Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, alerta para os sinais da doença, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a aproximadamente 10% dessa população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)1. Apesar da alta prevalência, a doença ainda é pouco reconhecida e pode levar anos até ser diagnosticada, o que prolonga o sofrimento das pacientes e dificulta o tratamento adequado.
O alerta ganha destaque durante o Março Amarelo, mês de conscientização sobre a endometriose. De acordo com o ginecologista Dr. Rogério Felizi, líder do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um dos principais desafios ainda é o reconhecimento precoce da doença.
“A endometriose é muito comum, mas muitas mulheres convivem com sintomas durante anos sem receber o diagnóstico correto. Isso acontece porque alguns sinais acabam sendo normalizados, como a cólica menstrual intensa. Mas sentir dor incapacitante não é normal e precisa ser investigado”, afirma.
A doença ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a se desenvolver fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Em alguns casos mais raros, os focos da doença podem surgir até mesmo no diafragma.
O diagnóstico tardio
Um dos principais problemas associados à endometriose é o atraso no diagnóstico. Uma publicação de 2020 da New England Journal of Medicine2 aponta que o intervalo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode variar entre 6 e 10 anos, com relatos de atrasos superiores a uma década. Esse cenário ocorre, em parte, porque os sintomas são frequentemente confundidos com outras condições ou minimizados como parte do ciclo menstrual.
Entre os sinais mais comuns estão dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual e alterações intestinais ou urinárias, principalmente quando esses sintomas se intensificam durante o período menstrual.
“É importante observar se a dor interfere na qualidade de vida. Quando a mulher deixa de trabalhar, estudar ou realizar atividades do dia a dia por causa das cólicas, isso já é um sinal de alerta para procurar avaliação médica”, explica o Dr. Felizi.
Dor menstrual intensa não deve ser naturalizada
A endometriose também tem forte relação com infertilidade: o médico conta que entre 30% e 50% das mulheres com infertilidade podem ter endometriose associada. Embora a doença não seja a única causa de dificuldade para engravidar, ela está entre os fatores mais frequentes.
Segundo o Dr. Felizi, a investigação costuma envolver uma combinação de avaliação clínica e exames de imagem. Entre os principais métodos utilizados estão o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve, exames capazes de mapear lesões profundas e orientar o planejamento terapêutico.
“O diagnóstico correto depende muito da suspeita clínica e de exames realizados com protocolo específico para endometriose. Hoje conseguimos identificar melhor a extensão da doença e planejar o tratamento de forma mais precisa”, afirma o médico.
Tratamento exige abordagem multidisciplinar
O tratamento da endometriose varia conforme a intensidade dos sintomas e a extensão da doença. Em muitos casos, a abordagem inicial envolve medicação para controle da dor e terapias hormonais, que ajudam a reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
No entanto, em situações mais avançadas, pode ser necessária cirurgia para remoção dos focos da doença, especialmente quando há comprometimento de estruturas como intestino, bexiga ou vias urinárias.
Nesses cenários, o cuidado costuma envolver diferentes especialidades médicas. “A endometriose pode atingir vários órgãos da pelve. Quando isso acontece, o tratamento muitas vezes exige uma equipe multidisciplinar, com ginecologista, urologista, proctologista, especialista em dor, fisioterapeuta pélvico e nutricionista trabalhando de forma integrada”, explica Felizi.
Quando há suspeita de comprometimento de órgãos além do sistema reprodutor, a condução em hospitais com estrutura para casos de maior complexidade pode contribuir para uma avaliação mais abrangente da paciente e para o planejamento de intervenções cirúrgicas que envolvam diferentes especialidades.
Em centros com esse perfil assistencial, o cuidado costuma integrar diagnóstico por imagem especializado, tratamento clínico, cirurgia minimamente invasiva e acompanhamento multiprofissional, permitindo abordar desde quadros iniciais até situações mais avançadas da doença.
Outro aspecto importante é o impacto emocional e social da doença. Por se tratar de uma condição crônica e frequentemente associada a dor persistente, muitas pacientes enfrentam anos de sofrimento até chegar ao diagnóstico correto.
“Levar informação é fundamental para que as mulheres reconheçam os sinais e busquem ajuda médica. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar complicações”, conclui o especialista.
Durante o Março Amarelo, campanhas de conscientização reforçam justamente essa mensagem: dor não deve ser normalizada. Reconhecer os sintomas e buscar avaliação especializada pode fazer diferença no diagnóstico e no tratamento da endometriose.
Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado o da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI). Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado. Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.
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