e morto pelo padrasto, sem que a mãe, podendo agir, nada fizesse para protegê-lo.

A conduta da juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, com imagens difundidas pela imprensa e em redes sociais, vem constranger magistrados e enxovalhar a reputação do Judiciário, causando descrédito e indignação na opinião pública.

O júri do caso, que durou incríveis 11 dias, poderia ser mote para uma dissertação de mestrado (jamais o será!), em especial pelos fundamentos extravagantes da sentença prolatada. Mas o destaque aqui restringe-se ao destampatório da juíza, que se vê neste link de um portal de notícias:


https://www.youtube.com/watch?v=kVQ2Qbo4bkI


Prossigo. Como se vê no vídeo, a magistrada, parecendo uma professora de comédia que perdeu o controle sobre uma turma de rebeldes, grita com os advogados, esbravejando: "Eu estou mandando sentar! Eu estou fazendo ordem aqui dentro! Eu não quero advogados em pé me afrontando."

Como dizem os adolescentes, ela "pagou mico" ao desafiar: "E eu não sei aonde [sic] que o estatuto da OAB vai poder me proibir de falar isso." Então, com irritante calma... um advogado leu o Estatuto da Advocacia, lei nº 8.906/1994, que diz: "Art. 7º São direitos do advogado: (...)VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença; (...) XII - falar, sentado ou

em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo" (grifos nossos).

Nas matérias da imprensa, inclusive imagens da TV, não consta que alguém haja posto em xeque a autoridade da juíza, nada que justificasse falas peremptórias como: "Eu não quero que fiquem em pé!"

Autoridade judiciária não tem "querer", exceto "querer" cumprir o que, por força da lei, é de sua competência. E é nesse ponto que a coisa toma um rumo perigoso. O papel de quem julga é aplicar a lei. Não é decidir de modo subjetivo e impor seu ponto de vista. Num regime democrático - e todo mundo enche a boca para falar de democracia -, o que há é o império da lei, não do juiz, com um Poder Judiciário cuja missão primordial é honrar o ordenamento jurídico, fazendo valer a legislação que regula a sociedade e que foi, frise, criado por ela através do Poder Legislativo.

O que o vídeo mostra longe está de ser o mais grave naquilo que houve no júri. Mas permite, a quem não tem familiaridade com o assunto, ter uma ideia das irregularidades que provocaram reação do Ministério Público e indignação em muitos segmentos da sociedade.

Felizmente, o que se viu no "Caso Borel" - no que se refere à postura da juíza - não é um padrão, ao menos até este momento: é uma exceção, que, decerto, constrange magistrados Brasil afora.

Ainda voltaremos ao assunto para aprofundá-lo.


Saiu o relatório de 511 pátinas da CPI dos Pedágios

  O editor está com a cópia do relatório de 511 páginas da CPI dos Pedágios que teve como relator o deputado Miguel Rosseto, PT, e como presidente o deputado Paparico Bachi, PL.

O editor fornece a cópia integtral através do seu Whaats 51.99945.9810.

O relatório final da CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul foi aprovado no dia 11 de junho. O documento, relatado pelo deputado Miguel Rossetto, foi aprovado por 8 votos a 3 e recomenda o cancelamento dos editais dos Blocos 1 e 2, além de auditoria no Bloco 3. O texto final detalha diversas críticas e diretrizes para o modelo de concessões do estado e recomenda o cancelamento imediato das concessões do Bloco 1 e a suspensão formal do Bloco 2, apontando falhas estruturais nos contratos.

Situação do Bloco 3: Solicita uma rigorosa reavaliação do Bloco 3 (único já em operação). Segundo a CPI, após mais de três anos de cobrança, as duplicações previstas não foram entregues e as tarifas sofreram reajustes superiores a 35%.

Investimentos: Critica a falta de investimentos próprios das concessionárias, apontando que mais de 90% dos aportes na verdade vêm da própria sociedade (seja por tarifas ou recursos públicos).

Redirecionamento: Propõe o redirecionamento dos recursos do Funrigs (Fundo de Reconstrução do RS) para obras prioritárias nas rodovias.

