Metade dos inadimplentes sabem que não poderão pagar suas contas atrasadas no curto prazo

Uma pesquisa nacional do Serviço de Proteção ao Crédito (SPCBrasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que quase metade dos brasileiros inadimplentes (46,5%) não têm condições de pagar suas dívidas em atraso nos próximos três meses. Seis em cada dez entrevistados (61,2%) no estudo
“Perfil do Inadimplente Brasileiro” acreditam que a situação financeira piorou na comparação com o ano passado, seja em razão do endividamento (24,4%), porque estão desempregados (16,4%) ou pelo fato da renda ter diminuído (20,4%). Apenas uma em cada cinco pessoas entrevistadas (20,6%) tem intenções de pagar e reúne condições para quitar as dívidas integralmente nos próximos 90 dias.
O levantamento mostra que, na comparação com 2015, o valor médio total das pendências diminuiu 33,9%, chegando a R$ 3.543,60 – entre os entrevistados das classes A e B e com idade entre 35 e 64 anos a dívida é ainda maior, de R$ 5.633,95 e R$ 4.176,29, respectivamente. Porém, a diminuição do valor total da dívida dos inadimplentes não é um reflexo de uma possível melhora na capacidade de pagamento desses consumidores.
“Nos últimos anos, a recessão, o desemprego e os efeitos da inflação enfraquecem o poder de compra das pessoas. Ao mesmo tempo, o acesso ao crédito se tornou mais restrito, uma vez que os concedentes começaram a exigir maiores garantias dos tomadores”, explica Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil.
Quando indagados sobre os principais motivos para deixar de pagar as contas atrasadas, percebe-se que a perda do emprego ainda é o fator de maior impacto, para 28,2% dos entrevistados (33,3% em 2015). Em seguida são mencionados a diminuição da renda (14,8%, contra 10,5% em 2015), a falta
de controle financeiro e de planejamento no orçamento (9,6%, contra 21,0% em 2015) e o empréstimo do nome para compras feitas por terceiros (9,3%, aumentando para 30,0% entre os mais velhos e 9,9% nas classes C, D e E).
Aluguel, plano de saúde e condomínio são principais contas em dia
A pesquisa fez um mapeamento do comportamento do brasileiro inadimplente em relação aos compromissos financeiros que possuem e também as suas dívidas. As principais contas que os devedores têm são de serviços básicos de água e luz (57,6%), cartão de loja (47,5%), contas de telefone (41,9%) e cartão de crédito (40,4%).
Os compromissos que mais se encontram em dia, são o aluguel (94,9%), o plano de saúde (91,8%) e o condomínio (91,3%). Por outro lado, considerando as contas em atraso, as principais são relacionadas a serviços de crédito como empréstimo em bancos ou financeiras (89,6%), parcelas do cartão de loja (83,9%), cartão de crédito (74,9%) e contas de crediário e carnês (68,7%). No geral, todas essas pendências em atraso estão nessa situação há mais de um ano. Os destaques são o longo período de 21,3 meses em média de parcelas atrasadas de empréstimo de bancos e financeiras, 21,7 meses do cheque especial e o tempo menor de atraso de sete meses para as contas de água e luz.


O levantamento do SPC Brasil e CNDL também identificou quais são os principais produtos e serviços que os consumidores compraram e que os levaram às dívidas e à inadimplência: roupas (45,0%, aumentando para 50,6% entre as mulheres e 57,7% entre os desempregados), calçados (25,8%) e eletrodomésticos (17,4%) – 11% nem ao menos se lembram dos produtos comprados.

Artigo, Bernardo Mello }Franco - Os Intocáveis

- A crise entre o Ministério Público e o Supremo alcançou um novo patamar nesta terça (23). A água que esquentava desde o fim de semana atingiu o ponto de ebulição. Coube ao ministro Gilmar Mendes soprar o apito. Ele atacou os procuradores da Lava Jato, a quem acusou de vazar uma pré-delação para constranger o tribunal.

