Artigo, Marcelo Aiquel - Rescaldos do afastamento de Dilma Rousse

    Eu poderia escrever sobre a tecnicidade do processo de impeachment no Senado, palpitar sobre os votos que – com certeza – mudarão de lado na próxima deliberação, comentar o futuro político da nação, o novo ministério do Temer, os gaúchos que chegam ao poder, porém prefiro falar de flores, como Vandré cantou lá nos anos 60.
      Foram vários os fatos ocorridos e procurarei me ater aos que considero principais:

      1º - O DISCURSO RAIVOSO E IRRESPONSÁVEL DA PRESIDENTE AFASTADA
      O Brasil “da paz” foi sacudido pelo discurso de despedida da presidente guerrilheira Dilma Rousseff.
      Cercada por uma claque de militantes e alguns oportunistas “mortadelas”, a ex-presidente (tchau querida, até nunca mais!) mostrou a sua cara e caráter ao manifestar-se sobre o afastamento temporário (para as pretensões dela), que se tornará definitivo em muito breve (para júbilo dos brasileiros decentes):
      Conclamou a sua militância à luta, numa clara alusão à desordem nas ruas;
      Deixou transparecer que o PT, e os satélites PSOL e PC do B, farão uma oposição irresponsável ajudando a levar o país a um caos ainda maior, só para poderem dizer, mais tarde: “viram, nós somos a salvação”;
      Foi desrespeitosa com as instituições da República, ao reafirmar que houve um GOLPE;
      Mentiu – como é seu costume – ao declarar que foi “tirada do poder pela força”, ignorando a ampla defesa a que teve direito;
      Tentou parecer popular se misturando às pessoas reunidas pelos movimentos sociais e sindicais defronte o Palácio.

      Ora, se a guerrilheira se imagina assim tão injustiçada e contando com o massivo apoio popular espontâneo que afirma ter, vou desafiá-la (só para ficar na mesma linha do raciocínio obtuso da sua defesa) a embarcar num voo de carreira para passar o final de semana em P. Alegre, na companhia do neto e do ex-marido. Sem prévia lotação do avião pela claque e uso de espaços privativos nos aeroportos, duvido que seja aplaudida e receba flores, como no circo que armou para a despedida.

      2º - A HUMILHAÇÃO DO ADVOGADO GERAL DA UNIÃO
      Depois da sua PATÉTICA atuação na defesa da ex-presidente guerrilheira, quando renegou toda a formação jurídica que acumulou durante anos, o “Rolando Lero” oficial da Dilma ainda teve que dormir com o eco de decisão do Ministro Teori Zavascki que, despachando nos autos do requerimento (via Mandado de Segurança) capenga e infundado que buscava anular a votação que acolheu o processo de afastamento da presidente na Câmara dos Deputados, decidiu – após longa argumentação e fundamentação de 20 laudas: “Ante o exposto, e sob a consideração destes elementos, que denotam a ausência de plausibilidade jurídica do pedido, indefiro a liminar pleiteada”. (grifei)
      Para um professor de Direito Constitucional ver negado um pedido sob tal argumento, tal decisão soa como uma humilhação profissional, trazendo junto um sutil recado: “Poupe seus alunos deste ensinamento equivocado”.

      3º - A “DESCONSTRUÇÃO” DA FALÁCIA
     
      Cantado em prosa e verso pelos governistas, o refrão “a presidenta foi eleita por 54 milhões de votos” cai por terra ao somarmos a quantidade dos votos dos senadores que foram favoráveis ao seu afastamento: mais de 107 milhões.
      Mesmo adicionando os votos da Dilma aos dos senadores que a apoiaram, ainda assim o número é menor do que o total da votação dos contrários, que representa “apenas” 76% dos eleitores do pleito de 2014.
      Não acreditam? Então peguem uma calculadora e consultem em fonte confiável (Superior Tribunal Eleitoral).
      Assim, acaba mais uma falácia petista...

      4º - CURIOSIDADE GRAMATICAL
      Com o afastamento da presidenta, será que deveremos nos referir ao Temer como presidento?
      Passo a palavra para o dep. Henrique Fontana, a dep. Maria do Rosário, a sen. Gleise Hoffmann, o sen. Lindberg Faria, a sen. Vanessa Grazziotin, e muitos outros que adotaram esta terminologia esdrúxula.