Artigo, especial -O Musk que o Brasil não deixaria existir

Elon Musk fundou a SpaceX em 2002. Vinte e poucos anos depois, a empresa do mina o mercado global de lançamentos, leva astronautas à órbita e opera milhares de satélites. Tornou-se uma das companhias mais valiosas do mundo e referência obrigatória em qualquer conversa sobre inovação. Agora imagine o que aconteceria com um Musk brasileiro. Antes mesmo de dese nhar o primeiro foguete, ele já estaria contratando advogado tributarista. O capital para um projeto de dez anos de maturação simplesmente não existe aqui: com ju ros reais entre os mais altos do planeta, qualquer investidor racional prefere título público a apostar em engenharia. O crédito que sobra é caro, curto e exige garantias que uma empresa de tecnologia nascente não tem como oferecer. Se mesmo assim o negócio nascesse e desse certo, o sucesso viraria problema. Cres cer no Brasil significa atrair fiscalização, autuações e a suspeita permanente de que algo está errado. O empreendedor passa a gastar mais energia se defendendo do próprio país do que competindo com o resto do mundo — um desgaste que nenhum concorrente americano enfrenta. Conhecemos o roteiro: a empresa que prospera vira alvo, e o fundador descobre que seu maior risco operacional fica em Brasília. Até aqui, o diagnóstico parece o de sempre, repetido em qualquer painel de inves timentos: Estado demais, liberdade de menos. Mas a história real da SpaceX conta outra coisa, e é o detalhe que a Faria Lima prefere não mencionar. Em agosto de 2008, depois de três lançamentos fracassados seguidos, a SpaceX estava a semanas da falência. Quem salvou a empresa não foi um fundo de ven ture capital iluminado: foi a NASA, com um contrato de US$ 1,6 bilhão para rea bastecer a Estação Espacial Internacional. O primeiro satélite lançado por Musk pertencia à DARPA, agência de pesquisa do Pentágono. O Falcon 9 e a cápsula Dragon foram desenvolvidos em grande parte com dinheiro de encomenda pú blica. O próprio Musk reconhece que, sem o governo americano, sua empresa teria quebrado antes de decolar. Os Estados Unidos praticam há décadas aquilo que aqui se aprendeu a chamar de pecado: política industrial. O Pentágono encomenda, a NASA contrata, o Congresso protege o fornecedor nacional. O Estado americano assume o risco junto com o empreendedor nos anos em que os foguetes ainda explodem e colhe depois sobe rania tecnológica, empregos qualificados e domínio de um setor inteiro. O contraste com o Brasil é mais incômodo do que a velha queixa contra impostos. Nosso Estado cobra como poucos e compra como nenhum. Pesa sobre quem pro duz, mas não encomenda, não ancora demanda, não banca o desenvolvimento de nada que envolva risco real. Temos em Alcântara a base mais bem localizada do planeta para lançamentos, a poucos graus da linha do Equador, e seguimos espectadores da corrida espacial alheia. O Centro de Lançamento existe desde os anos 1980; o que nunca existiu foi um governo disposto a ser cliente da própria engenharia. O talento nunca foi o gargalo. Engenheiros brasileiros trabalham nas melhores em presas do setor, inclusive na própria SpaceX. O que falta é um país que trate quem assume risco produtivo como ativo a proteger — com um Estado que pare de sufo car quem cresce e comece a encomendar o que ainda não existe. Enquanto a es colha for entre o peso do fisco e a ausência do cliente público, vamos continuar ex portando os nossos Musks e assistindo, da arquibancada, aos foguetes dos outros

Governo dos EUA prende chefão do PCC e do CV

A prisão ocorreu no mesmo período em que o Departamento de Estado dos EUA classificou oficialmente o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. A decisão americana gerou atrito com o governo brasileiro, que não reconhece as facções sob essa mesma designação jurídica.

 A Polícia migratória dos EUA (ICE) prendeu Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, apontado como ex-chefe do PCC e do CV, em Mooresville (Carolina do Norte). A captura ocorreu após perseguição em alta velocidade. 

Ele estava foragido da Interpol e mantinha a própria esposa em cárcere privado no veículo.

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como "Don", possuía dois mandados de prisão em aberto no Brasil por associação criminosa e extorsão. 

Durante uma tentativa de abordagem, Don acelerou o veículo e iniciou fuga, que terminou após colisão contra carros parados. Agentes do setor de Investigações de Segurança Interna (HSI) encontraram no carro uma pistola 9mm, dinheiro, celulares e laptops. A esposa confirmou em depoimento que era mantida refém.

Artigo, Rafael Fleck - O furto de fios precisa parar em Porto Alegre

O autor é secretário municipal de Serviços Urbanos

Porto Alegre enfrenta uma crise que já comprometeu a rotina da cidade e gerou prejuízos milionários: o furto de fios. Mais do que números, trata-se de uma realidade que atinge comerciantes, moradores e o poder público, deixando ruas às escuras, empresas paralisadas e aumentando a sensação de insegurança.


Dados do Sindilojas revelam que oito em cada 10 lojistas foram afetados nos últimos 12 meses, acumulando perdas de R$ 241,4 milhões. Quase metade sofreu duas ou três ocorrências e seis em cada 10 precisaram interromper suas atividades, muitas vezes por mais de 24 horas. Os impactos mais comuns foram a queda de internet e telefone, falta de energia elétrica e o aumento da vulnerabilidade.


O setor público também é alvo constante. Em maio de 2026, foram furtados 1.468 metros de fios da iluminação de vias, parques e praças, mais do que o dobro do mês anterior. No Túnel da Conceição, só nos primeiros 15 dias de fevereiro, houve um furto por dia. Já no Parque da Redenção, postes são serrados semanalmente, deixando áreas inteiras às escuras e inseguras.


Esse cenário se espalha por todas as regiões da cidade e exige ação firme e coordenada, que não pode se limitar a medidas isoladas. É preciso envolver o Legislativo, com projetos que endureçam a punição; o Executivo, com fiscalização rigorosa e monitoramento preventivo; e o Judiciário, com responsabilização efetiva. Além disso, é fundamental atingir todas as pontas dessa cadeia criminosa - do furto ao transporte e à receptação - para quebrar sua espinha dorsal.


O caminho escolhido pelo prefeito Sebastião Melo aponta na direção correta: unir esforços das forças de segurança, fiscalização e sistema de Justiça em ações conjuntas e organizadas. Somente com essa integração será possível devolver tranquilidade às ruas, confiança à população e segurança aos equipamentos públicos e privados.


Porto Alegre não pode seguir refém dessa prática criminosa. O furto de fios precisa parar.



Zucco é ameçado de morte por ativista lulopetista

 No termo do do interrogatório que vai no link a seguir, o ativista político gaúcho Cleomar dos Santos, 47 anos, confirma que foi ele quem mandou as mensagens com ameaças de morte contra o deputado Luciano Zucco, candidato a governador do RS.

Entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, Cleomar registrou tudo no seu perfil de internet.

Na mensagem mais ameaçador, o ativista, que é eleitor de Lula, acha que Bolsonaro é pedófilo, abomina Zucco e durante muito tempo foi filiado ao PT, ameaçou dar um tiro na cabeça do deputado. Ao se referir ao desfile Farroupilha, do qual Zucco participou, ele escreveu:

- "Perdi a oportunidade de estourar a cabeça desse defensor de pedófilo, bolsonarista, safado". 

