Novas façanhas: RS fica na lanterna do turismo em pesquisa internacional da Embratur

O Rio Grande do Sul registrou o pior desempenho entre os estados brasileiros na comercialização de destinos turísticos no mercado internacional, segundo a pesquisa “Brasil no Mercado Internacional de Viagens: percepções de operadores e agentes de turismo internacionais”, divulgada pela Embratur. O levantamento ouviu mais de 350 operadores e agentes de viagens de 85 países e revelou que apenas 0,36% das empresas consultadas incluem o estado gaúcho em seus portfólios de venda, percentual muito inferior ao observado nos principais destinos brasileiros. 

Os números reforçam as críticas dirigidas à política de promoção turística do governo de Eduardo Leite. Para críticos da gestão estadual, o resultado evidencia um fracasso na estratégia de divulgação internacional do Rio Grande do Sul, já que o estado praticamente desaparece das prateleiras das operadoras de turismo, apesar de reunir destinos consolidados e reconhecidos nacional e internacionalmente. 

Os números mostram uma realidade preocupante. Enquanto o Rio de Janeiro aparece em 94% das operadoras pesquisadas, São Paulo alcança 64%, Bahia 58%, Paraná 48%, Ceará 43% e Pernambuco 40%, o Rio Grande do Sul praticamente desaparece do mercado internacional de turismo. O resultado coloca o estado na última posição do ranking elaborado pela Embratur, apesar de possuir uma ampla diversidade de atrações naturais, culturais, gastronômicas e históricas. 

O estudo também demonstra que o problema não está na falta de interesse dos turistas estrangeiros pelo Brasil. Segundo a pesquisa, 94% dos clientes demonstram interesse imediato quando o país é oferecido como destino de viagem. Além disso, seis em cada dez turistas procuram espontaneamente informações sobre o Brasil junto às agências internacionais. Para a Embratur, o cenário confirma que existe forte demanda internacional e espaço para ampliar a presença dos destinos brasileiros no exterior. 

Nesse contexto, o desempenho do Rio Grande do Sul chama atenção justamente por ocorrer em um momento de crescimento do turismo brasileiro. Enquanto diversos estados ampliam investimentos em promoção internacional, participação em feiras, campanhas de divulgação e relacionamento com operadores estrangeiros, o estado gaúcho permanece praticamente ausente das prateleiras das principais empresas que comercializam viagens ao Brasil. 

Especialistas do setor costumam apontar que a promoção internacional exige planejamento permanente, presença constante em eventos do mercado turístico, campanhas direcionadas aos principais países emissores e parcerias com companhias aéreas, operadores e plataformas de comercialização. Sem esse trabalho contínuo, destinos acabam perdendo competitividade para estados que mantêm estratégias consistentes de divulgação. 

O contraste é ainda maior quando se considera o potencial turístico do Rio Grande do Sul. O estado reúne destinos consolidados, como Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Cambará do Sul, a Rota dos Vinhos, os cânions da Serra Geral, o turismo rural, as praias do Litoral Norte e o patrimônio histórico das Missões Jesuíticas. Mesmo com esse conjunto de atrativos reconhecidos nacionalmente, a presença do estado no mercado internacional permanece extremamente reduzida. 

Os dados divulgados pela Embratur reforçam que o desafio do Rio Grande do Sul para os próximos anos não está na qualidade de seus destinos, mas na capacidade de transformá-los em produtos conhecidos e comercializados pelos operadores internacionais. Em um cenário em que o mundo demonstra crescente interesse pelo Brasil, o estado acaba ficando à margem desse movimento e deixa de aproveitar oportunidades para aumentar o fluxo de visitantes, gerar empregos e impulsionar a economia ligada ao turismo. 

A pesquisa servirá de base para as próximas estratégias de promoção internacional da Embratur, que pretende ampliar a presença dos destinos brasileiros no exterior. Para o Rio Grande do Sul, entretanto, os resultados representam um alerta: sem maior inserção nas ações de promoção e comercialização internacional, o estado continuará distante dos principais mercados emissores de turistas e perderá espaço para outras unidades da federação que vêm conquistando maior visibilidade no cenário global. 

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