J. R. Guzzo, Veja - Gaveta vazia

Lá vai o governo de Dilma Rousseff caminhando para o seu fim a cada dia que passa, e enquanto não se chegar ao desfecho o público em geral vai ficar com a atenção dividida entre as questões práticas que realmente interessam ─ como será, e o que vai fazer, o novo governo? ─ e a barulheira de algo que corre o risco de ser chamado “luta de resistência”. Resistência a quê, mais exatamente? O ato de resistir, para ser de algum interesse concreto, normalmente requer que o resistente tenha alguma chance real de mudar a situação que se recusa a aceitar. Se não for assim, é apenas vaia de arquibancada ─ a torcida que perde fica xingando o juiz, a diretoria do time, o técnico, os jogadores, a bola, e no fim o resultado marcado no placar continua o mesmo.
Dilma, o ex-presidente Lula, o PT e a esquerda inconformada com o impeachment passam os dias correndo daqui para lá à procura de um portento qualquer, possivelmente sobrenatural, para poderem continuar mandando. Mas essas coisas em geral não existem no mundo da realidade. Para terem uma perspectiva séria de evitar o que vem por aí, Lula, Dilma e o seu sistema precisariam, obrigatoriamente e com urgência, oferecer à população um mínimo de atrativos coerentes em favor dos seus desejos. E aí é que está: não têm nada de útil a oferecer. Sua gaveta está vazia.
Falta gente, para começar. Lula e o governo que neste momento caminha para o cemitério não juntam multidão na rua, como os seus adversários foram capazes de juntar. Não se espera, por exemplo, mais de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista gritando “Fica Dilma!”, ou “Fora Temer!”. Faltam senadores para absolver Dilma da deposição, assim como faltaram deputados para impedir que fosse julgada no Senado ─ ela tinha mais ou menos 100 votos do seu lado quando a Câmara começou a decidir o caso, acabou com pouco mais que isso quando a votação se encerrou. Falta um plano concreto, imediato e compreensível para melhorar qualquer coisa que a população quer que melhore já. Não têm, nem Lula nem, menos ainda, Dilma, mais que 20% nas pesquisas de opinião. Não têm um “programa de oposição”, como imaginam neste momento de anarquia mental em que estão dentro e fora do governo ao mesmo tempo. Será cômodo dizer, daqui a pouco, que há 10 milhões de desempregados; o difícil será convencer o eleitorado de que Dilma e o PT não têm nada a ver com isso, ou com os hospitais em estado de calamidade, a recessão, as placas de “vendese” e “aluga-se”, e por aí afora.
O ex-presidente, ao mesmo tempo, quer que acreditem nele quando diz que está enfrentando uma “quadrilha” política ─ mas de que jeito, se passou os últimos treze anos vivendo como sócio dessa mesma “quadrilha”, que levou para dentro do governo e à qual até outro dia, num hotel de Brasília, estava tentando agradar com oferta de empregos?
O governo tem oferecido, isto sim, algo parecido a um projeto de guerra civil ─ ou pelo menos é o que vem dizendo em público, com ameaças de sabotagem econômica, greve geral, “parar o país” etc., se for seguido o único caminho legal que existe para a substituição de Dilma, ou seja, a posse do vice-presidente Michel Temer. O PT já decidiu que o governo a ser formado por decisão do Congresso Nacional e do STF é “ilegal”; promete que não vai dar “um dia de sossego” a quem ficar na cadeira de Dilma.
Lula e seu partido vão mesmo tentar seguir por aí? Pode ser, mas não se sabe se terão os meios reais de fazer o que propõem. Além do mais, quantos votos pode render uma coisa dessas? Têm sido ofertados, também, episódios de cuspe; não está claro se isso será promovido à categoria de “ato político de resistência”. Sobram tentativas de fazer com que o Brasil receba punições “internacionais”, possivelmente de entidades invisíveis como Unasul, Parlasul, ou coisas assim ─ mas quantos eleitores de carne e osso estariam preocupados com isso? Querem que a Operação Lava Jato “pegue” os que estão indo para o governo. E as bombas que podem estourar contra Lula, Dilma e os amigos? Só seria interessante se a Justiça parasse as investigações contra eles e começasse a investigar só os outros. Ou estão esperando uma anistia geral?
A questão real, para Lula e todo o seu universo, é clara: é impossível conseguir o que estão querendo por qualquer meio que esteja fora da lei. Dentro da lei a única saída disponível é recuperar o governo pelo voto, e a próxima oportunidade para isso é a eleição presidencial de 2018. O resto é muita conversa de “resistência” – e nada mais.



Rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS)

O rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS) chegou a limites insuportáveis para ativos, aposentados e pensionistas do fundo de pensão. Por isso, a Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) fará manifesto no próximo dia 5 de maio, a partir das 9 horas, na Rua Otávio Caruzo da Rocha, 600 – em frente ao prédio Justiça Federal em Porto Alegre.

Os manifestantes querem esclarecimentos do mau uso dos recursos do Fundo e solução para a grave situação. Querem também dar visibilidade pública ao caso (há inquérito civil no Ministério Público Federal), e, sobretudo, pedir a suspensão dos descontos, que somados à participação normal atinge, em alguns casos, média de 30% sobre proventos brutos individuais. Os descontos já determinaram contracheques zerados para aposentados e a desoladora perspectiva de quem espera usufruir futuramente da complementação da aposentadoria. A FBSS sinaliza aos participantes que os descontos se estenderão por mais de 20 anos – estima-se que a maioria não viverá para cumprir a exigência.

Os primeiros sinais da má gestão do Fundo apareceram em 2009 e em 2013 chegaram R$ 1,33 bilhão. Em nenhum momento, as causas do péssimo resultado foram esclarecidas. Entretanto, a partir de agosto de 2014, o prejuízo foi dividido entre os participantes em forma de desconto, além da contribuição normal.

Metade do número de conselheiros e metade da diretoria é escolhida por voto dos participantes da FBSS, mas são os patrocinadores (no caso o Banco) que fazem a designação dos respectivos presidentes, estes definem as premissas atuariais do Fundo e detêm voto de minerva nas decisões colegiadas.

Dos descontos:
  
Ainda em 2009, a Fundação determinou que os associados arcassem com 82% do rombo e as empresas patrocinadoras com 18%; o que foi alterado em 2013 para 63% para os participantes e 37% para as empresas. Números injustos considerando que a lei autoriza a recomposição de déficits até o limite máximo de 50% para patrocinadores e participantes – para cada contribuição normal feita pelo participante, o patrocinador contribui com igual quantia. .

Em dezembro/2015, iniciou novo desconto de 11,33% do rendimento bruto, relativo ao Fundo de Sobrevalorização dos Benefícios, criado por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acerto foi entre FBSS, Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e patrocinadores em questão, sob a justificativa de pagamento da variação do dissídio da categoria aos inativos. (Desde a criação do Fundo, em 1964, há essa previsão em regulamento, mas não é utilizado para fixação das premissas atuariais, revistas, obrigatoriamente, ano a ano).

Ingerências e má gestão:


A Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) garante possuir documentos que atestam ingerências constantes dos patrocinadores no fundo gerido pela Fundação Banrisul. Diz ainda que isso será demonstrado nas ações judiciais que estão sendo propostas para a recomposição do Plano de Benefícios. Segundo a entidade, mais de 13 mil famílias dependem da Fundação Banrisul de Seguridade Social, sobretudo os cinco mil participantes, que não migraram para outros planos em 2014, e estão vendo seus proventos diminuírem dia a dia.

