Vocês devem estar acompanhando, como eu estou, este dramático acontecimento que envolveu a família de Bolsonaro, desta vez no caso da mãe e dos avós dos seus filhos Eduardo, Flávio e Carlos, respectivamente deputado federal, senador da República e vereador no Rio. 

Esclarecer o caso não é responsabilidade apenas da Polícia Civil do Rio, mas do próprio Congresso, já que são vítimas um senador e um deputado federal, além da ex-mulher e ex-sogros de  um ex-presidente da República.

Nem pensar em acionar a Polícia Federal, porque esta entrou no index da família e dos bolsonaristas como inimigos jurados de todos eles, tudo por cumprirem ordens sem pestanejar e emanadas do ministro Alexandre de Moraes. 

O próprio deputado federal Eduardo Bolsonaro, em vídeo que publico no meu blog www.polibiobraga.com.br, responsabiliza Moraes e a Polícia Federal pelo que aconteceu com a família, sua mãe e seus avós.

Fotos e vídeos sobre a busca e apreensão violenta ocorridas no final de semana, demonstram que os criminosos tinham objetivos políticos, já que disseram de viva voz, armas em punho, que estavam atrás do dinheiro que o Coaf, a Polícia Federal e Moraes informaram que é do ex-presidente. Eles publicizaram valores milionários em toda a mídia alinhada.

A mãe, ex-mulher de Bolsonaro, seus pais, portanto avós de Eduardo, Flávio e Carlos, foram maltradados, mantidos reféns, enquanto os criminosos faziam busca e apreensão. O maiscurioso é que esses agentes do mal estavam todos de luva, portanto não quiseram deixar imrpessões digitais. E mascarados, claro.

As redes sociais viralizam basicamente duas opiniões sobre o acontecimento e ambas vão no mesmo sentido, apontando responsabilidades no caso da busca e apreensão violentas realizadas neste final de semana na casa dos avós e da mãe do deputado Eduardo Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro. 

Eduardo Bolsonaro, como eu já disse, responsabiliza Moraes e a Polícia Federal, mas, é claro, não os acusa por serem mandantes. A responsabilidade é de outra natureza e tem a ver com o vazamento continuado de dados pessoais do ex-presidente, inclusive e sobretudo sobre sua situação patrimonial, o que inclui movimentação de muito dinheiro, colocando tudo isto sob suspeita, o que é um completo desatino, como já provaram Bolsonaro e seus advogados, uma vez que os valores estão todos declarados e têm origem lícita.

As teorias que viralizam nas redes sociais são de que os criminosos agiram inspirados pelo insistente noticiário sobre os vazamentos feitos por Moraes e pela PF a respeito da movimentação financeira de Bolsonaro:

1) De modo espontâneo.
2) No contexto de um processo politicamen te intimidatório.

A história está repleta de episódios nos quais a violência criminosa é usada como instrumento de eliminação do adversário, de vingança e de intimidação política.

Os exemplos são nacionais (Toneleros e Juiz de Fora), estaduais (João Pessoa, assassinado no Recife) ou até locais (Gudbem Castanheiras, RS).

É onde se insere o ataque deste final de semana em Rezende, onde a mãe e os avós de um senador da República, um representante da Câmara dos Deputados, um vereador do Rio, foram tornados reféns, atacados com violência e roubados, tudo sob a ação de criminosos que deixaram claro que estavam em ação contra os interesses do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eu mesmo e o advogado Fábio Medina Osório, advogado da ex-governadora Yeda Crusius, foram objeto de ações de intimidação no âmbito do processo da Operação Rodin, 1o governo Lula, como o editor conta no seu livro "Cabo de Guerra". 

Este episódio está contado por mim em letra de forma, no livro Cabo de Guerra.


Artigo, Francisco Carneiro Júnior - Entenda por que Bolsonaro transformou-se num ícone continental

Título original: "A Tragédia de uma Elite"

Francisco Carneiro Júnior, autor da tetralogia "O Silêncio das Noites Escuras — Guerra, terrorismo e operações especiais.

Ao tentar aniquilar Jair Bolsonaro, o regime brasileiro acendeu um alarme no coração do trumpismo: o de que nenhuma liderança conservadora estaria segura caso o precedente brasileiro triunfasse. A resposta americana, portanto, não é diplomática — é doutrinária. Não protege apenas um aliado: protege um paradigma.


Agora, Brasília encontra-se diante de um dilema insolúvel. A perseguição a Bolsonaro, tratada internamente como jogo de poder, transformou-se em pauta de segurança internacional. Trump, diferentemente dos burocratas do Departamento de Estado, não age com distanciamento tecnocrático: ele age com a força de um imperador pós-moderno, decidido a vingar um aliado que vê como reflexo.


