Jorge, 47 anos depois

Jorge, 47 anos depois
O ex-guerrilheiro agora é um governante recluso, sitiado pela calamidade administrativa e processos por corrupção. Aguarda que o correr da vida embrulhe tudo
10/01/2017
José Casado, O Globo
Na manhã de segunda-feira, 2 de março de 1970, quatro homens assaltaram um veículo em Canoas (RS). Roubaram o equivalente a R$ 565 mil da Ultragraz.

Na ação estava um jovem de 19 anos, alto, magro, emplastro no rosto e revolver calibre 38 na mão. O mineiro Jorge era da VAR-Palmares, derivado do Comando de Libertação Nacional (Colina) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), devotados à luta armada contra a ditadura.
Mês seguinte, interceptaram outro carro, em Porto Alegre. Naquela noite de sábado, 4 de abril, Jorge desceu do Fusca apontando um calibre .45 para o cônsul americano Curtis Carly Cutter, 42 anos. Veterano da guerra da Coreia, Cutter acelerou seu vigoroso Plymouth Fury. Levou bala no ombro. Deixou um deles estirado, com o tornozelo ferido pela roda — logo foi preso, torturado, e amargou três anos na cadeia.
O manquejar de Fernando Pimentel, governador de Minas, é herança desse confronto, quando vestia a máscara do terrorista Jorge na liderança da “Unidade de Combate Manoel Raimundo Soares” da VAR-Palmares gaúcha.
Passaram-se 47 verões. Pimentel agora é um governante recluso, sitiado pela calamidade administrativa e processos por corrupção.
Em dezembro, arriscou passeio num shopping em São Paulo. Saiu hostilizado, sob gritos de “ladrão”. Semana passada foi flagrado usando helicóptero do governo para resgatar parente em festa de ano-novo num balneário, a 270 quilômetros da capital. Minas, na falência, descobriu que o governador gastara R$ 21,8 milhões em dois novos helicópteros.
Aos 65 anos, Pimentel é um político na sala de espera do tempo. Aguarda que o correr da vida embrulhe tudo, como dizia Guimarães Rosa.
Governa com finanças em desgraça, por efeito da recessão num estado dependente de indústrias antigas, como siderurgia, mineração e automóveis. Os danos ao Erário foram potencializados por decisões errôneas suas e dos antecessores, mas atribui a eles toda culpa pelo infortúnio.
Minas se destaca no grupo dos falidos. Ampliou isenções fiscais e aumentou em 78% o gasto com pessoal, entre 2009 e 2016. Mantém um buraco de R$ 8 bilhões, pelo segundo ano.
O governador resiste ao socorro federal. Prefere parcelar salários, reduzir gastos na Saúde e insistir na loteria dos cenários. Num deles, o governo Temer seria pressionado a atender a todos, sem condicionalidades. Noutro, haveria imediata retomada da economia nacional.
Pimentel joga também com o tempo em processos nos quais é acusado de transformado em balcão de negócios o Ministério da Indústria, no governo Dilma. Seu antigo aliado, Benedito Rodrigues, detalhou a lavagem de R$ 10 milhões recebidos do grupo Caoa em troca de benefícios fiscais na importação de autopeças. Relatou, ainda, propina de R$ 15 milhões do grupo Odebrecht para liberação de créditos do BNDES em obras no exterior.
Pimentel aposta na chancela do Supremo à Constituição mineira, pela qual processos contra ele só seriam possíveis com autorização da Assembleia — onde tem maioria.

Ao conquistar o governo do segundo maior colégio eleitoral do país, em 2014, o ex-guerrilheiro Jorge foi saudado como símbolo da renovação de um PT em crise. Pimentel chegou à metade do mandato isolado, dentro e fora do partido, prisioneiro de si mesmo.

