Entrevista, Gustavo Grisa - Nos últimos oito anos, deu tudo errado para o RS

Entrevista - Gustavo Grisa : “Nos últimos 8 anos, deu tudo errado para o RS”.

O editor pediu para o economista Gustavo Grisa, autor do livro RS - Sem Medo do Futuro, analisar a repercussão da capa da Revista Veja da última semana. Grisa é sócio da consultoria Agência Futuro, consultor de projetos de desenvolvimento  e inovação de políticas públicas em todo o Brasil. Dentre outros destaques, alertou, em 2013, para a crise econômica que estava se instalando no País.

P - Em 2009, o Sr. já em seu livro alertava que, em dez anos, se um conjunto de iniciativas estratégicas não acontecessem, o Estado se encontraria em uma situação extremamente crítica. Chegamos lá? É o fundo do poço?

G - Infelizmente, sim. O que acontece confirma o pior cenário que pudéssemos imaginar há cerca de uma década atrás, quando estávamos em meados de um governo que propunha uma agenda reformista, e havia uma cultura de que o RS poderia seguir uma agenda pragmática e efetiva para o seu futuro.

P - Como avalia a situação do Estado? O que é causa, e o que é consequência?

As dificuldades não são desculpa para o descompasso estratégico. Em primeiro lugar, é possível, se pesquisarmos, encontrarmos matérias do final da década de 1970 alertando para a “crise das finanças gaúchas”.  A palavra-chave, como já disse diversas vezes, é procrastinação. Desde o Plano Sayad, em 1985, que planos são elaborados e deixados para implementar amanhã, em uma preguiça que mantém os corporativismos intocados e perpetua mediocridades.

Se some a isso um “deslocamento” crescente do eixo cultural-econômico-estratégico do País, ao Porto Alegre não mais se configurar em um polo regional de nível nacional. O Sul do Brasil virou multipolo. Se some a isso uma política nacional durantes os governos Lula e Dilma que foram muito desfavoráveis aos Estados mais industrializados.

P - Onde fica a responsabilidade dos governadores?

G - Aos que dizem que governos do Estado e a gestão política não fazem diferença, peço para analisarem o fracasso dos três últimos governos que passaram no Estado, inclusive o atual, e que já herdaram essa trajetória difícil.  O governo Yeda trouxe uma agenda correta, adequada para o momento, mas falhou em implementar, construir apoios, articular um legado - suas ações foram descontinuadas; o governo Tarso era confuso do ponto de vista temático e de prioridades, e fazia apologia do “déficit spending”, ou seja, de uma visão de que o Estado pode e até deve gastar mais do que arrecada. E exerceu essa visão, agravando a situação financeira. O de Sartori é marcado pela inércia, por um vácuo e por um antimarketing do Estado sem precedentes, ao vir a público admitir a falência do Estado e a inexistência de uma estratégia articulada. 

 P - Mas é a crise financeira que paralisa o Estado?

G - É a convivência de um grande problema de gestão, e um grande problema econômico. E os dois são retroalimentantes, ou seja, causa e consequência um do outro. Um exemplo claro é a nossa educação: não conseguimos mais saltos de produtividade, e temos até uma deterioração da consciência política devido à falta de qualidade na nossa educação, fruto claro da falta de investimentos e sucateamento da educação pública no Estado nos últimos 40 anos.  Temos uma geração que hoje são os recursos humanos do Estado que recebeu uma educação já muito deficiente, e atualmente, a coisa está piorando, em vez de melhorar.  Aí estouram as instituições, a segurança pública...

P - O que é possível fazer, ou reverter?

G - Acho que devemos ser mais pragmáticos, e menos sonhadores nesse aspecto. Estamos ainda longe de um cenário de terra arrasada total. Se o Estado entrasse em um ciclo de um ou dois governos mais efetivos em conseguir debelar ou reverter a crise financeira e criar maior atratividade econômica, o RS ainda tem força de reação.  É uma crise de liderança, é uma crise de convergência, e há uma mudança geracional que ainda não aconteceu. Ainda somos governados por quadros que advém da época da ditadura militar. E nossa classe empresarial tradicional tem sido dizimada pela baixa competitividade do Estado, o que leva à venda de ativos,  em vez de empresários de peso temos “famílias ricas” e um esvaziamento da inteligência e influência do RS. Mas há como recuperar.

