Artigo, Marcelo Aiquel - A deslavada cara de pau do PT gaúcho

      Nesta última semana, três fatos envolvendo os dignos políticos do PT gaúcho chamaram a atenção:

      O primeiro (não necessariamente nesta ordem) foi o lançamento da propaganda partidária nas redes de comunicação.
      Invadiram as telas de nossas TVs figuras carimbadíssimas, com um requentadodiscurso de austeridade e seriedade, prometendo (ah, como os políticos adoram fazer promessas vazias...) soluções miraculosas para os problemas nacionais, estaduais, e municipais.
      Como se eles não tivessem tido a oportunidade de comandar o país, o RS e Porto Alegre. Sem resolver nenhum dos problemas, além de criarem outros...
      Ah, apareceram também alguns expoentes da grande Porto Alegre: O ex-prefeito que teve o “generoso” auxílio dos impostos da GM, em Gravataí; o prefeito marqueteiro de Canoas (quepromove até inauguração de bueiros); e o senador Paim (a “eminência parda” que pretendia abandonar o partido até outro dia, mas acabou ficando... a que custo? É um mistério).
      Todos, sem exceção, apareceram com mensagens positivas, porém distanciados do governo federal que nem citaram para fazer defesa.     Curioso! São do mesmo partido, mas tentam demonstrar que nada tem a ver com as denúncias que surgem sem parar... Devo ter esquecido que, contra eles (O PT gaúcho), jamais houve nada. O episódio do Diógenes de Oliveira não conta, não é?
      Para os petistas, apenas as reputações dos oposicionistas podem ser atacadas, pois eles são sempre corretíssimos...

      O segundo fato (também citado sem ordem de importância) foi o apoio que alguns deputados foram emprestar ao “chefe” Lula, em S. Paulo.
      Compareceram os gaúchos de sempre: Maria do Rosário; Henrique Fontana;e ElvinoBohnGass; entre outros.
      E isso aconteceu num dia de semana, quando eles – que deveriam estar no Congresso Nacional (afinal foram eleitos para representar o povo na Câmara e não para fazer viagens de agrado ao seu “chefe”) – posaram sorridentes “trabalhando” numa manifestação festiva bem longe de Brasília.
      Depois, ninguém sabe por que sempre há falta de quórum nas votações da Câmara dos Deputados?
      Não vou nem questionar quem teria bancado a homenagem, as passagens aéreas, e as despesas todas.

      O terceiro fato relevante da semana foi uma manifestação do ex-governador Tarso Genro, em defesa do “chefe” Lula.
      Com a arrogância e a falta de oportunismo que lhe são peculiares, o petista cometeu a infelicidade,e a irresponsabilidade, de comparar o injustiçado e coitadinho doLula com os judeus assassinados pelos nazistas na tragédia universal do Holocausto.
      Ora, nem o maior defensor do nazismo teria tamanha desfaçatez.
      Mas o senhor Tarso Genro, aqueleque promete “peremptoriamente”,mas não costuma cumprir a sua palavra,e que após afundar o RS resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, tem – volta e meia – se utilizado do twitter para vomitar suas costumeiras asneiras.      Como agora!
      Só que, desta vez, a parvoíce foi tanta que sequer merece comentários.

      Encerrando este breve artigo, posso concluir que – quando muito – mudaram as moscas no PT gaúcho.
      Porque o resto continua igual...


      Marcelo Aiquel – advogado (21/02/2016)

Artigo, Marli Gonçalves - Vergonha deste País

A gente fica meio assim, encabulado, tímido, introspectivo. Às vezes nem comenta, porque já está até chato, mas fica ali matutando, com o assunto na cabeça. Tem sido assim nesse nosso país já faz mais de ano, parece que entramos numa espiral

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Qual vai ser a próxima? Qual será a frase que nossa presidente dirá e que passaremos a semana inteira ironizando e sacaneando? Será que ela vai citar de novo a volátil mosquita?

Quem vai aparecer da tumba, para não morrer deitado, e virá com mais revelações picantes de caráter pessoal? A famosa Rose, do Lula? Daria tudo para conseguir essa entrevista, nesse momento o poço dourado dos jornalistas que cobrem política. Se pudesse estaria no rastro dela - instinto de repórter na veia.

