Artigo, Marcelo Aiquel - Voltando atrás


       Após haver me despedido dos meus amigos/leitores ao decidir não mais escrever artigos, não consegui manter a promessa feita e, diante da gritante hipocrisia daqueles que “se dizem” defensores da democracia, mas nunca aceitam a vontade da maioria (quando esta (a vontade; o desejo da maioria) não lhes convém); tive que voltar.
         Entre estes hipócritas de plantão, posso vislumbrar com extrema clareza: (1) os fanáticos; (2) a juventude que sofreu “lavagem cerebral” e fala em ditadura militar, mesmo tendo nascido anos depois daquela época; (3) a mídia e alguns jornalistas que desejam um terceiro turno (antes da decretação do fim das suas medíocres carreiras, o que é fato); (4), os “dependentes financeiros” (que são muitos, aboletados nos cargos dos cabides empregatícios do PT e asseclas); e (5) os “semideuses do STF”; além de (6) um grupo de “Marias vão com as outras”, perdido na poeira.
         Desesperados, ao pressentirem o seu ocaso (que está bem próximo), tentam criar factoides e a cada dia – literalmente – distorcem desavergonhadamente qualquer fato que não lhes seja interessante. Ou seja, mantendo intacto o “velho” (e indecente) comportamento de “façam o que eu digo, mas não o que faço”.
         É a turma do “Mateus, primeiro os meus!”.
         Enquanto isso, o chefe da ORCRIM petista, o bolivariano (e ladrão) Lula da Silva, segue com a ladainha de “sou um perseguido político”; e está prestes a receber mais uma condenação, que o fará mofar – pra sempre – na prisão.
         Prisão que o energúmeno, aliás, pensa ser um retiro espiritual ou uma colônia de férias. Pois, não é que teve a leviana ousadia de exigir mais visitas íntimas...
         Sem comentários!
         Como também não merece nenhum comentário o estapafúrdio comportamento e destempero do Ministro Ricardo Levandowski, ao “mandar prender” um cidadão que criticou o STF, num avião de carreira. Disse ele, “que se sentiu na obrigação de defender a honra do Supremo”. Então, tá!
         Bem, como faltam menos de 9 (nove) dias úteis para a posse do novo governo, me parece que o desespero começa a bater nos esquerdopatas em geral. Sentindo que nada resta fazer, a não ser algumas escaramuças, sempre com a ajuda de uma marginalia militante, é chegada a hora da grande mudança chancelada pelas urnas, o que atingirá – certamente – a estes, além de outros dissimulados. Que “cacarejaram” aos quatro ventos, com bastante entusiasmo, nos últimos meses e agora – bastante assustados – posam de arrependidos, Ou sumiram do mapa...      Falsos – como uma nota de R$ 3,00 – farão de tudo para não serem chutados para o esgoto de onde nunca deviam ter saído.
         A DilmANTA já falou até em “fazer pacto com o diabo”.
         Como se ela, ao idolatrar e se unir ao Lula da Silva, já não o tenha feito...
         Sem falar nos “abestados” que festejaram a manifestação do COAF contra um ex-funcionário do filho do Bolsonaro. Sem se lembrar (é óbvio que a “memória seletiva” os faz esquecer isso!) que a “dona” Marisa Letícia deixou uma herança de R$ 11 milhões vendendo produtos Avon, e o “atento” COAF nada viu de anormal.
         Tá bem, agora conta outra piada!
          Pra encerrar: mais de CEM DIAS se passaram sem uma (única, que seja) solução sobre quem mandou matar o Mito. Enquanto isso, a novela “Marielle” segue diariamente na Globo.

Povo quer menos privilégios, menos incompetência e menos roubalheira, diz professor

Nesta longa entrevista produzida pelo jornalista e escritor José Nêumanne para o Estadão, o professor Guilhon diz considerar que, em 2018, o povo disse estar “por aqui” com a política e os políticos, com o modo como somos tratados pelas elites dirigentes.

Leia tudo com atenção. É uma entrevista bastante extensa.

