Juiz americano diz que Lava Jato é exemplar

Juiz federal no Estado de Maryland, nos Estados Unidos, o americano Peter Messitte diz que o julgamento do mensalão e a Operação Lava Jato deixaram para trás os tempos em que escândalos de corrupção política terminavam em pizza no Brasil.
"Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos achavam que era algo com que se devia conviver", ele diz em entrevista à BBC Brasil. "Isso mudou."
Segundo ele, a atuação do juiz Sérgio Moro e dos procuradores e policiais federais da Operação Lava Jato é citada em conferências globais como um exemplo do que pode ser feito contra a corrupção.
Ele afirma, porém, que há questionamentos legítimos sobre o uso de prisões preventivas no processo para conseguir acordos de delação premiada, quando réus confessam os crimes e aceitam colaborar com as investigações em troca de penas menores. Vários réus na Lava Jato foram presos antes de serem condenados e negociaram acordos de delação enquanto estavam na prisão.
Messitte criou laços com o Brasil na década de 1960, quando passou dois anos fazendo trabalho voluntário em São Paulo e aprendeu português. Desde então, visitou o país várias vezes e se tornou um dos maiores especialistas estrangeiros no Judiciário brasileiro.
Ele conheceu o juiz Sérgio Moro em julho, quando ambos participaram de um evento no Wilson Center, em Washington, e almoçaram na American University, onde Messitte dirige o Programa de Estudos Legais e Judiciais Brasil-EUA.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o juiz americano:
BBC Brasil - Em 2008, o senhor disse numa palestra sobre corrupção no Brasil que "talvez tenha ficado para trás o tempo em que tudo terminava em pizza". A previsão estava certa?
Peter Messitte - Obviamente as coisas mudaram, e o cenário hoje é bem diferente. A forma como os casos do mensalão e da Lava Jato emergiram representam avanços significativos na luta contra a corrupção política. Vocês estão encontrando malfeitores, e em muitos casos eles têm sido julgados e condenados.
É um caminho irreversível. O público está disposto a sair às ruas. Não é mais provável que as coisas acabem em pizza hoje ou no futuro. É uma mudança drástica.
BBC Brasil - Juízes e advogados nos EUA acompanham a Lava Jato?
Messitte - A maioria dos juízes e advogados entende que houve acusações de corrupção massiva no Brasil, que houve denúncias e confissões. Há muitas conferências e atividades anticorrupção acontecendo pelo mundo, com envolvimento do Banco Mundial e entidades como a Transparência International.
A atuação do juiz Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal na Lava Jato sempre aparece como um exemplo do que pode ser feito.
Image copyrightAG. BRASILImage captionO juiz Sérgio Moro é o responsável por uma das maiores investigações da história brasileira
BBC Brasil - Como compara o caso do mensalão e a Lava Jato?
Messitte - Eles são um pouco diferentes pela natureza da corrupção. O mensalão eram pagamentos por um partido a políticos no Congresso. Na Lava Jato, há mais atores envolvidos.
Nos dois casos, vemos o começo do uso da delação premiada contra o crime organizado no Brasil. Houve algumas delações no mensalão e muitas na Lava Jato. É um desenvolvimento importante.
E a Lava Jato está sendo muito mais rápida. No mensalão, passaram-se muitos anos até o caso chegar ao Supremo. Na Lava Jato, muitas sentenças já saíram em dois anos.
A principal mudança foi a prisão preventiva. Muitos acusados na Lava Jato foram postos na prisão antes do julgamento. Isso realmente aumentou a pressão sobre eles para que fechassem acordos, cooperassem e depusessem contra outros para sair da prisão mais cedo. Isso não aconteceu tanto no mensalão.
Há críticas a serem feitas, se a prisão preventiva pode ser uma ferramenta para estimular pessoas a fazer delação premiada. Muitos questionam isso do ponto de vista constitucional.
BBC Brasil - Tem havido abuso no uso das prisões preventivas?
Messitte - Se a pessoa pode fugir, contribuir para a continuação das atividades criminosas ou destruir provas, há uma boa razão para prendê-la antes do julgamento. Esse deve ser o critério. Não tenho razões para acreditar que o juiz Moro esteja usando as prisões preventivas por outras razões além dessas.