P- Qual o caminho?


G - Principalmente, criar melhores alternativas de liderança, melhorar o nível dos debates, e votar melhor. Parar de compactuar com propostas que trazem “mais do mesmo” ou mero populismo genérico, pois esse mundo está mudando há mais de 20 anos e existem, sim, muitas possibilidades de inovações institucionais se houver governança e qualificação para tal. Mas precisamos parar de fugir dos remédios mais amargos e do medo de enfrentar corporações.

Sessim proibido

Despacho em 25/09/2016 - RP Nº 59425 Dra. CRISTIANE ELIZABETH STEFANELLO SCHERER

A Coligação RENOVAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE CIDREIRA, formada pelos partidos PP, PTB, REDE e DEM, ajuizou representação contra o PARTIDO SOCIALISTA DEMOCRÁTICO e ELÓI BRAZ SESSIM, em razão deste ultimo, mesmo estando com seus direitos políticos suspensos, está realizando, junto com seu partido, comícios, reuniões partidárias, carreata política para impulsionar e difundir as ideias e propostas do PSD, bem como veiculando propaganda política em rádio e nas redes sociais, demonstrando desrespeito para com a justiça, restando configurada a conduta criminosa. Requereu a concessão de liminar determinando ao representado Elói Braz Sessim que se abstenha de praticar quaisquer atos políticos ou partidários na campanha municipal de Cidreira, sob pena de caraterização de crime de desobediência. No mérito, a procedência da representação condenando a pena pecuniária no grau máximo, bem como seja determinada a retirada de todas as publicações em sua página oficial no Facebook e seja compelido a não mais participar de manifestações políticas públicas.

Registro de plano o entendimento no sentido de que o art. 337 do Código Eleitoral, não guarda sintonia com os artigos. 5º, IV, e 220 da Constituição Federal, que garantem ao indivíduo a livre expressão do pensamento.
Todavia, forçoso reconhecer que, em determinadas situações, visando preservar garantias de maior hierarquia como, por exemplo, para o fim de proteção da lisura e transparência do processo eleitoral democrático, faz-se necessário a limitação de certas liberdade individuais. Após a edição da Lei da Ficha Limpa, em especial, não se pode afastar a ideia de que é necessário evitar que cidadãos com seus direitos políticos suspensos e/ou inelegíveis ajam por via indireta para atingir objetivo pessoal, mas que lhe foi vedado pela legislação. Assim, mesmo respeitado o exercício da cidadania, deve-se impor limites e, até mesmo vedar, a participação nas atividade partidária daquele que tem seus direitos políticos suspensos, com a finalidade de evitar a tão conhecida influência indireta no resultado eleitoral e, por consequência, na administração pública, caso eleito seu candidato.
 Este é o caso dos autos, onde o representado Elóis Braz Sessim teve seus direitos políticos cassados quando do julgamento do processo 073/1.05.0009933-7, mas continua atuando de forma evidente na política municipal, o que levou, inclusive, a nulidade da convenção partidária e ao indeferimento da chapa majoritária da Coligação Oposição de Verdade (RE nº 240-97.2016.6.21.0110)
 Como já dito quando do julgamento do RE acima citado, a suspensão dos direitos políticos afeta ¿para além da vedação do exercício do vínculo associativo e seus consectários, a própria participação em atividades político-partidárias, a qualquer título, inclusive comícios e atos de propaganda, demanda o gozo dos direitos políticos,...¿.
Desta forma, razão assiste a Representante quando argumenta que Elói Braz Sessim continua participando ativamente da campanha política da Coligação Oposição de Verdade, também com seu registro já indeferido, participando de carreatas, comícios, exposição em redes sociais e outros materiais da campanha.
Assim afirmo diante das provas juntadas pela representante, como por exemplo, nas fotografias onde se vê que o representado Elói Braz Sessim é a figura central, estando em primeiro plano, passando a impressão de que ele é candidato a majoritária e os demais seus asseclas.
Desta forma, evidente que o representado Elói Braz Sessim está exercendo atividade político-partidária, participando ativamente e acintosamente da campanha eleitoral da Coligação Oposição de Verdade, não obstante estar com seus direitos políticos suspensos, em inquestionável desrespeito não só a legislação eleitoral, mas também e, principalmente, em relação ao eleitor, pois está induzindo-o em erro.
Assim posto, defiro o pedido liminar, determinando que o representado Elói Braz Sessim e a Coligação Oposição de Verdade se abstenham, de imediato de praticarem quaisquer atos políticos ou partidários na campanha municipal de Cidreira envolvendo a figura de Elói Braz Sessim, devendo retirar, inclusive, as propagandas das mídias sociais, sob pena de desobediência.