Recuar é admitir fraude narrativa. Avançar é desafiar sanções que podem implodir a economia nacional. A elite brasileira, em seu delírio tecnocrático, criou uma armadilha perfeita: qualquer saída agora significa perder tudo.


Este não é apenas um embate entre um regime e um ex-presidente. É um capítulo da nova guerra civilizacional que divide o Ocidente: de um lado, o globalismo institucional, burocrático, moralmente relativista; do outro, o populismo nacional-conservador, com raízes populares e apelo emocional.


Bolsonaro tornou-se, por força das circunstâncias, um símbolo continental — não apenas do Brasil, mas de toda uma corrente de pensamento em ascensão no mundo. A tentativa de destruí-lo criou, paradoxalmente, sua maior blindagem: a da transcendência política.


 O mais devastador nesse episódio é a constatação de que tudo poderia ter sido evitado. Bastava sensibilidade estratégica, leitura geopolítica mínima, compreensão dos vetores do poder em 2025. Mas a elite brasileira, viciada em sua bolha midiática e seduzida por sua autopercepção iluminista, riu de Eduardo Bolsonaro e ignorou os sinais gritantes que vinham do norte. As visitas a Mar-a-Lago. Os acenos de Trump. As falas inflamadas de congressistas republicanos. A cobertura intensa da mídia conservadora americana. Tudo foi tratado como ruído. Agora, é tarde.


O terremoto político reverbera para além das fronteiras. Governos latino-americanos observam com atenção: se os EUA intervêm — política e economicamente — para proteger um ex-presidente em outro país, qual será o novo limite do jogo hemisférico? A lição é clara: o preço da repressão política interna pode ser cobrado em escala internacional.


E, num paradoxo cruel, o regime que buscava apagar Bolsonaro do mapa político acabou por elevá-lo à condição de ícone continental.


Quando a história se vira contra os arquitetos do poder


Não há mais zona cinzenta. Ou se rende completamente — com anulação de processos, restauração de direitos políticos e reconhecimento de abusos — ou se enfrenta o colapso: econômico, diplomático e moral.


O regime criou uma armadilha da qual não consegue sair, porque a própria sobrevivência passou a depender da destruição de um homem — e, agora, desse homem depende a estabilidade do país.


Os historiadores do futuro serão implacáveis. Identificarão 2025 como o ano em que o Brasil selou seu destino como peão no tabuleiro de uma nova guerra ideológica global. Não foi a desigualdade. Não foi a polarização. Não foi a corrupção. Foi a cegueira estratégica.


Tentaram destruir um homem. Destruíram a si mesmos.


E o homem de quem riam, por “fritar hambúrgueres” em Missouri, agora observa — sereno, estratégico, firme — enquanto seus adversários marcham em direção ao colapso que eles próprios arquitetaram.


A História, afinal, não perdoa arrogância acompanhada de ignorância. E jamais subestima os homens que, em silêncio, constroem o futuro.



Artigo, Luís Fernando Pires, Correio do Povo - O campo não pode mais esperar

Luís Fernando Pires, assessor de Relações Institucionais da Farsul

Por trás de cada porteira, há histórias de luta, inovação e esperança. Mas também há dívidas que se acumulam, especialmente quando os campos são devastados por secas ou enchentes. O projeto de securitização das dívidas dos produtores rurais (PL 5122/2023), já aprovado na Câmara e agora no Senado, representa um sopro de alívio essencial para quem produz, gera emprego e sustenta o país. É por isso que a aprovação da proposta precisa ser imediata.


No campo, as contas não ficam para depois. As dívidas vencem, os prazos de custeio apertam e as próximas safras exigem preparo muito antes de o produto chegar à colheita. Depois de anos de perdas, milhares de produtores estão no limite. O projeto utiliza recursos do Fundo Social do Pré-sal, que tem saldo disponível, e dos Fundos Constitucionais para transformar dívidas vencidas até 30 de junho de 2025 em operações com prazos de até 10 anos, que podem chegar a 15, com três anos de carência. As taxas de juros serão de 3,5% ao ano para o Pronaf, 5,5% para o Pronamp e 7,5% para os demais produtores. Não se trata de aliviar a vida de quem não quer pagar, mas de garantir fôlego para quem quer continuar produzindo e não tem mais de onde tirar recursos.


A proximidade da Expointer dá um peso extra a essa discussão. A feira é a maior vitrine do agronegócio gaúcho, com máquinas, genética e tecnologia de ponta. Mas, neste ano, também será o retrato de um setor que convive com dívidas pesadas e margens cada vez mais estreitas. Sem medidas como a securitização, muitos dos expositores e visitantes que hoje animam a feira estarão fora do negócio nos próximos anos.