Ele também afirmou que garantiria a ida do deputado para o inferno.

No interrogatório, o ativista lulopetista se disse arrependido e pediu perdão a Zucco.

O interrogatório foi realizado na 3a. DP em Novo Hamburgo, onde mora o ativista lulopetista, inclusive com a presença de agentes da Polícia Legislativa Federal.

O inquérito aberto resultará no indiciamento do acusado, que será processado criminalmente.

CLIQUE AQUI para examinar o fac simile do interrogatório.

USAID

 Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) apontou que cerca de 101 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ajudaram o Hamas a executar o ataque terrorista contra Israel em 7 de outubro de 2023, que assassinou mais de 1200 civis, incluindo cinco brasileiros, além de crianças e idosos, e sequestrou 251 pessoas .


A informação foi divulgada no jornal New York Post, apontando investigação do Inspetor-Geral, que é órgão de fiscalização federal. Com base na investigação, o jornal citou nominalmente os funcionários da ONU que se tornaram cúmplices dos terroristas, incluindo diretores de escolas da agência da ONU, professores, seguranças, atendentes, conselheiros psicossociais e profissionais médicos.


Um total de 1.500 funcionários da UNRWA estão sendo investigados, de acordo com o Washington Free Beacon . Um alto funcionário do Departamento de Estado confirmou ao The Post que o número estava correto. Inquéritos anteriores do inspetor-geral constataram que os fundos destinados à agência da ONU podem ter sido desviados para os terroristas em Gaza.



Com isso, a agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina ficará sem qualquer financiamento de ajuda externa dos EUA nos próximos 10 anos. 


O relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Usaid revela que um vice-diretor de escola atuava também como vice-comandante das Brigas al-Qassam, o braço armado do Hamas, enquanto outro era líder de um esquadrão em uma brigada de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.


Mísseis antitanque

Cinco professores eram militares ou oficiais de inteligência do Hamas e de grupos terroristas aliados, de acordo com as investigações. O documento revela que um deles chegou a levar mísseis antitanque para ajudar o grupo terrorista no atentado.



Neste momento, a “investigação ativa e em curso” do Inspetor Geral da USAID suspendeu ou proibiu 108 indivíduos de participarem dos ataques de 7 de outubro e/ou de terem ligação com o Hamas.


O gabinete do inspetor-geral ampliou sua investigação em março, conforme noticiado inicialmente pelo Post. Fontes já haviam revelado que a investigação do gabinete do inspetor-geral da USAID estava sendo conduzida em paralelo a uma investigação criminal federal sobre os laços do Hamas com a UNRWA.


Financiamento americano

“A prioridade investigativa do Inspetor-Geral da USAID continua sendo garantir que a assistência humanitária financiada pelos EUA em Gaza não caia nas mãos do Hamas e de outras organizações terroristas estrangeiras, impedindo que a ajuda chegue aos civis não combatentes necessitados”, concluiu o resumo da investigação.



“Em apoio a esse esforço, o Escritório do Inspetor Geral da USAID mantém um trabalho investigativo adicional em andamento, com o objetivo de impedir a recirculação de atores ligados ao terrorismo em organizações de ajuda financiadas pelos EUA que operam em Gaza.”


O senador Tom Cotton (republicano do Arkansas), que preside o Comitê de Inteligência na câmara alta, e 24 senadores republicanos pediram ao governo Trump no mês passado que ” desmantelasse completamente a UNRWA ” e a eliminasse do orçamento das Nações Unidas.


Em fevereiro de 2025, o presidente Trump assinou uma ordem executiva retirando o financiamento dos EUA  para a UNRWA, embora  mais de US$ 839 milhões  tenham sido destinados à agência por contribuintes internacionais naquele ano.



O orçamento anual da ONU também destina cerca de 70 milhões de dólares para a agência de ajuda palestina.

ncionários demitidos da USAID sorriem enquanto carregam seus pertences pessoais — com mensagens para Trump — para fora do escritório em Washington. 

PorVictor Nava

Publicado em 21 de fevereiro de 2025, às 21h21 (horário do leste dos EUA).

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Na sexta-feira, funcionários recentemente demitidos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) escreveram mensagens em caixas cheias de seus pertences pessoais — e vários ex-funcionários foram vistos radiantes enquanto eram aplaudidos por apoiadores em seu último dia de trabalho. 


"Você pode tirar os humanitários da USAID, mas não pode tirar a humanidade dos humanitários", dizia uma mensagem otimista na caixa de um ex-funcionário, que continha uma grande planta entre outros itens. 


“Estamos abandonando o mundo”, dizia outro bilhete no contêiner com os pertences de um ex-funcionário federal. 


Ex-funcionários da USAID

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Ex-funcionários da USAID deixaram o escritório pela última vez na sexta-feira.

Reuters

Funcionário da USAID

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Os funcionários demitidos foram recebidos por apoiadores em frente ao escritório em Washington, DC.

AP


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Os funcionários demitidos foram aplaudidos por ex-funcionários e apoiadores da USAID durante uma cerimônia de despedida em frente aos escritórios praticamente fechados da agência em Washington, DC. 


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Mais quatro funcionários da UNRWA — incluindo professores — foram considerados culpados de sequestrar israelenses em 7 de outubro, enquanto as autoridades federais avaliam a possibilidade de acusações criminais.

Vista geral do edifício do Secretariado das Nações Unidas e do selo das Nações Unidas em Nova Iorque, NY, em 10 de julho de 2025. (Foto/Christopher Sadowski)

Expulsar da ONU todos os seus funcionários terroristas E seus apoiadores.


