Artigo, Samuel Pessôa - A emenda do ajuste

O governo divulgou na semana passada o texto da proposta de emenda à constituição (PEC) que limita o avanço do gasto primário -isto é, o gasto que exclui pagamento de juros- à inflação do ano anterior.
A PEC é uma primeira resposta ao desequilíbrio das contas públicas, que está na origem da crise atual: crescimento real do gasto público de 6% anuais por 20 anos, quando, no mesmo período, a economia cresceu a uma média de pouco menos de 3%. Essa trajetória é insustentável.
Surpreende que alguns considerem que o objetivo da PEC seja destruir a Constituição de 1988. Eles ignoraram que, nos anos que se seguiram à promulgação da Carta, houve grande piora dos indicadores sociais em decorrência da aceleração inflacionária no fim do governo Sarney e no governo Collor.
Apenas após a estabilização da economia, em 1994, assistimos a uma expressiva queda da desigualdade e da extrema pobreza.
A continuar a trajetória de aumento do gasto público acima do crescimento da renda, o endividamento crescente do país resultará em insolvência, na incapacidade do setor público em cumprir suas obrigações e na retomada da inflação crônica nos anos à frente. Nada pior para os indicadores sociais do que estagnação com inflação.
O que se deseja com a PEC, portanto, é o oposto do que alguns apregoam. O objetivo é criar as condições para que o desajuste macroeconômico produzido de 2009 até 2014 não comprometa os ganhos sociais que tivemos até aqui.
Qual é o motivo de a PEC não limitar o gasto com juros?
A taxa neutra de juros é aquela compatível com pleno emprego e baixos níveis de inflação. Por diversas razões nossa taxa neutra é elevada. Caso o governo opte por uma taxa de juros abaixo da taxa neutra, o resultado é o aumento da inflação, que, além de tudo, prejudica o crescimento a médio prazo, além de aumentar a desigualdade.
Aliás, foi exatamente isso que ocorreu quando o Banco Central baixou as taxas de juros significativamente em 2011. A inflação dos preços livres chegou a 15% ao ano, e a economia desacelerou nos anos seguintes.
Para agravar o quadro, com a deterioração fiscal, a taxa neutra aumentou nos últimos anos. Para evitar inflação elevada, precisamos agora de juros ainda maiores do que no fim do governo Lula.
Ao contrário, a boa gestão fiscal na década de 2000, em conjunto com o boom de commodities e diversas reformas institucionais, resultou na progressiva queda da taxa neutra, no maior crescimento econômico e na melhora dos indicadores sociais.
Evidentemente, se a dívida pública crescer muito, o BC perderá a capacidade de utilizar a taxa de juros para controlar a inflação. Atingiremos o ponto conhecido por dominância fiscal e seremos obrigados a aceitar a escalada inflacionária.
Não chegamos lá ainda, mas estamos nos aproximando. Se algo muito drástico não for feito, iremos para lá.
Nossa sociedade já se jogou no abismo inflacionário nos anos 1980 e, desde o começo desta década, começou uma nova queda livre no mesmo precipício. Já contratamos aceleração inflacionária para daqui a quatro ou cinco anos. A PEC é um primeiro passo –de muitos necessários–, representando uma corda que o governo jogou e que a sociedade pode ou não agarrar. Se não agarrar, teremos de conviver novamente com inflação crônica e seus imensos custos sociais. Cabe a nós escolhermos se retornamos aos anos 2000 ou aos anos 1980.

Samuel Pessôa, formado em física e doutor em economia pela USP, é pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. Escreve aos domingos nesta coluna. 

É a ética, estúpido!

É a ética, estúpido!
Ainda que tenhamos aprendido com Maquiavel a ver a política como ela é, não podemos não nos indignar

Geraldo tadeu monteiro, O Gobo

Em 1992, quando George Bush, considerado imbatível pelo sucesso na política externa, foi derrotado por Bill Clinton, que teria se mostrado mais apto a gerir uma economia estagnada, James Carville, assessor-chefe de marketing do democrata, sentenciou: “É a economia, estúpido!”