IBGE: crescimento das vendas do varejo em novembro foi impulsionado pelo desempenho da Black Friday

- IBGE: crescimento das vendas do varejo em novembro foi impulsionado pelo desempenho da Black Friday

As vendas do comércio varejista restrito cresceram 2,0% na passagem de outubro para novembro, excetuada a sazonalidade, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada ontem pelo IBGE. O resultado superou a nossa projeção e a mediana das expectativas do mercado, de altas de 0,4% e de 0,3%, respectivamente, de acordo com coleta da Bloomberg. Uma parcela da forte elevação na margem pode ser atribuída às vendas da Black Friday, com a antecipação de parte das compras de Natal. Na comparação interanual, houve queda de 3,5%, acumulando contração de 6,5% nos últimos doze meses. A expansão das vendas no período refletiu o avanço em cinco dos oito setores pesquisados, com destaque a alta de 0,9% na margem de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, responsável por aproximadamente metade das vendas do comércio restrito. Diversos segmentos foram beneficiados pela Black Friday, como equipamentos de escritório, informática e comunicação e móveis e eletrodomésticos, com variações positivas de 4,3% e 2,1%, nessa ordem. Além disso, outros artigos de uso pessoal e doméstico apresentaram forte elevação de 7,2%. Em contrapartida, as vendas de tecidos, vestuário e calçados caíram 1,5%. Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que também contempla os segmentos de veículos e materiais de construção, subiu 0,6% em relação a outubro, na série dessazonalizada. A alta mais modesta que a do varejo restrito foi explicada pelo declínio de 0,3% das vendas de veículos e motos, partes e peças. Já materiais de construção registraram elevação de 7,2% no período. Apesar do resultado positivo com as vendas do varejo em novembro, esperamos devolução do movimento em dezembro, diante da dissipação do efeito da Black Friday. Acreditamos que o enfraquecimento do mercado de trabalho, a desalavancagem das famílias e a perda de fôlego da confiança dos consumidores continuarão a impactar negativamente o consumo à frente. Assim, devemos ver nova contração do consumo das famílias no quarto trimestre, de cerca de 0,5% em relação aos três meses anteriores. Para o PIB total, atualizamos nossa projeção de -0,9% para -0,8%. Diante do crescimento do varejo em novembro e da relativa estabilidade da produção industrial, projetamos avanço de 0,2% do IBC-Br. Ressaltamos que o resultado do desempenho do setor de serviços, a ser divulgado nesta quinta-feira, ainda pode alterar nossa expectativa. 

Artigo, Tito Guarniere - Presídios em fúrias

A cobertura da imprensa sobre as chacinas nas cadeias brasileiras é superficial e enganosa. Jornalistas e analistas capricham nos adjetivos, para realçar a indignação e a revolta, mas se perdem nas rotulagens fáceis, passam ao largo das razões profundas e pouco contribuem para o debate e mesmo para a informação honesta.

A julgar pela abordagem comum da mídia, as penitenciárias de Manaus e Roraima são da alçada da União. O apego doentio à crença de que a solução dos problemas deve ser buscada, sempre, no governo central em Brasília, escamoteia a realidade: a administração daqueles presídios é dos estados, não da União.

Desse modo, uma expressão infeliz do presidente Michel Temer, incidental e secundária, ganha status de assunto relevante, senão principal, passando a impressão de que Temer, ao dizer que a chacina de Manaus foi “um terrível acidente”, é um desalmado, capaz de catalogar a tragédia apenas como um acidente. É patético.

Descobrem, agora, horrores da empresa que administra o presídio de Manaus. Deixa-se de lado, de novo, o principal: o presídio estava com mais do que o dobro da capacidade de lotação. E é o Estado que manda para lá os presos além da lotação. Nas cadeias entupidas, seja a gestão pública ou privada, a qualquer pretexto se rompe o frágil equilíbrio, degenerando em rebelião e mortes.
Sabe-se também que de um terço até 50% dos detentos, dependendo das fontes, são de prisões provisórias. Se temos 650 mil presos nas cadeias do país, então entre 220 mil e 325 mil aguardam sentença. Quantos desses podem ser absolvidos, aguardar em liberdade a sentença ou acertar as suas contas com a Justiça através de uma pena alternativa? É o efeito mais devastador da morosidade da Justiça brasileira.
A cada motim, retomam a ideia de um mutirão da Justiça para esvaziar as cadeias. Mas logo, logo, a promessa é esquecida, sucumbe à rotina, até a próxima tragédia. Na crise atual do sistema, nenhuma outra providência daria resultados tão imediatos. Pode ser para fevereiro ou março, quando suas excelências – juízes, Ministério Público, defensorias - voltarem das férias.
Por falar nisso, onde está o Ministério Público? Nestas horas desaparece do radar, abre mão do comum protagonismo. A mídia, os apresentadores da tevê, só querem saber do MP na Operação Lava Jato. Na crise penitenciária, os senhores procuradores e promotores não têm nenhum papel a cumprir? Na cobertura das chacinas, a grande imprensa ama o fácil, o cômodo, o clichê. Manda toda a conta para Brasília, o governo central, o presidente, o ministro da Justiça, e livra a cara do Judiciário, do Ministério Público, das defensorias públicas.
Um debate para valer: atribuir às forças armadas um conjunto de tarefas e missões na guerra contra o tráfico e os sindicatos do crime. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica custam dinheiro demais ao país no “treinamento” para uma guerra sabe-se lá contra quem, que não está no horizonte, ignorando a guerra que corre solta, decepando cabeças, no limiar do descontrole, e cujas batalhas sangrentas se travam no interior encardido das prisões brasileiras.

