A Operação Satiagraha também visou Lula e Dilma

       O Delegado Protógenes Queiroz sabia que a Operação Satiagraha contou com a aprovação direta de Lula, que voltou atrás depois que os acontecimentos chegaram muito perto do seu governo. O banqueiro Daniel Dantas tinha todo mundo nas mãos e vazou o número da conta do Mensalão em Nassau.
        Mesmo passados dois anos do seu lançamento, que aconteceu em 2014,  o livro Assassinato de Reputações, prossegue  surpreendendo pelas revelações que fsz o delegado Romeu Tuma Júnior, que durante três anos privou da intimidade do governo Lula, no comando da Secretaria Nacional de Justiça, trabalhando sob a liderança do então Ministro da Justiça, o ex-GovernadorTarso Genro.
        Tuma Júnior é filho de Tumão, o mitológico chefão do Dops de São Paulo na época dura da ditadura militar, posição na qual recrutou o então líder sindical Lula da Silva para ser seu alcaguete – o dedo duro que informava aos policiais e aos militares tudo o que acontecia na CUT e no PT.
        Num dos capítulos mais pormenorizados, ao contar os bastidores da Operação Satiagraha e o embate mortal entre os Delegados Paulo Lacerda e Protógenes Queiroz com a troika Lula, Dirceu e Gilberto Carvalho, uns atacando e outros defendendo os interesses do banqueiro Daniel Dantas, ele explicou no livro de que modo se colocavam as contradições entre as lideranças do PT:
      - Tarso não gostava de Lula e nem de Dirceu;  e queria ver o circo pegar fogo. Ele era de uma facção contrária à majoritária no PT, e quando falo em facção contrária, refiro-me a grupos antagônicos de verdade, mais adversários do que a própria oposição. Eu sabia que Dantas tinha boas relações com expoentes do PT. A desgraça do banqueiro e de parte de seus Partidos, naquele momento, poderia render a Tarso novo protagonismo, como ocorrera quando do escândalo do Mensalão.
       Qual o interesse que tinha Tarso Genro em ver “o circo pegar fogo” ?      
        Leia o que escreve Tuma Júnior na página 403 do seu livro:
        - Isto lhe beneficiaria na disputa presidencial (ele postulava a candidatura a Presidente e não acreditava em Dilma), ou no mínimo ao governo gaúcho. Afinal, Tarso sabia, como já dissera Protógenes, que a Operação Satiagraha era uma “missão presidencial”, que depois foi suspensa pelo envolvimento de gente do próprio Palácio do Planalto.
           No ninho de cobras em que se transformou o Ministério da Justiça sob a administração de Tarso Genro, Lula não foi ameaçado no decorrer da Operação Satiagraha, porque até mesmo na Polícia Federal ele corria riscos.
            O corrosivo último capítulo do livro “Assassinato de Reputações”, no qual o delegado Tuma Júnior narra aquilo que ele intitula “A chantagem contra o presidente da República”, é prova disto.
       No livro, é narrado todo o escabroso episódio que envolveu o então chefão da Polícia Federal, o gaúcho Luiz Fernando Corrêa, homem de Tarso Genro, seu companheiro da República de Santa Maria, que teria se mantido no cargo porque tinha em seu poder fotos comprometedoras envolvendo Lula. Quem lhe contou tudo foi o ministro Luiz Paulo Barreto, o sucessor de Tarso no ministério da Justiça. Escreve Tuma Júnior, página 506:
        - Estas fotos do Lula o Luiz Fernando obteve quando era secretário nacional de Segurança Pública.
         Ele se pergunta no livro:
         -Quanto desse tipo de chantagem não terá contaminado o governo Dilma?
         Mais adiante, sempre sem contar o que continham as fotos, todas obtidas durante visita de Lula à Amazônia, Tuma Júnior fornece uma pista instigante:
        - Contei ao meu pai, Tumão, o que ouvi. Ele era senador e presidente da CPI da Pedofilia.
        Tumão fez silêncio por alguns segundos, perguntou se era sério o que o filho dizia, calou-se novamente por mais alguns segundos  e se despediu com uma frase de desalento:

      - Vamos descansar filho. 

