Nota de desfiliação

 Filiar-me ao MDB em 1980 não foi uma escolha burocrática. Foi um pacto com a liberdade. Durante mais de quatro décadas, enfrentei todas as batalhas internas imagináveis. Nunca fugi do debate. Sempre vi este partido como uma frente plural, onde a divergência era bem-vinda porque o norte era um só: a democracia. Jamais cogitei sair. Até o dia de hoje.


Lamentavelmente, o MDB perdeu a sua bússola. Deixou de ter uma bandeira clara.


Eu pergunto aos senhores: o que o MDB defende hoje? Alguém sabe? O partido é contra ou a favor do aborto? É contra ou a favor da diminuição do Estado? Ninguém sabe. O silêncio tomou o lugar das convicções.


Pior do que a falta de rumo é a escolha do destino. O MDB escolheu se ajoelhar diante do esquerdismo radical do lulopetismo. Permitiu que a pauta woke — que divide o nosso povo por gênero e cor e destrói os valores da família — ditasse as regras. O partido que deveria defender quem produz, quem trabalha e quem gera a riqueza do país, hoje aplaude a agenda da esquerda.


O "D" de Democrático foi esquecido. Hoje, não há debate. O que chegam são pacotes prontos de teses esquerdistas. O partido se cala diante do descumprimento da Constituição. Silencia perante a perseguição de inocentes. Esse MDB de hoje não honra a memória de Ulysses Guimarães.


Rendeu-se a interesses menores.


Eu avisei. Em nível nacional, denunciei a candidatura de Simone Tebet como uma farsa para apoiar o lulopetismo. O tempo provou que eu estava certo. Ela e a cúpula do partido uniram-se a esse governo para massacrar o povo honesto.


E aqui no Rio Grande do Sul, a situação não é diferente. O partido sustenta o governo desastroso de Eduardo Leite. Sob a falácia de uma "terceira via", o MDB gaúcho atua apenas como uma linha auxiliar do esquerdismo, massa de manobra de Leite e de suas marionetes.


O povo sabe muito bem que há apenas dois lados. De um lado, o empobrecimento, a agenda woke e a corrupção do lulopetismo. Do outro, aqueles que, como Flávio, querem restaurar a ordem, a Constituição e devolver a esperança ao Brasil.


O MDB escolheu ficar na geleia geral, alimentando o atraso.


Aos democratas que ainda restam no partido, sufocados por essa casta dominada por ideias da esquerda radical e defensores de ditaduras, eu digo com profunda tristeza: a luta interna está perdida. Os dirigentes já não escondem que os interesses pessoais atropelaram as ideias. Não há mais partido; há apenas um balcão de negócios.


Carreguei esta bandeira por toda a minha vida com orgulho. Mas não serei cúmplice da mentira. Não vou compactuar com a destruição dos valores do nosso povo.


Por isso, hoje, anuncio a minha desfiliação do MDB. Deixo o partido, mas não deixo as minhas causas. Sigo com a coerência e a independência de sempre. Sigo na trincheira em defesa da família, da democracia e da verdadeira liberdade, combatendo firmemente o esquerdismo que oprime quem trabalha.


Abraço a todos .


Roni Marques Corrêa

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