Houve casos em que ele ordenou a prisão preventiva e o Supremo reverteu a decisão. Ainda terá de ser resolvido até onde a prisão preventiva pode ser usada sem que haja exagero. Esse é um debate legítimo e que eventualmente chegará ao Supremo.
Se as pessoas vão fazer delações premiadas, poderiam fazê-las sem a pressão da prisão. A ideia é que as delações premiadas sejam voluntárias. Se há presunção de inocência, por que alguém pode ser preso antes da determinação final sobre sua culpa?
BBC Brasil - Nos EUA, é comum que réus sejam presos para estimulá-los a fazer uma delação?
Messitte - Não, não seria próprio pôr alguém na prisão com o único propósito de arrancar uma delação premiada. Nenhum juiz concordaria com isso. No sistema federal, onde sirvo, os critérios para a prisão preventiva são risco de fuga ou risco à comunidade.
BBC Brasil - Alguns no Brasil questionam a confiabilidade das delações premiadas, dizendo que réus podem mentir só para sair da prisão.
Messitte - Teoricamente, isso é possível em alguns casos. Mas para aprovar o acordo de delação - que é negociado pelo Ministério Público -, o juiz tem de verificar se ele é legal, regular e voluntário. Se determinar que a pessoa está mentindo ou que há algo irregular na forma como depôs, não deve aprová-lo. E não é suficiente admitir a culpa para entrar num acordo, é preciso colaborar.
Image copyrightAG. BRASILImage captionO juiz americano conheceu Sérgio Moro em julho, quando ambos participaram de um evento no Wilson Center
BBC Brasil - Na última década o combate à corrupção no Brasil esteve muito enfocado em iniciativas legais, como a aprovação da Lei da Ficha Limpa. Em que medida a corrupção pode ser combatida por leis, e em que medida é uma questão cultural mais complexa e difícil de ser sanada?
Messitte - Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos achavam que era algo com que se devia conviver. Isso mudou.
A ideia agora é: "não precisamos aceitar isso, não é a forma como deve ser". O Brasil virou a página. Houve uma mudança cultural, e foram as leis que fizeram isso, leis que definiram o que é a corrupção política.
As delações premiadas começaram no Brasil nos anos 1990 com os crimes hediondos. De repente, passaram a ser usadas contra o crime organizado, porque leis ampliaram a possibilidade de que fossem aplicadas nesses casos.
BBC Brasil - O juiz Sérgio Moro é uma figura controversa no Brasil, tratado como herói por uns e acusado por outros de abusar de seus poderes e agir politicamente. Que impressão teve dele ao encontrá-lo?
Messitte - Achei que ele é um cara muito direto e decente. Não detectei nele qualquer inclinação política. Há leis no Brasil contra corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão. Alguém tem de aplicá-las. Não esqueçamos o papel do Ministério Público e da Polícia Federal: eles podem não ter a mesma publicidade que o juiz Moro, mas merecem o mesmo crédito.
Às vezes, quando você aplica a lei e isso fere alguém, essa pessoa se diz vítima, afirma que sua decisão é política. Algumas pessoas te amam pelo que faz, e outros te odeiam.
Eu aprecio as posições dele. Imagine se, diante de depoimentos de informantes internos de que havia corrupção massiva [na Petrobras], um juiz dissesse que ninguém é culpado e não aceitasse nenhum acordo de delação?
Haverá erros no processo? Não tenho dúvida. Espero que eles sejam corrigidos na apelação. Mas menos de 5% das decisões de Moro foram revertidas até agora.
BBC Brasil - Não é arriscado e indesejável que um juiz se torne uma figura tão pública e atraia tanta atenção?
Messitte - É inevitável. Às vezes, acontece o inverso. Veja o que ocorreu com Giovanni Falcone e Paolo Borsellino na Itália. Estavam indo atrás do que consideravam a verdade e terminaram na situação mais infeliz [os dois juízes foram mortos após julgarem grandes casos contra a máfia italiana].
Deve-se dar crédito a Moro pela coragem. Esse cara inspirou um grande número de brasileiros, [mostrando] que há possibilidade de Justiça, de tratamento igualitário perante a lei. Qual a última vez que isso aconteceu no Brasil? Você não vê figuras assim com frequência.