Banco Opportunity esclarece que não foi favorecido no leilão da Telebrás

Na reportagem “Mendonça de Barros diz que governo gaúcho perderá ação da dívida com a União”, postada em 3/5, o Opportunity é citado.
Por isso, é preciso esclarecer que: 
O Opportunity não teve qualquer favorecimento no leilão da Telebras. 
O Opportunity participou do leilão de privatização da Telebrás, em julho de 1998, por meio de três fundos de investimentos. O primeiro contou com recursos do Citigroup. O segundo abrigou os investimentos dos fundos de pensão estatais e o terceiro reuniu outros investidores do Opportunity.
O leilão da Telebrás resultou na venda de três operadoras de telefonia fixa: Telesp, Tele Centro-Sul (Brasil Telecom) e Tele Norte-Leste (Telemar).
O consórcio da Globo, Bradesco e Telecom Itália era apontado como favorito para comprar a Telesp. A Telefónica era tida como a potencial compradora da Tele Centro-Sul, operadora que atuaria na mesma área da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), da qual os espanhóis tinham o controle. Restava, portanto, a Tele Norte-Leste (Telemar) que o consórcio do Opportunity se preparara para comprar.
No leilão nenhuma das expectativas se confirmou.
A Telesp foi comprada pelos espanhóis e o consórcio do Opportunity adquiriu a Tele Centro-Sul (Brasil Telecom).
Quem venceu a disputa pela Tele Norte-Leste (Telemar) foi o consórcio composto por fundos de pensão estatais, Previ à frente, subsidiárias do Banco do Brasil e por sócios privados, entre eles, La Fonte (Carlos Jereissati) e Andrade Gutierrez (Sérgio Andrade). 
Não demorou a surgir na imprensa reportagens sobre conversas grampeadas ilegalmente no BNDES, às vésperas do leilão. 
Em 25 de maio de 1999, a Folha de S.Paulo editava como manchete: “FHC tomou partido de um dos grupos no leilão da Telebras.”
Após 11 anos, em 13 de março de 2009, O Estado de S.Paulo informou que o juiz da 17ª Vara Federal de Brasília, Moacir Ferreira Ramos, “absolveu na semana passada integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso das acusações de terem privilegiado o Banco Opportunity e outros no leilão de venda da Telebras em 1998."(...) “Ramos fez crítica a integrantes do PT que, na época, encaminharam uma representação para que o Ministério Público (MP) acionasse o Judiciário. Ele avaliou que esses petistas poderiam ter contribuído com as investigações quando o PT assumiu o governo federal. ‘É enfatizar que essa ação foi promovida em decorrência de representação feita (dentre outros) por políticos que, à época das privatizações do setor de telefonia, ostentavam notória opinião contrária ao sr. Fernando Henrique Cardoso. Cito Aloísio Mercadante, Ricardo José Ribeiro Berzoini, Vicente de Paula e Silva e João Vaccari Neto’, afirmou o juiz. ‘Sobreveio o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que é apoiado por esses políticos. Se havia a preocupação com a apuração dos fatos por que não interferiram junto ao governo atual para quefosse feita a investigação? ’, questionou. ”
 O Ministério Público recorreu da decisão do juiz da 17ª Vara.
Em abril de 2010, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiram não ter havido favorecimento ao Opportunity e a outros no leilão de privatização da Telebras.


Lula e mais 30 políticos das cúpulas do PT e do PMDB vão parar no inquérito-mãe da Lava Jato

O  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que inclua mais 30 investigados no inquérito-mãe da Lava Jato. É o mais amplo, que já investigava 39 pessoas e apura se uma organização criminosa atuou na Petrobras. É o que conta reportagem de ontem a noite do Jornal Nacional.

Leia tudo:

Nesse grupo adicional de 30 pessoas, há integrantes das cúpulas do PT e do PMDB, os partidos da coligação que elegeu Dilma Rousseff e Michel Temer. E uma figura central é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No pedido de investigação ao STF, o procurador afirma que a organização criminosa não teria funcionado por tantos anos e de forma tão agressiva sem que lula mantivesse o controle das decisões mais relevantes dela.

Rodrigo Janot disse que há provas de que o grupo atuou para desviar recursos de várias empresas e para enriquecer ilicitamente agentes públicos, políticos e grupos de empresários, além de financiar campanhas eleitorais.

Entre os nomes estão o do ex-presidente Luiz Inácio lula da silva, dos ministros Jaques Wagner,Ricardo Berzoini e Edinho Silva, do principal assessor da presidente Dilma, Giles de Azevedo, de dois senadores: Jader Barbalho e Delcídio do Amaral, de seis deputados federais, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que pode passar a responder ao oitavo inquérito na Lava Jato, além dos ex-ministros do governo Lula e Dilma, Henrique Eduardo Alves, Erenice Guerra e Antônio Palocci.

A nova lista de suspeitos de participar do esquema inclui também o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e o ex-presidente do banco BTG Pactual, André Esteves.

Janot explica que "novos elementos probatórios" apontam para um "novo desenho da organização bem mais amplo e complexo do que aquele projetado no início das investigações".
O procurador se baseia nas delações premiadas de Delcídio do Amaral, do ex-diretor da PetrobrasNestor Cerveró e de executivos da Andrade Gutierrez.

O procurador diz que "esse aprofundamento das investigações mostrou que a organização criminosa tem dois eixos centrais. O primeiro ligado a membros do PT e o segundo ao PMDB. No caso deste, as provas colhidas indicam para uma subdivisão interna de poder entre o PMDB da Câmara e o PMDB do Senado.”