Há articulação para acelerar a tramitação. Parlamentares e entidades do setor pressionam para aprovar o regime de urgência e evitar que o texto se perca em comissões. A Farsul segue mobilizada, ao lado de outras entidades, para demandar agilidade nesse processo. Mas a demora cobra um preço alto: propriedades quebram, empregos desaparecem e a produção diminui.


A securitização é uma chance de reorganizar as finanças no campo e preservar uma base produtiva que sustenta cidades inteiras. O Senado tem nas mãos a possibilidade de dar uma resposta rápida e eficaz. Para quem vive da agricultura, cada semana de espera significa mais um passo no caminho da insolvência. Às vésperas da Expointer, este é o momento de unir forças. Não se trata apenas de aliviar dívidas, mas de assegurar o futuro do Brasil, que está fincado no chão fértil dos nossos campos. O campo não pode esperar e nós estamos com ele.

Artigo, especial, Alex Pipkin - Como a Ditadura do Pensamento Esquerdizante Transformou o Saber em Panfleto

Alex Pipkin, PhD

É inacreditável, para quem vive o mundo real dos negócios, que professores de gestão e administração preguem o decrescimento econômico, defendendo anticrescimento como dever moral, apoiados em narrativas de igualdade e justiça social — talvez de maneira inconsciente e inconsequente. Eu discordo veementemente, com base em fatos, dados, estudos e na própria história econômica, que comprovam que o crescimento econômico

é a melhor política social, gerando empregos, oportunidades, investimentos estratégicos e liberdade individual, e transbordando naturalmente para desenvolvimento social e prosperidade coletiva. Eu continuo dando aula, mas minha atividade principal hoje é consultoria empresarial, atuando onde resultados e crescimento são palpáveis.

Há mais de dez anos escrevo sobre isso. Quem me conhece sabe: não sou dono da verdade, mas defendo convicções inabaláveis. Lecionei por 25 anos em uma universidade privada. Saí — ou melhor, fui convidado a sair — não por incompetência, não por falta de resultados, mas por ousar pensar de forma liberal, no sentido clássico, europeu e brasileiro: liberdade individual, economia livre, responsabilidade pessoal. Não era “de direita”, menos ainda “de esquerda”. Apenas recusava a camisa de força ideológica. Esse pecado, hoje, é imperdoável.

O Estadão tratou hoje, 25 de agosto de 2025, do silêncio dos universitários diante dos dogmas que dominam o campus. O editorial está correto, mas generoso. A realidade é ainda mais grave: não é silêncio, é intimidação; não é apenas dogma, é ditadura. Nas universidades brasileiras, essa ditadura se espalhou, inclusive onde se esperaria pragmatismo — negócios e administração —, onde 65% dos professores se alinham à esquerda.

Essa hegemonia não surgiu por acaso. Professores foram moldados por outros professores, repetindo a cartilha marxista como catecismo. Currículos hipertrofiados de Marx, Engels, Gramsci, Horkheimer e Adorno coexistem com o silêncio — ou o escárnio — aos liberais clássicos: Bastiat, Von Mises, Hayek, Friedman. O resultado está aí, conforme tangenciado pelo Estadão: não se formam profissionais aptos a expandir o conhecimento; formam-se militantes treinados para confundir teoria com panfleto.

O efeito é devastador. Ao invés de debate, patrulha. Ao invés de diversidade, monólogo ensurdecedor. A arma ditatorial que se emprega na universidade é incutir nos alunos o temor de pensar criticamente, de questionar e de se opor às falácias progressistas. A juventude começa a acordar. Quer oportunidades, emprego, segurança, saúde. Quer pragmatismo. Mas encontra uma universidade transformada em quartel-general da divisão social. A estratégia é velha: dividir para conquistar. Quem discorda é tachado de “extrema-direita”. Trágico? Sim. Mas também cômico, se não fosse nocivo.

A esquerda universitária que prega “pluralismo” e “inclusão” é a mesma que aplaude censura, defende ditadores, apoia terroristas e celebra a escassez — de comida, de liberdade, de pensamento. A universidade, templo da inteligência, tornou-se fábrica de emburrecimento. Não apenas polarização, mas idiotização.

O Estadão está certo ao denunciar os dogmas. Mas é preciso dar nome ao processo: projeto esquerdista de longo prazo, que não busca revolução pelas armas, mas pela penetração das ideias nas instituições — justiça, mídia, imprensa, política. A universidade é incubadora, laboratório de agentes e conceitos, consolidando-se ao longo de 25 anos.