      Marcelo Aiquel – advogado (13/05/2016)

Artigo, Simone Leite, presidente da Federasul - E agora? O Brasil de Michel Temer

         A partir de sexta-feira, o país será governado por um novo presidente, Michel Temer.
         De acordo com suas declarações mais recentes, amplamente divulgadas pela mídia, Temer possui uma inclinação mais pró-mercado que Dilma.
         Isso implica uma maior rejeição da intervenção do governo no setor privado, ampla agenda de concessões de infraestrutura, alianças comerciais com grandes centros como EUA, Europa e Ásia e um fortalecimento das agências reguladoras. O Estado passará a ter um papel de indutor do crescimento, e não mais planejar, organizar e determinar a alocação de recursos da economia.
         Os principais objetivos do governo Temer estão elencados no documento intitulado "Ponte para o futuro", publicado pelo instituto Ulysses Guimarães. Destaque para um novo planejamento orçamentário, simplificação tributária, além de uma reforma profunda na previdência, principal fonte de déficits do setor público.
         Os primeiros passos em relação aos novos ministros talvez tenham decepcionado um pouco alguns setores, mas no que diz respeito à economia, não há do que reclamar.
         Henrique Meirelles compreende que um forte ajuste fiscal, que passa por uma maior flexibilização orçamentária, redução drástica dos gastos e um saneamento da previdência são condições necessárias, mas não suficientes, para o país voltar aos trilhos.
         A capacidade de fazer bons diagnósticos não significa que estamos prestes a entrar em uma nova fase de ouro da economia brasileira. Os temas a serem debatidos na sociedade são muito delicados. Interesses de grupos bem organizados devem ser questionados e temos um pouco de ceticismo de um governo que inicia um trabalho em um ambiente político tão conturbado. Nos últimos anos, o Congresso deu demonstrações de que fisiologismo é o nome do jogo. Não há uma agenda de interesse nacional, há fatores a serem negociados. Com tamanha fragilidade política, uma agenda ambiciosa raramente tem um futuro promissor.
         Dessa forma, acreditamos que o governo Temer conseguirá avançar em muitos tópicos que dependem menos do Congresso, como abertura da economia, alianças comerciais mais vantajosas, concessões de aeroportos, rodovias, portos, avaliações de custo-benefício mais criteriosas sobre os programas sociais. No que tange ao Congresso, alguns avanços são possíveis, como teto para a taxa de crescimento dos gastos públicos, limitado ao crescimento do PIB e autonomia do Banco Central. Seriam avanços inegáveis, mas insuficientes para arrumar a casa.

         Em resumo, passamos por um forte furacão, nossa casa foi destruída. O governo Temer vai limpar a lama, fazer a faxina, mas dificilmente conseguirá reerguer os pilares que foram destruídos pelo vento. Portanto, posso dizer que meu sentimento é de um otimismo cauteloso. Se Michel Temer conseguir preparar o terreno para que um novo presidente, eleito pelo povo, politicamente forte, toque a agenda ideal, já estará marcado positivamente na nossa história.    

Artigo, Astor Wartchow - A "Venezuela"!chegou !

