Os quatro nós que Bolsonaro e sua equipe terão que desatar


Há exatamente quatro anos, logo após a reeleição de Dilma Rousseff (alguém ainda se lembra da dona?), este Instituto Mises publicou um artigo relatando o que nos aguardava pelos próximos quatro anos. Eis alguns trechos:

Aparentemente, o ano de 2015 já está perdido. O estrago feito nos últimos anos foi enorme e o conserto não será nem rápido e nem indolor. 
O trio Guido Mantega (Fazenda), Arno Augustin (Tesouro) e Márcio Holland (Secretária de Política Econômica) deixou um legado desastroso. [...]
A situação real das contas públicas do Brasil está entre as piores do mundo. O superávit primário (receitas menos despesas, sem incluir o pagamento de juros da dívida) deixou de existir, e agora os déficits primários, que não ocorriam desde 1997, passaram a ser a norma. [...]
Dilma terá de limpar a bagunça que ela própria criou. E terá de fazer isso tomando medidas impopulares. Mais ainda: terá de tomar medidas impopulares ao mesmo tempo em que 1) passa por uma crescente insatisfação popular, 2) vê o acirramento de ânimos e a difusão de movimentos secessionistas, e 3) está sob a iminência de um processo de impeachment.
Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.
Que avanço.
Olhando em retrospecto, a previsão foi até um tanto otimista. O ano de 2015 não foi apenas "perdido"; foi de forte retrocesso. Assim como também o foi o ano de 2016.
E o Brasil não retornou "ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011". Foi pior. Voltamos ao ponto em que estávamos em 2010.
Embora sejam números trágicos, a realidade é que eles eram inevitáveis. Como este Instituto nunca se cansou de repetir, é inevitável que a economia — qualquer economia — passe por um período de profunda correção após vários anos seguidos de manipulações e intervenções estatais. É impossível sair de um período de crescimento econômico artificialmente turbinado por políticas heterodoxas (como ocorreu de 2010 em diante) sem que haja uma forte correção de todos os fundamentos econômicos que foram distorcidos por esse artificialismo.
E a recessão nada mais é do que essa correção.
Desde o final de 2008, o governo federal brasileiro, de maneira cada vez mais intensa, praticou uma política que envolvia medidas simultaneamente contraditórias: uma grande expansão do crédito dos bancos estatais e controle de preços; gastos públicos crescentes e desonerações pontuais; redução das taxas de juros e aumento das tarifas de importação e da exigência de conteúdo nacional (ambas criam reserva de mercado e permitem a prática de preços mais altos).
A esse conjunto de medidas esdrúxulas foi dado o nome de Nova Matriz Econômica, e seu legado foi o que vivenciamos desde 2015.
A principal lição que fica disso tudo é que nenhuma intervenção do estado na economia passa impune. No final, a economia sempre se ajusta. E a intensidade desse ajuste (a recessão) vai depender da intensidade das intervenções que foram praticadas. Considerando que o governo brasileiro "microgerenciou" a economia desde 2009, e de maneira cada vez mais intensa, o período de correção (cujos efeitos sentimos até hoje) não tinha como ser indolor.
O "trabalho sujo"
No entanto, há um consolo: desde a queda de Dilma em abril de 2016, algumas alterações de rumo foram feitas pelo governo Temer. Todas elas de extrema importância, mas cujos efeitos benéficos só serão sentidos daqui a vários anos (levando-se em conta, é claro, que elas sejam mantidas e respeitadas).
Dentre as principais podemos citar:
* a aprovação do teto de gastos;
* a reforma trabalhista;
* a queda da inflação de preços de quase 11% para 4,50%, tendo ficado um bom tempo em torno de 3% (o que, para o Brasil, é uma façanha);
* a reforma do ensino médio;
* a lei da terceirização;
* o fim da obrigatoriedade de a Petrobras participar do pré-sal (além da própria recuperação da Petrobras, que foi destruída pelo controle de preços praticado pelo governo);
* a reestruturação do setor elétrico (que também foi destruído pelo controle de preços praticado pelo governo);
* a Lei da Governança nas estatais;
* e, principalmente, uma maior restrição à atuação dos bancos estatais, principalmente do BNDES. Com suas políticas de empréstimos subsidiados pelo Tesouro (ou seja, por nós), os bancos estatais foram os principais responsáveis pela desarrumação da economia.
Os bancos estatais eram obrigados, pelo governo, a direcionar empréstimos a juros bem abaixo da SELIC para alguns setores escolhidos pelo governo — como o setor imobiliário, o setor rural, o setor exportador, as empreiteiras e os barões do setor industrial. Quem bancava tudo isso éramos nós, os pagadores de impostos. O governo arrecadava nosso dinheiro via impostos e empréstimos (vendas de títulos do Tesouro), repassava para os bancos estatais, e estes então emprestavam esse dinheiro — a juros abaixo da SELIC — para empreiteiras, para compradores de imóveis, para o setor industrial etc.
Observe no gráfico abaixo que, em decorrência desta política, o crédito no Brasil foi efetivamente estatizado a partir de 2013, quando o volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o dos bancos privados.
Esta acentuada expansão do crédito estatal foi o cerne de toda a desarrumação da economiadesde 2008, e o fato de este crédito estar agora em retração, principalmente o do BNDES, é digno de nota. E de comemoração. Uma das causas do atual bom comportamento da inflação de preços é exatamente a contração deste crédito.
Mas ainda há muito a ser feito.
O Brasil que Bolsonaro herda
Eleito em 28 de outubro de 2018 com mais de 55% dos votos válidos (quase 11 milhões a mais que seu oponente, Fernando Haddad, do PT), Jair Bolsonaro (PSL) herda uma economia que, embora esteja longe de estar plenamente operante e ainda possua vários problemas estruturais, ao menos está razoavelmente estabilizada.
Eis alguns pontos que jogarão a favor de Bolsonaro.
Juros e inflação de preços, que eram o principal problema em 2015, estão hoje em cifras historicamente baixas (em nível de Brasil). 
A taxa de câmbio, após disparar a partir de maio e alcançar seu maior valor em setembro (quando o dólar esbarrou em R$ 4,20), voltou a cair e se estabilizar em torno de R$ 3,65. 
O setor elétrico, como dito, foi reorganizado e, ao menor por ora, não apresenta risco de colapso.
A redução no endividamento total das famílias (fenômeno conhecido como 'desalavancagem') em conjunto com a redução do comprometimento da renda delas com o pagamento do serviço desta dívida são outros dois fenômenos dignos de nota.