titoguarniere@terra.com.br

O Estado capturado

O Estado capturado
Professor de Filosofia

Por: Denis Rosenfield, em Zero Hora

As chacinas e massacres das prisões brasileiras denotam, antes de mais nada, uma ausência de Estado. O sistema carcerário faz parte do sistema estatal, independentemente de sua administração ser terceirizada para o privado.

Sua função consiste em assegurar a vida e a segurança dos que, por seus crimes, são afastados do convívio social. Devem ser mantidos à parte da sociedade, sem que isto signifique, porém, que sua vida possa estar em risco. O direito à vida é um princípio do Estado, valendo igualmente para os detentos.

Contudo, a situação carcerária está indo simplesmente além de uma omissão do Estado por revelar uma captura de todo um setor estatal pelo crime organizado.

Não se trata de uma mera escaramuça entre detentos, mas de uma luta de facções dentro dos presídios pelo seu controle; ou seja, estamos diante de uma luta pelo poder, reflexo de uma luta pelo narcotráfico em todo o território nacional.

Observe-se que não se trata de uma luta entre o crime organizado e os agentes penitenciários ou policiais, mas de uma luta interna entre as organizações criminosas. É como se os policiais e agentes penitenciários não mais existissem.

O Estado foi capturado. É como se o Exército em uma batalha militar tivesse evacuado um território por tê-lo perdido, passando este a ser controlada por seus inimigos.

Ora, trata-se de uma situação extremamente grave, com o Estado não podendo mais assegurar a qualquer cidadão o direito à vida, à segurança.

Se, de um lado, o Estado perdeu o controle dos presídios, de outro, perdeu o controle das ruas. Homens e mulheres não mais conseguem caminhar livremente nas cidades brasileiras. Não podem circular em carros ou ônibus, pois são acossados diariamente pelo crime.

O Estado tampouco consegue proteger adequadamente as suas fronteiras, com as organizações criminosas introduzindo livremente no país drogas e armamentos. Lá também se trava uma guerra que não tem merecido a atenção devida.

Estamos diante de uma situação muito perigosa, com o Estado deixando progressivamente de agir, abdicando de seus "territórios".

O Estado do Rio de Janeiro, em particular, é um símbolo do que pode, amanhã, ocorrer em qualquer cidade brasileira. Foi capturado pelo crime. Até um ex-governador está preso, dada a enormidade da corrupção praticada.


A falência do sistema carcerário pode ser mais uma manifestação de uma séria desestruturação do Estado brasileiro. 

Reportagem da Folha de S. Paulo - Maioria dos brasileiros não tem reserva para emergência