Mesmo se eu não a encontrasse, tenho certeza que boas pistas no caminho não falhariam. Guerra é guerra e está visível que nesse momento está deflagrada uma fantástica batalha de ódio e comunicação, uma interessante maratona para ver quem consegue levar o Barba à linha de chegada, aliás, para bem além dela. Ou encontrar quem consegue anular a prova.

Será que essa semana, além do constrangimento de ver o senador Delcídio do Amaral, o preso-solto-morto-vivo, adentrar o Senado, vamos ter o Japonês da Federal lá dentro para buscar algum outro? Ou será que o Japonês da Federal vai ter o ego subindo pra cabeça e vai voltar lá só para fazer selfies, inclusive posando pimpão com os investigados?

Pode ser que na nossa tevê apareça algum comercial novo, vindo da lama, como se a lama envenenada já não falasse mais alto a cada dia que passa; comercial variado e com outros funcionários sorridentes, bonitinhos, assumindo a culpa e a desculpa. Não tem jeito: você também ainda vai ter de ouvir a propaganda de um vampiro de tez bem branca falar que não devemos aceitar propaganda enganosa dos partidos, e que o dele é que é legal. (!)

Por falar nisso, quantas criancinhas não estão comendo nem o lanche que atrai para a educação, porque alguém está abrindo a lancheira no caminho para surrupiar o leitinho, morder a maçã, quebrar o biscoito? Quantos olhinhos cabisbaixos eles mostrarão jurando que não, que merenda escolar é sagrada e aliás eles nem sabiam que existia, como é que iriam roubá-la? O que mais não vamos poder saber enquanto não se passarem 50 anos? Inovador: governo inventa Cápsula do Tempo. Um buraco, as informações dentro de uma caixa, e que só daqui a 50 anos será aberta. Imaginando, né? - a grande importância que coisas deste governo medíocre terão daqui a 50 anos. Ou mesmo hoje.

Vergonha.

Nós nos rebaixaremos tanto que mostraremos os fundilhos ao mundo que nos observa, num misto de pasmo com curiosidade? Quanto mais se abaixa, diz o provérbio português, mais o fundilho se lhe vê. Aliás, não é exatamente fundilho a palavra que usam. Nem mesmo muitos brasileiros temos ainda capazes de encantar. Jogadores também nos envergonham, e era uma de nossas artes.

Que números mostraremos às mães? Quantas serão as crianças doentes? Que acontece que somente agora viram o que a mosquita carregava em seus voos, sem ser incomodada por nada, nem fumaças, nem autoridades sanitárias, ou outra autoridade qualquer, e a lista aumenta, ameaçando severamente a nós todos? Qual bobagem dirá o ministro, se é que ele não vai precisar ir até ali por algumas horas participar de alguma votação importante - para ele?

Vergonha. Se não chove, não tem água. Se chove, acaba a luz. O lixo entope os bueiros, água sobe, as árvores caem, as pessoas se desesperam e nada acontece e assim por diante já sabemos o que vai acontecer assim que o céu ruge.

Que faremos? Se de um lado nos divertimos com os Trapalhões, de outro temos de ver como substituir esse espetáculo dantesco, e o que se vê diante de nós é tosco demais, filme-B, Z.

São Paulo, 2016, sonhos de uma noite de verão

Marli Gonçalves, jornalista - Só cantando, com o grande Nélson Cavaquinho, porque tem coisas que a gente não pode falar. (...) "É o juízo final. A história do bem e do mal. Quero ter olhos pra ver. A maldade desaparecer" (...)

Escritor americano aponta o brasileiro como o grande problema do país e desperta reações extremada

Texto publicado por escritor americano mexe com os brios do brasileiro e põe em questão a relação dúbia que o brasileiro tem com o olhar estrangeiro e a própria autoimagem