Como mudar isso? Não há alternativa que não seja equilibrar os currículos, incluindo outras visões de mundo, transformando lideranças progressistas da educação. Enquanto isso não ocorrer — e a resistência é imensa — continuaremos convivendo com essa ditadura do pensamento esquerdizante, aprofundando a idiotização no país, retardando o crescimento econômico e avançando rumo ao atraso social, cultural e institucional.

AGU propõe audiência pública para debater resolução do CFM sobre transgêneros

Manifestação em ação direta de inconstitucionalidade foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira


A Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestou, nesta sexta-feira (22/8), em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de indeferimento de medida cautelar, proposta pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat), contra resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). A Resolução nº 2.427, de 08 de abril de 2025 revisa os critérios éticos e técnicos para o atendimento a transgêneros. Na manifestação, a AGU propõe a realização de uma audiência pública para debater o tema.

 

Conforme a resolução do CFM os procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero não devem ser realizados nas seguintes situações: em pessoas diagnosticadas com transtornos mentais que contraindiquem tais intervenções; antes dos 18 anos de idade; e antes dos 21 anos quando as cirurgias implicarem potencial efeito esterilizador. “Apesar de ter elevado a idade para realização dos procedimentos a resolução está em harmonia com os atos preconizados pelo Ministério da Saúde”, explicou Isadora Cartaxo, secretária-geral de contencioso da AGU.

 

De acordo com a AGU, a resolução do CFM está alinhada a portaria nº 2.803/2013 do Ministério da Saúde (MS) que materializa a padronização dos critérios de indicação para a realização dos procedimentos previstos no processo transexualizador no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), além de estabelecer diretrizes de assistência e aprimorar a linha de cuidado dos usuários. A normativa do MS fixa os critérios para a prestação de assistência a transexuais e travestis no âmbito do SUS, inclusive para a realização de terapia hormonal e procedimentos cirúrgicos.

 

A Antra e o Ibrat alegam que a Resolução nº 2.427 do CFM afasta o direito ao bloqueio hormonal da puberdade em casos de incongruência de gênero e de disforia de gênero; o direito à hormonização a partir dos 16 anos de idade, em casos de incongruência de gênero e de disforia de gênero; o direito a procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero a pessoas maiores de 18 e menores de 21 anos, ao aumentar a idade mínima para 21 anos. Afirmam também que a norma seria inconstitucional.

 

O CFM defende que a edição do ato normativo questionado está baseada em uma postura cautelosa diante da baixa certeza de evidências científicas sobre intervenções hormonais e cirúrgicas em pacientes menores de 18 e 21 anos de idade, respectivamente.


Audiência Pública


Na manifestação, a AGU aponta que o tema tratado pela resolução envolve posicionamentos distintos. De um lado, está em análise a alegada suficiência de pesquisas e publicações científicas, de âmbito nacional e internacional, fundadas em terapias e tratamentos de pacientes que estavam em uso de terapia hormonal ou bloqueadores da puberdade. Em outra perspectiva, pretende-se aferir a densidade da norma sob o ponto de vista ético e dos parâmetros de segurança aos quais se submetem os procedimentos médicos, com as consequentes restrições impostas no desempenho das práticas terapêuticas e na definição de métodos cientificamente adequados a serem utilizados no processo de transição. Diante dessa situação, a AGU propõe a realização de uma audiência pública para discutir o tema. “A audiência pública é um mecanismo previsto para quando a decisão a ser tomada pelo judiciário demanda análise prévia de questões eminente técnicas”, explica Isadora Cartaxo.

 

Segundo ela, esse instrumento permite ouvir especialistas e os atores da sociedade que são diretamente impactados pela resolução. E prestigia a prática democrática, ao possibilitar ampla participação da sociedade civil. “Nossa intenção ao sugerir a audiência pública é possibilitar a ampliação da coleta de subsídios técnicos, científicos e jurídicos complementares que possam permitir a busca de uma solução uniforme que atenda o interesse público, além de garantir a efetividade da legislação vigente sobre o tema”, concluiu.


 


Artigo Marcos Detgaut, Gazeta do Povo - O crepúsculo do dragão? A desaceleração da economia da China pode afetar o Brasil

- O autor  Marcos Degaut é doutor em Segurança Internacional, pesquisador sênior na University of Central Florida (EUA), ex-secretário Especial Adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa.

A ascensão da China ao status de segunda maior economia do mundo tem sido a narrativa dominante da economia global nas últimas décadas. Impulsionada por um modelo de crescimento centrado em investimentos maciços e em exportações e industrialização acelerada, a nação asiática parecia destinada à hegemonia econômica incontestável.

