Artigo, especial, Carina Belomé - Quando uma cidadã consegue fazer o que um governo inteiro não fez

Às vezes, a ironia da realidade supera qualquer sátira. 

Sou apenas uma jornalista, uma cidadã que paga impostos e convive com os mesmos problemas enfrentados por milhares de gaúchos. Ainda assim, bastou abrir uma inteligência artificial, formular uma pergunta e pedir que ela elaborasse um plano de redução de danos para eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul. Pedi que considerasse a nossa geografia, o tipo de solo, a economia regional, a realidade orçamentária e experiências internacionais que deram resultado. 

Em poucos minutos, obtive uma proposta organizada, didática e repleta de possibilidades para discussão e realização em nossa realidade atual.  

Isso me levou a uma reflexão profunda: se uma cidadã comum consegue reunir ideias coerentes com o auxílio de uma ferramenta acessível, por que governos inteiros, cercados por ministérios, secretarias, consultorias, universidades, especialistas e bilhões em recursos públicos ainda não apresentam um plano robusto, transparente e permanente para reduzir os impactos das enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul?  

Porque não possuem interesse no progresso, protecção e amparo ao seu povo.  

Novos eventos climáticos causados por cheias estão ocorrendo na região Norte e Noroeste do estado, onde 179 famílias estão desalojadas em mais de 21 municípios atingidos, nada de projetos. É angustiante, pois sei o que é perder tudo pelas águas duas vezes na vida.

Quem mais precisará morrer afogado para que um povo se levanta também? 

Ha apenas gritaria para discurso e palco de Lula e Leite, silêncio nas ações.  

Aliás, Leite brinca de ser o homem do tempo, talvez ele possa tentar ser um ator, jornalista, animador de festa, seria mais útil como pessoa pública.  

Depois da tragédia de 2024, imaginei que a prevenção deixaria de ser discurso para se transformar em prioridade. Afinal, vidas foram perdidas, famílias ficaram desabrigadas, produtores rurais perderam safras, empresas fecharam as portas e cidades inteiras precisaram recomeçar praticamente do zero. 

Mas chegamos a 2026 e continuo ouvindo muito mais discursos do que planejamento. 

Enquanto a natureza não espera, a política parece seguir o velho roteiro: reuniões, anúncios, comissões, promessas e disputas narrativas. A água sobe; a burocracia permanece parada. 

Não afirmo que soluções sejam simples. Não são. Porém, prevenção custa menos do que reconstrução. Planejamento custa menos do que improviso. Ciência aplicada custa menos do que administrar tragédias sucessivas. 

Prevenção se faz urgente, meus senhores.  

Será que a dor não ensina? 

O que me incomoda é perceber que parece faltar justamente aquilo que deveria ser a essência da administração pública: antecipar problemas em vez de apenas reagir a eles. 

Quando uma ferramenta de inteligência artificial consegue organizar propostas em poucos minutos e oferecer caminhos que merecem ao menos ser debatidos, a sensação é desconfortável. Não porque a tecnologia seja extraordinária, mas porque ela evidencia o quanto a falta de planejamento humano pode ser cara. 

O povo gaúcho não precisa apenas de solidariedade quando a enchente chega. Precisa de governantes que façam da prevenção uma política permanente, com metas, cronogramas e prestação de contas. 

Porque tragédias naturais podem ser

inevitáveis. A ausência de planejamento, essa sim, é uma escolha. 

Finalizo alertando o eleitor: tudo isso é responsabilidade nossa também. 

*Carìna Belomé, Jornalista - Comunicação Osmar Terra

Um comentário:

  1. Senhoras e Senhores,
    SAÚDE E PAZ!
    Muito lúcido o Artigo da GRANDE CARINA BELOMÉ!
    Parece que os caras preferem falar "GRE-GRE" PARA DIZER GREGÓRIO...
    Caiam na realidade!
    Ignácio Mahfuz

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