quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Exportação de Revoluções, Astor Wartchow

Exportação de Revoluções
Astor Wartchow
Advogado
 Na história mundial ocorreram experiências de exportação de ideais revolucionários. Na teoria , mais fácil, obviamente. Porém, na prática, mais complexo.
      Inspirada no ideal marxista-leninista, a revolução russa se revelou uma das mais influenciadoras, sobretudo no pós segunda-guerra mundial ao co-estabelecer de modo grave e belicoso a dita “guerra fria”.  Outra prática exportadora que se revelou influente foi a revolução cubana.
      Independentemente das motivações e razões teóricas e idealizadas que possam representar, quero destacar a conseqüência onerosa - social e econômica - aos “exportadores”.
      A então União Soviética semeou e financiou atos e fatos em todos os recantos. Cuba também, especialmente no continente africano. Nos dois casos, o custo social e econômico de sua população foi imenso e duradouro.
      Quero crer que se a idéia de “exportação revolucionária” não tivesse prosperado talvez o destino (e o próprio ideal socialista) das duas nações pudesse ter sido diferente e bem sucedido.  
      Dito isto, é inevitável a comparação destas fracassadas experiências exportadoras com o audacioso financiamento brasileiro da dita e autodenominada “revolução bolivariana”.
      Se o generoso apoio financeiro estatal brasileiro – leia-se BNDES – visava o desenvolvimento e crescimento de nossas empresas no âmbito internacional,  não menos verdade é que o tempo revelou se tratar de um gigantesco negócio de corrupção.
      Pode-se incluir a Petrobrás nestas “operações revolucionárias” ao tolerar invasões e apropriações indébitas de patrimônio brasileiro em território estrangeiro (ver também o calote venezuelano tolerado no caso refinaria Abreu e Lima).
      Para capitalizar o banco, o Tesouro Nacional transferiu volumes financeiros gigantescos ao BNDES. Atualmente, o Tesouro cobra do BNDES mais de 180 bilhões.
      Nos negócios internacionais financiados pelo BNDES na Venezuela, Bolívia, Angola e Cuba, por exemplo, a maioria relacionada à Odebrecht, não há a mínima certeza de que serão honrados.
      Resumindo: a pretexto de alavancar empresas nacionais, o BNDES foi usado para patrocinar e financiar  “a revolução bolivariana” e, consequentemente, os espertalhões políticos e empresários que lideravam o processo.
      Não esqueçamos que alguns empréstimos internacionais do BNDES foram tornados secretos. Quando solicitada a informação (e negada!), nosso governo declarou que o sigilo teria sido uma exigência contratual dos contratantes.
      É evidente a motivação ideológica. Ou seja, as operações não estavam limitadas a duvidosa (e de alto risco) política de financiar e “criar global players” (lembrar do Eike Batista e os irmãos da JBS, entre outros).
      Então, a exemplo dos povos russo e cubano, agora os brasileiros vivem tal experiência ao patrocinar e financiar “a revolução bolivariana”, também economicamente onerosa e socialmente fracassada!

       

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