Gilmar abriu o verbo depois de a operação esbarrar na proximidade entre o empreiteiro Léo Pinheiro e o ministro Dias Toffoli. Ele sugeriu à colunista Mônica Bergamo que os procuradores seriam movidos a "delírios totalitários". "Me parece que [eles] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço", afirmou.

Mais tarde, ao jornal "O Estado de S. Paulo", o ministro disse que "é preciso colocar freios" nos investigadores, que se sentiriam "onipotentes". Sem apresentar provas, ele disse que os procuradores "decidiram vazar a delação" para fazer um "acerto de contas" com seu colega.

O procurador Rodrigo Janot aderiu ao bate-boca. Depois de suspender a delação sem explicar suas razões, ele disse que a menção a Toffoli teria sido inventada. Em seguida, num recado a Gilmar, questionou: "A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?"

O ministro tem certa razão ao pedir que os procuradores calcem as "sandálias da humildade", embora ele nunca tenha encontrado um par do seu número. Desde o início da Lava Jato, é comum ver investigadores exagerando na autopromoção e no ativismo político. No entanto, chama a atenção que Gilmar tenha resolvido protestar quando a operação ameaça atingir um de seus colegas.

Os ministros do Supremo merecem respeito, mas não podem ser tratados como indivíduos acima da lei. Em março, quando a Lava Jato divulgou gravação de Lula e Dilma Rousseff, Gilmar não manifestou a mesma indignação com o vazamento. Na época, o que importava para ele era discutir "o conteúdo" do grampo.

Artigo, Astor Wartchow - Senhor Facebook

Artigo, Astor Wartchow -  Senhor Facebook


      Salvo as manobras contábeis de praxe – caixa dois, recebimento de falsas doações com CPF’s emprestados e contabilização de serviços não realizados, entre outros artifícios, parece certo, entretanto, que será uma campanha eleitoral de baixa disponibilidade financeira para partidos e candidatos.
      Será fruto da legislação que proibiu o financiamento empresarial. Mas a grave crise economico-social e as investigações policiais e judiciais em série também contribuem para esta retração.
      Parênteses: sou a favor de doações de empresas. A atual proibição de doações prejudicou candidatos e empresas honestas e favoreceu (e continuará favorecendo) aqueles partidos e candidatos que já atuavam com artifícios e manobras ilegais, resultado de corrupção e licitações fraudadas.
      Continuando. Não bastasse a limitação financeira, a divulgação das candidaturas também sofrerá muito com as restrições impostas pela legislação eleitoral que proibiu uma série de históricos procedimentos como cartazes, outdoors, cavaletes, etc..
      Conseqüentemente, se é verdade que as cidades estarão mais limpas e com menor poluição visual, do ponto de vista ambiental, também é possível supor que o conjunto das limitações e restrições favorecerá os atuais detentores de formas de poder (governantes, parlamentares e sindicalistas, por exemplo) e demais candidatos tradicionais.
      A combinação destas hipóteses limitantes indica que candidatos e partidos deverão realizar um esforço supremo, quase impossível, na mobilização de simpatizantes e filiados para a realização do tradicional corpo-a-corpo com o eleitorado.
      Esforço supremo porque concomitante ao degradante momento político-partidário que reduziu a zero a credibilidade de partidos e políticos, como nunca dantes na história deste país, como diria aquele famoso ilusionista.  
      Então, se desafiadora e difícil a aproximação física com o eleitor, restará aos interessados a campanha eleitoral à distância, através do mundo digital, das redes sociais, especialmente com a ajuda do “senhor facebook”, o cabo eleitoral da hora.
      Mas que não se iludam. Diferente do rádio, do jornal e da televisão, a internet não é um meio de comunicação que opera só num sentido, do emissor ao receptor. A internet é a troca constante e personalizada, o fluxo de vai-e-vem entre as partes.
      Um erro básico dos candidatos é o panfleto eletrônico, ou um spam de mau gosto. Isso sem falar no assessor que finge que é o próprio candidato respondendo emails, postando ou “tuitando”. Ou divulgando informações político-partidárias e idéias pessoais que não guardam relação com a realidade.
      Afinal, hoje todos são “macacos velhos” na internet.
     