Para o especialista em ciências políticas paraense, radicado em São Paulo, José Augusto Guilhon de Albuquerque, o capitão e deputado Jair Bolsonaro ganhou a disputa eleitoral em outubro “porque ‘foi o único que, em vez de dizer ‘vou fazer o mesmo de sempre, só que melhor, mais bonito ou mais radical’, disse que ia acabar com tudo o que, em cinco anos de indignação popular, não mereceu resposta da elite política”. Na entrevista da semana ao Blog do Nêumanne, o professor titular aposentado da USP analisou em profundidade a cena política nacional, tema de sua especialidade, desde os movimentos de rua há cinco anos até a eleição de dois meses atrás. Ao explicar por que as massas que saíram à rua não se mobilizaram, como era de esperar, em torno do impeachment de Dilma, ele ponderou: “A aprovação das massas foi silenciosa porque já estava rouca de se esgoelar em vão. Note-se que o impeachment só foi encaminhado pelo PSDB quando se tornou evidente que o tapetão não garantiria a posse de Aécio sem uma nova eleição, mas não em resposta aos 80% que rejeitavam Dilma e continuaram rejeitando o seu legítimo herdeiro, Temer, o que mostra o grande consenso popular, e não a divisão radical da sociedade.  A imensa maioria busca a mesma coisa: menos desgoverno, menos politicagem, menos privilégios, menos incompetência, menos roubalheira”.
Nascido em 19 de dezembro de 1940, em Belém do Pará, José Augusto Guilhon de Albuquerque viveu em diferentes cidades dos Estados do Rio, do Espírito Santo, de São Paulo e, no exterior, em Washington D.C. e em Londres. Doutor em Sociologia pela Univesrsité Catholique de Louvain, professor titular aposentado da USP, atualmente pesquisador sênior no Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, senior research fellow do Wong Center for the Study of Multinational Corporations e diretor da Sobeet, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica. Fundou e dirigiu o Departamento de Ciência Política da USP, serviu como chefe de gabinete da Reitoria da USP e em todos os níveis de governo, municipal, estadual e federal. Sua área de pesquisa tem foco na política brasileira doméstica e internacional, especialmente as relações Brasil-EUA e Brasil-China. Publicou várias dezenas de artigos acadêmicos e algumas dezenas de livros em diversas línguas. Tem colaborado em todos os jornais de tiragem nacional e nas principais revistas semanais, e atua como convidado em programas nos principais canais de TV e rádio.