A partir daí, esta frase foi usada para decretar que, na era pós-ideológica, globalizada, ideais e valores não teriam mais vez, só o bolso. E eis que, pouco mais de 20 anos depois, a política retorna em grande estilo, acompanhada de sua velha parceira, a ética.

Foi a crise do capitalismo financeiro em 2008 que fez ressurgir a necessidade de uma política de valores, fazendo com que se formassem, por todo o mundo, “redes de indignação e esperança”, como Occupy Wall Street e Indignados,que levaram milhares às ruas em protesto contra as políticas de austeridade, a falta de democracia, o cinismo e a arrogância das elites políticas e financeiras em conluio criminoso e reivindicando uma “necessária revolução ética”!

Em 2013, o Brasil assistiria, atônito, à explosão de manifestações que levaram às ruas mais de um milhão de pessoas em luta por mais educação, mais saúde, melhores serviços públicos e contra a falta de representatividade dos partidos e a corrupção na política.

Na base da insatisfação, estavam mais democracia, mais respeito ao cidadão e mais transparência, todos valores éticos. No Brasil e no mundo, hoje, o clamor é pela ética na política.

Mas, diante desse clamor, o que a Operação Lava-Jato pedagogicamente tem nos mostrado é um deprimente espetáculo de cupidez e cinismo de uma classe política que implantou um verdadeiro sistema criminoso na política.

Ainda que tenhamos aprendido com Maquiavel a ver a política como ela é, não podemos não nos indignar com a avidez pelas propinas milionárias, pelos cargos a serem desfrutados por dias ou até horas, pelas comezinhas barganhas por verbas públicas

E tudo embrulhado no mais puro cinismo que proclama: “Sou vítima de perseguição”, “Nada foi provado contra mim” ou pelo malabarismo das maiorias moles que fazem o amigo (ou sócio?) de ontem se tornar o inimigo de hoje.

Apesar da inabalável alienação dos poderosos, tem avançado no Brasil um movimento para inscrever nas leis a exigência de uma ética republicana, fundada no respeito à coisa pública e ao bem comum: a Lei da Ficha Limpa, a proibição do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, a Lei Anticorrupção e a Lei de Acesso à Informação.

Ainda estão na pauta do Congresso a Proposta de Lei da Sociedade Civil Sobre Acordos de Leniência e a Proposta de Lei das Dez Medidas Anticorrupção, patrocinada pelo Ministério Público e apoiada por dois milhões de cidadãos. Todas essas leis e propostas de lei advêm de mobilizações populares, e não da vontade dos políticos, por razões óbvias.


Geraldo Tadeu Monteiro é professor de Ciência Política do Iuperj e da Candido Mendes

Fernando Gabeira: Inverno em Curitiba

O que Dirceu e Vaccari parecem estar querendo dizer é isto: não é justo que apenas alguns indivíduos paguem por um comportamento que envolve uma organização partidária

Por: Augusto Nunes  17/06/2016 às 15:52

Publicado no Estadão

No poema de Antônio Cícero, o inverno no Leblon é quase glacial. Lembrei-me do poema e da canção cantada por Adriana Calcanhotto porque fez frio no Leblon. Imagine em Curitiba.
Enquanto a economia brasileira vai, aos poucos, buscando seu rumo, a imprevisibilidade maior está na política e em seus desdobramentos.