    Populismo, messianismo, ufanismo, demagogia e irresponsabilidade fiscal não são práticas recentes. Através dos tempos, são fatos - alternados ou concomitantes - que se repetiram em outras nações.
      Em comum, entretanto, a história universal demonstra e ensina que o desfecho é sempre o mesmo. Descontrole e déficit orçamentário, inflação, desemprego e, principalmente, antagonismo social.
      Neste sentido, é surpreendente que ainda ocorra a repetição destas experimentações político-ideológicas inconsequentes. 
      No processo de ascensão e permanência no poder, tais governantes enfatizam seu discurso pelo divisionismo social, inventando e apregoando conflitos regionais, étnicos, sociais e profissionais (o conhecido “nós contra eles!”).
      Também alimentam a retórica do nacionalismo e do  patriotismo ao afirmar que estariam ameaçados os bens naturais e comerciais da nação pelo capitalismo interno e o imperialismo internacional.
      Evidentemente, é um discurso fértil em nação que tem agudas diferenças socioeconômicas a superar, e, sobretudo, cujo povo nutre sentimentos de baixa-autoestima, reflexo de precárias escolaridade, produtividade e segurança social. 
      É o que está ocorrendo, neste momento, no Brasil, a caminho de ser “a próxima Venezuela”. E nem tanto pelas superáveis questões econômico-financeiras (em que o potencial brasileiro é incomparável, apesar da abundância do petróleo venezuelano).
      A partir de hoje seremos uma “venezuela” do divisionismo e antagonismo social. A irresponsabilidade do governo, de Lula e Dilma especialmente (acredite: ex-presidente e atual presidente da república!), transbordou do drama socioeconômico para uma inquieta e desconfortável convivência social.
      Inconformados com sua retirada do poder, pregam a imobilidade urbana, a revolta e a luta armada (o que significa a expressão “vai ter luta”?), sob a liderança e participação dos “pelegos” sindicais, dos estudantes(?) e, especialmente, do Movimento dos Sem Terra (MST), o braço armado e anarquista do PT. Aliás, organizações que se mantem ativas graças ao dinheiro público, à “irrigação financeira do governo”.
      Então, aprovado o impeachment, acredito que Dilma não sairá espontaneamente do palácio. E se, porém, ela sair, poderão ficar acampados, entretanto, os tais movimentos organizados petistas.
      Para quem duvida desta hipótese, lembro que nas últimas semanas Dilma transformou o palácio (sede do governo brasileiro!) em extensão da sede partidária, fazendo reuniões de mobilização, semeando mentiras e discórdia, tudo decorado com bandeiras e panfletos colados aos vidros e mesas. 

      Reafirmo, a Venezuela será aqui!    