Artigo, Fábio Jacques - Como acabar com o PT.


O mapa da distribuição dos votos desta eleição mostra claramente que o grande reduto petista continua sendo o nordeste.
O nordestino, ainda que segundo Euclides da Cunha seja, “antes de tudo um forte”, continua sendo um povo sofrido vítima da seca e do populismo.
O medo do nordestino do sertão e do agreste, de perder o auxílio governamental materializado através do “bolsa família”, o qual, ainda que minimamente, tem atenuado as agruras provocadas pela impiedosa mão madrasta da natureza, faz com que procure manter no governo aqueles que se dizem detentores do poder de lhes distribuir estas migalhas.
Em todos os recantos foi disseminada a mensagem de que, saindo o PT acabaria este benefício. Esta mensagem já havia sido espalhada durante a campanha de 2014, inclusive aqui mesmo em Porto Alegre. Bastava ligar para os diretórios do PT para ficar sabendo que o Aécio acabaria com o “bolsa família”. Agora ocorreu o mesmo com o Bolsonaro.
Pois bem. Bolsonaro prometeu depurar os desmandos que acorrem neste programa de distribuição de renda e, com a eliminação dos carrapatos criminosamente incluídos no rol dos realmente necessitados, proporcionar um décimo terceiro aos que realmente merecem o auxílio. Acho muito justo.
Mas a grande sacada é implementar outra promessa, muito mais impactante que é a importação da tecnologia de cultivo no deserto desenvolvida, com grande sucesso, pelos israelenses nos seus kibutz. E Israel quer colaborar.
O clima de Israel é semelhante ao do agreste brasileiro e a produção de alimentos é tão abundante que sobra para exportar para vários países da Europa.
Garantindo o “bolsa família” incrementado pelo décimo terceiro e disseminando a tecnologia da irrigação por gotejamento e do máximo aproveitamento da água, o nordestino fatalmente chegará à conclusão que, ao invés de ajuda-lo, os governos anteriores o mantiveram vivos apenas como uma escrava fonte de votos populistas.
Se conseguir fazer com que o nordestino do agreste e do sertão realmente comecem a sair da extrema miséria por seu próprio trabalho, secará a fonte dos votos “do medo” e o PT e seus puxadinhos ficarão reduzidos aos pseudo- intelectuais e aos grupos radicais de esquerda.