Contudo, sinais crescentes de exaustão e vulnerabilidade estrutural sugerem que o "milagre chinês" pode estar se aproximando de um ponto de inflexão. A perda de dinamismo da economia chinesa não é apenas uma questão interna; ela ressoa com força pelos corredores da geopolítica global, redefinindo a competição com os Estados Unidos e lançando sombras sobre parceiros comerciais como o Brasil.

Os dados do PIB chinês nos últimos dez anos revelam progressiva desaceleração, marcando distanciamento significativo da era do "milagre chinês" que, frequentemente, ostentava taxas superiores a 12% anualmente (em considerável medida sustentadas por níveis iniciais de desenvolvimento, correspondentes ao início dos anos 1980, sobremaneira baixos). Se no período pré-COVID-19 (2015-2019) já se observava transição de um crescimento na casa dos 8% para os 6%, refletindo os primeiros sinais de maturidade econômica e desafios estruturais incipientes, a pandemia de 2020 atuou como catalisador das vulnerabilidades subjacentes.

As taxas projetadas para 2024 e 2025, na casa dos 5% ou abaixo, não apenas confirmam a consolidação dessa moderação pós-COVID, mas também sublinham que a economia chinesa segue firme em um regime de crescimento mais lento, distante dos tempos de expansão explosiva que a caracterizaram por décadas.


A anatomia de uma desaceleração estrutural

Os dados recentes desenham um quadro preocupante, indicando uma desaceleração profunda e multifacetada, enraizada em desafios internos que se tornaram sistêmicos. Historicamente, a produção industrial e a construção civil têm sido os motores do crescimento chinês. Entretanto, observa-se tendência de arrefecimento nos últimos anos, que se acentua drasticamente em 2024 e 2025.

Conforme dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) em 2025, a produção industrial registrou crescimento anualizado de 5,7% em julho, o ritmo mais lento desde novembro de 2024 e uma queda em relação aos 6,8% de junho, números muito distantes da forte recuperação pós-pandemia em 2021, que registrou taxas anualizadas de 9,6%.

A análise das categorias mostra que, embora setores de alta tecnologia, como a fabricação de automóveis, ferrovias e equipamentos de transporte ainda atraiam capital, a manufatura em geral, particularmente as indústrias de baixo valor agregado, enfrenta severas pressões de sobrecapacidade e demanda. Isso parece indicar que a desaceleração atual seja, mais do que cíclica, estrutural.

O setor de construção civil, por sua vez, registrou declínio de 3,3% em relação a 2024, consoante dados da Oxford Economics. Os investimentos no setor imobiliário, que servem como um termômetro de avaliação de tendências de médio prazo para o setor de construção civil, tiveram queda de 10,6% vis-à-vis 2023. Cumpre destacar que a construção civil tem sido um dos pilares do crescimento econômico chinês, sobretudo nas últimas duas décadas, por meio da absorção de mão-de-obra e da criação da infraestrutura necessária à acelerada urbanização do país. A contração do setor, ademais de atípica, é indicativa de desafios estruturais e cíclicos: após a crise financeira de 2008, por exemplo, a construção civil teve declínio breve, retomando seu nível de crescimento após as medidas de estímulo tomadas pelo governo central. Em 2024, contudo, o governo chinês adotou postura mais seletiva para o financiamento de projetos de infraestrutura, priorizando desenvolvimentos com projeção de retorno qualitativo, a fim de evitar a construção de infraestrutura para a qual não há demanda atual ou projetada.

Além disso, as vendas de imóveis novos e usados têm despencado desde 2021. Os preços médios das casas novas nas 70 maiores cidades do país caíram 0,3% em julho de 2025, perfazendo um total anualizado de -2,8%, estendendo uma fase de estagnação que se estende por 2022 (-2,3%), 2023 (-4,8%) e 2024 (-3,5%).

O investimento imobiliário acumulado nos primeiros sete meses de 2025 está 12% abaixo do mesmo período do ano anterior. Essa contração contínua impacta diretamente a riqueza das famílias, minando a confiança do consumidor e a capacidade de investimento, uma vez que grande parte da poupança doméstica está atrelada ao valor dos imóveis.

Outra frente de combate preocupante se materializa no fenômeno da deflação, cujas causas são multifatoriais, incluindo a fraca demanda interna, a guerra de preços no setor manufatureiro devido à sobrecapacidade e a queda nos preços das commodities globais.