O deputado Eduardo Cunha deve cair e pode passar o inverno na cadeia. Isso é previsível; o comportamento dele, uma incógnita. Seria ele capaz de enfrentar longos anos de cadeia, sem buscar um acordo de delação premiada?
O mais resistente dos empresários, Marcelo Bahia Odebrecht, parece decidido a fazer a delação premiada. Os que resistem com base ideológica, como José Dirceu e João Vaccari Neto, teriam acenado com uma nova modalidade de acordo: a leniência partidária.
De um modo geral, os acordos de leniência são feitos com empresas. Um acordo de leniência partidária seria uma jabuticaba, e sua menção foi criticada por procuradores. Tudo indica que suas chances são mínimas. A proposta revela uma inflexão. Os partidos são responsáveis pelo que aconteceu nos governos do PT. Vaccari não pegava todo aquele dinheiro para guardar em sua mochila. Nem José Dirceu usou a fortuna que lhe foi destinada apenas com gastos pessoais.
O que eles parecem estar querendo dizer é isto: não é justo que apenas alguns indivíduos paguem por um comportamento que envolve uma organização partidária.
Naturalmente, está contida nessa proposta a sugestão de que trabalharam para o partido e esperam, agora, uma socialização da responsabilidade.
É possível que esteja embutida na proposta a espera da própria redução da pena, na suposição de que a divisão do fardo alivie os ombros dos indivíduos.
Acho ingênuo supor que os partidos sobrevivam depois de reconhecerem sua culpa e pagarem pesadas multas. Mas, se escaparem, não estariam sobrevivendo como uma farsa, fingindo que nada aconteceu?
Uma outra variável importante neste cenário foi o pedido de prisão da cúpula do PMDB. O pedido vazou, foi criticado, defendido e acabou sendo negado esta semana pelo ministro Teori Zavascki.
Observando-o à distância, dois fatores emergiram no próprio vazamento. Um deles é a articulação para sabotar a Operação Lava Jato. O outro, a pura distribuição de propinas: quem levou quanto, por que e quem entregou o dinheiro?
Mesmo sem entrar no mérito de um texto que desconheço, é possível concluir que não só teremos o presidente da Câmara preso, mas o do Senado sob constante pressão.
A Lava Jato tem seu rumo, a recuperação econômica, também o seu. Cada qual segue seus trilhos, mas a tendência no horizonte é de quea Lava Jato, por meio de extensas delações, apresente uma radiografia completa do processo de financiamento político no Brasil.
Isso significa que é muito tênue o fio da recuperação econômica quando o processo político entra em decomposição.
Muitos acham que o problema foi resolvido com o financiamento público de campanha. Não foi. Há sempre novos truques na cartola. E a Lava Jato não conseguirá repatriar todo o dinheiro desviado, favorecendo alguns competidores no futuro próximo.
Os partidos seguem um pouco como sonâmbulos. Mas deviam perceber que, apesar da responsabilidade dos indivíduos, o próprio sistema político se inviabilizou.
Nada será como antes da Lava Jato. Será preciso aprender a fazer campanha com pouco dinheiro, quase nenhum, abandonar as superproduções do marketing, retornar ao mundo das ideias.
A ideia de José Dirceu e de Vaccari – se é que é deles mesmo – não tem nenhuma chance de vingar. Mas isso não impede os partidos de buscarem a Lava Jato dispondo-se a discutir responsabilidade e reparação.
Imagino como as raposas do PMDB ou mesmo o núcleo duro do PT devam achar ridícula essa proposta. Lembro apenas de uma frase célebre: a raposa sabe muitas coisas, o porco-espinho sabe uma só, que é se defender.
O estar na cadeia é a compreensão de que o mundo ruiu e o passar do tempo na cela, um longo aprendizado sobre negação, resistência e, finalmente, o desejo de negociar.
A experiência de cadeia também mostra que, quanto mais autoconfiante você se mostra, mais dura é a queda.
O que José Dirceu e Vaccari parecem ter dito com a proposta é isto: Não fomos apenas nós. Onde estão os outros?
Esse tipo de apelo parece muito distante de Lula, que é a voz mais poderosa do PT. Ainda há poucos dias ele voltou a dizer numa entrevista para o exterior que ninguém é mais honesto do que ele, nenhum procurador, juiz ou delegado.
Ele não consegue entender o absurdo de sua frase. Como é que o líder máximo de um partido que dominou o País com uma corrupção sistêmica, com tantos companheiros na cadeia, continua se achando o mais honesto do País?
Lula e Dilma vivem ainda na fase da negação. O que prolonga essa ilusão é a certeza de que muitos não conhecem os fatos e os tomam por perseguidos políticos. E que os círculos mais próximos continuam coniventes com tudo o que aconteceu na presunção de que o cinismo é a única alternativa num mundo em que os fatos importam menos que as narrativas.
Os ventos que sopram de Curitiba podem congelar essas ilusões. Marcelo Odebrecht, José Dirceu e João Vaccari Neto, a julgar pela ideia de leniência partidária, descobriram que acabou o tempo de fingir que não aconteceu nada.
Aprender com os caídos torna a própria queda menos dolorosa. Não posso garantir que a verdade liberta. Ela pode levar gente para a cadeia. Mas seu efeito positivo será uma lufada de vento fresco na política brasileira.
O faz de conta vai acabar e a realidade que nos espera é um sistema político em ruína. Pode ser o marco inicial da reforma.