Pouca gente fala tão mal do Brasil quanto o próprio brasileiro, ou ao menos uma determinada parcela bem identificável da sociedade brasileira – da classe média para cima, digamos. Mas se alguém o fizer – e não for um brasileiro, prepare-se para a indignação que não se fará esperar, ainda mais nesta época rápida de redes sociais.
Foi o que fez Mark Manson, um escritor americano. Noivo de uma brasileira e com planos de passar mais tempo no país, ele publicou, no dia 11 de fevereiro, em sua página pessoal, uma longa Carta Aberta ao Brasil (que pode ser lida no endereço markmanson.net/brazil_pt), na qual apontava o principal responsável pelos problemas recorrentes do país: o próprio brasileiro.
Leia mais:
“O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade. O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de ‘ser brasileiro’ mesmo que isso não esteja certo.”, diz Manson em um dos trechos da postagem, que aponta também que os brasileiros são egoístas, vaidosos, bem pouco inclinados ao altruísmo pelo bem comum, embora leais aos amigos próximos.
As reações não tardaram. Muitas delas, como seria de se esperar, negativas. Já no primeiro dia intelectuais, pesquisadores e pessoas comuns manifestaram em suas redes sociais indignação pelo “texto do gringo”. Mas, e aqui está talvez o ponto que provoca reflexão, muitos o compartilharam com a aprovação e o entusiasmo de uma verdadeira declaração oficial das Nações Unidas. Para alguns, este é o verdadeiro mistério.
– É um texto fraco, que levanta até algumas questões interessantes, mas não se aprofunda. Para mim, a grande  questão é por que a classe média, de modo geral, se identificou tanto com esse texto e concordou com ele de modo tão apaixonado. O furor provocado por esse texto é, pra mim, o verdadeiro objeto de interesse desse artigo – diz Ronaldo Helal, professor de Comunicação e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Para além de qualquer consideração sobre a qualidade do texto de Manson, ou mesmo suas qualificações para realizar uma análise de um país estrangeiro, o que parece ter acontecido é que seu olhar de fora talvez tenha se conectado a um impulso que constitui parte do imaginário nacional e que vem à tona de tempos em tempos, principalmente em períodos de crise: a suspeita melancólica de que o país está fadado ao fracasso, não importa que mudanças ocorram na política, na economia e na sociedade.
Não é um tema novo. De tempos em tempos, uma pesquisa qualquer encomendada por instituto de pesquisa ou por algum veículo de comunicação devolve uma imagem incômoda (e em muitos casos distorcida) de seu país e de sua comunidade. Uma delas, realizada pela revista Superinteressante, em 1991, por exemplo, entrevistou 1,2 mil pessoas em seis grandes capitais para chegar à assombrosa conclusão de que um em cada dois desses entrevistados não via nada de bom no Brasil. Outra, realizada em 2000 pelo Instituto Datafolha, registrava que a primeira ideia associada ao Brasil por mais da metade dos consultados era negativas: crise, pobreza, má administração, violência e desemprego, entre outras. São essas as personagens que veem nas palavras de Manson uma confirmação de seu próprio pensamento sobre um país com crises periódicas e casos sucessivos de corrupção.
Outro ponto interessante a se refletir quando se pondera a reação despertada pela postagem de Manson está o próprio histórico brasileiro com a opinião estrangeira, mesmo quando ela de algum modo acerta, ainda que de modo superficial, em pontos válidos dos problemas nacionais. Embora muitos se sintam insultados, outros veem no olhar de um estrangeiro, qualquer estrangeiro, a legitimidade que faltava para concluir que o Brasil foi à breca. Um exemplo é o da frase “O Brasil não é um país sério”, citada há gerações como uma declaração derrisória proferida pelo presidente-herói francês Charles De Gaulle nos anos 1960. Há de querer dizer algo o fato de que De Gaulle nunca disse tal coisa, ele foi na verdade o destinatário da frase, formulada por um... brasileiro, o diplomata Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964. O fato de que a diatribe passou ao anedotário nacional atribuída ao presidente estrangeiro é um indício dessa relação dúbia, de concordância e de revolta que muitos têm com gringos que emitem uma opinião sobre o Brasil.
Os tópicos levantados por Manson não são necessariamente novos. Alguns deles, ao contrário, estão no coração do pensamento social brasileiro. A lealdade à tribo antes que ao conceito imaterial de Estado já foi diagnosticada no muitas vezes mal compreendido “brasileiro cordial” identificado por Sérgio Buarque de Holanda em seu Raízes do Brasil. O “cordial” aqui não é o amistoso, acepção que se tornou comum para o termo, e sim aquele que é regido pelas forças “do coração” (“corda”, em latim): o resultado é o estabelecimento da família como núcleo primário da cidadania e da noção de disponibilidade do público para o interesse privado.
Roberto da Matta, por sua vez, já definiu o “jeitinho” e o “você sabe com quem está falando?” comuns na sociedade brasileira  como “como duas pernas de uma mesma ficção jurídica”, a saber, a de que a lei é justa, alcança a todos e todos a cumprem. O “jeitinho” nasce com o exemplo de cima: ao notar que o aristocrata não está sujeito ao mesmo rigor, o “do andar de baixo” desenvolve artifícios para ter, por baixo dos panos, a mesma relação com a lei geral, ou seja, escapar dela quando for possível.
Em seu recente best-seller A Cabeça do Brasileiro (Record, 2007), o sociólogo Alberto Carlos Almeida testa essas formulações em uma pesquisa ampla e chega a uma radiografia do modo de pensar nacional, apontando a educação como o grande divisor entre “dois Brasis”. Na contramão do discurso que culpa exclusivamente a elite, Almeida conclui que a ampla fatia de 57% de brasileiros que cursou só até o ensino fundamental tem um perfil bem delineado: é um personagem que apoia o jeitinho, valoriza a hierarquia e o patrimônio, é desconfiado, contrário ao liberalismo no comportamento, a favor da censura e tolerante com a corrupção.  Se é assim, o que pode ter provocado tal identificação, como se o texto apontasse algo novo, ou tal indignação, como se o texto estivesse errado do início ao fim? Talvez a superficialidade de era da internet.
– O brasileiro tem a mania de falar que todo mundo é corrupto, menos quem fala. O texto dele toca em uns pontos interessantes, mas não se aprofunda, e as pessoas aceitam como revelação – comenta Ronaldo Helal.


