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CAPÍTULO 1
1.
O
horizonte de eventos – da China às Margens do Guaíba
1.1 Marco zero: alerta global e a
mobilização internacional
A
narrativa sobre uma virose enigmática começa oficialmente em 31 de
dezembro de 2019, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi informada
sobre casos de pneumonia de causa desconhecida em Wuhan, na China. O que
parecia um surto localizado em um mercado de frutos do mar rapidamente se
revelou como um novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Enquanto o mundo ocidental
celebrava a virada de década, o vírus iniciava uma trajetória de dispersão sem
precedentes. Em janeiro de 2020, o isolamento de Wuhan — uma metrópole de 11
milhões de habitantes — serviu como o primeiro sinal de que a normalidade
global estava com os dias contados.
O
segredo da rapidez com que o vírus se espalhou está em sua "chave". O
SARS-CoV-2 possui em sua superfície pontas chamadas de proteínas
Spike, que funcionam como chaves mestras. Em nosso corpo, existem
"fechaduras" chamadas receptores ACE2 (espalhadas
principalmente nos pulmões). O vírus consegue se encaixar perfeitamente nelas,
enganando a célula para que ela “abra as portas” e permita a invasão. É essa
afinidade quase perfeita que tornou o contágio tão avassalador.
A
descoberta do novo coronavírus não foi apenas um trabalho de médicos em
hospitais; foi uma operação de espionagem digital e biológica. O que parecia
ser apenas uma "pneumonia misteriosa" desafiou os computadores mais
potentes do mundo. Cientistas tiveram que decifrar o código genético do vírus —
uma espécie de manual de instruções da doença — em tempo recorde. Aquela
investigação, iniciada em laboratórios silenciosos, logo se transformaria na
maior caçada epidemiológica que o século XXI já viu.
1.2
Dados técnicos: o perfil do vírus
Em termos biológicos, o SARS-CoV-2
carrega seu "manual de instruções" em uma fita simples de RNA[1]
de polaridade positiva. Na prática, isso significa que o vírus é
extremamente eficiente: assim que ele invade uma célula humana, o nosso corpo
lê o código genético dele imediatamente, como se fosse uma receita pronta para
ser executada. Ele não precisa de tradutores complexos; ele chega "falando
a mesma língua" das nossas células para começar a se replicar na hora.
Ele pertence a uma família específica chamada Betacoronavirus.
Para os cientistas, isso foi um sinal de alerta imediato, pois é o mesmo
"clã" de vírus que causou doenças graves no passado, como a SARS[2]
em 2003. Ao estudar a origem e o parentesco desse novo invasor, os
pesquisadores descobriram que ele não surgiu do nada: compartilha quase todo o
seu DNA com vírus encontrados em morcegos, indicando que a natureza
havia moldado uma nova e poderosa variante.
Estudos genéticos publicados na revista Nature[3]
confirmaram que o SARS-CoV-2 é 96,2% idêntico a um coronavírus
encontrado em mamíferos de voo ativo do gênero Rhinolophus.
Portanto, o "reservatório" original do vírus na natureza são os quirópteros,
e não os peixes ou frutos do mar.
O
Relatório da Missão Conjunta OMS-China[4], classificou a introdução
através de um hospedeiro intermediário como a via "provável a muito
provável".
- Amostras
ambientais:
Das 585 amostras retiradas do Mercado de Frutos do Mar de Huanan em
janeiro de 2020, 33 testaram positivo para o vírus, concentradas
principalmente na seção de venda de animais vivos.
- A
Cronologia retroativa:
Embora o alerta tenha sido em dezembro, estudos epidemiológicos
posteriores, publicados na revista The Lancet[5],
sugerem que o "paciente zero" (o primeiro caso documentado)
apresentou sintomas em 1º de dezembro de 2019, sem conexão direta
com o mercado de Huanan, sugerindo que a transmissão comunitária
silenciosa já ocorria semanas antes do fechamento do mercado.
O
Mercado de Frutos do Mar de Huanan, em Wuhan, entrou na história porque foi o primeiro
grande foco de contaminação.
Embora
o nome do mercado sugira apenas peixes, o local é bastante úmido, onde também
se vendiam animais silvestres vivos (como guaxinins-caninos, civetas e aves). A
teoria mais aceita pela ciência é que o vírus saiu do morcego, passou por um
animal intermediário (vendido vivo no mercado) e, nesse ambiente de proximidade
física e falta de higiene, "saltou" para os seres humanos.
A
ciência ainda busca o "elo perdido" entre várias hipóteses não
conclusivas. O que se sabe é que o mercado funcionou como um superpropagador:
o vírus encontrou ali o ambiente perfeito para se espalhar entre pessoas que
trabalhavam ou compravam no local.
1.2.
O grande bloqueio: o cotidiano sob quarentena
Em
23 de janeiro de 2020, Wuhan foi submetida a um lockdown[6]
inédito. A cidade de 11 milhões de habitantes parou abruptamente. Supermercados
e farmácias permaneceram abertos, mas sob rígido controle. Filas quilométricas,
desabastecimento de máscaras e álcool em gel tornaram-se a regra. Lojas de
departamentos, cinemas e restaurantes foram lacrados.
Comitês
de bairro monitoravam as saídas. Em muitas áreas, apenas uma pessoa por família
podia sair a cada dois ou três dias para comprar mantimentos.
O
governo chinês construiu dois hospitais (Huoshenshan e Leishenshan) em apenas
10 dias, um esforço acompanhado ao vivo pelo mundo via satélite.
1.3.
Os primeiros óbitos e o ritual da despedida
O
impacto humano foi devastador e silencioso.
Em
28 de janeiro de 2020, a China já confirmava 106 mortes e mais de
4.500 infectados. Até março, o número passaria de 3 mil.
Devido
ao risco biológico, o governo chinês proibiu funerais e enterros tradicionais.
Os corpos eram levados diretamente dos hospitais para crematórios. O jornal El
País[7]
relatou que, na reabertura, longas filas se formaram em frente aos necrotérios
para a retirada de urnas funerárias, gerando questionamentos sobre a
subnotificação dos dados oficiais.
1.4. A dispersão global: o vírus cruza
continentes
O
contágio não esperou o fechamento das fronteiras. Como Wuhan é um hub
industrial e de transporte, o vírus se espalhou via malha aérea. O primeiro
caso nos EUA foi confirmado em 21 de janeiro. Na Europa (França), em 24 de
janeiro.
