Vincent Peyrègne: "Independência não é neutralidade"

Vincent Peyrègne: "Independência não é neutralidade"
CEO da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias afirma que as empresas de comunicação precisam encontrar novas formas de se financiar, e que modelo de massas não serão os mais eficientes

O francês Vincent Peyrègne é o diretor-executivo da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-Ifra), organização internacional para pensar o futuro da indústria do jornalismo. Em novembro, Peyrègne esteve em Porto Alegre, para uma palestra na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), parte das comemorações dos 50 anos da Famecos. No evento, enfatizou que as empresas de comunicação precisam prospectar novas formas de se financiar, já que o dinheiro da publicidade vem secando. E nessa busca, duas coisas devem ficar claras: a primeira é que o público se tornou múltiplo e exigente, e abordagens de massa não têm mais tanta eficiência; a segunda é que o jornalismo precisa ser presente e atuante na sua comunidade, fazendo seus consumidores valorizarem o trabalho feito em nome daquela coletividade. Antes da palestra, Peyrègne conversou com Zero Hora:

O senhor já declarou em uma entrevista que o jornalismo era um "prazer maravilhoso". Continua pensando assim?
Continua um prazer porque é uma missão, uma missão para a sociedade. Precisamos de jornalistas e precisamos de jornalismo, jornalismo político independente, para assegurar os valores de nossa sociedade. Por isso é um prazer. Mas não é mais maravilhoso, porque, é claro, trabalhar como jornalista é um desafio. As empresas jornalísticas estão mudando, não há mais monetização, então a grande pergunta é como viver do jornalismo.

Como, então, viver do jornalismo na época em que a internet criou a cultura da gratuidade?
Não há uma receita universal. Minha preocupação é mais voltada para o longo prazo e para as redações, para as empresas, para as corporações, para que elas ainda estejam lá para proteger a integridade e a independência do jornalismo. Com respeito a isso, algumas companhias têm tido sucesso. Há novos e jovens agentes digitais entrando no ramo do conteúdo pago. Temos exemplos na França, nos EUA, mas é uma fração. Não é como se todas as companhias de notícias pudessem entrar nesse mercado. Mas acho que, para a maioria das empresas de comunicação, a grande pergunta é como substituir as receitas geradas pela propaganda. Porque, no fim das contas, o jornalismo, o bom jornalismo, sempre foi subsidiado. As pessoas nunca pagaram pelo conteúdo. Não é uma questão nova pensar de onde virão os subsídios. Não estão mais na propaganda. Podem vir de algum outro tipo de atividade. Não há uma regra única, esse é o problema.

O senhor fala sobre jornalismo independente, mas com a internet temos visto muitos exemplos de jornalismo vinculado a uma visão política. É um retorno aos tempos do jornalismo militante e panfletário de suas origens?
Jornalismo independente não significa sem opinião. Você pode ter opiniões fortes, ideológica e economicamente, e ainda assim ser independente. Independência não é o mesmo que neutralidade, e neutralidade é um conceito muito subjetivo. Para mim, a sociedade é composta de diferentes visões e diferentes perspectivas, e o jornalismo deveria refletir esses pontos de vista. O que não queremos é o discurso violento, mas é justo dar voz a qualquer tipo de jornalismo na sociedade, e isto é independência.

O senhor diz que a confiança é o bem mais precioso de um veículo de imprensa, a ser preservado de qualquer modo. Se independência não é neutralidade, o modo de preservar a confiança do público é abrir suas opiniões?
Sim, claro. Deve ser aberta e articulada, mas há diferentes tipos de jornalismo. Você tem o jornalismo investigativo, o jornalismo de observação, que podem trabalhar juntos na mesma redação. E quando se fala em se engajar politicamente ou em jornalismo tendencioso, está se falando de uma pequena parcela do jornalismo. A confiança a que me refiro é aquela que recai no tipo de serviço que você presta, como você se torna parte da vida de seus leitores. Hoje talvez não tenhamos como dizer que há uma multidão de bons trabalhos jornalísticos sendo feitos, mas não vejo como isso seria diferente de décadas atrás. O bom jornalismo sempre foi escasso, para ser honesto.