Desdobramentos da Lava-Jato terão grande impacto nas urnas, avaliam especialistas

14/08/2016
Jornal o Estado de Minas
Envolvimento de políticos no esquema de desvios na Petrobras deve levar a um maior índice de votos brancos e nulos

Brasília – A Operação Lava-Jato, desencadeada em março de 2014, vai influenciar diretamente, sobretudo nos grandes colégios eleitorais, as eleições municipais. Há dois anos, durante a corrida presidencial que reelegeu Dilma Rousseff (PT), os efeitos foram bem menores porque os investigadores ainda não tinham chegado diretamente ao chamado núcleo político do esquema. A conclusão é de cientistas políticos. Eles acreditam que, agora, a operação pode levar a um maior índice de votos brancos e nulos e até de abstenções por servir de combustível para potencializar um descrédito histórico na classe política brasileira. Apesar de envolver uma gama variada de partidos políticos, todos são enfáticos em apontar o PT como o maior prejudicado pelos efeitos das investigações.

O professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Calmon diz, porém, que é preciso levar em consideração as especificidades de cada disputa eleitoral. “Há uma dúvida, no entanto, em relação a essa influência no voto de cada eleição específica. Os efeitos, por exemplo, podem ser ignorados na disputa no Recife ou em Curitiba porque ambos os candidatos estão igualmente envolvidos, falando de maneira hipotética.”

Calmon acredita que a Lava-Jato será responsável por abrir uma grande oportunidade para grupos que contestam a estrutura política atual no país. “Obviamente, vai existir influência na medida em que boa parte da elite política brasileira está diretamente envolvida em episódios relacionados de alguma maneira à Lava-Jato. Seja envolvimento individual ou dos partidos, a população está influenciada por essa marca de desconfiança do sistema político e partidário. Afeta porque o prestígio dos partidos, e o político em geral, está abalado”, diz. Ele faz uma leitura de que haverá uma potencialização da descrença na classe política. “Acho que esse é um elemento que contribui para desinteresse e descrença em relação aos políticos. E isso, inegavelmente, fortalece a tendência das pessoas ignorarem a eleição. É muito ruim. Sobra para todos os partidos, mas o PT será o mais afetado.”

IMAGEM O doutor em ciência política pela UnB Leonardo Barreto avalia que o PT começou a pagar a conta da Lava-Jato antes mesmos das eleições. “A operação já influenciou, a começar pela mudança da Presidência da República. Agora, a expectativa é de que o candidato do PMDB ou apoiados pelo partido possam ter vantagem por ter acesso a recursos que não tinham antes”, diz. Ele analisa que o déficit de imagem do partido é grande e isso respinga em seus candidatos. “A consequência direta é a redução do PT, que terá um déficit de imagem importante, em algumas regiões mais e em outras menos. Uma quantidade grande de petistas deixou o partido. A sigla começou a pagar a conta mesmo antes de disputar o processo eleitoral”, avalia.

Barreto acrescenta que a Lava-Jato já produziu um fato importante para as eleições. “Uma inferência indireta é que os desdobramentos da operação são responsáveis por fazer o Supremo Tribunal Federal (STF) adotar postura contrária ao financiamento privado de campanha. É sem dúvida um filhote da Lava-Jato. A proibição do financiamento privado tem impacto grande nas eleições. Vai valorizar aqueles que tentam a reeleição por ter a máquina pública. Também valoriza os pastores e sindicalistas porque precisam de menos recursos”, declarou. O cientista político avalia a apatia do eleitorado diante de tantas denúncias contra políticos. “Não me surpreenderia se o número de brancos e nulos aumentasse. Já temos uma base de desconfiança muito forte. Você já tem consolidado um grau de abstenção e de votos brancos e nulos. É possível que se tenha um incremento, mas é difícil de estimar.”

Em 2006, os efeitos do mensalão não foram suficientes para impedir a reeleição do presidente Lula. A avaliação é de que a impressionante força política do petista, na época, e um governo muito bem avaliado reduziram a quase nada os desdobramentos do escândalo de compra de apoio parlamentar. Já os candidatos proporcionais em 2006 citados na Operação Sanguessuga amargaram derrotas políticas. Dos 64 deputados e três senadores que responderam a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e foram candidatos, a grande maioria passou longe do número necessário de votos para garantir o retorno. Apenas seis citados no caso conseguiram se eleger.