O
contágio deu-se predominantemente por viajantes assintomáticos ou com sintomas
leves que retornavam de áreas de surto, antes que protocolos de quarentena
fossem implementados nos aeroportos internacionais.
Nem mesmo a Cidade do Vaticano[8],
o menor Estado do mundo, escapou do alcance da pandemia. Em março de 2020, as
autoridades de saúde locais confirmaram o primeiro caso de Covid-19 em uma
pessoa que realizava exames para contratação. Embora o paciente não fosse
residente ou funcionário, o evento desencadeou medidas drásticas de contenção,
como a higienização de instalações médicas e o fechamento preventivo de locais
de grande fluxo turístico, incluindo os Museus do Vaticano e as basílicas
pontifícias.
1.5 Cronologia do
vírus
1.5.1
A chegada na Ásia e Oceania
Após
o surto inicial em Wuhan, o vírus espalhando-se rapidamente. A cronologia[9] dos primeiros registros
fora da China continental a detectarem o vírus foram os vizinhos geográficos e
parceiros comerciais imediatos:
- Tailândia
(13 de janeiro de 2020): Foi o primeiro registro oficial de
COVID-19 fora da China.
- Japão
(16 de janeiro de 2020): Confirmado em um passageiro que retornou de
Wuhan.
- Coreia
do Sul (20 de janeiro de 2020): Detectado no mesmo dia em que a
transmissão entre humanos foi confirmada.
- Austrália
(25 de janeiro de 2020): Primeiro caso confirmado em Melbourne.
1.5.1.1
A entrada nas Américas
- Estados
Unidos (21 de janeiro de 2020): O primeiro caso foi registrado no estado
de Washington, em um homem que havia viajado para a China.
1.5.1.2
O avanço na Europa (O primeiro grande epicentro fora da Ásia)
- França
(24 de janeiro de 2020): Foi o primeiro país europeu a confirmar casos.
- Alemanha
(27 de janeiro de 2020): O primeiro caso europeu de transmissão local (de
pessoa para pessoa dentro do continente).
- Itália
(31 de janeiro de 2020): Embora os primeiros casos tenham sido turistas
chineses em Roma, a Itália logo se tornaria o país com a situação mais
dramática da Europa no início de 2020.
1.5.1.3
América Latina, Brasil e Rio Grande do Sul
A
América Latina demorou um pouco mais para registrar os primeiros casos oficiais
devido à distância geográfica e às rotas aéreas.
O
primeiro caso da América Latina foi confirmado no Brasil, na
capital de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2020. Era um homem de 61
anos que havia retornado de uma viagem à Lombardia, no norte da Itália.
O paciente número um, no Rio Grande
do Sul, foi anunciado oficialmente no dia 10 de março de 2020. Um
homem de 60 anos, residente em Campo Bom (Vale do Sinos), que também havia
feito a mesma rota italiana.
Apesar de ter apresentado febre e sintomas
respiratórios leves e permanecer em isolamento domiciliar, esse caso é um marco
porque encerrou o período de "espera" e iniciou a fase de contenção
no Estado do RS.
A vez de Porto Alegre apresentar seu
primeiro paciente de COVID-19 foi no dia 11 de março de 2020. Uma mulher
de 54 anos, que havia acabado de voltar de um tour italiano.
Diferente do caso de Campo Bom, a confirmação
na capital gerou uma reação imediata da prefeitura, que começou a preparar os
decretos de restrição de eventos e distanciamento social que viriam a seguir.
1.6
A escalada do horizonte de eventos
- 07
de Janeiro - O
Nome do Inimigo: Cientistas chineses confirmam que não se trata de um
vírus conhecido, mas de um novo coronavírus (provisoriamente chamado de
2019-nCoV). O impacto foi a certeza de que o mundo enfrentava algo para o
qual não havia imunidade prévia.
- 10
de Janeiro - O
Código Aberto: A publicação da sequência genômica foi o "tiro de
largada" para a ciência mundial. Sem essa transparência digital,
laboratórios no Brasil e no mundo não poderiam ter criado os primeiros
testes de diagnóstico.
- 20
de Janeiro - A
Quebra da Barreira.
A confirmação da transmissão entre humanos mudou tudo. Até então, havia
uma esperança de que o contágio fosse restrito ao contato com animais. Ao
saber que o vírus passava de pessoa para pessoa, a OMS elevou o nível de
alerta drasticamente.
- 23
de Janeiro - O
Grande Silêncio em Wuhan.
O lockdow de uma metrópole de 11 milhões de pessoas foi um evento
sem precedentes na história moderna. O impacto global foi o choque visual
e econômico: o mundo percebeu que, se a China estava parando uma cidade
daquela magnitude, a ameaça era existencial.
- 30
de Janeiro - O
Alerta Vermelho Final.
A declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional
(ESPII)[10]
foi o comunicado oficial da OMS de que nenhum país estava a salvo. Foi o
momento em que os planos de contingência nos hospitais de Porto Alegre e
do resto do Brasil precisaram sair das gavetas.
|
Data (2020) |
Evento Científico/Técnico |
Impacto Global |
|
07/jan |
Isolamento
do novo coronavírus (2019-nCoV). |
Confirmação
de novo patógeno. |
|
10/jan |
Publicação
da sequência genômica. |
Início
do desenvolvimento de vacinas e testes. |
|
20/jan |
Confirmação
de transmissão humano-humano. |
Mudança
no protocolo de risco da OMS. |
|
23/jan |
Lockdown
total de Wuhan (11 milhões de hab.). |
Primeira
medida de contenção em larga escala. |
|
30/jan |
OMS
declara Emergência de Saúde Internacional. |
Alerta
máximo para sistemas de saúde globais. |
CAPÍTULO 2
2.
Contexto
Nacional e Regional:
A chegada ao Brasil e o cenário no
Rio Grande do Sul
2.1 Brasil: do primeiro diagnóstico
em São Paulo ao clima de incerteza que começou a tomar conta do Rio Grande do
Sul
O Brasil de fevereiro de 2020 vivia
sob o signo de uma "calma antes da tempestade". Enquanto o noticiário
internacional exibia imagens de hospitais erguidos em tempo recorde na China, o
Ministério da Saúde brasileiro concentrava seus esforços na Operação
Regresso[11],
que monitorava 34 brasileiros repatriados de Wuhan em uma quarentena na Base
Aérea de Anápolis (GO). Entretanto, para a grande massa da população e para os
gestores públicos, o foco era a iminência da maior festa popular do país:
Carnaval. Havia uma percepção de distância geográfica que, em poucas semanas,
provaria ser ilusória.