O autor é CEO da Jacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre, www.fjacques.com.br. fabio@fjacques.com.br

Bolsonaro vence em 97% das cidades mais ricas e Haddad em 98% das pobres


Entre os mil municípios com os maiores IDHs do País, Bolsonaro venceu em 967, enquanto Haddad conquistou 33. Já nas mil cidades menos desenvolvidas, Haddad ganhou em 975 e Bolsonaro em 
  
Texto: Luiz Fernando Toledo e Cecília do Lago / Dados: Vinicius Sueiro / Infografia: Bruno Ponceano

Apesar de ter perdido a eleição, o candidato petista Fernando Haddad teve mais votos na maioria dos municípios brasileiros. O petista ganhou em 2.810 cidades, ante 2.760 de Bolsonaro. Ainda assim, a diferença de votos entre eles foi de 10,7 milhões.

Os dados levantados pela reportagem mostram ainda que, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, maior foi a votação em Haddad – e quanto maior, mais votos para Bolsonaro. O indicador mede a qualidade de vida da população com métricas de acesso à educação, longevidade e renda.

Em São Caetano do Sul (SP), cidade com maior IDH do País, o militar da reserva venceu com 75,1% dos votos. Já o pequeno município de Melgaço (PA), com menos de 10 mil habitantes e o menor IDH do País, deu vitória a Haddad por 75,6% dos votos.

A correlação é semelhante à estabelecida a partir das eleições presidenciais de 2006, quando o candidato petista era Lula e o antipetista era Geraldo Alckmin, do PSDB. A onda Bolsonaro praticamente substituiu o protagonismo do PSDB. Alckmin teve votação abaixo do esperado, mesmo no principal reduto do partido, o Estado de São Paulo.

A cidade de Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, deu a maior vitória de Bolsonaro – 93% de seus 1.904 habitantes o escolheram como novo presidente. Guaribas, no Piauí, deu 98% de seus 2.938 votos a Haddad.

DESEQUILÍBRIO
Haddad conquistou mais municípios, porém com menos eleitores
Apesar de ter conquistado maioria em menos municípios, Bolsonaro foi vitorioso em cidades muito mais populosas do que Haddad – como São Paulo, por exemplo, que tem o maior eleitorado no País. Em votos válidos, a diferença de Bolsonaro para Haddad foi de 10,7 milhões de votos.

Os resultados do segundo turno mostram que o presidente eleito venceu em menos cidades do Nordeste – no primeiro turno ele teve mais votos em 38 de 1.377 municípios da região e no segundo, em 23. Haddad foi o que mais teve votos na região – ele venceu em todos os nove Estados nordestinos. Mas o militar da reserva teve vitória com larga diferença em Estados como São Paulo, Acre e Santa Catarina.

