Venezuela

 A divulgação ordenada pela Casa Branca trouxe à tona algo que a oposição venezuelana vinha repetindo há anos sem provas oficiais: o regime bolivariano dispunha da infraestrutura técnica necessária para alterar um resultado eleitoral.


Os documentos remetem para as eleições de 2012, quando um Hugo Chávez já doente derrotou Henrique Capriles após um ano de despesa pública descontrolada, estimada em 70 mil milhões de dólares.


Segundo a CIA, três organismos, a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN) e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), podiam manipular resultados através de máquinas de votação pré-programadas, com capacidade para deslocar pelo menos um milhão e meio de votos nas zonas de maior peso chavista.


Trump resumiu-o à sua maneira: existia, disse, "uma conspiração específica para favorecer enormemente o corrupto regime da Venezuela". O que os relatórios não comprovam é que esse mecanismo tenha chegado a ser ativado naquela votação. De facto, Capriles reconheceu então a derrota.



Venezuela: CIA revela provas da máquina eleitoral usada pelo chavismo desde 2012

Venezuela: CIA revela provas da máquina eleitoral usada pelo chavismo desde 2012

Da sucessão de Maduro à Constituinte de 2017

O padrão muda meses depois. Após a morte de Chávez, em março de 2013, Nicolás Maduro impôs-se a Capriles por uma margem mínima e, desta vez, houve denúncias de irregularidades por parte da oposição.

A CIA não encontra nesse episódio provas conclusivas de que tenha sido necessário forçar o resultado, mas o quadro altera-se com a Assembleia Nacional Constituinte de 2017, umas eleições boicotadas pelos partidos da oposição.


Foi a própria Smartmatic, a empresa responsável pelo sistema de votação, que alertou para o facto de as cifras de participação terem sido inflacionadas em, pelo menos, um milhão de votos. Essa Constituinte, presidida na primeira fase por Delcy Rodríguez, foi convocada para travar os protestos de rua desses meses e acabou sem redigir um único artigo da nova Constituição que dizia pretender aprovar.


O mesmo esquema, refere a agência, estava disponível para as legislativas de 2020, embora não tenha chegado a ser necessário: a oposição optou por não apresentar-se depois de o chavismo ter expropriado as siglas de vários partidos e inabilitado diferentes dirigentes. Nem Washington nem Bruxelas reconheceram esse processo.


Fraude de 2024 e instituições intactas

O episódio mais grave, o de julho de 2024, nem sequer exigiu sofisticação técnica: o chavismo alterou diretamente os números para reverter a vitória de Edmundo González Urrutia sobre Maduro, que as atas, 7 milhões de votos contra 3, não deixavam margem para dúvidas. A oposição documentou esse resultado graças aos códigos QR das atas eleitorais, hoje referência obrigatória em qualquer reconstrução dessas eleições.


Mais de seis meses após a queda do regime e com um novo governo sob supervisão internacional, nenhum dos três organismos apontados pela CIA foi desmantelado. A DGCIM, o SEBIN e o CNE continuam operacionais, e Elvis Amoroso, o homem que, como presidente do Conselho Nacional Eleitoral, certificou o resultado fraudulento de 2024 por ordem de Maduro, mantém-se no cargo enquanto se negoceia a composição de um novo organismo eleitoral.

LIDE RS reúne empresários para construir agenda de crescimento do Estado

O LIDE Rio Grande do Sul, em parceria com o movimento Transforma RS, reuniu em Porto Alegre algumas das principais lideranças empresariais do Estado durante o encontro "Liderança para o Futuro do RS". 

Representando empresas e instituições responsáveis por mais de R$ 180 bilhões em faturamento e movimentação econômica e pela geração de mais de 300 mil empregos diretos e indiretos, os participantes assinaram a Carta Compromisso com Investimentos em Infraestrutura do Rio Grande do Sul, documento que será entregue aos candidatos ao Governo do Estado e ao Senado nas eleições de 2026. 