Órgão de fiscalização dos EUA 'amplia' investigação sobre a UNRWA por ligações com o Hamas e atos assassinos em 7 de outubro.

A força de trabalho da USAID, que atualmente conta com 10.000 funcionários, deverá ser reduzida para cerca de 300 após o presidente Trump ter tomado medidas para desmantelar a agência, depois de impor uma pausa de 90 dias na ajuda externa. 


A redução de pessoal ocorreu após descobertas chocantes de desperdício da USAID pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Elon Musk. 


Ex-funcionários da USAID

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Vários ex-funcionários foram vistos sorrindo durante a despedida.

AP

Elon Musk

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A equipe DOGE de Elon Musk encontrou diversos casos de desperdício de dinheiro público na USAID.

AFP via Getty Images

No início deste mês, Trump anunciou que o secretário de Estado Marco Rubio atuaria como diretor interino da USAID, com o objetivo final de integrar as operações restantes da agência ao Departamento de Estado. 


Na sexta-feira, um juiz federal abriu caminho para o desmantelamento da USAID pelo governo Trump, após se recusar a estender uma liminar que impedia o plano do governo de remover quase todos os funcionários da USAID de seus cargos nos EUA e em todo o mundo.

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Não há comprovação oficial de que a USAID tenha agido para derrubar o governo de Jair Bolsonaro. As alegações ganharam força após declarações de Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, e comentários de Elon Musk, que acusaram a agência de financiar iniciativas de combate à desinformação para desestabilizar o ex-presidente. Por outro lado, agências de checagem de fatos e relatórios oficiais apontam que os recursos foram aplicados em áreas sociais, como saúde, educação e meio ambiente. [1, 2, 3, 4]

Origem das Alegações
  • Declarações de Mike Benz: O ativista afirmou publicamente que, se a USAID não existisse, Jair Bolsonaro ainda seria o presidente do Brasil. Segundo Benz, a agência financiou ONGs e advogados para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a restringir publicações de redes sociais ligadas ao movimento bolsonarista sob o pretexto de combater a desinformação. [1, 2, 3]
  • Apoio de Elon Musk: Musk utilizou suas redes sociais para sugerir que o aparato estatal norte-americano ("deep state") atuou contra Bolsonaro nas eleições de 2022, alinhando-se à narrativa de parlamentares da oposição brasileira. [1]
  • Reação no Congresso Nacional: Diante das acusações, deputados e senadores da oposição ao governo atual iniciaram movimentos para coletar assinaturas e propor uma CPI ou CPMI com o objetivo de investigar a destinação e o impacto político desses fundos estrangeiros no Brasil. [1, 2]
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  • Ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Mike Benz reafirma, em audiência pública, denúncias de que o governo norte-americano interferiu no processo eleitoral brasileiro.

    Alan Santos

    Mike Benz reitera denúncia de interferência dos EUA nas eleições do Brasil

    Mike Benz

    Brasília – O ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Mike Benz, reiterou denúncia de interferência do governo norte-americano nas eleições do Brasil de 2022. Nesta quarta-feira, 6, em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), Benz expôs uma série de documentos, inclusive com valores pagos em dólares para uma rede que envolveu 11 agências governamentais.

    De acordo com ele, esta rede tinha como principais atores a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a Agência Central de Inteligência (CIA), o Pentágono, sede do Departamento de Defesa, e a Casa Branca. “Não há dúvidas de que esse aparato inclinou a balança para um dos lados”, afirmou.

    Mike Benz explicou, ainda, que esta rede abastecia Organizações Não Governamentais (ONGs) e agências de checagem com milhões de dólares para “instrumentalizá-las no controle da informação”. Segundo ele, “durante o governo Bolsonaro, o governo dos EUA despejaram mais de US$ 90 milhões nas operações da USAID e seus parceiros no Brasil”.

    Um dos parceiros da USAID nesta operação foi o Atlantic Council que teve como dirigentes sete ex-diretores da CIA. O Wilson Center é outro ator que deu treinamento para entidades brasileiras sobre censura, com o pretexto de combate à desinformação. “O objetivo era fortalecer a oposição e censurar os conservadores, principalmente nas redes sociais”, assegurou.

    Na avaliação de Marcel van Hattem (NOVO/RS), “toda a narrativa de golpe já estava prevista antes da eleição”. Para Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP) “ficou claro que houve um conluio dos democratas com a esquerda brasileira e as agências de checagem, que interferiram no fluxo de informações. É extremamente grave tudo isso”, pontuou.

    Filipe Barros (PL/PR), presidente da CREDN, explicou que, “ainda em agosto, votaremos o Projeto de Lei que proíbe dinheiro estrangeiro em ONGs brasileiras. Além disso, vamos trabalhar por uma CPMI para investigar o dinheiro da USAID no Brasil e estudar, também, a possível cassação do registro do Partido dos Trabalhadores, pois a Lei Eleitoral não permite que partidos políticos recebam direta ou indiretamente recursos do exterior”.

Artigo, Felipe Vieira - Paulo Rabello de Castro vê risco crescente para a economia brasileira

Felipe Vieira é jornalista e principal âncora da BandNews. Ele é gaúcho e edita newsleter diária.

Este material é da newsleter do jornalista.

A RC Consultores, empresa comandada pelo economista e ex-presidente do IBGE e do BNDES Paulo Rabello de Castro, divulgou nesta segunda-feira (15) uma análise contundente sobre o cenário econômico brasileiro. Com o título "O Abismo Está Mais Perto", o relatório avalia que as expectativas para inflação, juros e crescimento vêm se deteriorando rapidamente, aumentando os riscos para a economia nos próximos anos.