Nesse cenário de dualidade, o país
mergulhou nos dias de folia. Enquanto as avenidas de Porto Alegre, os blocos de
rua do Rio de Janeiro e os sambódromos da capital paulistana atingiam o pico de
aglomeração, uma engrenagem silenciosa se movia nos bastidores da ciência.
Longe dos holofotes e do som das marchinhas, os técnicos do Instituto Adolfo
Lutz (SP) e do LACEN-RS trabalhavam em regime de plantão, validando protocolos
de biologia molecular e preparando os primeiros kits de testagem baseados na
técnica de RT-PCR[12].
O contraste era quase surreal: a
euforia coletiva nas ruas ignorava o fato de que o SARS-CoV-2 já cruzava
fronteiras através de voos internacionais. A confirmação da realidade veio de
forma simbólica e precisa: o primeiro caso oficial de COVID-19 no Brasil — um
homem de 61 anos residente em São Paulo, recém-chegado da Itália — foi
anunciado justamente na Quarta-feira de Cinzas (26 de fevereiro). O fim da
festa coincidia, tragicamente, com o início da crise sanitária em solo
brasileiro.
2.1.2
O
marco legal: a Lei da Pandemia
Antes mesmo do primeiro caso ser
confirmado, o governo federal estabeleceu a base jurídica para o que viria:
- 03
de Fevereiro de 2020:
O Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de
Importância Nacional (ESPIN). Isso foi feito antes do Carnaval para
permitir a repatriação dos brasileiros em Wuhan.
- 06
de Fevereiro de 2020:
Foi sancionada a Lei nº 13.979[13].
É a lei "mãe" da pandemia no Brasil, que autorizou medidas como:
Ø
Isolamento
e quarentena.
Ø
Exames
médicos e testes laboratoriais compulsórios.
Ø
Restrição
de entrada e saída do país (fronteiras e aeroportos).
Ø
Dispensa
de licitação para compra de insumos médicos.
Diferente de países com governo
centralizado, no Brasil o fechamento do comércio não ocorreu por um único
decreto federal, mas sim por uma reação em cadeia após uma decisão técnica e,
posteriormente, judicial.
Em 20 de março de 2020, o
Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 454[14], declarando o estado
de transmissão comunitária em todo o território nacional. Isso foi o
"sinal verde" oficial para que o isolamento social fosse adotado em
todas as Unidades da Federação.
O reconhecimento de calamidade
pública tem vigência no mesmo dia (20/03), pelo Congresso Nacional, através do Decreto
Legislativo nº 6[15]. Isso permitiu que o
governo gastasse além do teto para combater a crise.
2.1.3
O
federalismo em conflito e o "lockdown" à brasileira
Embora o Ministério da Saúde tenha
dado o sinal técnico com a Portaria nº 454[16],
a dinâmica do isolamento no Brasil foi marcada por uma dualidade política.
Enquanto o governo do presidente Jair Bolsonaro defendia a manutenção da
atividade econômica e o "isolamento vertical" (apenas para grupos de
risco), governadores e prefeitos adotaram medidas restritivas severas.
O ponto de inflexão jurídica
ocorreu em abril de 2020. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Ação
Direta de Inconstitucionalidade nº 6341[17], decidiu que estados e
municípios tinham autonomia para determinar medidas restritivas e o fechamento
do comércio.
Estando o governo federal
responsável pelo suporte econômico e diretrizes gerais, o "cadeado"
das lojas foi controlado por prefeitos e governadores. Nesses termos, o país se
dividiu: de um lado, o medo do vírus impulsionou a adesão inicial ao
isolamento; de outro, a pressão financeira gerou protestos de comerciantes e
trabalhadores informais, muitas vezes incentivados pelo discurso presidencial
contra o fechamento.
O impacto foi severo, especialmente
para os pequenos negócios que operavam com fluxo de caixa apertado. De acordo
com dados do IBGE (Pesquisa Pulso Empresa)[18]
e levantamentos de associações comerciais:
|
Indicador |
Impacto Estimado (Período
Crítico) |
|
Empresas Fechadas |
Cerca de 716.000 empresas
encerraram atividades definitivamente logo nos primeiros meses de pandemia
(junho/2020). |
|
Setor mais atingido |
Serviços (setor de alimentação e
eventos) e
Comércio varejista de pequeno porte. |
|
Motivo principal |
Queda abrupta nas vendas
(indicada por 70% das empresas que fecharam). |
Resumidamente, pode-se dizer que o Brasil
não teve um lockdown nacional uniforme, mas um mosaico de decretos
locais. A falta de coordenação centralizada gerou segurança jurídica para
alguns, mas incerteza econômica para milhões de empreendedores. O resultado
final foi uma transformação permanente no consumo: o fechamento físico de
milhares de portas e a abertura definitiva das vitrines digitais.
O setor de serviços e o
comércio varejista foram os mais atingidos, vivenciando uma
digitalização forçada em tempo recorde. Quem não tinha presença digital
precisou se adaptar em semanas para sobreviver via delivery e e-commerce (SEBRAE,
2020)[19]. A pandemia acelerou a desigualdade
competitiva no varejo brasileiro. Enquanto o pequeno comerciante lidava com
boletos e portas fechadas, gigantes como Magalu, Amazon e Mercado Livre
capturaram a demanda reprimida através de ecossistemas logísticos já maduros (NOSSO
MEIO, 2021)[20].
O nicho de atacados e atacarejos
revelou-se um dos grandes vencedores econômicos da pandemia, registrando
crescimento de dois dígitos (ABAAS, 2021)[21] e consolidando-se como o
principal canal de abastecimento das famílias brasileiras.
Outro segmento que viveu um período
de expansão sem precedentes foi o farmacêutico (indústria e varejo). O
fenômeno, impulsionado pelo medo, pela busca por imunidade e, posteriormente,
pela testagem e vacinação, viu seu faturamento crescer cerca de 17,39% em 2020 (ABAAS,
2021)[22].
No
topo da cadeia, os laboratórios (escala mundial) registraram lucros
históricos. No Brasil, essa tendência se refletiu em um crescimento de 13,6% no
faturamento do setor em 2020 (SINDUSFARMA, 2021)[23].