Intimem-se. 


Notifiquem-se.

Tarifas altas alimentam lucros dos bancos

Os balanços dos três maiores bancos priva- dos que atuam no Brasil comprovam que a crise econômica passa longe do setor financeiro. Juntos, Bradesco, Santander e Itaú lucraram R$ 50,12 bilhões em 2015, aumento de 20% em relação a 2014, quando ganharam R$ 41,8 bilhões. Tanto Itaú quanto Bradesco registraram os maiores resultados da História, com R$ 26,15 bilhões e R$ 17,8 bilhões, respectivamente.

Entre os vários itens responsáveis por essa alta lucratividade, o aumento das tarifas e serviços bancários acima da inflação teve um peso que chamou a atenção das entidades de defesa do consumidor. Só o Itaú, o Bradesco e o Santander arrecadaram R$ 83,11 bilhões, em 2015, com receitas de serviços, em que estão embutidas as tarifas – Bradesco registrou R$ 41,8 bilhões, Itaú R$ 29,45 bilhões e Santander, R$ 11,86 bilhões. O montante total do que foi arrecadado com as tarifas, porém, é uma caixa-preta que os bancos não divulgam nem em suas demonstrações   financeiras.

As tarifas praticadas pelas instituições bancárias foram padronizadas em 2007, por meio da Resolução nº 3.518 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Desde então, os bancos são obrigados a deixar claro aos consumidores todos os serviços cobrados, além de oferecer pacotes que contenham os chamados serviços essenciais. De acordo com   a  regulamentação do BC, no caso de aumento das tarifas, os bancos devem comunicar ao consumidor com, no mínimo, 30 dias de antecedência. Além disso, o consumidor deve ter fácil acesso às informações relativas aos serviços cobrados, no site da instituição e em tabelas na própria agência.

Em 2010, a edição da Resolução, a nº 3.919, que alterou e consolidou a Resolução nº 3.518, de 2007, possibilitou aos clientes a comparação entre os preços dos serviços de cartão de crédito praticados pelos bancos e demais instituições emissoras. De acordo com Sidney Menezes Ferreira, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC, “a Resolução nº 3.919 estabeleceu que somente é admissível a cobrança de tarifas de clientes se o serviço tiver sido previamente autorizado ou solicitado por eles, e se a possibilidade de cobrança estiver prevista no normativo”. A Resolução determinou, também, a obrigatoriedade da oferta, por parte de instituições emissoras, de cartão de crédito de baixo custo e de formatação simplificada, a ser utilizado na sua função clássica de pagamento de bens e serviços em estabelecimentos credenciados. Denominado “cartão básico”, tanto nacional quanto internacional, não pode estar associado a programas de benefícios ou de recompensas.

DE  OLHO  NO  CONSUMIDOR
O cumprimento dessas normas é acompanhado de perto pelo BC e órgãos de defesa do consumidor. Segundo Sidney Ferreira, a fiscalização realizada pelo Banco tem por objetivo verificar se a cobrança de tarifas está em desacordo com o que de- termina a Resolução nº 3.919, e é feita por meio de verificações especiais in loco, aná- lises horizontais e nos acompanhamentos específicos feitos junto aos bancos. “Já a abusividade da cobrança de tarifa, entendida como a precificação abusiva dos serviços prestados pelas instituições, é matéria da alçada dos órgãos do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, do qual o Banco Central não é parte integrante”, explica.