A divulgação do mais recente Boletim Focus do Banco Central provocou o alerta da consultoria sobre os rumos da economia brasileira. Em análise distribuída ao mercado, a RC Consultores afirma que o cenário econômico apresenta sinais de deterioração acelerada e defende que o espaço para uma redução consistente dos juros está se tornando cada vez mais limitado.


No relatório, os economistas destacam a sequência de revisões para cima das projeções de inflação e o impacto desse movimento sobre as expectativas de mercado. Segundo a avaliação, a inflação projetada para o fim de 2026 alcançou 5,35%, avanço significativo em relação aos 3,87% estimados em fevereiro deste ano.


De acordo com a consultoria, a mudança ocorreu em um período relativamente curto. Em apenas quatro meses, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou quase um ponto e meio percentual, refletindo uma percepção crescente de dificuldade para o controle da inflação.


A análise aponta que o efeito dessa deterioração também aparece nas projeções para a taxa básica de juros. Em março, o mercado trabalhava com a expectativa de que a Selic encerraria 2026 em torno de 12% ao ano. Agora, segundo o levantamento citado pela RC Consultores, a previsão já se aproxima de 14%.


Outro ponto destacado é o comportamento dos juros reais, considerados um dos mais elevados do mundo. Segundo o relatório, o juro real implícito para 2026 ultrapassa 8,6% ao ano, patamar que, na avaliação da consultoria, dificulta investimentos de longo prazo, reduz a expansão do crédito e aumenta os custos para empresas e famílias.


Embora as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) tenham apresentado leve melhora, com expectativa próxima de 2% para 2026, a RC Consultores considera que esse desempenho é sustentado principalmente pela expansão dos gastos públicos. Na avaliação da empresa, esse impulso pode não ser suficiente para garantir crescimento sustentável nos anos seguintes.


A preocupação maior está concentrada em 2027. O relatório observa que as projeções já apontam desaceleração da atividade econômica, com crescimento estimado em torno de 1,66%, cenário que refletiria os efeitos prolongados de juros elevados e de um ambiente econômico menos favorável para investimentos privados.


Os economistas da consultoria atribuem parte desse quadro à política fiscal do governo federal. Segundo a análise, o aumento das despesas públicas teria contribuído para elevar a percepção de risco dos investidores, pressionando as expectativas de inflação e reduzindo a eficácia da política monetária conduzida pelo Banco Central.


O documento conclui defendendo uma mudança de rumo na condução econômica do país. Para a RC Consultores, sem medidas capazes de recuperar a confiança fiscal e reduzir as incertezas sobre as contas públicas, o Brasil poderá enfrentar um período mais prolongado de crescimento baixo, juros elevados e inflação resistente.


A avaliação da consultoria reforça um debate que vem ganhando espaço entre economistas, investidores e agentes do mercado financeiro: o desafio de equilibrar crescimento econômico, controle da inflação e sustentabilidade das contas públicas em um cenário marcado por incertezas internas e externas.


Jornalista Felipe Vieira

Artigo, Charlene de Ávila e Néri Perin -O PL 5.122/2023 e a Crise do Endividamento Rural: Alívio Necessário ou Solução Temporária?

Por muitos anos, a narrativa predominante no crédito rural brasileiro sustentou que a inadimplência do produtor era consequência de falhas individuais de gestão, planejamento inadequado ou excesso de endividamento. Entretanto, o aumento das recuperações judiciais rurais, das renegociações de crédito e a própria tramitação do PL 5.122/2023 revelam uma realidade distinta: o Brasil enfrenta uma crise sistêmica de endividamento rural.


O texto final do Projeto de Lei 5.122/2023, que criou um programa de renegociação de dívidas rurais, incluiu algumas mudanças solicitadas pelo sistema financeiro e pelo governo, por meio de emendas elaboradas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin). Mesmo assim, o Ministério da Fazenda estima impacto para o Tesouro Nacional de R$ 140 bilhões ao longo de dez anos.


A aprovação do projeto pelo Senado Federal, ao prever uma linha especial de refinanciamento de dívidas rurais com juros subsidiados e prazos estendidos, representa o reconhecimento institucional de que milhares de agricultores e pecuaristas foram atingidos por circunstâncias extraordinárias que escapam ao seu controle.


A questão central não é apenas saber se o refinanciamento é justo ou necessário, mas compreender por que o setor chegou a essa situação.


A crise atual resulta da combinação de diversos fatores acumulados ao longo dos últimos anos. Eventos climáticos extremos, como secas, geadas e enchentes, comprometeram sucessivas safras em diversas regiões do país.


Ao mesmo tempo, houve forte aumento dos custos de produção, especialmente de fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas, aliado à volatilidade dos preços das commodities agrícolas, à elevação das taxas de juros e à insuficiência do seguro rural.


Em muitos casos, a capacidade de pagamento do produtor foi comprometida não por erro de gestão, mas por circunstâncias externas e extraordinárias.


A agricultura possui uma característica econômica singular: os custos são assumidos antes da colheita, enquanto a receita depende de fatores futuros e incertos. O financiamento é contratado previamente, mas o retorno econômico depende das condições climáticas, da produtividade obtida e dos preços praticados no mercado.


Quando uma quebra de safra ocorre, a dívida permanece integralmente exigível, ainda que a produção tenha sido drasticamente reduzida. O sistema de crédito rural frequentemente opera como se o risco climático fosse uma exceção, quando, na realidade, ele constitui um dos elementos centrais da atividade agrícola.


Além disso, o produtor rural enfrenta uma relação econômica particularmente desfavorável. Compra seus insumos em mercados altamente concentrados, pagando preços elevados, mas vende sua produção em mercados globais sobre os quais não possui qualquer influência. Os preços agrícolas são determinados por fatores internacionais, como oferta e demanda mundial, câmbio, conflitos geopolíticos e políticas comerciais de grandes economias.


