"Se Lula é operário, então Sílvio Santos era camelô" (anônimo).
Os discípulos de Paul Joseph Goebbels superam o mestre. Quando ministro da propaganda de Hitler, Goebbels ensinou que repetir, repetir, repetir uma mentira faz que ela se estabeleça como verdade. Os seus seguidores vão além: eles repetem mentiras para que outra mentira, que não está em pauta, grude na cachola da massa. E foi o que fez o ofensivo enredo da rebaixada escola Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio, transformando o sambódromo em palanque eleitoral e fazendo a apologia de Lula.
O espetáculo de mau gosto e de estrito caráter panfletário, transmitido com exclusividade pela Globo (ora quem!), cuidou de varrer da memória do público o mensalão e o petrolão. Ajudou a sedimentar a "narrativa" de que a Lava Jato foi mera perseguição a "heróis do povo". Nem falar dos escândalos atuais! O lulopetismo está atolado até os eixos no roubo aos aposentados e a tropa do Lula faz o que pode para impedir as investigações da CPMI do INSS.
Há muito mais. Porém, o destaque aqui, espécie de resumo da ópera, é o que se deu na campanha eleitoral de 2022, quando a propaganda afirmou, na cara de pau, que Lula foi absolvido pelo papa, pela ONU e pelo STF: três grandes mentiras! A referência era às condenações de Lula em três instâncias judiciais por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O papa não tem jurisdição: pode absolver pecados, mas não pode interferir em processos judiciais de Estados estrangeiros. A ONU não tem, igualmente, jurisdição e não pode absolver quem quer que seja.
E quando ao STF? O carnavalesco da escola (quem cria todo o enredo) deu impulso a uma das mais descaradas fake news em circulação, aquela que fala de absolvição do Lula no STF. O Min. Luiz Fux, STF, disse: "Ninguém pode esquecer o que ocorreu no Brasil, no mensalão, na Lava
Jato, muito embora tenha havido uma anulação formal, mas aqueles 50 milhões [do Geddel] eram verdadeiros, não eram notas americanas falsificadas. O gerente que trabalhava na Petrobras devolveu US$ 98 milhões e confessou efetivamente que tinha assim agido."
Gilmar Mendes, STF, disse que a anulação de processos da Operação Lava Jato foi um "ato formal" e que erros processuais (alegados para anular) não apagam fatos revelados pela investigação. E fala em tom conclusivo: "Ninguém discute se houve ou não corrupção".
Eis a "anulação formal" de que falam Fux e Mendes: depois de cinco anos de Lava Jato, um ministro do STF, sozinho (ato monocrático) decidiu que os crimes investigados na Lava Jato não deveriam tramitar na 13ª vara de Curitiba. O que a polícia e o Ministério Público apuraram e o Judiciário julgou foi anulado para voltar à estaca zero. Não houve absolvição dos crimes! (Passados cinco anos, já nem era facultado alegar incompetência territorial do juízo, mas... Decisão judicial não se discute...)
Fux e Mendes, quisessem ou não, disseram isto: um golpe gráfico, isto é, um canetaço tirou Lula da condição de condenado por vários crimes: ele não foi absolvido, ele foi "descondenado".
Mas o carnavalesco que concebeu o enredo da Acadêmicos de Niterói pode, imitando Lula, dizer: "eu não sabia". Ele não leu livros como "O que Sei de Lula" (José Nêumanne Pinto) nem "Assassinato de Reputações - Um Crime de Estado" (Romeu Tuma Junior), os quais trazem uma avalanche de fatos que desmontam a ridícula farsa do samba enredo. Também não leu o livro da jornalista Malu Gaspar: "A organização: A Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo", que desmascara quem diz que a Lava Jato existiu só para perseguir o lulopetismo. Ele não leu nada! Ou se leu, tanto pior! Porque, nessa hipótese, não terá sido honesto.
Como disse o jornalista Jorge Serrão, a Acadêmicos de Niterói "cometeu um estelionato carnavalesco". Pretextando fazer "arte", usou "dinheiro público" para fazer a apologia de um político que pretende reeleger-se. Um tal culto à personalidade do líder político assemelha-se ao que se via na Alemanha de Hitler, na China de Mao Tse-Tung, na Cuba de Fidel Castro e na União Soviética de Stalin: regimes totalitários nos quais, aliás, a violência estatal era método de governança.
E o povo? Ah, o povo da escola! Tangido como gado! Com aqueles artistas ignaros que participaram do desfile! As celebridades que os simples veem na TV ajudaram a compor um ambiente favorável à lavagem cerebral de quem pouco o nenhum acesso tem a informações - só a TV, todo dia a TV! Para os beneficiários da pantomima, o povo serve só para manter privilégios.
Na raiz da farsa está a presunção de impunidade. Hoje os discípulos de Goebbels estão à vontade para repetir, repetir, repetir a lenda do pobre operário, embora Lula tenha deixado de ser operário aos 26 anos para virar político. E o estelionato da escola será apagado da história: a campanha eleitoral antecipada, assim como o desrespeito à família e à religião e o flagrante "discurso de ódio" da escola (temas não tocados aqui) vão ficar impunes. Porque a impostura é a ordem atual.
Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
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