Fábio Giambiagi, O Globo - Retórica infame

Defensores de Dilma dizem que o impeachment representaria a reação dos ‘brancos de olhos azuis’ que estariam querendo ‘ir à forra’ após uma década de avanços sociais

O Brasil é um país com grandes diferenças sociais, refletidas numa série de vícios. Vou exemplificar com algo que aconteceu comigo diversas vezes: ao me aproximar, no ambiente de trabalho, de um bebedouro para beber um copo de água, a pessoa do serviço de apoio e limpeza que se encontrava no local se afastou, retirando o copo antes de enchê-lo, cedendo a vez e dizendo “pode passar, doutor”.

A cena sempre me choca e seria inimaginável na Europa, por exemplo. Não adianta insistir para que a pessoa continue enchendo o copo, ser amável etc.: na posição subalterna em que a pessoa se coloca, a primazia é dos “doutores”. E não é a cor da pele que faz a diferença, pelo fato de, mais de uma vez, a pessoa em questão e eu sermos ambos brancos.

A receita para superar a chaga da divisão social do país é o binômio de crescimento e educação. Tomem-se as medidas para que o país cresça a um bom ritmo durante 50 anos e ofereça-se uma boa escola pública aos filhos das pessoas mais humildes para que elas possam ingressar na universidade e, cedo ou tarde, os filhos ou os netos de quem vai beber água e de quem cede a vez se colocando em posição inferior terão um destino parecido.

A pior forma de encarar essa questão é estimular o ressentimento. Ao invés de fomentar a integração, o ressentimento é profundamente divisionista. Quando se estimula uma atitude de hostilidade, no lugar de mostrar para as pessoas que não há razão nenhuma para que os indivíduos recebam tratamentos diferentes em uma série de âmbitos, o ovo da serpente está sendo chocado no interior da sociedade.

Isto se relaciona com a esfera da política. Os defensores do governo Dilma Rousseff, em 2015 e nos primeiros meses do ano em curso, passaram a martelar o argumento de que o impeachment representaria a reação dos “brancos de olhos azuis” que estariam querendo “ir à forra” depois de uma década de avanços sociais.

Em mais de uma oportunidade, foi mencionado pelas autoridades da época o argumento infame acerca do suposto desconforto de parte da sociedade com o fato de que “pela primeira vez, temos pobres andando de avião”.

Trata-se de uma retórica abjeta. O fato de existir essa postura em algumas pessoas não autoriza a fazer generalizações. Convido o leitor à seguinte reflexão: no seu círculo de amigos que defenderam a aprovação do impeachment, que proporção de indivíduos reclamou ao longo dos últimos dez ou 15 anos da ascensão social dos mais pobres?

Provavelmente, a maioria dos leitores deste artigo não pertence aos estratos inferiores da população. Duvido que, no ambiente de relacionamento social desses leitores — cuja maioria, estatisticamente, suponho ter sido a favor da saída da presidente Dilma — haja um grupo representativo que estivesse irritado com o fato de “pobre andar de avião”.

Na esteira desse tipo de manifestações, há um conjunto de ressentimentos que perpassam tais atitudes, indo desde a ideia de que pessoas com maiores recursos são “culpadas”, até a noção de que roubar rico não chega a ser condenável do ponto de vista moral.

Talvez poucos espectadores tenham parado para pensar no significado simbólico da imagem, mas num filme brasileiro muito aclamado recentemente por representar a ascensão social de uma nova classe, uma das cenas mais festejadas pelo público — e construída para gerar essa empatia com quem assiste — é aquela em que a funcionária de uma casa, ao “pedir as contas” e se mudar da residência dos “patrões”, leva uma travessa com ela para sua nova casa.

De fato, a cena tem sua graça cênica, mas objetivamente trata-se, pura e simplesmente, de um roubo, travestido pelo sentimento de “justiça” de que é feito contra uma família “rica”.

A ideia de que Dilma Rousseff foi afastada porque os “brancos de olhos azuis” foram às ruas ano passado incomodados com a ascensão dos mais pobres é moralmente ofensiva, além de economicamente indigente.

A suposição de que há um antagonismo inevitável de interesses é própria de uma interpretação obtusa do funcionamento da economia. Esta não é um jogo de soma zero, onde para alguém ganhar outro precisa perder.