Os dois grupos, embora vinculados ao mesmo partido, ao que parece, diz Janot, atuam de forma autônoma, tanto em relação às indicações políticas para compor cargos relevantes no governo, quanto na destinação de propina arrecadada a partir dos negócios escusos firmados no tocante daquelas indicações.

O núcleo do PMDB na Câmara, segundo Janot, tem como um dos seus líderes Eduardo Cunha, e atuava para garantir indicações na Petrobras e na Caixa Econômica Federal, e na venda de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar empresas do grupo OAS, Odebrecht e BTG Pactual.

Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, ao que tudo indica, no núcleo do PT, a organização era especialmente voltada à arrecadação de valores ilícitos por meio de doações oficiais ao diretório nacional. E, depois, o diretório do Partido dos Trabalhadores fazia os repasses de acordo com a conveniência da organização criminosa.

Rodrigo Janot afirma que esse projeto de poder fica evidente em diversos relatos de colaboradores.
De acordo com o procurador, o ex-presidente Lula, "embora afastado formalmente do governo, mantém o controle das decisões mais relevantes, inclusive no que concerne as articulações espúrias para influenciar o andamento da operação Lava Jato fora do governo, para influenciar a sua nomeação ao primeiro escalão do governo Dilma, à articulação do PT com o PMDB, o que perpassa o próprio relacionamento mantido entre os membros desses partidos para o funcionamento da organização criminosa."

E acrescenta: "Essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente lula dela participasse", afirmou o procurador.

Para que os 30 novos suspeitos sejam formalmente investigados, será preciso o aval do ministroTeori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Artigo, André Burger - O Ambiente dos Investimentos no Cenário pós dilma.

Artigo, André Burger - O Ambiente dos Investimentos no Cenário pós dilma.

O cenário dos investimentos no Brasil está calmo, demais até. Seja pela incerteza gerada por uma economia em recessão, seja pela expectativa da troca de governo: sai uma facção política que espantou os investidores, entra uma que pode, insisto no pode, atraí-los.
São dois os principais componentes para afastar investidores: a incerteza e a insegurança. Incerteza temos demais, principalmente com esta indefinição política. Insegurança, também estamos bem servidos. Seja econômica: qual a política fiscal, cambial e de juros de longo prazo? Seja jurídica: qual respeitabilidade aos contratos privados?
O Brasil viveu, a partir do governo dilma, como um pródigo, gastando mais do que arrecadava e com políticas econômicas e sociais iguais ao do governo Lula, onde havia um superávit fiscal, mas as condições econômicas não se repetiram com dilma. A consequência dessa política temerária foi um crescente endividamento público, que geraram as pedaladas fiscais. O sinal de perigo para os investidores, notadamente os estrangeiros, foi a perda do tal grau de investimento. Ou seja, quem aqui investir reconhece que o risco é elevado. Somos terra para especuladores. Recuperar isso levará tempo.
O que acontece com a saída de dilma e sua desastrada política econômica? O Brasil não amanhecerá com suas contas em dia, num ambiente favorável aos negócios. Ainda levaremos 107 dias para abrir uma empresa e 2.600 horas para cumprir as obrigações tributárias. Os juros ainda serão elevados, contratar funcionários continuará oneroso e ainda seremos junk para os investidores internacionais. Porém, à semelhança da Argentina, pós Macri, com origem pior que a brasileira, poderemos mudar as expectativas sobre o nosso futuro. Vale lembrar, investimentos são decididos com base nas expectativas de retornos futuros. O Brasil continua sendo uma economia grande com um enorme mercado consumidor. Um pouco empobrecido, é verdade, mas segue tendo um PIB superior a todos os demais países da América do Sul somados. O PIB de São Paulo equivale ao da Argentina. O do RS, a soma da Bolívia, Paraguai e Uruguai. Ou seja, há mercados e consumidores. Historicamente recebemos mais investimento estrangeiro, proporcionalmente ao PIB, que os demais países que formam o BRICS e isso desde 1996.
Conversando com investidores externos e gestores de fundos de investimento (private equity), suas expectativas estão alinhadas a esses parâmetros: potencial do Brasil a longo prazo, o tamanho do mercado brasileiro e as vantagens comparativas frente a outros países e regiões, especialmente no agronegócio. Ou seja, há uma potencial reversão da situação de investimento privado no Brasil. Em o próximo governo garantindo os 3 Cs: coerência, constância e comprometimento, é viável uma retomada do investimento e do crescimento.
Mas isso é o setor privado, pelo lado do governo uma retomada dos investimentos deverá demorar muito mais. O endividamento do setor público (União, estados, municípios e as empresas estatais)1 atingiu, em 2015, preocupantes 46% do PIB quando era 27%, em 2002 quando o PT iniciou seu governo. Se o governo pós dilma for minimamente responsável deverá reduzir as despesas correntes antes de se aventurar novamente a promover investimentos. Decorre daí um cenário auspicioso: a falta de recursos do governo pode obrigá-lo a privatização e orientar menos os investimentos através dos bancos públicos, cabendo ao setor privado com sua lógica de mercado investir. Essas duas ações levam-nos a investimentos de acordo com o que o mercado busca, portanto, em caso de prejuízo, o ônus não é dos pagadores de impostos.
Devemos, naturalmente, vigiar atentamente o novo governo. A tentação de se tornar populista, emitir moeda, criar déficits fiscais é sempre muito grande. Soma-se a isso que a futura oposição, que se não é majoritária, sabe armar protestos, fazer barulho e cuspir.
Vimos que o caminho para uma economia estável é demorado e difícil. Quantos anos levamos para conquistar o tal grau de investimento e quão rápido foi perdê-lo. Ou ainda, em apenas 15 anos um país rico, a Venezuela, se torna um dos mais pobres da América Latina. Ou seja, o desvio para o fracasso é rápido. Imaginar que o governo é a solução, apenas precipita isso.


