segunda-feira, 17 de junho de 2019

Artigo, Guilherme Fiuza, Gazeta do Povo - Os arapongas de bordel

Pegaram Sergio Moro. Ele foi flagrado sentenciando o ladrão mais querido do país – e isso não se faz. O pessoal da mídia transformista – a militância fantasiada de jornalismo – não gostou do que o principal juiz da Lava Jato falava em privado durante o processo que condenou o bom ladrão. Jean Wyllys (por acaso amigo dos arapongas em questão) já tinha reclamado que a voz de Moro é fina. Agora veio a queixa sobre os modos para se referir ao ladrão amigo.

Ok, cada um na sua – e se a sua é a militância delinquente com maquiagem de jornalismo investigativo, você tem mesmo que caçar quem defende a lei. Ainda assim, se coloque no lugar de Sergio Moro por um instante.

Ele estava liderando a força tarefa que capturou a quadrilha mais simpática e voraz da história. Já tem gente até dizendo que ele não poderia ter liderado Lava Jato nenhuma, que tinha que ficar lá no gabinete dele canetando os processos e ponto. Normal: no mundo encantado dos legalistas de almanaque, a justiça se faz praticamente com uma varinha de condão. O juiz é um burocrata que não precisa nem lavar as mãos no fim do expediente, tal o seu isolamento virtuoso.

Voltando ao mundo real e sua desobediência aos almanaques, Moro tinha entendido que o filho do Brasil – uma figura a caminho da canonização em vida – aproveitara sua santificação na Terra para se associar a santidades menos conhecidas que ele, mas igualmente puras – que viviam no altar das empreiteiras. Tudo em nome da amizade e da camaradagem, num clima tão fraterno e altruísta que ali a gula nem era pecado. Sendo assim, saíram devorando tudo (sem culpa).

Sergio Moro foi o estraga prazeres que apareceu para atrapalhar essa história bonita. O final terrível de tudo isso – se é que se pode falar em final – foi a condenação e prisão inédita no país de empreiteiros bilionários que só queriam fazer o bem, junto com ídolos do PT que tomaram o dinheiro do povo só para impedir que ele gastasse tudo com cachaça.

Agora imagine a cena: Moro decreta a prisão de Lula e ele simplesmente não obedece. Se tranca num sindicato cercado de fiéis transtornados esbofeteando jornalistas e dizendo que o grande líder só sairia dali sobre seus cadáveres. A companheira Gleisi já tinha avisado que ia morrer gente se ousassem tentar prender Lula.

Vários desses intelectuais de almanaque – os que dizem que juiz bom é juiz de gabinete – ali já diziam que Moro tinha dado vexame: sua sentença precipitada e inócua iria para a lata de lixo da história.

Os legalistas sabem admirar um bom drible marginal nas instituições.

Além deles, na torcida – e na fé – pelo baile de Lula na Justiça e na lei, estavam celebridades, famosas entidades de classe, parte da imprensa internacional, instituições multilaterais de direitos humanos (sic), etc. E Moro jogando xadrez com essa tsunami “progressista” em sentido contrário, fora os insultos de quem estava a favor dele mas já o chamava de arregão nas redes sociais. “Manda a polícia logo!” “Morreu na praia!” etc.

Ao contrário do que fingem querer os legalistas de almanaque, nesse momento Sergio Moro não estava sozinho em seu gabinete esperando a justiça se fazer pela providência divina. Certamente estava conversando não só com procuradores, mas com delegados, agentes, desembargadores e outros. Estava fazendo o que não estava em nenhum script e contrariava todos os convites das circunstâncias: evitar um banho de sangue e desmontar um teatro que salvaria um criminoso.

Se os arapongas fantasiados de jornalistas capturarem alguma mensagem telefônica desse famoso 7 de abril de 2018, informarão, depois daquela edição caprichada, que Moro estava combinando com seus comparsas como capturar um inocente perseguido por ele.

Como diria Cazuza: transformam um país inteiro num puteiro pra ganhar mais dinheiro – e (complementamos) querem que o xerife seja a virgem.

2 comentários:

  1. Um cinismo abissal!o quê os legitiminam e os põem em segurança,para agirem com tamanha desfaçatez e certeza de não consequências?Se não querem perceber,uma hora colidirão frontalmente com o quê contribuem enormemente para gestar.Isso tudo tá corroendo fundo a alma do pais que se pensa como nação.Pós 2013,onde achei que o pais iria para guerra,a tábua que segurou foi a indole brasileira e a esperança que a justiça seria feita e os criminosos seriam punidos.Um lado,com o sacrificio pessoal e imaginável,persistiu contra o maior esquema de saque já perpetrado contra o povo brasileiro.Nunca saberemos com exatidão o que nos foi roubado!Trilhão?Quantos?Isso corroi a alma,rebaixa,fomenta pensamentos indignados que vão pra ira pura,que se debatem no psquismo e estraga o ventre!E eles não ligam,não se importam que saibamos nominalmente quem são e o que querem.Hora isso irá desandar e não haverá contenção!Que Deus esteja conosco!

    ResponderExcluir
  2. Essa mesma quadrilha, travestida de partido político, passou mais de 20(vinte) anos pregando contra a corrupção dos políticos e dizendo que somos os únicos HONESTOS E ÉTICOS como partido. Pregação em 2002 era "VAMOS COMBATER A CORRUPÇÃO E MELHORAR A VIDA DO POVO". O povo continua pobre e ELES E SEUS FILHOS ESTÃO TODOS MILIONÁRIOS. Já lá por 1996 eu disse para um político do PT, que vivia falando do FHC(é outro cara honesto) que o governo dele era corrupto. ME ENCHI DE TANTO OUVIR ESSA PREGAÇÃO QUE DISSE A ESSE PETRALHA - " no dia que o PT chegar ao poder, ROUBARÁ IGUAL OU MAIS DO QUE OS OUTROS PARTIDOS ROUBAM, PQ NO BRASIL SÓ TEMOS POLÍTICOS CORRUPTOS". O petralha ficou furioso e quis me bater. Final(ainda não, né) da história, esse partido é considerado pela ONU (que eles tanto apelam) como o governo, lula/dilma, mais CORRUPTOS DO MUNDO, PERDEM APENAS PARA A MÁFIA RUSSA.

    ResponderExcluir