O progresso econômico pode se encarregar de gerar uma melhora de bem-estar para todos os grupos — e progresso foi, justamente, o que não tivemos em 2015 e 2016, quando a economia encolheu.


Fabio Giambiagi é economista

A caixa preta de Cunha

O (ainda) deputado Eduardo Cunha, que acaba de renunciar à presidência da Câmara, é um subproduto da Era PT, de quem foi aliado – e parceiro - até o ano passado.

A divergência foi incidental: a disputa de um cargo estratégico – o de que acaba de renunciar -, que, por acordo, caberia à maior bancada na Casa, o PMDB, mas que o projeto hegemônico do PT, expresso no seu 5º Congresso, decidiu abocanhar.

Tornaram-se então inimigos e o PT passou a tratá-lo como um personagem nocivo e estranho, buscando associá-lo à oposição. Mas os crimes de que Cunha é acusado – e são muitos – estão quase todos centrados no Petrolão, cujo comando coube ao PT.

Foi, na linguagem das máfias, um comparsa, parceiro secundário, que só obteve notoriedade quando passou a ser apontado por seus ex-aliados no crime como, vejam só, um criminoso. É bem verdade que, antes de o PT chegar ao poder, Cunha já atuava no ramo. Mas exatamente por isso não teve dificuldades de se adaptar à nova ordem (ou desordem) que se estabelecia. Estava em casa.

Dilma Roussef mencionou, mais de uma vez, com compreensível asco, as contas secretas de Cunha na Suíça. Esqueceu-se de mencionar, porém, que o dinheiro que lá estava fora obtido em parceria com o PT, que comandava o saque. E ainda: confrontando-se os valores do Petrolão, que se contam na escala dos bilhões, o que coube a Cunha é pouco mais que um troco.

Ao concentrar em Cunha sua súbita aversão à corrupção, o PT quis, na verdade, construir uma argumentação contra o impeachment. Não teria legitimidade se conduzido por um corrupto. Omitia o fato de a decisão caber ao plenário e não a um único indivíduo. E de o rito ter sido definido não por ele, mas pelo STF.

Enquanto a tropa de choque do PT fazia circular essa versão, promovendo passeatas e ocupando as redes sociais, Lula e Jacques Wagner, em nome de Dilma, negociavam com Cunha o arquivamento dos pedidos (eram 28!) de impeachment.

A moeda de troca era o arquivamento do processo que Cunha enfrentava na Comissão de Ética da Câmara por ter mentido à CPI da Petrobras, negando ter contas secretas na Suíça.

Por isso, Cunha demorou três meses para dar sequência ao processo. E só o fez por não confiar em seus interlocutores. Mesmo assim, optou pelo pedido mais brando – o que está em exame -, que se atinha a crimes administrativos, deixando de lado o conjunto da obra, de natureza penal.

O pedido da OAB, arquivado por Cunha, era, por exemplo, bem mais abrangente. Ia muito além das pedaladas fiscais e levaria o debate do impeachment às páginas policiais, por onde hoje desfilam empresários amigos do PT e de sua base aliada (PMDB, PP, PTB, PR etc.), além da própria cúpula do partido, incluindo Lula.

Graças a Cunha, o impeachment tornou-se uma discussão de natureza meramente fiscal, que o povo tem dificuldades de assimilar, e preserva a presidente afastada do constrangimento de se ver exposta aos rigores do Código Penal.

Cunha deve ser cassado, mas não irá só. A demora em puni-lo decorre de algo já definitivamente demonstrado pela Lava Jato: ele está longe de ser um corpo estranho à classe política brasileira. Sua conduta, ao contrário, é mais regra que exceção. O silêncio da então oposição – hoje governo – indica cumplicidade e temor.

Se a régua com que foi medido for aplicada a todos, poucos se salvam. O grande temor, hoje, no âmbito dos três Poderes – e não apenas no Parlamento –, é saber até onde vai a Lava Jato. A conspiração para liquidá-la corre subterrânea, na mesma proporção em que, na superfície, é elogiada. Todos amam odiá-la.