Artigo, José Fogaça - O governo federal precisa ajudar quem faz segurança pública

Nesta semana, a cidade de Porto Alegre viveu uma grande tragédia: um menino de 17 anos, estudante de Administração, filho de uma família generosa, filho de pessoas que sempre se dedicaram ao Estado, à comunidade, à vida pública, foi morto por outra criança, por outro adolescente, em uma situação trágica e, ao mesmo tempo, violenta.
Vem-nos à mente, em seguida, a questão da segurança pública. Não se trata de aumentar o armamento e de ampliar a repressão, mas se trata, sim, da existência de um contingente maior de policiamento ostensivo na cidade.
O que se está vendo é que a falta de recursos está contribuindo diretamente para o empobrecimento, para a precariedade dos serviços de segurança pública em nossa cidade.
Sabemos da imensa crise que vive o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, fruto de um acúmulo histórico de erros. Por isso, cabe, neste momento, apelar para o Governo Federal para que pense, reflita e aja imediatamente para criar o Sistema Único de Segurança Pública — SUSP, que já foi pensado no Governo Fernando Henrique Cardoso.
 É hora de voltarmos a refletir, a repensar sobre isso e a restabelecer o debate sobre essa questão. O policiamento ostensivo garante um clima, uma atmosfera de maior segurança e inibe ações como a que levou à morte o jovem de 17 anos em Porto Alegre.

Neste momento em que nós choramos a perda de um menino tão precioso para a comunidade, para a vida e para o futuro da cidade, também fazemos este registro de pesar e, ao mesmo tempo, o apelo ao Governo Federal para que apoie a segurança pública nos Estados, pois estamos diante de uma grave deficiência.

Artigo, Luis Milman - Delinquência e desagregação social

Este é um tempo de barbárie. Estamos desprotegidos e submetidos a uma mentalidade resignada com o predomínio do mal, que nos impede de reagir, como civilização, à ausência de ordem. A Lei de Execuções Penais é um escárnio, um claro incentivo à delinquência. O ECA, a lei excepcional para menores do Brasil, incentiva, cultiva o crime. Ambas oficializam a impunidade. A primeira porque consagra o caráter ficcional das penas, reduzindo-as a um sexto ou a dois quintos de sua extensão. O segundo porque impede a penalização de criminosos com menos de 18 anos, sejam eles assassinos ou estupradores. O altíssimo nível de consumo de drogas no país, coibido apenas superficialmente, também é um estímulo brutal para o crime. Personalidades como Fernando Henrique Cardoso, fiel a uma agenda permissiva da esquerda, assumem abertamente a defesa da liberação do consumo da maconha, droga que comprovadamente provoca transtornos cognitivos e emocionais, Quem convive ou já conviveu com um usuário de maconha sabe que tal indivíduo não exerce suas faculdades mentais na plenitude, torna-se apático, amoral, desinteressado, preguiçoso e avesso ao raciocínio. A leniência disciplinar no sistema de ensino, a penetração das drogas nas escolas e a dissolução da hierarquia professor-aluno, fomenta a sensação de onipotência dos jovens, estabelecendo os desvios de conduta como regra. A precária vigilância de nossas fronteiras, por onde passam automóveis roubados, armas, drogas e contrabando em geral também multiplica os índices de crimes praticados nas cidades médias e grandes.

