Pesquisa CNT expõe colapso das rodovias gaúchas

O início da 29ª Pesquisa CNT de Rodovias recoloca em evidência um dos principais entraves à competitividade do Rio Grande do Sul: a deterioração da infraestrutura viária. Enquanto estados ampliam investimentos em logística para atrair empresas e reduzir custos, o território gaúcho segue convivendo com uma malha rodoviária considerada insuficiente para sustentar o crescimento econômico e a eficiência do transporte de cargas. 

O levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), iniciado nesta semana com apoio da Fetransul, percorrerá 8.998 quilômetros de rodovias no Estado. Os números que embasam a nova edição reforçam a dimensão do problema. Segundo a pesquisa anterior, cerca de 90% das rodovias estaduais e federais gaúchas foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas. Como consequência, o custo operacional do transporte rodoviário cresce aproximadamente 37%, reduzindo a competitividade das empresas e encarecendo a circulação de mercadorias. 

Os impactos vão além da logística. Somente em 2025, as rodovias federais do Estado registraram 4.899 acidentes e 327 mortes, com prejuízo econômico estimado em R$ 1,04 bilhão. A CNT calcula que serão necessários cerca de R$ 10 bilhões para recuperar, restaurar e manter a malha rodoviária gaúcha, evidenciando um passivo de infraestrutura acumulado ao longo dos anos. 

A situação preocupa especialmente porque aproximadamente 85% da movimentação de cargas no Rio Grande do Sul depende do transporte rodoviário. Para o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, estradas em melhores condições representam redução de custos, aumento da eficiência logística e maior competitividade para a economia gaúcha, fatores considerados essenciais para a atração de investimentos e expansão da atividade produtiva. 

Realizada desde 1995, a Pesquisa CNT de Rodovias tornou-se a principal referência técnica sobre a qualidade da infraestrutura viária brasileira. Além de avaliar pavimento, sinalização e geometria das estradas, o estudo subsidia políticas públicas e decisões de investimento. No caso do Rio Grande do Sul, os resultados deverão indicar se o Estado começa a reverter um quadro histórico de deficiência logística ou se continuará perdendo competitividade para outras regiões do país que avançam em infraestrutura de transporte.

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