Degravação da entrevista de Elvino Bohn Gass, Rádio Gaúcha. Ele fala sobre o apoio dos deputados do PT na reunião com Lula.

DEGRAVAÇÃO ELVINO BOHN GASS – RÁDIO GAÚCHA - 17/02/2016

P: - Os deputados federais gaúchos do PT vão fazer um ato de apoio ao ex-presidente Lula, é isso?
R: - Estamos em São Paulo, onde haveria um depoimento dele, que foi suspenso exatamente por decisão de um juiz do Conselho Nacional do Ministério Público que atendeu a ação impetrada pelo deputado Paulo Teixeira porque o promotor fez um pré-julgamento. Ele não fez o rito, as formalidades do Estado Democrático de Direito. Porque no Brasil, hoje... Há, aqui, uma multidão de pessoas... O Brasil está acompanhando... Há um ato aqui, nós também vamos passar rapidamente... As pessoas perceberam o que está acontecendo no Brasil... Se elegeu um culpado. Olha o absurdo que é a democracia brasileira, o que é o fascismo, o que é o ódio, o que é rasgar a Constituição... Há alguns membros do Ministério Público que fazem uma escolha de quem tem que ser condenado. Agora, se escolheu o Lula. Mas não tem crime contra o Lula! Mas o Lula já está pré-condenado. Agora, estão procurando o crime. Tem denúncias, informações... Não acharam e não vão achar.

P: - Mas o senhor não acha que o Lula tem que ser investigado também?
R: - Todos aqueles que têm uma função pública, se houver uma denúncia, têm que ser investigados. Outro dia, um dos delatores disse, sobre o tema Furnas, que um terço pra esse lado, outro terço foi pra aquele e outro terço foi pro Aécio Neves. Outro delator disse, sobre a corrupção, que é uma coisa ruim, nojenta, mesmo, a corrupção: sempre existiu e nunca se combateu. E o Brasil está vivendo um momento importantíssimo: nós estamos combatendo a corrupção. Ah, mas é contra esse partido, é contra aquele partido... Não interessa. Mas, por que não se investiga o Aécio Neves? Eu não estou condenando o Aécio Neves, eu acho errado fazer uma pré-julgação como se está fazendo com o presidente Lula. O que nós queremos é que as apurações andem, mas dentro das regras.