A carta defende que a infraestrutura seja tratada como uma política permanente de Estado, com foco em planejamento de longo prazo, segurança jurídica, ampliação das concessões e fortalecimento das parcerias entre os setores público e privado. 

Entre as prioridades estão investimentos em logística, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e saneamento, considerados fundamentais para aumentar a competitividade e atrair novos investimentos para o Rio Grande do Sul. 

O encontro contou com a presença de líderes como Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento; Daniel Randon, presidente do Conselho Superior do Transforma RS e CEO da Randoncorp; Marcelo Diniz, CEO Brasil e Diretor-Geral para a América do Sul da Tintas Renner by PPG; e Delton Batista, presidente do Sistema LIDE Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

Para os organizadores, a iniciativa representa um compromisso do setor produtivo com uma agenda de desenvolvimento sustentável, modernização da infraestrutura e fortalecimento da economia gaúcha.

Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - A polêmica das pesquisas eleitorais

Carlos Eduardo Bellini Borenstei é Cientista Político

Em toda eleição, as pesquisas de intenção de voto geram polêmicas. Com metodologias distintas, os números de um ou mais institutos acabam divergindo. Naturalmente, as candidaturas que aparecem em posição favorável não contestam os resultados. Por outro lado, quem apresenta números desfavoráveis questiona as pesquisas, pois elas impactam o humor de seus eleitores, assim como a capacidade de mobilização da militância. 

Faltando cerca de três meses para a eleição presidencial, essa polêmica apareceu de forma mais forte nesta semana. A pesquisa do instituto Quaest, divulgada na última quarta-feira (15), mostrou números favoráveis ao presidente Lula (PT) nas simulações de primeiro e segundo turnos – 40% a 28% (primeiro turno) e 45% a 37% (segundo turno).

Além disso, mostrou um índice de rejeição do presidente menor do que o de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL): 50% de Lula contra 57% de Flávio. A Quaest apresentou ainda uma mudança na aprovação de Lula (48% de aprovação e 47% de desaprovação) e também na avaliação do governo (36% de índice positivo, mesmo percentual da avaliação negativa).

Os números da Quaest divergem dos levantamentos divulgados também nessa semana pelos institutos Nexus, Futura e PoderData. Nessas pesquisas, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados nas simulações de segundo turno – no primeiro turno, a vantagem é de Lula.

No Nexus, no primeiro turno, Lula aparece com 40% contra 34% de Flávio. No segundo turno, Lula atinge contra 44% de Flávio. Na Futura, Lula registra 40,1% contra 36,8% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, Flávio atinge 46,3% das preferências contra 46,1% de Lula. No PoderData, na simulação de primeiro turno, Lula tem 40% contra 34% de Flávio. No segundo turno, Lula registra 45% enquanto Flávio contabiliza 43%.

Os índices de rejeição dos dois players da eleição são similares. Também nessas pesquisas, a desaprovação de Lula supera a aprovação em percentuais que giram em torno de seis pontos. Além disso, a avaliação negativa do governo supera a positiva. 

Uma possível explicação para as diferenças da Quaest para o Nexus, Futura e PoderData reside na metodologia. A Quaest, por exemplo, aplica seus questionários presencialmente, realizando pesquisa domiciliar. Os demais institutos fazem a coleta das entrevistas à distância. A Nexus e o instituto Futura, por exemplo, utilizam o método CATI (Entrevistas Telefônicas Assistidas por Computador).

O PoderData usa a metodologia IVR (Interactive Voice Response, em inglês). Nesse método, uma secretária eletrônica faz as perguntas e o entrevistado responde digitando os números no teclado do próprio celular ou telefone fixo. 

Essas diferenças de métodos são importantes, sobretudo por conta de seu impacto entre o chamado “eleitorado desmobilizado”, ou seja, aquele segmento que possui uma relação esporádica com a política, mas costuma ser o “fiel da balança” em eleições acirradas. 