     
     





  








Artigo, Percival Puggina - Um episódio real da longa guerra petista contra os colégios militares

Artigo, Percival Puggina - Um episódio real da longa guerra petista contra os colégios militares
                Quando Olívio Dutra elegeu-se governador do Rio Grande, sua vitória foi entendida como evento culminante de uma empreitada revolucionária. Olívio e seus companheiros chegaram ao Palácio Piratini, em 1º de janeiro de 1999, mais ou menos como Che Guevara e Camilo Cienfuegos haviam entrado em Havana exatos 40 anos antes - donos do pedaço, para fazer o que bem entendessem e quisessem. Só faltou um velho tanque de guerra para os bigodudos e barbudos do PT se amontoarem em cima.
                Foi com esse voluntarismo que o primeiro governador gaúcho petista, posteriormente conhecido como "O Exterminador do  Futuro I" (haveria uma segunda versão com outro ator), despachou a montadora da Ford para Camaçari, na Bahia. "Nenhum centavo de dinheiro público para uma empresa que não precisa!", explicava o governador incandescendo sua mistura de vetustos ardores messiânicos e antiamericanismo adolescente. E o PIB gaúcho, por meia dúzia de tostões, perdeu mais de um bilhão de dólares por ano pelo resto de nossas vidas. Foi assim, também, que se instalaram pela primeira vez entre nós a tolerância, as palavras macias, o aconchego e os abraços aos criminosos, seguidos de recriminações e restrições às ações policiais. Foi assim que o MST e as invasões de terras ganharam uma secretaria de Estado. Foi assim, também, que o PT gaúcho inventou uma Constituinte Escolar, instrumento ideológico concebido para, sob rótulo de participação popular, permitir que o partido estabelecesse as diretrizes de uma educação comunista no Rio Grande do Sul.
                A essas alturas já era gritante o contraste entre a qualidade da Educação prestada pelo Colégio Tiradentes, sob orientação da Brigada Militar, e o decadente ensino público estadual. A insuportável contradição não comportava explicações palatáveis, mas sua notoriedade exigia completa eliminação. E o governo transferiu o tradicional Colégio para a já então ultra-ideologizada Secretaria de Educação. O Colégio Tiradentes foi condenado à morte, executado e esquartejado. No mesmo intento de combater a quem defende a sociedade e de afrontar a tudo que pudesse parecer militar, Olívio Dutra retirou o comando da Brigada Militar do prédio onde historicamente funcionava e fez a Chefia de Polícia mudar-se do Palácio da Polícia. Sim, sim, parece mentira, mas é verdade pura.
                Eleito governador em 2002, Germano Rigotto, tratou de reverter o aviltamento das instituições policiais. Fez com que seus comandos retornassem às sedes tradicionais e decretou a volta do Colégio Tiradentes à Brigada Militar. Ao se pronunciar durante a solenidade de assinatura desse decreto, o governador afirmou algo que não pode sumir nas brumas do esquecimento porque define muito bem a natureza totalitária de seu antecessor: "Não raro, por escassez de recursos ou limitações de qualquer natureza, a comunidade quer algo e o governo não pode atender. O que raramente acontece é o governo fazer algo contra o manifesto desejo da comunidade. Foi o que o aconteceu e é o que sendo retificado neste momento. O Colégio Tiradentes volta para onde deve estar. O Quartel General da Brigada Militar, retornou ao seu QG. A Polícia Civil voltou para o Palácio da Polícia".
                Três atos marcantes, revogando providências que o governo petista impôs à sociedade gaúcha, contrariando-a intensamente, apenas para expressar seu antagonismo a tudo que fosse ou seja policial e militar. 

                Decorridos 13 anos, podemos ler no episódio aqui narrado as preliminares de um antagonismo que não se extinguiu. Persiste ainda hoje, entre as esquerdas, com apoio da burocracia do Ministério da Educação, uma absoluta intolerância em relação à "indisciplina pedagógica" dos colégios militares.

