TRF4 anula sentença em processo da Operação Fidúcia

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anulou ontem (13/11), por unanimidade, sentença da 13ª Vara Federal de Curitiba que condenou sete réus na Operação Fidúcia, deflagrada em março de 2015, que apurou desvio de dinheiro público por meio de OSCIPS (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) no Paraná.
Os réus apelaram ao tribunal e o relator, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, entendeu que além de ter havido interceptação telefônica sem autorização judicial, em algumas conversas gravadas legalmente “não se tem a certeza necessária acerca da credibilidade do material colhido”. 
“Havendo dúvida quanto à integridade da prova e a possibilidade de manipulação dos dados obtidos - dúvida esta corroborada pelo fato da magistrada ter determinado a abertura de inquérito policial para esclarecer tal possibilidade -, o melhor caminho a ser trilhado, a fim de evitar futuras nulidades, é a realização de perícia judicial no material colhido, ou esclarecimento técnico específico, bem como enfrentamento da matéria por ocasião de futura sentença”, concluiu Gebran.
O desembargador federal Leandro Paulsen, revisor do processo, reforçou sua decisão observando que a juíza federal Gabriela Hardt, responsável pela sentença, teria se apropriado dos fundamentos constantes nas alegações finais do Ministério Público Federal (MPF) como se fossem seus, o que também seria causa de anulação da sentença.
“Como se pode constatar da leitura da sentença, quando da análise da autoria referente à apelante Keli, por exemplo, de fato a sentença apropriou-se ipsis litteris dos fundamentos constantes nas alegações finais do MPF, sem fazer qualquer referência de que os estava adotando como razões de decidir, trazendo como se fossem seus os argumentos, o que não se pode admitir”, afirmou o desembargador. 
São réus nesse processo Rita Maria Schimidt, Cláudia Aparecida Gali, Paulo Cesar Martins, Clarice Lourenço Theriba, Keli Cristina de Souza Gali Guimarães, Inês Aparecida Machado, Samir Fouani e Giovani Maffini.
Dessa forma, a sentença fica anulada e os autos voltam para a 13ª Vara Federal de Curitiba para realização de perícia e esclarecimento técnico

Propostas


AS PROPOSTAS DA REFORMA ESTRUTURAL DO ESTADO

O conjunto de propostas pode ser dividido em três grupos:

Contenção do crescimento das despesas de pessoal, com alterações que se relacionam transversalmente com as categorias como um todo, além de uma reforma nos Estatutos do Magistério e da Brigada Militar, categorias que concentram a maior parte dos servidores
Reforma do sistema previdenciário estadual, adequando as regras recém aprovadas pelo Congresso
Modernização da legislação de recursos humanos, visando maior eficiência na gestão.
Para encaminhar as mudanças à Assembleia, o governo do Estado dividiu a Reforma Estrutural em oito peças legislativas:

– Uma proposta de emenda constitucional (PEC)

– Um projeto de lei (PL)

– Seis projetos de lei complementares (PLCs).

OS PRINCIPAIS PONTOS DE CADA PROPOSTA:

1 – PEC QUE ATUALIZA REGRAS PREVIDENCIÁRIAS E ALTERA CARREIRAS DOS SERVIDORES

A proposta inclui dispositivos que podem ser divididos em três campos:

- Previdência: promove a adequação às novas normas aprovadas na reforma da Previdência nacional (EC 103/2019). Com isso, as idades mínimas de aposentadoria dos servidores estaduais passam a ser de 62 anos às mulheres e de 65 anos aos homens, obedecendo a exceções que se enquadram nas regras transitórias ou que sejam contempladas com critérios diferenciados (como militares e professores).

- Contenção de gastos com pessoal: propõe a atualização do escopo legal para reduzir o crescimento vegetativo sobre os gastos com o funcionalismo. Para isso, extingue os avanços temporais, os adicionais e as gratificações por tempo de serviço, assim como as promoções automáticas e a incorporação das funções para a aposentadoria, mantendo inalterado o direito adquirido sobre valores incorporados ao pagamento dos servidores.