Cunha, cassado e entregue a Sérgio Moro, só não voltará à sua irrelevância política por um, digamos, detalhe: é uma caixa preta, que compromete a muitos. Daí seu prestígio no chamado Centrão (também conhecido por Cunhão), núcleo de parlamentares do baixo clero, que tem grandes chances de fazer o seu sucessor. Pensa assim blindar-se, o que é altamente improvável.


Se não for socorrido – e quem terá meios para tanto? -, poderá recorrer ao que lhe resta: protagonizar o papel de um Sansão profano, a derrubar as colunas do templo e morrer ao lado de seus desafetos. O pós-Cunha promete emoções.

Memória - Tarso, Lula e Mercadante usaram dados falsos do banco Julius Baer para forjar dossiês contra Tasso Jereissati

         O ex-ministro e ex-senador do PT, Aloísio Mercadante, o pai dos aloprados (1), entregou o pen drive com dados falsos para o dossiê de calúnias desfechado pelo governo Lula contra o senador tucano Tasso Jereissati em 2009.
        Tarso e Lula participaram da tramoia.
        O modus operandi era o mesmo já usado por procuradores federais ligados ao PT, e denunciado tempos atrás pelo Conjur, escreve o delegado Romeu Tuma Júnior no seu livro “Assassinato de reputações”, página 168, ao contar esta ordem criminosa que recebeu da nomenklatura petista em janeiro de 2009:
         - Fulmine o Jereissati.
          Quem deu a ordem foi o senador Aloísio Mercadante, na época líder do governo Lula no Senado, e ex-ministro da Educação de Dilma Roussef.       
         Mercadante foi o mesmo homem sob cujas ordens os “aloprados” tentaram comprar um dossiê para desmoralizar o tucano José Serra, e também foi o mesmo homem que chamou o senador Paulo Paim, em 2008, para boicotar a aprovação do empréstimo do governo Yeda Crusius junto ao Banco Mundial, sendo repelido pelo gaúcho, conforme o jornalista Políbio Braga conta em seu livro Cabo de Guerra.
          No governo Dilma Roussef, ele foi Ministro-chefe da Casa Civil e antes disto ocupou a Casa Civil.
           Homem ligadíssimo a Dilma Roussef, Aloízio Mercadante acabou denunciado em 2016 pelo senador Delcídio do Amaral, ex-líder do governo, que  entregou aos procuradores uma conversa gravada de um assessor de Delcídio com Mercadante, depois de ter sido preso por ordem do STF. Em depoimento, Delcídio disse que Mercadante ofereceu ajuda, sugerindo que em troca não fechasse acordo de delação premiada.
         O ministro da Educação, Aloízio Mercadante, foi um dos políticos citados pelo ex-líder do governo, senador Delcídio do Amaral, na delação premiada que ele mesmo produziu no âmbito da Procuradoria Geral da República. Em um depoimento ao Ministério Público e a integrantes da Polícia Federal, o Senador entregou uma gravação feita por um assessor dele, Eduardo Marzagão. Delcídio contou que o assessor foi procurado pelo ministro e decidiu gravar as duas conversas que teve. Nessa época, o Senador estava preso.
          Delcídio disse como interpretou a oferta de ajuda feita por Mercadante ao assessor: "Ele arrumaria um jeito de pagar meus advogados." Ele se referia ao trecho da conversa em que o assessor de Delcídio fala sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelo senador.
Eduardo Marzagão: Só para você ter uma ideia, eles estão vendendo a casa.
Aloízio Mercadante: Para não ficar expostos.
Eduardo Marzagão: Não, até para...
Aloízio Mercadante: Arrecadar dinheiro.
Eduardo Marzagão: Arrecadar dinheiro. Os carros, a casa. A fazenda, porque é da mãe e do irmão, então lá não vai mexer. Aliás, o irmão tá vindo aí para tratar desses assuntos. Assuntos financeiros mesmo.
Aloízio Mercadante: Patrimônio da família.