Conheça detalhes do projeto aprovado que autoriza concessões rodoviárias no RS

Depois de quase sete horas de discussões, a Assembleia Legislativa aprovou, nesta terça-feira (10), com 32 votos favoráveis e 13 contrários, o projeto de lei do governo do Estado (PL 47 2016), que autoriza o Executivo a conceder, pelo período de 30 anos, os serviços de exploração das rodovias (operação, conservação, manutenção, melhoramentos e ampliação da infraestrutura), bem como da infraestrutura dos transportes terrestre das rodovias estaduais. Estabelece, ainda, que o valor das tarifas pagas pelos usuários será definido em licitação, do tipo menor preço, na busca da menor proposta, e que caberá ao Daer a fiscalização da execução dos contratos e a análise dos projetos de engenharia.
A votação da matéria teve início na semana passada quando, por falta de quórum, foi adiada para hoje. Naquela ocasião, atendendo a pedido de algumas bancadas, especialmente do PTB, o líder do governo, deputado Alexandre Postal (PMDB), concordou com o adiamento da votação para a data de hoje, face à complexidade do proposta e o número de emendas a ela apresentadas, e o quórum foi retirado. Na oportunidade, as deputadas Miriam Marroni (PT) e Stela Farias (PT), bem como os deputados Juliano Roso (PCdoB), Luiz Fernando Mainardi (PT), Nelsinho Metalúrgico (PT) e Adão Villaverde (PT) manifestaram-se contrariamente à aprovação do projeto da maneira como apresentado, principalmente por entenderem o prazo de 30 anos muito dilatado, além de alegarem a falta de um marco regulatório para as concessões. Também na terça passada, o deputado Enio Bacci (PDT) manifestou sua preocupação com relação à aprovação do projeto em razão do período de 30 anos. Sérgio Turra (PP) e Edson Brum (PMDB), na ocasião, manifestaram-se favoravelmente ao projeto, enquanto a bancada do PTB defendeu o adiamento da votação, o que acabou sendo atendido por Postal.
Nesta terça-feira (10), o deputado Tarcísio Zimmermann (PT) usou da tribuna para destacar que considerava o atual projeto ainda pior do que o instituído para os pedágios durante a administração Antônio Britto. “Um verdadeiro achaque ao povo gaúcho”, observou.
O deputado Frederico Antunes (PP) rebateu o pronunciamento de Zimmermann, defendendo a administração Britto e, diante das emendas que aperfeiçoam a matéria, como a que estabelece prazo para a apresentação do marco regulatório, defendeu a sua aprovação.
Sérgio Peres (PRB) disse que daria apoio à proposta desde que realmente haja o compromisso do governo em estabelecer um marco regulatório que atenda aos anseios da população.
O petista Edegar Pretto também lembrou do modelo dos pedágios instituídos na administração Antônio Britto, segundo ele, “os mais caros do país. E o que se assiste aqui, é uma proposta infinitamente pior”, salientou, ao refutar a aprovação da matéria.
O deputado Zé Nunes (PT) disse que o projeto não atende as premissas básicas e passa a ser, por isso, “um cheque em branco a ser dado ao governo”, pelo prazo de oito administrações futuras. E defendeu sua rejeição.
O pedetista Enio Bacci destacou as emendas apresentadas pela sua bancada, salientando que “estamos tentando avançar, aprimorar esta proposta”, defendendo a sua aprovação condicionada à aprovação de duas emendas do PDT (ambas aprovadas): a primeira, prevê o estabelecimento, por decreto, em 90 dias, de um marco regulatório, o qual deverá ser antecedido de consulta pública, no prazo de 45 dias após a publicação da lei, para que se possa discutir com a comunidade gaúcha quais os termos deste marco. A segunda emenda estabelece que o Legislativo seja comunicado, com 60 dias de antecedência à publicação de edital de licitação, a fim de que a comunidade tenha tempo de se manifestar.
O deputado Maurício Dziedricki (PTB) defendeu as emendas que estabelecem a isenção de tarifa a veículos emplacados em municípios onde estejam estabelecidas as praças de pedágio e a instalação de postos de pesagem de transporte de cargas nas rodovias concedidas, esta última aprovada.
Gilmar Sossella (PDT) manifestou-se favorável à proposta, destacando seus pontos positivos, mas considerou fundamental a questão do marco regulatório.
Juliano Roso (PCdoB) lamentou que o projeto não tenha sido discutido com a comunidade gaúcha, manifestando-se contrariamente à sua aprovação.
Também do PCdoB, a deputada Manuela d’Ávila considerou “um talão de cheques em branco inteiro ao governador” a aprovação do projeto. “Sequer diz qual o índice de inflação pelo qual serão corrigidos os pedágios”, afirmou ao refutar a proposta. Ainda protestou pelo projeto retirar da Assembleia o papel de órgão fiscalizador.
O deputado Missionário Volnei (PSC) observou que, diante da crise atual e da situação das estradas gaúchas, o projeto do governo é a melhor opção para o momento.
Pedro Ruas (PSol) disse que o projeto é açodado e não deveria ser votado nestas condições.
A deputada Miriam Marroni (PT) considerou a proposta de concessão de rodovias um “modelo fatídico”, confeccionado nos mesmos moldes do que o estabelecido no governo Britto, “que destruiu a economia da Metade Sul do Estado”. E tornou a defender sua rejeição, como já fizera na semana passada, da mesma forma como os deputados Nelsinho Metalúrgico (PT), Adão Villaverde (PT), Edegar Pretto (PT) e Luiz Fernando Mainardi (PT), que alertou para possível inconstitucionalidade da matéria ao não estabelecer um marco regulatório. Ainda o deputado Altemir Tortelli (PT) criticou o projeto.
Defenderam a proposta, as emendas e o requerimento de preferência apresentado pelo líder do governo, deputado Alexandre Postal - para aprovação do projeto juntamente com seis das 27 emendas que recebeu - os deputados Gilberto Capoani (PMDB), Sérgio Turra (PP), Marcel van Hattem (PP), Vilmar Zanchin (PMDB), João Fischer (PP), Tiago Simon (PMDB), Adolfo Brito (PP), Jorge Pozzobom (PSDB), Eduardo Loureiro (PDT), Alexandre Postal (PMDB), Elton Weber (PSB), Gabriel Souza (PMDB), Zilá Breitenbach (PSDB), Edson Brum (PMDB) e Any Ortiz (PPS). Os petebistas Aloísio Classmann, Luís Augusto Lara e Ronaldo Santini deram voto de confiança ao governo, mas defenderam a necessidade de preços de pedágios justos. Ciro Simoni ressaltou os esforços do PDT ao aperfeiçoamento da proposta, destacando a aprovação das emendas apresentadas pela bancada trabalhista.  
O requerimento de preferência foi aprovado com 34 votos a favor e 13 contrários.
Emendas
Das 27 emendas recebidas, seis foram aprovadas juntamente com o projeto, em razão da aprovação do pedido de preferência do líder do governo. As demais, foram consideradas prejudicadas. Veja as emendas aprovadas ao PL 47/2016:
• Emenda 3, do deputado Ronaldo Santini (PTB), estabelecendo que a concessão será formalizada através de Termo de Contrato decorrente de procedimento licitatório, na modalidade de concorrência pública, que deverá prever a possibilidade de participação de pessoas jurídicas brasileiras e estrangeiras.
• Emenda 6, do deputado Frederico Antunes (PP), prevendo que nos contratos de concessões de rodovias integrantes do sistema rodoviário estadual, poderá no edital ser incluída a conservação de rodovias transversais às concedidas.
• Emenda 16, do deputado Elton Weber (PSB), estabelecendo que a revisão do contrato dar-se-á periodicamente e sempre que necessário para apurar e corrigir eventuais desequilíbrios na equação econômico-financeira, nos termos do ato expedido pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS - Agergs, que também aplicará sanções.
• Emenda 23, do deputado Eduardo Loureiro (PDT) e outros dez parlamentares, prevendo o estabelecimento, por decreto governamental, em 90 dias, do marco regulatório, que deverá ser antecedido de consulta pública, no prazo de 45 dias após a publicação da lei.
• Emenda 24, do deputado Eduardo Loureiro (PDT) e mais nove parlamentares, pela qual o governo publicará e comunicará à Assembleia, com antecedência de 60 dias à publicação do edital de licitação, ato justificando a conveniência da outorga da concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área, prazo e tarifa-base.


