Dívida pública dispara com Lula e vai para R$ 10,6 trilhões, 81,1% do PIB, a maior da história do Brasil

O número alcançou o maior nível da história, chega a R$ 10,6 trilhões e amplia o desafio fiscal para os próximos anos, segundo dados oficiais do Tesouro Nacional.

A dívida bruta do governo geral voltou a crescer e atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, de acordo com números divulgados pelo Tesouro Nacional. O percentual representa o maior patamar registrado em cinco anos e coloca o endividamento do setor público próximo do pico observado durante a pandemia de Covid-19. Os dados mostram que, desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o indicador avançou 9,4 pontos percentuais. Quando a atual gestão começou, a dívida correspondia a 71,7% do PIB. Hoje, o estoque supera R$ 10,6 trilhões.

O crescimento ocorre em um cenário marcado pela continuidade dos déficits fiscais e pela expansão das despesas públicas.

Resultado fiscal pressiona o endividamento

Em maio, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões, acima do resultado negativo verificado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, o rombo chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a aproximadamente 1,14% do PIB.


A farra das bondades com o chapéu alheio

O próximo governo terá que tomar decisões difíceis e os sacrifícios terão de ser compartilhados pelos demais poderes

Em uma era de crises institucionais recorrentes, em ao menos um aspecto os três poderes da República estão plenamente sintonizados. Não há preocupação do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em contribuir para a saúde das contas do país. O clima é de porteira aberta para distribuir bondades, benefícios e regalias por vantagens eleitorais e corporativas. O fato de a fonte dos recursos distribuídos para grupos localizados ou já privilegiados ser o contribuinte também parece importar pouco. 

O clima é de porteira aberta para distribuir bondades, benefícios e regalias por vantagens eleitorais e corporativas

Foi frustrante a decisão desta semana do Supremo Tribunal Federal (STF) de flexibilizar regras para o pagamento dos chamados penduricalhos para categorias como juízes, promotores e procuradores. Ao fim, voltou atrás em parte do limite que a própria Corte havia colocado nesses desembolsos em março. O rompante moralizador arrefeceu rapidamente. A decisão do Supremo legitima contracheques que podem extrapolar em até 70% o teto constitucional de R$ 46 mil. Ou seja, R$ 32,4 mil extras.

A farra das bondades com o chapéu alheio é puxada pelo governo federal, que deveria ter a maior responsabilidade com as finanças do país. Mas, premido por uma batalha pela reeleição que deve ser renhida, devido à rejeição significativa à administração petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não titubeia em abrir as torneiras dos gastos públicos, dos subsídios, da ampliação oportunista de programas sociais e de medidas de estímulo ao crédito. 

Estima-se que o conjunto de programas e benefícios criados ou turbinados pelo Planalto alcance em torno de R$ 200 bilhões. São medidas que ampliam despesas ou impulsionam o consumo de forma artificial. O bem-estar que esse tipo de artifício gera entre os favorecidos é fugaz. Ao cabo, gera uma inflação mais resistente e ameaça o ciclo de corte de juro pelo Banco Central, com reflexo nos próprios níveis de endividamento e de inadimplência. 

O Congresso, no mesmo embalo da gastança como se não houvesse um Brasil a administrar pós-eleição, tem o seu próprio cardápio de pautas-bomba com a ampliação da imunidade tributária para igrejas, aposentadoria especial para agentes de saúde e um projeto de lei para aumentar o piso de médicos e dentistas. O governo federal, que minimiza o impacto de seu pacote de bondades, mostra preocupação com as matérias que tramitam na Câmara e no Senado, que poderiam gerar gastos de mais de R$ 100 bilhões por ano. O Planalto ameaça judicializar esses temas e o ministro do STF Gilmar Mendes chegou a propor, no mês passado, uma súmula da Corte para conter pautas-bomba no Congresso. O freio de correção, portanto, viria do mesmo poder que nesta semana deu exemplo de pouco zelo com o dinheiro público quando estavam em jogo vantagens para quem já está no topo das carreiras mais bem pagas do país.

Alcolumbre diz que PEC do fim da 6 x 1 é eleitoreira e segura tramitação. Oposição tem proposta melhor.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre , tem evitado pautar e acelerar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, argumentando que a Casa não deve atuar apenas como "carimbadora", que o projeto é eleitoreiro e que o projeto precisa passar por debates nas comissões

A PEC, que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, foi aprovada na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado exigindo tramitação pelas comissões, o que tem gerado grande insatisfação do governo e de entidades sindicais que pressionam por celeridade. O senador declarou publicamente que não vai acelerar a tramitação para não transformar a votação em um "calendário eleitoral". Para ele, a matéria precisa ser discutida amplamente com a sociedade e com os setores produtivos.

Alternativa proposta pela Oposição

O senador Rogério Marinho propôs uma PEC paralela que tramita junto à pauta, permitindo negociações focadas em remuneração apenas por hora trabalhada, o que também gera divergências e debate sobre redução salarial.