Rony Gabriel, influenciador com 2 milhões de seguidores, vereador de Erechim, é o mais novo candidato do Podemos a deputado federal do RS. Ele ganhou projeção nacional após denunciar operação para contratar influenciadores em defesa do Banco Master e contra o Banco Central.
O vereador de Erechim Rony Gabriel teve sua candidatura a deputado federal homologada pelo Podemos neste sábado, 25 de julho, durante a convenção estadual da sigla realizada no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
O evento contou com a presença de algumas das principais lideranças do campo de centro-direita e direita no Rio Grande do Sul, entre elas Luciano Zucco, candidato ao Governo do Estado, Silvana Covatti, candidata a vice-governadora, e o deputado federal Marcel van Hattem, que teve sua candidatura ao Senado homologada pelo Novo também neste sábado.
A homologação consolida uma movimentação política iniciada no começo do ano, quando Rony deixou o PL e ingressou no Podemo.
O caso do Banco Master e Rony Gabriel
Um dos episódios responsáveis por colocar seu nome no centro do debate político nacional foi o caso Banco Master. No fim de 2025, Rony afirmou ter sido procurado para participar de uma operação de gestão de reputação que, posteriormente, segundo seu relato às autoridades, revelou ter como objetivo a produção de conteúdos favoráveis ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que seriam levantados questionamentos contra a atuação do Banco Central.Segundo o depoimento prestado posteriormente à Polícia Federal, a primeira abordagem ocorreu em dezembro. Rony relatou ter sido procurado por um representante da empresa UNLTD para discutir um trabalho de gestão de crise e reputação de um grande executivo. Durante uma reunião virtual, ainda de acordo com o parlamentar, o nome de Daniel Vorcaro foi apresentado e a possibilidade de remuneração milionária foi mencionada. Rony recusou o trabalho e, no início de janeiro, decidiu tornar pública a abordagem e os materiais que havia recebido.O episódio passou a ser conhecido como “Projeto DV”, denominação cujas iniciais coincidem com o nome de Daniel Vorcaro. Reportagens nacionais revelaram a existência de cláusulas de confidencialidade que poderiam chegar a R$ 800 mil e uma atuação coordenada nas redes sociais com conteúdos que questionavam a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. A denúncia ganhou repercussão nacional e levou a Polícia Federal a aprofundar a apuração sobre a contratação de influenciadores e páginas digitais, com dezenas de perfis sendo analisados pelos investigadores.Rony prestou depoimento à Polícia Federal em fevereiro e entregou informações sobre a abordagem recebida, os contatos realizados e a proposta apresentada. A repercussão chegou também ao Supremo Tribunal Federal. Em março, elementos ligados ao chamado “Projeto DV” apareceram em decisão do ministro André Mendonça no âmbito das investigações envolvendo Daniel Vorcaro. A decisão citou indícios de uma estrutura destinada a aproximar interesses ligados ao empresário de influenciadores digitais para impulsionar determinadas narrativas e atacar a reputação do Banco Central.
Além de denunciar a tentativa de contratação, Rony passou a cobrar publicamente maior transparência sobre as relações políticas e institucionais reveladas ao longo do caso Master. Em entrevista à Gazeta do Povo, criticou aspectos da condução das investigações no Supremo, questionou a manutenção de sigilos e defendeu que as apurações avançassem sobre todos os envolvidos, independentemente do cargo ou da posição ocupada. Também defendeu que o inquérito principal fosse remetido à primeira instância caso não permanecessem fundamentos para sua tramitação no STF, sob o argumento de que isso ampliaria a transparência das investigações.
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