Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.
Mais um capítulo da crônica
sobre a influência dos herdeiros do poder foi escrito com uma operação da
Polícia Federal contra o Grupo Fictor. A empresa, que se vendia como um titã do
agronegócio e da energia, é hoje o epicentro de uma in vestigação sobre fraudes
bancárias que teriam drenado mais de R$500 milhões dos cofres públicos,
atingindo especialmente a Caixa Econômica Federal. Mais que isso, segundo a
polícia, a empresa trabalhava para o Comando Vermelho. Com uma recuperação
judicial que arrasta dívidas de R$ 4 bilhões, a Fictor não é apenas um caso de
má gestão — é o tal grupo de investimentos que iria comprar o Banco Master
quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez, em novembro.
Coincidentemente, a operação da Polícia Federal trouxe à tona o nome de Fábio
Luís Lula da Silva, o Lulinha. Apontado como um “consultor”, ele teria sido o
elo que, em 2024, permitiu que o grupo orbitasse as esferas mais altas de
Brasília, transformando o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini em figura presente no
Conselhão do Lula e em grupos parlamentares do Senado voltados aos BRICS. A
defesa de Fábio Luís, como era de se esperar, classifica essa relação como
“mera amizade”. No entanto, é uma amizade de altíssimo valor de mercado, ca paz
de garantir a empresários sob suspeita de fraude um trânsito que o cidadão
comum, ou o empresário honesto, jamais sonharia ter. É mais uma ramificação de
uma rede de gentilezas e facilidades. Lulinha ainda nem conseguiu explicar as
questões que envolvem seu nome no escândalo do INSS. Com seus sigilos bancário
e fiscal quebrados, Lulinha está sob uma lupa por sua proximidade com o já
famoso “Careca do INSS”, apontado como chefe da quadrilha que saqueou
aposentadorias e pensões de milhões de pessoas com descontos indevidos em
folhas de pagamento. O que os investigadores buscam esclarecer é a natureza de
um suporte fi nanceiro que parece ir muito além do afeto: mensagens e registros
indicam passagens e estadias em Portugal custeadas pelo empresário, além de uma
espécie de “mesada” recorrente e repasses de dinheiro para uma amiga ínti ma de
Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger. Em ambos os casos, há a coincidência de
envolverem amigos do filho de Lula em escândalos que receberam a visita da
Polícia Federal. De um lado, uma empresa acusada de rombos milionários e
lavagem de dinheiro para uma facção; de outro, o grande esquema que sangrou o
bolso de idosos que dependem de cada centavo da previdência. No centro de
ambos, o filho do pre sidente desfruta de uma generosidade empresarial que
inclui viagens, suporte f inanceiro e acesso facilitado, sempre blindado pelo
argumento de que não há “relação formal” ou contrato assinado. Para o
brasileiro que aguarda meses por uma perícia médica ou que vê o dinheiro
público virar fumaça em fraudes ban cárias, o sentimento é o de assistir ao
mesmo filme em looping. É a percepção de que, quando o sobrenome é Lula, a
amizade deixa de ser um sentimento para se tornar uma commodity estratégica,
onde o acesso ao Estado não depende de mérito ou técnica, mas de quem consegue
um lugar à mesa nos círculos de po der, mas o prejuízo do banquete fica sempre
com quem está do lado de fora, seja na fila do INSS ou pagando a conta da
próxima fraude bancária.
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