• Emenda 25, do deputado Alexandre Postal (PMDB) e outros nove parlamentares, prevendo postos de pesagem de veículos nos trechos a serem concedidos.

As primeiras medidas do governo Temer

O eventual presidente Michel Temer recorreu às ruas para contornar a voracidade do Congresso por cargos, que parecia condenar seu provável governo a "fazer mais do mesmo" na composição da equipe ministerial. Em decisão tomada no domingo à noite, Temer decidiu cortar dez dos 32 atuais ministérios. O futuro presidente do Banco Central perderá o status de ministro, conferido ao posto em 2004, quando era comandado por Henrique Meirelles, futuro ministro da Fazenda de Michel Temer, assim que a presidente Dilma for afastada.

Meirelles participou da decisão tomada no domingo à noite, no Palácio do Jaburu, em reunião da qual participaram os nomes que vão integrar o núcleo decisório do futuro governo: Eliseu Padilha (Casa Civil), Romero Jucá (Planejamento), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e o ex-governador do Rio Moreira Franco, a quem foi entregue a tarefa de deslanchar as privatizações numa pasta extraordinária. Não foi a primeira reunião do grupo, mas foi a primeira na qual se bateu o martelo sobre decisões de governo.

O presidente do BC ganhou status de ministro em julho de 2004, mas a discussão era mais antiga e ganhou força após os vazamentos de informações sigilosas, fiscais e bancárias, envolvendo o nome do então presidente do BC, Henrique Meirelles. Desde os anos 1990 os presidentes do BC eram alvos de processos - em todos os cantos do país - decorrentes de medidas que tiveram que assinar por responsabilidade da função. Com o status de ministério, essas ações passaram a ser tratadas no Supremo Tribunal Federal, por causa do foro privilegiado.

A justificativa da MP baixada para dar o status a Meirelles dizia que a relevância das matérias que integram a pauta de decisões do presidente do BC, "cujas atribuições compreendem, dentre outras medidas de notória complexidade, a formulação da política monetária do país e a intervenção no sistema financeiro nacional [...], sugere a necessidade de conferir-lhe a condição de Ministros de Estado".

Meirelles concordou com a decisão de Temer. A cúpula do provável governo avaliou que isso não será problema para a composição da nova equipe econômica. Mais adiante, Temer promete analisar uma maneira de tornar o presidente do BC menos vulnerável a ações ajuizadas em todo o país. Os nomes mais citados para a presidência do Banco Central no círculo mais próximo do presidente são os dos economistas Mario Mesquita e Ilan Goldfajn. Mas o futuro ministro da Fazenda somente pretende anunciar o nome escolhido para o BC depois que Temer estiver sentado na cadeira de presidente, depois que o Senado aceitar processar a atual presidente e afastá-la do cargo, o que deve ocorrer até o fim de semana.