Em São Paulo, Bolsonaro conseguiu vencer com folga – teve 67,97% dos votos, ganhando na grande maioria dos municípios. O governador eleito no Estado, João Doria (PSDB), deixou de lado a figura do presidente de seu partido Geraldo Alckmin, que não decolou na eleição presidencial, e colou no nome do militar da reserva para se alavancar com pedidos de voto “Bolsodoria”. Ele e Márcio França (PSB) vinham polarizando fortemente desde que o socialista ultrapassou Paulo Skaf (MDB) e conseguiu ir ao segundo turno. Doria venceu com 10,9 milhões (51,75%) de votos válidos.

Nos três Estados do Sul, a vitória de Bolsonaro foi ainda mais expressiva. No Rio Grande do Sul, ele teve 63,24% dos votos válidos, ante 36,76% de Haddad. No Paraná, Bolsonaro ficou com 68,43% dos válidos, ante 31,57% de Haddad. Mas o Estado que mais deu votos para o presidente eleito na região foi Santa Catarina, com 75,92% dos válidos, contra 24,08% de Fernando Haddad.

Mudança. Alguns municípios mudaram de lado entre um turno e outro. Bolsonaro conseguiu converter 25 municípios de Fernando Haddad, seis deles em São Paulo, mas a resposta do petista foi maior. Haddad “virou” a disputa em 120 municípios onde o capitão reformado tinha sido o vencedor no primeiro turno, sendo que 41 deles estão em Minas Gerais, 19 em Goiás e 17 no Rio Grande do Sul.

Além disso, Haddad herdou a vitória em todos os 103 municípios em que Ciro Gomes (PDT) tinha obtido maior parte dos votos, todos na região Nordeste do País. No Estado do Ceará, que é reduto político de Ciro, o petista teve um de seus melhores desempenhos no Brasil e ficou com 71% dos votos válidos.

Essa transferência de votos de Ciro para Haddad já era prevista na série de pesquisas Estado/Ibope/TV Globo divulgadas durante o segundo turno, a partir do dia 15 de outubro, mesmo com o pedetista não declarando apoio formal a Haddad. O ex-governador do Ceará teve 13,3 milhões de votos no primeiro turno (12,47%) e ficou em terceiro lugar na disputa

