Aproximação de Lula com China faz turismo chinês disparar

A China foi um dos países que mais ampliaram o envio de turistas ao Brasil em 2026. Entre janeiro e maio, 55.260 chineses desembarcaram no país, crescimento de 43% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em maio foram registrados 15.380 visitantes, alta de 75%. O avanço ocorre após a entrada em vigor da isenção temporária de vistos para viagens de turismo e negócios e em um cenário de fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China. 

Apesar do crescimento acelerado, a China ainda está distante dos principais emissores de turistas internacionais para o Brasil. A Argentina lidera com cerca de 2,2 milhões de visitantes entre janeiro e maio, seguida pelo Chile, com 387.611 turistas, e pelos Estados Unidos, com 352.971. Na sequência aparecem Paraguai e Uruguai, mercados tradicionalmente favorecidos pela proximidade geográfica. Mesmo assim, o desempenho chinês chama atenção por apresentar uma das maiores taxas de expansão entre os mercados internacionais atendidos pelo turismo brasileiro. 

O crescimento do fluxo de visitantes chineses coincide com o aumento da presença de empresas da China no Brasil, especialmente no setor automotivo. Nos últimos anos, montadoras chinesas ampliaram investimentos em fábricas, centros de distribuição e redes de concessionárias, além de expandirem operações ligadas à mobilidade elétrica. Esse movimento também impulsiona as viagens corporativas, com a circulação de executivos, técnicos, fornecedores e investidores entre os dois países. 

A isenção de vistos, válida até o fim de 2026 para viagens de turismo e negócios, também contribuiu para facilitar esse intercâmbio. Paralelamente, a Embratur intensificou ações de promoção do Brasil no mercado chinês, participou de feiras internacionais de turismo, promoveu reuniões para ampliar a oferta de voos entre os dois países e estabeleceu parcerias com plataformas digitais de viagens para divulgar destinos brasileiros ao público chinês. 

Para o setor de turismo, o aumento da presença de visitantes chineses representa uma oportunidade de expansão para hotéis, restaurantes, comércio, transportadoras e operadores turísticos. Ao mesmo tempo, o avanço desse mercado alimenta o debate sobre a política externa e comercial do governo Lula. Enquanto o governo destaca que o fortalecimento da parceria com a China amplia investimentos, comércio e turismo, críticos avaliam que essa aproximação deve ser acompanhada de políticas que preservem a competitividade da indústria brasileira e diversifiquem as relações econômicas com outros mercados estratégicos. 

Com quase cinco milhões de turistas internacionais recebidos pelo Brasil entre janeiro e maio de 2026, o país mantém um dos melhores desempenhos de sua história recente no setor. Dentro desse cenário, a China desponta como um mercado em rápida expansão e com potencial para ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, caso o ritmo de crescimento das viagens e dos investimentos bilaterais seja mantido.

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