Embora os lucros bilionários das patentes de vacinas sejam globais, a operação
brasileira beneficiou-se da venda massiva de medicamentos preventivos, testes
rápidos e insumos hospitalares.
2.1
Porto Alegre: impacto do "paciente zero" gaúcho x sistema operacional
do Estado e Município
O Rio Grande do Sul teve uma
trajetória marcante durante a pandemia, sendo o primeiro estado a implementar
um sistema de monitoramento regionalizado (o Distanciamento Controlado).
O Estado registrou seu primeiro
caso confirmado em 10 de março de 2020, na capital, Porto Alegre. O
"Paciente Zero" Gaúcho era um homem de 60 anos que havia
retornado de uma viagem à Itália. Diferente de outros estados onde a
transmissão demorou a ser percebida, o caso em questão serviu como um alerta
imediato para a elite econômica e para o sistema de saúde, já que os primeiros
contágios ocorreram em pessoas com histórico de viagens internacionais.
A confirmação gerou uma corrida aos
supermercados e farmácias na capital gaúcha antes mesmo do primeiro decreto
oficial, instalando um clima de apreensão que moldou a resposta rápida das
autoridades locais.
2.2.1 Atitudes do Governador e do
Prefeito
A relação entre o governo estadual
e o municipal foi marcada por uma colaboração técnica inicial, mas com
divergências pontuais sobre a velocidade da reabertura.
O governador Eduardo Leite adotou
uma postura de protagonismo técnico, buscando se distanciar do
negacionismo federal. O RS foi pioneiro ao criar um sistema de
"bandeiras" (amarela, laranja, vermelha e preta) através do Decreto
nº 55.240[24], que segmentava o estado em 21
regiões. A ideia era permitir que cidades com poucos casos tivessem menos
restrições que outras onde havia superlotação. Leite apoiou-se fortemente em
dados da UFPel (EPICOVID-19)[25],
o maior estudo epidemiológico sobre o coronavírus no Brasil à época, coordenado
pelo Dr. Pedro Hallal[26].
Nelson Marchezan Júnior, então
prefeito, teve uma das posturas mais rígidas do país no início da crise, com
decretos bem severos[27]. Porto Alegre foi uma das
primeiras capitais a fechar shoppings, parques e restringir o transporte
público[28]. Marchezan frequentemente
usava as redes sociais para confrontar setores empresariais que pressionavam
pela abertura, adotando o tom de "salvar vidas primeiro".
Sua postura gerou forte desgaste
político com a Câmara de Vereadores e com entidades de classe (como o
Sindilojas Porto Alegre), o que se tornou um tema central nas eleições
municipais de 2020.
2.2.2.
O colapso de 2021 e a "Bandeira Preta[29]"
Embora 2020 tenha tido picos de
ocupação, foi em março de 2021 que Porto Alegre e o estado atingiram o limite.
Durante o auge da crise sanitária,
o sistema de saúde do Rio Grande do Sul enfrentou um cenário de saturação sem
precedentes. Em Porto Alegre, a taxa de ocupação[30] de leitos de Unidade de
Tratamento Intensivo (UTI) ultrapassou a marca de 100%, forçando instituições
de referência, como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e o Hospital
Moinhos de Vento, a adaptarem áreas de emergência e corredores para o suporte a
pacientes críticos.
Ainda que o Estado tenha realizado
um esforço logístico excepcional para ampliar a rede SUS — um salto de
aproximadamente 900 para mais de 2.000 leitos de UTI —, a velocidade de
propagação da variante P.1 (Gama) superou a capacidade de mobilização de novas
vagas. Esse desequilíbrio resultou em um marco crítico na história recente da
capital gaúcha: a formação de filas de espera por leitos de alta complexidade,
com pacientes mantidos sob ventilação mecânica em Unidades de Pronto
Atendimento (UPAs) e prontos-socorros enquanto aguardavam transferência.
Diferente de cidades como São Paulo
e Rio de Janeiro, Porto Alegre e o Governo do Estado focaram em leitos
permanentes dentro de hospitais já existentes em vez de grandes hospitais
de campanha isolados. A ideia era que os equipamentos (respiradores e
monitores) permanecessem como legado para o sistema de saúde gaúcho após a
crise.
Em caráter de exceção, estruturas
anexas foram montadas em alguns hospitais, como o Vila Nova e Restinga, para
triagem e isolamento de casos suspeitos.
No auge da ocupação em 2021, os
hospitais gaúchos enfrentaram uma crise logística global: a escassez de
sedativos e bloqueadores neuromusculares. O governo estadual precisou realizar
requisições administrativas de estoques de indústrias e clínicas para garantir
que os pacientes em ventilação mecânica não despertassem durante o
procedimento.
2.2.3
O
fechamento da Orla do Guaíba: lazer sob grades
O fechamento da Orla do Guaíba e a
paralisia do setor de eventos em Porto Alegre tornaram-se símbolos da
resistência econômica e social durante a pandemia. Enquanto a Orla representava
o lazer interrompido, os eventos representavam um dos motores financeiros da
capital, que simplesmente parou de girar.
A Orla do Guaíba, principal
cartão-postal e área de convivência da cidade, viveu cenas inéditas de
isolamento. Diferente de outras capitais, a prefeitura de Porto Alegre utilizou
cercamentos físicos e barreiras de contenção para impedir o acesso aos gramados
e aos decks. O objetivo era evitar as tradicionais aglomerações do pôr do sol,
ponto crítico de contágio. Os permissionários da Orla (quiosques e bares)
enfrentaram meses de faturamento zero[31]. A proibição de
permanência transformou o local em uma "zona fantasma", afetando
desde os grandes restaurantes até os vendedores ambulantes que dependiam do
fluxo de pessoas.
O fechamento gerou intensos debates
sobre o uso de espaços abertos versus espaços fechados, com parte da população
questionando a proibição do lazer ao ar livre enquanto certas atividades
comerciais internas eram gradualmente liberadas.
2.2.4
O
impacto no segmento de eventos: o primeiro a parar, o último a voltar
Porto Alegre é um polo de eventos
corporativos, feiras técnicas e grandes shows. Este setor foi o mais duramente
castigado pela pandemia.
O cancelamento de grandes feiras
(como a Feira do Livro de Porto Alegre, que teve sua primeira edição
100% digital em 66 anos)[32] e de congressos médicos
no Centro de Eventos FIERGS gerou um efeito cascata em hotéis e empresas de
montagem.