Nêumanne – Qual foi, em sua opinião, o estopim que fez a classe média perder a paciência de vez com o tratamento dispensado pelo Estado brasileiro à sociedade de forma estroina, desleixada e insensível, levando-a a protestar em massivas manifestações de rua em 2013?
José Augusto Guilhon – Qual estopim? No caso caso não acha que seriam inúmeros? Ou gota d’água, porque basta uma? Toda a população estava naquela atitude de “ras le bol“, como diziam os franceses e, pelo visto, continuam dizendo, ou seja, “estamos por aqui” com todo tipo de governos, “por aqui” com a política e os políticos, “por aqui” com o modo como somos tratados pelas elites dirigentes. Motivo não faltava para derramar a indignação e a revolta generalizadas. Saber por que o aumento das tarifas de transporte simbolizou a revolta ainda é tema para pesquisa, mas saber por que a classe média saiu na frente e por que seu desabafo calou fundo nos restantes 99% do povo suscita algumas hipóteses. A minha é de que, contrariamente às regalias que compartilha com as classes dirigentes – em seguridade, educação superior e atendimento médico, para dar alguns exemplos incontestáveis -, o descaso, o arbítrio, a verdadeira extorsão fiscal a que é submetida a classe média vem compartilhando, cada vez, mais como o povo em geral. Com isso a mensagem das ruas disse em alta voz o que a grande massa da população queria ouvir… e aprovou.
N – Por que, a seu ver, mesmo tendo respondido de forma absolutamente alienada e inconvincente, propondo um programa absurdo de cinco falsos pactos, o principal alvo de tal ataque, a presidente à época, Dilma Rousseff, do PT, ao lado de seu companheiro de chapa,  Michel Temer, do então PMDB, ainda venceu a eleição, embora por margem reduzida, contra o adversário Aécio Neves, do PSDB?
G – Dois processos que ocorreram simultaneamente, e em parte se reforçaram, parecem ter dado origem tanto à autofagia do governo Dilma quanto à sua reeleição, apesar disso. E também ao suicídio da coalizão de centro-direita que fora bem-sucedida na era do Plano Real e levou ao desastroso desfecho das últimas eleições: o sucesso de um aventureiro, calçado numa campanha populista de direita, que alardeia profunda admiração por ideias de exercício do poder popular por via de corporações e democracia direta, com grande desconfiança com relação aos canais institucionais de representação.
Refiro-me à absoluta recusa da classe política – governo Dilma incluído – de olhar para as ruas e ouvir sua mensagem. Essa omissão dolosa, e não apenas culposa – uma vez que a primeira obrigação da classe política é representar no poder os interesses e demandas do povo soberano -, pode ser simbolizada pelo fato de que, diante das primeira reações de desconforto por sua presença nas ruas, os partidos e os detentores de mandato popular fugiram quase todos da rua.
Na revista Interesse Nacional, que avaliava os resultados das eleições de 2014, publiquei um artigo intitulado O recado (mudo) das unas, que concluí com o seguinte alerta: “Restam três caminhos até 2018. O primeiro consistiria em vislumbrar, no decorrer dos próximos quatro anos, lideranças que encarnem a ‘nova política’ – cujo conteúdo ainda terá que ser construído – e acenem com compromissos críveis de uma gestão honesta e de ações decisivas para retomar o crescimento e estender, à imensa maioria, o bem-estar geral. Esse teria que ser o caminho das oposições, pois a viabilidade de vir do PT é totalmente incompatível com o petismo realmente existente. Outro caminho seria governo e oposições voltarem ao business as always, e apostarem na omissão das elites e no conservadorismo popular para deixar como está, como diria Getúlio, e ver como é que fica. Mas este caminho se cruza com o terceiro, um caminho retomado pela memória do levante de junho de 2013, agravada com as novas ofensas que os governantes não tardarão a causar. Seria o caldo de cultura para uma ‘revolução’ em busca de suas lideranças”.
Para ver participação de Guilhon no WW Painel em 30/11/18 clique aqui
N – A frustração provocada no eleitorado pela preguiça do senador mineiro Aécio Neves – que obteve 50 milhões de votos e passou a representar a esperança de pelo menos metade da população brasileira, depois da derrota sumiu de cena, ausentando-se das sessões em plenário da chamada Câmara Alta e conduzindo uma oposição evidentemente de fancaria ­- pode, de acordo com seu ponto de vista, ter desmotivado a volta dos manifestantes de 2013 às ruas, apesar do desmazelo, da incompetência e da comprovada corrupção da gestão petista na primeira metade do segundo governo de Dilma?
G – A contribuição do PSDB para a avacalhação das instituições e o embaralhamento do sistema partidário foi geral: nunca os candidatos tucanos puderam contar com o apoio das suas principais lideranças ao candidato de turno, formando-se uma coalizão de veto entre São Paulo, Minas, Bahia e Ceará, e parte das lideranças regionais e das bancadas federais faziam alianças tácitas com Lula ou Dilma. Coroando esse papel desagregador da oposição, prevaleceu, desde a eclosão do escândalo do mensalão, a estratégia autodestrutiva de preservar o adversário para que ele sangre até o fim do mandato.
Tal estratégia consiste em colocar-se no lugar do adversário, para avaliar sua principal ameaça, não para levá-lo à derrota, preservando os interesses da sociedade, mas dando-lhe corda para continuar agravando o sofrimento do povo e a estabilidade da Nação. Isso explica como foi possível que as ruas voltassem a se manifestar em 2014, justo no ano das eleições, com a mesma omissão dolosa da Dilma e de toda a classe política, sobretudo da pretensa oposição, que conjugou à teoria do sangramento até o fim a esperança de eleger Aécio no tapetão do TSE.