Assim, mesmo diante de uma boa produtividade, a queda dos preços das commodities pode comprometer completamente a rentabilidade da atividade.


Um dos aspectos mais relevantes do PL 5.122/2023 é que o refinanciamento não será automático para todos os produtores endividados. O acesso ao programa dependerá do preenchimento de requisitos específicos, especialmente da comprovação de perdas produtivas relevantes decorrentes de eventos climáticos ou circunstâncias extraordinárias ocorridas entre 2020 e 2025, além do enquadramento do município nos critérios definidos pela legislação.


É justamente nesse ponto que surge um dos principais debates jurídicos do projeto.

Por um lado, o Estado reconhece a existência de uma crise rural ampla e generalizada. Por outro, exige que cada produtor demonstre individualmente os prejuízos sofridos para ter acesso aos benefícios da política pública. Essa tensão entre reconhecimento coletivo da crise e comprovação individual do dano talvez seja a principal fragilidade jurídica e política do texto aprovado.


Forma-se, assim, um paradoxo evidente: o mesmo Poder Público que admite a excepcionalidade da situação transfere ao agricultor o ônus de comprovar que foi atingido por ela.


Na prática, cria-se uma segunda penalidade ao agricultor: primeiro ele suporta os efeitos da crise; depois, precisa provar que foi vítima dela. O resultado é a burocratização de uma política que nasceu para enfrentar uma emergência setorial, transformando um problema reconhecidamente sistêmico em uma sucessão de disputas individuais.


A discussão torna-se ainda mais relevante quando comparada às experiências internacionais. Nos países com agricultura altamente desenvolvida, a gestão dos riscos não recai exclusivamente sobre o produtor. Sistemas robustos de seguro agrícola, programas de estabilização de renda e instrumentos permanentes de mitigação de riscos reduzem a vulnerabilidade econômica do setor.


No Brasil, apesar dos avanços observados nos últimos anos, o seguro rural ainda é insuficiente para atender à demanda existente. Muitos produtores não conseguem contratar cobertura adequada e, quando conseguem, frequentemente recebem indenizações incapazes de recompor integralmente os prejuízos sofridos.


Na prática, a quebra de safra acaba se convertendo em endividamento. O risco climático, que deveria ser compartilhado por instrumentos de proteção econômica, permanece concentrado quase exclusivamente sobre o agricultor.


Sob a perspectiva jurídica, o PL 5.122/2023 não promove perdão de dívidas. O produtor continuará responsável pelos compromissos assumidos. O projeto apenas reconhece que determinadas obrigações se tornaram economicamente inexequíveis diante das circunstâncias enfrentadas por parcela significativa do setor.


O refinanciamento busca restabelecer a capacidade de pagamento sem inviabilizar a continuidade da atividade produtiva. Em termos práticos, procura transformar uma dívida impossível de ser quitada em uma obrigação potencialmente administrável.


Em última análise, o debate não deveria se concentrar apenas no impacto fiscal de R$ 140 bilhões projetado para a renegociação das dívidas rurais, mas no fracasso de um modelo que insiste em tratar as consequências em vez de enfrentar as causas dos problemas.


O produtor rural brasileiro encontra-se preso em uma engrenagem na qual assume os riscos da produção, suporta os efeitos das adversidades climáticas, das oscilações de mercado e do aumento dos custos, mas não dispõe de uma rede de proteção compatível com a importância estratégica da atividade que exerce.


O paradoxo é evidente: reduzem-se os investimentos em instrumentos preventivos, como o seguro rural, enquanto se ampliam os gastos com programas emergenciais de renegociação.


O custo hoje apontado pelo governo não é apenas o custo das dívidas rurais; é o custo acumulado de anos de insuficiência na gestão pública do risco agrícola.


Se o Brasil pretende consolidar-se como potência agroalimentar, precisará abandonar a lógica da reação permanente e construir uma política agrícola baseada na prevenção, na previsibilidade e na segurança econômica do produtor.


Do contrário, continuará transformando crises anunciadas em passivos cada vez maiores, transferindo para toda a sociedade o preço da ausência de planejamento estatal.



Charlene de Ávila


Advogada. Mestre em Direito Empresarial. Consultora Jurídica em propriedade intelectual na agricultura do Escritório Néri Perin Advogados Associados. Atua na análise jurídica das relações entre patentes de invenção, proteção de cultivares, biotecnologia agrícola e direitos dos agricultores, com especial atenção aos impactos institucionais, legais e econômicos do sistema de propriedade intelectual no agronegócio.



Néri Perin


Advogado agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil pela UFP. Diretor Administrativo do Escritório Néri Perin Advogados Associados.

Artigo, Eugênio Esber, Zero Hora - Eduardo Bolsonaro, o Pix e a notícia que não parou em pé

Eugênio Esber é jornalista, escreve em Zero Hora e na Revista Oeste.

A cobertura sobre o Zelle expôs como manchetes alarmistas podem sobreviver mesmo quando a entrevista desmente a tese

Na semana passada, as redes digitais foram tomadas pela notícia de que Eduardo Bolsonaro propunha a substituição do Pix por um sistema de pagamentos chamado Zelle, que opera nos Estados Unidos. A rajada de alertas nos telefones celulares conduzia a textos publicados por diferentes veículos - de jornais, como Correio Braziliense e O Globo (edição digital), a portais de informação como Metrópoles, Infomoney e Exame, os dois últimos especializados em assuntos de economia e finanças. Logo, um vídeo publicado por Eduardo Bolsonaro condenava o que chamou de "patifaria" da imprensa a partir de notícia falsa de O Globo replicada por outros veículos.