Milhares de microempreendedores que
atuavam em festas infantis e casamentos viram suas agendas serem canceladas por
dois anos consecutivos. Sem faturamento, muitos converteram suas cozinhas para
o sistema de delivery de alimentos congelados para evitar a falência.
Segundo dados da secretaria
municipal[33]
o setor de eventos em Porto Alegre é responsável por uma cadeia que envolve
mais de 50 subgrupos (som, luz, garçons, segurança). A taxa de desemprego neste
nicho foi a que mais demorou a baixar, dependendo diretamente do avanço da
vacinação em 2021.
2.2.5
O
transporte público em Porto Alegre e a crise da mobilidade
O sistema de ônibus de Porto
Alegre, que já enfrentava dificuldades antes de 2020, chegou ao limite
operacional. Com o fechamento de escolas, universidades e o comércio, o número
de passageiros pagantes caiu mais de 50%[34]
nos meses de pico.
Houve um conflito logístico: para
evitar contágio, era necessário diminuir a lotação, mas para manter a
sustentabilidade financeira das empresas, era preciso passageiros. Isso
resultou em frotas reduzidas e horários escassos, gerando críticas da população
que ainda precisava trabalhar (serviços essenciais).
Pela primeira vez de forma tão
acentuada, a Prefeitura precisou injetar aportes financeiros diretos para
garantir que o sistema não parasse totalmente, o que gerou debates intensos na
Câmara de Vereadores sobre a gestão do setor.
2.2.6 Bares e restaurantes: a sobrevivência
pelo "Delivery"
A cultura boêmia de Porto Alegre,
especialmente na Cidade Baixa e no Bom Fim, foi silenciada por decretos
sucessivos. Muitos restaurantes
tradicionais da capital, que não tinham presença em aplicativos de entrega,
precisaram digitalizar seus cardápios em questão de dias.
Estima-se que cerca de 30% dos
estabelecimentos (ABRASEL, 2021[35]) gastronômicos de
Porto Alegre fecharam as portas definitivamente ou trocaram de proprietário
durante os dois primeiros anos da pandemia.
A prefeitura tentou mitigar as perdas
permitindo, em certas fases, que os estabelecimentos ocupassem mais espaço nas
calçadas para garantir ventilação, mas a inflação dos alimentos e o custo do
gás de cozinha reduziram drasticamente as margens de lucro dos pequenos
empresários.
CAPÍTULO 3
3.
O
cerco institucional: a proliferação dos pedidos de impeachment contra Eduardo
Leite
Esse foi um dos momentos de maior
tensão política no Rio Grande do Sul durante a crise sanitária. O governador
Eduardo Leite enfrentou pedidos de impeachment que, embora não tenham
prosperado juridicamente, serviram como um termômetro da polarização ideológica
no estado.
3.1 O contexto dos pedidos
Durante o auge da
crise sanitária, o governador Eduardo Leite foi alvo de pelo menos 13
pedidos de impeachment protocolados na Assembleia Legislativa do Rio Grande
do Sul (ALRS), entre 2020 e 2021, sendo que cinco foram arquivados[36]. O número é considerado
expressivo e reflete o uso do mecanismo como ferramenta de protesto político, e
não apenas jurídica[37].
Grande parte das representações
partiu de deputados da oposição à direita (como o deputado Ruy Irigaray, na
época do PSL) e de grupos de pressão ligados a setores do comércio e das
liberdades individuais. Houve pedidos baseados na insatisfação com medidas
sanitárias específicas, como o fechamento de templos religiosos e do comércio
não essencial.
O argumento central não era
corrupção direta, mas sim a ilegalidade dos decretos de isolamento social e do
Sistema de Distanciamento Controlado. Os autores alegavam que o governador
estaria cometendo "crime de responsabilidade" ao restringir o direito
de ir e vir e o exercício de atividades laborais através de decretos
executivos, sem passar pelo Legislativo.
Outro ponto frequentemente citado
nas críticas foram os problemas logísticos e atrasos na entrega de respiradores
comprados no início da pandemia, um drama que afetou quase todos os estados
brasileiros.
3.2 O desfecho político-jurídico
Diferente do que ocorreu em Santa
Catarina (onde o governador Carlos Moisés chegou a ser afastado
temporariamente), no Rio Grande do Sul o processo não avançou.
O então presidente da Assembleia
Legislativa, Ernani Polo (PP), e posteriormente seu sucessor, Gabriel Souza
(MDB) indeferiram os pedidos. A fundamentação foi de que as medidas adotadas
pelo governo estadual estavam amparadas por decisões do Supremo Tribunal
Federal (STF), que conferiu autonomia a estados e municípios para determinar
medidas restritivas durante a pandemia.
3. 3 O protagonismo de Políbio
Braga no pedido de Impeachment
O jornalista Políbio Braga, conhecido
por suas posições críticas e sua influência na opinião pública gaúcha,
tornou-se um dos principais expoentes do movimento de oposição ao governo
estadual durante a crise sanitária. Ao lado de um grupo de advogados e
cidadãos, ele foi protagonista de um dos pedidos de impeachment protocolados na
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) contra o governador Eduardo
Leite.
O pedido protocolado por Políbio
Braga (junto a outros advogados e cidadãos) baseava-se na tese de que o
governador Eduardo Leite teria cometido crime de responsabilidade ao
impor restrições à liberdade de locomoção e ao exercício de atividades
econômicas por meio de decretos, sem a devida lei específica.
Por ser um formador de opinião com
grande alcance no estado, Políbio, através de suas plataformas digitais, não
apenas divulgava os fundamentos jurídicos da ação, mas também mobilizava a
sociedade civil. O movimento serviu para pressionar o parlamento gaúcho,
criando um clima de "guerra jurídica" entre o jornalismo de opinião e
o Palácio Piratini. A narrativa construída focava na ideia de que o governo
estadual estaria extrapolando suas competências constitucionais e sufocando a
economia gaúcha com políticas de "abre e fecha" sem embasamento
científico comprovado.
O pedido fundamentava-se na tese de
que o governador teria cometido crime de responsabilidade ao governar
por meio de uma sucessão de decretos (foram mais de 100 publicados no período).
A denúncia argumentava que as restrições impostas à liberdade de locomoção e ao
exercício de atividades econômicas não possuíam o amparo de uma lei específica,
ferindo o princípio constitucional da legalidade (Art. 5º, II da CF).