- Benefícios para quem ganha menos:  a proposta atualiza questões ligadas aos menores salários do funcionalismo. Assim, propõe restringir o abono família a servidores que recebem até R$ 3 mil, ampliando o benefício de R$ 44,41 por filho (ou R$ 133,23, quando dependente inválido ou especial) para R$ 120 por filho (ou R$ 195, no caso de dependentes especiais). Para quem recebe acima de R$ 3 mil, fica aplicado um desconto de 13,5%. A proposta também busca introduzir à Constituição Estadual algumas situações já consolidadas pela jurisprudência, como o pagamento de insalubridade para o Corpo de Bombeiros e o adicional noturno aos soldados da Brigada Militar, ambas as situações já contempladas com o pagamento do Risco de Vida, que é em valor mais significativo. O texto ainda busca um novo tratamento à licença para mandato classista, situações em que o Estado assegurará o pagamento da remuneração do cargo (sem gratificações relacionadas e/ou função de confiança).

2 – PLC ESTATUTO DOS CIVIS

O projeto introduz mudanças e novas regras específicas no Estatuto dos servidores civis, entre as quais estão as seguintes:

- Férias em três períodos: permitirá que o servidor possa dividir suas férias em até três períodos (hoje são permitidos dois períodos) e sem a exigência de período mínimo (hoje é de dez dias).

- Teletrabalho: passa a permitir a modalidade que, além de contribuir com o bem-estar do servidor, também gera economia aos cofres públicos (redução de custos com infraestrutura), desde que asseguradas metas de produtividade.

- Vale-refeição: a proposta isenta os servidores do desconto de 6% para o benefício daqueles que têm remuneração de até R$ 2.250.

- Horas extras (banco de horas): permitirá ao servidor optar por receber o valor proporcional da hora extra ou compensar por dias de folga, conforme regulamentação que será editada.

- Perícia médica: desburocratiza os processos nesta área; por exemplo, dispensa a gestante de se submeter à inspeção médica para entrar em licença.

- Gratificação de permanência: propõe reduzir para 10% sobre o vencimento básico as atuais gratificações pagas como forma de incentivo a servidores aptos a se aposentar para que permaneçam na ativa.

- Incorporação da Função Gratificada: extingue a possibilidade de nova incorporação das Funções de Confiança, sem atingir as incorporações já existentes.

- Remuneração de Servidor Preso: não terá mais direito a salário no período em que estiver detido.

- Licença aposentadoria: modifica a norma constitucional que hoje dispõe que o servidor, após 30 dias do pedido de aposentadoria, entra automaticamente em licença, para que a lei regulamente a matéria sem haver a licença automática.

3 – PLC ESTATUTO DOS MILITARES

Parte das mudanças propostas aos servidores civis, como as no desconto do vale-refeição, a possibilidade de divisão das férias em três períodos, a concessão do Abono Família para os menores salários e as novas regras para o trabalho extraordinário, também se aplica aos militares. Seguindo a diretriz aplicada às demais categorias, impede-se a nova incorporação de Funções de Confiança, mantidos os valores já incorporados.

Alterações específicas à Brigada Militar incluem subsídio aos militares, com a correspondente extinção do Abono de Incentivo à Permanência no Serviço Ativo (Aipsa) e estabelecimento do Abono Permanência. A proposta também prevê que o tempo mínimo de serviço suba para 35 anos de serviço, dos quais 30, no mínimo, sejam de efetiva atividade policial.

4 – PL ESTATUTO DO MAGISTÉRIO

Assim como outras carreiras do serviço público, a renumeração do professor será na modalidade de subsídio, que será fixado para a carga de 20 horas e 40 horas semanais. No caso de regimes menores, o subsídio será calculado de maneira proporcional (valor da hora). Com isso, o Estado buscará atender à Lei do Piso do Magistério, o que permitirá maior previsibilidade e segurança jurídica.

A reforma cria condições para uma política de incentivos à qualificação dos professores ao agrupar em cinco níveis de progressão. A alteração propõe novo modelo de estrutura de níveis de habilitação, conforme o nível de formação dos professores (nível médio, licenciatura curta, graduação, especialização, mestrado e doutorado). Embora resulte em uma mudança profunda no conceito remuneratório da categoria, não haverá perdas. Houve a precaução de se formular regras de transição para as gratificações extintas, com a criação de uma parcela autônoma em valor equivalente à diferença entre o subsídio e o salário que o professor efetivamente recebe atualmente.