Ao contrário da crença popular, deflação não constitui um indicador positivo, pois tem elevado o custo real da dívida pública, desincentivado o investimento e o consumo (visto que os consumidores esperam preços ainda menores no futuro) e comprimido as margens de lucro das empresas, especialmente as exportadoras, forçando-as a cortar preços para manter a competitividade. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ano a ano ficou em -0,1% em julho de 2025, enquanto o Índice de Preços ao Produtor (IPP) contraiu-se em 3,6%, já tendo caído 2,5% em 2024 e 3% em 2023

Nesse cenário, apesar de ser uma prioridade, a demanda interna tem sido insuficiente para sustentar o crescimento chinês. O país continua a produzir muito além do que pode vender internamente. O investimento em capital fixo (máquinas, equipamentos, construção) tem sido desproporcionalmente alto em relação ao consumo das famílias. Enquanto o consumo representa pouco mais de 50% do PIB, a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos em bens de produção) se mantém em patamares elevados (acima de 45%).

Economias mais maduras, como as dos EUA ou da Europa, tendem a ter um percentual menor de investimentos em capital fixo em relação ao PIB, frequentemente na faixa de 15% a 25%. Nesses países, o crescimento é mais impulsionado pela inovação, produtividade, consumo e serviços, e não tanto pela construção massiva de nova infraestrutura ou expansão industrial em grande escala.

A retração inesperada nos novos empréstimos em yuan em julho de 2025, a primeira em 20 anos, aponta para uma demanda fraca do setor privado. Essa estrutura, baseada na necessidade de exportações crescentes e investimento excessivo, gerou sobrecapacidade e endividamento, e agora se mostra insustentável.

Elemento complicador nesse cenário é o fato de que a China enfrenta um declínio populacional e envelhecimento acelerado, marcando o fim do seu bônus demográfico. A taxa de fertilidade caiu drasticamente, atingindo níveis alarmantes: de 2,9 nascimentos por mulher na década de 1980 para os atuais 0,9. A população total começou a declinar em 2022, caindo de 1,45 bilhão de pessoas para 1,35 bilhão (2025).  Também é elevada a razão de masculinidade chinesa, indicador demográfico que expressa a relação quantitativa entre o número de homens e de mulheres em uma população: há 104,5 homens para cada 100 mulheres na China, circunstância que agrava o desequilíbrio populacional do país asiático, onde a preferência por filhos, em detrimento de filhas, é um fator cultural milenar, ademais de incorporada à política oficial de "Um Só Filho", implementada por Deng Xiaoping em 1979.

A população em idade ativa também está em declínio, caindo de 69% em 2020 para 65,8% em 2025, o que reduz a força de trabalho disponível e impacta negativamente a produtividade. Isso resulta em maior pressão sobre os sistemas de seguridade social e uma base de consumidores que envelhece e potencialmente consome menos.


Implicações políticas e respostas atuais


Não restam dúvidas que os dados apresentados exigem respostas contundentes. Pequim tem tentado estimular o consumo com subsídios para novos pais e programas de troca de eletrodomésticos, além de cortes de juros e injeções de liquidez no setor financeiro. No entanto, essas medidas se apresentam mais como paliativos do que como uma correção de rumos estrutural. A hesitação em implementar um pacote fiscal maciço (economistas sugerem 2 trilhões de dólares, cerca de 12% do PIB atual) deve-se à preocupação com o já elevado endividamento e a relutância em ceder o controle econômico ao mercado ou aos cidadãos, o que implicaria certo grau de redistribuição de poder político.

A prioridade atual parece ser a estabilização e a prevenção de um colapso, especialmente no setor financeiro e imobiliário. A recapitalização de bancos comerciais, por exemplo, visa garantir que grandes instituições possam absorver choques de bancos menores à beira da falência. A política de "involution" ( involução, o contrário de evolução) de combate à sobrecapacidade produtiva visa reverter a deflação, mas as medidas têm sido insuficientes para reverter a tendência.

Assim, o governo de Xi Jinping enfrenta o dilema fundamental de reequilibrar a economia chinesa - migrando de um modelo de investimento/exportação para um de consumo interno e superando crises imobiliárias e de dívida - sem minar a hegemonia absoluta do Partido Comunista. As reformas necessárias, como fortalecer a rede de seguridade social ou empoderar o setor privado, são vistas como ameaças ao controle centralizado e à estabilidade política do Partido. Essa tensão significa que soluções econômicas tendem a ser parciais e controladas, priorizando a manutenção do poder político sobre as transformações estruturais profundas que a economia realmente exige, limitando seu dinamismo e recuperação.