Por André Burger, economista.

Artigo, Macelo Aiquel - O espelho da irresponsabilidade

     Para quem ainda tinha alguma dúvida sobre o tamanho da irresponsabilidade da presidente Dilma;do seu PT;e daqueles que a apoiaram recentemente;os últimos sinais de fumaça que emanam da Capital Federal esclarecem até o mais cego dos militantes.
      Depois de “brincar” de seriedade, cercada de gente da estirpe de José Eduardo Cardozo; Jacques Wagner; Ricardo Berzoini; e do mais honesto ser vivo deste país, o falastrão do LILS (os poucos “companheiros” que ainda estão em liberdade), a nossa presidente guerrilheira mostra a sua verdadeira índole.
      Imitando o repugnante Fernando Collor (não me esqueço das suas caminhadas vestindo camisetas com mensagens, enquanto o “circo” pegava fogo), a ANTA sai a passear de bicicleta como se nada estivesse acontecendo na República das Bananas que ela – e o seu PT – ajudaram a afundar.
      Entupida de calmantes (que ela nunca precisou ingerir enquanto assaltava bancos, casas e quartéis, junto com o bando de terroristas de que fazia parte), ela agora surge com uma missão bem óbvia: entregar um país naufragado no mais completo caos.
      Caos financeiro, moral, ético, institucional, e econômico!
      Para tal, esta obtusa senhora (que, quando não lê um discurso pronto, horroriza até os muitoignorantes) utiliza os poucos dias restantes do seu (DES)governo para fomentar o incremento do endividamento das contas públicas.
      Numa ação de irresponsabilidade total. Mas não inédita:
      Há alguns anos, aqui mesmo em Porto Alegre, quando perderam o comando da Prefeitura Municipal (os petralhas locais também alimentaram o sonho de poder eterno, assim como o PT nacional nos quis impor na marra), os “éticos e decentes” membros do Partido da Trapaça, fizeram exatamente igual. Ou seja, agiramtal qual àquela criança mimada que, dona da bola é expulsa do jogo, e não deixa os outros jogarem mais.
      E não é por pura birra que o PT faz isso!
      É uma obra costurada com planejamento cirúrgico (com tons de maquiavelismo), visando estraçalhar os planos de quem os sucederá, com o único propósito de retornarem, depois,como salvadores da pátria.
      Bem do tipo: “...se era ruim conosco, será bem pior com eles...”.
      O estilo Maduro (o caricato e incapaz líder bolivariano da Venezuela) deixou seguidores nas figuras dos irresponsáveis que pouco se importam com o Brasil e com os brasileiros.
      Aquele discurso mentiroso e enganador a favor do trabalhador restou sepultado pelos atos derradeiros de quem deseja a pior situação para todos.
      Só ruim, não basta:
      QUANTO PIOR, MELHOR!... é o lema destes irresponsáveis.
      Mas, mesmo assim, diante dos absurdos que a presidente tem cometido ao apagar das luzes do seu projeto bolivariano de poder a qualquer custo, não se escuta, da boca de deputados então considerados independentes e sérios, uma só palavra de arrependimento por terem apoiado a guerrilheira no processo de impeachment.
      Onde estarão, agora, estes “coerentes” parlamentares?
      Ora, a resposta é evidente: estão chafurdando na lama que ajudaram a criar. Como perfeitas vestais da moralidade, fazem de conta que não é com eles.
      Porém, são igualmente irresponsáveis!
      Pois, falta-lhes o decoro necessário para representar com dignidade os milhares de votos que um dia receberam. E que, se a Justiça Divina não tardar, nunca mais ganharão.
      Porque, plagiando o genial Abraham Lincoln, “você pode enganar uma pessoa o tempo todo, algumas por algum tempo, mas não poderá enganar a todos o tempo todo”.