Artigo, José Nêumanne, Estadão - De lorota em lorota, Dilma tenta adiar o ostracismo o quanto pode à custa da Nação

De lorota em lorota, Dilma tenta adiar o ostracismo o quanto pode à custa da Nação
José Nêumanne
24 Agosto 2016 | 03h01
O comparecimento da presidente afastada, Dilma Rousseff, ao julgamento de seu impeachment foi agendado e ela tratou na semana passada com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), do rito a ser adotado na sessão. Foi-lhe atribuída a intenção de reverter a crônica da condenação anunciada com um discurso capaz de constranger oito dentre os julgadores, que foram seus ministros, a votar por sua volta, depois de terem aprovado a pronúncia dela na votação anterior. Eles figuraram entre os 55 favoráveis a seu afastamento, e não entre os 21 que decidiram paralisar o processo, menos da metade dos 43 necessários (metade mais um).
O crítico severo poderá achar destemperado o gesto, o que condiz com seu temperamento tempestuoso. Mas é contrário a todas as leis da probabilidade e da lógica. Pois é Dilma a maior responsável pelo calvário que ela mesma, seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Partido dos Trabalhadores (PT), de ambos, estão vivendo neste agosto de seu desgosto. Em março de 2014 o Estadão publicou documentos, até então inéditos, revelando que em 2006, quando era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, ela aprovou a compra onerosa de 50% de uma refinaria da belga Astra Oil em Pasadena, no Texas (EUA). Divulgada a notícia, explicou a discutível decisão dizendo que só a apoiou por ter recebido “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”. Sua primeira manifestação pública sobre o tema foi chamada, e com toda a razão, de “sincericídio”.
Pois às vésperas de se impor como candidata à reeleição presidencial, contrariando a vontade de Lula, responsável por sua eleição em 2010, Dilma acendeu o estopim de uma bomba que viria a explodir no colo de ambos, ao delatar e encalacrar o ex-diretor internacional da petroleira, Nestor Cerveró. Aí, este, como delator premiado na Operação Lava Jato, virou um algoz de que Lula e ela não se livraram e, ao que tudo indica, nunca se livrarão.
A expulsão de Lula do páreo provocou ressentimento nesse patrono de seus triunfos. Apesar de tudo, Dilma reelegeu-se. Mas isso complicou seu desempenho no cargo em quase todas as decisões importantes que tomou, ou deixou de tomar. Ela obteve 51,64% dos votos e Aécio Neves, do PSDB, 48,36%. A diferença foi de 3,4 milhões. Essa foi a menor margem de sufrágios em segundo turno desde a redemocratização. No entanto, ela reagiu como se tivesse obtido a votação total. Em contraste com a atitude educada do opositor, que a saudou pela vitória, afirmou: “Não acredito que essas eleições tenham dividido o País ao meio.” Assim, inaugurou uma falsa aritmética, na qual o mais sempre vale tudo.
Seu primeiro erro fatal, após empossada pela segunda vez, foi atender a seus espíritos santos de orelha Cid Gomes e Aloizio Mercadante Oliva, entrar na fria de enfrentar Eduardo Cunha e o PMDB do vice eleito com ela, Michel Temer, e apoiar Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa pela presidência da Câmara. Perdeu no primeiro turno por larga maioria, na primeira de uma série de derrotas que, mesmo nas vezes em que teve apoio de menos de um terço, ela nunca aceitou.
Tentando corrigir esse erro, ela prometeu os votos do PT no Conselho de Ética da Casa para evitar a punição de Cunha, que, acusado de corrupção ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mostrara força reduzindo a pó projetos do governo com “pautas-bomba”. Só que o PT lhe puxou o tapete, negou apoio ao desafeto e aprofundou o fosso que a separava do parceiro majoritário na base parlamentar. Cunha virou algoz, aceitando o processo de impeachment contra ela da lavra de um fundador do PT, Hélio Bicudo, do ex-ministro da Justiça do tucano Fernando Henrique Miguel Reale Júnior e da professora de Direito da USP Janaína Paschoal.
Nos 272 dias sob julgamento no Congresso – 160 no cargo e 112 dele afastada (se for mesmo impedida em 1.º de setembro) – ela atribuiu o dissabor à “vingança” de Cunha. Este, de fato, o abriu, mas não foi decisivo na maioria contra ela na comissão da Câmara (38 a 27), composta à feição dos interesses de sua defesa por intervenção do STF. Nem em mais quatro sessões: duas na comissão (15 a 5 e 14 a 5) e duas no plenário do Senado (55 a 22 e 59 a 21). E mais: mesmo tendo até agora logrado adiar sua cassação, o ex-presidente da Câmara não provou ter os votos de que precisa para manter o mandato.
Outra conta de seu lorotário é a do presidente em exercício, seu único sócio na chapa vencedora de 2014, com 54,5 milhões de votos. Temer tem o dever funcional, exigido pela Constituição, de assumir seu lugar, não merecendo, assim, as acusações que amiúde ela lhe faz de “traidor e golpista”.
Na dita “mensagem ao Senado Federal e ao povo brasileiro”, divulgada em palácio e na presença decorativa de repórteres, ela repetiu as lorotas de hábito. Pela primeira vez reconheceu ter cometido um “erro”. Este seria a escolha do vice e, em consequência, a aliança com o PMDB. Esqueceu-se de que sem esses aliados não teria sequer disputado o segundo turno em 2010 e 2014. Comprometeu-se ainda a adotar “as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao povo”. Sem contar sequer com um terço do Senado e da Câmara, cujas decisões têm sido referendadas pelo STF, contudo, a única medida que ela poderá tomar será imitar Fernando Collor, atualmente seu prestativo serviçal, e renunciar. Para tanto, contudo, a Nação não aceita pacto de nenhuma espécie, seja a imunidade penal pessoal, seja outro privilégio. Não tem, muito menos, como convocar plebiscito para eleger quem cumpriria o resto do mandato, se a ele renunciar.
Só lhe restará, então, voltar ao merecido ostracismo, do qual não deveria ter sido retirada, e responder pelos vários crimes de que é acusada – e nega.