Entre os principais pontos
questionados por Políbio Braga e os demais signatários estavam:
- Abuso
do Poder Regulamentar:
A alegação de que decretos não poderiam criar obrigações ou proibições que
não estivessem previstas em lei federal ou estadual, especialmente no que
tange à tipificação de condutas como crime.
- Violação
de Direitos Fundamentais:
Argumentava-se que o fechamento do comércio e a proibição de circulação
violavam o direito ao trabalho, à livre iniciativa e à dignidade da pessoa
humana.
- Delegação
de Responsabilidades:
O texto da denúncia acusava o Estado de "lavar as mãos",
delegando aos municípios e aos empresários o ônus financeiro e operacional
do enfrentamento à pandemia, sem oferecer medidas compensatórias
adequadas.
Apesar do fôlego do movimento nas
redes sociais e da robustez técnica dos argumentos apresentados no protocolo, o
entendimento jurídico que prevaleceu foi o das instâncias superiores. O Supremo
Tribunal Federal (STF) validou o poder de polícia dos governadores e
prefeitos para legislar sobre saúde pública em tempos de emergência,
reconhecendo a competência concorrente dos estados para impor restrições de
circulação e atividades econômicas durante a pandemia.
Com base nesse entendimento e na
ausência de elementos que configurassem dolo ou crime de responsabilidade
tipificado, o pedido de impeachment — assim como os demais protocolados naquele
período — acabou sendo arquivado pela presidência da Assembleia Legislativa no
início de 2022.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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varejo brasileiro aceleram expansão e digitalização na pandemia. Nosso Meio,
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ônibus transportados em 2020 caiu mais de 50% em Porto Alegre. Porto
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Diagnóstico. Rio de Janeiro: INPI, [2020]. Disponível em: https://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/patentes/tecnologias-para-covid-19/Diagnostico.
BRASIL. Lei nº 13.979,
de 6 de fevereiro de 2020. Dispõe sobre as medidas para enfrentamento da
emergência de saúde pública. Brasília: Presidência da República, 2020.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l13979.htm.
BRASIL. Ministério da
Saúde. Operação Regresso: missão que fará repatriação de brasileiros já
está na China. Brasília: Governo do Brasil, 7 fev. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/02/operacao-regresso-missao-que-fara-repatriacao-de-brasileiros-ja-esta-na-china.
BRASIL. Ministério da
Saúde. Portaria nº 454, de 20 de março de 2020. Declara o estado de
transmissão comunitária do coronavírus. Brasília, DF: MS, 2020. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Portaria/prt454-20-ms.htm.
BRASIL. Supremo Tribunal
Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.341 Distrito Federal.
Relator: Min. Marco Aurélio. Redator do acórdão: Min. Edson Fachin. Brasília,
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BRASIL 61. 30% dos
estabelecimentos não vão abrir as portas, diz diretor da Abrasel. Brasília:
Brasil 61, 20 maio 2020. Disponível em: https://brasil61.com/noticias/30-dos-estabelecimentos-nao-vao-abrir-as-portas-diz-diretor-da-abrasel-bras202327.
CARREATA pede o impeachment
de Leite e o fim das medidas restritivas no RS. Correio do Povo, Porto
Alegre, 14 mar. 2021. Disponível em: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/carreata-pede-o-impeachment-de-leite-e-o-fim-das-medidas-restritivas-no-rs-1.589014.
CORONAVÍRUS: por que é
difícil encontrar o paciente zero da epidemia. G1, [S. l.], 21 fev.
2020. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/02/21/coronavirus-por-que-e-dificil-encontrar-o-paciente-zero-da-epidemia.ghtml.
EL PAÍS BRASIL. China é
questionada sobre número oficial de mortos às vésperas da reabertura de Wuhan.
Pequim: El País, 3 abr. 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/internacional/2020-04-03/china-e-questionada-sobre-numero-oficial-de-mortos-as-vesperas-da-reabertura-de-wuhan.html.
GZH. Porto Alegre
voltará a restringir atividades de shoppings, comércio, academias e
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PORTO ALEGRE (Município). Pouco
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Municipal, 21 mar. 2020. Disponível em: https://www.prefeitura.poa.br/gp/noticias/pouco-movimento-em-parques-e-pracas-apos-restricoes.
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Eduardo Leite. Autores: BRAGA, Políbio; et al. Porto Alegre: ALRS, 19 abr.
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Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/who-convened-global-study-of-origins-of-sars-cov-2-china-part.
[1] RNA (Ácido Ribonucleico) é uma molécula "prima" do
DNA. Enquanto o DNA funciona como o disco rígido de um computador (onde todas
as informações da vida ficam guardadas permanentemente), o RNA funciona como um
pendrive ou uma mensagem instantânea. No caso do SARS-CoV-2, ele é
chamado de vírus de fita simples porque, ao contrário do nosso DNA (que é uma
escada em caracol com dois lados), o código do vírus é apenas um
"fio" único. TODA MATÉRIA. RNA (Ácido Ribonucleico). Escrito
por Lana Magalhães. [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/rna/. Ver também em: ÁCIDO ribonucleico. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre.
[S. l.]: Wikimedia Foundation, 2024. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_ribonucleico.
[2]
A SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome, ou Síndrome
Respiratória Aguda Grave) surgiu na província de Guangdong, na China, em
novembro de 2002. Assim como outros coronavírus perigosos, acredita-se que o
patógeno tenha migrado de animais — provavelmente morcegos e civetas — para
humanos em mercados de vida selvagem. No surto de 2003, o agente infeccioso só
era transmitido quando o hospedeiro já apresentava sinais claros de
enfermidade, como febre e tosse. Essa característica facilitava o controle
sanitário: bastava isolar os sintomáticos para interromper a cadeia de
propagação. Em contrapartida, a COVID-19 revelou-se muito mais
"traiçoeira". O SARS-CoV-2 permite a transmissão assintomática, ou
seja, alguém pode portar e espalhar a doença sem manifestar qualquer mal-estar.
Essa particularidade tornou quase impossível conter o avanço da pandemia apenas
monitorando quem aparentava estar doente. INSTITUTO
BUTANTAN. Coronavírus são detectados em 10% dos morcegos da Mata Atlântica,
mostra estudo da USP e do Butantan. São Paulo: Instituto Butantan, 2023. Disponível
em: https://butantan.gov.br/noticias/coronavirus-sao-detectados-em-10-dos-morcegos-da-mata-atlantica-mostra-estudo-da-usp-e-do-butantan.