De imediato, eu já havia notado, na cobertura, o tom alarmista típico de conteúdos que se tornam ou pretendem se tornar virais na internet. E em um ou outro texto que acessei era patente que os elementos trazidos não sustentavam, objetivamente, a carga de assertividade propagada nos títulos e chamadas que, por natureza, buscam fisgar a atenção do público. Mas diante do termo "patifaria" decidi ver, por mim mesmo, quem falava a verdade. Em favor de Eduardo, um dos perseguidos pelo regime STF-PT, e hoje exilado nos EUA, contava o fato de que, em seu vídeo, ele desafiara a imprensa a publicar a íntegra do vídeo da entrevista que concedera à TMC News.

Em meu artigo na revista Oeste, relato, palavra por palavra, a pergunta que o apresentador do "TMC 360" fez ("O Pix está ameaçado?") e a resposta de Eduardo, que durou dois minutos. E, sim, o membro do clã Bolsonaro mais próximo de Donald Trump tem todas as razões para reclamar da cobertura dada às suas declarações. Ele não "propôs", "defendeu" ou "sugeriu" a "troca" ou "substituição" do Pix pelo Zelle, nem deu margem para esta conclusão. Sua citação ao Zelle, até então desconhecido para muitos, ilustra o que verdadeiramente está em questão. Os EUA não são contra um método de pagamento instantâneo como o Pix, até porque também têm o seu. O que o Escritório de Comércio dos EUA critica em seu relatório é o fato de o Banco Central ser, ao mesmo tempo, operador e regulador do sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o que tornaria o Pix um "campeão nacional" privilegiado perante concorrência.

Eduardo disse esperar dos jornais e portais envolvidos na celeuma uma retratação. Que não veio - com a honrosa exceção do Poder360, que no dia 4 de junho publicou uma "Correção". Outros veículos modificaram suas notas sem admitir o erro. O Globo, nem isso: manteve a afirmação de que Eduardo havia sugerido a substituição do Pix pelo Zelle. Tampouco as agências de checagem se moveram para apontar o caráter enganoso das manchetes construídas sobre a entrevista do dia 3 de junho.

O jornalismo profissional e seu discurso de virtuosismo saem amesquinhados deste episódio.


Análise, Amir Segal - Rendição total

CLIQUE AQUI para sager quem é Amir Segal.

Este artigo foi replicado na manhã de hoje pela principal publicação do Likud Brasil. Os materiais de hoje demonstram a enorme conttariedade de Israel em relação aos termos do acordo em curso entre EUA Irã. O governo de Israel considesra-se traído, protesta publicamente e Trump reage com críticas desaforadas.

O acordo com o Irã está avançando rapidamente para ser assinado, deixando o futuro político de Netanyahu sem fôlego pelo caminho.


15 de junho de 2026


É segunda-feira, 15 de junho, e depois que Donald Trump declarou o acordo finalizado ontem à noite, lembrei-me de uma frase de Henry Kissinger:


“Pode ser perigoso ser inimigo dos Estados Unidos, mas ser amigo dos Estados Unidos é fatal.”


Os detalhes ainda precisam ser confirmados, mas é assim que o acordo parece neste momento.


Ele começa com um cessar-fogo imediato em várias frentes — incluindo o Líbano — e com a suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos em troca da “abertura” do Estreito de Ormuz pelo Irã. O Irã está exigindo um pagamento inicial de 12 bilhões de dólares antes da abertura do estreito e, julgando pela ansiedade de Trump em fechar o acordo, dificilmente terá seu pedido negado.


Entretanto, permanece uma ambiguidade significativa em relação ao estreito. Enquanto Trump afirma que a abertura será “livre de pedágios”, autoridades iranianas já indicaram anteriormente que ainda poderão impor taxas ou manter controle regulatório sobre a passagem — assegurando, na prática, um dos principais objetivos de guerra do Irã, com a concordância americana conferindo legitimidade a isso.


O acordo também estipula que, dentro de 60 dias após sua assinatura prevista para 19 de junho, em Genebra, os dois países iniciarão novas negociações sobre o fim de todas as sanções americanas, a questão nuclear e a reconstrução econômica do Irã.


A estrutura do acordo parece divergir significativamente das posições anteriores dos Estados Unidos.


Trump, que antes insistia na destruição de todas as instalações nucleares iranianas e em enriquecimento zero de urânio, disse ao New York Times que o Irã agora poderá enriquecer urânio em baixo nível. Isso significa que o “enriquecimento zero” nem sequer chegará à mesa de negociações.


Por sua vez, a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, descreveu o acordo como uma “pausa tática na guerra, e não uma solução definitiva”, alertando que “muitas outras concessões serão necessárias” para qualquer acordo futuro e que, devido à experiência iraniana com a “má-fé americana”, um acordo definitivo é improvável.


Teerã também está cedendo muito pouco em outras áreas. Diante da exigência americana de uma proibição de enriquecimento por 20 anos, o Irã propõe apenas uma pausa de cinco anos. Além disso, está tentando desbloquear parte de seus ativos congelados já durante a implementação do memorando de entendimento, reduzindo a capacidade de pressão americana e obtendo alívio econômico antes mesmo das negociações nucleares principais.


Trump declarou que, caso essas negociações fracassem, os Estados Unidos voltarão à guerra — uma ameaça que merece ser levada tão a sério quanto todas as outras vezes que ele fez declarações semelhantes nos últimos 68 dias.


Resumindo:


O Irã recebe:


* fim do bloqueio aos seus portos;

* alívio de sanções;

* reconhecimento de fato de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.


Em troca, compromete-se a:


* respeitar o cessar-fogo original;

* restaurar a liberdade de navegação;

* interromper atos aleatórios de violência.