*Jornalista, poeta e escritor

Denúncia por improbidade contra reitor da Ufrgs

Ilmo(a) Sr.(a), Sua manifestação foi cadastrada com sucesso!
Número da manifestação: 20160082918 Data da manifestação: 23/08/2016
Descrição:  PEDRO  GERALDO  CANCIAN  LAGOMARCINO  GOMES  (Pedro Lagomarcino),  brasileiro,  casado,  advogado,  inscrito  na  OAB/RS 63.784,com  endereço  profissional  sito  à  Av.  Independência,  nº 831/54,  CEP  90035­076,  na  cidade  de  Porto  Alegre  ­  RS,  vem perante o MPF ­ Ministério Público Federal, nos termos do art. 14, da Lei nº. 8.429/92, oferecer REPRESENTAÇÃO contra CARLOS ALEXANDRE  NETTO,  brasileiro,  portador  do  título  eleitoral  nº. 029052990485, atual Ilmo. Sr. Reitor da UFRGS ­ UNIVERSIDADE FEDERAL  DO  RIO  GRANDE  DO  SUL,  lotado  como  servidor público, no prédio da reitoria de UFRGS, localizado sito a Av. Paulo Gama, Nº. 110, bairro Farroupilha, CEP 90040­060, na cidade de Porto Alegre ­ RS, pelas razões de fato e de direito que passa a expor,  em  síntese:  Em  18­08­2016,  o  Ilmo.  Sr.  Reitor  da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) praticou crime de improbidade administrativa, em razão de violação expressa do art. 37, da CRFB/88 combinado com, destacamos, no mínimo, do art. 11 "caput" c/c art. 21, I, da Lei nº. 8.429/92, ao promover e permitir que se realizasse, nas instalações da referida Universidade, o "Grande Ato em Defesa da Democracia e Legalidade". Elementar nos parece dizer que a referida Universidade Federal se trata de instituição pública, mantida com recursos públicos. Ocorre que, o evento citado se trata de ato notadamente político de esquerda, cujo único fim era insurgir­se, contra as decisões e as instituições democráticas  deste  país,  já  tomadas  no  processo  de "impeachment" da Presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, em  trâmite  no  Senado  Federal  e  em  fase  de  julgamento  final. Gravíssimo  nos  parece  dizer  que  o  ato,  travestido  de  ato democrático, cujo referido reitor autorizou que fosse realizado e de fato  ocorreu,  sugeriu­se,  inclusive  que  se  utilizassem  armas. Referido ato, na verdade, desrespeita e viola o Estado Democrático de Direito, as Leis, e a Constituição da República Federativa do Brasil,  bem  como  todas  as  decisões  já  tomadas  pelo  Pretório Excelso,  pelo  Plenário  da  Câmara  dos  Deputados  e  suas respectivas  Comissões,  bem  como  pela  Senado  federal  e  pelas suas  respectivas  Comissões,  no  sentido  de  julgar  a  referida Presidenta da República, por crime de responsabilidade, conforme preceitua  o  art.  85,  51,  I  e  52,  I,  combinados  com  a  Lei  nº. 1.079/50.  Mais,  o  ato  realizado  e  autorizado  pelo  referido  reitor estimula a baderna, a arruaça e a prática de crimes, na medida em que  um  classe  sedizente  elitizada  de  professores  universitários incita  a  violência,  expressamente,  com  citações  do  tipo:  ?Em setembro de 2016 devemos começar a lutar como fizemos em abril de 1964?. Não há o Ministério Público Federal de permitir que tais
23/08/2016 Gmail ­ Sala de Atendimento ao Cidadão ­ MPF 20160082918
https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&ik=4ca60f732b&view=pt&search=inbox&msg=156b82ed67a8c9d7&siml=156b82ed67a8c9d7 2/3