Guilhon fazendo o discurso de formatura na Faculdade Nacional de Filosofia, na então Universidade do Brasil, “briga dura para ser eleito.” Foto: Acervo pessoal
N – O que o senhor acha que motivou a grande mobilização partidária para aprovar o impeachment da presidente petista e a sucessiva posse de seu vice do então PMDB, sem que houvesse entusiasmo igual ao de 2013, mas, pelo menos com aprovação da chamada maioria, então, silenciosa?
G – A aprovação das massas foi silenciosa porque já estava rouca de se esgoelar em vão. Note-se que o impeachment só foi encaminhado pelo PSDB quando se tornou evidente que o tapetão não garantiria a posse de Aécio sem uma nova eleição, mas não em resposta aos 80% que rejeitavam Dilma e continuaram rejeitando o seu legítimo herdeiro, Temer, o que mostra o grande consenso popular, e não a divisão radical da sociedade.  A imensa maioria busca a mesma coisa: menos desgoverno, menos politicagem, menos privilégios, menos incompetência, menos roubalheira.

Guilhon “Rumo ao Havre e ao doutorado Na Université Catholique de Louvain, em Leuven, Bélgica, em 1965”. Foto: Arquivo Pessoal
N – O senhor atribui a enorme impopularidade do presidente Michel Temer à revelação de sua conversa muito pouco republicana na garagem do Palácio do Jaburu com o marchante goiano, que virou titã da produção e comercialização da proteína mundial da noite para o dia, Joesley Batista, e à consequente compra de apoio na Câmara dos Deputados para impedir a abertura de inquérito criminal contra o chefe do Executivo?
G – Creio que se trata de três mecanismos causais, não necessariamente independentes, que contribuem para isso: entre os 80% da base de sustentação do governo Dilma, a maioria tinha interesse em chantagear a Presidência, enfraquecer o novo presidente impedindo o sucesso de seu programa de liberalização da economia e austeridade do gasto público. Os tucanos se superaram, formulando uma nova política para o novo governo, fornecendo alguns de seus melhores quadros para dele participarem e votando contra todos os seus próprios projetos.
Temer tentou empenhar-se em medidas impopulares, sem apoio programático em sua própria base e sem dar resposta à indignação popular, quando poderia combinar até duas hipóteses, mas não todas as três. Por cima, escolheu a pior combinação, virou de costas para a indignação popular e adotou medidas impopulares.
Joesley Batista foi a gota d’água provocada pela revolta das corporações privilegiadas contra a ameaça de perda de suas prerrogativas e prebendas, que Temer jamais teria a coragem de efetuar. Se não fosse Joesley, as corporações investigativas e judiciárias teriam fabricado outra opção, com a generosa contribuição do próprio Temer.
N – No começo de 2018, havia certa esperança no ar de uma eleição presidencial que permitisse ao eleitor encontrar um jeito de dar um drible da vaca nos chefões partidários e escolher alguém para a sucessão do breve Temer. Esse movimento sub-reptício foi contra a reeleição dos praticantes da velha política, que, em resposta, recusaram a possibilidade de candidaturas avulsas e outras fórmulas institucionais para o povo assumir, de fato, o poder que dele emana de acordo com a Constituição. Mas os chefões das organizações partidárias obstruíram todas essas saídas. O senhor diria que subestimaram a astúcia do povo, imaginando que cumpririam sua tarefa de manter o status quo,impedindo candidaturas rebeldes dentro de suas condições de luta pela impunidade e manutenção do foro privilegiado?
G – Subestimaram, sim, mas também sobrestimaram a capacidade dos aventureiros para enfrentar o segundo maior desafio da política, a campanha eleitoral, atrás apenas do desafio de conter a cobiça dos grandes sem ofender demasiado o povo. O establishment perdeu tempo demais com a tentativa de travestir magnatas e saltimbancos em candidatos, e todos deram chabu. Quando veio a hora de apelar para a virtude dos candidatos já dados por inviáveis, mas em plena campanha, já foi tarde.
Para ver balanço de 2016 por Guilhon com Gamberini no Jornal da Gazeta clique aqui
N – Em que momento e circunstâncias, segundo sua visão, o deputado federal e capitão Jair Bolsonaro, do baixíssimo clero da Câmara, conseguiu com seu partideco de direita, menos de R$ 2 milhões para gastar na campanha, 400 vezes menos do que Dilma e Temer empregaram em 2014, sem participar de debates nos meios de comunicação nem da campanha após ser esfaqueado, com apenas oito segundos no horário obrigatório dos partidos no rádio e na televisão, conquistar as mentes e os corações dos cidadãos brasileiros cansados dos desgovernos do PT, seus aliados e seus adversários da velha política?
G – A prova de que Bolsonaro não conquistou corações e mentes do povo brasileiro é que foi eleito por uns 30% da população, e menos de 40% do eleitorado, tendo a soma dos ausentes, votos em branco e nulos em segundo lugar e Haddad em último.