P: - Repetindo a pergunta: o senhor não acha que, em havendo suspeitas sérias, o Lula precisa ser investigado?
R: - O Lula precisa ser investigado como qualquer cidadão, mas dentro das regras. Tem vazamento toda hora, antes dos advogados lerem a ação. Você acha isso razoável, que uma revista tenha acesso às informações antes dos advogados?

P: - Pois é, mas o senhor acabou de citar um vazamento a respeito do Aécio...
R: - Não, não, é exatamente isso que eu estou falando. Nós estamos, no Brasil, o que é a democracia no Brasil, por que as pessoas têm um ódio contra o Lula e esse ódio não está contra outros governantes? Porque há um preconceito com quem tem ascensão social no país. Faxineira não podia estudar. Pobre não podia comprar carro, não podia possuir casa, não podia se alimentar direito. E o Lula passou a ser uma das lideranças mais importantes do mundo, passou para a história como um dos melhores presidentes do Brasil e tem, nitidamente, uma eleição à vista em 2018.

P: - O senhor não está respondendo à pergunta. O Aécio está sendo investigado e existe uma série de denúncias contra o Lula...
R: - Eu já te respondi à pergunta... O Aécio não está sendo investigado. Não está sendo levado adiante nenhuma ação contra ele. Nós temos uma escolha de quem vai ter a culpabilidade pré-julgada sem um fato concreto.

P: - O presidente tem os holofotes e os microfones. Por que ele não vem a público e esclarece item por item e se defende, ao invés de ficar acusando os outros?
R: - Você já sabe das explicações ponto a ponto, sobre a cobertura tríplex, tudo está explicado. O Lula falou e explicou o problema.

P: - Mas por que ele não explicou o que ele foi fazer lá com o Leo Pinheiro, presidente da OAS?
R: - Eu vou te dizer, em Porto Alegre, se alguém compra um apartamento na planta ou se vai construir uma casa, é legítimo que a família vá lá olhar como é que vai ficar o apartamento...

P: - Mas deputado, ele foi lá olhar, com o presidente da OAS, a reforma...
R: - O que nós temos neste momento. Há um grande duplex da família Marinho, da Rede Globo, que se está dizendo que está em uma área de preservação ambiental... Nós vamos encaminhar para que isso também seja investigado... Porque o que nós queremos é que o que foi levantado contra o Lula seja investigado. Ninguém está dizendo nada contra isso. Mas nós queremos que o duplex da família Marinho também seja investigado...

P: - Deputado, o Marinho não conseguiu nenhum voto. Ele tem que ser investigado como pessoa física...
R: - O Brasil tem um grande problema de sonegação. Tem que investigar todas as empresas que sonegam e cobram do povo... Se hoje nós conseguimos muito pro povo passar a ter dignidade, passar a ter casa... Quanto, ainda, podemos fazer...

P: - Sim, mas o voto faz diferença. O presidente Lula, a Dilma, o senhor, o Aécio, todos esses foram eleitos. Quando se comete um crime de sonegação, um assassinato, isso não contou com o voto da população. Essa é a grande diferença. O senhor não acha que uma pessoa como o Lula, que talvez seja tão importante quanto o Fernando Henrique, deve mais explicações?
R: - Veja bem, se o empresário compra algo com os nossos impostos – e, aliás, sobre aumento de impostos, que tragédia está acontecendo no RS, com a segurança pública... Agora, se o empresário cobra do povo o imposto e não repassa para o governo, para a criança, para a segurança, para se evitar um assassinato ou um roubo...

P: - A gente concorda com isso, deputado...
R: - Então, nós temos um acordo. Todos devem ser investigados. O que nós precisamos aí é que quando a gente investiga, a gente não pode pré-julgá-lo, culpa-lo, condená-lo sem nenhuma prova e quem fez tudo isso, quem divulgou, nada lhe acontece.

P: - Mas deputado, o senhor está fazendo a mesma coisa com relação ao duplex do Marinho. Não lhe parece mais correto justificar o que está sendo apontado do que apontar o dedo para o outro?
R: - Mas é exatamente isso que está sendo feito contra nós.