Para as entidades que defendem o cliente bancário, porém, não é simples detectar os abusos. Em resposta à regulamentação do BC, que criou quatro pacotes padronizados e uniformizou a nomenclatura das tarifas, os bancos montaram seus próprios pacotes comerciais, reajustados sem qualquer tipo de limite legal, permitindo, assim, aumentos muito acima da inflação. O que explica, em parte, suas altas taxas de lucratividade. “Embora o BC tenha imposto quatro tipos de pacotes padronizados, no momento da abertura de conta, o banco empurra um dos seus pa- cotes comerciais. Para cancelá-lo, o cliente tem de enviar carta em duas vias”, explica Cristina Rafael Martinussi, supervisora de pesquisas do Procon-SP.

Nehemias Monteiro Junior, analista do BC, observa que no ranking de instituições por índice de reclamação, a quinta queixa mais recorrente é a de cobrança irregular de tarifas por serviços não contratados, seguida por recusa de cancelamento do pacote de serviços, em 13º lugar, e cobrança irregular de tarifa de serviço prioritário, em 21º. “Muitas vezes, o banco cobra por um pacote de serviços, mas pela lei não pode fazer isso, caso o cliente não tenha solicitado o pacote. Outra irregularidade comum é quando o banco muda as regras de isenção e o cliente passa a pagar tarifas. As pessoas confiam no que lhes é oferecido, mas muitas vezes o pacote não é adequado às necessidades do cliente”, adverte Nohemias.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), realizada no ano passado, os aumentos chegam a 136%, entre serviços avulsos, e 75,2%, entre os pacotes analisa- dos. O estudo avaliou 75 pacotes de serviços dos seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander) e detectou que 44% sofreram reajustes. Em muitos casos, os aumentos aplicados foram bem superiores à inflação do período (de março de 2014 a fevereiro de 2015, medida em 7,7%). O Bradesco, por exemplo, elevou o preço de um de seus pacotes em 75,2% – quase dez vezes acima da inflação.

“Os reajustes foram mais frequentes entre os pacotes de custo intermediário, os quais, possivelmente, são os mais utilizados pelos consumidores”, aponta Ione Amorim, economista e pesquisadora do Idec. Entre as tarifas avulsas, os aumentos, apesar de pontuais, também foram significativos. O HSBC, por exemplo, ele- vou a anuidade de um cartão de crédito em 136%. “Os índices [de reajuste] muito superiores à inflação são abusivos e sem justificativas do ponto de vista da prestação do serviço”, alerta.

Ione Amorim informa que uma nova pesquisa será publicada em setembro, com os dados de 2016. Mas, de antemão, já detectou o aumento de ta- rifas em função do endividamento das pessoas, que têm buscado menos crédito. Com a redução das receitas de financiamento, os bancos buscam compensar as perdas por meio da elevação das tarifas de serviços bancários.

O Procon-SP, por sua vez, chama a atenção para a disparidade entre as tarifas praticadas pelos bancos. Pesquisa do órgão, divulgada no fim de junho, revela que a diferença de valor entre os serviços bancários prioritários pode chegar a 447,50%. Para o serviço “Pagamento de contas utilizando a função crédito do cartão”, o menor valor cobrado foi R$ 4, pelo Banco do Brasil, e o maior, R$ 21,90, pelo Santander. A pesquisa analisou e comparou serviços
prioritários e pacotes padronizados de sete instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, CEF, HSBC, Itaú, Safra e Santander. Os dados foram coletados nos próprios sites dos bancos.

Segundo Cristina Martinussi, na comparação entre 2015 e 2016, a maior variação foi de 198,25%, no serviço Depósito Identificado no Banco do Brasil. Em 16/6/15, o custo desse serviço era de R$ 2,85, em 2/6/16, passou para R$ 8,50.