      Que esta DOLOSA irresponsabilidade seja exemplarmente punida!

Artigo, Ronald Hillbrecht, PPGE da Ufrgs - Estratégia de Reformas por um Brasil Próspero e Inclusivo

        O grande desafio dos próximos governos, incluindo aí um governo de transição, começa com o estabelecimento correto de prioridades para conceber uma estratégia sequencial de reformas que atinja seus objetivos. Nesta estratégia, primeiro é recomendável fazer as reformas econômicas (fortalecer direitos de propriedade e tornar mercados mais abertos e competitivos) e depois as reformas políticas. Não custa mencionar duas grandes lições de dois prêmios Nobel em Economia: Uma, a de Milton Friedman, que mostrou que a existência de competição econômica solapa a concentração de poder político; a segunda, a de Friederich von Hayek, que diz que nenhuma democracia é sustentável sem proteção a direitos de propriedade e mercados competitivos. Além disto, inverter a ordem das reformas pode ser desastroso: a Primavera Árabe aparece como exemplo, onde se buscou direitos políticos (democracia) antes de consolidar direitos econômicos (proteção à propriedade e mercados competitivos). Que esta tragédia humanitária decorre da inversão da sequência de reformas é tema de reflexão de economistas distintos como Daron Acemoglu e Niall Ferguson.

      Desta forma, minhas sugestões para quem assumir a incumbência de consertar o estrago provocado pelas políticas "desenvolvimentistas" do governo Dilma são as seguintes:

- Para o Brasil voltar a prosperar são necessárias, no curto prazo, além da volta à sustentabilidade fiscal e ao regime de metas de inflação (o efetivo, não o fictício), reformas econômicas voltadas para melhorar o funcionamento de mercados (como abertura econômica, melhoria do ambiente de negócios, fim das políticas verticais/setoriais que oneram o resto da sociedade, etc.) Estabilização macroeconômica e introdução de um ambiente microeconômico mais competitivo com menores custos de transação são fundamentais para que o país volte a prosperar. Estas medidas não custam caro, têm efeito mais imediato, podem ser implementadas sem reformas políticas e são, portanto, prioritárias. Fazendo uma analogia médica, o importante agora é estabilizar as condições de vida do paciente, que se encontra na UTI.

- Outras reformas econômicas devem ser feitas ao longo do caminho, com maior ou menor senso de urgência de acordo com a gravidade da situação. Neste caso, entendo como prioritárias as reformas previdenciária e educacional, entre outras. Estas reformas têm impacto de médio e longo prazo e ajudam na recuperação do paciente.

- A reforma do sistema político representa uma mudança nas regras do jogo político, não nas políticas adotadas. Precisa ser muito bem pensada e conduzida, para não correr o risco de causar danos por muito tempo. A nossa atual Constituição é um exemplo disto, pois foi promulgada antes da queda do muro de Berlim e do esfacelamento da URSS, adquirindo portanto contornos fortemente intervencionistas e contraproducentes. Creio ser difícil fazer uma reforma política fora de uma grande revisão constitucional na forma de uma Constituinte Exclusiva. Esta equivale, na analogia usada, à mudança de hábitos do paciente que o torna mais saudável e longevo. Esta terá que ser feita em algum momento no futuro e devemos nos preparar de antemão para que seja bem feita, mas não deve ser a grande prioridade nacional.