Essa fatia do eleitorado tem uma tendência a ter maior resistência em responder à pesquisa. Nos levantamentos à distância, isso pode fazer com que esse perfil de eleitor seja mais difícil de ser entrevistado. Nos levantamentos online, o eleitor mais mobilizado é quem mostra maior disposição em responder ao questionário.

Por outro lado, as pesquisas à distância podem captar melhor as chamadas mudanças bruscas na opinião pública, que ocorrem quando surge um fato novo que impacte o tabuleiro da sucessão. Além disso, nas pesquisas à distância, o eleitor pode ficar mais à vontade para expressar seu posicionamento do que na presença do entrevistador em sua casa ou quando ele é abordado por ponto de fluxo.

Também merece ser observada outras questões em relação às pesquisas – e que não se costuma dar a devida atenção, produzindo uma leitura equivocada dos números:

1) A função das pesquisas não é predizer o resultado da eleição. Embora a opinião pública espere que se antecipe o resultado, as pesquisas são um retrato do momento; 


2) As pesquisas não mensuram neste momento a abstenção, que tem sido elevada, girando em torno de 20% nos últimos anos – nos levantamentos mais próximos do primeiro turno, a Quaest costuma aplicar o chamado Likely Voter, instrumento que se busca identificar a motivação, o interesse e o grau de participação em eleições anteriores. O objetivo do Likely Voter é atribuir a cada entrevistado uma probabilidade ou chance de ir votar, buscando amenizar o efeito da abstenção. A questão da abstenção é importante, sobretudo na eleição presidencial, pois a maior abstenção, que costuma ser mais elevada entre eleitores de menor renda e escolaridade, é potencial mais prejudicial para Lula


3) Na véspera da eleição, as pesquisas podem ser impactadas pelo chamado “voto útil”. Isso ocorre quando uma parcela dos eleitores muda de voto com objetivo de tentar derrotar o candidato que mais antipatiza, podendo gerar mudanças no comportamento eleitoral; e


4) Fatos novos são uma constante nos processos eleitorais, gerando mobilizações na reta final. Esses movimentos, quando ocorrem perto da eleição, são difíceis de serem captados pelas pesquisas.

Em que pese as diferenças de metodologia, assim como as vantagens e limitações dos diferentes métodos utilizados pelos institutos de pesquisas, é importante observamos que: 

1) Lula e Flávio Bolsonaro polarizam a sucessão;


2) Lula está em vantagem no primeiro turno. No segundo turno, com exceção da Quaest, que mostra o presidente com oito pontos à frente do senador, o quadro é de empate técnico. Ou seja, Lula tem uma vantagem parcial, mas a sucessão está em aberto;


3) A aprovação de Lula e a avaliação do governo dividem a opinião pública. Mesmo na Quest, que indica uma recuperação da popularidade presidencial, o quadro é de empate técnico entre a aprovação e a desaprovação do presidente, refletindo o fenômeno da polarização calcificada;


4) A maioria dos eleitores acha que Lula não merece um novo mandato. O paradoxo é que mesmo entendendo que o presidente não merece ser reeleito, ainda prefere o presidente à Flávio; 


5) O espaço para uma alternativa “fora da polarização” é limitado, e a disputa entre Lula e Flávio deve ser decidida por uma margem estreita de votos. Vale observar que Lula agrega poucos novos eleitores do primeiro para o segundo turno – o presidente 40% das intenções de voto no primeiro turno, e 45% no segundo turno.


Por todos esses aspectos, propostas como a implementação de um "selo de acurácia eleitoral" para premiar aqueles que mais acertarem os resultados do pleito parece ser pouco afetivo, afinal de contas, como dito anteriormente, a função de uma pesquisa eleitoral não é predizer o resultado da eleição, mas sim mensurar o clima da opinião pública naquele momento em que o levantamento é realizado. 

A medição desse clima será impactada pela metodologia –os institutos utilizam métodos distintos – assim como fatores como abstenção; movimentos de última hora dos eleitores; e fatos novos, que são complexos, deixando os processos eleitorais cada vez mais imprevisíveis. 