Também propõe-se a revogação de todos os dispositivos que tratam de novas vantagens temporais.

5 – PLC PREVIDÊNCIA DOS CIVIS

Ao adequar as normas previdenciárias estaduais às federais, uma das principais alterações propostas diz respeito à adoção de alíquotas progressivas para regimes deficitários de acordo com o valor da Base de Contribuição. Facultou também, para inativos e pensionistas, alíquota de contribuição nos proventos acima de um salário mínimo enquanto perdurar o déficit atuarial. A proposta do RS prevê alíquotas dos atuais 14% até 18%, conforme o valor dos salários, para ativos, inativos e pensionistas.

Propõe alterações, ainda, em idades mínimas para aposentadorias (62 anos, se mulher, e 65 anos, se homem), tempo de serviço, tempo de contribuição, regras para cálculos e reajuste de benefícios de aposentadoria e pensão por morte, regras de acumulação de pensões. Estão contempladas regras de transição e garantiu-se a observância do direito adquirido.

6 – PLC PREVIDÊNCIA DOS MILITARES

O projeto altera disposições da Lei Complementar N° 10.990, de 18 de agosto de 1997, a respeito da transferência para a reserva remunerada do servidor militar que tenha preenchido os requisitos legais de tempo de contribuição. Em relação à transferência “ex-officio” (obrigatória) para a reserva, ela ocorrerá quando atingir 67 anos ou quando atingir 40 anos de serviço, para oficiais, e 63 anos, para praças.

Além disso, é previsto o pagamento de abono de incentivo à permanência no serviço, no valor equivalente a 30% da remuneração do posto ou graduação, para o militar estadual da carreira de nível médio que já tenha cumprido as exigências para a inatividade voluntária e que opte por continuar na atividade, desde que seja conveniente para o serviço público militar.

7 – PLC POLÍCIA CIVIL E SUSEPE

A proposta se alinha com a EC 103, de 2019, alterando as idades mínimas e de tempo de contribuição para os servidores públicos civis estaduais. Adiciona ainda as demais regras de aposentadoria especial.

O projeto trata das regras de aposentadoria no tocante à integralidade e à paridade dos policiais civis e dos agentes penitenciários que ingressaram no serviço público antes de 2015.

De acordo com a Lei Complementar Nº 51, de 1985, o policial civil que tiver ingressado na carreira ou em quaisquer das carreiras das polícias militares, dos corpos de bombeiros militares, de agente penitenciário ou socioeducativo poderá se aposentar ao atingir a idade mínima de 55 anos, para ambos os sexos.

Os servidores poderão se aposentar aos 52 anos (mulher) e aos 53 anos (homem), desde que cumprido o período adicional de contribuição correspondente ao tempo que faltaria para atingir o tempo de contribuição previsto na Lei Complementar Nº 51, de 1985.

8 – PLC INSTITUTO-GERAL DE PERÍCIAS (IGP)

Estabelecer modalidade de pagamento por subsídio, alinhando sistemática com as demais áreas da Segurança Pública. O projeto define que a remuneração mensal dos servidores do Instituto-Geral de Perícias passa a ser na forma de subsídio, fixado em parcela única, nos termos dos § 4º do art. 39 da Constituição Federal.

Aos servidores que tiverem decréscimo remuneratório em decorrência da aplicação da modalidade de pagamento por subsídio é assegurada a percepção de parcela autônoma de irredutibilidade.

Artigo, Astor Wartchow, especial para este blog - Bonde do destino


- O autor é advogado no RS.