O corte dos dez ministérios foi a resposta de Temer à pressão dos partidos da base aliada do governo. A planilha aprovada domingo à noite está preenchida com a extinção de seis ministérios e a decretação da perda de status de quatro: presidente do Banco Central, ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), do ministro chefe-de-gabinete da presidente, cargo inventado para Jaques Wagner a fim de dar a Casa Civil para o ex-presidente Lula da Silva, e o do secretário de Imprensa.

As secretarias de Aviação Civil e a de Portos deixarão de ser um ministério independente e serão incorporadas pelo Ministério dos Transportes, cuja titularidade está prevista para ser dada ao PR. O Ministério da Cultura, que Temer prometera ao deputado Roberto Freire (PPS), voltará à órbita do Ministério da Educação, prometido ao deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

Temer resolveu acabar com dois ministérios "sagrados" da era Lula: o da Igualdade Racial, Direitos Humanos e Mulher, que será incorporado ao da Justiça, e o de Desenvolvimento Agrário, que passará para o Desenvolvimento Social (MDS), responsável por programas como o do Bolsa Família. O virtual presidente espera reação dos grupos organizados, mas a avaliação é que os movimentos sociais ligados ao PT vão combater o governo Temer independentemente da manutenção dessas pastas.

Os ministérios das Comunicações, reservado ao PSD, e o de Ciência e Tecnologia, prometido para um deputado do PRB, partido ligado à Igreja Universal, constituirão uma única pasta.

O enxugamento não para aí. Temer incumbiu seus futuros ministros de fazer um disgnóstico interno de cada pasta com vistas à redução de cargos. Temer quer começar cortando no próprio governo, antes de pedir algum sacrifício à sociedade. Por enquanto, ele tem afastado a ideia de criação de novos impostos, inclusive a reedição da CPMF.

Temer decidiu voltar à ideia inicial de reduzir o número de ministérios depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. De acordo com o Palácio do Jaburu, a "agenda das ruas" saiu fortalecida com a decisão. Para o novo governo, manter 33 ministérios não seria bem digerido pela população, ainda mais negociados no toma lá da cá do Congresso. Temer agora terá 23 ministérios para compor com uma base aliada que tem 21 dos 25 partidos com representação na Câmara.

O novo governo, evidentemente, ainda espera encontrar dificuldade na negociação com os partidos, mas quer aproveitar o momento da mudança para impor o novo padrão. Tarefa que provavelmente foi facilitada com a decisão de anular a votação do impeachment na Câmara, uma chicana patrocinada pelo presidente em exercício da Câmara, deputado Valdir Maranhão (PP-MA), e pelos trapalhões do Palácio da Alvorada, tendo o advogado da União, José Eduardo Cardozo, à frente das tramoias.


Temer resolveu pagar para ver na questão de ministros investigados pela Lava-Jato, outra "agenda das ruas", caso do senador Romero Jucá, considerado indispensável no novo gabinete. O futuro ministro do Planejamento garantiu que se livrará de todas as suspeitas e será inocentado. Jurista, o princípio adotado por Temer é o da presunção da inocência. Jucá fica.

Artigo, David Coimbra, Zero Hora - Nem só as cartas de amor são ridículas

Fernando Pessoa não disse, mas devia ter dito
A política do Brasil é ridícula.