Na comparação entre os bancos, feita pelo Procon-SP, a maior diferença foi encontrada no Pacote Padronizado IV. O menor valor cobrado por ele é de R$ 25,50 no HSBC, enquanto no Itaú o mesmo pacote custa R$ 36 – 41,18% mais caro.

A Fundação Procon-SP lembra que o Banco Central estabelece um rol de ser- viços gratuitos, que pode ser boa opção para o consumidor que não utiliza a conta corrente com frequência. Mas no caso de optar pela contratação de um pacote, o correntista deve verificar se os serviços inclusos e suas respectivas quantidades estão de acordo com sua utilização, e sempre observar se a instituição financeira oferece algum desconto no pacote, em função do seu relacionamento com ela.

NA ERA DIGITAL
A utilização de novas tecnologias, com o oferecimento de serviços, tais como SMS, token e agências virtuais, também é fonte de preocupação. Questionado sobre se esses novos serviços podem ser tarifados, Sidney Ferreira explica que a Resolução 3.919 admite a cobrança pela prestação do serviço diferenciado, como envio de mensagem automática relativa à movimentação, ou lançamento em conta de depósitos ou de cartão de crédito. “A cobrança de tarifas, nesse caso, pressupõe que o serviço tenha sido objeto de contratação prévia pelo cliente, com a explicitação de suas condições de utilização e de pagamento. Quanto ao fornecimento de token e à disponibilização de agências virtuais, a regulamentação vigente não prevê a possibilidade de cobrança de tarifas específicas”.

De todo modo, o Banco Central vem acompanhando as inovações que guardam relação com as atividades desenvolvidas no âmbito do mercado financeiro, tendo criado um grupo de trabalho interno, com a participação de representantes de todas as áreas técnicas, com o objetivo de elaborar, inicialmente, estudos a res- peito de inovações tecnológicas digitais relacionadas às atividades do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema de Pagamentos  Brasileiro.

No intuito de baratear seus custos, os bancos também têm insistido no uso de canais digitais, em substituição aos canais presenciais. Para Ione Amorim, essas iniciativas estimulam a precarização dos serviços bancários, como a recente decisão dos principais bancos de deixarem de receber pagamento de contas nos guichês das agências. Ela lembra que nem todo mundo tem internet, e nem toda cidade tem infraestrutura de telecomunicações adequada. “A migração para os canais digitais não é espontânea, e sim imposta e estimulada pelos bancos. Num primeiro momento, os novos serviços que ainda dependem de adesão são oferecidos sem custo, mas o segundo passo é cobrar pelas facilidades, como o doc e a transferência no internet banking”, adverte.

Em defesa das instituições bancárias, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) esclarece, por meio de um posicionamento padrão, que taxas e tarifas representam o pagamento pela prestação de serviços. Os bancos são tanto prestadores de serviços quanto intermediários financeiros. Isto é, além de serem remunerados pela concessão de crédito, auferem receitas por outras diversas atividades. A entidade afirma que os bancos seguem estritamente as regulamentações do Banco Central no que se refere às cobranças que podem ou não serem feitas. Dentro das normas estabelecidas, cada instituição financeira determina os preços de seus produtos de acordo com sua estratégia comercial.


Artigo, Guilherme Fiuyza, O Globo - Afundou o País e foi à praia

Afundou o país e foi à praia
Progressistas de butique não se importam que as bandeiras de esquerda tenham sido usadas para roubar o país

24/09/2016 - 08h01
Guilherme Fiuza, O Globo

Não há PowerPoint que consiga explicar a pedalada de Dilma Rousseff na Praia de Ipanema. Tranquila, sem contratempos, ela foi até o Leblon e voltou. Numa boa. No dia seguinte, seu ex-ministro da Fazenda foi preso. Como a torcida do Flamengo já sabia, Guido Mantega era mais um despachante da companhia.

Vejam como a senhora das pedaladas é honesta, conforme um pedação do Brasil adora acreditar: Mantega, Paulo Bernardo, Fernando Pimentel, Gleisi Hoffmann, André Vargas, Erenice Guerra, João Vaccari... Chega. Já sabemos que a cada enxadada corresponde uma minhoca.