Estes são apenas alguns fatores determinantes para que estejamos vivendo em uma dantesca realidade de tolerância com a violência e com a drogadição, de ausência de parâmetros repressivos, nos planos da prevenção e de punição dos delitos contra o patrimônio e, principalmente, contra a vida. A realidade urbana transformou-se em cenário de guerra aberta e suja. Polícia, Ministério Público e Judiciário são elefantes estatais pesados e ineficientes no combate à criminalidade de todos os tipos. Não há resposta do setor político e dos governantes. Congresso e Executivo são omissos. Pessoas perdem filhos e pais em assaltos diariamente, jovens se tornam drogaditos aos milhares. Ou mudamos esse estado de coisas tomando medidas efetivas, como a alteração de nossa lei de execução penal, a construção urgente de presídios e a redução da idade para responsabilização criminal ou chegaremos à calamidade da desagregação social. Rapidamente atingiremos os padrões de Honduras, Venezuela e México, onde o Estado deixou de existir de fato. Se é que já não chegamos lá.

Números do primeiro trimestre demonstram que levas de demissões não resolveram os problemas da CEEE

O editor decidiu verificar os efeitos da demissão efetuada, ao final de março do corrente ano, de 200 empregados da CEEE.  Para tanto cabia ter como referência básica os balancetes do primeiro trimestre de 2016, de publicação obrigatória pelas empresas por determinação  da Bovespa. 
Paulo de Tarso havia convencido o governador Sartori, e boa parcela da população gaucha, com generosas páginas de ZH e dos veículos da RBS, de que não havia qualquer saída para manter-se a concessão da distribuidora, que não fosse a demissão inicial de 200 empregados, e que em seguida deveria seguir demitindo pelo menos mais 600 empregados.
Os números extraídos do referido balancete deixaram o editor estarrecido. Curiosamente se pode constatar que a empresa distribuidora deu lucro de R$ 195.738.000,00 no primeiro trimestre do corrente ano.
A despesa com pessoal (mais encargos) apresentou no primeiro trimestre de 2006 valor nominal ligeiramente superior ao verificado no mesmo período de 2015 (ou seja ficou em R$ 108,11 milhões em 2016, contra R$ 104, 16 milhões em 2005). Durante os três primeiros meses de 2006 os 200 demitidos estavam na folha de pessoal do grupo CEEE, questão chave para a o caso em análise.
Observa-se que no primeiro trimestre de 2016 a folha de pessoal (com encargos) comprometeu 11,1 % da ROL - Receita Operacional Líquida da CEEE, tendo sido a ROL de R$ 973.651.000, 00. 
Observando-se a despesa da distribuidora com compra de energia (mais encargos setoriais) se constata a grande diferença do resultado do primeiro trimestre de 2016 em relação ao do primeiro trimestre de 2015. Ocorreu redução do custo de energia de R$ 766.929.000,00 (primeiros três meses de 2016) para R$ 503.709.000,00 (igual perído de 2015). Também tendo ocorrido evolução positiva no resultado financeiro que passou de um déficit de R$ 12.309.000,00 (primeiro trimestre de 2015) para um valor positivo de R$ 176.767.000,00 (primeiro trimestre de 2016). Esse resultado muito provavelmente está atrelado a redução da paridade do real com o dólar em 2016. 
O leitor atento já deve ter percebido que boa parte da evolução muito positiva do primeiro trimestre de 2015 para o segundo trimestre de 2016, está quase que inteiramente afeto á redução do custo da energia comprada somada à melhoria do resultado financeiro. A influência da rubrica pessoal na mudança expressiva do resultado foi desprezível, já que o aumento nominal da rubrica pessoal da despesa com pessoal foi muito pequeno. 