Esse Waldir Maranhão, com aquele bigode de zelador de edifício, puxando ao mesmo tempo os sacos do Eduardo Cunha e do governador comunista do Maranhão, cometendo essa manobra infantil para adiar o processo de impeachment, é ridículo.
O Eduardo Cunha, dizendo que não é dono, mas usufrutuário de dinheiro depositado na Suíça, botando o nome de Jesus nas senhas das contas de banco, manobrando sem fim para se manter no cargo, com aquela expressão de fuinha que ele tem, é ridículo.
Dilma Rousseff, com sua caudalosa e densa incompetência, sua dislexia que a impede de falar e pensar ao mesmo tempo, sua mania de querer ser chamada de presidenta e principalmente com a desfaçatez de dizer que seu governo não é corrupto, é ridícula.
Dilma consegue ser uma presidente mais ridícula do que Jânio e Collor, que eram ridículos.
Renan Calheiros, com seu implante de cabelos, é ridículo.
Lula, com sua arrogância, com sua cara de pau de dizer que é a alma mais honesta do Brasil, com suas palestras clandestinas, sem os plurais, sem apartamentos, sem sítios e sem ser dono de NOVE celulares que acharam na casa dele, é ridículo.
Um cara que tem nove celulares é bem ridículo.
Aécio Neves, com aquele risinho eterno, é ridículo.
Temer, que escreve cartinhas ridículas para Dilma, que faz ridículas gravações no WhatsApp e que faz poemas ridículos, é, obviamente, um ridículo.
Jandira Feghali, com aquela cara de cartomante, querendo bajular o Lula numa gravação com o celular e expondo o quanto Lula é ridículo, é ridícula.
Lindbergh Farias, dizendo que adora o Lula, é ridículo.
Jair Bolsonaro, com sua truculência, sua grossura, sua falta de educação, sua homofobia, seu machismo, seu atraso e sua imensa, insuperável, incontornável burrice, é, de todos, o mais ridículo.
Mas Jean Wyllys, com seu nome de carro dos anos 1960, suas cusparadas e seus faniquitos de ex-BBB, é tremendamente ridículo.
Maria do Rosário, Marta Suplicy e todas essas mulheres brabinhas são ridículas.
Kátia Abreu, que jogou vinho na cara do José Serra, é ridícula.
José Serra, que chamou Kátia Abreu de namoradeira, é ridículo. Chamar uma mulher de namoradeira é coisa de gente ridícula.
Os pedetistas adoradores do Brizola são babosamente ridículos.
Os comunistas que fazem manifestos apoiando a Coreia do Norte são estupidamente ridículos.
Os comunistas que não fazem manifestos apoiando a Coreia do Norte também são ridículos. Só que menos.
A Bancada da Bala é violentamente ridícula.
A Bancada dos Evangélicos, perseguindo os gays, é ridícula.
A revista Veja, que define uma mulher como bela, recatada e do lar, é ridícula.
A revista Carta Capital, que é chapa-branca, melequentamente governista e que tem um diretor que escreve a mando de Lula, é ridícula.
Talvez o Brasil todo seja ridículo.

Mas, sobretudo, eu, que devia estar bebendo chope com os amigos, em vez de me importar com tudo isso, sou um baita de um ridículo.

Brasil poderá sofrer maior golpe de sua historia com a venda da Liquigas

O setor do gás de cozinha prepara o Brasil para o maior golpe de sua história, a venda da Companhia Distribuidora Liquigás anunciada na mídia mostra o efeito colateral de Pasadena pela Petrobras, agora se vende uma empresa enxuta, de alta lucratividade por preço insignificante.

Referencia: Liquigás pode ser vendida por até R$ 1,5 bilhão

Leia a nota da ASMIRG-BR

A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP - ASMIRG-BR, entidade nacional representativa da classe dos revendedores de GLP, inscrita CNPJ No 08.930.250/0001-32, vem alertar nossas autoridades e amigos da imprensa para ações de mercado que envolve a venda da Companhia Distribuidora Liquigás, que na forma proposta compromete todo o setor do tradicional gás de cozinha.

Premissas:

Primeira: De acordo com dados da Agencia Nacional do Petróleo – ANP2, a Companhia Distribuidora Liquigás esta presente em 25 (vinte e cinco) Estados Brasileiros. Sua participação no mercado nacional esta em média 23% para envasados até 13 Kg e 19% na venda do industrial.

Segunda: A Liquigás de outubro de 2015 a março de 2016, apresentou uma média de venda exclusivamente de recipientes (botijões) de até 13 Kg de 7.626.000 botijões. Considerando a média da margem de lucro bruto apresentada pela ANP3 de R$ 15,00 (quinze Reais), a Liquigás mostra um lucro bruto anual somente na venda dos recipientes de até 13 Kg de R$ 1.372.640.000, aproximadamente 1,4 bilhão de Reais.