                Prevendo os reflexos colaterais e temerários da decisão do Supremo Tribunal Federal (que garantiu as solturas prisionais atuais e futuras), o presidente Toffoli enviou proposta ao Congresso Nacional sugerindo a interrupção da prescrição enquanto tramitarem os respectivos recursos.
                Ainda que solução intermediária e razoável, não impedirá, entretanto, que o condenado requerente fique livre da prisão anos e anos, face o volume de criativos recursos que se sucederão e a histórica morosidade do judiciário.
                Legislar sobre prescrição parece ser a única solução imediata para minorar os efeitos negativos. Isto porque a presunção de inocência é cláusula pétrea da Constituição Federal, só modificável (de modo restritivo) via nova constituinte. Ou seja, atualmente a cláusula se sobrepõe a qualquer proposta de emenda constitucional modificativa (PEC).
                Há um outro e anterior complicador. Se mais de cento e cinquenta parlamentares têm "judicialmente o rabo preso", e que somados ao conjunto dos partidos e parlamentares simpáticos aos políticos e empresários presos (por motivos óbvios), como alcançar 3/5 dos votos em dois turnos no Senado e na Câmara dos Deputados?
                Ademais, se ocorrer a aprovação de uma PEC que permita a prisão após decisão em segunda instância (minorando a cláusula de presunção de inocência), e recorrida a questão ao STF atual (!), este afirmaria sua inconstitucionalidade, com certeza. Com base na imutabilidade da cláusula pétrea via emenda parlamentar. Ou seja, a PEC, se nascer, nasce morta!
                Assim sendo, cabe refletir sobre uma questão inadiável. Esta cláusula (uma garantia individual) se sobrepõe a qualquer lei modificativa que pretenda a supremacia dos direitos coletivos e do interesse social?
                Na defesa do interesse social (prisão de criminosos, por exemplo), cabe recordar que na fase preliminar e investigativa os processos judiciais correm em favor da sociedade, com base no conceito de “in dubio pro societate”.
                Contrariamente, na fase de julgamento e sentença, mantidas as dúvidas de autoria e responsabilidade, a decisão corre em favor do acusado. “In dubio pro reo”, se diz!
                Mas, se após duas condenações (!), em primeira e segunda instâncias, e sem registros de cerceamento de defesa, caberia ainda decisão em favor do réu?
                Acredito que não. A partir deste momento, creio que a decisão deveria voltar a ser em favor da sociedade e na garantia da credibilidade e segurança do sistema judicial.
                Detalhe. Sem deixar de reconhecer o previsto direito individual aos recursos especial e extraordinário, e mantida a hipótese de presunção de inocência, o já sentenciado poderia recorrer às demais instâncias superiores. Porém, aguardaria o resultado dos seus recursos preso!
                Face seu histórico de intensa e prolongada dedicação partidária e discutível formação acadêmica, o ingresso e atuação de Toffoli no STF sempre estiveram sob críticas.   Agora, teve a oportunidade de “ficar maior” do que quando entrara. Entretanto, com seu voto de minerva “ficou menor”. Perdeu o bonde do destino!