Eduardo Marzagão: Patrimônio, as dívidas que ele tem. Para você ter uma ideia da situação dele, o salário dele tem consignado. O salário do Delcídio tem empréstimo consignado, que ele está pagando.
Aloízio Mercadante: Bom, isso aí também a gente pode ver no que é que a gente pode ajudar, na coisa de advogado, essa coisa. Não sei. Pô, Marzagão, você tem que dizer no que é que eu possa ajudar. Eu só tô aqui para ajudar. Veja o que que eu posso ajudar.
      Na segunda conversa com o assessor, Mercadante disse que Delcídio deveria esperar.
Aloízio Mercadante: Eu acho que ele devia esperar e não fazer nenhum movimento precipitado que ele já fez o movimento errado. Deixa baixar a poeira, que vai sair, uma confusão muito grande para o país. Para ele não ser o agente que desestabilize tudo. Senão vai sobrar uma responsabilidade para ele monumental, entendeu?
Ainda na conversa com Marzagão, o ministro Mercadante elogiou o ex-líder do governo e diz que falaria com o presidente do Senado para tentar encontrar uma saída que permitisse suspender a prisão de Delcídio junto ao Supremo Tribunal Federal.
Aloízio Mercadante: Não, não, mas o presidente vai ficar no exercício. Também precisa conversar com o Lewandowski. Eu posso falar com ele para ver se a gente encontra uma saída. Mas eu vou falar com o ministro no Supremo também.
Eduardo Marzagão: Complicado.
Aloízio Mercadante: Mas é o seguinte, eu não tenho nada a ver. O Delcídio... Zero... Não tô nem aí se vai delatar, não vai delatar, não tô nem aí. A minha questão com ele é que eu acho um absurdo o que aconteceu com ele.
            Eis o que conta Tuma Júnior sobre o episódio que envolveu o Senador do PSDB, Tasso Jereissati, ex-Governador do Ceará:
          - Lá (na liderança do governo no Senado) entregaram-me um pen drive com as “seríisimas" denúncias contra um adversário do governo que já tinham sido entregues ao Ministro Tarso Genro e ainda não haviam sido apuradas. (...) A exigência era de que eu plantasse uma investigação em cima do Jereissati.
           Acontece que Tuma Júnior era amigo do Senador do PSDB, desde que ele foi Governador do Ceará, a um ponto tal que chegou a ser convidado para ser Secretário de Segurança do seu sucessor, Ciro Gomes.
         No livro, o delegado conta que não quis tocar o caso adiante por constrangimento moral e conduta profissional, mas decidiu abrir o pen drive para ver o que estava ali:
       - O principal é que tinha sido montado em um escritório particular, documentos com cópias de contas feitas no exterior, inclusive de Tasso Jereissati.
        Tudo de origem criminosa e imprestável para procedimentos legais, para forjar dossiês falsos contra o senador do PSDB.
         O governo e o PT buscavam efeitos políticos contra o PSDB.
         O banco que produziu o dossiê:
- Julius Baer Bank &Trust, que tem sede em Nassau e pertence a um grupo alemão.
        O Ministério Público Federal foi atrás do Julius Baer durante as Operações da Lava Jato, constatando suas relações criminosas com a nomenklatura do PT. No relatório que produziu sobre material que recebeu do exterior a respeito das operações entre o PT e o banco, escreveu o MPF, neste caso trtando especificamente da lavagem de dinheiro produzida por Renato Duque, homem que o Partido colocou na Diretoria de Serviços, justamente para achacar empreiteiros:
         - Os documentos enviados informam que, entre julho e agosto de 2014, foram transferidos para contas abertas em nomes das offshores MILZART OVERSEAS HOLDINGS INC. (n. 5128005) e PAMORE ASSETS INC. (n. 5134285), no Banco Julius Baer, ambas controladas por DUQUE, o total de EU 1.300.667, representado por 13 títulos de valores mobiliários. Antes disso, em maio de 2014, já haviam sido feitas outras 13 transferências de títulos que totalizaram EU 4.121.547.