INSS

A Receita Federal tem intensificado o cruzamento de dados (imobiliários, cartorários e eSocial) para cobrar o INSS sobre obras de construção civil não regularizadas. As notificações são disparadas quando o sistema detecta construções concluídas sem o registro correto, sujeitando os proprietários a multas que podem encarecer a regularização em até 75%.O processo de cobrança e regularização envolve os seguintes pontos principais:O que está sendo cobrado: É a Contribuição Previdenciária Patronal e de terceiros sobre a mão de obra utilizada na edificação, reforma ou ampliação do imóvel.Como a Receita identifica: Através de malhas fiscais que cruzam notas fiscais eletrônicas, cadastros municipais (Habite-se) e informações de cartórios. Para regularizar ou emitir a Certidão Negativa de Débitos (CND), é obrigatório o cadastro no Cadastro Nacional de Obras (CNO) e passar pelo processo de aferição.Prazo de Decadência: Obras finalizadas há mais de 5 anos (contados a partir do primeiro dia do ano seguinte à conclusão) possuem isenção por decadência tributária. Contudo, a isenção não é automática; é preciso comprovar a data antiga da obra com documentos (contas de luz, IPTU, certidões da prefeitura) no portal da Receita Federal.Redução Legal do Imposto: O valor devido não é necessariamente o teto estipulado. É possível diminuir a base de cálculo aplicando o chamado "fator de ajuste" e deduzindo os valores já recolhidos por profissionais autônomos ou MEIs ao longo da obra.A regularização é uma etapa obrigatória, inclusive para conseguir a averbação da construção na matrícula do imóvel em cartório.

O INSS cobra contribuição sobre a construção de imóveis. Esse imposto é obrigatório para regularizar a construção na Receita Federal, o que gera a Certidão Negativa de Débitos (CND). A CND é fundamental, pois sem ela é impossível averbar o imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, inviabilizando vendas ou financiamentos.A cobrança pode ser feita de duas formas pelo sistema da Receita Federal (SERO):Com comprovação: Se você contratou mão de obra formal, registrou os profissionais e recolheu os encargos devidamente (através de guias eSocial ou contratou uma construtora), o imposto incidirá sobre o valor da folha de pagamento.Sem comprovação (Presunção Legal): Caso não consiga provar os gastos com mão de obra, a Receita Federal presume o custo da obra com base na tabela do SINAPI (considerando área, padrão do imóvel e tipo de construção) e cobra uma alíquota sobre esse valor presumido.Existe Isenção?Há isenção apenas em casos muito específicos, como construção residencial unifamiliar de até 70m², considerada popular/econômica, destinada a moradia própria, desde que o proprietário possua apenas este imóvel e a obra não tenha utilizado mão de obra remunerada.Para evitar surpresas ou cobranças retroativas pesadas (com multas e juros), é essencial manter toda a documentação da obra organizada, incluindo projetos aprovados, alvarás, notas fiscais e contratos de prestação de serviço

Artigo, especial - Lula provocou, fracassou e o Brasil recebeu a conta

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.