atos  se  proliferem  no  seio  de  universidades  federais,  como  a UFRGS,  nem  em  nenhuma  universidade  federal  do  Brasil,  bem como em nenhuma universidade privada. Não bastasse os atos já realizado, na medida em que o ato realizado em 18­08 não foi o primeiro, agora, em rede social, acessada por milhares de usuários de todo o mundo (facebook) a UFRGS segue promovendo eventos sociais  travestidos  de  "debates  marxistas",  mas  que  tem  como finalidade incitar e promover o desrespeito a ordem, às Leis e a Constituição, conforme se pode constatar no cartaz (imagem) do evento  e,  em  especial,  nos  detalhes  do  evento,  conforme transcrevemos  os  seguintes  excertos:  ­  "O  ciclo  de  debates marxistas  na  UFRGS  vai  contar  com  cinco  ciclos  que  abordam distintos temas da vasta literatura marxista. A ideia é aproveitarmos o  espaço  da  universidade  para  aprofundarmos  um  campo  do conhecimento que, apesar de toda a propaganda coxinha contrária, é  muito  pouco  visto  nos  cursos  de  humanas."  ­  "Esse  ciclo  é construído  pelo  Esquerda  Diário,  a  juventude  Faísca  Anticapitalista e Revolucionária e o grupo Ontologia e Combate". "IV  ­  Stálin,  o  grande  organizador  de  derrotas  ­  com  Thiago Rodrigues do Esquerda Diário e Daniel Dias ­ 26 de Outubro ­ 18h no pantheon do IFCH". Vale lembrar que o ato realizado em 18­082016 contou inclusive com participação de juristas de conhecidos no ambiente nacional. Todavia, destaque especial perece ser dado a  participação  do  Dr.  Marcelo  Lavenère.  Referido  jurista,  ao participar  e  estimular  tais  atos,  como  advogado,  desrespeita, inclusive, ato da classe que pertence, qual seja, a OAB, que já aprovou,  através  de  seu  Órgão  Pleno,  praticamente  por unanimidade,  posicionamento  favorável  ao  "impeachment"  da referida Presidenta da República, conforme se pode visualizar na matéria  divulgada  no  site  da  própria  OAB,  conforme  segue  em anexo. Aliás, mister referir, que o Dr. Marcelo Lavenère, como exConselheiro Federal e representante da seccional do Pará, foi o único  voto  vencido,  ou  seja,  contrário  ao  "impeachment"  da Presidenta Dilma Vana Rousseff. Assim sendo, constata­se que o Dr. Marcelo Lavenère, ao participar deste ato realizado na UFRGS, o qual foi nominado como "ato democrático", na verdade contraria a forma democrática que o Órgão Pleno da da classe a que pertence deliberou  em  sentido  completamente  diverso  aos  seus  anseios. Colocamos a toda evidência que a decisão da OAB de manifestarse, favoravelmente, ao pedido de "impeachment" da Presidenta da República já afastada, contou com o voto favorável de 26 (vinte e seis)  das  27  (vinte  e  sete)  bancadas  de  Conselheiros  Federais. Com  isso,  26  (vinte  e  seis)  das  27  (vinte  e  sete)  seccionais estaduais  da  OAB,  decidiu  por  se  posicionar  favoravelmente  ao pedido  de  "impeachment"  da  Presidenta  Dilma  da  República  já afastada. A deliberação da OAB, através de seu Órgão Pleno, foi tomada  em  19­03­2016.  Constata­se,  pois,  que  o  Dr.  