Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Os recados da pesquisa Quaest sobre a sucessão presidencial

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista político da Arko Advice pesquisas

carloseduardo@arkoadice.com.br

A pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje (5) mostra um encurtamento da distância do presidente Lula (PT) para o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, a vantagem de Lula baixou de 12 pontos (40% a 28%) para 9 pontos (39% para 30%). Em um eventual segundo turno, a distância de Lula para Flávio caiu de 8 pontos (45% a 37%) para 5 pontos (44% a 39%).

Embora a preferência das mulheres (38%); do eleitor de renda de menor renda (51%) e da região Nordeste (59%) por Lula sejam pilares importantes do voto lulista, a redução da distância entre Lula e Flávio mostra uma sucessão competitiva.

Além da avaliação do governo Lula dividir a sociedade (48% aprovam e 47% desaprovam); devemos observar que: 

1) 55% afirmam que o presidente não merece ser reeleito e que o país está na direção errada; 

2) 43% consideram que a economia piorou; 

3) 68% avaliam que o preço dos alimentos subiu; 

4) 46% dizem que não sentiram impacto na renda com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil; 

5) 88% consideram que o programa Desenrola 2.0 não trouxe benefícios; e 

6) 43% entendem que o presidente Lula (PT) foi mal na resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil 

Esses números sugerem a existência de um cansaço com a agenda lulista, sobretudo na economia, podendo indicar ainda que a narrativa em defesa da soberania começa a encontrar limites. 

Soma-se a isso o surgimento de fatos novos envolvendo a abertura de três inquéritos contra Lulinha, filho do presidente, e a revelação de que o ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola, teria recebido repasses da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Esses temas, que dominam o noticiário nas últimas horas, não fizeram parte do campo da pesquisa, pois os questionários da Quaest são anteriores a esses fatos. 

Flávio Bolsonaro, por sua vez, embora competitivo, segue com o desafio de angariar apoios para além do antipetismo, principalmente os chamados eleitores independentes. 

Nesse segmento, Lula tem 24% das intenções de voto no primeiro turno contra 18% de Flávio. No entanto, o percentual de indecisos é elevado: 21%. Na simulação de segundo turno, entre os independentes, Lula atinge 33% contra 30% de Flávio. O percentual de indecisos é de 8%, enquanto 29% admitem não ir votar.  Os independentes são o segmento estratégico da disputa. É um eleitor volátil e que tem o costume de se definir na reta final da eleição. 


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