Guilhon, comendador da Ordem de Rio Branco, é pesquisador sênior no Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP. Foto: Acervo pessoal
N – Qual foi o motivo de esse mesmo Bolsonaro haver se livrado de sua pecha de admirador de torturador e pretenso candidato a um golpe militar ter convencido brasileiros desiludidos com a falácia e a desfaçatez do neopopulismo de rapina do PT, mas também nada propensos a abraçarem uma causa autoritária e militarista para alcançar a marca espetacular de quase 58 milhões de votos, esmagando o adversário Lula, representado na eleição por Fernando Haddad?
G – É que ele foi o único que, em vez de dizer “vou fazer o mesmo de sempre, só que melhor, mais bonito ou mais radical”, disse que ia acabar com tudo o que, em cinco anos de indignação popular, não mereceu resposta da elite política.
N – Que feridas dolorosas produzirão cicatrizes marcantes na alma da democracia brasileira com esta bipolarização radical e violenta com que a disputa entre o capitão e o ladrão maculou a disputa eleitoral, dificultando o processo de amadurecimento e crescimento de nossa democracia num pleito, apesar dos pesares, pacífico, ordeiro e, sobretudo, muito legítimo?
G – A população não me parece radicalmente polarizada, as campanhas é que se empenharam em deixá-las sem opção, e as evidências são de que, entre os 80% que rejeitaram Dilma e os 80% que rejeitaram Temer, a grande maioria compartilhou ambas as rejeições. Se e quando ficar evidente que a missão assumida por Bolsonaro é inviável sem mudanças radicais em seu modus operandi, a revolta vai voltar a se manifestar.
N – O senhor acredita que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, terá condições, talento e disposição para enfrentar a tarefa ingente de reduzir o desemprego, debelar a crise econômica, financeira, política e ética e reconstruir o Brasil do desastre dos últimos anos, apesar da chantagem e da sabotagem de seus adversários, principalmente do PT, e não apenas dele, mas também da vetusta máfia política encastelada desde sempre no poder e, enfim, cumprir suas promessas para atender às ambiciosas expectativas de seus eleitores fiéis e fanáticos e também da massa de antipetistas sem os quais ele não teria vencido?
G – Nenhuma das acima citadas. Uma nota: nos maiores eleitorados brasileiros, como São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul, o antipetismo não explica nada.

Damares Alves, a ministra alucinada.