O fenômeno Bolsonaro


O fenômeno Bolsonaro

Outro dia assisti a um documentário na Netflix sobre a Guerra do Vietnã. Realmente impressionante!
Entre 1965 e 1975, período de maior engajamento norte-americano no conflito, morreram 58 mil solados americanos. Ou seja, 5.800 mortos por ano em média. Este morticínio levou a sociedade americana a um total repúdio à guerra, com grandes manifestações por todo país. Foi um trauma que os norte-americanos nunca esqueceram e, até hoje, tem dificuldade de tocar no assunto.
Isso me levou a fazer uma comparação com o Brasil. Por aqui, morrem 63 mil pessoas assassinadas por ano e o governo não dá a menor importância. Ou seja, enquanto nos EUA seis mil mortos por ano é considerado uma taxa inaceitável, por aqui, dez vezes mais não causa nenhum assombro no governo ou na mídia. A mídia só se manifesta quando morre alguém importante (um médico famoso, por exemplo) ou com a qual tenha afinidade ideológica, como foi o caso de Marielle Franco. Se o “Zé das Couves” foi assassinado no subúrbio e deixou sua família desamparada, ninguém em absoluto dá a menor atenção. Mas imaginar que essa opressão não provoque profunda indignação na sociedade, tal como ocorreu nos EUA, demonstra apenas falta de sensibilidade política.
Vamos imaginar que desses 63 mil mortos, a metade seja constituída por criminosos pelos quais ninguém vai derramar uma lágrima. Restam os outros 31.500 cidadãos de bem, muitos deles policiais, que foram assassinados por motivos fúteis, tais como um celular, uma mochila ou uma bicicleta. Ainda assim é uma taxa anual seis vezes maior que a cobrada pela Guerra do Vietnã. A sociedade brasileira está profundamente marcada por essa violência criminosa. Não há uma família sequer que não tenha sido atingida pela mão do crime. Traficantes e milicianos dominam comunidades inteiras criando áreas de exclusão onde a polícia não pode entrar. Se antes era uma característica das grandes cidades, hoje o crime campeia livremente no interior e a população mora entre muros, cercada por grades e com medo de andar nas ruas.
O que fizeram os governos proto-socialistas desde FHC até hoje para enfrentar essa calamidade? A solução milagrosa tirada do fundo da cartola por FHC e entusiasticamente defendida por Lula e seus seguidores foi o desarmamento civil, medida esta que se provou contraproducente em todos os países onde foi anteriormente adotada.
Mas nossos governantes foram além no descaso com a sociedade. No referendo de outubro de 1985 o povo teve a chance de manifestar sua desaprovação em relação ao desarmamento civil e, mesmo assim, o recado foi ignorado pelo governo. Outras medidas totalmente absurdas, tais como redução de penas, indulto natalino, saída no dia das mães, bolsa presidiário, audiência de custódia, etc. provocaram profunda indignação na população. A sensação geral é de que o crime compensa.
Agravando esse quadro, intelectuais identificados com o governo proclamam que o Brasil prende demais e que prisão não é solução. Os grupos de Direitos Humanos mostram-se muito preocupados com a integridade dos presidiários, mas não demonstram nenhuma compaixão para com as vítimas e seus familiares. No campo, milícias invadem e destroem propriedades e empresas e só podem ser retirados por ordem judicial de reintegração de posse. O Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado por Collor em 1990, criou uma categoria de intocáveis, cuja ficha criminal é apagada ao completar 18 anos de idade, independentemente do que tenham feito antes.
Nesse cenário de completo descalabro e anomia, surge um político que proclama o óbvio: que bandido não é cidadão; que as penas devem ser cumpridas até o fim; que o Estatuto do Desarmamento deve ser revisto; que menor de idade não é irresponsável; que aluno deve respeitar professor; que invasores devem ser expulsos pela polícia; que prisão é bom porque tira o criminoso da sociedade e que qualquer um tem o direito de defender sua vida, de seus familiares e sua propriedade – inclusive com o recurso a armas de fogo. É o típico “óbvio ululante” de que falava Nelson Rodrigues: estava diante dos olhos e ninguém via.
Bolsonaro não é um fenômeno. Se há algo de fenomenal no Brasil é a insensibilidade e a incompetência de nossa classe política.

Leonardo Arruda

Artigo, Marcelo Aiquel - O resultado das eleições

        Finalmente, terminou a campanha eleitoral! Uma campanha marcada pelas mentiras e baixarias patrocinadas – como sempre – pelos “desesperados” PT; PSOL e PCdoB.
         Escrevo novamente (desta vez me despedindo definitivamente. Sim, este deverá ser meu último artigo sobre política) para dizer que – independente do que gostariam alguns – o capitão Bolsonaro venceu. Apesar da tentativa de fraude! E houve!
         E acrescentar que o sucesso dele (Bolsonaro) deveu-se, em grande parte, á soberba e a arrogância dos militantes defensores do Luladrão, condenado sem gópi e com provas, sim. Muitas, por sinal.
         Ah, também por causa da cegueira hipócrita e seletiva dos seus admiradores, que não cansaram – ao longo da campanha eleitoral – de argumentar (ou tentar) com teses pra lá de duvidosas e um palavreado “chulo” (não é mesmo, Doutor Sílvio, de Santos/SP? Mais um “raivoso” adorador dos políticos ladrões) ofendendo graciosamente todos os seus opositores.
         Como as boas lições raramente são aprendidas (é absolutamente necessário ser humilde e inteligente para tal) sei que dizendo isso estou “batendo em ponta de faca”... Ops, faca não! Isto é especialidade do “desempregado abonado”, e agora “doente mental”, do assassino confesso Adélio. Evidentemente, do PSOL, outro membro da ORCRIM!
         Concluindo: Como as boas lições raramente são aprendidas, continuem (os fanáticos e os dependentes) a saudar um psicopata bêbado e comprovadamente ladrão, enquanto o Brasil caminhará para a frente.
         Agradeço a todos, recomendando apenas: andem na linha e na ordem que nada de mal lhes acontecerá. Afinal, as leis são para todos! Dura lex, sed lex...