Paulo de Tarso conseguiu esconder de Sartori, e da população gaúcha, que a crise da CEEE estava diretamente atrelada ao desastre que a empresa fez na gestão Tarso Genro ao ter aderido à estúpida MP 579 de 2012 da Dilma. Já as estatais congeneres de SP, MG, SC e PR não aderiram e ganharam bastante dinheiro. Como sabem os leitores do blog o setor elétrico brasileiro teve prejuízos da ordem de R$ 110 bilhões com essa famigerada MP 579 da Dilma e o desastre da credibilidade internacional do Brasil com os investidores foi fortemente afetado com essa MP.
Os engenheiros da CEEE alertaram em vão a diretoria da CEEE no governo Tarso Genro para o desastre anunciado e alguns deles foram "premiados" por Paulo de Tarso, com a demissão, pois Paulo de Traso manteve nos postos chaves os mesmos técnicos que ajudaram Carrion na gestão anterior. Sorte diferente tiveram os engenheiros das estatais de outros estados, pois as diretorias seguiram as recomendações técnicas.
No caso da Eletrobras também ocorreu prejuízo extraordinário porque Dilma obrigou aquela empresa a aderir a famigerada MP 579. Mas para amenizar a crise a Eletrobras criou um bom PDV para seus funcionários e obteve adesão massiva. Não apelou para a truculência como fez a CEEE.
Paulo de Tarso convenceu Sartori de que a saída era demitir o quanto antes e o governador, certamente sem saber da realidade dos fatos, aderiu a desastrada ideia das demissões. 
O desembargador Silvestrin do TRT, que mediava as discussões entre os Sindicatos e a empresa no primeiro trimestre de 2016,  bem que tentou resolver o impasse. Homem moderado, que advogou para empresas antes de ser indicado para o TRT pelo quinto constitucional, logo deve ter percebido a irresponsabilidade e truculência de Paulo de Tarso. Então propôs um PDV que na prática iria pagar aos que aderissem valor inferior a 25% do que pagam o PDV do Banrisul e da Corsan. E tudo ainda parcelado em 60 vezes. 
Por incrível que possa parecer, os sindicatos toparam o PDV do desembargador Silvestrin, desde que aberto aos demais empregados e não impositivo aos funcionários listados.
Paulo de Tarso não aceitou. Para o leitor ter ideia da aberração que se passou no TRT, por parte da CEEE, basta citar que a advogada responsável pelo jurídico da CEEE chegou a pedir para o desembargador Silvestrin retirar direitos fundamentais da CF, caso do art. 5º inciso XXXV da CF. Trata-se de cláusula pétrea da CF, que, portanto,  nem o Congresso Nacional pode mudar.   
O editor conversou com advogados trabalhistas que disseram não se ter mais dúvidas do desastre absoluto que Paulo de Tarso gerou, ao fazer demissões usando critério ilegal já devidamente transitado em julgado no caso paradigmático do Banco Banestedes do ES. 
Acontece que muito provavelmente a maioria das ações trabalhistas mais importantes só terão transitado em julgado em 2018. O editor não acredita que os envolvidos irão recorrer ao judiciário para as necessárias ações de improbidade administrativa. Dessa forma os demitidos ganharão expressivas indenizações e a CEEE ficará com o espeto. Talvez a irresponsabilidade da diretoria da CEEE fique impune mais uma vez. As demissões gerarão ainda em 2016 mais de 500 ações trabalhistas de menor monta que teriam sido quase todas evitadas via um PDV. . 