Maioria dos brasileiros não tem reserva para emergência

Os brasileiros são os mais vulneráveis do continente em caso de emergência: 44% deles –mais de 70 milhões acima dos 15 anos– consideram impossível levantar cerca de R$ 2.500 numa necessidade extrema, segundo o Banco Mundial (para permitir comparações, o órgão usou uma quantia relativa, equivalente a 1/20 do PIB per capita).
No mundo, só sete países estão mais despreparados.
Dos brasileiros que acham possível obter a quantia, apenas 16% dizem poder recorrer às próprias economias; mais da metade pediria ajuda a amigos ou parentes.
APENDICITE NAS FÉRIAS
"São duas coisas em que ninguém pensa: seguro de vida para o pai ou mãe de família e a reserva de emergência", afirma o planejador financeiro Flavio Kokis. "Mas o telhado pode cair, o filho pode ter uma apendicite nas férias, o carro pode quebrar e ficar caro."
Segundo ele, quando guarda algum dinheiro, a maior parte de seus clientes (das classes A/B) está pensando em viajar para a Europa ou em comprar um carro novo.
O planejador diz que o ideal é ter um fundo de emergência que varia de 3 a 12 vezes o custo mensal da família -dependendo da profissão, da estabilidade de renda, do estado civil, entre outros itens.
Segundo levantamento da Serasa feito em 2015 (2.002 maiores de 16 anos, margem de erro de 2 pontos percentuais), 73% dos brasileiros não conseguiriam cobrir seus custos por mais de 90 dias.
A situação fica mais grave na velhice, porque "o tempo é uma serpente altamente venenosa", como disse um empresário de 62 anos que preferiu não ser identificado.
"Quando alguém chegou à minha idade e não poupou nada, passa a ser um problema social", afirma ele.
TRÊS VEZES NULA
O estudo do Banco Mundial leva em conta só a poupança financeira, que é um dos itens de patrimônio capazes de assegurar recursos na velhice ou numa emergência.
A posse de imóveis, de veículos, de bens duráveis que possam ser vendidos e mesmo o investimento em educação são também considerados formas de poupança.
Apesar da dificuldade em levantar dados objetivos sobre o patrimônio dos brasileiros, estudo feito a partir da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE indica que 81% das famílias têm poupança financeira nula.
Se a casa própria for considerada, são 61% os de poupança zero, e 47% não têm nem dinheiro, nem casa, nem carro como patrimônio.
O trabalho dos economistas Marcos Antonio Coutinho da Silveira e Ajax Reynaldo Bello Moreira tem como base as duas POFs mais recentes (2002/2003 e 2008/2009).
Para os pesquisadores do Ipea, um dos fatores que impedem a acumulação de poupança é o baixo acesso ao crédito. Sem empréstimos para suavizar o consumo, as pessoas consomem toda a renda.
Mas, mesmo entre os 10% mais ricos da população, 46% das famílias tinham poupança financeira zero.
SALDO DE R$ 1,66
Construir indicadores que levantem o lado patrimonial das famílias para avaliar seu equilíbrio financeiro é considerado importante pelo Banco Central, conforme seu relatório de inclusão financeira de 2014.
O número de pessoas físicas com caderneta de poupança não é um bom indicador, porque as contas não são usadas para fazer reservas.
Dos 131,8 milhões de brasileiros com caderneta, 60% tinham menos de R$ 100. O saldo médio era R$ 1,66.
Segundo o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, estudo feito em 2014 mostrou que 45% das famílias não tinham sobra financeira regular.
"Um número significativo mencionou ainda custo-benefício (rendimento não vale a pena, taxas altas, impostos), não inclusão bancária ou falta de confiança no sistema financeiro" como razão para não investir.
POUPANÇA E PIB
O nível de poupança não afeta apenas as perspectivas da vida de indivíduos e famílias, e seu padrão de consumo agora ou no futuro, mas também as perspectivas de crescimento econômico.
O aumento do PIB depende também do investimento, que precisa ser financiado por poupança: o que as famílias e o governo deixam de consumir (poupança doméstica) ou recursos externos (endividamento no exterior).


Batalha jurídica corporativista bloqueia extinções de Fundações

Batalha jurídica corporativista bloqueia extinções de Fundações


Esquerda positivista reacionária, que mistura Marx e Augusto Comte, sempre foi contra o Rio Grande do Sul. Mas quer mesmo é garantir os empregos , já que não sabe fazer nada se não for funcionária pública.Conta com apoio de juizes corporativistas, que são os do Trabalho.

O assunto foi objeto desta reportagem de Fábio Schaffner, jornal Zero Hora, que revela que as extinções de fundações viram batalha jurídica para o Piratini.