        

Artigo, Carlos Salgado, Zero Hora - Uruguai consuma-se como narcoestado

Sob o governo do presidente e médico oncologista Tabaré Vásquez, o Uruguai se assume como um narcoestado. Atitude tão vanguardista, quanto temerária. Seu secretário-geral da Junta Nacional de Drogas (JND), Milton Romani, experiente embaixador e defensor de liberdades individuais, é um entusiasta ambivalente da efetivação da venda de maconha em farmácias, ou mesmo em outros pontos de venda, caso haja resistência dos comerciantes. Setores do comércio farmacêutico temem o desprestígio de unidades destinadas a vender produtos que curam, ao abrirem-se para o comércio de maconha, droga de abuso. E Milton parece ambivalente porque declarou que a medida que defende com entusiasmo poderá ser um estrondoso fracasso.
Longe de estimular o consumo, a JND pretende estabelecer parâmetros saudáveis de uso e livrar o usuário do trânsito pela criminalidade. Usuários experientes descobriram, pela cultura privada, que umas poucas baforadas da maconha que plantam, sem grande custo, lhes pode oferecem efeitos muitos intensos. Assim, a venda de doses de até 10 gramas lhes parece perigosa para o simples deleite recreacional. O presidente Tabaré Vásquez, médico oncologista, transita com conhecimento de causa pela relação entre a fumaça da maconha e produção de câncer de cabeça, pescoço e pulmões, áreas preferidas também pela fumaça do tabaco. Aliás, em 2005, Tabaré Vasquez baniu a fumaça dos tabaco de ambientes fechados de todo o Uruguai, medida restritiva comemorada no mundo todo como exemplar. Agora, promove a venda da fumaça da maconha.

Resta-nos, como ao diplomata Milton Romani, torcer pelo melhor desfecho, mas temendo por um fracasso regulador que apenas vai favorecer o crescimento do número de usuários e do peso de seu uso. Em 2013, graças ao esforço empreendido por Tabaré Vasquez por banir a fumaça do tabaco de 100% dos ambientes fechados, o Uruguai foi convidado pela ONU como parceiro do Dia Mundial Sem Tabaco 2013, comemorado sempre em 31 de maio. Qual será o novo convite honroso que o recém consumado narcoestado receberá da ONU?

Artigo, Marcelo Aiquel - A seriedade do PT gaúcho

      Ontem, debatendo com um amigo (é, eu também tenho amigos que são ceguinhos e surdinhos), escutei dele: “Mas no PT gaúcho tem muita gente séria!”
      Imediatamente lembrei-me do meu querido irmão Juarez, que volta e meia corre para defender a figura do “garanhão de Bossoroca”, o ex-governador Olívio Dutra. Aquele mesmo que inventou a figura do contrato socialmente correto para justificar a expulsão da fábrica da FORD do Estado, coisa que o município de Camaçari/BA agradece até hoje.
      Uma observação pertinente: aa cidades de Guaíba e Eldorado do Sul caminharam 20 anos para trás com aquele canetaço demagógico. Num retrocesso financeiro, econômico e de empregos, incomensurável.
      Bom, mas o tema do artigo não são as perdas econômicas da decisão irresponsável do Olívio, mas sim a ética e a seriedade do PT gaúcho, que – lembram-se? – apoiou e aplaudiu unânime a citada deliberação.
      Parei para pensar a quem (ou a qual pessoa) meu amigo se referia quando bradou pela postura reta e pela probidade dos petistas gaúchos.
      E, confesso que, depois de pensar muito, não consegui detectar um só membro do “partidão da ética” que pudesse ser qualificado como tal.
      E explico:
      Não são poucos os petistas gaúchos que se rebelaram publicamente nos últimos tempos contra a bandalheira praticada pela quadrilha comandada pelo Lula. Posso citar, entre outros, Olívio Dutra, Paulo Paim, e Raul Pont, sempre com um discurso forte a favor da ética.
      Mas, nenhum deles tomou qualquer medida prática e efetiva em relação a estes fatos criticados. Seguem todos no PT, abraçados aos “companheiros” denunciados, sendo alguns até já condenados.
      Ora, desde os primórdios da humanidade se sabe que existem dois tipos de infratores (e uso este termo leve em respeito às pessoas denunciadas): os que praticam o delito como autores, e os coniventes.
      Também é notório que nem todo o “conivente” deva ser beneficiário direto do resultado do delito. Mas, o simples fato de tomar conhecimento e silenciar (seja lá porque razão) faz deste conivente um “cúmplice” do crime. Ou do ilícito, para ser menos agressivo.
      Ou seja, a omissão de fato criminoso (ou ilegal) imputa uma “cumplicidade” à pessoa conivente.
      Estes por sua vez deixariam de ser corresponsáveis na hipótese de, indignados com a situação, tomarem uma medida objetiva: denunciar os autores do(s) ilícito(s).
      Ou, para não agir como um X9, imediatamente afastar-se da companhia do infrator.
      Porém, em interesse próprio (pensando apenas em si e/ou no seu futuro político) estes “cúmplices” não fizeram nem uma coisa nem outra, preferindo apenas criticar – num “jogo de cena” deplorável – e prosseguir no mesmo barco.
      A mais evidente constatação disso é que existem outros barcos que conduzem ao mesmo destino. E que é possível, inclusive, criar um novo.       Exemplos não faltam!
      Ocorre que, quando se reclama acintosamente da conduta do capitão de um barco e depois se troca de embarcação, o crítico fica vulnerável à possibilidade do criticado denuncia-lode ter participado no mesmo esquema reclamado. É o que se chama de RABO PRESO!
      Ou não?
      Eu custo a acreditar que seja este o motivo de pessoas tão elogiadas publicamente não resolverem optar por um novo caminho.
      Afinal, não se aposta tanto na seriedade destes?
      Então, quem aposta que responda.
      Sem tergiversar ou acusar outros de fazerem o mesmo, porque ai fica parecendo argumento vazio de advogado incompetente...
      Pela singela razão de que um erro nunca justificou outro!