Artigo. J.J. Camargo,Zero Hora - O sonho fraudado


Quando se faz o inventário dos 100 anos da Revolução Russa, que incendiou o coração da juventude no mundo inteiro porque se baseava no poder retomado pelo povo que desbancara a aristocracia czarista, egoísta e alienada, percebe-se que as nações que provaram da poção milagrosa se dividem, muitas décadas depois, em os decepcionados, os arrependidos e os fanáticos.
Atualmente, a presença de um militante dessa causa perdida em países mais desenvolvidos é vista com a curiosidade com que se inspeciona uma peça que resistiu ao incêndio do museu. Nos países pobres, onde eles ainda desfilam com uma empáfia difícil de explicar, está a maioria dos sobreviventes desta autoflagelação, e ali se encontram os deprimidos em tratamento, e os incuráveis, ou seja, os fanáticos que envelheceram acreditando e, agora, não têm mais tempo, nem ânimo, para assumir que deu tudo errado.
E como deu! A análise comparativa dos países capitalistas com os que mergulharam na utopia por convicção (poucos) ou foram coagidos (maioria) é constrangedora, pelo menos para os que preservam intacta a capacidade de pensar por conta própria.
Convivi com logo depois que o muro ruiu, e soube, por alemães ocidentais, do esforço de reintegração das duas metades, irmãs na genética e na cor dos olhos, mas completamente diferentes na iniciativa e na paixão pelo trabalho. Logo depois da fusão, o chefe de cirurgia torácica do meu amigo de longa data, recebeu três jovens cirurgiões de Leipzig, e se confessou surpreso quando eles, imediatamente, iniciaram um movimento de reivindicação por melhores condições de trabalho, incluindo bônus por insalubridade, e aumento do valor das horas extras porque, com o sucesso do programa de transplantes naquela instituição, as operações no período da noite, sem tempo previsto para terminar, se tornaram rotina.
O regime de trabalho competitivo, que recolocou a Alemanha entre as nações mais ricas do mundo, apenas 40 anos depois de ter sido completamente destroçada, não combinava em nada com quem se habituara com a previsível acomodação que rege a vida dos que são igualmente remunerados, trabalhando ou protestando.
Quando a mãe Rússia assumiu a inviabilidade do modelo que fracassara depois de ter sacrificado milhões de vítimas inconformadas com a perda da liberdade, a máscara caiu e as chagas ficaram expostas.
O fim começou quando Miklós Németh, primeiro-ministro húngaro à época, foi à Moscou, para rogar a Gorbachev uma ajuda econômica, para restaurar a cerca elétrica que separava a Hungria da Áustria, e que, desmoronando, se transformara numa porta aberta para o ocidente e a liberdade, mas o pedido resultou em negativa sumária. Diante da resposta explícita de que, sem petróleonão tinha como continuar bancando as aparências, todas as barreiras experimentaram o efeito dominó, que levou Cuba de roldão.
Difícil é aturar que certos jovens, aparentemente poupados de descerebração, continuem defendendo uma ideologia sempre imposta com violência, e que fracassou sistematicamente em um século de tentativas.
A queda do Muro de Berlim, um dos acontecimentos mais emblemáticos do século 20, completa 30 anos neste 9 de novembro e, passado este tempo, com cada nação tentando, do seu jeito, se reerguer das ruínas do socialismo utópico, ainda se percebe a flagrante diferença de desenvolvimento que encabula os países do Leste Europeu.
Tudo bem, vamos deixar de fora as ditaduras, que, tolhendo o princípio básico da liberdade, não permitem comparações, até porque quem não entende esta diferença nada mais entenderá.
Feita esta ressalva, respeitar a decepção recatada dos velhos socialistas, que gastaram os anos dourados da juventude perseguindo um modelo ficcional de convivência, é uma questão de generosidade.
Difícil é aturar que certos jovens, aparentemente poupados de descerebração, continuem defendendo uma ideologia sempre imposta com violência, e que fracassou sistematicamente em um século de tentativas, e sigam venezuelando por aí, com ares de originalidade. Se houvesse interesse numa conclamação à racionalidade, a primeira pergunta seria esta: por que será que ninguém jamais arriscou a vida, tentando pular o muro para o lado de lá?

Artigo, Fábio Jacques, especial para este blog - Seremos múltiplos?


