sábado, 29 de setembro de 2018

Artigo, Rodrigo Constantino - Falta um


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rodrigo Constantino

Todo liberal é cético com o poder e muito raramente se empolga com um político. Claro, há exceções, e podemos pensar em Reagan e Thatcher despertando grandes esperanças. Mas, via de regra, o liberal vota descrente, no menos pior. É como naquele jogo “resta um”, em que vamos eliminando todas as peças até sobrar apenas uma.

Façamos, então, esse “concurso de feiura” no caso das próximas eleições. Qual a prioridade aqui? A resposta, do ponto de vista liberal, parece evidente: impedir a volta da esquerda ao poder. Seria simplesmente catastrófico seguir na rota venezuelana. A esquerda pariu a desgraça em que o Brasil se encontra hoje.

Portanto, eis a meta: derrotar o esquerdismo. A pergunta que surge é quem tem mais chances disso. Alguns tentam pregar o voto útil no Alckmin, pois teria menos rejeição num segundo turno. Há dois problemas básicos aqui: um, ele é parte dessa esquerda, ainda que menos radical; dois, ele é um besouro incapaz de alçar voo, estagnado perto dos 10% das intenções de voto.

Os demais nomes, como Álvaro Dias, Meirelles e João Amoedo, podem ser melhores do que Alckmin em ideologia, mas possuem ainda menos chances. O candidato do Novo, do ponto de vista técnico, seria o mais alinhado. Mas tem circulado pelas redes sociais uma frase ácida, porém verdadeira: “Votar em Amoedo hoje é como parar para ajeitar o cabelo com o prédio em chamas”. 

A analogia que faço é diferente, não só por conta da falta de chances do novato, como por seu perfil: Amoedo é um bom arquiteto, mas no momento a casa está pegando fogo, com risco de desabar. É hora de chamar o bombeiro. Precisamos de alguém que vá combater com firmeza o esquerdismo.

E aí vem a questão da qual os liberais não podem mais fugir: Jair Bolsonaro está praticamente garantido no segundo turno, se houver um. E, ao que tudo indica, seu concorrente será Lula, disfarçado de Haddad. A eleição, então, caminha para uma espécie de plebiscito do lulopetismo, e só há uma postura aceitável no caso: derrotar a quadrilha que destruiu o Brasil de vez e pretende nos transformar numa Venezuela. 

Entendo as várias ressalvas dos liberais com Bolsonaro. Seu passado o condena, apesar de Paulo Guedes como selo de qualidade da mudança confessada. Há uma ala partidária um tanto bizarra também, com atitudes intolerantes que remetem ao próprio petismo. Mas a escolha, pelo visto, afunilou para essa: a volta do PT ou uma aventura à direita, com um ministro liberal cuidando da área econômica. Não parece tão difícil assim, parece?

Eu votaria até no Capeta contra Lula. Votar num ex-capitão honesto, ao que tudo indica, que tem coragem de comprar brigas necessárias contra o esquerdismo, que adotou uma pauta liberal na economia e conservadora nos costumes, parece moleza.”

Rodrigo Constantino é Economista.

2 comentários:

  1. Parafraseando Churchill, “ farei, se necessário, aliança com o demônio para derrotar Hitler”. Estamos em melhor situação porque Bolsonaro não é o demônio. Churchill teve que se aliar a Stálin. De qualquer modo, creio que passaremos por uma quase (ou efetiva) quebra institucional .Se o PT vencer, porém, essa quebra vai demorar mais a acontecer e encontrará o país em situação bem pior do que se o nosso lado vencer. Vamos tentar resolver no primeiro turno. Obrigada por se manifestar, Constantino.

    ResponderExcluir
  2. Nâo acredito em pesquisas do IBOPE e Datafolha. São suspeitos. Mas, no meio em que ando - sou pastor - existe um movimento nacional a favor de Bolsonaro. Além disso, a igreja no Brasil, não importam as denominações está unida no propósito de derrotar as esquerdas. Que Deus tenha piedade de nós, se o PT voltar ao poder. Li o plano de governo deles no site do próprio PT e tudo indica uma guinada rumo a Cuba e Venezuela.

    ResponderExcluir