O jornalismo investigativo é o mais caro e também um dos mais relevantes. Como continuar investindo nesse tipo de material sem certeza de onde virão os subsídios?
Não há resposta fácil. Há uma tendência de apelar para o financiamento filantrópico, mas não creio que o apoio de um filantropo vá fazer grande diferença. O valor do jornalismo tem de ser repensado em termos do valor que ele traz para a comunidade, e desse valor devem vir os recursos da comunidade, porque ela valoriza o trabalho que você está fazendo. Defender a sua comunidade e trabalhar a serviço dela deveriam ser os elementos-chave desse debate. E tenho visto muitas organizações jornalísticas desconectadas de suas comunidades. Quando trabalhei com redações, minha luta sempre foi para que os jornalistas saíssem da redação e organizassem uma rede de contatos fora dela. Este é um bom paradigma. Jornalismo não é escrever ou veicular, é conectar pessoas.

Na sua opinião, o jornalismo de massa não funciona mais para todos e precisa ser personalizado. Como?

Há uma necessidade de novas habilidades. Colegas meus na França desenvolveram este conceito de que o novo profissional deve ser um designer de notícias, um produtor, mais do que um escritor, porque ele precisa pensar como o mesmo bloco de conteúdo pode ser moldado para ser consumido de acordo com as diferentes necessidades dos consumidores. Se a tendência do consumo personalizado de jornalismo e informação se mantiver, teremos a necessidade de personalizar o conteúdo. O que produz uma série de oportunidades, mas também de riscos.

O Estado é o responsável

A segunda tragédia em apenas cinco dias – desta vez em Boa Vista, Roraima – coloca o País, de novo chocado com a barbárie, diante da dura realidade do descontrole do sistema penitenciário e da repetição, sabe lá até quando, de episódios como esses. E também da inescapável conclusão de que se chegou a essa situação calamitosa por culpa do Estado – em todos os seus níveis –, que nas últimas décadas simplesmente abandonou esse setor da maior importância da segurança pública. É a hora de acertar a conta desse erro colossal e ela, já se viu, será pesada.
Durante rebelião que começou na madrugada de sexta-feira, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), 33 presos foram barbaramente assassinados – a maioria decapitada, esquartejada ou teve o coração arrancado – ao que tudo indica num ato de vingança do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a Família do Norte (FDN) por tratamento idêntico contra ele dado por essa organização criminosa dias atrás no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus.
Tal como já fizera no caso do Compaj, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, insiste em minimizar, não se sabe por que motivo, a importância da disputa entre essas facções criminosas nesses episódios. E na mesma direção foi o secretário de Justiça de Roraima, Uziel Castro, para quem os mortos não tinham relação com o crime organizado. “Todos (os que estavam naquela prisão) eram da mesma facção, todos eram do PCC”, disse o ministro, como se o PCC agora estivesse matando, e com tais requintes macabros, seus próprios membros. Acredite quem quiser.
A essa altura, as opiniões do ministro a respeito desse aspecto da questão parecem já não contar muito. O importante é entender as causas do que se passa. Entre as causas imediatas, merece destaque a pouca ou nenhuma atenção dada pelas autoridades locais a um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgado em 2014, alertando para o perigo representado pelo que classificou de “péssimas” condições da Pamc, que tem capacidade para 750 detentos, mas abrigava 1.308.
Mas a raiz do problema – em Manaus, em Boa Vista e nos presídios de todo o País –, do qual decorre todo o resto, é o descaso com que o poder público há muito vem tratando as prisões. Superlotadas, porque não se investe – ou se investe muito pouco – na construção de novas unidades, a situação nas prisões se deteriora a cada dia. Na base do surgimento do PCC, em São Paulo, do Comando Vermelho (CV), no Rio, que se espalharam pelo País, e de grupos locais como a FDN – que hoje dominam a maioria dos presídios e controlam boa parte do tráfico de droga – estão as condições degradantes em que vivem os presos.
O poder público abandonou o sistema penitenciário, porque os governantes acham que nele investir não dá votos. Foi o que fizeram tanto os Estados, aos quais cabe cuidar das prisões, como a União, à qual cabe um papel complementar. E os prefeitos também deram sua contribuição, porque sempre reagiram com hostilidade às poucas e tímidas tentativas feitas para a construção de penitenciárias em seus municípios. Ao mesmo tempo – porque isso dá votos – todos eles buscaram aumentar o número de detenções, para dar satisfação à opinião pública, alarmada com o crescimento da criminalidade. O que seria positivo, se ao mesmo tempo construíssem novas prisões. Como não o fizeram, agravou-se tanto o problema das prisões como o da criminalidade.
Reparar esse erro acumulado em décadas não será fácil. Mas, como não se pode aceitar a continuação da barbárie e a explosão do sistema penitenciário – com os riscos previsíveis –, não há mais como fugir à necessidade de restabelecer imediatamente a ordem nas prisões, com a intervenção da polícia, e começar a investir pesadamente nelas.
O Judiciário tem também sua contribuição a dar, pois é sabido que boa parte da população carcerária é formada por presos há muito tempo sem julgamento ou com penas já cumpridas, em ambos os casos de forma irregular. A solução desse problema representaria um alívio imediato da maior importância.