P: - E aí os senhores repetem...
R: - Não, não, esta injustiça nós estamos sofrendo hoje. O Lula, que tirou pessoas da miséria, que ajudou o Brasil... Outro dia, um padre me disse: eu não lembro mais quando eu enterrei uma criança que morreu de fome. Porque no tempo do FHC, eu enterrava as crianças que morriam de fome. Olha a tristeza. O que hoje se está fazendo com o Lula nós achamos errado, apontar o dedo e pré-julgá-lo.

P: - O que o senhor fez com o Aécio e o Marinho não é apontar o dedo?
R: - Não, o que eu disse é que, assim como tem que ter a investigação contra o Lula e a divulgação tem que ser paritária, assim deveria ser o tratamento contra o Aécio, contra as empresas que sonegam...

P: - O senhor está só andando em círculos. Vamos avançar: o que o Lula disse para vocês?
R: - Quando uma pessoa é injustiçada, quando é apontado o dedo como fez o Serra, injustamente, quando alguém é apontado para ser criminoso, mas não tem crime, como uma pessoa não vai estar indignada...

P: - Mas o que que ele disse? O que ele vai fazer?
R: - O que ele disse foi o que todos nós estamos dizendo há muito tempo. O que ele disse é que todos os procedimentos... Aliás, não foi ele que disse, somos nós que estamos dizendo. Nós viemos dar um abraço no Lula. Aliás, é um abraço no Lula...

P: - Deputado, o senhor não está nos dizendo o que ele disse, o senhor está nos enrolando...

R: - Nós viemos pra São Paulo pra dizer: Lula, há um setor no Brasil que não pode ver um pobre viver melhor que estão te apontando o dedo na cara, que estão te condenando. Lula, nós estamos solidários contigo. O que que diz o Lula: agradece a nossa solidariedade. Ele e nós dissemos a mesma coisa. Nós queremos que a justiça apure de forma não seletiva todas as investigações que têm que ser feitas. Se nós tiramos o Brasil da miséria e se nós constituímos que as instituições – e isso o Lula preza muito – do Ministério Público, a Polícia Federal poder investigar... Porque vocês sabem como era o nome do procurador-geral da República? Engavetador. Vocês sabem que o único brasileiro que tem um busto nos Estados Unidos é o Lula? Porque o Lula é uma grande figura. E essa figura é que tentam destruir. Nós trouxemos nosso abraço ao Lula e ele disse que nós temos que continuar ajudando o povo do Brasil. Pra que não voltemos àquele tempo em que se pegava o dinheiro das privatizações pra pagar político pra não investigar ou quando, como tem a Operação Zelotes, que o procurador sentava em cima pra não se investigar. O meu sentimento é o seguinte: jogaram o dedo no Lula, acusaram falsamente, condenaram ele, e o povo achou, uma mentira dita 99 vezes parece uma verdade, não é, ela só parece. As pessoas estão começando a ver que tem muita falsidade contra o Lula e estão começando a ser mais solidárias com o Lula. Por isso, a frase é a seguinte: mexeu com o Lula, mexeu comigo. E as pessoas se sentem indignadas quando apontam o dedo para acusar injustamente o Lula.

Mensagens provam que OAS bancou reformas no triplex e no sítio de Lula

Nesta reportagem de Rodrigo Rangel, fica claro que os verdadeiros donos do triplex do Guarujá e do sitio de Atibaia são Lula e Marisa. O editor postou material ontem a noite sobre a capa da revista Veja de hoje, replicando conversas do dono da OAS, Leo Pinheiro, delator no Lava Jato. Nas conversas, ele trata Lula como "chefe" e Marisa como "madame". Tudo é muito claro. E vem mais pela frente. 

O material é de Veja. Leia a reportagem:

Eem fevereiro de 2014, as obras do Edifício Solaris, no Guarujá, tinham acabado de ser concluídas. A OAS era a empreiteira responsável. O apartamento 164-A, embora novo em folha, já passava por uma reforma. Ganharia acabamento requintado, equipamentos de lazer, mobília especialmente sob encomenda e um elevador privativo. Pouca gente sabia que o futuro ocupante da cobertura tríplex de frente para o mar seria o ex-presidente Lula. Era tudo feito com absoluta discrição. Lula, a esposa, Marisa Letícia, e os filhos visitavam as obras, sugeriam modificações e faziam planos de passar o réveillon contemplando uma das vistas mais belas do litoral paulista. A OAS cuidava do resto. Em fevereiro de 2014, a reforma do sítio em Atibaia onde Lula e Marisa descansavam nos fins de semana já estava concluída. O lugar ganhou lago, campo de futebol, tanque de pesca, pedalinhos, mobília nova. Como no tríplex, faltavam apenas os armários da cozinha.