Todo o estado-maior de Dilma, e o menor também, está enrolado com a polícia. E ela está na praia. Com a saga de Guido Mantega no governo popular — que vai sendo revelada pela mulher do marqueteiro, por Eike Batista e outros inocentes torturados pela Lava-Jato, — o farol de Curitiba começa a apontar para as catacumbas do BNDES.

As negociatas de Fernando Pimentel, amigo de Dilma e governador de Minas (nesta ordem), somadas às tramas de Lula com suas empreiteiras de estimação, já indicavam que as paredes do gigantesco banco público têm muito a contar. Agora vai. Mantega foi um dos peões de Dilma no colossal esquema da contabilidade criativa, que o Brasil só notou quando foi apelidado de pedalada, e mesmo assim não acha muita graça.

É um enredo impressionante envolvendo BNDES, Tesouro, Caixa e Banco do Brasil, para esconder déficits e liberar dinheiro público para os companheiros torrarem em suas olimpíadas eleitorais. Isso aconteceu por mais de uma década, e foi um par de flagrantes desse assalto que despachou a presidenta mulher para Ipanema — o famoso golpe.

Se Lula é o sol do PowerPoint, Dilma é, no mínimo, a lua. Guido Mantega deu sequência às obras dela na presidência do Conselho de Administração da Petrobras, sob o qual foi montado e executado, nos últimos 13 anos, o maior esquema de corrupção da República — se é que há algo de republicano nesse populismo letal.

A literatura obscena da Lava-Jato, e em especial a denúncia do Ministério Público contra Lula (que o Brasil não leu, porque é muito longa), mostra tudo. Lula e Dilma cultivaram os ladrões camaradas nos postos-chave para manter a dinheirama irrigando os cofres partidários. Mas Dilma diz que não tem conta na Suíça como Eduardo Cunha.

Vamos esclarecer as coisas: Eduardo Cunha é um mendigo perto do esquema bilionário que sustenta Dilma, a mulher honesta. O que também sustenta Dilma, e todos os delinquentes do bem, é a ação corajosa dos progressistas de butique. Eles não se importam que as bandeiras de esquerda tenham sido usadas para roubar o país.

O papo do golpe é uma mão na roda: Dilma, a revolucionária, foi massacrada pelos velhos corruptos do PMDB. Todos sabem que estes viraram ladrões de galinha diante da ópera petista, mas lenda é lenda. Ser contra o golpe dá direito a ser contra a ditadura militar, a violência policial, o racismo e o nazismo. É um pacote e tanto.

Também dá direito a ir à posse de Cármen Lúcia no Supremo Tribunal Federal — o mesmo STF que presidiu o impeachment de Dilma. Deu para entender? Vários heróis da resistência democrática contra o golpe foram lá, pessoalmente, festejar a nova presidente da corte golpista. Contando, ninguém acredita.

Teve até show de MPB — a mesma que ouviu da própria Cármen Lúcia o famoso “cala a boca já morreu”, contra aquele projeto obscurantista de censurar biografias. Alguém já disse que é proibido proibir. Mas debochar da plateia está liberado. Nem é bom citar esses acrobatas da ideologia. Vários deles são artistas sensacionais, que colorem a vida nacional.

Melhor esperar que desembarquem de suas canoas furadas a tempo, e parem de alimentar essa mística vagabunda — porque, atenção, comprar o barulho do governo destituído e seus genéricos não tem nada a ver com ser de esquerda. Ao contrário: além de destruir a economia popular, essa gangue fraudou as bandeiras da esquerda.

Adaptando Millôr: desumanizaram o humanismo. Foi uma dessas turminhas de humanistas desumanos que hostilizou uma jornalista de TV com seu bebê de 1 ano numa calçada da Gávea. São jovens simpatizantes de um desses candidatos bonzinhos que incentivam a porrada. Eles são contra o sistema (seja lá o que isso signifique) e contra a mídia burguesa.

