Tudo começou com Olívio Dutra

O PT emplacou a sua primeira grande vitória eleitoral brasileira no dia 15 de novembro, mesmo ano da promulgação da Constituição de 1988. Olívio Dutra derrotou o candidato do então Prefeito Alceu Collares, o Deputado Estadual Carlos Araújo, do PDT. Collares manobrou internamente para derrotar seu candidato, que ele detestava e integrava uma corrente ideológica interna mais à esquerda, neomarxista. Na época, eu exercia o comando da Secretaria Municipal da Fazenda, substituindo Dilma Roussef, justamente a mulher de Araújo, mas também assinava coluna diária no Correio do Povo.

A sucessão foi tumultuada. 

No dia 1o de janeiro de 1989, eu me recusei a passar o cargo para o Secretário da Fazenda indicado pelo PT, no caso o economista João Verle, que anos mais tarde viria a ser o último prefeito da saga de 16 anos dos petistas na gestão da Prefeitura de Porto Alegre. Eu vinha encrencando com o grupo precursor de Verle e antes da posse, passei a função para meu Subsecretário.

Na transmissão de cargo de Prefeito, num palanque montado diante da Prefeitura, os fanáticos seguidores da seita petista hostilizaram com especial ênfase a nova mulher do Prefeito Alceu Collares, mas a Secretária da Educação Neusa Canabarro estava armada, era muito perigosa, mulher da fronteira, e escapou das agressões físicas. 

Eu voltei em seguida para a redação do Correio do Povo.

1989 foi o ano que começou uma cascata interminável de ações judiciais movidas pelos dirigentes e líderes e ativistas da esquerda, no caso PT, PCdoB e PSOL, tudo para me censurar, me tirar meus empregos e renda, tomar meu patrimônio e me meter na cadeia.

É um calvário que começou no final do Século XX e segue Século XXI a dentro.

Olívio Dutra assumiu na companhia de Tarso Genro, tudo num cenário de grande efervescência política, com muita gente achando que Porto Alegre tinha se transformado na Capital Vermelho, ou seja, que o comunismo começara pela cidade do Rio Grande do Sul.

Com o conhecimento acumulado pela minha passagem pelo comando de duas Secretarias Municipais, no caso Desenvolvimento Econômico (conhecida como Smic ou Secretaria Municipal da Indústria e Comércio) e Fazenda, usei minha coluna diária no Correio do Povo para fustigar o novo governo de Porto Alegre. Usei e abusei do mantra que eu mesmo criei, segundo o qual a gestão de Olívio Dutra tinha se transformado na casa da sogra, onde quem mandava era o Genro. Olívio não gostou das críticas diárias. Na época, ele e eu mantínhamos algum tipo de relação civilizada. Ele quis aplacar meu ânimo através de conversações e por isto me telefonou:

Olívio - Que tal almoçarmos no Naval ?

Eu conhecia o Naval de ouvir falar, sabia que Olívio gostava de ir ali para beber cachaça, mas no local, o Mercado Público, eu preferia o Treviso.

Resolvi ironizar o convite:

- Só se tu prometer não me envenenar durante o almoço.

E almoçamos.

Não deu em nada.

Continuei criticando duramente a nova gestão. O conjunto das minhas críticas e denúncias estão no meu livro "Herança Maldita - Os 16 Anos do PT em Porto Alegre". 

O Prefeito Olívio Dutra voltou a me ligar, mas desta feita foi a última vez que fez isto:

- Mas, bah, não tínhamos acertado tudo durante nosso almoço.

Eu respondi que não:

- Eu apenas ouvi teus argumentos, mas não disse que concordva com eles e nem que iria levar livre o teu governo.

Logo em seguida, Olívio Dutra moveu uma série de três ações cíveis e criminais contra mim.

Perdeu todas.

Um dos seus Secretários, o do Meio Ambiente, também moveu três ações judiciais contra mim.

Perdeu todas.

Anos mais tarde, os sucessores de Olívio Dutra, no caso os Prefeitos Tarso Genro e Raul Pont, também bateram às portas da Justiça para me enquadrar. Tarso moveu ação criminal e perdeu. No caso de Raul Pont, fizemos acordo nos autos e a ação foi arquivada.

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