Se ninguém sabe explicar como é, me dou o direito de especular a respeito. Gosto de contestar o Princípio da Autoridade e pensar por mim mesmo.
O que é a vida? O que é o espírito? O espírito tem vida própria? Qual a interdependência do corpo com a mente? Será o cérebro um grande computador operado por alguma entidade espiritual?
Ninguém tem respostas definitivas para estas questões, e, portanto, qualquer elucubração sobre o tema permanece válida.
Eu tenho minhas próprias ideias a respeito, e desde já alerto que pouco estudei sobre psicologia e nada sobre psiquiatria. Minha ignorância é praticamente absoluta.
Desconheço a originalidade destas ideias porque nunca pesquisei a respeito, mas me parecem plausíveis e podem explicar muitas coisas até hoje, para mim, obscuras. Se alguém conhecer algum autor que tenha discorrido sobre o tema, por favor me indique.
Vamos lá.
O cérebro humano nada mais é que um processador altamente sofisticado com velocidade de processamento quase infinita e memória capaz de armazenar “zilhões” de informações. Para que funcione, o organismo tem que estar vivo e contar com “alguém” que o comande. A interdependência entre a máquina cérebro e o agente operador é total.
Agora a ideia, talvez um tanto quanto maluca: não há apenas um operador para cada cérebro e sim vários. Não falo de TDI, mas de entidades autônomas. Todos somos habitados por várias entidades. Na verdade, somos múltiplos.
Estes operadores disputam entre si a predominância pelo posto de controlador das ações o que leva a algumas situações peculiares:
Se um destes personagens for muito dominante, os demais não conseguem se manifestar. A pessoa habitada por esta entidade muito forte, sempre apresenta grande poder de decisão, não demonstra ter muita consciência porque nenhuma outra entidade consegue contrapô-la, não tem muitas dúvidas sobre o que faz ou decide fazer. Para ela não existem portas fechadas.
Quando duas ou mais entidades são igualmente dominantes, a pessoa se torna indecisa. Passa noites discutindo consigo mesma, condenando-se por atitudes tomadas e procurando se convencer de que agiu corretamente. Os conflitos de consciência se devem aos embates entre as entidades dominantes que ficam tentando desestabilizar umas às outras para tomar o controle das operações. – Eu não devia ter feito ou dito aquilo. – Agora está feito. – Mas não deveria ter feito. – Mas não dá mais para voltar atrás. – Mas devia ter pensado melhor. E assim por diante.
Quando duas ou mais forem extremamente dominantes, pode-se, eventualmente, observar a passagem do controle de uma para outra manifestando-se nos conflitos conhecidos como múltiplas personalidades. Ora a pessoa age de determinada maneira, ora age de forma completamente diferente. Melanie Goodwin é um exemplo de convivência com múltiplas entidades completamente diferentes entre si, com experiências próprias e até mesmo com idades diferentes.
Há inúmeros casos nos quais algum trauma transforma completamente a pessoa, mudando seu modo de agir ou revelando características completamente desconhecidas.
Derek Amato bateu com a cabeça no fundo de uma piscina e se tornou um grande pianista. Jason Padgett sofreu um golpe na cabeça em um assalto e se transformou em um gênio matemático que visualiza equações matemáticas e fractais em tudo o que olha. Ele tem uma habilidade única de desenhar à mão figuras fractais sofisticadíssimas.
Algumas pessoas simplesmente sofrem um “estalo” e passam a agir de forma diferente e a manifestar características até então desconhecidas.
Algumas vezes, frente a uma situação inusitada, a pessoa pode sofrer um bloqueio ficando como que paralisada em função da disputa entre duas entidades que pensam de forma completamente diferente sobre o tema em questão e que, não chegando a um acordo, paralisam as ações da pessoa.
Eventualmente alguma entidade externa pode passar a fazer parte da coletividade interior assumindo momentaneamente ou até permanentemente o controle das ações. São os casos de incorporações ou de possessões. Dependendo das características da nova entidade dominante, a pessoa pode passar a agir maligna ou benignamente. Às vezes é necessário praticar o ritual do exorcismo para expulsar a entidade estranha. “Como é teu nome, perguntou Jesus, e ele respondeu, meu nome é Legião, porque somos muitos”. Vade retro.
Quando nenhuma das entidades originais é predominante, a pessoa demonstra características de falta de vontade própria. O dominante é fraco, mas os demais são mais fracos ainda.
Em algumas situações é possível perceber a atuação das diferentes entidades. Uma pessoa presa em um elevador pode passar a discutir consigo mesma. Uma entidade diz que a pessoa tem que sair imediatamente do ambiente fechado enquanto outra lembra que ninguém fica eternamente preso em um elevador e que logo alguém o livrará desta situação. Pode até se ouvir uma dizendo: calma, fica frio, logo se resolverá este problema, ao mesmo tempo que outra fica insistindo que o problema é insolúvel e catastrófico.
Quando dramas de consciência assolam a pessoa, se a entidade que se achar com mais razão disser à outra para se calar, o problema se atenua e pode até ser resolvido. Dizer: agora está feito e não adianta querer voltar atrás, portanto, cale-se, pode acabar com a insônia e devolver à pessoa um sono reparador. Popularmente se diria que é ligar o “foda-se”.
Até mesmo os tratados de autoajuda parecem ser tentativas de consolidar a dominância de uma determinada entidade. Convença-se de que você pode, você é forte, você consegue alcançar tudo o que quiser. Você é o cara. Não se deixe levar por “aqueles” que tentam jogá-lo para baixo.
Tudo isto pode ser uma perfeita bobagem fruto apenas de uma mente imaginativa e ignorante, mas se olharmos sem paixão e com a liberdade de quem ousa contestar a autoridade sobre o assunto, pode até fazer algum sentido. E até mesmo apresentar uma explicação mais simples e razoável para inúmeros fenômenos muito discutidos e nunca solucionados.
E, finalmente, resta a pergunta: quem somos nós?
Somos a manifestação de alguma ou de várias destas entidades que são as operadoras do hardware que é o nosso cérebro e que, na sua essência, formam o conjunto daquilo que conhecemos como nós, seres humanos inteligentes, dotados de características peculiares e de vontade própria.
O autor é diretor da FJacques - Gestão através de Ideias Atratoras e autor do livro “Quando a empresa se torna Azul – O poder das grandes Ideias”.
http://www.fjacques.com.br -  mailto:fabio@fjacques.com.br
Whatsapp: 9725 6254