[3] WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO-convened global study of
origins of SARS-CoV-2: China Part: joint WHO-China study: 14 January-10
February 2021. Geneva: WHO, 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/who-convened-global-study-of-origins-of-sars-cov-2-china-part
[5] CORONAVÍRUS:
por que é difícil encontrar o paciente zero da epidemia. G1, [S. l.], 21
fev. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/02/21/coronavirus-por-que-e-dificil-encontrar-o-paciente-zero-da-epidemia.ghtml.
[6] Expressão inglesa que significa
"bloqueio total" ou "confinamento". Originalmente utilizada
no sistema prisional dos EUA para descrever o confinamento de detentos em suas celas durante rebeliões ou
emergências. No contexto da saúde pública, foi adotada em larga escala pela
primeira vez durante a pandemia de COVID-19 para designar a interrupção
obrigatória de atividades não essenciais e a restrição da circulação de pessoas
para conter a disseminação do vírus. LOCKDOWN. In:
OXFORD English Dictionary. Oxford: Oxford University Press. Disponível
em: Lockdown,
N. Significados, etimologia e mais | Dicionário de Inglês Oxford.
[7] EL PAÍS BRASIL. China é
questionada sobre número oficial de mortos às vésperas da reabertura de Wuhan.
Pequim: El País, 3 abr. 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/internacional/2020-04-03/china-e-questionada-sobre-numero-oficial-de-mortos-as-vesperas-da-reabertura-de-wuhan.html.
[8] VATICAN NEWS. Um caso de Covid-19 no Vaticano:
Medidas preventivas intensificadas. Cidade do Vaticano, 9 mar. 2020. Disponível
em: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-03/vaticano-coronavirus-um-caso.html.
[9] WORLD
HEALTH ORGANIZATION. WHO Coronavirus (COVID-19) dashboard: interactive
timeline. Geneva: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/interactive-timeline#.
[10] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Statement on the
second meeting of the International Health Regulations (2005) Emergency
Committee regarding the outbreak of novel coronavirus (2019-nCoV). Genebra:
OMS, 30 jan. 2020. Disponível em: https://www.who.int/news/item/30-01-2020-statement-on-the-second-meeting-of-the-international-health-regulations-(2005)-emergency-committee-regarding-the-outbreak-of-novel-coronavirus-(2019-ncov).
[11]
BRASIL. Ministério da Saúde. Operação
Regresso: missão que fará repatriação de brasileiros já está na China.
Brasília: Governo do Brasil, 7 fev. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/02/operacao-regresso-missao-que-fara-repatriacao-de-brasileiros-ja-esta-na-china.
[12] BRASIL. Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI). Tecnologias para COVID-19: Diagnóstico.
Rio de Janeiro: INPI, [2020]. Disponível em: https://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/patentes/tecnologias-para-covid-19/Diagnostico.
[13]
BRASIL.
Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Dispõe sobre as medidas para
enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional
decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019. Brasília: Presidência
da República, [2020]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l13979.htm.
[14] BRASIL.
Ministério da Saúde. Portaria nº 454, de 20 de março de 2020. Declara,
em todo o território nacional, o estado de transmissão comunitária do
coronavírus (covid-19). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Portaria/prt454-20-ms.htm.
[15] BRASIL.
Congresso Nacional. Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020.
Reconhece, para os fins do art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de
2000, a ocorrência do estado de calamidade pública, com efeitos até 31 de
dezembro de 2020. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/portaria/DLG6-2020.htm.
[16] BRASIL.
Ministério da Saúde. Portaria nº 454, de 20 de março de 2020. Declara,
em todo o território nacional, o estado de transmissão comunitária do
coronavírus (covid-19). Brasília: Ministério da Saúde, [2020]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Portaria/prt454-20-ms.htm.
[17]
BRASIL. Supremo Tribunal
Federal (Plenário). Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.341 Distrito
Federal. Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referendo
na medida cautelar.
Requerente: Partido Democrático Trabalhista (PDT). Relator: Min. Marco Aurélio.
Redator do acórdão: Min. Edson Fachin. Brasília, 15 de abril de 2020.
Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/Adi6341.PDF.
[18] IBGE –
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Pulso Empresa:
impacto da Covid-19 nas empresas. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/investigacoes-experimentais/estatisticas-experimentais/28291-pesquisa-pulso-empresa-impacto-da-covid-19-nas-empresas.html?=&t=o-que-e.
[19] SEBRAE –
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. O impacto da
pandemia de coronavírus nos pequenos negócios. Brasília, DF: Sebrae, 2020.
Disponível em: https://sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/SC/Not%C3%ADcias/Boletim%20Impacto%20Coronavirus%20-%20Outubro%202020%20%20-%20Final.pdf.
[20] 300
maiores empresas do varejo brasileiro aceleram expansão e digitalização na
pandemia. Nosso Meio, [S. l.], 18 ago. 2021. Disponível em: https://nossomeio.com.br/300-maiores-empresas-do-varejo-brasileiro-aceleram-expansao-e-digitalizacao-na-pandemia/..
[21] ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE ATACADISTAS DE AUTOSSERVIÇO (ABAAS). Atacarejo - A maior
ferramenta de vendas da indústria. São
Paulo: ABAAS, dez. 2021. Disponível em: https://abaas.com.br/wp-content/uploads/2021/12/AF_book_abaas_12.pdf.
[22] SOFTWARE EXPRESS. Como redes de
farmácias e drogarias trazem diferenciação à sua operação. São Paulo:
Software Express, 2021. Disponível em: https://www.softwareexpress.com.br/pt/blog/como-redes-de-farmacias-e-drogarias-trazem-diferenciacao-a-sua-o/.
[23] SINDUSFARMA –
SINDICATO DA INDÚSTRIA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Anuário 2021: o mercado
farmacêutico brasileiro. São Paulo: Sindusfarma, 2021. Disponível em: https://sindusfarma.org.br/uploads/Publicacoes/RAA_Sindusfarma_2020_LD_abr21.pdf.
[24]
RIO GRANDE DO SUL. Decreto nº 55.240, de 10 de maio
de 2020. Institui o Sistema de Distanciamento Controlado para fins de
prevenção e de enfrentamento à epidemia causada pelo novo Coronavírus
(COVID-19) no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Assembleia
Legislativa do Estado, 2020. Disponível em: https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos/22152948-decreto-n-55-240.pdf.