A investigação do núcleo político da Lava-Jato começou em março de 2015, quando o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, apresentou 28 petições ao STF para a abertura de inquéritos criminais destinados a apurar fatos atribuídos a 55 pessoas, das quais 49 eram titulares de foro por prerrogativa de função. A expectativa é de que a Lava-Jato tenha maior influência em grandes cidades. “Normalmente, as eleições municipais se concentram em temas locais. Os assuntos nacionais quase não aparecem. É mais provável que apareça com mais força nos grandes colégios”, atesta Barreto.

Situação fiscal das capitais deve piorar no segundo semestre

Nesta instigante análise produzida pela equipe de economistas do Bradesco, cuja condução é de Otávio de Barros, recebida ontem a noite pelo editor, fica claro que as 10 capitais que já divulgaram seus relatórios bimestrais, reportaram superávit primário de R$ 6 bilhões no primeiro semestre. Mas avisa: "No entanto, esse resultado tende a se reverter nos próximos meses. Fazendo uma simples simulação e mantendo a variação interanual observada neste primeiro semestre para o restante do ano, essas capitais entregariam um resultado negativo de R$ 3,9 bilhões em 2016, isto é, uma piora de R$ 10 bilhões. Em outra simulação, utilizando a variação anual esperada para as receitas e despesas da União, chegamos a um déficit semelhante para esses municípios, de R$ 3 bilhões".

Leia toda a análise:

Os municípios, considerando os dados completos do primeiro semestre, apontam para uma situação muito semelhante à observada para os estados e para a União. Em um momento em que as receitas estão caindo em termos reais e as despesas seguem regras rígidas que não permitem cortes expressivos, a piora das contas públicas tende a se acentuar. Assim, os municípios estão, em sua maioria, diminuindo os resultados primários obtidos. É por isso que muitos já pediram auxílio da União, tentando acordos para alongamento de dívida como aconteceu com os estados. A União não sinalizou disposição em negociar com os municípios por enquanto, até por falta de espaço fiscal do governo federal. A própria renegociação da dívida dos estados irá afetar positivamente as contas dos municípios – já que alguns estados estariam diminuindo o ritmo de transferências aos municípios, o que melhoraria com a renegociação.
Desempenho mais fraco da economia chinesa em julho reforça expectativa de desaceleração neste segundo semestre
- Há um ano, as preocupações com a China aumentaram diante do anúncio de que o regime cambial do país mudaria, levando a uma forte e rápida depreciação da moeda. Esse foi o gatilho para que a saída de capitais ganhasse força, ao mesmo tempo em que a economia começava a desacelerar de forma mais notável. O governo conseguiu apenas estabilizar a economia no início deste ano, com a intensificação dos estímulos monetários, injetando muita liquidez no sistema – o que levou a uma ampliação agressiva das concessões de crédito. Em paralelo, contendo a depreciação da moeda e aumentando o controle do fluxo, a saída de capital perdeu força.
- Com os dados de julho conhecidos nesta semana, parece que os riscos de desaceleração mais pronunciada da economia chinesa começam a crescer, ainda que a saída de capital tenha sido controlada e os mercados tenham se estabilizado.  Sabe-se que o custo das políticas mais frouxas foi o aumento da alavancagem e a postergação do ajuste da capacidade instalada, além da quase interrupção das reformas estruturais.
- Assim, na ausência de sinalizações mais claras sobre a condução da política econômica neste segundo semestre, podemos fazer duas apostas, sendo uma mais negativa e outra mais favorável para o crescimento de curto prazo. A primeira delas é que, diante dos riscos sistêmicos para o sistema financeiro e da pressão para que a reforma do lado da oferta avance, a desaceleração será mais forte do que esperávamos e a probabilidade de que o crescimento do PIB fique abaixo da meta de 6,5% vem subindo. Por outro lado, ‒ com uma chance maior do que a primeira aposta ‒ podemos assumir que, frente à transição política do Partido que acontecerá no ano que vem, a estabilização da economia será mais importante do que os ajustes estruturais e poderemos assistir a uma nova rodada de afrouxamento monetário e fiscal. Além dos debates relacionados à preservação do crescimento de curto prazo versus o ajuste estrutural de longo prazo, esperamos algum arrefecimento vindo do setor imobiliário e certa estabilidade do renmimbi ao longo deste segundo semestre. 
Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 