MAIS CONTEÚDO SOBRE:

Artigo, Ruy Fabiano - No País da insegurança

O colapso da segurança pública é o mais trágico retrato da crise social, moral e política brasileira.

Não é obra de nenhum governo em particular, mas um legado de negligência de cada um dos que se sucederam desde o advento da assim chamada Nova República, a partir dos anos 80.

Ao longo da Era PT, o quadro agravou-se. Em 13 anos e meio de reinado, buscou-se ideologizar o fenômeno, sustentando-se que o crime deriva da injustiça social (e a Lava Jato está aí para mostrar que não). Em decorrência, investiu-se no abrandamento da legislação penal, estimulando-se a impunidade e a expansão do crime.

O resultado mede-se em números. A criminalidade mata por ano no Brasil mais gente que a guerra civil da Síria. São cerca de 60 mil pessoas – uma média de sete homicídios por hora -, estatística que se repete há mais de uma década. E é precária: registra apenas as mortes ocorridas no local dos crimes, excluindo as posteriores e os casos que provocam invalidez ou sequelas psicológicas irreversíveis.

Na Síria, de março de 2011 (início dos combates) a julho de 2015 – quatro anos -, a guerra, segundo levantamento do Observatório Sírio para Direitos Humanos, matou 71.781 civis.

Nesse período, no Brasil, foram assassinadas cerca de 240 mil pessoas, o mesmo número total de mortos, civis e combatentes, no mesmo período na Síria, segundo o mesmo Observatório, uma ONG conceituada, com sede em Londres.

Os homens representam 94,4% das vítimas, jovens em sua esmagadora maioria, de 15 a 29 anos. Há estudos isolados a respeito, destacando-se o Mapa da Violência, produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Mas o tema, do ponto de vista político-institucional, jamais constou das prioridades de nenhum dos governos que testemunharam (e permitiram) o descontrole desse quadro.

Há abordagens eventuais, diante de algum caso mais escabroso, como agora, nas matanças desta semana nos presídios de Manaus e Boa Vista, frutos dos já rotineiros conflitos entre facções do crime organizado, Comando Vermelho e PCC.

A simples existência dessas organizações, sem que se mapeiem suas articulações internas e externas, como obtiveram o poder que exercem nos presídios, já configura uma espantosa anomalia.

Passado o impacto, o tema sai de cena, como se não fizesse parte dos dramas nacionais crônicos, como se não tivesse uma dimensão política de enorme envergadura. Não se estuda – não no âmbito institucional – o fenômeno social que representa.

