- O autor é cientista político da Arko Advice pesquisas
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As diferentes pesquisas divulgadas sobre a disputa ao Palácio Piratini mostram hoje um cenário de polarização entre o deputado federal Luciano Zucco (PL) e a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). Na terceira posição está o vice-governador Gabriel Souza (MDB) seguido pelo ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB).
Faltando cerca de 45 dias para o pleito, surge a seguinte pergunta: este cenário é definitivo ou pode haver mudanças? Observando o padrão de comportamento eleitoral das últimas seis disputas ao governo gaúcho, marcado pela decisão tardia de voto, o atual quadro não deve ser considerado definitivo. Desde 2002, em todas as eleições ao Palácio Piratini tivemos a ocorrência das chamadas surpresas eleitorais.
Em 2002, no mês de agosto, a eleição estava polarizada entre Antônio Britto (PPS), que registrava 36% das intenções de voto na pesquisa Ibope. Tarso Genro (PT) aparece com 29%. Germano Rigotto (PMDB) figurava com apenas 5%. No final do primeiro turno, Rigotto teve 41,17% dos votos válidos. Tarso atingiu 37,25%. Britto terminou com apenas 12,31%. No segundo turno, Rigotto venceu Tarso.
No pleito de 2006, nesse mesmo período, o Ibope aponta que Germano Rigotto (PMDB) liderava com 28%. Olívio Dutra (PT) registrava 21%. Yeda Crusius (PSDB) aparece com 15%. Ao final do primeiro turno, Yeda teve 32,90% dos votos válidos. Olívio ficou com 27,39%. Rigotto, que buscava a reeleição, mas foi derrotado em primeiro turno, teve 27,12%. No segundo turno, Yeda derrotou Olívio.
Na eleição de 2010, em agosto, Tarso Genro (PT) despontava com 37%, segundo o Ibope. José Fogaça (PMDB) aparecia com 31%. Yeda Crusius (PSDB) tinha 13%. Nesse pleito, Tarso atingiu 54,35%, venceu em primeiro turno. Fogaça teve 24,74%. Yeda ficou com 18,40%.
Em 2014, no mês de agosto, dados do Ibope indicam que Ana Amélia Lemos (PP) liderava com 38%. Tarso Genro (PT) tinha 35%. José Ivo Sartori (PMDB) contabiliza apenas 5%. No entanto, Sartori teve 40,40% dos votos válidos no primeiro turno. Tarso ficou com 32,57%. Ana Amélia registrou21,79%. No segundo turno, Sartori derrotou Tarso.
Na eleição de 2018, em agosto, José Ivo Sartori (PMDB) aparecia com 19%. No Ibope, Eduardo Leite (PSDB) e Miguel Rossetto (PT) tinham 8%. Jairo Jorge (PDT) contabilizava 6%. No final do primeiro turno, Leite obteve 35,90% dos votos válidos. Sartori ficou com 31,11%. Rossetto atingiu 17,76%. Jairo ficou com 11,08%. No segundo turno, Leite venceu Sartori.
No pleito de 2022, segundo o IPEC – novo nome do Ibope, que hoje se achava Ipsos IPEC, Eduardo Leite (PSDB) liderava com 32% em agosto. Onyx Lorenzoni (PL) tinha 19%. Edegar Pretto (PT) aparecia com 7%. Ao término do primeiro turno, Onyx ficou com 37,50% dos votos válidos. Leite atingiu 26,81%, quase ficando de fora do segundo turno, já que Edegar chegou aos 26,77%.
Este histórico de surpresas eleitorais nas últimas seis disputas ao governo gaúcho são consequências de três fatores:
1) A decisão tardia de voto – uma parcela importante do eleitorado processa sua decisão eleitoral nas últimas horas, mudando de candidato poucas horas antes da eleição; e
2)A alta abstenção, que está em elevação desde 2006, tendo superado os 19% no primeiro turno de 2022; e
3) Fatos novos surgidos na reta final, impactando o humor dos eleitores
Por todos esses aspectos, as pesquisas divulgadas neste início de campanha, embora sejam um parâmetro importante, não são definitivas. Embora Zucco e Juliana polarizem a eleição, Gabriel tende a crescer, fazendo com que os três principais candidatos travem uma acirrada disputa na reta final.
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