Filhos querem ser certeiros no Dia dos Pais

      Os filhos querem ser certeiros no próximo dia 14 de agosto. É o que aponta pesquisa realizada em parceria entre a CDL POA e o Sindilojas Porto Alegre sobre o comportamento do consumidor para o Dia dos Pais. Se em 2015 apenas 13% pretendiam perguntar ao presenteado o que ele desejava ganhar, neste ano o percentual subiu para 33% (sem contar os 15% que planejam consultar algum familiar para saber o que homenageado está precisando).
      Mas, se a ideia for manter a tradição da surpresa, não há com o que se preocupar. Na avaliação do presidente da CDL Porto Alegre, Alcides Debus, os pais são mais fáceis de agradar, pois a moda clássica masculina permanece com a mesma essência desde a década de 1920. “Camisas, agasalhos, camisetas e carteiras costumam ser opções acessíveis e sempre bem-vindas no guarda-roupa do homem moderno”, destaca. Se levarmos em consideração que a maioria dos entrevistados (44%) diz que pretende dar roupa – seguida de calçados (10%), perfumaria (8%), objeto decorativo (5%), livro (5%) e carteira 3% –, o próximo domingo deixará os patriarcas contentes.
      De acordo com o levantamento, a comemoração deve movimentar R$ 56,77 milhões, praticamente o mesmo saldo de 2015 (que fechou em R$ 56,58 milhões). A expectativa para o comércio é bastante positiva, destaca Debus, pois conta com dois indicadores otimistas: o índice de inadimplência caindo e o índice de confiança do consumidor crescendo.
      Outro ponto é que as temperaturas mais baixas deste ano prometem estimular a compra destes produtos. Para o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse, a temperatura mais amena nessa semana, que antecedeu a comemoração, pode influenciar o resultado do Dia dos Pais no comércio. Afinal, 53% dos entrevistados na pesquisa disseram que comprariam o presente nesta semana. “Junto disso, estão as liquidações das coleções de inverno e quem souber aproveitar poderá adquirir produtos de alta qualidade com descontos de até 70% pelo fim dos estoques”, garante Kruse.
      O valor do ticket médio deve ficar em torno de R$ 132,80. Na comparação com o valor gasto na comemoração do ano passado, a maioria dos consultados (43%) afirma que manterá a mesma quantia investida e 19% diz que aumentará um pouco, 17% diminuirá um pouco e 3% diminuirá muito. Sobre a previsão de gastos no presente principal, 18% afirmam que devem dispender até R$ 50; 41% de R$ 51 a R$ 100; 28% de R$ 101 a R$ 200; 7% de R$ 201 a R$ 300 e 6% de R$ 301 a R$ 400.
      Pagamento à vista deve ser a modalidade preferida este ano: 34% afirmam que pretendem pagar em dinheiro, 27% por cartão de débito, 25% com cartão de crédito parcelado, 14% em cartão de crédito em uma vez e 1% a prazo, no crediário. O cheque, definitivamente, está em desuso: ninguém apontou esta modalidade de pagamento.
      Os shoppings e as lojas de rua devem atrair a maior parte dos consumidores neste Dia dos Pais, segundo a pesquisa, 58% dizem que irão comprar o presente do patriarca em shopping, seguido por loja de rua (32%), internet (7%) e revendedor (2%).
     
     
  Sobre a pesquisa

      A amostra contou com 300 participantes, homens e mulheres, acima de 18 anos de idade, das classes A, B C, D e E. A pesquisa realizada pela Vitamina Pesquisa. 