      Marcelo Aiquel – advogado (07/06/2016)

No país da piada pronta, a presidência do Supremo Tribunal Federal aciona a polícia contra o responsável pelo boneco Lewandowski

Ricardo Noblat

“A honra” do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi gravemente atingida pela exibição nas ruas de São Paulo de um boneco inflável com a cara dele, o penteado igual ao dele, todo o jeitão dele, apenas muitas vezes maior do que ele. Como se não bastasse, o boneco atentou também contra “a credibilidade do Poder Judiciário”.

Com base nesses argumentos, a presidência do STF acionou a Polícia Federal para que investigue o responsável pelo boneco. Ou melhor: pelos bonecos. Sim, porque outro boneco, bem parecido com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi visto na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 19 de junho, em uma manifestação anti-PT.

De acordo com documento assinado pelo chefe de segurança do STF, Murilo Herz, e avalizado por Lewandowski, o uso dos bonecos representou "grave ameaça à ordem pública e inaceitável atentado à credibilidade" do Poder Judiciário. Herz pediu que a Polícia Federal interrompa a "nefasta campanha difamatória" contra Lewandowski, inclusive nas redes sociais.

Os dois bonecos têm nomes. Um se chama Petrolowski. O outro, Enganô. Petrolowsk tem os pés cobertos de ratos e segura uma balança em que um dos pratos pende para o lado em que aparece a estrela vermelha, símbolo do PT. Enganô, o corpo em forma de um arquivo com duas gavetas, uma delas aberta, onde está escrito a palavra “petralhas”.

Para poupar tempo à Polícia Federal, tão ocupada desde que irrompeu a Operação Lava-Jato, o responsável pelos dois bonecos procurou diversos órgãos da imprensa e identificou-se. Trata-se de Carla Zambelli Salgado, uma das líderes do Movimento Nas Ruas. No ano passado, ela foi uma das pessoas que se acorrentou na Câmara dos Deputados para exigir o impeachment de Dilma.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Carla disse que não vê motivo para a investigação de “charges críticas” a figuras públicas. Em defesa da sua e da inocência dos bonecos, afirmou ainda que “grave ameaça são algumas decisões que o próprio ministro toma, inclusive, como presidente do processo de impeachment". Lewandowsk preferiu não comentar as declarações de Carla.

Petrolowski e Enganô são da mesma família de bonecos inaugurada pelo Pixuleco – um Lula gigante, metido em roupa de prisioneiro. Dilma virou “Bandilma”. Os ministros Teori Zavascki e Dias Toffoli, Teoridra e Toffoleco, respectivamente. O boneco que homenageia – ou insulta – o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, ainda não foi batizado.

Passeatas do PT já foram abrilhantadas por bonecos do juiz Sérgio Moro e do senador Aécio Neves. Até aqui, nenhum dos embonecados havia tido a ideia de chamar a polícia.


Bonecos do ministro Ricardo Lewandowski e do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot (Foto: Reprodução)
Bonecos do ministro Ricardo Lewandowski e do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot (Foto: Reprodução)