Artigo - A hipocrisia moral do STF pela voz de Moraes e Dias Toffoli

A publicação "Não é Imprensa", da qual o editor é assinante, de hoje avisa que o ministro Alexandre de Moraes está certo quando diz que juiz não pode julgar processo em que parente é advogado. E explica "Isso nunca esteve em discussão. A hipocrisia começa antes do julgamento". Leia tudo. Enquanto o STF posa de guardião da moral institucional, o escritório da esposa de um de seus ministros, a de Moraes,  mantém um contrato de até R$ 129 milhões com o Banco Master, investigado por fraudes bilionárias e alvo de decisões recentes do próprio Supremo. Não é crime nem ilegal, mas é, no mínimo, indefensável do ponto de vista ético. A pergunta é: por que alguém tão próximo ao poder máximo do Judiciário mantém relação comercial milionária com uma instituição sob escrutínio do próprio sistema ? E aí vem o teatro. Em vez de enfrentar o desconforto óbvio, a resposta é carimbar críticos como ‘agressores’ e acusá-los de espalhar ‘mentiras’ e ‘ataques ao tribunal’. Como se a indignação fosse invenção da internet, e não consequência direta da falta de pudor institucional acumulada há anos. O STF não errou ao explicar essa regra do impedimento, errou ao fingir que isso resolve tudo e que a gente vai se confundir com a explicação. Porque confiança não se impõe com nota à imprensa nem com declaração na TV Justiça. E imparcialidade não é só não julgar o processo, é não lucrar com o entorno dele.

Sr Ministro Alexandre, o problema não é jurídico. É simbólico, você sabe melhor do que ninguém. E símbolo quebrado não se conserta gritando “é mentira”.

A cada nova explicação, o que cresce não é a confiança, é a sensação de impotência e vulnerabilidade da Justiça. Cansa, viu ?


Nenhum comentário:

Postar um comentário