Fala-se em planos nacionais de segurança pública, mas de maneira reativa, para acalmar a opinião pública, como o fez esta semana o ministro da Justiça, Alexandre Moraes. Ninguém crê na eficácia desses planos, nem quem os difunde – e não porque sejam fracos, mas porque dependem menos de sua consistência técnica e mais da determinação política em fazê-los valer.

A ideologização do crime impôs uma inversão de papéis: a criminalização da polícia e a vitimização dos bandidos. Daí a gradual e sistemática promoção de leis que, a pretexto de defender direitos humanos, atenuam penas e intimidam ações repressivas.

Não há dúvida, no entanto, de que a insegurança decorrente da criminalidade é hoje a principal calamidade pública no país.  Atribuí-la à questão econômica é uma forma escapista de empurrá-la com a barriga ou de torná-la mote eleitoral ou mantra revolucionário. Até aqui, só fez intensificar o problema, sem dar pistas de solução.

O país sempre padeceu de desigualdade social e vivenciou inúmeras crises econômicas, sem que isso derivasse para a guerra civil. Para que se tenha uma ideia da evolução vertiginosa dos números, em 1980, registraram-se 6.104 homicídios.

Já havia crise, já havia desigualdade, que, inclusive, segundo a propaganda petista, teria diminuído consideravelmente, nestes mais de 13 anos em que as estatísticas de criminalidade só fizeram aumentar. Como então chegamos aos cerca de 60 mil de hoje?

O país ainda aguarda um estudo sério a respeito, no Parlamento e na Academia. Há pistas: expansão do narcotráfico, contrabando maciço de armas pesadas, vitimização do bandido etc.

Mas não se fez ainda um levantamento do conjunto de medidas legais que, nesse período, atenuaram as infrações e inibiram o seu combate. Uma delas, bem recente: a audiência de custódia, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça, sob o comando do então presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, que considera esta a medida com que quer ser lembrado no seu período no cargo.

Talvez seja atendido, mas não do modo como imagina. Essa audiência estipula prazo máximo de 24 horas para que um preso em flagrante seja levado diante de um juiz.

O objetivo, além de reduzir a superlotação dos presídios (como se essa fosse a causa e não a consequência), é verificar se os direitos humanos do preso estão sendo respeitados.


Só que, em 24 horas, não é possível averiguar se o detido é um criminoso avulso ou integra o crime organizado. Daí a recorrência de criminosos com extenso prontuário circulando livremente pelas ruas do país, no pleno exercício de seu (digamos assim) ofício.

QUANDO O LAMENTÁVEL E O HEDIONDO TRAVESTEM A IMPUNIDADE COMO "JUSTIÇA"