Inúmeros blogs, órgãos da grande mídia e incontáveis comentários trataram do assunto “Damares” como uma grande piada. Damares, prestes a se suicidar aos seis anos de idade por ter sido estuprada, afirma que viu Jesus o qual subiu na goiabeira onde ela se encarapitara, a abraçou e impediu que se suicidasse.
Damares virou piada geral.
Onde já se viu alguém dizer que viu Jesus? O próprio Jesus?
Acho que tenho a obrigação de contribuir com estes comediantes que acharam hilária a visão da Damares, lembrando outras personagens que fizeram o mesmo tipo de afirmação, que viram Jesus ou o próprio Deus.
A bíblia poderia servir de fonte de pesquisa sobre videntes de Deus que encheriam páginas e mais páginas o que inviabilizaria este comentário, mas alguns podem ser citados.
Moisés viu Deus em uma árvore. Não uma goiabeira. A sarça ardente. Isaías até viajou num carro de fogo. Jacó diz que lutou com um anjo que mudou seu nome para Israel. Ezequiel viu a glória de Deus na forma de um carro voador, o qual, pela descrição, lembra perfeitamente um OVNI. Paulo de Tarso viu Jesus no caminho de Damasco, Pedro o reviu quando fugia de Roma fato que gerou o livro e o filme Quo Vadis, os apóstolos o viram no cenáculo depois de morto, Madalena o encontrou junto ao túmulo.  João, que alguns afirmam ter sido o apóstolo evangelista, no Apocalipse conta o que lhe foi revelado pelo próprio Jesus a respeito dos fatos que viriam a acontecer nos últimos dias. A lista poderia se estender indefinidamente.
Mais modernamente inúmeras personalidades afirmam ter visto Jesus ou Deus pessoalmente e, entre tantos, podemos lembrar de Joseph Smidt, pai da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dias (Mormon) que viu Deus na floresta o qual lhe indicou, através do anjo Moroni, a localização das placas de ouro que traduziu e transformou no Livro dos Mormons. A lista moderna também é infinita.
Espero ter contribuído com um bom material para a grande mídia e seus blogs periféricos se deliciarem fazendo piada sobre todos estes personagens, malucos, com toda a certeza.
Aproveito para deixar apenas uma pergunta no ar: Será que estes personagens não foram até hoje ridicularizados pelos grandes órgãos de comunicação brasileiros por que, no seu tempo, Bolsonaro ainda não tinha sido eleito?

- O autor é CEO da Jacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre,
www.fjacques.com.br -  fabio@fjacques.com.br


Artigo, Fábio Jacques - Escola sem partido. Um pesadelo para a esquerda brasileira.


Tenho acompanhado o desenrolar das discussões sobre o projeto de lei “Escola sem Partido” e fico abismado com a radicalização por parte da esquerda brasileira a respeito do assunto.
O quê há de tão tenebroso neste projeto? Será que realmente atenta contra a democracia como defendem todos os partidos de esquerda?
Assisto aos comentários na televisão de expoentes do jornalismo como Ricardo Boechat que considera o projeto uma palhaçada como já afirmou diversas vezes em seu comentário na Band News. Esta qualificação do projeto por parte do Boechat se repetiu ainda ontem, 12 de dezembro em seu comentário matinal. Assisti também os debates no parlamento e no STF onde parlamentares e juízes da suprema corte consideraram uma violação da liberdade de cátedra o Escola sem Partido.
Lanço um desafio a estes especialistas e autoridades: peçam a um de seus filhos vestir uma camiseta com a estampa do Bolsonaro ou do Trump e tentem entrar incógnitos em uma universidade no Rio, em São Paulo, em Porto Alegre ou em Florianópolis para escolher apenas alguns de nossos centros universitários. Se não forem escorraçados pelos batalhões de seguidores do PT, do PCdoB e principalmente do PSOL, dou o braço a torcer. Os inúmeros vídeos que pululam na internet provam o contrário: quem não é de esquerda não entra. O cidadão não esquerdista tornou-se “persona non grata” nos ambientes acadêmicos.
Exposições sobre os crimes do nazismo ou da “ditatura militar brasileira” são comuns e corriqueiras, mas se o tema for os crimes do comunismo, a miséria dos países socialistas não há a menor chance de se concretizar. Não são admitidos.
Apresentar os terroristas dos anos 60, 70 e 80 como heróis nacionais pode. Apresentar os militares como torturadores, pode. Mas apresentar os vídeos de muitos ex terroristas como Fernando Gabera ou Eduardo Jorge que falam que o objetivo da luta armada era implantar a ditadura comunista no Brasil, não pode. Eduardo Jorge chega a afirmar que teriam sido muito mais violentos do que os militares foram.
Enquanto isto, semianalfabetos chegam às portas das universidades e por elas passam em função do sistema de aprovação compulsória inundando o mercado de trabalho de jovens incapacitados em ciências, mas especialistas em ideologia.
Suponhamos que Bolsonaro conseguisse alterar a lei que permite a liberdade universitária e, desalojando os partidos de esquerda que tomaram conta destas entidades, colocasse professores que pregassem temas voltados para as ideologias de direita ou até mesmo de extrema direita. Será que os esquerdistas continuariam a combater o Escola sem Partido ou mudariam radicalmente de posição e passariam a defende-lo com unhas e dentes? O que fariam se os cartazes de “Lula livre” ou de apoio aos governos de Cuba e da Venezuela fossem substituídos por outros com dísticos como “America First’ ou “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”? Será que Boechat iria tão ferrenhamente defender a liberdade de cátedra ou viraria apoiador do Escola sem Partido?
Resumindo, o Escola sem Partido não presta porque tenta cercear o proselitismo da esquerda. Provavelmente, em se mudando a atual ideologia dominante nas universidades, ocorreria uma troca de papeis e os mocinhos passariam a ser os bandidos e vice-versa.
Enquanto isto o Brasil continua ocupando os últimos lugares no ranking da educação e em lugares equivalentes no ranking da produtividade mundial.
O autor é CEO da Jacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre,
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Sem surpresas, Copom decidiu pela manutenção da Selic em 6,5%, sinalizando estabilidade da taxa nos próximos meses