[25] UFPEL – UNIVERSIDADE FEDERAL DE
PELOTAS. EPICOVID19-RS: Estudo de prevalência da infecção por COVID-19
no Rio Grande do Sul. Pelotas: UFPel, 2020. Disponível em: https://www.upf.br/carazinho/noticia/epicovid-19-estudo-revela-que-cerca-de-uma-a-cada-cinco-pessoas-possui-anticorpos-para-o-coronavirus-no-rs. Veja também em: https://serrapilheira.org/pesquisadores/epicovid-19/#:~:text=O%20objetivo%20do%20estudo%20%C3%A9,de%20infec%C3%A7%C3%B5es%20assintom%C3%A1ticas%20ou%20subcl%C3%ADnicas.
[26]
ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS. Pedro Rodrigues Curi Hallal.
Rio de Janeiro, [s.d.]. Disponível em: https://www.abc.org.br/membro/pedro-rodrigues-curi-hallal/. Pedro Rodrigues Curi Hallal é epidemiologista
e pesquisador, com graduação em Educação Física e mestrado e doutorado em
Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), além de
pós-doutorado pela University of London. Reitor da UFPel entre 2017 e 2020,
coordenou o EPICOVID-19, o mais abrangente estudo de prevalência de coronavírus
no Brasil, fundamental para o mapeamento da dinâmica de contágio no país. Teve
atuação destacada na gestão da crise sanitária, atuando como interlocutor entre
a academia e o poder público ao defender políticas públicas e medidas
preventivas fundamentadas em evidências estatísticas.
[27]
PORTO ALEGRE (Município). Decreto nº 20.534, de 31
de março de 2020. Decreta o estado de calamidade pública e consolida as
medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância
internacional decorrente do novo Coronavírus (COVID-19) no Município de Porto
Alegre. Porto Alegre: Prefeitura Municipal, 2020. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/rs/p/porto-alegre/decreto/2020/2054/20534/decreto-n-20534-2020-decreta-o-estado-de-calamidade-publica-e-consolida-as-medidas-para-enfrentamento-da-emergencia-de-saude-publica-de-import-ncia-internacional-decorrente-do-novo-coronavirus-covid-19-no-municipio-de-porto-alegre.
[28]
GZH. Porto Alegre voltará a restringir atividades de
shoppings, comércio, academias e restaurantes. Porto Alegre: Grupo RBS, 15
jun. 2020. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2020/06/porto-alegre-voltara-a-restringir-atividades-de-shoppings-comercio-academias-e-restaurantes-ckbcmpuk70070015n62iqfr2x.html.
[29]
RIO
GRANDE DO SUL. Governo suspende cogestão e coloca todo o RS em bandeira preta a
partir de sábado para conter avanço da pandemia. Portal do Estado do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre, 25 fev. 2021. Disponível em: https://www.estado.rs.gov.br/governo-suspende-cogestao-e-coloca-todo-o-rs-em-bandeira-preta-a-partir-de-sabado-para-conter-avanco-da-pandemia.
A "Bandeira Preta" representou o nível máximo de alerta no
Modelo de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul, indicando risco
epidemiológico altíssimo e iminência de colapso do sistema de saúde.
Tecnicamente, era acionada quando a velocidade de novos casos e internações
superava a capacidade de expansão hospitalar. Na prática, este estágio impunha
as restrições mais severas do plano, como a suspensão de atividades presenciais
no comércio não essencial e na educação, além de protocolos rígidos de ocupação
para serviços essenciais e indústrias, visando reduzir drasticamente a
circulação de pessoas e frear a transmissão de variantes como a P.1 (Gama).
[30] RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da
Saúde. Monitoramento COVID-19: Painel de Ocupação de Leitos UTI. Porto
Alegre: SES/RS, 2021. Disponível em: https://ti.saude.rs.gov.br/covid19/.
[31] PORTO ALEGRE
(Município). Pouco movimento em parques e praças após restrições. Prefeitura
de Porto Alegre, Porto Alegre, 21 mar. 2020. Disponível em: https://www.prefeitura.poa.br/gp/noticias/pouco-movimento-em-parques-e-pracas-apos-restricoes.
[32] SUL21. Na
pandemia, veja como será a 1ª Feira do Livro fora da Praça da Alfândega.
Porto Alegre: Sul21, 14 set. 2020. Disponível em: https://sul21.com.br/cidades/2020/09/na-pandemia-veja-como-sera-a-1a-feira-do-livro-fora-da-praca-da-alfandega/#:~:text=A%20pandemia%20da%20covid%2D19%2C%20doen%C3%A7a,ocorresse%20na%20Pra%C3%A7a%20da%20Alf%C3%A2ndega.
[33] PORTO
ALEGRE (Município). Marchezan conversa com setor de eventos sobre efeitos da
pandemia. Porto Alegre: Prefeitura Municipal, 16 jul. 2020. Disponível em: https://prefeitura.poa.br/gp/noticias/marchezan-conversa-com-setor-de-eventos-sobre-efeitos-da-pandemia. Ver também em: https://prefeitura.poa.br/gp/noticias/prefeitura-anuncia-medidas-para-incentivar-setor-de-eventos-na-retomada-economica#:~:text=A%20prefeitura%20anunciou%2C%20nesta%20ter%C3%A7a%2Dfeira%2C,mais%20prejudicados%20com%20a%20pandemia.
[34] ATP –
ASSOCIAÇÃO DOS TRANSPORTADORES DE PASSAGEIROS DE PORTO ALEGRE. Número de
passageiros de ônibus transportados em 2020 caiu mais de 50% em Porto Alegre.
Porto Alegre: ATP, 19 jan. 2021. Disponível em: https://www.atppoa.com.br/2021/01/19/numero-de-passageiros-de-onibus-cai-52-em-porto-alegre-em-2020/. Ver também: https://www.estado.rs.gov.br/transporte-da-grande-porto-alegre-tem-queda-de-75-de-passageiros-com-a-covid-19.
[35] BRASIL 61.
30% dos estabelecimentos não vão abrir as portas, diz diretor da Abrasel.
Brasília: Brasil 61, 20 maio 2020. Disponível em: https://brasil61.com/noticias/30-dos-estabelecimentos-nao-vao-abrir-as-portas-diz-diretor-da-abrasel-bras202327.
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