Marcelo Lavenère utiliza­se de mecanismos oblíquos, ao participar de atos nominados como democráticos, mas que na verdade desrespeita, como advogado, a decisão da classe a que pertence, a OAB, a qual deliberou, esta sim, de forma democrática. Aliás, tal acinte é levado a efeito, através da participação em atos realizados no ambiente universitário,  como  se  tal  ambiente,  por  se  tratar  de  meio acadêmico,  pudesse  se  transformar  uma  espécie  de  escudo quixotesco, para resistir a força da decisão de um órgão de classe e  dissolver,  com  uma  varinha  de  condão  e  em  um  passe  de mágica,  a  decisão  que  este  órgão  tomou,  praticamente  por unanimidade.  Isso,  de  parte  do  Dr.  Marcelo  Lavenère,  nem  de longe, significa respeitar as decisões democráticas do Órgão Pleno da  OAB.  Excelentíssimos  Senhores  Procuradores  do  Ministério Público Federal, é ululante a existência de crime de improbidade administrativa, destacamos, no mínimo, por violação aos Princípios Constitucionais da Administração Pública, conforme os dispositivos acima citados, na medida em que há utilização das instalações da UFRGS para fazer proselitismo político de 5ª categoria, desrespeito à Ordem Pública, às Leis, à Constituição da República Federativa do  Brasil,  o  Estado  Democrático  de  Direito,  a  democracia  e  a República. Vale lembrar que não é a primeira vez que a reitoria da UFRGS  permite  e  realiza  tais  atos,  aos  quais  nomina  de
23/08/2016 Gmail ­ Sala de Atendimento ao Cidadão ­ MPF 20160082918
https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&ik=4ca60f732b&view=pt&search=inbox&msg=156b82ed67a8c9d7&siml=156b82ed67a8c9d7 3/3
"democráticos",  mas  que  passam  ao  largo  de  respeitar  a democracia, haja vista ser reservado único tratamento para ideias marxistas,  comunistas  e  socialistas,  autofágicas  e  nefastas  ao Brasil. Com efeito, mesmo que se fosse facultado aos pensadores de  direita  promoverem  tais  eventos  dentro  das  instalações  da UFRGS, verdade seja dita, as instalações das universidade, sejam elas públicas ou privadas, não são e nem deve ser espaço, para promover  atos  políticos  deste  nível,  diga­se  de  passagem, notadamente  pedestres,  ainda  mais  naquelas  universidades mantidas e custeadas por recursos públicos. É elementar que tais atos podem e devem ser realizados, obviamente, nas sedes dos respectivos  partidos,  os  quais  já  recebem  pomposos  recursos advindos do fundo partidário. Contamos com a sensibilização de Vossas  Excelências,  para  tomarem  as  medidas  legais  cabíveis, quiçá,  as  que  sugerimos  acima,  a  bem  da  assepsia  e  da salubridade do livre pensar no ambiente universitário, nos moldes em que todas as universidades públicas dos países de primeiro mundo se pautam. Solicitação:  Nestes  termos,  firmo  a  presente  denúncia,  para  representar  e requerer ao MPF ­ Ministério Público Federal ­, que sejam tomadas as  medidas  legais  cabíveis,  no  sentido  de  ajuizar  ação  de improbidade  administrativa  contra  o  atual  reitor  da  UFRGS,  no mínimo,  em  razão  da  violação  dos  dispositivos  legais  acima citados. Pedro Lagomarcino OAB/RS 63.784  Demais informações serão encaminhadas para seu endereço de email. Para consultar o andamento da manifestação, favor acessar a página eletrônica do MPF, opção Sala de Atendimento ao Cidadão, consultar andamento, e inserir o número da manifestação e de seu documento (CPF ou CNPJ). Atenciosamente,