Balanço da Petrobrás reverte redsultados e apresenta lucro no 2o trimestre

A Petrobrás passou ainda há pouco o resumo a seguir sobre seus resultados do 2º Trimestre de 2016:

Lucro Líquido de R$ 370 milhões, ante um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no 1T16, determinado por:
• redução de 30% nas despesas financeiras líquidas;
• crescimento de 7% na produção total de petróleo e gás natural;
• incremento da receita com aumento de 14% nas exportações de petróleo e derivados e redução de custos com importações de gás natural;
• despesas com o novo Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV); e
• impairment de ativos do Comperj.
Principais Destaques do Resultado
• Fluxo de caixa livre positivo pelo 5º trimestre consecutivo, no valor de R$ 10,8 bilhões, 3,5 vezes superior ao registrado no 1T16 de R$ 2,4 bilhões, devido à maior geração operacional e à redução dos investimentos.
• EBITDA ajustado de R$ 20,3 bilhões no 2T16, 4% inferior ao do 1T16. A margem EBITDA ajustado foi de 28%.
• O endividamento bruto recuou 19%, de R$ 493,0 bilhões, em 31/12/2015, para R$ 397,8 bilhões, uma redução de R$ 95,3 bilhões. O endividamento líquido passou de R$ 392,1 bilhões para R$ 332,4 bilhões, uma queda de 15%.
• O índice dívida líquida sobre EBITDA ajustado (últimos 12 meses) recuou de 5,31, em 31/12/2015, para 4,49, em 30/06/2016, e a alavancagem reduziu de 60% para 55%.
• As operações de emissão de títulos globais de US$ 6,75 bilhões e oferta de recompra de US$ 6,3 bilhões contribuíram para estender o prazo médio da dívida de 7,14 anos, em 31/12/2015, para 7,30 anos em 30/06/2016.
Principais Destaques Operacionais
• A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras foi de 2,804 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um aumento de 7% em comparação com o 1T16.
• A produção de derivados no Brasil apresentou queda de 2%, totalizando 1,919 milhões de barris por dia (bpd), enquanto as vendas no mercado doméstico atingiram 2,109 milhões bpd, um aumento de 3%.
• Aumento de 14% das exportações de petróleo e derivados, que alcançaram 515 mil bpd, e aumento de 34% no preço médio do Brent (para US$ 46/bbl).

•  Redução de 55% na importação de GNL devido à maior oferta de gás nacional e à menor demanda termelétrica.

Artigo, Paulo Castelo Branco - A falta que ela não nos fará

Artigo, Paulo Castelo Branco - A falta que ela não nos fará
O mestre Fernando Sabino, em crônica publicada no jornal "O Tempo",  nos idos de 2007, relatou a sua angústia quando resolveu dar um mês de férias à sua auxiliar do lar - antiga "empregada", como a ela se referiu na obra intitulada  "A falta que ela me faz".
Sabino descreve a satisfação que teve nos primeiros dias de liberdade total dentro de casa. Podia andar só de chinelos, trocava de roupas com a porta aberta e falava sozinho sem passar por maluco. Ao longo dos dias percebeu que sua vida havia se transformado numa bagunça sem fim.
A crônica de Sabino nos faz olhar com um pouco de humor a situação da quase ex-presidente. Dilma foi escolhida para ser serviçal do Partido dos Trabalhadores na Presidência da República, sob o comando de Lula que, hoje,  é decadente político que se sustenta na mídia como investigado por crimes diversos.
O brasileiro, ao aceitar Dilma, acreditou que ela seria uma gerente eficiente do país que estava no caminho certo para se consolidar como grande potência econômica e democrata. A herança recebida do governo Fernando Henrique e  a midiática administração Lula facilitava a missão.
A promessa de Dilma de limpar a casa como se fosse a "empregada" de Sabino, ao retornar das férias, fracassou de forma retumbante e acabou  como a carne assada no forno do fogão. A limpeza esbarrou no poder político de Lula e seus companheiros, e a sujeira aumentou com a descoberta dos ilícitos praticados, tanto no "mensalão", quanto  no "petrolão".
A decisão do Senado Federal que aceitou o julgamento da presidente afastada pelo plenário da casa com uma margem de votos capaz de retirá-la do poder deixou a situação insustentável. Dilma está fora!
O debate entre o senador Antonio Anastasia e o advogado Eduardo Cardozo se tornou uma cansativa demonstração de intolerância dos adeptos do Partido dos Trabalhadores e aula de moderação e conhecimento jurídico-administrativo do senador. O desempenho de Anastasia o coloca como alternativa do PSDB na disputa presidencial de 2018.
A queda de Aécio nas pesquisas eleitorais e a sua discreta participação no processo de 'impeachment" indicam  o desalento do senador com a possibilidade de disputar a eleição; por outro lado, o chanceler José Serra optou por acreditar que o raio poderá cair no mesmo local e sumiu do debate político, imaginando que poderá inventar um novo "Plano Real", seguindo o caminho de FHC. O sorriso hoje estampado em seu rosto não apaga a imagem de antipatia que sugere aos seus interlocutores.
Por fim, a posse definitiva de Michel Temer e a sua afirmação de não concorrer à reeleição abrem caminho para novos nomes na disputa que se destacaram ao longo desses meses no exame do retorno da "empregada" de Lula.
Sabino, antevendo os dias de hoje, encerrou a sua crônica dizendo:
"Até que um dia, como uma projeção do estado de sinistro abandono em que me via atirado, comecei a sentir no ar um vago mau cheiro. Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua.
Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro, e acabei sendo conduzido à cozinha, onde ultimamente já não ousava entrar. No que abri a porta, o mau cheiro me atingiu como uma bofetada. Vinha do fogão, certamente.
Aproximei-me, protegendo o nariz com uma das mãos, enquanto me curvava e com a outra abria o forno. " Oh não! " recuei horrorizado.
Na panela, a carne assada, que a empregada gentilmente deixara preparada para mim antes de partir, se decompunha num asqueroso caldo putrefato, onde pequenas formas brancas se agitavam. Mudei-me no mesmo dia para um hotel."
Dilma, que nos deixa tal qual a casa do cronista, após a reunião com investigado Lula, deve renunciar para não continuar prejudicando a imagem do Brasil neste instante em que somos observados por bilhões de pessoas. Deve, sim, mudar de vez para o hotel onde se hospedam seus companheiros. Não sentiremos saudades!