QUANDO O LAMENTÁVEL E O HEDIONDO TRAVESTEM A IMPUNIDADE COMO "JUSTIÇA"
A questão ultrapassa (e muito) o caso de Manaus.
Não pretendo, nem há como abordar um assunto tão complexo como a segurança pública em uma postagem do facebook.
Ainda mais, quando tal questão perpassa, ora pela inépcia, ora pela omissão, ora pela conivência de sedizentes "autoridades públicas constituídas" que não têm, pelos mais diversos motivos, hombridade, firmeza e constância de propósito, para tratar do tema e, realmente, querer tratar do tema, como dever ser tratado.
Vejo como hediondo o uso dos termos acidente ou fatalidade, para nominar o que ocorreu e ocorre com os Policiais que perdem, diariamente, suas vidas para manter a segurança e a ordem pública. Chamar isso de acidente ou fatalidade não é uma licença poética, é um escárnio. Mais, é um desrespeito, uma desumanidade e um crime, porque revela a falta de retidão moral e a notória falta de caráter de parte de quem assim concebe tais fatos como acidente ou fatalidade.
É hediondo ver e sentir que somos um país que a politicagem legitima através do voto criminosos a ponto de os alçar aos cargos de vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidentes, pelo que nós, cidadão de bem, concebemos como mandato.
E também é hediondo ver e sentir que somos um país que unge criminosos, como secretários municipais, secretários estaduais, diretores de entidades ou ministros de Estado, pelo que nós, cidadãos de bem, concebemos como nomeações.
Está longe de ser uma diferença semântica o que nós concebemos como "autoridades públicas constituídas", quando contrastado pelo que elas mesmas, hoje, se concebem como tal, haja vista que elas sim, é que contribuem (e muito) para a DESORDEM, ou por serem ineptos, ou negligentes, ou imprudentes, ou imperitos.
É hediondo ao meu ver relegar ao esquecimento ou à indiferença a vida dos bravos heróis que são chamados a manter ou restabelecer a ORDEM e a SEGURANÇA, exatamente quando estas desaparecem, evidentemente, como consequência daqueles que foram suas respectivas causas.
Será que o Estado dará a pronta resposta as famílias desses Policiais que ficaram completamente desagregadas, sem seus respectivos pais/mães de família?
Ou essa "pronta resposta" só é devida às famílias dos criminosos que morreram, para as quais de pronto se prometeu e segue se prometendo as indenizações, como também, imediatamente, para estas o Estado presta as respectivas condolências?
Não faltará político e agente público canalha nos velórios e enterros, para fazer discursos hipócritas, pensando que isso, juntamente com a entrega de uma bandeira do Estado ou do País, trará consolo ou algum reparo às famílias desses heróis.
Não! Vozes para fazer discursos hipócritas, isso não faltará, como nunca faltou e nunca falta, quando heróis partem para o Oriente Eterno.
A entrega de uma bandeira a uma família em luto, só é digna de ser considerada como um ato honrado, quando entregue pelas mãos de quem sempre foi honrado, porque aí, exatamente aí, a honra em lágrimas de quem a entrega, abre um espaço de cumplicidade, quando se põe a olhar nos olhos da honra em lágrimas de quem a recebe dizendo, verdadeiramente:
- Sinto muito, meus sentimentos diante da irreparável perda.
E quiçá este dizer venha seguido de um verdadeiro abraço, de quem realmente sente a perda, assim como sente quem perdeu.
Estes políticos e agentes públicos a que me referi acima não têm honra nenhuma.
Uma bandeira, quando entregue por mão sujas, não ameniza a dor de quem foi colocado, abruptamente, em estado de luto. É mera peça de tecido que, quando entregue por mãos sujas, será colocada em prateleira de armário, pela família de quem sempre soube o valor que esta bandeira realmente tem.
Lamentável e hediondo, ao meu ver, é não querer tratar como acidente a morte da maioria destes presos, destaco, cri-mi-no-sos, que morreram em Manaus.
Uma pena que tenha "passado para outra vida", apenas uma facção das que entraram em conflito.
Uma grande pena!
Deveriam ter "passado" as duas facções, isso sim!
Esses criminosos, destaco, são irrecuperáveis!
Não são vítimas, nem injustiçados, são verdadeiros algozes!
A maioria, no caso de Manaus, cada um, com mais de 8 mortes nas costas e vários com mais de 10 estupros, cada qual.
Nesta existência esses criminosos não têm e não terão conserto.
E ainda há quem defenda uma 2° chance para esta cambada?
Acaso eles concederam uma única chance às vítimas de seus crimes?
- Aos Policiais que mataram?
- Aos filhos destes Policiais ou dos cidadãos de bem que até hoje choram a morte dos pais e mães, vítimas de assaltos, de roubo, de latrocínio, de assassinato ou de homicídio, ou como queiram o termo a ser escolhido?
- As mulheres que estupraram?
- As famílias que dizimaram ou com a morte ou com a venda de drogas?
- O que eles fazem para ressarcir este custo impagável, em especial, às suas vítimas, bem como as famílias que têm de custear anos de internações, para tentar, quiçá, um dia, com as graças divina, acabar tendo alguns momentos de conviver, com aqueles que seguiram pelo caminho das drogas, pelas mais variadas razões?
Você não concorda com o texto, OK, é legítimo divergir.
Então vamos imaginar que você está agora no viva-voz diante de famílias que foram vítimas desses criminosos e dos crimes acima relatados que eles tenham praticaram.
O viva-voz está ligado...
Transmita a elas e tenha certeza que elas querem ouvir as suas explicações e compreender melhor a sua divergência.
Explique!
Vamos, explique!
Vamos... coragem... explique!
Eu sabia...
Nós sabíamos...
Estas explicações são deveras inconsistentes, antes mesmo de serem proferidas, porque buscam guarida na deturpação dos Direitos Humanos, através de sofismas ou falácias, ora porque colocam Direitos Humanos dos criminosos como premissa principal totalmente falsa, ora porque sequer cogitam os Direitos Humanos das vítimas e dos que foram vitimizados pelos criminosos, para estabelecerem um "resultado válido".
E com isso se tem, óbvio, algo talidomidicamente ilógico, bem como uma aporia.
Direitos Humanos os têm quem é humano, não quem opta pela barbárie, a ponto de amar eventual existência do estado da anomia, para fazer resplandecer aos olhos de todos seu atavismo.
Não queiram me dizer que a resposta as perguntas acima são encontradas, todas, através de uma panaceia que conduz todas ao "cumpriram a pena que lhes foi fixada pelo Estado", porque ao meu ver isso ensejaria uma gaiatice, na medida em que se sabe que tais "penas" encontrarão seus "descontos" na remição de dias trabalhados, ou no "bom comportamento", para permitir que sejam drasticamente reduzidas e, logo nos próximos dias, a provável soltura para "responder em liberdade" haverá de encontrar na reincidência, o que criminosos mais sabem fazer: delinquir.
Apenas poucos chamam isso de justiça, mas tenho certeza que muitos, senão quase a totalidade, chamam isso com letras garrafais de IMPUNIDADE.
Não, francamente, o que descrevi, jamais será causa de algum ressarcimento para as vítimas e as suas famílias, porque não existem próteses para almas amputadas.
Ao meu ver, é fundamental para a sociedade, e já passa da hora, antecipar as existências desses criminosos, para que possam remir seus pecados, em outro mundo, o mais rápido possível.
Do contrário farão novas vítimas.
É ciclo vicioso que não tem fim e, nele só não crê, quem é Cândido ou acredita em lições Panglossianas.
A mesma medida vale para agentes públicos (vereadores, prefeitos, deputados, secretários municipais, secretários de Estado, diretores de entidades, governadores, senadores, juízes, desembargadores, ministros do Poder Executivo, ministros do Poder Judiciário e Presidentes da República), advogados e políticos sujos (corruptos e ou ímprobos), saliento, para evitar deturpações, que não estabelecem a diferença entre o lícito do ilícito, e com este último se imiscuem, se entretêm e optam, como trampolim de 5ª categoria, para o que concebem como prosperidade financeira, tornando-se, com isso, empresários do crime.