Os planos da família, porém, sofreram uma mudança radical a partir de março daquele ano, quando a Operação Lava-Jato revelou que um grupo de empreiteiras, entre elas a OAS, se juntou a um grupo de políticos do governo, entre eles Lula, para patrocinar o maior escândalo de corrupção da história do país. As ligações e as relações financeiras entre Lula e a OAS precisavam ser apagadas. Como explicar que, de uma hora para outra, o tríplex visitado pela família e decorado pela família não pertencia mais à família? Teria havido apenas uma opção de compra. O mesmo valia para o sítio de Atibaia - reformado ao gosto de Lula, decorado seguindo orientações da ex-primeira-dama e frequentado pela família desde que deixou o Planalto. Em 2014, os Lula da Silva passaram metade de todos os fins de semana do ano no sítio de Atibaia.


Por que Lula e Marisa deram as diretrizes para as reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia se não são seus donos? Por que a OAS, que tem seu presidente e outros executivos condenados por crimes na Operação Lava-Jato, gastou milhões com Lula? O Ministério Público acredita que está chegando perto das respostas a essas perguntas - a que o próprio Lula se recusou a responder, evadindo-se do depoimento que deveria prestar sobre o assunto na semana passada. Para o MP, Lula se valeu da construtora e de amigos para ocultar patrimônio. Os investigadores da Lava-Jato encontraram evidências concretas disso. Mensagens descobertas no aparelho celular do empreiteiro da OAS Léo Pinheiro, um dos condenados no escândalo de corrupção da Petrobras, detalham como a empresa fez as reformas e mobiliou os imóveis do Guarujá e de Atibaia, seguindo as diretrizes do "chefe" e da "madame" - Lula e Marisa Letícia, segundo os policiais.

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Governo Dilma faz proposta concreta para melhorar as dívidas dos Estados com a União

O Ministério da Fazenda sugeriu ontem aos governadores, inclusive ao governador Ivo Sartori, RS, um alongamento da dívida em 20 anos, elevando o prazo de pagamento de 30 para 50 anos. Além do aumento de prazo, a Fazenda está avaliando, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a renegociação de operações de crédito contratadas até 31 de dezembro do ano passado, o que deve acrescentar até 10 anos aos prazos originais. A Fazenda aumentou ainda o limite de operações de crédito de R$ 12 bilhões para R$ 17 bilhões em operações com garantias da União e mais R$ 3 bilhões em operações sem garantia, gerando um total de crédito de R$ 20 bilhões. Nos ano passado, o limite foi de R$ 7,1 bilhões. Há ainda uma cláusula a favor dos Estados que não atenderem aos critérios. Caso o Estado comprove que precisa dos recursos e que tem um plano robusto de recuperação fiscal, o Tesouro Nacional pode avaliar o pedido.

Há também a possibilidade de a União aceitar ativos pertencentes aos Estados, como empresas públicas e participações acionárias, para futuras alienações. O resultado obtido com a alienação dos ativos será aplicado como redutor nas prestações mensais ao longo dos cinco anos subsequentes à venda.

No caso do RS, o governo federal há muito tempo tem interesse no controle do Banrisul. O BB já fez ofertas concretas para comprá-lo.

Os Estados que solicitarem operações de crédito com garantia da União precisarão apresentar boa situação fiscal, ter as operações previstas no Programa de Ajuste Fiscal ou em tramitação na Secretaria do Tesouro e atender aos limites da legislação. Os Estados precisarão ainda apoiar matérias de interesse da União como a reforma do ICMS, a CPMF e a Desvinculação de Receitas da União (DRU) estendida a Estados e municípios.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, gostou da proposta apresentada pelo ministério e disse que o Estado irá renegociar R$ 46,5 bilhões. "O alongamento da dívida é necessário", disse ao deixar o prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília.