        Saudações e até qualquer dia.

Editorial, Estadão - Sem terceiro turno


O próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente

Depois de uma campanha eleitoral especialmente truculenta, em que a baixaria atingiu níveis inéditos e houve até atentado a faca contra um dos candidatos, os eleitores irão hoje às urnas praticamente sem saber o que de fato os dois postulantes à Presidência da República pretendem fazer para resolver os gravíssimos problemas nacionais.
A pobreza das propostas foi escamoteada pela troca de insultos e pela histeria, num clima de briga de torcidas que contaminou até mesmo as relações familiares e de amizade - não foram poucos os brasileiros que romperam contato com parentes e conhecidos em razão de suas opções políticas.
Ou seja, a campanha eleitoral que hoje termina foi muito além do tradicional e algumas vezes agressivo embate de programas para o País, quase sempre superado assim que as urnas fecham; o que se viu, por todos os lados, foi a completa recusa de ouvir a opinião alheia, de reconhecer a legitimidade de quem pensa de modo diferente e de usar a razão em vez da emoção. Provavelmente o desfecho da eleição não desanuviará de imediato tal clima de hostilidade.
Pode avizinhar-se, portanto, um terceiro turno, pois o resultado da eleição talvez não seja suficiente para aplacar os ânimos. Mas é preciso esquecer os discursos inflamados em que um lado falava em “metralhar” os simpatizantes do rival e o outro tratava o adversário como um ditador em potencial. Espera-se que a proclamação do vencedor seja capaz de encerrar a contenda eleitoral, a despeito da virulência da campanha. Afinal, o País necessita urgentemente de estabilidade e de medidas concretas para superar seus profundos desequilíbrios fiscais e estruturais, algo que só será possível por meio de um amplo acordo político.
Não se chega ao estado de espírito que presidiu a campanha por acaso. Foram anos de corrupção, desmandos e desfaçatez por parte do grupo político que, capitaneado pelo hoje presidiário Lula da Silva, chegou ao poder disposto a dali nunca mais sair - e do qual o candidato Haddad é herdeiro consagrado. A reação a essa ofensiva antidemocrática - materializada na Operação Lava Jato -, se deve ser louvada por ter exposto o assalto que estava sendo cometido aos cofres públicos, por outro lado demonstrou lamentável inclinação para a ribalta e o messianismo. Todos os políticos passaram a ser considerados igualmente corruptos até prova em contrário, instaurando-se um clima de caça às bruxas que só poderia resultar na emergência de políticos oportunistas que se apresentaram como “antissistema” - caso do candidato Bolsonaro. Pouco importavam suas propostas para o País - que, aliás, ninguém sabe quais são, pois elas não foram explicitadas, limitando-se a bravatas e slogans.
O outro lado tampouco ajudou. Ao contrário: Lula abastardou a campanha eleitoral ao usá-la escandalosamente em sua estratégia para tentar sair da cadeia, lançando como candidato um mero preposto, Fernando Haddad, e induzindo seus fanáticos seguidores a conflagrar ainda mais a Nação.
Quem realmente se importa com o País deve aceitar o dia de hoje, quando se encerra a eleição, como o ponto final desse enredo de horror. Urge que a classe política, a começar pelos partidos que disputam o segundo turno, deixe de lado a irresponsabilidade e se esforce para colocar o interesse público em primeiro lugar. Não é hora senão da reconciliação, e o exemplo deve partir dos líderes políticos. Uma vez encerrada a votação e conhecido o vencedor, o próximo presidente e aqueles que estarão na oposição devem ter a grandeza de compreender que o País não pode ficar em campanha eleitoral permanente. 
Há muito trabalho a ser feito, e uma parte significativa desse trabalho - como as reformas constitucionais - só poderá ser realizada se houver amplo consenso. Para isso, o compromisso com a democracia, proclamado durante a campanha pelos dois candidatos, não pode ser da boca para fora. Tanto quem ganhar como quem perder deve ser capaz de conviver com seu adversário, reconhecendo-lhe a legitimidade. Mais de uma década sob governos de um partido que dividiu o País em “nós” e “eles” e cujos líderes nunca desceram do palanque foi o bastante para sabermos o mal que isso faz.