Sala de Atendimento ao Cidadão ­ Sistema Cidadão Ministério Público Federal Obs.: Não responda a este e­mail. Mensagens encaminhadas/respondidas para o endereço eletrônico do remetente serão desconsideradas.

Editorial, Folha de S. Paulo - Alternativas à prisão

O governo do Estado de São Paulo continua às voltas com uma deficiência grave: a superlotação de prisões. Até mesmo locais de detenção inaugurados em anos recentes abrigam mais presos do que foram projetados para comportar.

A situação irregular tornou-se evidente sábado (20) em reportagem da Folha: dos 20 estabelecimentos prisionais que passaram a funcionar desde 2010, há 18 cuja população já ultrapassou a capacidade prevista. E as duas exceções, em Piracicaba e Florínea, só não têm excesso porque entraram em operação há poucos meses.

As duas dezenas de penitenciárias masculinas e femininas, CDPs (Centros de Detenção Provisória) e CPPs (Centros de Progressão Penitenciária) contam com 17.613 vagas e 26.872 detidos, um excedente de 53%. A pior situação se observa em Capela do Alto, unidade que acumula 1.935 presos nas 847 vagas para as quais foi construída.

A gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) pondera que criou mais de 26 mil vagas, desde 2010, e que outros 18 presídios se encontram em construção, com prazo de conclusão em 2018 e investimento de R$ 883,7 milhões. O contínuo aumento da demanda por vagas, alega-se, decorre de uma política rigorosa de segurança que tem diminuído os índices de criminalidade.

São fatos: no primeiro semestre de 2016 o número de vítimas de homicídio recuou 12%, um índice de 8,56 por 100 mil paulistas (um terço da média nacional de 29,1/100 mil); a taxa de encarceramento no Estado, por sua vez, é de cerca de 500 presos por 100 mil habitantes (a cifra brasileira se acha em 306/100 mil).

Ocorre que em São Paulo, como em todo o Brasil, a superpopulação é em grande parte evitável. Cerca de 40% do contingente encarcerado se compõe de presos provisórios, sem sentença definitiva.

Estima-se que 5% estejam aprisionados de maneira indevida. Além disso, também é da ordem de 40% a proporção dos condenados e acusados por crimes contra o patrimônio, sem envolver violência ou grave ameaça a outrem.

São detentos que não deveriam estar ali. No caso dos provisórios e dos presos irregularmente, trata-se de vítimas da ineficiência do Judiciário, cuja lentidão prolonga sua permanência em prisões dominadas pelo crime organizado.


Os tribunais deveriam também contemplar com maior abrangência, para crimes não violentos, penas alternativas como multas e restrições de direitos (a viajar, por exemplo). Seria mais barato –e menos arriscado– do que amontoá-los em celas com os facínoras.