Assim morreu o cinegrafista Santiago Andrade. No dia 2 de outubro, os cafetões da criançada ignara vão às urnas buscar seus votos progressistas. Os heróis da resistência ocuparam o Canecão. Ótima ideia. Melhor ainda se tivesse sido executada há quase dez anos, quando o PT fechou esse templo da música — fingindo que estava defendendo a universidade pública de empresários gananciosos.


Onde estavam vocês quando aconteceu esse golpe hipócrita contra a arte? Vamos falar a verdade, queridos cavaleiros da bondade. Antes que a praia vire passarela de quem devia estar vendo o sol nascer quadrado.

Vem aí o 54o Congresso Anual de Jornais do Interior do RS

     A Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul realizará seu 54º Congresso Anual nos dias 04, 05 e 06 de novembro de 2016, no Hotel Araçá, Praia Nova Araçá, localizado em Capão da Canoa, litoral do RS, quando se reunirão centenas de dirigentes empresariais de comunicação, jornalistas, publicitários, estudantes de jornalismo e colaboradores de jornais do interior do estado.
      Durante o evento haverá uma agenda de seminários e palestras sobre temas da atualidade ambiental, as relações entre sociedade e instituições e o papel dos meios de comunicação neste processo sistemático que envolve a humanidade e a macro-economia global, bem como as comunidades regionais onde vivemos e desenvolvemos nossos negócios e cultura. Serão momentos de conhecimento, reflexão e possibilidade de adaptar conceitos, sem abalar estruturas imprescindíveis para a sustentabilidade dos projetos e programas. Os seminários serão abertos para discussões com palestrantes e convidados para expressarem suas observações. Campanhas como a do bom e racional uso da água potável em nossas comunidades serão planejadas pelas mesas de trabalho, bem como outros temas que serão desenvolvidos pela programação em elaboração.
      Durante o Congresso haverá uma exposição de produtos gráficos e tecnologia da informação, para os congressistas e convidados conhecerem novos equipamentos desenvolvidos para o setor de mídia, em especial os processos das digitais.
      Os empreendedores do setor de jornalismo do interior do estado estarão presentes para neste encontro definirem estratégias para o avanço de seus mercados. Também o processo de crescimento da mídia online estará na pauta das palestras e dos debates deste Congresso dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul.
       
      A Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul tem como objetivo geral de seu 54º Congresso oportunizar aos associados e convidados momentos de cultura, reflexão e debates, através das palestras e seminários onde importantes temas serão abordados. Tem como objetivo reunir centenas de dirigentes e colaboradores de jornais do interior do estado para uma reflexão da atual situação ambiental, produtiva, econômica e social das comunidades onde vivem, e a possibilidade de desenvolverem projetos com idéias de sustentabilidade racional. O desenvolvimento das comunidades resulta em bons negócios para a indústria, o comércio e os setores de serviços, como a comunicação. O objetivo final é pontuar entre os congressista a tese do engajamento mais agudo e ativo dos meios de comunicação, em parceria com governos, setores institucionais e empresariais, nos projetos de desenvolvimento sustentável e ambiental de suas regiões de atuação profissional.
       
      O cronograma do 54º Congresso Anual, na seguinte ordem:
       
      Dia 04 de novembro/2016 - Sexta-feira:
      14 h. Recepção aos congressistas, associados e convidados no saguão do Hotel Araçá, localizado em Capão da Canoa, litoral do RS. Início dos credenciamentos.
      16 h. Primeira Palestra e Seminário do Congresso.
      20:00 h.  Jantar de abertura do Congresso.
      Dia 05 de novembro/2016 – Sábado:
      10:00 h. – Segunda palestra e Seminário.
      14:00h. – Terceira Palestra e Seminário com formação de mesas com grupos de trabalho para reflexão e debates de temas apresentados.
      20:00 h. - Jantar de Posse da nova presidência e diretoria.
      Dia 06 de novembro/2016 – Domingo:
      10:00 h. – Palestra final do Congresso.
      12:00 h – Almoço de encerramento do Congresso. 

      A Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul estima que o 54º Congresso de Jornais, a se realizar em Capão da Canoa entre os dias de 04, 05 e 06 de novembro de 2016, deverá contar com um público total de presenças na faixa de 500 pessoas, entre congressistas e convidados.