Dívida

O alongamento da dívida é uma proposta inicial da Fazenda que ainda está sendo aperfeiçoada e será enviada ao Congresso junto com as medidas fiscais anunciadas nesta sexta-feira pelo ministro da Fazenda. Em contrapartida, os Estados precisarão comprovar sua robustez fiscal.

CLIQUE AQUI para saber mais. 

Governo Dilma propõe alívio para as dívidas dos Estados com a União

O Ministério da Fazenda sugeriu ontem aos governadores um alongamento da dívida em 20 anos, elevando o prazo de pagamento de 30 para 50 anos. Além do aumento de prazo, a Fazenda está avaliando, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a renegociação de operações de crédito contratadas até 31 de dezembro do ano passado, o que deve acrescentar até 10 anos aos prazos originais. A Fazenda aumentou ainda o limite de operações de crédito de R$ 12 bilhões para R$ 17 bilhões em operações com garantias da União e mais R$ 3 bilhões em operações sem garantia, gerando um total de crédito de R$ 20 bilhões. Nos ano passado, o limite foi de R$ 7,1 bilhões. Há ainda uma cláusula a favor dos Estados que não atenderem aos critérios. Caso o Estado comprove que precisa dos recursos e que tem um plano robusto de recuperação fiscal, o Tesouro Nacional pode avaliar o pedido.

Os Estados que solicitarem operações de crédito com garantia da União precisarão apresentar boa situação fiscal, ter as operações previstas no Programa de Ajuste Fiscal ou em tramitação na Secretaria do Tesouro e atender aos limites da legislação. Os Estados precisarão ainda apoiar matérias de interesse da União como a reforma do ICMS, a CPMF e a Desvinculação de Receitas da União (DRU) estendida a Estados e municípios.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, gostou da proposta apresentada pelo ministério e disse que o Estado irá renegociar R$ 46,5 bilhões. "O alongamento da dívida é necessário", disse ao deixar o prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília.

Dívida

O alongamento da dívida é uma proposta inicial da Fazenda que ainda está sendo aperfeiçoada e será enviada ao Congresso junto com as medidas fiscais anunciadas nesta sexta-feira pelo ministro da Fazenda. Em contrapartida, os Estados precisarão comprovar sua robustez fiscal.
Há também a possibilidade de a União aceitar ativos pertencentes aos Estados, como empresas públicas e participações acionárias, para futuras alienações. O resultado obtido com a alienação dos ativos será aplicado como redutor nas prestações mensais ao longo dos cinco anos subsequentes à venda.

Para aderirem à proposta, os Estados precisarão criar, por exemplo, uma Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual. Como forma de limitar o gasto e evitar um aumento no endividamento, precisarão limitar, por dois anos, o crescimento de suas despesas correntes à variação da inflação. Também terão de atrelar, pelo mesmo período, o empenho e a contratação das despesas com publicidade às de caráter institucional voltadas para saúde e segurança.

Outra exigência feita aos Estados é a de não poderem mais conceder renúncias de receita ou qualquer tipo de benefício fiscal. Ficará vedado ainda a nomeação de novos servidores e a necessidade de extinguir 10% dos cargos de livre provimento e nomeação.
Para garantir a obediência às exigências, caso o Tesouro verifique o descumprimento da LRF ou da LRF estadual, o Estado ficará impedido de contratar operações de crédito e receber transferências voluntárias.

LRF
Para se adequar à nova realidade, o governo promoverá ainda mudanças na LRF alterando o conceito de despesa com pessoal e incluirá terceirizados e apuração feita com base na remuneração bruta do servidor. Segundo o Tesouro, haverá um período de transição de 10 anos para que os entes se enquadrem no limite de pessoal da LRF e, caso a trajetória seja descumprida, ficará vedada a contratação de novas operações de crédito.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, classificou a proposta do governo como "importante". Já o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, disse que a proposta da união para alongamento da dívida é "adequada" e afirmou que há uma possibilidade de alongar dívidas provenientes de contratos com o BNDES.


"Benefício terá que ser discutido e está condicionada à adoção, pelos Estados, de uma medida muito rigorosa de ajuste fiscal especialmente no que diz respeito à expansão de gasto com pessoal e custeio", afirmou.