A direita saiu do armário


Bolsonaro deu forte sinal de que adotará política mais liberalizante que a maioria dos governos desde 

José Márcio Camargo*, O Estado de S.Paulo

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais surpreendeu os analistas. A grande renovação do Congresso Nacional, o crescimento inesperado do partido do candidato Jair Bolsonaro, o PSL, e a obtenção pelo candidato de 46% dos votos válidos foram as principais surpresas do primeiro turno. Somente um fato inesperado conseguirá tirá-lo da cadeira presidencial.

Caso este resultado se efetive, o Brasil “corre o risco” de ter um governo conservador na pauta de costumes (família, gênero, religião, etc.) e liberal na pauta econômica, o que será uma importante inversão em relação ao passado recente, quando os governos adotaram pautas liberais nos costumes e estatizantes na economia.

Em razão do histórico de votações e declarações do candidato do PSL, muitos analistas colocam em dúvida o caráter liberal da política econômica que será por ele adotada, caso eleito. Entretanto, ao escolher para coordenar seu programa um dos economistas mais liberais do País e dar a ele liberdade para desenhar o programa e compor a equipe, o presidenciável deu forte sinal de que deverá adotar uma política econômica liberalizante. Provavelmente, não tanto quanto seu economista preferido gostaria, porém mais liberalizante que a maioria dos governos pelo menos desde 1930.

Nossa expectativa é de uma política baseada na redução do tamanho do Estado e do déficit público, privatizações de empresas estatais (o candidato já descartou a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, empresas por ele consideradas “estratégicas”), manutenção das reformas liberais aprovadas pelo governo Michel Temer (teto para o gasto público, reforma trabalhista, terceirização, Taxa de Longo Prazo – TLP, entre outras), dar prosseguimento a reformas já enviadas ao Congresso (cadastro positivo, lei das agências reguladoras, etc.) e, em especial, implementar uma substancial reforma da Previdência Social.

Seria bastante positivo se o futuro governo apoiasse o projeto de reforma da Previdência que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados, o que poderia viabilizar sua aprovação nesta Casa ainda este ano. Ainda que, aparentemente, este não seja o projeto dos sonhos da equipe do novo presidente, sua aprovação traria mais otimismo para os investidores e daria um fôlego adicional para o futuro governo.

A inflexão não deverá se restringir à economia. Ao longo da campanha, o Partido dos Trabalhadores (PT) tentou colar no candidato a pecha de fascista, racista, misógino e homofóbico. A menos que os eleitores brasileiros tenham essas preferências político-ideológicas, o resultado do primeiro turno mostrou que o esforço foi em vão.

A tentativa do PT de criar uma “frente democrática” contra Jair Bolsonaro no segundo turno, aglutinando os partidos derrotados, fracassou. O histórico de busca de hegemonia durante os 13 anos de poder, a leniência com a impunidade, o desprezo pelo Poder Judiciário e a campanha internacional difamatória contra as instituições democráticas brasileiras deixaram claro o perfil autoritário do partido, inviabilizaram a “frente” e geraram um forte sentimento anti-PT na sociedade.