Leia tudo:

Eventuais demissões e legalidade do fechamento de órgãos são questionadas por entidades representantes dos trabalhadores

Fundação Piratini, que gere TVE e FM Cultura, foi a primeira a ser proibida pela Justiça de realizar demissão em massa.
Após a vitória política na votação dos projetos que autorizam a extinção de nove órgãos públicos, o governo agora se prepara para enfrentar uma longa batalha judicial. Além de lograr êxito na obtenção de liminares que suspendem demissões nas fundações Piratini, Zoobotânica, de Economia e Estatística (FEE), de Ciência e Tecnologia (Cientec), Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e na Corag, as entidades classistas irão questionar a legalidade da própria liquidação dessas estruturas.
Pelo menos seis advogados formam a frente jurídica organizada pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisa e de Fundações Estaduais do RS (Semapi). Nesta segunda-feira, quando termina o recesso do Judiciário, pretendem dar início a novas ações. Uma das principais alegações é a de que o governo contrariou princípios de ordem econômica estabelecidos pela Constituição Estadual.
Justiça determina que Fundação Piratini não pode demitir funcionários sem acordo coletivo
— Temos uma série de estratégias para ser usada no momento apropriado. A votação desses projetos foi eivada de vícios — diz o advogado do Semapi, Délcio Caye.
O Piratini tem até 17 de janeiro para sancionar as leis que autorizam o fechamento das fundações. Agora, o governo estuda formas de recorrer das três decisões que sustaram o iminente desligamento dos servidores. O entendimento da Justiça é de que o governo não pode promover demissões em massa sem negociação coletiva mediada pelos sindicatos de cada categoria. As liminares desagradaram o governador José Ivo Sartori, que pretendia imprimir um ritmo rápido na extinção dos órgãos e no desligamento dos 1.199 servidores.
Nos últimos dias, assessores da Casa Civil e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) discutiram como reagir aos despachos judiciais, ao mesmo tempo em que preparam terreno para fechar as estruturas. Ficou acertado que a Corag terá um "liquidante". Nas fundações, serão indicados uma pessoa ou grupo para o ato final. O suporte jurídico será dado por procuradores designados para cada órgão.
— A intenção é ir até o fim, fazer a liquidação. Estamos vendo como se insurgir contra as liminares — afirma um articulador do Piratini.
Multa em caso de suspensão dos serviços
Na primeira liminar concedida, a juíza Maria Teresa da Silva Oliveira, da 27ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, proibiu demissões na Fundação Piratini e estipulou multa de R$ 10 mil por dia por funcionário dispensado.
A juíza Valdete Souto Severo, da 18ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, foi além. No despacho em que susta eventuais demissões em cinco fundações, a magistrada impede que os órgãos deixem de praticar os serviços prestados ao Estado antes de negociações com as entidades de classes e determina que o governo "se abstenha da prática de qualquer ato a esvaziar as atividades de cada fundação sob pena de multa de R$ 50 mil".
De acordo com o advogado trabalhista e professor da Unisinos Guilherme Wunsch, o governo terá de garantir o cumprimento de todas as normas. Em geral, a legislação veda dispensas em massa e busca respeitar todas as prerrogativas dos trabalhadores.
— No caso da Fundação Piratini, os servidores foram impedidos de ingressar no próprio local de trabalho. Foi criada toda uma situação de incerteza que levou a Justiça a intervir — afirma o advogado.
Segundo o procurador-geral do Estado, Euzébio Ruschel, o governo irá recorrer das decisões. No caso da Fundação Piratini, foi impetrado mandado de segurança, que foi negado. Agora, um agravo regimental tentando cassar a liminar tramita no TRT da 4ª Região:
— Após a sanção das leis, que deve ocorrer nesta semana, vamos dar curso aos processos de negociações coletivas. Caso não haja acerto, vamos invocar a mediação da Justiça do Trabalho. A PGE vai se contrapor a qualquer decisão que tente impedir a extinção das fundações.
Esquerda positivista reacionária, que mistura Marx e Augusto Comte, sempre foi contra o Rio Grande do Sul. Mas quer mesmo é garantir os empregos , já que não sabe fazer nada se não for funcionária pública.Conta com apoio dos piores juizes atrasados corporativos, que são dos do Trabalho. Pessoalmente, sou contra extinção da FEE e Zoobotânica - instituições de pesquisa. TVE tem que ser uma sociedade civil, nunca algo do Estado