Artigo, Pedro Dutra Fonseca

 - Pedro Dutra Fonseca é professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS

A cada dia fica mais claro que as decisões econômicas do governo federal vêm sendo tomadas por dois grupos que o coabitam. O primeiro, liderado por Henrique Meirelles e pelo Banco Central, apregoa uma política marcada pela austeridade. O outro, composto por políticos próximos ao presidente interino, mesmo sem contrapor-se "em tese" ao primeiro, pressiona para mitigar medidas ortodoxas mais duras. Inicialmente, este grupo parecia apenas ter poder de influência ou veto, mas hoje encaminha decisões. Conta a seu favor o fato de o governo, tendo assumido de forma atípica, com legitimidade questionada e em caráter temporário, não poder se dar ao luxo de medidas malvadas, principalmente em ano eleitoral. Assim, a tensão entre austeridade e popularidade dos governantes, sempre presente nas crises, tem sua dimensão majorada.
Mas o que deixa o mercado tenso e a oposição calada é que o segundo grupo vem ganhando cada vez mais espaço. Os aumentos do funcionalismo foram mantidos, há pressão para não mexer nos programas sociais e a dívida dos Estados foi aliviada. A proposta de déficit de R$ 170 bilhões para este ano justificou-se em nome de não esconder a verdade, mas como explicar a de cerca de R$ 140 bilhões para 2017? É corrente que tais decisões não correspondem àquelas que seus apoiadores de primeira hora esperavam. Não há dúvida de que são bem menos ortodoxas do que as de Nelson Barbosa, quando, assustado, começou a propor políticas em que ele próprio não acreditava, as quais comprometiam o governo Dilma dentro de sua própria base – e deu no que deu.

Há quem diga que tudo isso mudará com o impeachment definitivo e depois da eleição. Só que, depois desta, haverá outras. Ninguém duvida de que, se o crescimento voltar e com inflação controlada, Temer será candidato, condição que disputará com o próprio Meirelles. Foi contexto semelhante que viabilizou Fernando Henrique e Dilma. O teste será as reformas impopulares à frente, como a trabalhista e a da Previdência. Nem sempre a conciliação é possível; o governo terá que decidir para que lado irá a balança e qual das forças é hegemônica. O mundo começa – e não termina – após as eleições.