De: Fabio Jacques <fabiofjacques@gmail.com>
Enviada em: terça-feira, 12 de novembro de 2019 12:06
Para: POLIBIO BRAGA <polibioadolfobraga@gmail.com>
Assunto: Seremos múltiplos?

Olá Políbio, bom dia.
Em anexo um texto elucubrativo sobre um tema completamente diferente daqueles sobre os quais tenho escrito.
Estou entrando em uma seara que não é minha especialidade, sobre a qual tenho compilado ideias talvez até próprias, e que para mim fazem sentido. Posso estar dizendo uma grande bobagem ou até pode ser que não esteja dizendo nada de novo.
Gostaria que lesses e, se achares razoável, publique-a.
Deixo ao teu critério, uma vez que deves ter mais conhecimento sobre o tema do que eu.
Abraços.

Biografia do deputado federal constituinte Jorge Uequed será lançada na Feira do Livro de Porto Alegre


Obra conta como foi o enfrentamento à ditadura militar pela via política democrática no Congresso Nacional

Um defensor da democracia e das liberdades individuais. Assim pode ser definido Jorge Uequed, deputado federal gaúcho, cinco vezes eleito pelo Rio Grande do Sul e um dos autores da Constituição Federal de 1988, que tem sua história política contada no livro “Sem ódio e sem medo". O lançamento da obra acontece na próxima terça-feira (12), no Pavilhão de Autógrafos da 65ª Feira do Livro de Porto Alegre, às 17h30.

O livro escrito pelo historiador Douglas Souza Angeli traz um retrato de 65 anos de vida pública de Uequed, que ainda é advogado, jornalista e já foi professor. Conhecido pela luta contra a ditadura militar, Uequed foi deputado federal entre 1975 e 1993, sendo o primeiro representante de Canoas eleito para uma cadeira na Câmara dos Deputados. Uequed ainda foi vereador de Canoas aos 26 anos e exerceu dois mandatos, entre 1969 e 1974, em que cumpriu o papel de líder da oposição.

Ao longo dos mandatos, apresentou 94 projetos de lei, além de emendas, pareceres, projeto de resolução e projeto de decreto legislativo. Destacam-se os projetos de Anistia geral e irrestrita, do Seguro-Desemprego, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o projeto de lei que tornou permanente o registro provisório de estrangeiros no Brasil.

Uequed também apresentou projetos para retirar da Área de Segurança Nacional os municípios de Canoas, Osório, Tramandaí e Rio Grande, entre 1975 e 1983, objetivando devolver aos cidadãos o direito de eleger seus prefeitos, após período de interventores indicados pela ditadura militar. “O gosto pela política nasceu no movimento estudantil, quando eu tinha 12 anos. Ao lembrar da minha trajetória política, sinto-me realizado em poder contribuir para a manutenção da vida democrática no país”, ressalta o ex-deputado. 