Nas negociações nucleares futuras, o Irã não será obrigado a encerrar completamente seu programa nuclear; apenas reduzir o enriquecimento, e apenas por um período entre cinco e, no máximo, vinte anos.


A posição americana em uma palavra: rendição.



Isso deixa Benjamin “Vitória Total” Netanyahu numa posição desconfortável.


Por necessidade e ambição, ele atrelou seu destino político ao de Trump. Agora, com Trump dirigindo em alta velocidade em direção ao precipício, Netanyahu precisa descobrir como se desvincular antes que ambos caiam juntos.


Essa situação representa uma mudança radical em relação a poucas semanas atrás.


Na época, acreditava-se que Trump seria um fator decisivo para as perspectivas eleitorais de Netanyahu. Falava-se até em conceder a Trump o Prêmio Israel, em uma visita pré-eleitoral ao país e em uma volta triunfal celebrando vitórias em Gaza e contra o Irã, coroada por um forte apoio público ao primeiro-ministro.


Hoje, esse cenário parece improvável.


Trump ainda promete ser um fator decisivo, mas não da maneira que Netanyahu esperava.


Há também a questão do possível perdão judicial e do apoio político que Trump ofereceu a Netanyahu. O impacto total disso ainda não está claro, mas certamente influenciará os cálculos do presidente Isaac Herzog.


Netanyahu enfrenta agora o maior desafio de seus 30 anos lidando com presidentes americanos.


Ele não pode repetir a estratégia de 2015, quando discursou no Congresso americano para tentar sabotar o acordo nuclear de Obama.


Em parte porque Trump provavelmente seria muito mais vingativo do que Obama. Mas também porque este é um Congresso republicano, e os republicanos de hoje não costumam desafiar seu líder.


Mesmo se não fosse um Congresso republicano, Hakeem Jeffries não está prestes a repetir o convite feito por John Boehner naquela época.


Dado o atual sentimento do Partido Democrata em relação a Netanyahu, talvez eles preferissem convidar Mojtaba Khamenei.


Com Obama, Clinton ou Biden, Netanyahu sempre podia recorrer ao Capitólio quando a Casa Branca esfriava suas relações com Israel.


Agora ele está preso no Salão Oval com “o melhor amigo de Israel”.



O verdadeiro problema de Netanyahu não é um mau acordo com o Irã, mas o fogo contínuo vindo do Líbano.


Como um importante ministro do gabinete disse ao autor:


“O Irã é problema de Trump, e ele tem o direito de negociar com eles. Mas o Líbano é nosso.”


Na manhã de ontem, o Hezbollah violou descaradamente o cessar-fogo da semana passada ao disparar contra o norte de Israel. Israel respondeu atacando um quartel-general do grupo em Dahieh.


Isso teria provocado mais uma reação irritada de Trump contra Netanyahu, pela segunda semana consecutiva.


Mas focar na reação ignora a motivação.


Segundo o autor, existem apenas duas possibilidades:


1. O Hezbollah decidiu agir contra os interesses do próprio Irã e sabotar o acordo — algo considerado improvável.

2. O Irã está tentando forçar Israel a atacar Dahieh.


Se Israel não responde, cria-se uma nova realidade em que o Hezbollah pode atacar sem consequências.


Se responde, Trump se volta contra Israel.


Exatamente o que aconteceu.


Na visão do autor, trata-se de uma tentativa iraniana — com apoio americano — de restabelecer as condições de segurança existentes antes de 7 de outubro.


Ainda não está claro o que exatamente o acordo exige em relação ao Líbano.


Pode ser apenas um cessar-fogo simples, sujeito a constantes violações.


Ou pode significar uma retirada completa das forças israelenses do território libanês.


Israel já deixou clara sua posição sobre essa possibilidade.


O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou:


“As Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança do Líbano, Síria e Gaza sem limite de tempo.”



Se este for realmente o momento decisivo, o autor afirma que existe apenas uma resposta correta para Netanyahu:


enfrentar Trump.


Como disse o ministro citado:


“Esta é a nossa guerra. Ela nos foi imposta. Não podemos aceitar a equação iraniana.”


Mesmo que isso provoque um confronto direto com o presidente dos Estados Unidos.


Israel não pode permitir que sua política de segurança seja determinada a partir de Washington.


E, segundo o autor:


“O primeiro-ministro que permitir isso não permanecerá primeiro-ministro por muito tempo.”



A oposição, naturalmente, não está disposta a conceder a Netanyahu essa reinvenção política.


Yair Lapid chamou o acordo de “fracasso total”.


Yair Golan afirmou que Netanyahu “mentiu” e produziu “um dos mais graves fracassos estratégicos da história de Israel”.


O autor, porém, desafia a oposição:


Qual teria sido o dia exato em que eles tomariam uma decisão diferente?


Teriam deixado de lançar a operação contra o Irã quando ele estava a poucas semanas de obter uma bomba?


Ou teriam recusado a ajuda do exército mais poderoso do mundo quando Trump a ofereceu?


Segundo o autor, o desapontamento atual vem da crença de que desta vez a história terminaria definitivamente.


E essa expectativa foi alimentada pela promessa de Netanyahu de uma “vitória total”.


Mas, olhando para os resultados concretos:


* Militarmente, Israel está mais forte do que há um ano.

* Estrategicamente, sua situação ficou mais complexa.


As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.


E, segundo o autor, a crítica populista da oposição ignora esse fato.



Por fim, ele reconhece que comentários políticos hoje têm prazo de validade curto.


Amanhã o acordo pode desmoronar e os ataques podem recomeçar.


Mas, se isso não acontecer, Israel e Netanyahu — os amigos mais próximos dos Estados Unidos — estarão enfrentando um desafio potencialmente fatal.