Para a população, os destaques do programa de Jair Bolsonaro não são a misoginia, a homofobia, o fascismo, mas o fim da impunidade para crimes contra o cidadão, a propriedade e o Estado, a defesa do conservadorismo nos costumes e a redução do papel do Estado na economia. Foi esta plataforma, verdadeira ou não, que angariou o apoio de importantes setores da sociedade, tirou a direita do armário, trouxe de volta o contraditório – ausente há décadas no País – e reforçou a democracia. Afinal, sem contraditório não há democracia.

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais surpreendeu os analistas. A grande renovação do Congresso Nacional, o crescimento inesperado do partido do candidato Jair Bolsonaro, o PSL, e a obtenção pelo candidato de 46% dos votos válidos foram as principais surpresas do primeiro turno. Somente um fato inesperado conseguirá tirá-lo da cadeira presidencial.

Caso este resultado se efetive, o Brasil “corre o risco” de ter um governo conservador na pauta de costumes (família, gênero, religião, etc.) e liberal na pauta econômica, o que será uma importante inversão em relação ao passado recente, quando os governos adotaram pautas liberais nos costumes e estatizantes na economia.

Em razão do histórico de votações e declarações do candidato do PSL, muitos analistas colocam em dúvida o caráter liberal da política econômica que será por ele adotada, caso eleito. Entretanto, ao escolher para coordenar seu programa um dos economistas mais liberais do País e dar a ele liberdade para desenhar o programa e compor a equipe, o presidenciável deu forte sinal de que deverá adotar uma política econômica liberalizante. Provavelmente, não tanto quanto seu economista preferido gostaria, porém mais liberalizante que a maioria dos governos pelo menos desde 1930.

Nossa expectativa é de uma política baseada na redução do tamanho do Estado e do déficit público, privatizações de empresas estatais (o candidato já descartou a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, empresas por ele consideradas “estratégicas”), manutenção das reformas liberais aprovadas pelo governo Michel Temer (teto para o gasto público, reforma trabalhista, terceirização, Taxa de Longo Prazo – TLP, entre outras), dar prosseguimento a reformas já enviadas ao Congresso (cadastro positivo, lei das agências reguladoras, etc.) e, em especial, implementar uma substancial reforma da Previdência Social.

Seria bastante positivo se o futuro governo apoiasse o projeto de reforma da Previdência que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados, o que poderia viabilizar sua aprovação nesta Casa ainda este ano. Ainda que, aparentemente, este não seja o projeto dos sonhos da equipe do novo presidente, sua aprovação traria mais otimismo para os investidores e daria um fôlego adicional para o futuro governo.

A inflexão não deverá se restringir à economia. Ao longo da campanha, o Partido dos Trabalhadores (PT) tentou colar no candidato a pecha de fascista, racista, misógino e homofóbico. A menos que os eleitores brasileiros tenham essas preferências político-ideológicas, o resultado do primeiro turno mostrou que o esforço foi em vão.

A tentativa do PT de criar uma “frente democrática” contra Jair Bolsonaro no segundo turno, aglutinando os partidos derrotados, fracassou. O histórico de busca de hegemonia durante os 13 anos de poder, a leniência com a impunidade, o desprezo pelo Poder Judiciário e a campanha internacional difamatória contra as instituições democráticas brasileiras deixaram claro o perfil autoritário do partido, inviabilizaram a “frente” e geraram um forte sentimento anti-PT na sociedade.

Para a população, os destaques do programa de Jair Bolsonaro não são a misoginia, a homofobia, o fascismo, mas o fim da impunidade para crimes contra o cidadão, a propriedade e o Estado, a defesa do conservadorismo nos costumes e a redução do papel do Estado na economia. Foi esta plataforma, verdadeira ou não, que angariou o apoio de importantes setores da sociedade, tirou a direita do armário, trouxe de volta o contraditório – ausente há décadas no País – e reforçou a democracia. Afinal, sem contraditório não há democracia.

*PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC/RIO, É ECONOMISTA DA GENIAL INVESTIMENTOS