Durante quase um ano, Lula soube que os Estados Unidos avaliavam novas tarifas contra produtos brasileiros. O processo correu à vista de todos, com consultas for mais e prazos conhecidos. Não houve surpresa de última hora. O governo teve tem po para agir e terminou sem um acordo capaz de evitar a cobrança de 25% sobre milhares de produtos. Trump assinou a medida. O maior responsável pelo fracasso brasileiro em evitá-la, po rém, foi Lula. Cabia a ele conduzir a relação política e dar respaldo à equipe técnica. No mínimo, cabia não atrapalhar uma conversa que já era difícil. Fez exatamente o contrário. Enquanto ministros e diplomatas tentavam manter alguma porta aberta, Lula falava para a própria militância. Chamou Marco Rubio de "anti-América Latina", disse que o secretário de Estado não gosta do Brasil, respondeu à ameaça tarifária com "se não comprar de mim, vendo para outro" e, poucos dias antes da decisão, chamou Trump de "pirata". Não era um comentarista em busca de curtidas. Era o presidente do país que tentava convencer Washington a recuar. Essas declarações formaram um padrão de comportamento. Lula escolheu o con fronto porque ele rende politicamente dentro de casa, ainda que enfraqueça o Brasil do lado de fora. Cada vez que os auxiliares tentavam baixar a temperatura, vinha do próprio presidente uma nova provocação. Depois, o Planalto passou a divulgar listas de reuniões como prova de que havia feito sua parte. Mas lista de reuniões prova pouco. Reunião existe para construir uma saída. Quando vira peça de defesa depois do fracasso, confirma apenas que a saída nunca veio. Ao fim de meses de tratativas, o Brasil recebeu uma tarifa nova e viu a relação com Wa shington se desgastar, enquanto autoridades americanas acusavam Lula de agir de má-fé nas negociações. Contabilizar encontros apenas mostra quanto se conversou sem sair do lugar. Esse é o saldo que interessa a quem produz. Também foi irresponsável tratar o mercado americano como se pudesse ser substi tuído por uma frase. "Vendo para outro" pode funcionar em um discurso, mas não na vida de quem exporta. Empresas levam anos para conquistar clientes, adaptar produtos e obter certificações em cada mercado. Há contratos assinados e investi mentos de décadas que não mudam de destino porque o presidente resolveu fazer pose de valentão. O Brasil tinha argumentos para buscar uma solução melhor. Os Estados Unidos man tinham superávit no comércio de bens com o país, um dado que poderia ter sido explorado com mais habilidade. Havia espaço para ampliar exceções, negociar por setores e ganhar tempo. A tarefa era difícil e exigia prudência. Lula preferiu persona lizar a disputa e transformar uma negociação comercial em espetáculo ideológico. O custo de tudo isso vai muito além do Planalto. Ele chega aos setores que depen dem do mercado americano e agora terão de rever planos, renegociar contratos e enfrentar um cenário mais difícil. A imagem de grande negociador também saiu menor. Lula pode viajar e colecionar foto grafias com líderes estrangeiros. O verdadeiro teste de um negociador acontece quando é preciso proteger um interesse concreto do país. Nesse episódio, o que entregou foi des gaste e uma desculpa pronta para transferir a responsabilidade ao outro lado. A responsabilidade principal está no Planalto. Lula acompanhou o processo do iní cio ao fim e sabia que seus ministros negociavam. Mesmo assim, escolheu aumentar a tensão e enfraquecer a posição brasileira. Agora tentará se apresentar como vítima de uma crise que ajudou a agravar. A tarifa foi assinada em Washington. O fracasso político de evitá-la foi construído em Brasília

Sobretaxa dos EUA expõe 79% das exportações gaúchas e ameaça setores estratégicos do agronegócio

Por Felipe Vieira


A entrada em vigor da nova sobretaxa de 25% determinada pelos Estados Unidos deverá produzir efeitos mais intensos no Rio Grande do Sul do que na média nacional. Nota técnica elaborada pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado, a Farsul, mostra que 79% do valor exportado pelo Estado ao mercado norte-americano em 2025 está incluído na lista de produtos alcançados pela medida.


A proporção representa cerca de US$ 1,3 bilhão em vendas externas gaúchas. No conjunto do Brasil, a tarifa atinge 38% das exportações destinadas aos Estados Unidos, equivalentes a US$ 14,33 bilhões. A diferença revela uma vulnerabilidade significativamente maior da economia do Rio Grande do Sul, provocada pela concentração de sua pauta exportadora em mercadorias que permaneceram fora da lista de exceções.


A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974. A cobrança adicional começará a valer em 22 de julho sobre os produtos brasileiros incluídos na relação final. O governo dos Estados Unidos afirma que a investigação envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. 