A competição geopolítica: EUA vs. China no novo tabuleiro


A perda de dinamismo econômico da China não pode ser dissociada da intensa competição geopolítica com os Estados Unidos, que continua a manter uma postura de contenção, especialmente no que tange ao avanço tecnológico chinês. Enquanto em 2021 a economia chinesa representava 75% da americana, em 2024 esse percentual caiu para pouco mais de 62%. A participação da China no PIB global, que cresceu de 3,5% em 2000 para 18,5% em 2021, recuou para cerca de 16,5% no ano passado. Por outro lado, o PIB americano cresceu de 23% do total global em 2020 para 26,5% em 2024. Convém salientar, no entanto, que esse crescimento (que usa o dólar norte-americano como moeda de referência) ocorreu em um contexto de fortalecimento do dólar (isto é, sua apreciação vis-à-vis outras moedas), diretriz que tem sido, em considerável medida, modificada pelo governo de Donald Trump.

Isso reflete não apenas o crescimento mais lento da China, mas também a resiliência da economia dos EUA e o impacto das políticas de "de-risking" e desacoplamento. A guerra comercial, as restrições tecnológicas (especialmente em semicondutores) e a busca por resiliência nas cadeias de suprimentos por parte do Ocidente criam um ambiente externo menos favorável para o modelo de crescimento chinês focado em exportações.

Para Pequim, a desaceleração econômica representa uma ameaça direta à sua segurança nacional e à sua ambição de reconfigurar o tabuleiro do xadrez geopolítico internacional. A competição com Washington não é apenas econômica ou tecnológica; é uma disputa existencial sobre a futura arquitetura do sistema internacional. Uma China economicamente enfraquecida tem menos recursos para projetar poder global, financiar aliados, desafiar a hegemonia dos EUA - particularmente no Indo-Pacífico - ou implementar sua visão de uma ordem mundial na qual ela dita as regras.


O Impacto no Brasil: Da Bonança à Vulnerabilidade Estratégica


Longe dos centros de poder globais, o Brasil sente as reverberações da desaceleração chinesa de forma aguda. O país, que se tornou profundamente interligado à economia chinesa - e dela dependente, nomeadamente no que se refere à exportação de commodities (agrícolas, energéticas e metálicas - nas últimas duas décadas, sobretudo nas gestões de Lula e Dilma, enfrenta agora uma encruzilhada.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, absorvendo cerca de 28% das exportações brasileiras em 2024. Em 2023, o Brasil exportou US$ 104,3 bilhões para a China, gerando superávit recorde de US$ 51,1 bilhões. Contudo, essa parceria tem natureza desequilibrada: 90% das exportações brasileiras para a China são commodities, com soja, petróleo bruto e minério de ferro representando 80% da pauta, enquanto o Brasil importa produtos manufaturados de maior valor agregado. Essa dependência de matérias-primas tem exacerbado a desindustrialização brasileira, com a indústria perdendo participação no PIB e um superávit em produtos manufaturados que se transformou em um déficit de US$ 90 bilhões em 2019

A concentração das exportações em commodities e a "invasão" de produtos chineses baratos no mercado brasileiro geram vulnerabilidades. Se a demanda chinesa por commodities enfraquecer ou se os preços caírem, o impacto sobre a balança comercial e as contas externas do Brasil será severo. Além disso, a profunda penetração econômica chinesa, incluindo aquisições de minas e fazendas e investimentos em infraestrutura (como o projeto da ferrovia transcontinental para o porto de Chancay, no Peru, de propriedade chinesa), levanta questões sobre a independência econômica e a segurança estratégica do Brasil.

A crescente animosidade popular no Brasil em relação à China, com 75% dos brasileiros demonstrando desconfiança, conforme o estudo "Has Brazil Given China Too Much Economic Control?", divulgado pelo think tank CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) em 2023, sinaliza a percepção de que a relação comercial, embora lucrativa em termos de superávit, não é equitativa em termos de desenvolvimento mútuo e soberania.

A economia chinesa está, sem dúvida, em um ponto de inflexão. Os dados de produção industrial, setor imobiliário, deflação, demanda interna e demografia apontam para uma desaceleração estrutural que será difícil de reverter sem reformas profundas. A falta de um plano robusto para impulsionar o consumo doméstico e a relutância em construir um estado de bem-estar social para reduzir a poupança precaucional são os maiores entraves. O governo chinês parece priorizar a estabilidade política e o controle do Partido Comunista acima das transformações econômicas necessárias, optando por remendos pontuais em vez de reforma sistêmica.