O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 6,50%, em linha com o esperado. No comunicado divulgado após a decisão, o colegiado ressaltou que as medidas de inflação subjacente se encontram em níveis “apropriados ou confortáveis” (nos documentos anteriores a avaliação era apenas de níveis “apropriados” apenas), e reavaliou o balanço de riscos de seu cenário básico para a inflação. As projeções apontadas no comunicado indicam variações de inflação menores do que as vigentes na reunião anterior e abaixo do centro da meta até 2019, atingindo o centro apenas em 2020. Ou seja, o quadro é benigno para a variação de preços no médio prazo. Na avaliação internacional, a visão é a de que o cenário segue desafiador para as economias emergentes, tendo como principais riscos a normalização das taxas de juros de economias avançadas e as incertezas em relação ao comércio global.

Considerando o cenário de mercado do Focus, o IPCA previsto para 2018 está em 3,7% (Selic de 6,5% e câmbio final de R$/US$ 3,78), em 3,9% para 2019 (juro de 7,5% e câmbio final de R$/US$ 3,80) e em 3,6% para 2020 (taxa básica de 8,0% e câmbio de R$/US$ 3,80). No encontro anterior, em outubro, tais projeções eram 4,4% e 4,2% e 3,7%, respectivamente, para os três períodos. Já no cenário com Selic constante no atual patamar e câmbio estável em R$/US$ 3,85 (nível médio da semana anterior à reunião), as previsões de inflação ficaram “em torno” de 3,7% para 2018, e 4,0% para 2019 e 2020. Cabe destacar que essas estimativas estão abaixo ou no centro das metas deste ano e dos dois próximos, respectivamente, em 4,50%, 4,25% e 4,0%.

Ainda segundo o comunicado, houve melhora no balanço de riscos desde a última reunião, com arrefecimento dos riscos altistas associados ao prêmio de risco e à expectativa de continuidade de reformas, e elevação do risco baixista ligado à ociosidade da economia. Ademais, o Comitê apontou que o cenário prescreve política monetária estimulativa, suprimindo o “ainda prescreve” encontrado nos documentos anteriores. O documento também suprimiu o trecho anterior que indicava que uma redução dos estímulos monetários seria condicional ao cenário prospectivo para a inflação.  À luz do cenário básico, sem novos choques que alterem o balanço de riscos prospectivo para a inflação, e da sinalização apontada pelo Copom, a Selic ficará estável ao longo de todo o primeiro semestre de 2019, com altas em ritmo gradual a partir do segundo semestre, alcançando 7,25% no final do próximo ano

Artigo, Mário Ghanna, procurador federal - O COAF só surgiu agora para infernizar Flávio Bolsonaro ?


- O título é edição deste blog.