Tratam-se, é bem verdade, de falidos morais e intelectuais, que podem até ter algum dia se instruído, mas nunca se moralizam ou hão de se moralizar, porque matam, por vias oblíquas e escusas, milhões inocentes, ora com a improbidade, ora com a corrupção (ainda mais quando recebem propinas) e que fazem vítimas outros bilhões, estes sim, inocentes, que deixam de receber o que o Estado deveria proporcionar gratuita e minimamente: educação, merenda escolar, saúde e segurança pública em nível de excelência.

NÃO HÁ COMO TRAZER ESPECTADORES DE VOLTA À TV TRADICIONAL!

NÃO HÁ COMO TRAZER ESPECTADORES DE VOLTA À TV TRADICIONAL!

(Maurício Stycer - Folha de S. Paulo, 25/12) 1. Demorou um pouco, mas a Globo, finalmente, aceitou que não há mais como trazer para a televisão linear parte do público que a trocou pela internet. O ano de 2016 se encerra com acenos explícitos a este espectador desinteressado em seguir a grade rígida da emissora.  No último domingo (18), no início da tarde, no intervalo de "A Cara do Pai", a Globo informou aos espectadores que o seu aplicativo on-line iria exibir às 16h30 um programa especial sobre os bastidores do "Melhores do Ano", uma atração que a emissora programou para as 17h30.

