Governo Lula e PT estão irritados com Galípolo
O Estadão de hoje conta que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, virou alvo de fortes críticas no Palácio do Planalto e na cúpula do PT. A irritação cresceu nesta quarta-feiraquando Galípolo isentou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto de responsabilidade pelo colapso do Banco Master, que causou prejuízo de mais de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A estratégia sobre a linha do governo para se descolar do escândalo do Master foi definida em várias reuniões no Palácio do Planalto. Desde que estourou a crise, a Fazenda, a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação avaliaram que o caso poderia contaminar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Diante desse cenário, a ordem foi associar as falcatruas de Daniel Vorcaro, dono do Master, à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula chegou até mesmo a se referir ao Master como “ovo da serpente” de Bolsonaro e Campos Neto.
Não foi à toa que petistas passaram a chamar o escândalo de “Bolsomaster”, fazendo também a ligação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal desafiante de Lula na disputa.
Ao falar nesta quarta-feira à CPI do Crime Organizado no Senado, porém, Galípolo não cumpriu esse roteiro. Quando questionado se considerava que Campos Neto havia tido culpa no processo que resultara na liquidação do Master, o presidente do Banco Central nada disse que desabonasse seu antecessor.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto”, respondeu Galípolo. “Consigo relatar aqui o que está nos autos”.
As declarações provocaram revolta no Planalto e no PT. Há tempos petistas dizem, nos bastidores, que Galípolo – indicado por Lula em 2024, a pedido do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad – tem sido uma “decepção” no cargo. O próprio presidente admitiu, no mês passado, ter ficado “triste” e “frustrado” com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa de juros em apenas 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano.
Integrantes do núcleo de governo afirmam que Galípolo age para “agradar” à Faria Lima, já preparando a “volta ao mercado”, embora o seu mandato só termine em dezembro de 2028.
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