sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O suicídio de um Partido


• Por Pedro Luiz Rodrigues
• Embaixador e Jornalista 

Caso fatos notáveis não venham a ocorrer, o Partido dos Trabalhadores deverá sofrer amarga derrota no segundo turno das eleições presidenciais, no próximo dia 28 de outubro.
Era apenas uma questão de tempo para que o partido começasse a se esboroar. Como desde sua criação (1980) viveu de contradições, de meias-verdades e de falsas aparências, nunca transitou com desenvoltura no ambiente da democracia. Como em obras que desabam, sobrou areia, faltou cimento.

A partir de quando o PT deixou der oposição e se tornou governo, suas bandeiras originais – que por vinte anos  haviam seduzido massas de jovens idealistas – foram sendo jogadas na lata de lixo.

Honestidade, decência, transparência, todas deixaram de ser qualidades admiradas e praticadas por seus dirigentes. Os jovens idealistas, não mais tão jovens assim, perceberam (pelo menos alguns deles) que não haviam  sido usados apenas como massa de manobra.

Fazer o quê? Quem nasceu para tubarão não pode pretender ser golfinho. O PT diz que é democrata, mas não pode ser, porque seu objetivo final é a implantar uma ditadura (a do proletariado). Lula já jurou que o partido não é marxista, mas os intelectuais da agremiação dizem seguir a pauta marxista-gramscianam que rejeita a alternância democrática.

O povo não é burro e quem não espera prebendas ou favores do petismo tem razões para morrer de rir com a notícia de que o PT, juntamente com seus aliados (PCdoB, PSOL e outros), estariam para formar uma “frente democrática” para contrapor-se à candidatura de Jair Bolsonaro.

Falsear, mudar de cara, é o que a dobradinha PT-PCdo B está fazendo agora, mais uma vez. Um de seus anúncios de campanha do primeiro turno era  do tipo tradicional, muito vermelho, e os dois candidatos secundados pela imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. Na versão para o segundo turno o vermelho deu lugar ao verde, ao amarelo e ao azul e Lula, no melhor estilho soviético, foi simplesmente eliminado da fotografia.

Para o PT a derrota que se avizinha será estrondosa e definitiva; vai ser a pá de cal no túmulo de um partido que vem se suicidando aos poucos, desde 2005, quando o Mensalão revelou à sociedade que o PT falseara sua credenciais morais para chegar e se manter no poder.

Esse falseamento moral foi necessário para a participação do PT num regime democrático, onde as regras do jogo pressupõem a aceitação da diversidade ideológica, a alternância no poder e a máxima lisura na defesa dos interesses legítimos do Estado.

O PT não aceita a democracia, nem a diversidade ideológica nem a alternância no poder. Quanto ao Estado, cuidaram de aparelhá-lo partidariamente – inclusive o Itamaraty, instituição à qual pertenço – privilegiando a lealdade ou subserviência ao partido à qualidade e méritos profissionais.

Se saíram do poder no impeachment de Dilma ( “o golpe, o golpe, o golpe”,  do refrão partidário),  serão definitivamente escorraçados agora,  no final de outubro, pelo voto popular.

O PT não teve forças para corromper as instituições brasileiras, muito mais fortes do que as da Venezuela, país próspero que os aliados do PT conseguiram levar à ruína.

Um comentário:

  1. Parabéns a Pedro Luiz Rodrigues pelo artigo altamente esclarecedor.
    Um agradecimento ao competente jornalista Políbio Braga por compartilhar esse conteúdo repleto de verdades das quais, duvido que alguém consiga fugir para continuar se esgueirando pelas trilhas das mentiras e barbaridades por onde o PT tem caminhado e conduzido muita gente até esse momento, antes de cairem, o partido e seus seguidores, definitivamente no abismo.

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