Globalmente, a desaceleração chinesa intensificará as tendências de regionalização e protecionismo, e a competição geopolítica com os EUA se tornará ainda mais acirrada, com implicações para a ordem mundial. Nos médio e longo prazos, especula-se se o atual momento atravessado pela economia chinesa não guarda semelhanças com o início do declínio japonês, no fim da década de 1980/início da de 1990. A China, com sua sobrecapacidade industrial, continuará a "forçar exportações", o que pode levar a um aumento das tensões comerciais e protecionistas, especialmente com a Europa.

Para o Brasil, o cenário é de alerta. Sem considerar as circunstâncias de equivocado alinhamento político patrocinado pelo governo atual, a elevada dependência de um parceiro em desaceleração e com uma estrutura de demanda desequilibrada expõe o país a riscos substanciais. A reindustrialização, tão desejada, torna-se um desafio ainda maior. Uma estratégia de longo prazo que vise a reduzir a dependência das exportações brasileiras de commodities em relação à China, particularmente no que diz respeito ao agronegócio, via diversificação de parceiros (com ênfase no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e na Índia), é igualmente necessária.

O caminho à frente para o Brasil não é de ruptura, mas de diversificação estratégica - buscar novos mercados, agregar valor às exportações, fortalecer a indústria nacional e reequilibrar a balança comercial para garantir que a parceria com a China seja sustentável e beneficie o desenvolvimento de longo prazo do Brasil, e não apenas o lucro de commodities.

O Brasil, outrora embriagado pelo fulgor do "boom das commodities " (que em ampla medida mascarou, ao menos temporariamente, os efeitos das políticas desastrosas dos governos Lula I e II) e pelo superávit que a China generosamente oferecia, encontra-se agora com difíceis escolhas a serem adotadas. A desaceleração do gigante asiático não é mera flutuação econômica, mas um terremoto que sacode as frágeis fundações de nossa economia, corroída pela desindustrialização e pela perigosa miopia de uma dependência quase colonial.

Enquanto Pequim cambaleia, arrastando consigo a demanda por nossa riqueza bruta, o véu da ilusão começa a cair, revelando a amarga realidade: um país vulnerável, desprovido de uma Grande Estratégia de nação, com um setor industrial abandonado e com uma crescente desconfiança interna sobre o custo real dessa "parceria". É um chamado ensurdecedor à ação, um grito de alerta para que o Brasil desperte de sua letargia e forje um futuro resiliente, ou se condene a ser um mero eco empobrecido na ressaca de um dragão adormecido.

Matéria da Gazeta do Povo em:

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-desaceleracao-economia-china-afetar-brasil/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-ideias&utm_content=ideias


Artigo, especial - A queda do BVTG e o custo da proximidade com o Poder

Este artigo é do "Observatório Brasil Soberano"

Quem ainda achava que a crise política e institucional do Brasil era ape nas "ruído", agora tem um prejuízo bilionário para reconsiderar. Em ape nas uma semana, o setor bancário do país viu R$ 5 bilhões evaporarem. O terremoto, que muitos teimavam em ignorar, finalmente abalou em cheio a estrutura do coração financeiro de São Paulo. Com uma queda de 2,8% em suas ações, o BTG Pactual sentiu o golpe de forma brutal. O motivo não é um mistério do mercado, mas a cobrança mais dura pela sua estreita relação com o poder. O banco, visto como o mais próximo do governo, pagou o preço por uma manobra política irres ponsável: a decisão de um ministro de usar sua caneta para proteger um colega. Na tentativa de evitar o inevitável, esse movimento enviou um sinal devastador aos investidores estrangeiros, os principais clientes do BTG. O que essa crise escancara é uma verdade que a Faria Lima insistiu em ignorar por muito tempo. A proximidade com o poder, que traz vantagens e influência, é uma faca de dois gumes. O que antes parecia um escudo se mostrou uma exposição de risco gigantesca. O prejuízo bilionário é a prova de que a política não é um jogo que se assiste da plateia. O mercado, que tem seus próprios códigos, está mandando um recado cla ro: a omissão e a crença de que a bagunça em Brasília não afetaria a econo mia foram um erro. O terremoto chegou, está causando estragos em todos os setores e não vai poupar ninguém. A conta dessa instabilidade chegou no quadrilátero financeiro mais famo so do Brasil. O BTG e os demais bancos sangraram por uma atitude irres ponsável e pela cumplicidade em um jogo que a cada dia se torna mais perigoso. Será que a Faria Lima finalmente entendeu que o único caminho para a estabilidade passa, primeiro, por assumir que a crise é estrutural e exige que toda a influência deve ser usada para fazer a única coisa que pode resolver o problema? Ser amigo do Rei tem o bônus, tem suas vantagens. Mas quando o Rei está nu, o ônus pode ser gigante e, nesse caso, bilionário.