domingo, 28 de julho de 2019

Artigo, Eliane Cantanhêde, Estadão - Na guerra dos hackers, saiba quem está do lado de Moro e quem está do lado de Glenn


- Título Original: Competição macabra: quem é mais vítima, quem é mais criminoso nessa crise dos hackers. 

Há uma competição macabra: quem é mais vítima, quem é mais criminoso nessa crise dos hackers.


Ao trocar a condição de juiz pela de ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro transformou a própria vida num inferno e agora combina, perigosamente, as condições de vítima, suspeito e chefe das investigações sobre o ataque aos celulares de autoridades dos três Poderes da República. A competição é macabra: quem é mais vítima, quem é mais criminoso.

Moro, PF, MP e governistas descarregam as baterias em Glenn Greenwald, que divulga os diálogos no site The Intercept Brasil, mas miram mesmo é nos responsáveis políticos e estão se aproximando do PT, principalmente com a revelação de que Manuela D’ Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT) em 2018, foi a intermediária entre hackers e Greenwald.

Já o PT, o PDT, boa parte do Congresso e até ministros do Supremo aumentam a pressão sobre Moro, seja pelo “Lula livre”, por serem eles próprios alvos da Lava Jato ou simplesmente por terem uma visão mais rígida da Justiça, contrária aos métodos da operação.

Eles, que já condenam os diálogos vazados entre Moro e Deltan Dallagnol, ganharam munição pesada com três erros formais do ministro: demonstrar que teve acesso a informações sigilosas da Polícia Federal, ao avisar os atingidos; anunciar que o material hackeado seria destruído, o que seria em seu próprio benefício; endurecer o processo de expulsão de estrangeiros justamente no meio da tempestade envolvendo o americano Greenwald.

Há justificativas para esses erros. Afinal, é hipocrisia do PT e do PDT considerar “espantoso” Moro ter acesso a dados de investigação da PF, vinculada à Justiça. O ex-ministro José Eduardo Cardozo, do PT, não tinha? Além disso, Moro diz que não viu a lista nem os diálogos hackeados, só soube das principais autoridades atingidas e cumpriu seu dever de avisá-las, a começar do presidente da República.

Ao falar em destruição das conversas, a sensação que passou foi de que ele está louco para incinerar seus próprios diálogos, quando era juiz e ícone da Lava Jato. Como a PF tratou de corrigir, só a Justiça pode destruir material que possa servir de prova em processos. Em favor de Moro, pode ter sido só um escorregão, uma fala impensada.

Quanto ao processo contra estrangeiros, a primeira reação foi fortemente negativa, no pressuposto de que visaria a deportação de Greenwald, o, digamos, algoz do ministro. Mas, como Moro diz, e comprova com os termos da decisão, ela não tem nada a ver com o americano, que, segundo ele, “nem é investigado”. Os alvos, alega, são os suspeitos de terrorismo e de tráfico de drogas. Mas podia ficar para depois, ministro. Evitaria mais lenha na fogueira.

O fato é que o Brasil não está dividido só entre direita e esquerda, mas entre os que querem crucificar Moro e os que tentam trucidar Greenwald e chegar ao PT. Quem não pretende nem uma coisa nem outra, só quer a verdade, deve ver, ouvir, ler e refletir sobre tudo com muita atenção. Por trás de cada grupo, há interesses e intenções muitas vezes políticas, outras tantas ainda mais complexas.

Como fato, a oposição a Moro está a mil por hora. No Congresso, alvos da Lava Jato ou amigos de Lula armam a convocação do ministro para depor e há quem fale até em CPI. No Supremo, os “garantistas” avessos aos métodos do juiz Moro e agora críticos às ações do ministro Moro têm um instrumento à mão: o pedido de suspeição dele em processos contra Lula. Agosto vem aí fervendo.

O Planalto, que mantinha prudente distância até ontem, quando Bolsonaro previu “cana” para Greenwald, defende enquadrar os hackers na Lei de Segurança Nacional, ou seja, tratá-los como terroristas e espiões que ameaçam a República. Eles, porém, são peixes miúdos nessa guerra.

Agosto, mês das bruxas na política, vem aí com o País, Moro e Greenwald na fogueira

4 comentários:

  1. Pois não acredito na versão dada pela esquerda, destruidora de reputações. É gente capaz de tudo e não quer ninguém nas suas colas. Apoio totalmente a Lava Jato, sua força tarefa e, principalmente o Ministro Sérgio Fernando Moro.

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  2. Apoio a Operação Lava Jato e o Ministro Sergio Moro. Vou ficar muito decepcionado se os criminosos presos forem soltos, o dinheiro apurado pela Lava Jato for devolvido e o Ministro Moro e o Procurador Deltan forem presos. Imaginem anular os processos contra o Marcelo Odebrecht, Yussef, Paulo Roberto Costa e etc...

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  3. Só um idiota ou um mal intencionado pode estabelecer uma comparação entre os integrantes da esquerda ladravaz e os honrados operadores da operação Lava Jato. Não são ações paralelas, são antagônicas. O primeiro grupo é composto por delinquentes que traem e vendem a nação em proveito próprio, o segundo de patriotas que tentam resgatar a dignidade e a liberdade de um povo escravizado. A reação dos bandidos da esquerda ladravaz é até compreensível: sabem que cometeram crimes, estão acuados e como animais perigosos que são reagem mostrando os dentes e as garras com o olhar injetado e os pelos eriçados diante da aproximação da rede que está prestes a lhes ser lançada sobre a cabeça. Não escaparão porque o povo está do lado e por trás dos caçadores.

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  4. Se o Brasil está divido, jornalista, a proporção é de 10:1.

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