Sobre o livro, Uequed afirma que é “uma modesta contribuição para as novas gerações, no sentido de que a participação na construção da paz e das liberdades exige que cada um cumpra o seu dever”. Para o autor da obra, o que mais impressiona na biografia de Uequed é a atualidade dos discursos pronunciados por ele em oposição à ditadura, contra a censura, prisões políticas e cassações de mandatos. “Suas falas em favor da democracia e de crítica ao autoritarismo estão assustadoramente atuais”, destaca Angeli.



Pesquisa internacional busca pacientes para avaliar nova terapia contra o câncer de próstata


Hospital Moinhos de Vento faz parte de estudo que reúne mais de 70 centros de todo o mundo

O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, está selecionando pacientes para mais um estudo internacional sobre a imunoterapia, técnica que estimula o organismo a combater células cancerosas. A instituição busca pacientes com câncer de próstata para participar da pesquisa, que reúne 70 centros médicos de excelência em todo o mundo.

Podem participar do estudo (NCT03338790) pacientes com confirmação histológica de adenocarcinoma da próstata, evidência de metástase e que estejam em uso de terapia de privação androgênica (ADT), com um análogo ao hormônio de liberação de gonadotrofina (GnHR) ou orquiectomia bilateral. Pacientes que receberam as medicações abiraterona ou enzalutamida, ou ambas, são elegíveis.

"Trata-se do tipo mais comum de câncer de próstata, que atinge mais de 95% dos pacientes", diz Pedro Isaacsson, Gerente Institucional de Pesquisa do Hospital Moinhos. O trabalho avaliará a utilização do medicamento nivolumabe. A participação no estudo, realizado em parceria com o laboratório Bristol-Myers, não terá custo para os pacientes. Aqueles que forem selecionados contarão com a infraestrutura de ponta da instituição durante todo o processo, para o acompanhamento médico e exames.

Os interessados devem entrar em contato com o Instituto de Educação e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento pelo e-mail mailto:iep.pesquisa@hmv.org.br, ou telefone (51) 3314.2965.

Seleção para estudos sobre câncer de mama

Além da pesquisa sobre o câncer de próstata, o Hospital Moinhos também está selecionando pacientes para avaliar novos tratamentos contra o câncer de mama. Abertos em setembro, os dois estudos investigam os efeitos da imunoterapia sobre a doença, envolvendo 500 centros médicos de todo o mundo.

A primeira frente estuda a combinação da medicação atezolizumabe com a quimioterapia contra o câncer de mama triplo negativo — sem receptores de estrogênio, progesterona e HER2, um dos subtipos mais agressivos, porém altamente curável nos estágios iniciais. Já o segundo levantamento avalia a associação da imunoterapia (pembrolizumabe) no tratamento do câncer mamário com receptores hormonais positivos, tipo bastante comum.

Da mesma forma, não há custo para a participação nas pesquisas, realizadas em parceria com os laboratórios Merck e Roche. Confira os critérios do recrutamento:

Estudo 1 (NCT03498716)
- Câncer de mama triplo negativo operado recentemente (preferencialmente nas últimas quatro semanas)
- Não ter feito quimioterapia pré-operatória
- Ter tumor igual ou com até 2 cm sem linfonodos axilares comprometidos; ou de qualquer tamanho com linfonodos axilares comprometidos
- Não ter metástases à distância

Estudo 2 (NCT03725059)
- Câncer de mama com receptores hormonais positivos de grau III, com diagnóstico recente
- Indicação de quimioterapia pré-operatória (antes da cirurgia)

Novas pesquisas pela frente

Nos próximos meses, o Hospital Moinhos de Vento iniciará o recrutamento de pacientes para outros estudos internacionais, que avaliarão novas medicações para tumores da bexiga, vesícula biliar, pulmão, próstata e rins.

De acordo com Pedro Issacsson, Gerente Institucional de Pesquisa do Moinhos, a participação nesses trabalhos será grande oportunidade para descobrir novas frentes contra a doença. "Estamos ao lado de alguns dos melhores centros de saúde de todo o mundo. Esperamos, com isso, melhorar os desfechos para os pacientes, diminuindo ou eliminando ao máximo as chances de recidivas do câncer", afirma o especialista.



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