Cientista Político da Arko Advice pesquisas.
A pesquisa divulgada hoje (13) pelo instituto Veritá sobre a disputa ao Senado no Rio Grande do Sul mostra um cenário de grande imprevisibilidade faltando cerca de três meses para o pleito. Neste momento, temos cinco pré-candidaturas disputando as duas vagas em disputa: os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo); Sanderson (PL); e Paulo Pimenta (PT); a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL); e o ex-governador Germano Rigotto (MDB).
Van Hattem, Manuela, Sanderson e Pimenta estão tecnicamente empatados em primeiro turno em função da margem de erro da pesquisa, que é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. Rigotto, que aparece um pouco mais atrás nessa pesquisa, pode também estar empatado com Pimenta.
Intenção de voto consolidada considerando o 1º e 2º voto ao Senado*
Candidatos Intenções de voto (%)
Marcel Van Hattem (Novo) 23,5
Manuela D’Ávila (PSOL) 23
Sanderson (PL) 21,5
Paulo Pimenta (PT) 19,6
Germano Rigotto (MDB) 15,2
Frederico Antunes (PSD) 6,8
Milton Cardoso (PSDB) 3,1
Renato Jaguarão (Cidadania) 0,7
Branco/Nulo 14,5
Não sabe/Não respondeu 72,2
Fonte: Instituto Veritá (7 a 11/07)
*Os percentuais ultrapassam 100%, pois cada eleitor declara dois votos ao Senado
Com cinco pré-candidaturas “emboladas” – Van Hattem, Manuela, Sanderson, Pimenta e Rigotto – e mais o deputado estadual Frederico Antunes (PSD), que também pode crescer, a disputa pelas duas vagas está em aberto.
Além dos principais players terem intenções de voto próximas, merece ser observado o elevado percentual de indecisos (não sabe/não respondeu), que ultrapassa os 70%, indicando a existência de muitos votos ainda por serem disputados.
Outro aspecto a ser observado é que dos pleitos majoritários (presidente, governador e senador), a eleição ao Senado é a última em que o eleitor define seu voto. Como a eleição presidencial costuma dominar a atenção dos eleitores, seguido pela de governador, a decisão do voto para o Senado acaba ocorrendo perto do pleito, gerando os chamados “movimentos de última hora” na opinião pública, o que pode provocar surpresas.
Além da decisão de voto mais tardia, principalmente por parte do eleitor não engajado, o chamado “voto útil” também pode impactar a eleição. Os eleitores podem, por exemplo, trocar de candidato na reta final da disputa para evitar que uma alternativa que eles rejeitem acabe se elegendo.
Também devemos observar que a eleição ao Senado possui uma circunstância diferente das disputas para presidente e governador. Como o Senado renovará dois terços, os (as) candidatos (as) que obtiveram cerca de 30% dos votos têm boas possibilidades de vitória.
Apesar do cenário em aberto, vale registrar que o espectro da direita (Marcel Van Hattem e Sanderson) somam juntos 45% das preferências. O campo de esquerda (Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta) contabiliza 42,6% das intenções de voto. O centro (Germano Rigotto e Frederico Antunes) somam 22%. Ou seja, por ora, a preferência eleitoral na eleição ao Senado está concentrada nos polos do espectro político.
Na fase pré-campanha é possível observar as estratégias dos principais candidatos ao Senado. Marcel Van Hattem explora a agenda liberal/conservadora, de olho no eleitor de direita. Também aborda em sua narrativa a pauta antipetista e a defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Sanderson segue uma estratégia similar, buscando o segundo voto do eleitorado bolsonarista ao Senado, “colando” seus movimentos em Van Hattem.
Paulo Pimenta apresenta-se como “senador da reconstrução”, buscando explorar a imagem construída quando foi ministro da Reconstrução, durante as enchentes de 2024 no RS. Além disso, explora o vínculo político com o presidente Lula (PT). Manuela D’Ávila também mira o voto de esquerda, mas com foco maior no eleitorado feminino e nos jovens.
Germano Rigotto aposta em uma agenda de moderação. Não por acaso, seu slogan inicial é “segue o teu coração”, o mesmo da vitoriosa campanha de 2002 ao Palácio Piratini. O objetivo de Rigotto é o segundo voto, visto que o primeiro voto tende a ser mais ideológico. Frederico Antunes, por sua vez, explora sua atuação como líder do governo Eduardo Leite (PSD) na Assembleia Legislativa, também tendo foco uma agenda mais propositiva e menos ideológica.
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