2. Ou seja, convidou o público a trocar a própria Globo, no momento em que estaria exibindo um filme, "O Espetacular Homem-Aranha", pelo Globo Play (acessível via laptop, smartphone ou mesmo o próprio aparelho de TV), onde poderia ver o blogueiro Hugo Gloss entrevistando atores da emissora.  A emissora também passou a antecipar, em seu aplicativo, a exibição de episódios inéditos de suas séries.  Não que a Globo tenha desistido da TV aberta. Muito pelo contrário. Ela ainda é, no Brasil, o principal motor da indústria audiovisual, na qual estão concentrados os maiores investimentos em publicidade e os principais esforços de criação.

3. Mas me parece altamente simbólico o reconhecimento de que é preciso competir no mesmo campo em que outras gigantes já estão nadando de braçada.  A Amazon, por exemplo, acaba de lançar o seu serviço de vídeo por streaming em 200 países. Ainda que o conteúdo oferecido deixe a desejar, convém lembrar, como fez o jornalista Andre Mermelstein, do Teletime, que o faturamento da Amazon é 15 vezes superior ao da Netflix -e, portanto, a sua capacidade de investir em conteúdo próprio e licenciamento é enorme.

4. Nos Estados Unidos, a "velha mídia" já se deu conta, há mais tempo, da necessidade de se adequar aos novos tempos. O anúncio da compra da Time Warner pela AT&T em outubro, por US$ 85,4 bilhões, foi o sinal mais recente -e eloquente- de que é preciso se armar para a guerra.  Como disse Randall Stephenson, principal executivo da AT&T, assumir o controle da HBO e da Warner Bros., entre outros ativos, vai permitir à empresa oferecer conteúdo de vídeo on demand de maneira a compensar as perdas com a divisão de TV via satélite do grupo, a DirecTV.

5. Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, a legislação brasileira não permite que uma mesma empresa atue na produção de conteúdo e na sua distribuição, o que obrigará a AT&T, caso a fusão seja aprovada, a vender a Sky no Brasil. Trata-se da segunda maior empresa de TV por assinatura no país, com 5,3 milhões de assinantes.  No final de novembro, a AT&T lançou nos EUA o DirecTV Now, um serviço de streaming com 60 canais, incluindo alguns considerados indispensáveis, como ESPN e Disney, por US$ 35 mensais (cerca de R$ 115).


6. Como observou o "New York Times", é um serviço claramente dirigido aos "cortadores de cabo", ou seja, consumidores que desistiram de pagar por TV a cabo (ou satélite), mas dispõem de internet banda larga. A associação entre plataformas que oferecem conteúdo audiovisual e provedores de internet, sem vinculação a operadoras de TV paga, é outra tendência dando seus primeiros passos no Brasil. A HBO lançou o seu serviço, seguida pela Crackle, ambas ainda limitadas a alguns Estados. A crise econômica ainda ajuda quem aposta no atraso, mas o ritmo das mudanças parece mais acelerado do que nunca.

Joabel Pereira: Manaus, massacre e oportunismo

Joabel Pereira: Manaus, massacre e oportunismo
Jornalista

Já se disse que um dos maiores problemas do nosso país é a consagração dos "profetas do acontecido". No entanto, ao acompanhar o noticiário envolvendo o ocorrido na capital do Amazonas, surge um subproduto tão ou mais assustador que o próprio massacre: o oportunismo.

É claro que a situação do sistema prisional brasileiro é péssima, da mesma forma que a permissividade legislativa e o formalismo de decisões judiciais se tornam um incentivo à deterioração interna e externa. Dentro dos presídios pela "administração" de facções, fora deles, pela efetivação das ordens que os "batizados", familiares e defensores, cumprem e que se materializam nos furtos, roubos e homicídios.