Qual a real função do COAF
Onde estava o COAF nos casos denominados de mensalão e petrolão
Onde estava o COAF no mensalão e petrolão?
Bom, o COAF atuou diretamente nessas investigações e tem sido um braço importante em toda operação 'Lava Jato".
Até agora apresentou cerca de 300 relatórios para essas operações somadas. Ou seja, o COAF estava fazendo seu trabalho, como está fazendo agora.
Mas vale esclarecer:
- O COAF não é órgão de investigação, é órgão de inteligência. A investigação agora compete ao MPF/PF e demais envolvidos. 
- Movimentação financeira não significa corrupção ou lavagem. É até comum pessoas que fazem negócios terem movimentação financeira incompatível com renda. Mas o fato precisa ser investigado e esclarecido. E essa tese de defesa é tosca.
Por outro lado, um aspecto interessante do evento “motorista” é poder observar que muitos artistas que estavam com uma suposta “crise de criatividade” e permaneceram omissos nos últimos 16 anos regressaram e voltaram a se preocupar com o Brasil.
Sejam bem-vindos.

SOBRE MARIO GHANNA
É Procurador da República, músico e compositor. Concorreu ao Grammy Latino, prêmio Multishow de música, prêmio de Música Catarinense e conquistou a estatueta de ‘Melhor Álbum Latino’ e ‘Melhor Artista Latino”, no The Akademia Music Awards, prêmio americano voltado à música independente.

Artigo, Antônio Augusto Mayer dos Santos - Inspecionar a cela de Lula ? Para quê ?


- O nome original do artigo é "Inspeção prisional ? Para quê ?

  A juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, indeferiu um pedido manifestamente infundado subscrito pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal para inspecionar, mais uma vez, a cela do ex-presidente encarcerado.
  No seu despacho, a magistrada salientou que a pretensão de suas excelências aparentava “operar-se em desvio de finalidade, cuidando-se, em verdade, de visita meramente protocolar ou social”. Noutro trecho, a juíza referiu que na ausência de qualquer denúncia de ofensa a direitos humanos em relação ao condenado, o pedido causava “estranheza”. Por fim, para fulminar o convescote, a juíza salientou que “O único preso a ser avaliado já conta com defesa composta por grande número de advogados, com acesso bastante frequente ao local de custódia. O mesmo preso recebe visitas familiares e sociais semanais (inclusive de integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal), além de atendimento médico, não sendo reportada qualquer anormalidade”.

Foi o que bastou para uma turba de sites e blogueiros tatuados pelo déficit civilizatório irrogar ofensas à sentenciante. Incansáveis nas suas expressões de sarjeta, esses rebotalhos virtuais sistematicamente ignoram que o respeito ainda é uma premissa elementar de convivência humana. Não se contentando em perpetuar seu barulho digital enfadonho, infantilizado e quase sempre nocauteando o vernáculo, os ataques perpetrados mais uma vez trombetearam sandices e heresias jurídicas.

Sobre os parlamentares “indignados” pelos efeitos da irrepreensível decisão judicial, vale ressaltar que dois pontos comuns os identificam. O primeiro é que daqui a pouco mais de um mês a maioria integrará um pelotão de ex-senadores, sendo que alguns foram desterrados pelos eleitores, outros por seus próprios partidos e um punhado eleito para atuar em Executivos. O segundo é que o desempenho legislativo da maioria é de uma inexpressão aviltante capaz de indignar o mais humilde dos contribuintes.

Especificamente no que concerne à defenestrada “inspeção”, implicava a mesma numa afronta a diversos preceitos de ordem pública. Afinal, forçar comitivas inúteis, além de causar um tumulto sem precedentes na história do Direito Penitenciário brasileiro e na própria superintendência policial, é um desperdício de recursos públicos que, embora permanentemente escassos, seguem sendo financiados diuturnamente pelos trabalhadores e pela sociedade produtiva.

Resumo da ópera: um ato ocioso e impulsionado por subterfúgios restou legalmente frustrado. E o tom do recado dado foi certeiro: uma comissão do Senado Federal não pode superestimar seu poder de fiscalizar arvorando-se das competências do Poder Judiciário e dos órgãos dotados de atribuições para manter as garantias de presidiários. Em verdade, esta comissão fogo de palha seria útil ao país se se preocupasse em inspecionar a falta de tratamento sanitário ou as filas dos hospitais e postos de saúde, situações inocultáveis que infernizam parte da vida de milhões de brasileiros.

   * *Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado e professor de Direito Eleitoral.