Artigo, Denis Lerrer Rosenfield, Zero Hora - Jogo de cena

Denis Lerrer Rosenfield
Jogo de cena
      Haja paciência com os discursos de Lula e de sua claque petista e comunista. Ele já foi um excelente ator, mas, convenhamos, está se tornando um canastrão. Nada faz sentido; frases se concatenam aleatoriamente e a única coisa que lhe interessa é o ocultamento da realidade. E aqui está falhando fragorosamente.
      A sua última aparição pública, em reação – e não em resposta – aos promotores da Lava Jato é mais uma prova disto. Digo reação e não resposta, pois nada contestou, provavelmente por não ter o que dizer dos crimes por ele cometidos. Limitou-se a uma reação política, voltada para os que o aplaudem em qualquer circunstância, por mais disparates que diga.
      Os petistas de plantão logo se apressaram a dizer que ele não seria o “comandante máximo”, o general de uma organização criminosa, omitindo, por via de consequência, qualquer explicação sobre o tríplex do Guarujá, o transporte e o armazenamento de seu “patrimônio público” por uma empreiteira que o financiou com o dinheiro desviado do propino duto da Petrobrás.
Nem, tampouco, sobre o que já foi amplamente divulgado – porém ainda não denunciado pelo Ministério Público – como o sítio de Atibaia, as suas “palestras” que somam mais de 50 milhões de reais, “pagas”, em boa parte, com o dinheiro do mesmo propino duto. Crimes petistas são para serem ocultados ideologicamente, e não para serem julgados de acordo com a lei!
Façamos uma analogia. Al Capone não foi condenado por assassinato, roubo, tráfico de drogas, jogatina, prostituição e assim por diante. Foi julgado por uma coisa aparentemente menor, qual seja, sonegação do imposto de renda. Foi o modo que os policiais e os promotores encontraram para dar um basta à sua série de crimes, desmontando, assim, a sua quadrilha. Infelizmente, para ele, não teve na época um Delúbio Soares que poderia aconselhá-lo com sua “contabilidade criativa”. Alguém tem, porém, alguma dúvida de que Al Capone era o comandante máximo de seu bando?
Peguem outro caso. O agora ex-deputado Eduardo Cunha foi cassado por ter desviado recursos públicos? Por ter todo um esquema de financiamento pessoal e de seu grupo de deputados por intermédio de “negócios” com o seu aparelhamento de empresas estatais e bancos públicos? Não! Ele foi cassado por ter mentido por manter contas suas em bancos suíços! O PT deveria, portanto, “absolvê-lo”?

Chega de tanta encenação. Tudo tem limites. E Lula e seu grupo há muito os ultrapassaram.

TRF4, Porto Alegre, mantém prisões de Zelada e Genu.

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou, por unanimidade, em sessão realizada ontem, os pedidos de habeas corpus do ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada e do ex-assessor do Partido Progressista (PP) João Cláudio de Carvalho Genu, réus na Operação Lava Jato.

O julgamento do mérito dos HCs pela turma criminal confirmou decisão liminar do desembargador federal João Pedro Gebran Neto (foto ao lado) tomada em agosto.

Segundo João Pedro Gebran (foto), relator do HC, a nova ordem de prisão contra Zelada foi decretada com base em novos e relevantes fundamentos. O desembargador ressaltou que há forte probabilidade de que o réu seja titular de outras contas no exterior em nome de offshore, ainda não bloqueadas. Gebran citou a descoberta de duas contas na Suíça e a existência de transferências significativas para contas na China feitas pelo executivo.
“As provas indicam que Zelada movimentou ativos ilicitamente no ano de 2014, já durante a investigação da Operação Lava Jato, com a finalidade de transferir recursos para o Principado de Mônaco, o que, por si só, representa a prática de novos atos de lavagem durante a investigação e tentativa de frustrar a aplicação da lei penal”, escreveu Gebran em seu voto.

Gebran reforçou que a libertação do réu nesta fase do processo colocará em risco a ordem pública e a aplicação da lei penal.


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