O massacre de Manaus é etapa semifinal do domínio do crime sobre a sociedade. A partir daí, só a barbárie geral, com as organizações criminosas ganhando condição formal e institucional, infiltradas nos setores que deveriam governador e administrar o país.

A comprovação dessa possibilidade e da incapacidade de mudança no organizar e agir em defesa da sociedade está na desfaçatez com que o "caso Manaus" é tratado.

Revolta ouvir de todos os setores, citados para não deixar dúvida: governo do Amazonas, Ministério Público do Amazonas, TCE do Amazonas, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério da Justiça e Poder Judiciário, este, da Vara de Execuções ao STF, que tudo era conhecido.

Assim, estamos diante da mais evidente e declarada omissão suscetível de penalização, no mínimo com o afastamento de todos os que sabiam e nada fizeram para prevenir. Ou, muito pior e bem mais provável, temos o mais apurado caso de oportunismo.

Dói ver e ouvir relatos de levantamentos e informações que anunciavam que se tratava de uma bomba prestes a explodir e nada foi feito para evitar. Revolta a naturalidade com que representantes de todos os setores referidos se mostram preocupados e interessados em soluções que não implementaram, a tempo de evitar o pior.


Decididamente, omissão e oportunismo parecem as duas faces de uma mesma moeda, a do escárnio à sociedade e suas necessidades. São elas que engordam a demagogia e fortalecem a certeza de que o próximo massacre fará esquecer o que estamos testemunhando.

Produção industrial praticamente estável em novembro sugere queda de 0,9% do PIB no quarto trimestre de 2016

Produção industrial praticamente estável em novembro sugere queda de 0,9% do PIB no quarto trimestre de 2016
A produção industrial avançou 0,2% na passagem de outubro para novembro, descontada a sazonalidade, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado foi inferior à nossa projeção e à mediana das expectativas do mercado, de altas de 1,0% e de 1,3% respectivamente, segundo coleta da Bloomberg. Na comparação interanual, a produção caiu 1,1%, acumulando queda de 7,5% nos últimos doze meses.
 
Treze dos vinte e quatro setores pesquisados contribuíram positivamente para a modesta elevação da atividade, com destaque para o grupo de veículos automotores, reboques e carrocerias, que apresentou alta de 6,1% na margem, como já apontado pelos dados de produção de veículos da Anfavea. Em contrapartida, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis caíram 3,3%, devolvendo a elevação apresentada no mês anterior.
 
Todas as categorias de uso registraram crescimento em novembro, com a produção de bens intermediários subindo 0,5% ante outubro. Já bens de consumo ficaram praticamente estáveis no período, apresentando ligeira expansão de 0,1% na margem. O resultado refletiu a alta de 4,0% da fabricação de bens duráveis, bastante influenciada pela maior produção de veículos automotores, enquanto os bens semiduráveis e não duráveis recuaram 0,5%.
 
A produção de bens de capital subiu 2,5% no período, após quatro quedas consecutivas. Em relação ao mesmo período de 2015, houve alta de 1,1%. Vale destacar que essa elevação é insuficiente para reverter as contrações anteriores. Além disso, os insumos típicos da construção civil apresentaram variação positiva de 0,4%, também aquém do necessário para compensar os declínios recentes.  Diante disso, esperamos nova retração da formação bruta de capital fixo no quarto trimestre.
 

Acreditamos que a produção industrial seguirá em patamar mais baixo no curto prazo, em virtude do recuo recente da confiança do setor, apontado tanto pela FGV como pela CNI. Por ora, esperamos nova alta da produção industrial em novembro (lembrando que indicadores coincidentes importantes serão divulgados na próxima semana e seus resultados podem alterar nossa expectativa). De qualquer modo, estimamos que a produção industrial encerrará 2016 em queda, refletindo o carregamento estatístico dos fortes recuos do ano anterior e a contração acumulada no segundo semestre até novembro. Por fim, as informações disponíveis até o momento sugerem contração de 0,9% do PIB no quarto trimestre de 2016 em relação aos três meses anteriores.