Terceira: Em fevereiro de 2013, ANP destaca o setor do tradicional Gás de Cozinha em seu relatório, Evolução do mercado de combustíveis e derivados: 2000-2012, onde afirma:
...A despeito da manutenção dos preços de produtor constantes, pode-se ver no Gráfico 16 que os preços médios do P13 na distribuição e na revenda tiveram reajustes no período, provavelmente em função de aumento de custos. Entretanto, a concentração extremamente elevada desse mercado, no qual apenas cinco empresas (1) detêm cerca de 90% do mercado nacional de GLP, tornam-no bastante propício à coordenação tácita dos agentes regulados...
(1) SHV, Ultragaz, Nacional Gás Butano, Copagaz e Liquigás.
Fonte: Evolução do mercado de combustíveis e derivados: 2000-2012.
Pag 14 em 13/02/13 às 21:00 www.anp.gov.br/?dw=64307).
http://www.anp.gov.br/?dw=64307

Quarta: Petrobras compra Agip por US$ 450 milhões em junho de 20044

Quinta: Sociedade Banco Itaú e Grupo Ultra
Cade aprova compra de 50% da ConectCar pela Rede, do Itaú
(...) A operação dá ao grupo do Itaú Unibanco governança compartilhada da empresa com o Grupo Ultra, com cada parte detendo 50% da joint-venture formada em 2012. O negócio de R$ 170 milhões foi anunciado em outubro. (...)
Fonte: 09/11/2015 http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/11/cade-aprova-compra-de-50-da-conectcar-pela-rede-do-itau.html

O primeiro fato que chama a atenção sobre esta venda que prioriza vender um dos ativos mais cobiçados da Petrobrás, é a falta de publicidade, a escolha de um momento político como o que vivemos, como e porque somente empresas ligadas ao oligopólio do setor estão envolvidas neste processo. O porque e quem escolheu o banco Itaú para conduzir esta negociação, sendo o Itaú sócio do Grupo Ultra, que representa a Companhia Distribuidora Ultragaz.

Quando fazemos referencia a Companhia Distribuidora Liquigás não se pode usar do mesmo tratamento quando nos referimos as demais do setor. Isto porque tratamos de uma empresa gerenciada pelo Governo Federal, uma empresa do grupo Petrobrás S. A.. Sua aquisição na época teve como fundamento, ser o instrumento capaz de aferir o mercado visando à garantia do abastecimento do gás sempre de forma segura e dentro das condições de posse do povo brasileiro.

Certamente o grau de importância desta Companhia está acima dos seus valores patrimoniais, hoje, somente com a Liquigás, podemos ajustar impostos, preço de venda do gás junto a Petrobras sem prejuízos aos consumidores brasileiros.

Essa proposta de venda não menciona o destino de quase 3.500 funcionários, de nossas revendas que investiram e investem na marca, dos empregos indiretos que ficam comprometidos, destaca sim o interesse de compra da Ultragaz e demais companhias que compõem este oligopólio no Brasil por um preço que estranhamente é igual ao seu preço de compra a treze anos, ignorando os investimentos e crescimentos realizados durantes este período.

Como justificar uma venda de uma empresa por valores tão baixos, em menos de ano ela por si se paga somente com a venda de botijões de 13 Kg. A Liquigás apresenta um faturamento bruto no ano algo próximo a R$ 1,4 bilhão somente com a venda de botijões de uso residencial. Como justificar um desemprego em massa, pois certamente esta será a realidade de todos que atuam na empresa se vendida a qualquer uma das Companhias Distribuidoras que detém o mercado nacional.

De forma análoga, temos a venda da Repsol no Peru para a chilena Abastible, uma empresa do setor GLP que vende um terço da venda da Liquigás num mercado não regulado, de riscos quando comparamos como mercado nacional, vendida por 335 milhões de dólares, quase o valor proposto para venda de uma Cia como a Liquigás.

A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, ASMIRG-BR vem alertar nossas autoridades para possibilidades de abusos, de ruídos de informações que possam estar gerando o entendimento que vender a Liquigás seja uma solução para empresa Petrobras S.A., sequer esta sendo analisada a possibilidade de venda de suas ações. Tal medida permite a entrada de capital nos caixas da Petrobras e o mais importante, a continuidade de controle e papel cuja relevância para o setor GLP e consumidores brasileiros é inquestionável.


Há necessidade do TCU, CADE, MME, Órgãos defesa do consumidor, dos nossos representantes da Poder Legislativo, dos amigos da imprensa, que nos leem em cópia, de levar a público esta ação que em primeira análise se mostra com vícios, com propósitos distantes ao do interesse nacional e que ao contrario, gerará mais perdas a própria Petrobras S. A..