No agronegócio, a disparidade entre o Rio Grande do Sul e o restante do país também é expressiva. Enquanto 32,7% das exportações agropecuárias brasileiras aos Estados Unidos estão submetidas à nova tarifa, no Estado a parcela chega a 70,4%. Em valores, aproximadamente US$ 541 milhões dos US$ 768 milhões exportados pelo agro gaúcho para o mercado norte-americano em 2025 estão dentro da área atingida. No Brasil, a exposição alcança US$ 3,74 bilhões de uma pauta agropecuária total de US$ 11,4 bilhões.


A Farsul calcula que, caso a alíquota de 25% fosse aplicada integralmente sobre o volume exportado no ano passado, o impacto tarifário potencial chegaria a US$ 325 milhões para o conjunto das exportações do Rio Grande do Sul. Somente no agronegócio estadual, o valor estimado seria de US$ 135 milhões.


Esses números não representam, necessariamente, prejuízo direto na mesma proporção. A entidade ressalta que os efeitos dependerão da reação do mercado, da capacidade de renegociação dos contratos, do comportamento dos compradores e da possibilidade de redirecionamento das mercadorias.


Parte do custo poderá ser absorvida pelos exportadores por meio da redução das margens de lucro. Outra parcela poderá ser repassada aos preços pagos pelos importadores e consumidores norte-americanos. Também existe o risco de empresas dos Estados Unidos buscarem fornecedores em outros países, reduzindo a participação brasileira naquele mercado.


A concentração do impacto em poucas cadeias produtivas aumenta a preocupação. Os cinco principais produtos agropecuários gaúchos alcançados pela medida representam aproximadamente 64% de toda a exposição do setor no Estado.


O fumo não manufaturado do tipo Virgínia ocupa o primeiro lugar. Em 2025, as exportações gaúchas desse produto para os Estados Unidos somaram US$ 122 milhões, com um impacto tarifário potencial estimado em US$ 30 milhões.


Na sequência aparecem a madeira serrada de pinus, com vendas de US$ 81 milhões e efeito potencial de US$ 20 milhões; os calçados de couro, com US$ 62 milhões exportados e possível incidência de US$ 16 milhões; o fumo do tipo Burley, com US$ 49 milhões e impacto aproximado de US$ 12 milhões; e o sebo bovino, com US$ 33 milhões em vendas e projeção tarifária de US$ 8 milhões.


Somados, os diferentes produtos de fumo respondem por aproximadamente um terço da exposição do agronegócio gaúcho à nova política comercial norte-americana.


A situação preocupa especialmente o Vale do Rio Pardo, o Centro-Serra e outras regiões cuja economia depende da produção, do beneficiamento e da exportação de tabaco.


A cadeia da madeira também aparece entre as mais vulneráveis. Além da madeira serrada de pinus, diferentes segmentos de madeira processada, compensados e produtos voltados à construção e à indústria permanecem sujeitos à sobretaxa. O aumento do preço de entrada nos Estados Unidos pode pressionar contratos, reduzir encomendas e afetar empresas instaladas principalmente na Serra, nos Campos de Cima da Serra e em áreas produtoras de florestas plantadas.


O setor calçadista, já submetido a forte concorrência internacional e a oscilações cambiais, enfrenta uma dificuldade adicional. Os Estados Unidos são um mercado tradicional para o calçado brasileiro, especialmente para produtos de maior valor agregado. Uma cobrança de 25% pode reduzir a competitividade das fábricas gaúchas diante de concorrentes asiáticos e de países que não estejam sujeitos ao mesmo tratamento.


A lista final de exceções, no entanto, produziu algum alívio. Entre os produtos que ficaram fora da sobretaxa estão ferro-gusa, determinados itens de madeira, hidróxido de alumínio, couros bovinos, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor, sucata de ferro e aço, obras de arte e alguns produtos farmacêuticos.