Artigo, Joel Pinheiro - 10 maneiras de um estudante sobreviver a uma universidade dominada pela esquerda

Não é segredo para ninguém que o pensamento de esquerda domina o ensino superior brasileiro. De professores com claras preferências políticas e até partidárias a chapas de DCE que sonham com os tempos da União Soviética, parece que quanto mais de esquerda, mais legal.
Isso está mudando aos poucos. 12 anos atrás, quando eu entrei na faculdade, só um ou outro professor tinha ouvido falar de Mises. Hoje em dia, não há praticamente um alunoque desconheça os grandes nomes do pensamento liberal. Talvez por isso mesmo, a pressão esteja aumentando.
Formando minhas ideias no calor de debates estudantis, com colegas e professores, dentro e fora da sala de aula (no caso, Filosofia na USP), aprendi muito, ganhei muita experiência e cometi muitos erros também. Por isso, pensei nessa lista de 10 conselhos para os estudantes liberais que se veem em meio a uma faculdade dominada pela esquerda. No final das contas, cada um aprende mesmo por conta própria, mas se isso servir de guia geral para alguém, já ficarei feliz.

1) Em primeiro lugar, lembre-se que você não deve explicações a ninguém pelas crenças que defende. A esquerda buscou monopolizar a preocupação social, mas falhou completamente em traduzir boas intenções em melhora de vida para milhões de pessoas. Você já parte de uma base de entendimento social e propostas políticas muito mais sólida. Colegas e até professores têm muito a aprender com você.
2) E você tem muito a aprender com eles. Não tem problema admitir que não sabe, reconhecer méritos em outras visões e aceitar indicações “do outro lado”. Idealmente, você e seus colegas de esquerda serão parceiros em uma competição honesta de adquirir conhecimento e de melhorar o mundo.
3) Leia muito. Você nunca mais vai ter o tempo livre que você tem nesses anos. Vá atrás dos seus interesses, pesquise na biblioteca, discuta com seus amigos, forme suas posições sem medo de errar. Seja no silêncio da biblioteca, no debate em sala de aula ou na mesa do bar, suas paixões e ideias podem contagiar outras pessoas. Só não deixe que a política fale mais alto do que as amizades.
4) Ocupe os espaços. Poucas coisas estão tão necrosadas quanto a política estudantil. A esquerda nunca teve o monopólio da virtude, agora perdeu também o monopólio da representação. Ninguém mais aguenta os mesmos slogans batidos de sempre, a indignação exagerada, o autoritarismo, para as greves que prejudicam o curso. A maioria dos estudantes não está nem aí para a política estudantil tradicional, justamente porque não se sentem representados. Procure outras pessoas que partilhem de suas ideias. Participe ou inicie grupos de estudo, chapas eleitorais, sessões de cinema, debates, festas, etc. É hora de grupos organizados com visões modernas, liberais, propositivas, tomar a dianteira e dar uma nova cara ao movimento estudantil, tendo como ideais uma sociedade mais próspera para todos e uma faculdade onde todos aprendam mais.
5) Ao debater em sala de aula, lembre-se sempre que a aula não é sua. Discussões e uma postura crítica (desde que positiva) contribuem para melhorar a aula e aumentar o engajamento de todos, mas você não deve monopolizar o tempo do professor em sala. Ele está ali para trabalhar, para expor um conteúdo que ele preparou, e cabe aos alunos respeitar isso. Discussões mais longas podem sempre ocorrer fora do horário de aula.
6) Muitos professores são abertos a outras perspectivas e sabem reconhecer bons argumentos mesmo quando deles discordam. Alguns, contudo, são verdadeiros ditadores do aprendizado, e só passam quem se curva a sua ideologia. Se, em alguma avaliação, você tiver que escolher entre dizer o que você acredita ou repetir o que o professor quer ouvir, não se faça de mártir: escreva o que for preciso e siga em frente. O seu futuro vale mais do que uma resposta de prova. Exceto se você e outros colegas enxergarem uma boa chance de virar o jogo…
7) Divergência política não precisa virar antipatia pessoal. Muitas desavenças seriam evitadas se cada um soubesse defender suas posições com mais serenidade e sem demonizar o outro lado. Na hora de discutir, lembre-se de manter a cabeça fria e o bom humor; o que não significa ser menos firme em suas posições. Reconhecer quando o outro lado tem o argumento mais forte também não é desonra nenhuma; é só mais um incentivo para você se aprofundar mais.
8) Nem só de discussão intelectual é feita a sociedade humana. As pessoas, na maioria das vezes, não são movidas apenas por argumentos. Retórica, simbologia, visões de mundo, narrativas, estética; tudo isso é essencial para tocar o coração de qualquer pessoa. Não negligencie esses componentes menos racionais do ser humano. Os liberais se deram muito mal nos últimos 150 anos ao se restringirem à superioridade argumentativa e entregar de bandeja todo o resto a seus adversários. Está na hora de mudar isso.
9) Ideias e posicionamentos não têm gênero, raça, credo ou orientação sexual. Não deixe que ninguém te diga o que você pode ou não pode defender por causa de suas características físicas, psicológicas ou comportamentais. Além de completamente irracional, essa tentativa de intimidação é uma forma muito baixa de preconceito.
10) Mantenha sua independência. Não é porque você não se identifica com a claque da esquerda que o “seu” grupo sempre terá razão. Saiba julgar atitudes e posicionamentos com isenção. Parte importante de ser um liberal é cultivar a própria individualidade em oposição à pressão dos mais variados grupos.