Sem-votos querem o caos

Sem-votos querem o caosA depender das lideranças carbonárias que comandam alguns dos chamados movimentos sociais, 2017 é um ano que promete em termos de manifestações de protesto violentas contra o governo e suas propostas para recuperar o equilíbrio das contas públicas e criar condições para a retomada do crescimento econômico       

A depender das lideranças carbonárias que comandam alguns dos chamados movimentos sociais, 2017 é um ano que promete em termos de manifestações de protesto violentas contra o governo e suas propostas para recuperar o equilíbrio das contas públicas e criar condições para a retomada do crescimento econômico. É o que revela levantamento feito pelo Estado e publicado na terça-feira passada. Guilherme Boulos, o notório agitador que lidera o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), faz, mais do que um prognóstico, uma ameaça: “Haverá um agravamento da situação e vamos nos aproximar de um estado de convulsão social”. Essa clara manifestação de propósito traduz, em resumo, o pensamento de várias lideranças das entidades e organizações sociais historicamente engajadas no chamado movimento de esquerda no País.
Desalojados da órbita governamental com o impeachment de Dilma Rousseff, movimentos e entidades dessa tendência, principalmente aqueles tradicionalmente patrocinados por verbas públicas, dão-se conta de que só lhes resta o confronto político com o poder central como meio de se manterem ativos no cenário político. É uma opção radical que decorre da natureza autoritária desses movimentos, que não lhes permite sequer cogitar da negociação de propostas com o governo – aliás, com qualquer governo, enquanto eles próprios não se instalarem no poder –, restando-lhes assim apenas o recurso da violência para contestar a legitimidade de aparatos estatais que são apenas “instrumentos de opressão das classes dominantes”.
Agarrados a essa política do “nós” contra “eles”, que sempre foi a marca registrada de Lula et caterva, essas entidades e movimentos sociais sabem que já não podem contar com a via eleitoral para voltar ao poder. Isso ficou dramaticamente demonstrado nas eleições municipais do ano passado, em que PT & Cia. foram massacrados nas urnas. Por exemplo, a atual presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, disputou pelo PCdoB a prefeitura de Santos. Teve menos de 15 mil votos, o equivalente a 6,6% do eleitorado santista.
A jovem Carina dispõe-se então a obter nas manifestações o sucesso que não conseguiu nas urnas: “Nós vamos para as ruas contra a reforma da Previdência e, principalmente, contra a PEC dos gastos públicos, que acaba com os investimentos em educação e condena o futuro do País”. Pretende incendiar as cidades com a versão mentirosa – mas capaz de sensibilizar corações sensíveis porém mal informados – de que nos próximos 20 anos não haverá investimentos em educação.
Numa linha politicamente mais ambiciosa pretende atuar o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, Vagner Freitas: “A pauta que vai puxar protestos contra o governo é o combate à reforma da Previdência. Vamos partir dessa proposta absurda de reforma e, no fim, chegaremos ao grito de ‘Diretas Já’”.
A completa irresponsabilidade política desses movimentos que planejam incendiar o País em nome, para começar, do revanchismo consubstanciado na palavra de ordem “Fora Temer”, escancara-se quando essas lideranças “populares” admitem, com todas as letras, que antes de qualquer outro objetivo a intenção é lutar “contra o governo”. Quer dizer: não importa quais sejam as propostas apresentadas pelo presidente Temer e sua equipe. O que importa no momento é ser “contra o governo”, se possível derrubá-lo. Depois que esse objetivo for atingido, mais cedo ou mais tarde, o País poderá começar a pensar na solução da grave crise econômica, política e social em que está mergulhado.
Até lá, prometem os incansáveis salvadores da Pátria, os movimentos “populares” continuarão nas ruas agitando bandeiras “progressistas”, com o apoio dos vibrantes black blocs, responsáveis pelos melhores momentos da coreografia de horrores que traduz o sentimento de indignação dos brasileiros contra tudo e contra todos, segundo cândida interpretação sociológica de Guilherme Boulos, amplamente disponível nas mídias sociais.

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