A ampliação das exclusões reduziu a abrangência da medida em relação à proposta apresentada inicialmente pelo USTR. Na versão preliminar, 43,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estavam expostas. Na lista definitiva, a participação caiu para 38%.


No Rio Grande do Sul, o percentual recuou de 81,1% para 79%. Dentro do agronegócio, a redução foi de 72,5% para 70,4%. Embora a inclusão de novos produtos entre as exceções tenha diminuído o alcance da tarifa, a pauta gaúcha continua proporcionalmente muito mais atingida do que a nacional.


A nota técnica também chama a atenção para uma limitação metodológica. O cruzamento dos dados foi realizado no nível HS6, uma classificação internacional com seis dígitos. Como algumas exceções norte-americanas são aplicadas a códigos mais específicos ou a usos determinados, a estimativa pode apresentar pequena superestimação em determinados grupos.


Um exemplo é o mel, cuja isenção se aplica ao produto orgânico. Isso significa que nem todo o mel brasileiro necessariamente ficará fora da cobrança. A definição dependerá do enquadramento aduaneiro e das características da mercadoria apresentada na entrada nos Estados Unidos.


A Farsul considera que o início da vigência exigirá acompanhamento permanente das operações. Além da cobrança efetiva nas alfândegas norte-americanas, produtores, indústrias e exportadores terão de observar possíveis revisões da lista, limitações de escopo e regras transitórias aplicáveis às cargas que já estavam em transporte.


O impacto também poderá variar de acordo com o produto. Mercadorias com oferta limitada, contratos de longo prazo ou menor possibilidade de substituição podem manter espaço no mercado norte-americano, ainda que com margens reduzidas. Em outros casos, compradores poderão migrar rapidamente para fornecedores concorrentes.


A medida surge em um momento de elevada incerteza para o comércio internacional. Durante as audiências realizadas pelo USTR, representantes brasileiros argumentaram que a sobretaxa poderia atingir empresas e consumidores dos dois países. O governo brasileiro também declarou que considera injustificadas as razões apresentadas pelos Estados Unidos e que continuará buscando uma solução bilateral. 


Para o Rio Grande do Sul, os números mostram que a discussão está longe de ser abstrata. A nova tarifa alcança cadeias produtivas espalhadas por diferentes regiões do Estado, com reflexos potenciais sobre contratos, faturamento, empregos, renda e decisões de investimento.

A lista de exceções reduziu parte da pressão, mas não alterou o quadro central apontado pela Farsul. Com quase quatro quintos das exportações gaúchas aos Estados Unidos submetidos à cobrança adicional, o Estado entra na nova fase da disputa comercial como uma das unidades da Federação proporcionalmente mais expostas.


O efeito concreto será conhecido somente com o comportamento dos compradores e a execução das primeiras operações após 22 de julho. Até lá, o desafio das empresas será preservar clientes, renegociar custos e buscar mercados alternativos sem perder espaço em um dos principais destinos das exportações gaúchas.


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Calendário das convenções partidárias no RS

 21/07

19h - PV (local a decidir, mas será online e presencial


22/07

18h - PL no Teatro Dante Barone


25/07

8h - PDT na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia


9h - PCdoB (local a definir)


9h - Podemos no Teatro Dante Barone


11h - PT na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia


14h - Novo no Centro de eventos do Hotel Embaixador



14h - PSol na Câmara Municipal de Porto Alegre


17h - PSB na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia


26/07

9h - DC no Plenário da Câmara de Canoas


13h - União no Plenário Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre


13h45 - Republicanos no Teatro Dante Barone


30/07

17h - Cidadania e PSDB na Câmara de Vereadores de Porto Alegre


1º/08

8h30 - MDB no Teatro Dante Barone


9h - PP no Fecomércio/RS


17h - PSTU no Centro de Eventos Barros Cassal


02/08

PSD - 8h30 no Teatro Dante Barone


UP - local e horário a definir


A definir

Avante e PRD não haviam definido até ontem a data e o local das convenções.